{"id":1025,"date":"2017-07-17T06:57:40","date_gmt":"2017-07-17T09:57:40","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1025"},"modified":"2025-12-01T16:23:43","modified_gmt":"2025-12-01T19:23:43","slug":"vacilacoes-salutares-travelling-pela-virilidade-no-seculo-xx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2017\/07\/17\/vacilacoes-salutares-travelling-pela-virilidade-no-seculo-xx\/","title":{"rendered":"Vacila\u00e7\u00f5es Salutares: Travelling Pela Virilidade No S\u00e9culo XX"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>CAMILO RAMIREZ<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6-Virilidade-Louise-Bourgeois-HANGING-TO-LIFE-ON-A-THREAD-2002.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"660\" data-large_image_height=\"483\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1028\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6-Virilidade-Louise-Bourgeois-HANGING-TO-LIFE-ON-A-THREAD-2002.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"483\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6-Virilidade-Louise-Bourgeois-HANGING-TO-LIFE-ON-A-THREAD-2002.jpg 660w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6-Virilidade-Louise-Bourgeois-HANGING-TO-LIFE-ON-A-THREAD-2002-300x220.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<h6><strong>LOUISE BOURGEOIS, HANGING (TO LIFE) ON A THREAD 2002.<\/strong><\/h6>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>\u201c(\u2026) o sujeito s\u00f3 pode de fato centrar seu desejo se opondoao que chamaremos de uma virilidade absoluta (\u2026)\u201dJACQUES LACAN, O Semin\u00e1rio, livro V: as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As encarna\u00e7\u00f5es da virilidade, desde o come\u00e7o do s\u00e9culo XX at\u00e9 os dias de hoje, conheceram varia\u00e7\u00f5es surpreendentes e particularmente instrutivas para a psican\u00e1lise, sobre as diversas maneiras de representar os semblantes da exibi\u00e7\u00e3o masculina. Desde o imponente Rudolph Valentino em O filho do sheik at\u00e9 o magricela Adrien Brody como her\u00f3i improv\u00e1vel em Viagem a Darjeeling, de Wes Anderson, estende-se uma robusta galeria adotando, tal como um camale\u00e3o, as cores com as quais cada \u00e9poca erige a figura que supostamente um homem deve ser. Embora ambos sejam generosamente providos de espessas sobrancelhas que v\u00eam recobrir um olhar melanc\u00f3lico, o que cada um consegue arrancar como suspiros femininos no in\u00edcio dos \u00faltimos dois s\u00e9culos revela as transforma\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s representa\u00e7\u00f5es da virilidade, desde a entrada na modernidade industrial at\u00e9 o panorama atual, de um mundo que tenta, tanto quanto poss\u00edvel, n\u00e3o negar mais sua feminiza\u00e7\u00e3o triunfante, buscando, ao mesmo tempo, fazer o luto da suposta consist\u00eancia dos \u2018verdadeiros homens\u2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o existem mais homens\u2026 desde sempre!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto para o soci\u00f3logo quanto para o historiador, a virilidade se conjuga no plural, pois ela corresponde a v\u00e1rias \u201cconstru\u00e7\u00f5es sociais dos atributos masculinos\u201d, como afirma Jean-Jacques Courtine em Hist\u00f3ria da virilidade (2011), formid\u00e1vel percurso em tr\u00eas volumes que ele dirigiu com Alain Corbin e Georges Vigarello. Essa obra \u00e9 atravessada por um fio condutor: os semblantes da virilidade s\u00e3o sempre erigidos num contexto de ang\u00fastia de impot\u00eancia e de recusa da feminilidade[1].