{"id":1215,"date":"2019-07-17T06:58:57","date_gmt":"2019-07-17T09:58:57","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1215"},"modified":"2025-12-01T16:08:09","modified_gmt":"2025-12-01T19:08:09","slug":"os-acontecimentos-tem-um-rosto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2019\/07\/17\/os-acontecimentos-tem-um-rosto\/","title":{"rendered":"Os Acontecimentos T\u00eam Um Rosto?"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong><span class=\"author\">GUY BRIOLE<\/span><\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 class=\"post-2164 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-almanaque-no-23 tag-acidente tag-acontecimento tag-contingencia tag-real tag-rosto tag-trauma\" style=\"text-align: center;\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/1-foto-Briole.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1280\" data-large_image_height=\"959\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1216\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/1-foto-Briole-1024x767.jpg\" alt=\"\" width=\"529\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/1-foto-Briole-1024x767.jpg 1024w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/1-foto-Briole-300x225.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/1-foto-Briole-768x575.jpg 768w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/1-foto-Briole.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 529px) 100vw, 529px\" \/><\/a><\/h6>\n<h6 class=\"post-2164 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-almanaque-no-23 tag-acidente tag-acontecimento tag-contingencia tag-real tag-rosto tag-trauma\" style=\"text-align: center;\">LAMA &#8211;<strong>RICHARDSON PONTONE<\/strong><\/h6>\n<h6 class=\"post-2164 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-almanaque-no-23 tag-acidente tag-acontecimento tag-contingencia tag-real tag-rosto tag-trauma\" style=\"text-align: center;\"><\/h6>\n<div class=\"figcaption blog-figcaption\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que voc\u00ea v\u00ea quando me v\u00ea? Eis a\u00ed uma quest\u00e3o para todos, mas a quem, no mais \u00edntimo da interroga\u00e7\u00e3o sobre si, se encontra reanimado quando a invas\u00e3o traum\u00e1tica permanece ligada a um outro, a outros, \u00e0quilo que sua imagem, seu rosto, reenvia a cada um.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que coloca com determina\u00e7\u00e3o Primo Levi, em busca de reencontrar o que teria podido dar conta, \u201crestituir o fundo de um ser humano\u201d (LEVI, 1989. p. 32); um mais al\u00e9m disso que pode dizer um document\u00e1rio, a hist\u00f3ria. Ele se encontrou um dia, \u201cdiante dos tra\u00e7os de um homem do outro lado\u201d (<em>Ibid<\/em>.), algu\u00e9m que teve que testemunhar, diante dos tribunais, sobre o que fez ou viu em\u00a0<em>Auschwitz<\/em>,\u00a0<em>uma<\/em>\u00a0<em>pequena vila tranquila<\/em>\u00a0(<em>Ibid<\/em>. p. 31.). Encontrou muitas semelhan\u00e7as consigo, idade, forma\u00e7\u00e3o, trabalho na mesma f\u00e1brica; ele, no interior do arame farpado e, o outro, livre, volunt\u00e1rio nesse emprego: \u201cEra quase eu, um outro eu mesmo do avesso\u201d (<em>Ibid<\/em>. p. 32). Ele se interessava por tudo o que pudesse aprender desse qu\u00edmico alem\u00e3o, como se ele houvesse podido aprender qualquer coisa sobre si mesmo. Mas, no final das contas, ele jamais pode reencontr\u00e1-lo: \u201cEu experimentava uma repugn\u00e2ncia complexa na qual a avers\u00e3o n\u00e3o era sen\u00e3o um dos componentes\u201d (<em>Ibid<\/em>. p. 37). Ele permaneceu com essa quest\u00e3o lancinante: o que h\u00e1 dele em mim?