{"id":1156,"date":"2019-07-17T06:58:57","date_gmt":"2019-07-17T09:58:57","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1156"},"modified":"2025-12-01T16:00:10","modified_gmt":"2025-12-01T19:00:10","slug":"a-histeria-e-os-nomes-do-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2019\/07\/17\/a-histeria-e-os-nomes-do-pai\/","title":{"rendered":"A Histeria E Os Nomes Do Pai"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong><span class=\"author\">DANIELA GONTIJO DE SOUZA<\/span><\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"post-2210\" class=\"post-2210 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-almanaque-no-23 tag-castracao tag-contemporaneidade tag-histeria tag-nome-do-pai tag-psiquismo\" style=\"text-align: center;\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-Entrevista.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"959\" data-large_image_height=\"1280\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1157\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-Entrevista-767x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"767\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-Entrevista-767x1024.jpg 767w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-Entrevista-225x300.jpg 225w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-Entrevista-768x1025.jpg 768w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-Entrevista.jpg 959w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 100vw, 767px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>LAMA -RICHARDSON PONTONE<\/strong><\/h6>\n<div class=\"post-2210 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-almanaque-no-23 tag-castracao tag-contemporaneidade tag-histeria tag-nome-do-pai tag-psiquismo\"><\/div>\n<div class=\"post-2210 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-almanaque-no-23 tag-castracao tag-contemporaneidade tag-histeria tag-nome-do-pai tag-psiquismo\">\n<div class=\"post-text bigger\">\n<p>Uma inquietude contempor\u00e2nea vem dando nova forma \u00e0 subjetividade. A palavra contempor\u00e2nea diz da atualiza\u00e7\u00e3o que a modernidade faz com essa inquietude, que j\u00e1 est\u00e1 posta desde os prim\u00f3rdios do psiquismo. A maneira de lidarmos com isso se modifica concomitantemente \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Campos (2011, p. 13) esclarece que \u201cuma nova ordem, j\u00e1 prenunciada no apagar das luzes do s\u00e9culo XX, emerge como fruto de uma precariza\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia simb\u00f3lica, da fugacidade do imagin\u00e1rio e das eventualidades do real\u201d. As mudan\u00e7as culturais vividas nas \u00faltimas d\u00e9cadas nos colocam em impasses com a civiliza\u00e7\u00e3o e nos fazem romper com as tradi\u00e7\u00f5es. Vivemos uma modernidade pautada nos discursos da ci\u00eancia e do capitalismo, que promovem uma desorganiza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e nos trazem, como uma das consequ\u00eancias, a pluraliza\u00e7\u00e3o do nome do pai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a inten\u00e7\u00e3o de localizar as quest\u00f5es que a contemporaneidade me traz, interessou-me discutir a histeria quando n\u00e3o nos servimos mais, como antes, do nome do Pai, e sim dos nomes dele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A precariedade do Pai<\/strong><\/p>\n<p>Vivemos uma mudan\u00e7a de paradigma em todo o cen\u00e1rio social, cultural e, consequentemente, anal\u00edtico. A fragilidade simb\u00f3lica \u00e9 constatada na fluidez das rela\u00e7\u00f5es e na fal\u00eancia das hierarquias. Miller (2015, p. 6), no seu texto \u201cEm dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia\u201d, aponta que \u201centre essas muta\u00e7\u00f5es da ordem simb\u00f3lica, primeiramente a principal, a saber, \u00e9 o decl\u00ednio do