{"id":1080,"date":"2021-07-17T07:16:23","date_gmt":"2021-07-17T10:16:23","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1080"},"modified":"2025-12-01T13:34:21","modified_gmt":"2025-12-01T16:34:21","slug":"amor-e-gozo-qual-articulacao-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2021\/07\/17\/amor-e-gozo-qual-articulacao-possivel\/","title":{"rendered":"Amor E Gozo: Qual Articula\u00e7\u00e3o Poss\u00edvel?"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>LAURA RUBI\u00c3O<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/CaoGuimaraes_Gambiarras_25.png\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"810\" data-large_image_height=\"1080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1081\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/CaoGuimaraes_Gambiarras_25-768x1024.png\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/CaoGuimaraes_Gambiarras_25-768x1024.png 768w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/CaoGuimaraes_Gambiarras_25-225x300.png 225w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/CaoGuimaraes_Gambiarras_25.png 810w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>CAO GUIMARAES<\/strong><\/h6>\n<p>No intuito de dissolver poss\u00edveis mal-entendidos na apreens\u00e3o de seu ensino, Freud adverte:\u201dusamos a palavra \u2018sexualidade\u2019 no mesmo sentido compreensivo que aquele em que a l\u00edngua alem\u00e3 usa a palavra lieben (\u2018amar\u2019).\u201d (Freud, 1910\/1996, p. 234).<\/p>\n<p>O dom\u00ednio do sexual se expande ao campo do amor e a psican\u00e1lise n\u00e3o poderia se reduzir a nenhuma sexologia ou ci\u00eancia do comportamento sexual estrito senso. O campo do amor se expande, por sua vez, englobando os conceitos de libido, afeto, puls\u00e3o \u2013 libertando-se, tamb\u00e9m, de uma vis\u00e3o rom\u00e2ntica ou idealizada. O amor de transfer\u00eancia, que desde sempre esteve na base da experi\u00eancia anal\u00edtica, n\u00e3o \u00e9 da ordem nem do comportamento (como pretendeu Breuer, em seu recha\u00e7o moral), nem da ordem de uma constru\u00e7\u00e3o fantasiosa que encerra simplesmente a mentira, o engodo ou o erro. \u00c9 um amor genu\u00edno, nos diz Freud, na medida em que engloba os mais aut\u00eanticos impulsos afetivos do sujeito.<\/p>\n<p>Freud reitera o car\u00e1ter poliss\u00eamico do amor no texto \u201cAs puls\u00f5es e seus destinos\u201d: \u201cassim, a palavra \u2018amar\u2019 desloca-se cada vez mais para a esfera da pura rela\u00e7\u00e3o desprazer do Eu com o objeto e se fixa, finalmente nos objetos sexuais no sentido mais restrito e naqueles que satisfazem as necessidades das puls\u00f5es sexuais sublimadas\u201d (Freud, 1915\/2013, p. 57).<\/p>\n<p>Amplia-se o leque que vai da satisfa\u00e7\u00e3o sexual pura e simples \u2013 uma rela\u00e7\u00e3o singular entre o eu e seus objetos de prazer e a vers\u00e3o sublimada do amor, no sentido de Eros, elo de uni\u00e3o entre os homens, num plano mais universal.<\/p>\n<p>A tem\u00e1tica do amor em Freud se desdobra numa esp\u00e9cie de montagem que envolve a satisfa\u00e7\u00e3o pulsional \u2013 que primariamente \u00e9 autoer\u00f3tica, limitada a pequenas \u2018ilhas de gozo\u2019 ou zonas er\u00f3genas -, o Eu como superf\u00edcie corporal e os objetos.