{"id":1138,"date":"2019-03-17T06:58:34","date_gmt":"2019-03-17T09:58:34","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1138"},"modified":"2025-12-01T16:20:41","modified_gmt":"2025-12-01T19:20:41","slug":"1138-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2019\/03\/17\/1138-2\/","title":{"rendered":"Pixo \u00c9 Protesto, \u00c9 Indigna\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>JULIANA FLORES<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-2.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1616\" data-large_image_height=\"1080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1139\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-2-1024x684.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"684\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-2-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-2-768x513.jpg 768w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-2-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-2.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><strong>IMAGENS: \u00c1REA DE SERVI\u00c7O<\/strong><br \/>\n<strong>CURA &#8211; CIRCUITO URBANO DE ARTE<\/strong><br \/>\n<strong>BELO HORIZONTE<\/strong><\/h6>\n<p>ENTREVISTA SOBRE O CURA \u2013 CIRCUITO URBANO DE ARTE DE BELO HORIZONTE \u2013 COM JULIANA FLORES<\/p>\n<p>POR LUDMILLA F\u00c9RES FARIA E MICHELLE SENA<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-3-472x600-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"472\" data-large_image_height=\"600\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1140\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-3-472x600-1.jpg\" alt=\"\" width=\"472\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-3-472x600-1.jpg 472w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-3-472x600-1-236x300.jpg 236w\" sizes=\"auto, (max-width: 472px) 100vw, 472px\" \/><\/a><\/p>\n<h6 style=\"text-align: left; padding-left: 200px;\">JULIANA FLORES<\/h6>\n<p><strong>ALMANAQUE: O que \u00e9 o CURA?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: O CURA \u2013 Circuito Urbano de Arte de Belo Horizonte \u2013 \u00e9 um festival de arte urbana, esta que \u00e9 inserida dentro da arte p\u00fablica. Na arte p\u00fablica, todas as linguagens s\u00e3o poss\u00edveis \u2013 esculturas, instala\u00e7\u00f5es, pinturas, murais, grafites. Por\u00e9m, o CURA tem o foco, at\u00e9 o momento, na pintura.<\/p>\n<p><strong>ALMANAQUE: De onde partiu essa iniciativa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: O CURA surgiu de um desejo de duas produtoras culturais (Jana\u00edna Macruz e eu) e uma pintora (Priscila Amoni) de criar um festival de pintura de empenas, que s\u00e3o essas laterais cegas dos edif\u00edcios. \u00c9 raro uma cidade que tenha tantas grandes empenas como Belo Horizonte. Essas laterais podem ser vistas como in\u00fateis, um legado cinza, mas, para n\u00f3s, s\u00e3o grandes telas \u00e0 espera de uma obra. Com isso, tamb\u00e9m quer\u00edamos colocar Belo Horizonte no circuito mundial de street art, fomentar a cena e promover a cidade, que tem excelentes artistas, como uma cidade potente dentro da arte urbana.<\/p>\n<p>Depois veio a ideia de um ponto \u00fanico de contempla\u00e7\u00e3o: primeiro, porque Belo Horizonte tem v\u00e1rios mirantes, pela sua geografia. E, segundo, porque convivemos com arte urbana, com grafite, com \u2018pixo\u2019 no dia a dia e muitas vezes vemos, mas n\u00e3o paramos para contemplar. Ent\u00e3o, para n\u00f3s, fez sentido criar um espa\u00e7o, assim, de frui\u00e7\u00e3o art\u00edstica, de contempla\u00e7\u00e3o, de respiro: para voc\u00ea parar, olhar, observar e apreciar. Foi da\u00ed que surgiu a ideia de fazer esse mirante de arte urbana na Rua Sapuca\u00ed. E, pelas nossas pesquisas, \u00e9 o primeiro mirante de arte urbana do mundo. Iniciamos o trabalho do festival em julho de 2015; a primeira edi\u00e7\u00e3o aconteceu em julho de 2017; houve uma edi\u00e7\u00e3o especial tamb\u00e9m em dezembro desse ano e, a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, em novembro de 2018.<\/p>\n<p><strong>ALMANAQUE: Por que o nome CURA?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: O CURA \u00e9 o nome do festival: Circuito Urbano de Arte. \u00c9 uma brincadeira com a palavra \u2018cura\u2019. Eu, por exemplo, n\u00e3o acredito que a arte cure a cidade, acho que o que cura a cidade \u00e9 a justi\u00e7a social, a educa\u00e7\u00e3o, outras coisas.