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se interroga infinitamente para saber por que n\u00e3o podia reconhecer o rosto do SS que comandava o campo de Auschwitz e que, entretanto, estava l\u00e1 presente todas as manh\u00e3s, ao chamado com os outros SSs. \u00c9 que, escreveu, eles \u201ceram todos parecidos, seus rostos, suas vozes, suas atitudes: todos deformados pelo mesmo \u00f3dio, a mesma c\u00f3lera\u201d (<em>Ibid<\/em>. p. 109.), mas tamb\u00e9m, acrescenta, por sua \u201cinclina\u00e7\u00e3o \u00e0 obedi\u00eancia curvada\u201d (<em>Ibid<\/em>. p. 111). Lacan sublinha bem isso: o que se passa entre dois sujeitos excede o la\u00e7o discursivo e traz consigo, antes de tudo, \u201co perfil, a proje\u00e7\u00e3o, a silhueta\u201d. Certamente ele o diz do lado disso, de que n\u00f3s \u201cadoramos em um ser amado\u201d (LACAN, 1973, s\/p.), mas n\u00f3s o entendemos tamb\u00e9m para aquilo que abominamos naquele que nos odeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Levi avan\u00e7a em sua reflex\u00e3o\u00a0<em>sobre o outro nele mesmo\u00a0<\/em>nos contando uma hist\u00f3ria, a de um jovem herdeiro de muitas gera\u00e7\u00f5es de fabricantes de espelho. Jamais eles se desviaram da tradi\u00e7\u00e3o que obrigava a repetir exatamente os mesmos espelhos planos, esses supostamente capazes de dar a verdadeira imagem \u2013 mesmo se ela for virtual \u2013 do mundo e, particularmente, do rosto dos humanos. Desde sua juventude, se dedicou a aprender bem sua profiss\u00e3o, mas, sem que seu pai soubesse, concebeu espelhos bem mais inventivos, que transformavam a realidade \u00e0 qual cada um se habituava, e se angustiava quando era preciso retornar \u00e0s imagens do mundo compartilhado! Mas sua esperan\u00e7a secreta era de realizar um\u00a0<em>Mimet<\/em>, um espelho metaf\u00edsico! Seria um espelho que, fora das leis da \u00f3tica, reproduziria sua imagem tal como ela fosse vista por uma pessoa que estivesse \u00e0 sua frente (Cf. LEVI, 1989, p. 67)! Seria suficiente, para tanto, colar esse espelho na face da pessoa \u00e0 frente e ver-se ali, como o outro supostamente o veria. Ele se deu conta de que essa imagem n\u00e3o tinha nada em comum com a imagem que cada um se gaba de ter no olhar do outro. Assim, foi um fracasso para ele e para seu neg\u00f3cio; ningu\u00e9m queria se ver de um modo diferente daquele que se pensa!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O rosto, \u00e9 o acontecimento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com Levinas, a experi\u00eancia de um outro toma a forma do rosto. N\u00e3o aquele da pl\u00e1stica nem dos tra\u00e7os, que n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o a \u201cm\u00e1scara\u201d (LEVINAS, 1995. p. 44), mas aquele que leva o que se encontra na alteridade e que marca, impacta, por sua vulnerabilidade e seu desnudamento (Cf.\u00a0<em>Ibid<\/em>.). Com o rosto, a dimens\u00e3o que se apresenta ao sujeito n\u00e3o \u00e9 aquela que est\u00e1 em jogo nas rela\u00e7\u00f5es sociais, mas, de imediato, o que se coloca como uma quest\u00e3o \u00e9tica (Cf. LEVINAS, 1991. p. 191). O rosto \u00e9 \u201cuma presen\u00e7a viva, ele \u00e9 express\u00e3o\u201d, isso que leva Levinas a precisar que o \u201crosto fala\u201d (LEVINAS, 2000, p. 61). Se a manifesta\u00e7\u00e3o do rosto \u00e9 aqui apresentada como um discurso, \u00e9, entretanto, um discurso sem palavra na manifesta\u00e7\u00e3o da exterioridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A alteridade, esse face a face, em que se pode manifestar \u201ca epifania do rosto\u201d (Cf. LEVINAS,\u00a01991, p. 192.), \u00e9 esse despertar ao outro homem, sua proximidade. Mas esse\u00a0<em>em-face<\/em>\u00a0do rosto do outro inclui a\u00a0<em>n\u00e3o-in-diferen\u00e7a<\/em>\u00a0que faz com que cada um seja respons\u00e1vel por aquilo que o outro se tornar\u00e1, por essa \u201cmorte invis\u00edvel que encaramos no rosto do outro\u201d (<em>Ibid.<\/em>) e que \u00e9 tamb\u00e9m \u201cminha responsabilidade\u201d (<em>Ibid.)