patriarcado\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A precariedade do nome do pai \u00e9 evidenciada pelas \u201cmuta\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas\u201d e confirmada pela preval\u00eancia dos discursos das ci\u00eancias e do capitalismo. Brisset (2012, p. 190) nos esclarece que:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>&#8220;O mundo hoje n\u00e3o \u00e9 mais freudiano, ele \u00e9 lacaniano. E\u00a0a tarefa incessante da falsa cient\u00edfica n\u00e3o \u00e9 mais lan\u00e7ar um novo objeto, mas fabricar,\u00a0em s\u00e9rie, infinitas r\u00e9plicas do \u00fanico objeto que interessa: o objeto a no Z\u00eanite social.\u00a0Talvez seja, desde essa virada, visando eliminar o imposs\u00edvel e alcan\u00e7ar o ilimitado infinito, que vimos um desenvolvimento cient\u00edfico desenfreado visando\u00a0novas tecnologias \u2013 tecnologias voltadas para fabrica\u00e7\u00e3o de\u00a0toys\u00a0para satisfa\u00e7\u00e3o do\u00a0imperativo de gozo.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Campos (2011) conclui que a crise do simb\u00f3lico tem afetado todas as ideologias, todavia, fez incrementar o discurso cientificista das manipula\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, das falsas ci\u00eancias e das novas tecnologias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabemos que as ideologias pol\u00edticas se esvaem neste contexto atual e nos traz um outro indicativo da precariedade paterna. No percurso hist\u00f3rico, assistimos \u00e0 verdade do totalitarismo, que se encontrava em um \u00fanico lugar, ser dividida na democracia. Em \u201cInstitui\u00e7\u00f5es milanesas\u201d, Miller (2011, p. 14) esclarece que \u201co totalitarismo (\u2026) era a esperan\u00e7a de suprimir a divis\u00e3o da verdade, de instaurar o reino do Um na pol\u00edtica\u201d e diz que \u201co triunfo da democracia que vai de vento em popa no pensamento contempor\u00e2neo (\u2026) n\u00e3o gera o mesmo entusiasmo, podendo inclusive ser avaliado por um efeito depressivo; ele o comporta na medida em que implica a aceita\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o da verdade\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A divis\u00e3o abre uma fenda, aponta uma falta que o Um do totalitarismo parecia preencher. Abre-se ent\u00e3o um buraco que a ci\u00eancia promete cobrir. Cada vez mais, objetos s\u00e3o produzidos e oferecidos como garantia da totalidade. Somos levados a consumir desenfreadamente, criando um ciclo de gozo sem fim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que o discurso da ci\u00eancia promete, em alian\u00e7a com o capitalismo, na verdade n\u00e3o se cumpre, e a \u201cfalta\u201d aparece a cada vez que esse objeto fracassa em sua promessa. A fun\u00e7\u00e3o paterna, nos tempos de hoje, desprovida de sua for\u00e7a simb\u00f3lica, faz sintoma e, segundo Miller (2011, p. 14), \u201co sintoma aparece como o regime pr\u00f3prio ao gozo, o sujeito \u2013 ou mais precisamente o ser vivente que fala \u2013 experimentando-o necessariamente como tal\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias anal\u00edticas das transforma\u00e7\u00f5es citadas s\u00e3o vistas tamb\u00e9m na cl\u00ednica da contemporaneidade, que nos traz, cada vez menos, sujeitos da d\u00favida. Partimos de interpreta\u00e7\u00f5es que davam um sentido, pautadas na cl\u00ednica do Nome do Pai, do complexo de \u00c9dipo, de Freud, para a cl\u00ednica do real, de Lacan, do sem sentido. Lacan (1998, p. 598) afirma que \u201cna atualidade a interpreta\u00e7\u00e3o ocupa um lugar \u00ednfimo, e n\u00e3o porque ela tenha perdido o sentido, mas porque a abordagem do sentido traz sempre um embara\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Do\u00a0Versagung\u00a0\u00e0s estruturas ps\u00edquicas<\/strong><\/p>\n<p>Sabemos que o sujeito, antes de nascer, j\u00e1 