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s quer\u00edamos era criar um circuito pelo qual as pessoas pudessem andar a p\u00e9 pelos murais, ou de bicicleta; fazer esse passeio no Centro para apreciar os murais, que hoje s\u00e3o dez. Ou seja, a ideia era a de incluir as pessoas. Embora depois tenhamos percebido que \u00e9 um festival que tamb\u00e9m exclui muito. Se BH tem, pelo menos, cinquenta artistas \u00f3timos, que poderiam pintar no CURA, at\u00e9 hoje s\u00f3 cinco pintaram. Salvo a Empena de Letras[1], em que foi poss\u00edvel inserir um n\u00famero maior: foram 21 artistas.<\/p>\n<p>Essa exclus\u00e3o deu in\u00edcio \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es. A Empena de Letras, por exemplo, foi da galera do grafite raiz, artistas que fazem letra, que fazem vandal. Aqueles que muitas vezes s\u00e3o artistas de periferia, que pintam a periferia de Belo Horizonte, mas que tamb\u00e9m t\u00eam um espa\u00e7o no festival. Junto com essa, tivemos outras reivindica\u00e7\u00f5es. Uma reinvindica\u00e7\u00e3o muito leg\u00edtima foi a das mulheres negras, das artistas, que perguntavam: Por que a mulher negra est\u00e1 sendo representada, mas n\u00e3o \u00e9 autora?<\/p>\n<p><strong>ALMANAQUE: E de que forma voc\u00eas abordaram essas reivindica\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: Nossa resposta foi discutir essas reivindica\u00e7\u00f5es no festival. Ent\u00e3o, assim como temos a curadoria do festival, da pintura das empenas, temos a curadoria da programa\u00e7\u00e3o[2], que \u00e9 onde vamos discutir esses temas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, convidamos v\u00e1rios artistas para debater sobre a aus\u00eancia de negrxs nas artes e sobre a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas artes visuais para falar da hist\u00f3ria do grafite. Achamos muito relevante discutir sobre a Empena de Letras, pois a letra n\u00e3o \u00e9 um grafite menor nem se confunde com o \u2018pixo\u2019, e, para n\u00f3s, \u00e9 importante valorizar os grafite-writers, que fazem a arte fundadora do grafite. \u00c9 uma postura pol\u00edtica e est\u00e9tica colocar letra no festival.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m percebemos a import\u00e2ncia de fazer uma galeria de arte urbana para fomentar o mercado, porque BH tem \u00f3timos artistas, mas alguns deles, que at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 tinham pintado no muro, puderam vender pela primeira vez as suas obras. Foi quando surgiu a Fluxo Galeria de Arte Urbana, que acontece junto \u00e0 programa\u00e7\u00e3o do festival.<\/p>\n<p><strong>ALMANAQUE: Como foi a escolha das pinturas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: A ideia foi fazer uma cole\u00e7\u00e3o que tivesse diversidade, que representasse v\u00e1rios estilos que est\u00e3o na cena. Nessa edi\u00e7\u00e3o tivemos a Empena de Letras, pintada por 21 artistas; a empena pintada por Criola[3], que tem seu trabalho marcado pelas cores vibrantes e pela pesquisa de matrizes africanas; a empena pintada pela artista argentina Hyuro[4], um dos principais nomes do muralismo contempor\u00e2neo, que abordou a quest\u00e3o da liberdade feminina; e tamb\u00e9m uma empena feita pelo Comum[5], com stencil[6], em que temos o chamado \u201cjeguer\u00ea\u201d, que \u00e9 a imagem de quatro pichadores fazendo uma escada humana para pichar no alto.<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-1-600x400-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"600\" data-large_image_height=\"400\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1141\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-1-600x400-1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-1-600x400-1.jpg 600w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Entrevista-CURA-1-600x400-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<h6><strong>IMAGENS: \u00c1REA DE SERVI\u00c7O CURA \u2013 CIRCUITO URBANO DE ARTE BELO HORIZONTE<\/strong><\/h6>\n<p><strong>ALMANAQUE: Duas empenas foram pichadas durante o festival. Quais os efeitos disso para o CURA?