<\/em>. Essa coloca\u00e7\u00e3o faz daquele que se deixaria tomar pela indiferen\u00e7a o c\u00famplice da morte desse outro, ao deix\u00e1-lo morrer sozinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O cara a cara \u2013 mais precisamente\u00a0<em>no cara a cara<\/em>\u00a0\u2013 que confronta o rosto do outro \u00e9 uma forma do insuport\u00e1vel da rela\u00e7\u00e3o com o outro, porque isso que ele apresenta vai,\u00a0<em>in fine<\/em>, al\u00e9m do que ele d\u00e1 a ver nesse imediato, o limite do outro, sua morte. Ao ver no rosto do outro sua morte, eu n\u00e3o posso sen\u00e3o ver a minha. Assim, o reconhecimento do outro, sua acolhida, \u00e9, em si, um acontecimento e coloca, desde o in\u00edcio, \u201cminha responsabilidade por ele\u201d (<em>Ibid.\u00a0<\/em>p. 113) e que \u201ctodo outro \u00e9 \u00fanico\u201d (<em>Ibid<\/em>. p. 114), e, nesse sentido, a alteridade \u00e9 assim\u00e9trica. Entretanto, um certo apagamento se produz por algum contorno pr\u00f3prio ao sujeito, que faz com que, apesar de cada um ser \u00fanico, esses outros se movam em um mesmo espa\u00e7o onde todos se parecem. A introdu\u00e7\u00e3o da menor diversidade \u00e9 a\u00ed rapidamente insuport\u00e1vel, a n\u00e3o ser que se encontre um significante para localiz\u00e1-la, absorv\u00ea-la e fazer com que, de novo, no escoamento uniforme do tempo, tudo seja contido. O acontecimento, por seu car\u00e1ter de surpresa, inscreve-se como ruptura e n\u00e3o encontra muito frequentemente uma primeira resolu\u00e7\u00e3o sen\u00e3o quando colocamos nele um rosto. N\u00e3o h\u00e1 nada pior do que uma\u00a0<em>amea\u00e7a sem rosto<\/em>, cada\u00a0<em>uma<\/em>\u00a0podendo incluir eles todos. Nosso ambiente \u00e9 saturado de rostos, em um mundo de imagens que nos invade e que faz com que um acontecimento seja, mais que nunca, marcado, colado a um rosto. Sublinhemos, a\u00ed, um ponto de coincid\u00eancia com o que sustenta Levinas na sua concep\u00e7\u00e3o mais global do rosto: seu contexto n\u00e3o tem a ver com o sentido, mas com o fato de que ele est\u00e1 l\u00e1, surgido dele mesmo. Ent\u00e3o, podemos avan\u00e7ar\u00a0<em>que o rosto \u00e9 o acontecimento por excel\u00eancia<\/em>. Para al\u00e9m desse\u00a0<em>em si<\/em>, o rosto, um rosto, se encontra enla\u00e7ado por cada um a um acontecimento. A extens\u00e3o vai al\u00e9m do outro, e podemos escrever que um acontecimento tem o rosto do inferno, do Apocalipse, do horror, da guerra, ou, em contraponto, do amor, da paz, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acontecimento, conting\u00eancia e responsabilidade<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com Lacan, um acontecimento, um acontecimento humano, \u00e9 o que se passar\u00e1, ou n\u00e3o, amanh\u00e3. Isso depende da conting\u00eancia, de um futuro que pode advir. Que se possa dizer que haja uma parte previs\u00edvel na conting\u00eancia que pode surpreender. Entretanto, os acontecimentos humanos s\u00e3o tanto mais previs\u00edveis quanto mais eles dependem da repeti\u00e7\u00e3o. Lacan os relacionar\u00e1 a um fen\u00f4meno de estrutura (LACAN, 1973, s\/p.).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O acontecimento, como indica a sua raiz latina \u2013\u00a0<em>evenire<\/em>\u00a0\u2013, \u00e9 o que pode acontecer. De fato, um acontecimento \u00e9 o que adv\u00e9m ou n\u00e3o em uma data e em um lugar determinados. Ele n\u00e3o apresenta uma caracter\u00edstica neutra e se distingue do curso uniforme dos fen\u00f4menos da mesma natureza. Que se produza sempre alguma coisa depende da repeti\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o do acontecimento, pois o acontecimento \u00e9 inesperado; ele \u00e9 efeito de surpresa. Ele adv\u00e9m de uma ruptura, de uma descontinuidade temporal em uma cadeia. O acontecimento \u00e9 dat\u00e1vel, memoriz\u00e1vel. Ele n\u00e3o tem sempre as mesmas causas, sen\u00e3o ele n\u00e3o seria mais um acontecimento. Por seu car\u00e1ter excepcional, ele se reveste de uma import\u00e2ncia determinante para o