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um primeiro fato de estrutura surpreendente emerge de nossa leitura: trata-se da constata\u00e7\u00e3o segundo a qual o sintagma contempor\u00e2neo, conhecido pelo nome de \u2018decl\u00ednio da virilidade\u2019, j\u00e1 teve o privil\u00e9gio de ser o diagn\u00f3stico de civiliza\u00e7\u00e3o mais atual por v\u00e1rios per\u00edodos da Hist\u00f3ria. Uma inquieta\u00e7\u00e3o que data do in\u00edcio dos tempos parece impelir os falasseres a lan\u00e7ar um grito de alarme, de modo recorrente, para denunciar que os homens n\u00e3o se moldam mais pelos significantes-mestres que comandam sua \u00e9poca. Assim, numerosas s\u00e3o as \u00e9pocas em que sopram ares de p\u00e2nico ao ver os homens se distanciarem das ins\u00edgnias imputadas \u00e0 virilidade, oscilando entre um \u2018demasiado\u2019 e um \u2018n\u00e3o o suficiente\u2019 assim que s\u00e3o avaliados \u00e0 luz daquilo que os ideais ditam sobre como um homem digno desse nome deve se comportar na exist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e3o numerosas quanto apaixonantes, as escalas do percurso detalhadas por J.-J. Courtine (2011) s\u00e3o instrutivas em v\u00e1rios sentidos, e poderemos abordar, aqui, apenas algumas delas. O decl\u00ednio do Imp\u00e9rio Romano viu seus cidad\u00e3os serem invadidos pela nostalgia da austeridade dos homens da Primeira Rep\u00fablica. A passagem do s\u00e9culo XVI ao s\u00e9culo XVII n\u00e3o se produziu sem despertar alguns pavores no momento em que o refinamento do duelo do homem da corte e suas maneiras artificiais substitu\u00edram a armadura do impetuoso cavaleiro. O oper\u00e1rio robusto de ombros largos, do couro endurecido pelo sol da segunda metade do s\u00e9culo XIX, foi substitu\u00eddo nas tarefas mais \u00e1rduas por pesadas m\u00e1quinas. Esse progresso n\u00e3o deixa de provocar uma deflagra\u00e7\u00e3o a partir da qual ele teme, tal como o vapor invadindo os c\u00e9us da revolu\u00e7\u00e3o industrial, que seu estofo vigoroso desapare\u00e7a como fuma\u00e7a. Enfim, foi no s\u00e9culo XX que a \u201cprova de fogo\u201d deixou de ser o alto forno no qual se forja a virilidade (COURTINE, 2001, p. 9). No lugar da velha equa\u00e7\u00e3o entre virilidade e hero\u00edsmo guerreiro oriundo do \u2018todos iguais\u2019 diante do pavor da Primeira Grande Guerra, vir\u00e1 responder o fascismo com sua vers\u00e3o delirante do viril, aquela dos corpos exaltados da ra\u00e7a dos mestres, avan\u00e7ando como um s\u00f3 homem (CHAPOUTOT, 2001).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para J.-J. Courtine, se existiram sempre discursos sobre o viril, o peculiar do s\u00e9culo XX, \u00e9 que ele conhece \u201cmovimentos conscientes e combinados para desconstruir o mito da virilidade\u201d (2001).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dessa longa cadeia de substitui\u00e7\u00f5es, em que os floretes delicados substitu\u00edram as pesadas lan\u00e7as dos torneios, J.-J Courtine (2001) extrai uma tese que nos interessa: \u201cCada grande transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica produz esse sentimento de desperd\u00edcio viril\u201d. Aqui, escoa um temor que profetiza ciclicamente a iminente extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Dif\u00edcil n\u00e3o apreender aqui o indicador de um real \u2013 aquele da presen\u00e7a do menos phi (-\u03c6) constituinte de toda virilidade \u2013 se desnudando no momento em que os semblantes que recobrem a falta constitutiva vacilam com a chegada de significantes novos. Aqui est\u00e1, portanto, um ponto impressionante que ilustra de maneira surpreendente uma outra tese, de Jacques-Alain Miller (2011): \u201cA virilidade repousa sobre essa obtura\u00e7\u00e3o da castra\u00e7\u00e3o fundamental de todo ser falante marcado menos phi (-\u03c6) por um pequeno a[2].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Retratos de homens na tela do cinema<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desse caleidosc\u00f3pio proposto pela Hist\u00f3ria da virilidade, vou desenvolver um s\u00f3 t\u00f3pico, o das metamorfoses de figuras de homens mostradas nas telas da hist\u00f3ria do cinema. Essas representam um rica fonte de ensinamentos, principalmente sobre as diversas amarra\u00e7\u00f5es que d\u00e3o \u00e0 virilidade sua armadura segundo as \u00e9pocas. A captura exercida pela s\u00e9tima arte faz ressaltar a tens\u00e3o pr\u00f3pria da estrutura da virilidade: o que se edifica como poder de sedu\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio vela e desvela, ao