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: O fato de termos duas empenas pichadas trouxe o \u2018pixo\u2019 para o centro das nossas discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira picha\u00e7\u00e3o feita na Empena de Letras foi muito simb\u00f3lica, porque foi feita na faixa vermelha, acima de toda a obra. Dentro do universo do \u2018pixo\u2019, \u00e9 como se ele tivesse quebrado a empena, no sentido de que \u201ceu fui maior do que esses vinte artistas que est\u00e3o embaixo de mim. Eu que fui no vandal, quebrei esses vinte artistas que foram convidados pelo festival\u201d. Em menos de 24 horas n\u00f3s apagamos o \u2018pixo\u2019 da Empena de Letras e isso deu uma repercuss\u00e3o. Essa empena tinha curadoria de dois artistas e tamb\u00e9m o artista que estava esperando sua vez, e pintaria no lugar onde foi feito o \u2018pixo\u2019. Se os tr\u00eas decidiram que queriam continuar com o plano e apagar, a gente respeitou. Pela primeira vez eu percebi que a cidade ficou do lado do pichador. Porque, quando um festival grande apaga o \u2018pixo\u2019, e \u00e9 um festival de arte, as pessoas come\u00e7am a refletir: \u201cUai, mas ele est\u00e1 reivindicando o espa\u00e7o dele\u201d, \u201cmas por que voc\u00eas est\u00e3o apagando, se voc\u00eas valorizam as interven\u00e7\u00f5es urbanas?\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse primeiro \u2018pixo\u2019 ter sido apagado, o mesmo pichador foi para a empena ao lado. Tamb\u00e9m foi muito simb\u00f3lico, pois o que est\u00e1 representado nessa empena \u00e9 o chamado \u201cjeguer\u00ea\u201d e uma gaivota. A gaivota \u00e9 o s\u00edmbolo do \u2018pixo\u2019: significa que se chegou muito alto, como um \u201csalve\u201d, dizendo que se est\u00e1 l\u00e1 em cima. Novamente, o pichador, no vandal, pichou acima, mostrando que chegou mais alto, acima da gaivota. Esse \u2018pixo\u2019 n\u00e3o foi apagado.<\/p>\n<p><strong>ALMANAQUE: O que \u00e9 o \u2018pixo\u2019?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: Para mim \u00e9 um grito de \u201ceu existo\u201d, um grito de \u201ceu estou aqui\u201d, um grito de \u201ceu estou reivindicando um lugar que n\u00e3o me foi dado, mas eu vou ocupar esse lugar\u201d. E o CURA n\u00e3o deu espa\u00e7o nessa edi\u00e7\u00e3o para o \u2018pixo\u2019, e n\u00e3o sei tamb\u00e9m se temos que dar, se interessa para um pichador pintar com balancinho, seguro de vida e autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ALMANAQUE: O \u2018pixo\u2019 \u00e9 vandal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: O \u2018pixo\u2019 \u00e9 pichar onde voc\u00ea n\u00e3o pode pichar. \u00c9 protesto, \u00e9 indigna\u00e7\u00e3o\u2026 \u00e9 uma mensagem, \u00e9 um grito! Ent\u00e3o ser\u00e1 que faz sentido fazer empena de \u2018pixo\u2019? Como seria uma empena de \u2018pixo\u2019? Simbolicamente \u00e9 muito mais forte o pichador ganhar a parede dele, ou seja, ir l\u00e1 e pintar sem autoriza\u00e7\u00e3o nenhuma, garantir o seu \u201clugar\u201d, do que ser convidado pelo festival. Se ele estivesse na Empena de Letras como convidado, saiba que n\u00e3o teria a mesma repercuss\u00e3o que ele ter ido l\u00e1 e pichado o topo. N\u00e3o teria mesmo.<\/p>\n<p>O \u2018pixo\u2019 tamb\u00e9m \u00e9 aparecer, porque s\u00e3o pessoas que est\u00e3o invis\u00edveis na sociedade e picham grande, picham alto, picham uma empena maravilhosa: eles est\u00e3o sendo vistos. Pra eles \u00e9 muito importante serem vistos, isso que \u00e9 o \u2018pixo\u2019. Ent\u00e3o, no CURA inteiro, o pichador que mais chamou aten\u00e7\u00e3o foi o que fez o vandal, e n\u00e3o os que participaram com cinto de seguran\u00e7a, com balancinho, com seguro de vida.<\/p>\n<p>\u00c9 uma guerra que n\u00e3o \u00e9 de armas, mas existe uma disputa na cidade, disputa por territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>ALMANAQUE: De que forma a quest\u00e3o do \u2018pixo\u2019 foi abordada nas edi\u00e7\u00f5es anteriores do festival?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: Na edi\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rio da cidade, duas das empenas escolhidas tinham \u2018pixos\u2019 ic\u00f4nicos. Quando mostramos na internet, come\u00e7aram os coment\u00e1rios contra. Eram \u2018pixos\u2019 dif\u00edceis, em que as pessoas arriscaram a sua vida, e isso, dentro do \u2018pixo\u2019 \u00e9 valorizado: o risco. Isso gerou um debate e a participa\u00e7\u00e3o de todos os artistas[7] e pichadores das empenas[8].