Núcleo de Pesquisa e Investigação em Psicanálise e Direito

 

Coordenação: Elaine Maciel

Coordenação Adjunta:  Maira Freitas

 

O encontro com um psicanalista hoje

 

Dando continuidade às investigações do semestre anterior sobre o acontecimento de corpo político, neste segundo semestre seguiremos nas discussões sobre esse tema, articulado ao Direito e enfatizando o encontro com um psicanalista hoje.

Miller nos aponta que os laços sociais na atualidade se sustentam no sintoma, em práticas de gozo e não mais na identificação. Isso incide nas formas de regulação da sociedade, pois o gozo não se submete à lei ou à regulação e aspira ao ilimitado. Se assistimos, por um lado, à docilidade do legislador em acolher as diversas formas de gozo e ao exercício de uma escuta sem interpretação, por outro, paradoxalmente, as decisões dos tribunais desconhecem ou violam esses direitos estabelecidos em leis.

O que pode o psicanalista nesse contexto?

Sobre esse momento atual, diante do fundamentalismo, do negacionismo e do neoliberalismo, com seus efeitos de segregação e de ódio maciço, estaríamos diante de um retorno ao direito divino em detrimento do direito positivo? Uma nova forma, não de regulação, mas de controle, tem se observado a partir do uso das novas tecnologias cujos efeitos sobre a subjetividade, respondendo a objetivos políticos, tendem a produzir a ignorância e o ódio que resultam na divisão da sociedade em células ou bolhas de certeza.

Temas sensíveis, como o direito ao aborto legal, repercutem de forma apaixonada e ampla no mundo. Acontecimentos recentes, como a decisão da Suprema Corte, nos Estados Unidos, revogando um direito garantido há cinquenta anos (e amparado na Constituição pelo direito à privacidade), e, no Brasil, o episódio envolvendo a decisão de negar o direito ao aborto em um caso de estupro, alertam-nos: estariam sustentadas neste retorno do fundamentalismo?

O que podemos propor sobre a nova forma de vivenciar o mundo imposta pelo modelo neoliberal e seus dispositivos de modulação e controle e sua suposta liberdade de empreender? Como abordar a submissão da subjetividade aí produzida? A discussão do filme “Você não estava aqui” nos dará a ocasião de nos debruçar mais uma vez sobre o tema.

A liberdade que interessa ao psicanalista é a liberdade da palavra, aquela que abre espaço ao sujeito. No contexto do judiciário e das demandas jurídicas, como pode o psicanalista cumprir sua função: perguntar, interpretar, querer saber?

Como a presença do analista pode operar frente às nomeações do Outro social, que tenta dar conta do real em jogo na adolescência? Há um fracasso da lei simbólica para regular esse gozo que irrompe. A nomeação teria a função de uma lei de ferro? Um nomear para? Uma resposta pela medicalização/patologização?

  

19/08 /2022

Seminário teórico: Guerra híbrida e guerra de afetos.

Apresentação: José Luiz Quadros de Magalhães, Professor doutor em Direito Constitucional da PUC e da UFMG.

Debatedora: Elaine Maciel.

Às 10:00 h.

Pelo Zoom.

 

02/09/2022

Discussão do filme “Você não estava aqui”. Diretor: Ken Loach, 2020.

(O filme se encontra no GooglePlay e You Tube e deverá ser assistido previamente).

Comentário: Jorge Pimenta.

Às 10:00 h.

Pelo Zoom.

 

16/09/2022

O direito na contemporaneidade: há lugar para o sujeito?

Apresentação: Silvia Tendlarz, Membro da EOL/AMP.

Debatedora: Mônica Campos.

Às 10:00 h.

Pelo Zoom.

 

30/09/2022

Conversação: O Direito e o desejo de filho: uma discussão sobre o aborto.

Apresentação:  Ricardo Morais, professor de Filosofia do Direito da Faculdade Milton Campos e Ondina Machado, Membro da EBP/AMP.

Às 10:00 h.

Pelo Zoom. 

 

28/10/2022

Caso clínico: Violência e confronto na adolescência: o que pode fazer borda?

Apresentação: Pedro Braccini.

Comentário: Sérgio Laia.

Às 10:00 h.

Pelo Zoom.

 

11/11/2022

Conversação sobre a investigação do semestre.

Apresentação: Elaine Maciel.

Coordenação: Maira Freitas.

Às 10:00 h.

Pelo Zoom.