mesmo tempo, uma s\u00e9rie de varia\u00e7\u00f5es surpreendentes; esse ponto real preliminar a toda vestimenta f\u00e1lica que \u00e9 a castra\u00e7\u00e3o, fazendo surgir, do lado simb\u00f3lico, nomea\u00e7\u00f5es, sempre ilus\u00f3rias ou mesmo ef\u00eameras, do ser masculino. Se a primeira metade do \u00faltimo s\u00e9culo \u00e9 a da virilidade que se confunde com o uniforme, seja ele legion\u00e1rio, aventureiro ou forzuto[3] (DE BAECQUE, 2011, p. 225) bigodudo, instalando-se invariavelmente sob o signo do irrepreens\u00edvel e de uma coragem que n\u00e3o recua diante de nada, a segunda metade \u00e9 bem mais interessante, pois ela consente em deixar emergir, pouco a pouco, uma outra representa\u00e7\u00e3o da virilidade, da\u00ed para frente marcada pela incompletude e n\u00e3o temendo mais mostrar seus la\u00e7os mais \u00edntimos com a falta e com a verdade mentirosa. Os trabalhos do historiador Antoine de Baecque (2008) sobre a virilidade no cinema, principalmente a respeito da Nouvelle Vague, desenvolvem um trajeto apaixonante sobre a quest\u00e3o e constituem nosso ponto de apoio para delimitar, de um modo singular, uma tem\u00e1tica cara \u00e0 psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir da Segunda Guerra Mundial, os her\u00f3is masculinos do cinema se mostram cada vez mais marcados por algo que rompe com uma harmonia, mantendo rela\u00e7\u00f5es pouco n\u00edtidas com a lei: eles s\u00e3o meio her\u00f3is, meio bandidos. Erguendo-se diante da vida sobre muletas que mancam, s\u00e3o solit\u00e1rios melanc\u00f3licos, rabugentos mal-barbeados e mal-lambidos que exercem um poder de fascina\u00e7\u00e3o intimamente ligado a esse modo de deixar aparecer o peso que arrastam pela exist\u00eancia. Se Anthony Quinn n\u00e3o encarna totalmente uma figura da sedu\u00e7\u00e3o em A estrada da vida, de Federico Fellini, nos lembraremos principalmente do homem, por tr\u00e1s do bruto est\u00fapido, que chora sua ang\u00fastia diante do mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse movimento j\u00e1 havia acontecido com Humphrey Bogart em Casablanca. Seu fraseado \u00e9 seco; sua voz, rouca e, embora esta \u00faltima n\u00e3o trema na pista no momento em que ele deixa partir sua amada, a emo\u00e7\u00e3o causada por essa cena m\u00edtica reside inteiramente no surgimento do objeto que se desprende, esse pequeno a levemente velado que desponta na luz sombreada do olhar, \u201chere\u2019s looking at you, kid\u201d, objeto de uma insond\u00e1vel extra\u00e7\u00e3o que se l\u00ea na firmeza do ato. \u00c9 um consentimento com a perda que leva em conta um real a ser alcan\u00e7ado e que d\u00e1 ao ato seu aspecto l\u00edmpido. Assim, o cinema ultrapassa um limiar em que virilidade e assun\u00e7\u00e3o de um ponto de castra\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o mais incompat\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois da guerra, a vacila\u00e7\u00e3o da figura do grande Outro e dos ideais que o sustentavam como alicerces se reflete na representa\u00e7\u00e3o do viril, diminuindo-o, por sua vez. A figura do belo homem d\u00e1 lugar a uma mistura de despreocupa\u00e7\u00e3o e de rebeli\u00e3o, em que os her\u00f3is n\u00e3o aparecem mais em um dia triunfante, tampouco seu destino \u00e9 particularmente feliz. Marlon Brando e James Jean, com um palito ou cigarro na ponta dos l\u00e1bios, casaco de couro nas highways e camisetas justas sobre corpos musculosos (DE BEACQUE, 2001) \u2013 todos esses atrativos que despertam os olhares e que os constroem como fetiches nas telas do cinema n\u00e3o conseguem ocultar, sob a f\u00faria, a dor de viver. Assim, a captura exercida pela animalidade decidida de M. Brando como Stanley Kowalski em Um bonde chamado desejo \u00e9 solid\u00e1ria porque nos faz testemunhas de seu destino impiedoso. E o fen\u00f4meno que faz de James Dean um mito, quando ele d\u00e1 vida a Jim Stark, em Rebelde sem causa, deve muito a essa encarna\u00e7\u00e3o de uma virilidade que deixa aparecer uma fragilidade, ou mesmo um desespero, atrav\u00e9s do qual toda uma