<\/p>\n<p>Em uma delas, a ideia foi fazer uma textura inteira. Eram quase 2.000 m2 de empena, a maior empena do CURA, s\u00f3 com \u2018pixo\u2019. Ent\u00e3o s\u00e3o duas mulheres nuas dan\u00e7ando (representa uma homenagem \u00e0s bruxas de antigamente, que tinham o poder e o conhecimento sobre o pr\u00f3prio corpo, que seriam as feministas de antigamente) em uma textura inteira de \u2018pixo\u2019. Eu acho que ficou uma empena maravilhosa. \u00c9 uma das minhas preferidas. Mas, quando essa est\u00e9tica do \u2018pixo\u2019 \u00e9 absorvida por um mercado \u2013 querendo ou n\u00e3o, o CURA representa mercado, um lugar institucional, por mais que seja um festival de arte de rua \u2013, \u00e9 \u2018pixo\u2019 ou \u00e9 um trabalho de arte com a est\u00e9tica do \u2018pixo\u2019? N\u00e3o sei dar essa resposta.<\/p>\n<p><strong>ALMANAQUE: O que representa o vestido pintado no mural da Hyuro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: \u00c9 um voal e \u00e9 muito delicado. A Hyuro tem uma arte muito feminista, mas muito sutil. N\u00e3o \u00e9 todo mundo que l\u00ea o feminismo dos murais dela. Essa obra se chama O que fica e fala sobre as mulheres que fizeram aborto ilegal. Na Europa, o cabide tem a mesma conota\u00e7\u00e3o, o mesmo s\u00edmbolo das agulhas de croch\u00ea na Am\u00e9rica Latina: as mulheres na Am\u00e9rica Latina abortavam com agulha de croch\u00ea. Na Europa elas abortavam com um cabide; abriam um cabide e se fazia um instrumento de aborto. Ela, ao pendurar um vestido num cabide, t\u00e1 falando disso\u2026 ela t\u00e1 falando de aborto.<\/p>\n<p><strong>ALMANAQUE: Como podemos pensar a pol\u00edtica no festival?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JULIANA FLORES<\/strong>: Este ano achamos importante levantar bandeiras. O que foi feito no material produzido pela nossa equipe de comunica\u00e7\u00e3o, que abordava a diversidade religiosa, a quest\u00e3o LGBT, a criminaliza\u00e7\u00e3o das drogas, a quest\u00e3o feminista.<\/p>\n<p>\u00c9 um trabalho pol\u00edtico. A gente viu que n\u00e3o dava pra fingir que n\u00e3o tem que pensar em pol\u00edtica. Ao contr\u00e1rio, num momento como este que a gente vive, a gente precisa marcar a posi\u00e7\u00e3o sim, assumir posi\u00e7\u00f5es\u2026 Eu acho que quem se excluir das discuss\u00f5es, ficar em cima do muro, n\u00e3o quiser criar desconforto, vai se arrepender no futuro. N\u00e3o d\u00e1 pra fingir que n\u00e3o tem nada acontecendo, ent\u00e3o a gente quis ser pol\u00edtico sim.<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><\/h6>\n<h6><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/gerais\/2018\/11\/08\/interna_gerais,1004227\/confira-as-atividades-gratuitas-do-cura-para-esse-fim-de-semana.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/gerais\/2018\/11\/08\/interna_gerais,1004227\/confira-as-atividades-gratuitas-do-cura-para-esse-fim-de-semana.shtml<\/a><\/h6>\n<h6>[3] Edif\u00edcio Chiquito Lopes \u2013 Rua S\u00e3o Paulo, 351. 30m de largura X 45,50m de altura.<\/h6>\n<h6>[4] O que fica. Amazonas Palace Hotel \u2013 Avenida Amazonas, 120. 26,50m de largura X 40m de altura.<\/h6>\n<h6>[5] Edif\u00edcio Sat\u00e9lite \u2013 Rua da Bahia, 478. 8,65m de largura X 65,70m de altura.<\/h6>\n<h6>[6] Stencil \u00e9 uma t\u00e9cnica que usa m\u00e1scaras de recortes de papel aplicadas no vazado. Na empena foram usadas mais de 500 m\u00e1scaras.<\/h6>\n<h6>[7] Milu Correch e DMS.<\/h6>\n<h6>[8] Edif\u00edcio Pr\u00edncipe de Gales \u2013 Rua Tupinamb\u00e1s, 179, Centro. Artista: Davi Melo Santos; e Garagem S\u00e3o Jos\u00e9 \u2013 Rua dos Tupis, 70, Centro. Artista: Milu Correch<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>JULIANA FLORES<\/strong><\/h6>\n<h6>LUDMILLA F\u00c9RES FARIA MICHELLE SENA<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JULIANA FLORES IMAGENS: \u00c1REA DE SERVI\u00c7O CURA &#8211; CIRCUITO URBANO DE ARTE BELO HORIZONTE ENTREVISTA SOBRE O CURA \u2013 CIRCUITO URBANO DE ARTE DE BELO HORIZONTE \u2013 COM JULIANA FLORES POR LUDMILLA F\u00c9RES FARIA E MICHELLE SENA JULIANA FLORES ALMANAQUE: O que \u00e9 o CURA? 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