{"id":1252,"date":"2020-03-17T06:59:33","date_gmt":"2020-03-17T09:59:33","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1252"},"modified":"2020-03-17T06:59:33","modified_gmt":"2020-03-17T09:59:33","slug":"crenca-e-nome-do-pai-alessandra-rocha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2020\/03\/17\/crenca-e-nome-do-pai-alessandra-rocha\/","title":{"rendered":"Cren\u00e7a e Nome-do-Pai &#8211; Alessandra Rocha"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><strong>Resumo<br \/>\n<\/strong>O texto trata da rela\u00e7\u00e3o entre os conceitos de cren\u00e7a e Nome-do-Pai buscando elucidar a proximidade e a intimidade entre eles. Evidencia de que maneira ambos tocam na quest\u00e3o do saber e da autoridade, bem como, na quest\u00e3o da verdade e da fic\u00e7\u00e3o e como se diferenciam.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chaves:\u00a0<\/strong>Cren\u00e7a, Nome-do-Pai, saber, verdade, fic\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Abstract<br \/>\n<\/strong>The text delas with the relationship between the concepts of bilef and Name-of-the-Father seeking to elucidate the proximity and intimacy between them. It shows how both touch the questiono f knowledge and authority, as well as the question of truth and fiction and how they differ from each other.<\/p>\n<p><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>Belief, Name-of-the-Father, knowledge, truth, fiction<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/alessandrarocha-scaled.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"2560\" data-large_image_height=\"1707\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1253 aligncenter\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/alessandrarocha-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"299\" \/><\/a><\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\">Foto de Ric Rodrigues<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRA THOMAZ ROCHA<\/strong><\/p>\n<h6><strong>Psicanalista, doutora em Psican\u00e1lise pela UFMG, membro da EBP\/AMP\u00a0<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de cren\u00e7a est\u00e1 intimamente relacionada \u00e0 quest\u00e3o da paternidade. Primeiramente, porque ela \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da sociedade, nos diz Margaret Mead (1971). Por\u00e9m, \u00e9 Jacques Dupuis (1989) quem nos conta a hist\u00f3ria dessa descoberta. A m\u00e1xima do Direito romano\u00a0<i>Mater semper certa est, pater semper incertus est\u00a0<\/i>\u00e9 algo que atesta tal fato. Nos dias de hoje, com a ajuda dos exames de DNA, as coisas ficaram mais \u00f3bvias, mas nem por isso mais f\u00e1ceis: se a paternidade n\u00e3o fosse um problema, n\u00e3o haveria toda essa parafern\u00e1lia para lhe conferir uma certeza, ou uma garantia de verdade.<\/p>\n<p>Mas qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre os conceitos de cren\u00e7a, de fic\u00e7\u00e3o e de Nome-do-Pai? E a quest\u00e3o da mentira, o que ela carrega de rela\u00e7\u00e3o com a verdade?<\/p>\n<p>Parte-se do pressuposto que a cren\u00e7a, em suas v\u00e1rias acep\u00e7\u00f5es, \u00e9 o que necessariamente permite o acesso a um saber, mesmo que ele se erga sobre um fundo fict\u00edcio; que seja sobre uma verdade, ou mesmo sobre uma mentira. O que implica que, \u201cn\u00e3o h\u00e1 saber algum que n\u00e3o se erga sobre um fundo de ignor\u00e2ncia\u201d (LACAN, 1997, p. 210).<\/p>\n<p>Sabemos que a fic\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e um lugar imagin\u00e1rio, que \u00e9 um recurso do pensamento que suporta a contradi\u00e7\u00e3o e que, por isso mesmo, n\u00e3o pode ser verificada. J\u00e1 a cren\u00e7a \u00e9 o que sustenta uma fic\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que permite que algo funcione; \u00e9 o que funda uma autoridade. Assim, a cren\u00e7a numa autoridade, que pode ser representada pela figura do pai, por exemplo, \u00e9 o que assegura uma ordem. Logo, trata-se de fazer crer para se obter um poder, uma autoridade. A cren\u00e7a faz existir aquilo em que se cr\u00ea. Esse \u00e9 o seu segredo, seu poder.