faz parte de uma estrutura simb\u00f3lica (familiar, cultural, social). O \u201coutro\u201d que representa o simb\u00f3lico, anterior ao sujeito, ter\u00e1 influ\u00eancias determinantes em sua estrutura\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e em sua maneira de estar no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Freud (1912\/2016, p. 71) nos disse que \u201co motivo mais evidente, mais f\u00e1cil de ser descoberto e mais compreens\u00edvel para o adoecimento neur\u00f3tico reside no fator externo que, de maneira geral, pode ser descrito como impedimento (<em>Versagung<\/em>)\u201d.<\/p>\n<p>O impedimento tratado por Freud diz de um impedimento ao estado anterior \u00e0 linguagem:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>&#8220;Trata-se, portanto, de um conflito entre a exig\u00eancia pulsional e a reclama\u00e7\u00e3o da realidade e isso acarreta um efeito patog\u00eanico, pois represa a libido e, assim, submete o indiv\u00edduo a uma prova de quanto tempo pode tolerar esse aumento da tens\u00e3o ps\u00edquica, e que caminhos ir\u00e1 tomar para se livrar dele (FREUD, 1940\/ 2014, p. 200).&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Os caminhos escolhidos dir\u00e3o das estruturas ps\u00edquicas que se formaram a partir desse impedimento. Acredita-se que houve uma perda de um estado de completude, e a maneira com que cada um ir\u00e1 lidar com isso dir\u00e1 da sua estrutura. Parte dessa equa\u00e7\u00e3o \u00e9 recalcada e algo se perde. Essa perda faz uma \u201cfenda\u201d no sujeito, que representar\u00e1 a falta de um objeto. Lacan (1956-57\/1995, p. 35) nos diz que \u201cjamais, em nossa experi\u00eancia concreta da teoria anal\u00edtica, podemos prescindir de uma no\u00e7\u00e3o de falta do objeto como central. N\u00e3o \u00e9 um negativo, mas a pr\u00f3pria mola da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o mundo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Um confronto neur\u00f3tico<\/strong><\/p>\n<p>A fenda que marca o sujeito e d\u00e1 in\u00edcio a sua vida ps\u00edquica ir\u00e1 coloc\u00e1-lo diante da castra\u00e7\u00e3o. Sabemos que a castra\u00e7\u00e3o nos aponta uma perda simb\u00f3lica, uma falha que ocorre na tentativa de traduzir o real em linguagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sujeito neur\u00f3tico \u00e9 confrontado com a castra\u00e7\u00e3o do Outro. Ciente dessa castra\u00e7\u00e3o, o recalque desloca esse saber para o inconsciente na tentativa de livrar-se da ang\u00fastia que o saber da falta produz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todas as estruturas neur\u00f3ticas passam por esse processo, e as particularidades de cada uma se diferenciam nas posi\u00e7\u00f5es que os sujeitos t\u00eam diante das tentativas de retorno do que foi recalcado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naveau (2107, p. 56), em\u00a0<em>O que do encontro se escreve<\/em>, nos diz que \u201cna rela\u00e7\u00e3o do sujeito com a castra\u00e7\u00e3o, trata-se de sua rela\u00e7\u00e3o com a castra\u00e7\u00e3o do Outro e, mais exatamente, da consequ\u00eancia, no que concerne \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com a castra\u00e7\u00e3o do Outro\u201d e cita Lacan no semin\u00e1rio\u00a0<em>A transfer\u00eancia<\/em>: \u201csem d\u00favida, existe algo mais neurotizante que perder o falo, \u00e9 n\u00e3o querer que o Outro seja castrado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Falo, desejo e o \u00c9dipo<\/strong><\/p>\n<p>Na constitui\u00e7\u00e3o do sujeito, ao nascer, a crian\u00e7a ocupa o lugar de falo da m\u00e3e, ou seja, aquilo que supostamente completa essa mulher. Nesse lugar de ser o que a m\u00e3e deseja, a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre ela e o filho fica desprovida de qualquer possiblidade da dimens\u00e3o do desejo, pois s\u00f3 