<\/p>\n<p><strong>O amor narc\u00edsico<\/strong><\/p>\n<p>No texto sobre o narcisismo, Freud demarca os fundamentos do amor pr\u00f3prio ou do amor de si, insepar\u00e1vel da constitui\u00e7\u00e3o da imagem de si como um corpo, a partir do olhar do Outro. Ele deixa claro que esse la\u00e7o primitivo que se produz na captura da imagem de si, engloba um n\u00f3 que concerne tamb\u00e9m \u00e0s puls\u00f5es mais primitivas e que, apenas posteriormente, leva-se em conta o mundo externo e seus objetos:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>\u201c(\u2026) uma unidade compar\u00e1vel ao ego n\u00e3o pode existir no indiv\u00edduo desde o come\u00e7o; o ego tem de ser desenvolvido. Os instintos auto-er\u00f3ticos, contudo, ali se encontram desde o in\u00edcio, sendo, portanto necess\u00e1rio que algo seja acrescentado ao auto-erotismo \u2013 uma nova a\u00e7\u00e3o ps\u00edquica \u2013 a fim de provocar o narcisismo\u201d (Freud, 1914\/1974, p.93).<\/em><\/p>\n<p>No in\u00edcio est\u00e1 o corpo fragmentado com suas pequenas ilhas de frui\u00e7\u00e3o autoer\u00f3tica: as chamadas zonas er\u00f3genas. Freud nos apresenta um processo complexo de idas e vindas nos circuitos de investimento libidinal que se instauram a partir do encontro do sujeito com sua pr\u00f3pria imagem projetada de fora. Desse encontro emerge, paradoxalmente, o dom\u00ednio do exterior, que \u00e9 tamb\u00e9m o dom\u00ednio do n\u00e3o-eu, do que \u00e9 estranho, impr\u00f3prio \u00e0 estabilidade de uma suposta unidade inata. Este que \u00e9 visto fora sou eu. Lacan n\u00e3o tratou da unidade imagin\u00e1ria, sen\u00e3o como uma \u201cemancipa\u00e7\u00e3o jubilat\u00f3ria\u201d a contrastar com essa fragmenta\u00e7\u00e3o corporal inerradic\u00e1vel. Se o pequeno sujeito se rejubila com a pr\u00f3pria imagem isso n\u00e3o acontece, a n\u00e3o ser sob o pano de fundo de uma separa\u00e7\u00e3o ou perda. Para Lacan, algo fica sempre fora do reflexo do espelho, o que ele chamou de objeto a.<\/p>\n<p>Esse espa\u00e7o fora que, no entanto, me constitui, Freud o relaciona com a perspectiva da perda de libido, com a inscri\u00e7\u00e3o de um menos de satisfa\u00e7\u00e3o presente nas rela\u00e7\u00f5es amorosas, nas forma\u00e7\u00f5es ideais que imprimem sempre um intervalo ou defasagem entre o que somos e o que gostar\u00edamos de ser (ou ter sido), entre o que cumprem nossos filhos (herdeiros dessa marca narc\u00edsica) e o que gostar\u00edamos que eles fossem de acordo com nossa medida ideal. Esse movimento de perda e doa\u00e7\u00e3o instaura a falta e o desejo para al\u00e9m de toda demanda que vise \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o de uma unidade imagin\u00e1ria perdida. Se o amor \u00e9 dar o que n\u00e3o se tem, \u00e9 porque ele se nutre de um objeto perdido.<\/p>\n<p><strong>O Um que goza sozinho e a supl\u00eancia amorosa<\/strong><\/p>\n<p>Conhecemos a c\u00e9lebre defini\u00e7\u00e3o freudiana da puls\u00e3o como conceito fronteiri\u00e7o \u201centre o an\u00edmico e o som\u00e1tico, como representante ps\u00edquico dos est\u00edmulos oriundos do interior do corpo que alcan\u00e7am a alma, como uma medida da exig\u00eancia de trabalho imposta ao an\u00edmico em decorr\u00eancia de sua rela\u00e7\u00e3o com o corporal\u201d (Freud, 1915\/2013, p.25). Tudo que diz respeito ao corpo e sua exig\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o para o sujeito mostra-se insepar\u00e1vel da linguagem que preside, para Lacan, o campo do an\u00edmico. Lidamos sempre em nossa cl\u00ednica com a perspectiva do corpo falante, aquele que fala a l\u00edngua singular dos afetos que subjaz a toda rela\u00e7\u00e3o amorosa. O amor porta, portanto, a marca da conting\u00eancia e do que \u00e9 inexplic\u00e1vel pelo senso comum.