Coordenação: Marcelo Quintão

Coordenação adjunta: Maria Wilma Faria 

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O que há de novo na interpretação na clínica das toxicomanias?

 

EMENTA 

Para Freud, diante do mal-estar inerente à cultura, o ser humano precisa lançar mão de lenitivos que possam paliar a dor de viver. Entre outros meios, inclui o uso de substâncias tóxicas com valor de remédio, tanto pelo prazer imediato que produzem quanto por um certo grau de independência em relação ao mundo exterior. Nessa leitura, ele contava com a perspectiva do tratamento pela interpretação, abordando o sintoma pela via do sentido. Mais adiante, ele nos permite ver que a busca desenfreada pela felicidade nos leva ao mais além do princípio do prazer, a vertente mortal do gozo, sublinhando o efeito pharmakon dessas substâncias.

Segundo Miller, a droga dá lugar a uma autêntica experiência para o sujeito, que não poderíamos colocar em dúvida e que produziu seu próprio vocabulário, suas próprias expressões. No entanto, ela não é uma experiência de linguagem, mas ao contrário, o que permite um curto-circuito sem mediação, uma modificação da consciência, a percepção de sensações novas, a perturbação de significações vividas do corpo e do mundo. No decorrer do último século, o uso da droga toma diversos sentidos na cultura, como o de exercer o papel de interpretar o seu tempo. Ora é instrumento de demonstrar rebeldia e protesto e busca de transformações, ora tem seu uso inserido na experimentação de novas realidades decorrentes das próprias transformações.

Com o declínio do Nome-do-Pai, que determina a subjetividade do nosso tempo, e ao desaparecerem os semblantes que permitiam regular o gozo, a droga se insere progressivamente no rol das mercadorias ofertadas de modo infinitizado pela ciência e pelo mercado, a serem consumidas de imediato. Anteriormente, na clínica, buscava-se suprimir os sintomas através de sua escuta e sua interpretação, visando abordar o gozo pulsional no contexto das relações parentais e em sua relação com a castração, mas acabava-se por inflar o sintoma e por nutri-lo de sentido.

Da interpretação semântica, que se orientava pela produção de um S2 que viesse pontuar a elaboração, contando com a continuidade do deslizamento da cadeia - delírio a serviço do Nome-do-Pai - passa-se a se buscar produzir uma interrupção da metonimização e reconduzir o sujeito à opacidade do seu gozo.

Nossa investigação se dirige então ao manejo da interpretação na abordagem do uso que o sujeito faz, numa relação de gozo autoerótico, do objeto droga, a mercadoria absoluta que realmente desvela a mais-valia e sua função de gozo, no contexto da sociedade de consumo capitalista. Mercadoria que, entre o prazer e a zona do mais além do princípio do prazer, possibilita uma passagem imediata. 

 

Referências Bibliográficas:

FREUD, Sigmund. Mal-estar na civilização. In: Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago Ed. 1969

FREUD, Sigmund. Mais-além do princípio do prazer. In: Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago Ed. 1969

LAURENT, Éric: La interpretación acontecimiento. Virtualia nº 69

LAURENT, Éric: "Post-war on drogs"? Como a psicanálise pode contribuir para o debate político sobre as drogas. In: Loucuras, sintomas e fantasias na vida cotidiana. Belo Horizonte. Scriptum Livros, 2011.

MILLER, Jacques-Alain: Para uma investigação sobre o gozo autoerótico. Pharmakon Digital - nº 2

MILLER, Jacques-Alain: Ler o sintoma. http://www.lacan21.com/sitio/2016/04/16/ler-um-sintoma/?lang=pt-br 

 

Programa - 1º semestre 2021

 

Dia 02 de março

A toxicomania, se interpreta?

Apresentação: Marcelo Quintão

Às 20:30 horas

Pelo Zoom

 

Dia 30 de março

O analista como um dealer

Apresentação: Lilany Pacheco

Às 20:30 horas

Pelo Zoom

 

Dia 20 de abril

Retorno aos clássicos

Comentário sobre a intervenção de Hugo Freda no seminário "O Outro que não existe e seus comitês de ética"

Apresentação: Cristina Pinelli Nogueira

Às 20:30 horas

Pelo Zoom

 

Dia 04 de maio

Saber ler

Apresentação: Luís Couto e Maria Wilma Faria

Às 20:30 horas

Pelo Zoom

 

Dia 18 de maio

Atividade internúcleos: Há interpretação na toxicomania?

Apresentação: Daniela Dinardi - Núcleo BH e Maria Célia Kato - do CLIN-A de Ribeirão Preto

Às 20:30 horas

Pelo Zoom

 

Dia 01 de junho

Aplicação da psicose ordinária à clínica das adicções

Apresentação: Jésus Santiago e Fabián Naparsték

Às 20:30 horas

Pelo Zoom