indiv\u00edduo ou a coletividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tomado no seu sentido absoluto, ele se define por situa\u00e7\u00f5es significativas que acontecem a um homem. Nesse sentido, ele \u00e9 um efeito que se refere ao homem, e \u201cn\u00e3o existe acontecimento sem indiv\u00edduo concernido\u201d (GUYOTAT, 1984. p. 219-222). Essa \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o \u201cantropoc\u00eantrica\u201d, e n\u00e3o um dado objetivo (Cf. BASTIDE, 1968, p. 159-168). Para retomar a quest\u00e3o do rosto em seu la\u00e7o com o acontecimento, o efeito a considerar n\u00e3o est\u00e1 no rosto em si \u2013 mesmo se ele se apresenta marcado pela tristeza, alegria, hostilidade, reprova\u00e7\u00e3o, do\u00e7ura\u2026 \u2013, mas na rela\u00e7\u00e3o entre dois rostos, nisso que faz encontro e que escapa ao sujeito. Isso \u00e9 t\u00e3o mais evidente quando o rosto desse outro que adv\u00e9m concretamente nesse acontecimento n\u00e3o \u00e9 habitual ao que constitui a passagem do tempo: um agressor, um desconhecido, um surgimento do real na natureza ou na tecnologia, mas tamb\u00e9m um familiar que se encontra em um estado que faz dizer que n\u00e3o o ter\u00edamos reconhecido!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso permanece no dom\u00ednio da experi\u00eancia, e n\u00f3s devemos distinguir o fato do acontecimento, que existe realmente. Ele \u00e9 tido como um dado do real, e n\u00e3o da experi\u00eancia. O fato se inscreve em uma dura\u00e7\u00e3o que pode ser explicada pela ci\u00eancia, por exemplo pelo fato hist\u00f3rico, pelo fato sociol\u00f3gico. A elabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do fato tenta reabsorver a dimens\u00e3o \u00fanica, singular do acontecimento, para torn\u00e1-lo \u201cexpress\u00e3o regular das regularidades\u201d (<em>Ibid<\/em>.).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O acontecimento \u00e9 isso que produz um efeito de surpresa, \u00e9 tamb\u00e9m o que pode amea\u00e7ar um equil\u00edbrio individual ou social. Tamb\u00e9m, o homem tenta n\u00e3o se deixar surpreender e inventa, para isso, uma ci\u00eancia, aquela dos acontecimentos. Mas, que o acontecimento possa encontrar uma refer\u00eancia em uma ci\u00eancia hist\u00f3rica ou prospectiva, tanto quanto na mitologia, em Deus, n\u00e3o indica que uma reconstru\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria venha ocorrer. Para que um acontecimento, que surge do exterior da subjetividade, seja um acontecimento para um sujeito, \u00e9 necess\u00e1rio que este \u00faltimo responda diferentemente da passividade. Caso esse acontecimento seja compartilhado, o sujeito deve atuar de modo que lhe ocorra perguntar-se sobre o fato de que esse acontecimento \u00e9\u00a0<em>isso que acontece com ele<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O acontecimento traum\u00e1tico: o acidente<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi Arist\u00f3teles que p\u00f4s em evid\u00eancia a no\u00e7\u00e3o de acidente, \u00e0 qual ele deu destaques diferentes na evolu\u00e7\u00e3o de seu pensamento. \u00c9 na\u00a0<em>F\u00edsica<\/em>\u00a0que o que \u00e9 acidente ganha o sentido do que \u00e9 raro e fortuito, escapando, ent\u00e3o, e em parte, \u00e0s categorias l\u00f3gicas (Cf. VAN AUBEL, 1963, p. 400). At\u00e9 ent\u00e3o, na filosofia aristot\u00e9lica, o acidente se opunha, na dimens\u00e3o ontol\u00f3gica, \u00e0 subst\u00e2ncia e \u00e0 ess\u00eancia em uma perspectiva l\u00f3gica. Se o acidente toca qualquer coisa do sujeito, ele n\u00e3o diz o que \u00e9. Nesse sentido, \u201c\u00e9 preciso admitir uma certa alteridade entre o sujeito e o acidente\u201d (<em>Ibid<\/em>., p. 389).