gera\u00e7\u00e3o de homens pode, enfim, se reconhecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marlon Brando, filmado por Elia Kazan em Sindicato de ladr\u00f5es, permanecer\u00e1 como a pr\u00f3pria presentifica\u00e7\u00e3o de uma nova vers\u00e3o da masculinidade, em que o her\u00f3i, sem arestas, \u00e9 substitu\u00eddo pelo homem atormentado, torturado internamente. A r\u00e9plica francesa do duo americano m\u00edtico ficar\u00e1 a cargo da Nouvelle Vague, nas m\u00e3os de Jean-Paul Belmondo e Jean-Louis Trintignant, entre outros que, representando uma \u2018hipermasculinidade\u2019, permitem o reconhecimento de uma \u201cvirilidade do desespero\u201d (DE BAECQUE, 2001, p. 460).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Virilidades da luz, virilidades da sombra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apaixonado desde a inf\u00e2ncia pelos westerns de qualidade, a leitura de A. De Baecque (2001, p. 453) sobre as declina\u00e7\u00f5es viris do cowboy, essa \u201cvirilidade monol\u00edtica e solit\u00e1ria\u201d, me impactou a ponto de querer desempoeirar esses encontros cin\u00e9filos que me marcaram. Para ir diretamente ao ponto, digamos que h\u00e1 tamb\u00e9m, nesse registro, uma virada em que esse \u00edcone t\u00e3o caricatural do viril, mesmo conservando suas ins\u00edgnias, come\u00e7a a se despojar dessa resistente retid\u00e3o masculina, que fazia com que esse homem empurrasse, sem medo, as portas vai-e-vem dos piores saloons do velho Oeste. Fazemos, assim, subir ao palco homens crepusculares cuja bravura n\u00e3o oculta mais o estreito fio que os une \u00e0 vida. De Baecque mostra essa transforma\u00e7\u00e3o por meio de uma bela f\u00f3rmula, dizendo que s\u00e3o estes \u201cos primeiros her\u00f3is desses desdobramentos do positivo em negativo, do puro em impuro, de uma virilidade da luz em uma virilidade da sombra (2001, p. 455)\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa antec\u00e2mara da p\u00f3s modernidade, o estatuto do Outro conhece suas primeiras fissuras; a seguran\u00e7a de John Wayne, Gregory Peck e Burt Lancaster desaparece progressivamente por tr\u00e1s da silhueta fr\u00e1gil e emocionante de James Stewart, um pequeno charmoso nesse mundo de brutos, enquanto Gary Cooper, em Matar ou morrer, atravessa a cidade constatando que sua autoridade e sua imponente imagem falham em inspirar coragem aos outros homens. Nas cidades dos covardes, Cooper \u00e9 essa exce\u00e7\u00e3o que perambula pelas ruas vazias, segurando seus Colts, engolindo a saliva, medindo a amplitude de sua solid\u00e3o, enquanto os ponteiros do rel\u00f3gio avan\u00e7am em dire\u00e7\u00e3o a um inevit\u00e1vel encontro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vulnerabilidade viril ganhar\u00e1 corpo principalmente com os grandes mestres que s\u00e3o John Ford e Anthony Mann. Nem o olhar penetrante de Yul Brynner, nem a indol\u00eancia rude de Steve MacQueen, n\u00e3o mais do que a resposta de James Coburn \u2013 \u201cN\u00e3o, ningu\u00e9m me manda ir aonde eu n\u00e3o quero\u201d \u2013, ser\u00e3o suficientes para deter esse movimento de civiliza\u00e7\u00e3o, nos quais em Sete homens e um destino ser\u00e3o cada vez mais atra\u00eddos pela perspectiva de n\u00e3o mais se esfor\u00e7arem para ocultar suas falhas para se reconciliarem, por menos que seja, com seu destino de magn\u00edficos perdedores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo XX, contra todas as expectativas, no momento em que se d\u00e1 a passagem da p\u00f3s modernidade para a hipermodernidade, Clint Eastwood (DE BAECQUE, 2001, p. 457) d\u00e1 uma volta a mais nesse processo, atrav\u00e9s de dois relatos que acabam por fazer desconsistir os semblantes dessa rude virilidade \u00e0 moda antiga, que ele mesmo j\u00e1 havia trazido para as telas de modo parox\u00edstico, na vertente dirty, desde O bom, o mau e o feio. Diferentemente dos cavaleiros sem piedade de Sam Peckinpah, os de Clint Eastwood, apesar de se manterem no limbo, n\u00e3o perderam a humanidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os