<\/p>\n<p>A puls\u00e3o \u00e9 uma for\u00e7a constante rumo \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o, por meio do uso inaudito do objeto, sempre vari\u00e1vel e inconveniente do ponto de vista biol\u00f3gico. A boca serve para comer, beijar e falar. Lacan, no Semin\u00e1rio 11, afirma que a puls\u00e3o \u00e9 uma montagem sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a, do tipo surrealista e tamb\u00e9m ac\u00e9fala. (Lacan, 1964\/1985, p.154) Os modos de gozo s\u00e3o m\u00faltiplos, cambiantes e n\u00e3o abandonam os preceitos da puls\u00e3o parcial, mesmo quando subsumidos \u00e0 esfera da sublima\u00e7\u00e3o amorosa.<\/p>\n<p>Freud retoma a g\u00eanese da forma\u00e7\u00e3o do Eu em sua rela\u00e7\u00e3o com o Outro (objetos), uma rela\u00e7\u00e3o mediada precocemente por uma economia libidinal que em princ\u00edpio, leva em considera\u00e7\u00e3o apenas a \u201cmarca distintiva do prazer\u201d: Eu prazer purificado. Todas as experi\u00eancias de prazer s\u00e3o introjetadas ao Eu e o que \u00e9 experimentado como desprazer \u00e9 vivido no campo da exterioridade, como estranho ao Eu. Quando o mundo externo passa a ser levado em conta, ele presentifica nos objetos essa exterioridade nociva. O que se destaca \u00e9 o objeto mau, odiado. Se o objeto \u00e9 fonte de prazer, novamente ser\u00e1 internalizado ao Eu. (Freud, 1915\/2013, p.55) \u201cO amor adv\u00e9m da capacidade do eu de satisfazer de modo autoer\u00f3tico uma parte de suas mo\u00e7\u00f5es pulsionais pela obten\u00e7\u00e3o do prazer do \u00f3rg\u00e3o.\u201d (Freud, 1915\/2013, p.59). O \u00f3dio concerne tudo que veio perturbar essa rela\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria do eu com o prazer e que \u00e9 objeto de rep\u00fadio por parte do eu. H\u00e1 casos em que o amor e o \u00f3dio se mesclam e se fundem no endere\u00e7amento ao mesmo objeto. No sadismo verificamos uma mescla desse tipo \u2013 para ser amado o objeto tem que comportar um car\u00e1ter odioso, ser fonte de endere\u00e7amento da puls\u00e3o destrutiva.<\/p>\n<p>Lacan \u00e9 enf\u00e1tico ao mostrar que, para a Psican\u00e1lise, ao contr\u00e1rio da perspectiva crist\u00e3, n\u00e3o existe amor sem \u00f3dio (am\u00f3dio) (Lacan, 1972-73\/1985, p.122) e isso n\u00e3o \u00e9 apenas da ordem da ambival\u00eancia como sugere Freud. O \u00f3dio est\u00e1 no cerne da experi\u00eancia do amor, sendo esse am\u00e1lgama o que atesta, segundo formulou mais recentemente Laurent, \u201c a consequ\u00eancia da separa\u00e7\u00e3o do gozo dos outros uns\u201d (Laurent, 2018, p.8) Tudo o que se imp\u00f5e, atestando a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual e a presen\u00e7a do objeto a em sua vertente de mais de gozar, ata e desata ao mesmo tempo o n\u00f3 do la\u00e7o amoroso. No cerne da experi\u00eancia amorosa h\u00e1 o muro da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual que, quando tratado em an\u00e1lise sob transfer\u00eancia, pode ser enunciado como o sinthoma que faz a parceria no \u00e2mbito da supl\u00eancia.<\/p>\n<p>Miller observa que Freud nunca teria sido t\u00e3o lacaniano quanto em suas contribui\u00e7\u00f5es sobre a psicologia do amor, pois, ao longo desse trabalho, tratou de articular o amor e o gozo. (2010, p.7) Para que falemos de amor \u00e9 preciso incluir a imagem de um Outro que possa servir como uma esp\u00e9cie de revestimento ao mais de gozar (Miller,2010, p.7), mas \u00e0s vezes o que se visa \u00e9 um fetiche, um tra\u00e7o contingente de prazer e dor, um elemento insaci\u00e1vel e devastador que insiste como eterna express\u00e3o do amuro.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 como o gozo parcial, autoer\u00f3tico, pode vestir-se de Outro (Miller, 2010, p.15). Se, do lado do amor, Freud isola um mecanismo de substitui\u00e7\u00e3o (os objetos eleitos sempre s\u00e3o substitutos dos objetos infantis), do lado do gozo h\u00e1 algo de insubstitu\u00edvel (Miller,2010, p.9), algo que s\u00f3 quer se satisfazer solit\u00e1ria e parcialmente. Como saber se, quando estamos na dimens\u00e3o do amor, n\u00e3o reca\u00edmos na vertente da compuls\u00e3o?