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O acidente \u00e9 referido ao outro; \u00e9 o que existe n\u00e3o em si mesmo, mas em um outro. Ele \u00e9 essa parte fortuita, improv\u00e1vel e impens\u00e1vel que, no fluir dos acontecimentos, causa o mal encontro, a\u00a0<em>tiqu\u00ea\u00a0<\/em>(Cf. LACAN, 2008. p. 57),\u00a0<em>o acaso<\/em>\u00a0<em>infeliz<\/em>. Mas isso pode ser tamb\u00e9m a evoca\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>fatalidad<\/em>e, do\u00a0<em>nada imotivado<\/em>, como causalidades deslocadas desse sinistro imprevis\u00edvel. \u00c9 o acidente que, no acontecimento, \u00e9 traum\u00e1tico<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/os-acontecimentos-tem-um-rosto\/#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A conting\u00eancia faz com que o acidente, tanto quanto o acontecimento, seja o que acontece, mas que tamb\u00e9m poderia n\u00e3o ter se produzido. A conting\u00eancia se op\u00f5e \u00e0 necessidade que faz com que o acidente seja, antes de tudo,\u00a0<em>coincid\u00eancia<\/em>, e n\u00e3o responde nem a leis gerais nem a fatores de const\u00e2ncia. O contingente \u00e9 o incalcul\u00e1vel nos efeitos que produz o acidente sobre um sujeito: \u00e9 o que faz encontro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um acontecimento traum\u00e1tico concerne sempre um sujeito. Ele comporta, ao mesmo tempo,\u00a0<em>uma parte de real que depende do acidente<\/em>, o indiz\u00edvel do encontro, e uma\u00a0<em>parte de subjetividade<\/em>\u00a0na qual o sujeito est\u00e1 engajado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o acontecimento traum\u00e1tico \u00e9 necess\u00e1rio para produzir seus efeitos em qualquer um, ele n\u00e3o \u00e9 suficiente. N\u00e3o \u00e9 a intensidade do acontecimento, na refer\u00eancia a uma quantifica\u00e7\u00e3o, que o faz traum\u00e1tico. \u00c9 muito mais a especificidade que ele adquire para o sujeito a quem concerne. Assim, pode-se dizer que\u00a0<em>o acidente \u00e9 \u00fanico<\/em>. Ele n\u00e3o o \u00e9 em refer\u00eancia \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 no sentido de que ele \u00e9 Um para um sujeito: esse acontecimento, e n\u00e3o um outro. Ele\u00a0<em>\u00e9<\/em>\u00a0para um sujeito, e n\u00e3o para todos, entre todos os que atravessam a mesma experi\u00eancia. Ele toma ent\u00e3o, para aquele que se encontra traumatizado, uma dimens\u00e3o de inef\u00e1vel, de incomensur\u00e1vel, de irredut\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Escritura, alteridade, trauma\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em \u201cO instante de minha morte\u201d (Cf. BLANCHOT, 2002), oito p\u00e1ginas fulgurantes, escritas aos 87 anos, sobre fatos ocorridos 50 anos antes, Maurice Blanchot faz aparecer a aresta viva da marca que deixa o traumatismo no sujeito: ele pode reviv\u00ea-lo anos depois com a mesma precis\u00e3o, como se acabasse de acontecer naquele instante. Colocado diante de um pelot\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o, ele se mant\u00e9m em p\u00e9 nesse face a face com a morte e com o olhar desse jovem tenente SS, que vai decidir sobre o instante do fim. Nesse\u00a0<em>instante<\/em>, o jovem homem \u201cexperimentou ent\u00e3o um sentimento de leveza extraordin\u00e1ria. Um tipo de beatitude. [..] O encontro da morte com a morte?\u201d. Ele percebe, ali, o nascimento de uma \u201camizade sub-rept\u00edcia\u201d (<em>Ibid<\/em>. p. 11) com a morte. Ele foi poupado enquanto tudo ao seu redor foi devastado, e o jovem SS lhe fez sinal para desaparecer. Ele n\u00e3o compreende, permanece esse rosto que o condenava e esse olhar que o agraciou. Enquanto ele se sentia, por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo, \u201cliberado da vida\u201d (<em>Ibid<\/em>. p. 15), ei-lo a\u00ed, agora, sob o peso da morte, enquanto ser vivo. Como se a morte fora dele pudesse, doravante, apenas chocar-se com a morte nele. \u201cEu estou vivo. N\u00e3o tu est\u00e1s morto\u201d, conclui o jovem homem que acrescentava que restava o sentimento de leveza sob uma forma precisa: \u201co instante de minha morte doravante sempre em imin\u00eancia\u201d (<em>Ibid<\/em>. p. 17).