o filho lhe basta. A crian\u00e7a vai surgir como significado desse desejo, ou seja, como ponto de irrup\u00e7\u00e3o no que h\u00e1 de ilimitado no desejo materno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na medida em que a m\u00e3e come\u00e7a a desejar algo para al\u00e9m do filho, o que \u00e9 marcado pela presen\u00e7a do pai (Outro), surgem na crian\u00e7a questionamentos acerca do desejo dessa m\u00e3e. Toda essa trama traz para ela a possibilidade do desejo e a faz verificar que a quest\u00e3o do desejar est\u00e1 mediatizada por um Outro. Isso nos indica uma condi\u00e7\u00e3o estrutural do sujeito sobre o seu desejo, que \u00e9 o enigma do desejo do Outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Considerei importante passar por essas articula\u00e7\u00f5es do desejo para marcar, mais uma vez, que \u00e9 pela falta que se constitui o sujeito e dizer que, para hist\u00e9rica, a falta \u00e9 determinante. A m\u00e3e, ao se referenciar ao Outro para dizer do seu desejo, esse outro, supostamente, \u00e9 entendido como o que falta a ela, o p\u00eanis (falo). Esse ponto anat\u00f4mico faz toda a dissimetria entre as estruturas, marcando um caminho espec\u00edfico para as hist\u00e9ricas no percurso do \u00c9dipo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lacan (1955-56\/1988, p. 206) nos adverte:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>&#8220;N\u00e3o h\u00e1, propriamente, diremos n\u00f3s, simboliza\u00e7\u00e3o do sexo da mulher como tal. Em todo o caso, a simboliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma, n\u00e3o tem a mesma fonte, n\u00e3o tem o mesmo modo de acesso que a simboliza\u00e7\u00e3o do sexo do homem. E isso, porque o imagin\u00e1rio fornece apenas uma aus\u00eancia, ali onde alhures h\u00e1 um s\u00edmbolo muito prevalente.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso nos aponta que a identifica\u00e7\u00e3o sexual da mulher passa pela falta no real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto o menino, no seu complexo de \u00c9dipo, segue com seu objeto de amor (a m\u00e3e) e s\u00f3 o abandona pela ang\u00fastia de castra\u00e7\u00e3o, que seria a amea\u00e7a do pai de eliminar-lhe o falo (o p\u00eanis), abre m\u00e3o dessa posi\u00e7\u00e3o de objeto do desejo da m\u00e3e, possibilitando sua sa\u00edda do complexo de \u00c9dipo. J\u00e1 a menina precisa, nesse percurso, abandonar seu objeto de amor pela ang\u00fastia da castra\u00e7\u00e3o \u2013 a falta do p\u00eanis (falo) \u2013 e seguir at\u00e9 o pai (o Outro) na tentativa de que esse outro possa dar a ela o que ela n\u00e3o tem. Freud (1933\/2018, p. 335) nos disse que \u201ca menina permanece nele por tempo indeterminado, s\u00f3 o desconstr\u00f3i mais tarde e de maneira incompleta\u201d. A menina precisa ir at\u00e9 o Outro para significar essa falta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lacan (1956-57\/1995, p. 207) dir\u00e1 que \u201cum dos sexos \u00e9 for\u00e7ado a tomar a imagem do outro sexo por base de sua identifica\u00e7\u00e3o (\u2026) O fato n\u00e3o pode ser interpretado sen\u00e3o na perspectiva em que \u00e9 a ordena\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que regula tudo\u201d. No entanto, o significante dado por esse Outro n\u00e3o recobre toda a falta, e o que fica descoberto \u00e9 recalcado.<\/p>\n<p><strong>Impasses hist\u00e9ricos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse movimento identificat\u00f3rio que \u00e9 posto \u00e0 menina \u2013 ora com a m\u00e3e, ora com o pai \u2013 apresenta o enigma e traz quest\u00f5es que dizem da histeria: o que as mulheres desejam nos homens? O que os homens desejam nas mulheres?