<\/p>\n<p>Esses textos de Freud falam dos impasses, dificuldades e entraves da escolha amorosa. S\u00f3 h\u00e1 o universo da escolha num mundo orientado pela linguagem e pelas regras sociais da escolha, orientado pelas estruturas elementares de parentesco. H\u00e1 sempre ao menos um parceiro que est\u00e1 proscrito, vetado \u00e0 escolha. A esse veto origin\u00e1rio, segue-se uma met\u00e1fora fundadora: P\/M \u00e0 A\/J (barrado) (Miller, 2010, p.11-13). Sobre um gozo perdido, barrado, se instala a meton\u00edmia do desejo revelada no amor. D\/J, eis a escrita proposta por Miller para a m\u00e1xima lacaniana: s\u00f3 o amor permite ao gozo condescender ao desejo. A quest\u00e3o \u00e9 que no n\u00edvel do gozo (J) n\u00e3o existe o Outro, apenas o Um, uma compuls\u00e3o \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o, que se vale da varia\u00e7\u00e3o e do ineditismo do objeto. \u201cA met\u00e1fora paterna como rela\u00e7\u00e3o entre pai e m\u00e3e nunca permite cifrar a rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d(Miller, 2010, p.21), Se o objeto escolhido \u00e9 sempre o que \u00e9 interdito ao sujeito, isso n\u00e3o se resolve com o \u00c9dipo: saber que a mulher infiel \u00e9 o prot\u00f3tipo da m\u00e3e, que o menino desejou primariamente e que fez dos outros homens seus rivais como o pai etc. Isso n\u00e3o resolve o problema do gozo, do mais de gozo, do objeto parcial. Essa historinha plena de sentido n\u00e3o resolve o problema: o essencial \u00e9 que, no sentido l\u00f3gico, \u201cpara poder reconhecer uma mulher como desej\u00e1vel \u00e9 preciso introduzir a\u00ed um efeito de n\u00e3o-todo\u201d (Miller, 2010, p.22).<\/p>\n<p>Freud, ao final do texto \u201cSobre a tend\u00eancia universal \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o na esfera do amor\u201d, localiza no \u00e2mbito mesmo da puls\u00e3o um ponto de basta: \u201cPor mais estranho que pare\u00e7a, creio que devemos levar em considera\u00e7\u00e3o a possibilidade de que algo semelhante na natureza do pr\u00f3prio instinto sexual \u00e9 desfavor\u00e1vel \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o completa\u201d (Freud,1912\/1996, p.171). Isso nos leva ao \u00e2mago do problema: a quest\u00e3o de que o gozo \u00e9 interdito ao ser falante como tal. O encontro traum\u00e1tico da l\u00edngua sobre o corpo j\u00e1 atua como um corte origin\u00e1rio que opera sem o agente paterno da interdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na cl\u00ednica de nossos dias, constatamos cada vez mais o fracasso da met\u00e1fora do amor que se daria pela vertente do amor ao pai. O la\u00e7o amoroso est\u00e1 interceptado pelo gozo do Um sozinho que pode assumir o formato de experi\u00eancias de devasta\u00e7\u00e3o muitas vezes degradantes e violentas, de encontros marcados pela suspens\u00e3o da palavra ou pela convoca\u00e7\u00e3o de uma palavra vazia que se prolifera no eterno mon\u00f3logo das redes sociais e aplicativos de celular ou, ainda, de parcerias marcadas por atua\u00e7\u00f5es sucessivas, nas quais o gozo reluta em condescender com o desejo.