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Blanchot, \u201ca palavra n\u00e3o \u00e9 suficiente para a verdade que ela cont\u00e9m\u201d (BLANCHOT, 1949. p. 315). N\u00f3s, da nossa parte, dir\u00edamos que ela n\u00e3o \u00e9 suficiente para limitar os efeitos do real revelado pelo encontro traum\u00e1tico. A escritura, como muito frequentemente, vem como supl\u00eancia a esse fracasso da fun\u00e7\u00e3o da palavra; ela limita as devasta\u00e7\u00f5es do real encontrado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Blanchot, a escritura participa do olhar pelo fato mesmo de que a leitura coloca em jogo o esc\u00f3pico. \u00c9 preciso, quando a palavra falta, que o corpo entre em jogo. Com a escritura, \u00e9 pela vertente do olhar que o corpo se encontra implicado. Essa rela\u00e7\u00e3o que Blanchot estabelece entre o olhar e a escritura \u00e9 original e se encontra frequentemente na cl\u00ednica p\u00f3s-traum\u00e1tica. Esse olhar persiste em olhar o sujeito, seja nos sonhos traum\u00e1ticos, seja nos olhares cruzados ao acaso dos encontros com os pequenos outros. Cada rosto pode conter o olhar daquele que te olhou no momento em que te salvou a vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para todos aqueles que encontraram a via da escritura para tentar limitar os efeitos do trauma e que n\u00e3o podem mais escapar a essa passagem pelo escrito, se coloca um infinito da escritura. Est\u00e1 sempre a ser retomada. Quando o escrito pode encontrar um destinat\u00e1rio, um leitor, eis a\u00ed o autor reenviado a uma profunda solid\u00e3o. A solid\u00e3o que, agora, \u00e9 escrever se tornou incessante. A solid\u00e3o daquele do qual pensamos ser o mestre das palavras; tanto mais aquele do que para quem \u00e9 preciso \u201cescrever sem perturbar o sil\u00eancio\u201d (<em>Ibid<\/em>. p. 66). Pois, sublinha muito justamente Blanchot, a maestria ser\u00e1 de poder parar de escrever, salvo que: \u201cescrever n\u00e3o tem seu fim no livro\u201d (BLANCHOT, 1969, p. 624). Mas a\u00ed est\u00e1: a escritura do real \u00e9 tamb\u00e9m da ordem do imposs\u00edvel. O incessante \u00e9 isso que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever. \u00c9 uma das defini\u00e7\u00f5es do real, tanto quanto aquela que o traumatismo revelou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O apagamento do acontecimento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em sua introdu\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<em>Scilicet<\/em>, Lacan define a psican\u00e1lise como aquilo que ela nunca deixou de ser: \u201cum ato ainda por vir\u201d (LACAN, 1968, p. 9). N\u00f3s podemos colocar essa defini\u00e7\u00e3o de Lacan em tens\u00e3o com Blanchot, que fala de um \u201clivro (sempre) por vir\u201d (BLANCHOT, p. 303\u00a0<em>et sq<\/em>.), a escrever. Produz-se qualquer coisa que n\u00e3o se inscreve, que toca nisso que n\u00e3o se apaga: o trauma. Esse acontecimento que, ele, \u00e9 suscet\u00edvel de um verdadeiro apagamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todo encontro traum\u00e1tico \u00e9\u00a0<em>superinvestido<\/em>\u00a0ao ponto de, algumas vezes, ocultar completamente toda implica\u00e7\u00e3o subjetiva. A escuta do sujeito deve se ater a extrair sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a isso que se apresenta a ele como produto do acaso. Ocorre, para al\u00e9m de todos os recursos imagin\u00e1rios e identificat\u00f3rios \u2013 do her\u00f3i \u00e0 v\u00edtima \u2013, que a via pessoal, \u00e9tica, os leva a retomar esse acontecimento de vida em uma an\u00e1lise. A psican\u00e1lise p\u00f5e \u00eanfase na \u201c\u00e9tica do bem dizer\u201d e visa, atrav\u00e9s do trabalho de transfer\u00eancia, a fazer com que as quest\u00f5es levantadas pelo acontecimento se tornem quest\u00f5es