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse ato de tomar para si a castra\u00e7\u00e3o do Outro faz com que a hist\u00e9rica assuma a posi\u00e7\u00e3o de um n\u00e3o saber. A quest\u00e3o com o saber est\u00e1 posta para hist\u00e9rica desde o in\u00edcio. Lacan, no Semin\u00e1rio 17 (1969-70\/1992), ir\u00e1 dizer que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o primitiva entre o saber e o gozo. Perde-se alguma coisa e \u00e9 preciso compensar essa perda. O movimento compensat\u00f3rio faz gozo. Lacan vai nos mostrando como as quest\u00f5es que acompanham a hist\u00e9rica, nesse contexto de querer saber, faz com que o seu desejo esteja sempre implicado pela via do Outro, al\u00e9m de modular o seu modo de gozo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As quest\u00f5es s\u00e3o pontos fundamentais na estrutura da histeria. As perguntas sobre o que desejar, o que \u00e9 ser mulher, o que o homem deseja, ir\u00e3o funcionar como um guia na sua busca de respostas para sua vida. O que a hist\u00e9rica quer \u00e9 um mestre, nos disse Lacan (1969-70\/1992). Por\u00e9m, ainda que a hist\u00e9rica se apresente querendo saber, na verdade, esse saber faz revelar a castra\u00e7\u00e3o do outro, o ponto gerador de sua ang\u00fastia, ent\u00e3o h\u00e1 um recuo diante desse saber.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Retomando Lacan (1969-70\/1992, p. 17), no semin\u00e1rio 17, \u201cpara estruturar corretamente um saber, \u00e9 preciso renunciar a quest\u00e3o das origens\u201d. A hist\u00e9rica, para suportar a ang\u00fastia da castra\u00e7\u00e3o do outro \u2013 um saber ordin\u00e1rio \u2013, renuncia e, a cada possibilidade de um retorno do que foi renunciado \u2013 recalcado \u2013, \u00e9 elegido um outro que supostamente saiba responder \u00e0s suas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso se torna um ciclo no movimento da histeria, \u201cela quer que o outro seja um mestre, que saiba muitas e muitas coisas, mas, mesmo assim, que n\u00e3o saiba demais (\u2026)\u201d afirmou Lacan (1969-70\/1992, p. 136).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Haver\u00e1 sempre quest\u00f5es que a far\u00e3o ir em busca de respostas que ser\u00e3o insuficientes, marcando sua insatisfa\u00e7\u00e3o e fazendo com que reinicie a busca pelo saber. A insatisfa\u00e7\u00e3o funcionaria a\u00ed como um recurso para afast\u00e1-la da ang\u00fastia e coloc\u00e1-la sempre em movimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No contexto vigente, em que impera o discurso da ci\u00eancia, que quer garantir tudo na era do capitalismo e da pluraliza\u00e7\u00e3o dos nomes do Pai, quando assistimos a um deslocamento do saber organizado pela l\u00f3gica f\u00e1lica para tantos outros modos de organiza\u00e7\u00e3o do saber em sua rela\u00e7\u00e3o com o furo, perguntaria: como fica o movimento das hist\u00e9ricas, cujo sintoma, segundo Laurent (2013), \u201cadv\u00e9m do amor ao pai\u201d?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aqui, n\u00e3o pretendia responder as quest\u00f5es; o trajeto que anunciei, de fundament\u00e1-las, se cumpre e deixa um desejo enorme de seguir na investiga\u00e7\u00e3o de tantas outras quest\u00f5es com as quais me encontro depois desta tentativa de cobrir um \u201cfuro\u201d encontrado nessa jornada dos estudos \u2013 n\u00e3o podia ser diferente!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<div class=\"post-2210 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-almanaque-no-23 tag-castracao tag-contemporaneidade tag-histeria tag-nome-do-pai tag-psiquismo\">\n<div class=\"post-text bigger\">\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>CAMPOS, S. P. R. \u201cApresenta\u00e7\u00e3o de uma nova ordem\u201d. In:\u00a0<strong>Curinga<\/strong>. Belo Horizonte: Scriptum, v. 32, 2011, p. 13-30.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>BRISSET, F. O. \u201cN\u00e3o basta mais cochichar no ouvido dos pr\u00edncipes\u201d. In: T\u00e2nia Coelho dos Santos; J\u00e9sus Santiago; Andrea Martello (Orgs.)