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno da \u2018rela\u00e7\u00e3o aberta\u2019- decorrente do estremecimento das refer\u00eancias tradicionais na esfera do amor \u2013 que, supostamente, daria acesso ao gozo absoluto da liberdade sexual lan\u00e7a os jovens, ao contr\u00e1rio, num universo de constrangedora desorienta\u00e7\u00e3o. As parcerias n\u00e3o se sustentam mais no voto de perman\u00eancia ancorado na fidelidade monog\u00e2mica, cuja contrapartida costumava ser a trai\u00e7\u00e3o velada e certo direito leg\u00edtimo ao ci\u00fame. A ang\u00fastia incide justamente nesse ponto deixado em aberto: como encontrar um par\u00e2metro m\u00ednimo de regula\u00e7\u00e3o das novas parcerias amorosas, sem o ponto de basta referido \u00e0 lei? \u00c9 o que escuto de uma adolescente que se confessa totalmente perdida ao se ver confrontada com a rea\u00e7\u00e3o agressiva do namorado ao constatar que ela, seguindo \u00e0 risca o contrato aberto, decide envolver-se com um amigo dele. Ele argumenta: a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 aberta, mas n\u00e3o vale uma trai\u00e7\u00e3o com amigos. Se o universal da lei paterna n\u00e3o opera enquanto tal, ser\u00e1 preciso lidar com seu efeito de pluraliza\u00e7\u00e3o e, a cada vez, encontrar um limite contingente ao gozo. Sobretudo, cada analisante poder\u00e1 extrair da experi\u00eancia anal\u00edtica a dimens\u00e3o \u00edntima do \u2018aberto\u2019 que insiste em descompletar o la\u00e7o com o Outro e suscita o trabalho de inven\u00e7\u00e3o nas coisas do amor.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/h6>\n<h6>FREUD, S (1910) Psican\u00e1lise silvestre. Rio de Janeiro: Imago, 1996. (ESB, 11).<\/h6>\n<h6>FREUD, S (1912) Sobre a tend\u00eancia universal \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o na esfera do amor. (contribui\u00e7\u00f5es para psicologia do amor II). Rio de Janeiro: Imago, 1996. (ESB, 11).<\/h6>\n<h6>FREUD, S (1914). Sobre o narcisismo: uma introdu\u00e7\u00e3o, Rio de Janeiro: Imago, 1974. (ESB, 14).<\/h6>\n<h6>FREUD, S (1915) As puls\u00f5es e seus destinos. In: Obras incompletas de Sigmund Freud: Belo Horizonte, Aut\u00eantica Editora, 2013.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1964) O Semin\u00e1rio: livro 11, Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise: Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1972-73) O Semin\u00e1rio: livro 20, Mais ainda: Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. Disrup\u00e7\u00e3o de gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Uma conversa sobre o amor. Op\u00e7\u00e3o lacaniana online, n.2, 2010.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.A. Uma conversa sobre o amor. In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online, n.2, 2010.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>LAURA RUBI\u00c3O<\/strong><\/h6>\n<h6><span id=\"cloakb20645fbccd3ba79314f165a0f376a4b\"><a href=\"mailto:lauralustosarubiao@gmail.com\">lauralustosarubiao@gmail.com<\/a><\/span>\u00a0Membro da EBP\/AMP<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LAURA RUBI\u00c3O &nbsp; CAO GUIMARAES No intuito de dissolver poss\u00edveis mal-entendidos na apreens\u00e3o de seu ensino, Freud adverte:\u201dusamos a palavra \u2018sexualidade\u2019 no mesmo sentido compreensivo que aquele em que a l\u00edngua alem\u00e3 usa a palavra lieben (\u2018amar\u2019).\u201d (Freud, 1910\/1996, p. 234). O dom\u00ednio do sexual se expande ao campo do amor e a psican\u00e1lise n\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57927,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-1080","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-21","category-18","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1080"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1080\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57928,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1080\/revisions\/57928"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}