her\u00f3is de O cavaleiro solit\u00e1rio (1985) e Os imperdo\u00e1veis (1992) est\u00e3o envelhecidos e cansados. Eretos em seus cavalos, com seus casacos desbotados, eles atravessam plan\u00edcies glaciais, um pouco como El Cid em seu cavalo, mais mortos do que vivos, j\u00e1 que, em um nowhere land, um \u00faltimo combate os espera. Moldados por lutos, eles t\u00eam sempre a coragem como fiel companheira, mas n\u00e3o em todos os campos; eles desistiram, h\u00e1 muito tempo, de se meter com o terror do desejo feminino. Eles t\u00eam a palavra direta daqueles que conhecem um pouco sobre o real que est\u00e1 no centro de toda vida, mas, contrariamente ao analisante, que reconhece essa zona sem garantia e sem lei, nenhum entusiasmo conduz seus passos. E, no entanto, esses riders mumificados nos fascinam; essa virilidade seca feita de sil\u00eancios e de mist\u00e9rios, para sempre indecifr\u00e1veis, exerce um poder de sedu\u00e7\u00e3o evidente. Muito cedo, ao amanhecer, sem nenhum Outro como testemunha, eles enfrentam, sozinhos, um real recalcitrante de rosto cruel, antes de desaparecerem bem devagar no nevoeiro. Essas \u00faltimas tomadas de horizontes desabitados, antes dos cr\u00e9ditos finais, evocam a que ponto os destinos da deflagra\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, no rider e no analisante, bifurcam. Penso na vontade decidida de Lacan de encontrar uma sa\u00edda para o impasse freudiano do rochedo da castra\u00e7\u00e3o, concebendo um final de an\u00e1lise no qual a eleva\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica do falo (Cf. MILLER, 2011) cessa de tamponar o furo da castra\u00e7\u00e3o, tanto para os homens quanto para as mulheres. A experi\u00eancia psicanal\u00edtica prop\u00f5e uma outra sa\u00edda, diferente da melancolia do cowboy p\u00f3s-moderno, pois a assun\u00e7\u00e3o do \u2018\u00e9 assim\u2019 diante da falta no Outro, longe de mumificar o corpo do falasser, o irriga com um desejo firme, que vem real\u00e7ar o gosto de viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse movimento do western sombrio ganha tamb\u00e9m a literatura contempor\u00e2nea at\u00e9 atingir um \u00e1pice de escurid\u00e3o e de refinamento na \u201cTrilogia da fronteira\u201d, de Cormac MacCarthy. No cinema, a virilidade do westerner crepuscular se manifesta ainda hoje, oferecendo, \u00e0s vezes, encarna\u00e7\u00f5es de exce\u00e7\u00e3o, a exemplo de Jeff Bridges, no remake de Bravura ind\u00f4mita, pelos irm\u00e3os Coen, her\u00f3i que se inscreve na longa s\u00e9rie dos cowboys mutilados, aqueles que devem continuar a viver com um peda\u00e7o do corpo literalmente arrancado. Velho, alco\u00f3latra e cego de um olho, esse xerife se ergue no meio de moribundos para dar prova de coragem pela \u00faltima vez, e seu ato \u00e9 ainda mais tocante porque o homem quase n\u00e3o consegue se manter de p\u00e9 e seu fuzil mira o lado em vez do alvo. Na grandiosa sequ\u00eancia final, podemos v\u00ea-lo atravessar o deserto, a galope, em uma noite estrelada, para salvar a jovem hero\u00edna de uma agonia certa, at\u00e9 fazer explodir o cora\u00e7\u00e3o de seu cavalo e continuar a corrida, a p\u00e9, perdendo o f\u00f4lego, encontrando for\u00e7as, n\u00e3o se sabe onde, para colocar um p\u00e9 diante do outro. A c\u00e2mera se distancia progressivamente do cavalo, antes fogoso, agora morto no ch\u00e3o. E \u00e9 ent\u00e3o que sabemos que a verdadeira coragem no masculino n\u00e3o acontece sem perda: ele \u00e9 aquele que, para avan\u00e7ar, se apoia mais na falta, de onde seu desejo se origina, do que em seus atributos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Destinos de uma aspira\u00e7\u00e3o obstinada<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O futuro da virilidade no cinema e seus destinos em um trajeto anal\u00edtico n\u00e3o deveriam se confundir, e, no entanto, um ponto de intersec\u00e7\u00e3o pode ser fixado. J.