\u00a0<strong>De que real se trata na cl\u00ednica psicanal\u00edtica?<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Cia de Freud, 2012.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1912\/2016) \u201cSobre tipos neur\u00f3ticos de adoecimento\u201d. In:\u00a0<strong>Obras incompletas de Sigmund Freud:\u00a0<\/strong>Neurose, Psicose, Pervers\u00e3o. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, v. 5, p. 71-79.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1933\/2018) \u201cA feminilidade \u2013 Confer\u00eancia XXXII\u201d. In:\u00a0<strong>Obras incompletas de Sigmund Freud:\u00a0<\/strong>Amor, sexualidade, feminilidade. Autentica, v. 7, p. 313-341.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1940\/2014) \u201cA cis\u00e3o do eu no processo de defesa\u201d. In:\u00a0<strong>Obras incompletas de Sigmund Freud.\u00a0<\/strong>Comp\u00eandio de psican\u00e1lise e outros escritos inacabados. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, v. 3, p. 199-217.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1955-56)<strong>\u00a0O semin\u00e1rio, livro III:<\/strong>\u00a0as psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1956-57)\u00a0<strong>O semin\u00e1rio, livro IV:<\/strong>\u00a0a rela\u00e7\u00e3o de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201cA dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder\u201d In:\u00a0<strong>Escritos<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1969-70)\u00a0<strong>O semin\u00e1rio, livro XVII:<\/strong>\u00a0o avesso da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>LAURENT, E. \u201cFalar com seu sintoma, falar com seu corpo\u201d. In: Encontro Americano de Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, 6, 2013, Buenos Aires.\u00a0<strong>Anais\u2026\u00a0<\/strong>Buenos Aires: ENAPOL, 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Argumento\/Hablar-con-el-propio-sintoma_Eric-Laurent.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.enapol.com\/pt\/<\/a>&gt;. Acesso em: 16 jun. 2019.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. \u201cInstitui\u00e7\u00f5es milanesas\u201d. In:\u00a0<strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/strong>, ano 2, n\u00ba 5, 2011. p. 1-15.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. \u201cEm dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia\u201d. In:\u00a0<strong>Interven\u00e7\u00e3o de encerramento da III Jornada do Instituto da Crian\u00e7a<\/strong>, 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/minascomlacan.com.br\/em-direcao-a-adolescencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/minascomlacan.com.br\/em-direcao-a-adolescencia\/<\/a>&gt;. Acesso em 25 jun. 2019.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>NAVEAU, P.\u00a0<strong>O que do encontro se escreve<\/strong>: estudos lacanianos. Belo Horizonte: EBP, 2017.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<\/div>\n<h6><\/h6>\n<div class=\"post-text bio\">\n<h6><strong>DANIELA GONTIJO DE SOUZA<\/strong><\/h6>\n<h6>Psic\u00f3loga p\u00f3s-graduada em Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o pela PUC-Minas BH, membro-tesoureira do Parl\u00eatre e aluna do m\u00f3dulo III do curso do IPSM\u2013MG. R. Dom Pedro II, 287\/302, Divin\u00f3polis-MG | (37) 99927-6472 |\u00a0<span id=\"cloaka81759ac5d06bf83dfdb826f89625622\"><a href=\"mailto:danigontijopsi@gmail.com\">danigontijopsi@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DANIELA GONTIJO DE SOUZA &nbsp; LAMA -RICHARDSON PONTONE Uma inquietude contempor\u00e2nea vem dando nova forma \u00e0 subjetividade. A palavra contempor\u00e2nea diz da atualiza\u00e7\u00e3o que a modernidade faz com essa inquietude, que j\u00e1 est\u00e1 posta desde os prim\u00f3rdios do psiquismo. 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