colocadas pelo sujeito. Fazer do arbitr\u00e1rio de um acontecimento uma quest\u00e3o que, restitu\u00edda em sua\u00a0<em>hystoire<\/em>, fa\u00e7a com que o trabalho na transfer\u00eancia lhe permita abordar a quest\u00e3o do real de outra maneira, na sua rela\u00e7\u00e3o ao \u00f4ntico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<div class=\"post-2164 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-almanaque-no-23 tag-acidente tag-acontecimento tag-contingencia tag-real tag-rosto tag-trauma\">\n<div class=\"figcaption blog-figcaption\">\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Let\u00edcia Soares<\/h6>\n<h6><strong>Revis\u00e3o:\u00a0<\/strong>Ana Helena Souza<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<div class=\"post-2164 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-almanaque-no-23 tag-acidente tag-acontecimento tag-contingencia tag-real tag-rosto tag-trauma\">\n<div class=\"figcaption blog-figcaption\">\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>BASTIDE, R. \u201cSociologie de la connaissance de l\u2019\u00e9v\u00e9nement\u201d.\u00a0<em>In<\/em>: BALANDIER\u00a0<em>et al<\/em>. (s\/dir.):\u00a0<strong>Perspectives de la sociologie contemporaine<\/strong>. Paris: PUF, 1968.<\/h6>\n<h6>BLANCHOT M.\u00a0<strong>Le Livre \u00e0 venir<\/strong>. Paris: Gallimard.<\/h6>\n<h6>BLANCHOT, M.\u00a0<strong>L\u2019entretien infini<\/strong>. Paris: Gallimard, NRF, 1969.<\/h6>\n<h6>BLANCHOT, M.\u00a0<strong>L\u2019 instant de ma mort<\/strong>. Paris: Gallimard, 2002.<\/h6>\n<h6>BLANCHOT, M.\u00a0<strong>La Part du feu<\/strong>. Paris: Gallimard, 1949.<\/h6>\n<h6>GUYOTAT, J. \u201c\u00c0 prop\u00f4s de la notion d\u2019ev\u00e9nement\u201d.\u00a0<em>In<\/em>:\u00a0<strong>Annales M\u00e9dico-Psychologiques<\/strong>. v. 142, n\u00ba 2, fev. 1984.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<strong>Introduction \u00e0 Scilicet<\/strong>. Paris: Lyse, n\u00ba 1, 1968.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<strong>Le S\u00e9minaire, livre XXI<\/strong>: Les non-dupes errent. Aula de 11 de dezembro de 1973. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<strong>Le S\u00e9minaire, livre XXI:<\/strong>\u00a0Les non-dupes errent. Aula de 13 de novembro de 1973. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, livro XI<\/strong>: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Texto estabelecido por J.-A. Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/h6>\n<h6>LEVI, P.\u00a0<strong>Le Fabricant de miroirs<\/strong>. Paris: Liana Levi, 1989.<\/h6>\n<h6>LEVINAS, E.\u00a0<strong>Alt\u00e9rit\u00e9 et transcendence<\/strong>. Paris: Fata Morgana, 1995.<\/h6>\n<h6>LEVINAS, E.\u00a0<strong>Entre nous<\/strong>: essai sur le penser-\u00e0-l\u2019autre. Paris: Grasset, 1991.<\/h6>\n<h6>LEVINAS, E.\u00a0<strong>Totalit\u00e9 et infini<\/strong>: essai sur l\u2019ext\u00e9riorit\u00e9. Paris: LGF, 2000.<\/h6>\n<h6>VAN AUBEL, M. \u201cAccident, categories et pr\u00e9dicables dans l\u2019oeuvre d\u2019Aristote\u201d.\u00a0<em>In<\/em>:\u00a0<strong>Revue Philosophique de Louvain<\/strong>, t. 61, n\u00ba 71, ago. 1963.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>\u00a0<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/os-acontecimentos-tem-um-rosto\/#_ednref1\" name=\"_edn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0Desenvolvi muitas vezes os pontos que v\u00e3o seguir em outros trabalhos. Eles s\u00e3o retomados aqui pela sua precis\u00e3o incontorn\u00e1vel ao acidente traum\u00e1tico.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>GUY BRIOLE<\/strong><\/h6>\n<h6>Psicanalista membro da Escola da Causa Freudiana e da Escola Lacaniana de Psican\u00e1lise<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GUY BRIOLE &nbsp; LAMA &#8211;RICHARDSON PONTONE &nbsp; O que voc\u00ea v\u00ea quando me v\u00ea? 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