-A. Miller abordou esse ponto em sua aula \u201cO Ser e o Um\u201d, insistindo na inven\u00e7\u00e3o do passe, por Lacan, como uma sa\u00edda para superar esse obst\u00e1culo que \u00e9 a aspira\u00e7\u00e3o viril nos dois sexos, tal como Freud o formalizou em \u201cAn\u00e1lise finita e an\u00e1lise infinita\u201d. Christiane Alberti retomou essa problem\u00e1tica recentemente, apresentando, a respeito do destino da fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica depois do final da an\u00e1lise, que esse falo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>enquanto significante que falta ao Outro, \u00e9 intranspon\u00edvel. Ele n\u00e3o designa nenhuma singularidade triunfante. A esse respeito, o psicanalista fica \u00e0 parte, n\u00e3o a partir de uma identifica\u00e7\u00e3o, nem de um tra\u00e7o de exce\u00e7\u00e3o, mas da destitui\u00e7\u00e3o de sua virilidade (ALBERTI, 2016, s\/p.).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estamos interessados, aqui, em alguns retratos de homens no cinema que revelam o quanto a virilidade depende de uma constru\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica, deixando advir vers\u00f5es modernas nas quais o que prevalece n\u00e3o \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, mas uma certa separa\u00e7\u00e3o do objeto que vem tamponar a castra\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o nos surpreende que as figuras de homens que se destacam, aquelas que nos tocam e permanecem, sejam aquelas nas quais percebemos um modo de compor com o menos phi (-\u03c6).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas telas do s\u00e9culo XXI, a grande noite do cinema continua com uma nova galeria de homens advertidos sobre a falta: Vincent Gallo, em Tetro, n\u00e3o encontrar\u00e1 a firmeza de sua escrita sem antes ter enfrentado perdas sem nome; Joaquim Phoenix, em Amantes, vacilando, decide viver deixando cair uma alian\u00e7a nas areias de Coney Island enquanto, em algumas tomadas sublimes, a virilidade retra\u00edda de Gaspar Ulliel basta para eclipsar a virilidade caricata do personagem interpretado por Vincent Cassel em \u00c9 apenas o fim do mundo. Diante dessa infinidade de maneiras de reconhecer sua pr\u00f3pria vulnerabilidade, ficamos, como nunca, perturbados.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>A ESTRADA DA VIDA (La Strada). Dire\u00e7\u00e3o: Federico Fellini. It\u00e1lia. Dist. Beta Film, 1954, P&amp;B, 108 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>ALBERTi C., \u201cO\u00f9 sont les hommes? Du fantasme \u00e0 l\u2019heure du d\u00e9clin de la virilit\u00e9\u201d, Hebdo-Blog, N\u00ba 72, 29 de maio de 2016, Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.hebdo-blog.fr\/ou-sont-les-hommes-du-fantasme-a-lheure-du-declin-de-la-virilite\/.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>AMANTES (Two Lovers). Dire\u00e7\u00e3o: James Gray. EUA. Dist. Magnolia Pictures, 2008, cor, 100 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>BRAVURA IND\u00d4MITA (True Grit). Dire\u00e7\u00e3o: Ethan e Joel Coen. EUA. Dist. Paramount Pictures, 2010, cor, 110 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>CASABLANCA. Dire\u00e7\u00e3o: Michael Curtiz. EUA. Dist. Warner Bros. 1942, P&amp;B, 102 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>CHAPOUTOT, J. \u201cVirilit\u00e9 fasciste\u201d. In: COURTINE J.-J. Histoire de la virilit\u00e9, t. III, Paris, Seuil, 2001, p. 285-307.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>COURTINE J.-J. \u201cC\u2019est quoi \u00eatre um homme viril?\u201d, Les inRocks.fr, 17 de outubro de 2011, dispon\u00edvel em: www.lesinrocks.com\/2011\/10\/17\/actualite\/cest-quoi-etre-un-homme-viril-118324.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>COURTINE J.-J. Histoire de la virilit\u00e9, t. III, Paris, Seuil, 2001.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>DE BAECQUE, A. \u201cProjections: la virilit\u00e9 \u00e0 l\u2019\u00e9cran\u201d. In : COURTINE J.-J., Histoire de la virilit\u00e9, ______.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>DE BAECQUE, A. La Nouvelle Vague: Portrait d\u2019une jeunesse. Paris, Flammarion, 2008.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>\u00c9 APENAS O FIM DO MUNDO (Juste la Fin du Monde). Dire\u00e7\u00e3o: Xavier Dol\u00e1n. CAN\/FRA. Dist. Entertainment One, 2016, cor, 97 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>MATAR OU MORRER (High Noon). Dire\u00e7\u00e3o: Fred Zinnemann. EUA. Dist. United Artists, 1952, P&amp;B, 85 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>MILLER J.-A. \u201cA orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. O Ser e o Um\u201d (2010-2011). Op. cit., aula de 9 de fevereiro 2011, in\u00e9dita.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>O BOM, O MAU E O FEIO (The Good, the Bad and the Ugly). Dire\u00e7\u00e3o: Sergio Leone. EUA\/ITA\/ESP\/ALEM. OC. Dist. United Artists, 1966\/1967, cor, 177 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>O CAVALEIRO SOLIT\u00c1RIO (Pale Rider). Dire\u00e7\u00e3o: Clint Eastwood. EUA. Dist. Warner Bros., 1985, cor, 116 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>O FILHO DO SHEIK (The Son of the Sheik). Dire\u00e7\u00e3o: George Melford. EUA. Dist. Paramount Pictures, 1921, P&amp;B, 80 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>OS IMPERDO\u00c1VEIS (Unforgiven). Dire\u00e7\u00e3o: Clint Eastwood. EUA. Dst. Warner Bros. 1992, cor, 131 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>REBELDE SEM CAUSA (Rebel Without a Cause). Dire\u00e7\u00e3o: Nicholas Ray. EUA. Dist. Warner Bros., 1955, cor, 111 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>SETE HOMENS E UM DESTINO (The Magnificent Seven). Dire\u00e7\u00e3o: John Sturges. EUA. Dist. United Artists, 1960, cor, 128 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>SINDICATO DE LADR\u00d5ES (On the Waterfront). Dire\u00e7\u00e3o: Elia Kazan. EUA. Dist. Columbia Pictures Corporation, 1954, P&amp;B, 108 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>TETRO. Dire\u00e7\u00e3o: Francis Ford Coppola. EUA\/ARG\/ESP. Dist. American Zoetrope, 2009, cor, 126 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>UM BONDE CHAMADO DESEJO (A Streetcar Named Desire). Dire\u00e7\u00e3o: Elia Kazan. EUA. Dist. Warner Bros., 1951, P&amp;B, 125 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>VIAGEM A DARJEELING (The Darjeeling Limited). Dire\u00e7\u00e3o: Wes Anderson. EUA. Dist. Fox Home Entertainment, 2007, cor, 91 min.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>[1] Cf. MILLER, J.-A. A orienta\u00e7\u00e3o lacaniana: o Ser e o Um (2010-2011), ensino pronunciado no contexto do departamento de psican\u00e1lise da universidade Paris VIII, aula de 17 de outubro de 2011, in\u00e9dita.<\/h6>\n<h6>[2] MILLER, J.-A. Op. cit., aula de 9 de fevereiro 2011, in\u00e9dita.<\/h6>\n<h6>[3] Robusto.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>CAMILO RAMIREZ<\/strong><\/h6>\n<h6>Psicanalista, membro da \u00c9cole de la Cause Freudienne\u00a0<span id=\"cloakf08f1988d0277afeba8c08077da14d70\"><a href=\"mailto:camilo.ramirez@9online.fr\">camilo.ramirez@9online.fr<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAMILO RAMIREZ &nbsp; LOUISE BOURGEOIS, HANGING (TO LIFE) ON A THREAD 2002. \u201c(\u2026) o sujeito s\u00f3 pode de fato centrar seu desejo se opondoao que chamaremos de uma virilidade absoluta (\u2026)\u201dJACQUES LACAN, O Semin\u00e1rio, livro V: as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente. &nbsp; As encarna\u00e7\u00f5es da virilidade, desde o come\u00e7o do s\u00e9culo XX at\u00e9 os dias de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58049,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-1025","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-20","category-16","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1025","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1025"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1025\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58050,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1025\/revisions\/58050"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1025"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1025"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}