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do pai na psican\u00e1lise, sabe-se, desde Freud, que ela tem um car\u00e1ter fundamental, que se constitui como ponto de central sob o qual a psican\u00e1lise se apoiou. Seu lugar na teoria psicanal\u00edtica \u00e9 o de um fundamento, \u00e9 o alicerce sobre o qual foi constru\u00edda. \u00c9 aquilo sobre o qual se apoia, seja sob um dado no dom\u00ednio do ser (nesse caso, o fundamento \u00e9 garantia ou raz\u00e3o de ser), seja sob uma teoria ou um conjunto de conhecimentos (logo, o fundamento \u00e9 o conjunto de proposi\u00e7\u00f5es de onde esses conhecimentos se deduzem)<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/almanaque24\/78-crenca-nome-pai#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>. Tal como o fundamento de uma lei, um fundamento \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o ordenadora que pressup\u00f5e uma cren\u00e7a para operar. Essa cren\u00e7a pode estar presente de forma positiva ou negativa, o que importa \u00e9 sua presen\u00e7a. Na religi\u00e3o cat\u00f3lica, por exemplo, o fundamento \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o. Por conseguinte, toda a doutrina crist\u00e3 se ergue a partir desse ponto. Desta forma, a revela\u00e7\u00e3o \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o\u00a0<i>sine qua non<\/i>\u00a0da religi\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>No caso da psican\u00e1lise, o pai desempenha essa fun\u00e7\u00e3o. Ele tem valor de norma fundamental, de condi\u00e7\u00e3o\u00a0<i>sine qua non<\/i>\u00a0da psican\u00e1lise, ponto de converg\u00eancia que n\u00e3o deixa de ser uma fic\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o pode ser verificado. Freud, com o mito do pai primevo, assenta a pedra fundamental da psican\u00e1lise, construindo, a partir dele, um fundamento para a ideia do inconsciente. Portanto, n\u00e3o importa que esse fundamento seja um mito, uma revela\u00e7\u00e3o, um fato ou uma hip\u00f3tese. O que importa \u00e9 a cren\u00e7a nesse fundamento. Contudo, sabemos que o pai, na psican\u00e1lise, n\u00e3o se constitui como uma hip\u00f3tese, mas como uma fic\u00e7\u00e3o. A fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem uma rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria com a realidade, ela funciona \u201ccomo se\u201d, ou seja, n\u00e3o necessita de verifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 diferente de uma hip\u00f3tese, que pede verifica\u00e7\u00e3o, pois pretende-se uma express\u00e3o do que \u00e9 verdadeiro e real. A fic\u00e7\u00e3o \u00e9 um desvio contingente da realidade que tem a fun\u00e7\u00e3o de pensar a origem do fundamento, de justific\u00e1-lo. Ent\u00e3o, podemos dizer que o mito do pai \u00e9 a origem do fundamento da psican\u00e1lise. O pai \u00e9 a figura que sustenta o lugar de uma autoridade, e essa autoridade \u00e9 o que assegura a ordem diante do desamparo e do sofrimento humano.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que a antrop\u00f3loga Margareth Mead, em seu livro\u00a0<i>Macho e f\u00eamea<\/i>, nos diz que \u201cA paternidade \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d (1971). E Jacques Dupuis, em seu livro\u00a0<i>Em nome do pai: uma hist\u00f3ria da paternidade\u00a0<\/i>(1989), vai justificar, por meio de dados hist\u00f3ricos, alegando que \u00e9 somente a partir do per\u00edodo neol\u00edtico que come\u00e7a a se propagar a ideia da paternidade. Foi no quinto mil\u00eanio, de acordo com sua pr\u00f3pria data\u00e7\u00e3o, que os eg\u00edpcios e os indo-europeus tomaram consci\u00eancia do papel do pai na procria\u00e7\u00e3o. Antes desse per\u00edodo, as civiliza\u00e7\u00f5es s\u00f3 conheciam as estruturas protofamiliares, centradas nas m\u00e3es, com uma vida religiosa inspirada no tema da fecundidade feminina e numa vida sexual caracterizada pela livre satisfa\u00e7\u00e3o do desejo. S\u00f3 depois que as civiliza\u00e7\u00f5es come\u00e7am a se sedentarizar \u00e9 que se come\u00e7a a estabelecer a correla\u00e7\u00e3o entre a procria\u00e7\u00e3o e o ato sexual e, assim, tomar consci\u00eancia da paternidade. Antes disso, ela era ignorada, pois os homens eram ca\u00e7adores n\u00f4mades. Foi a partir do momento em que as mulheres come\u00e7aram a se fixar na terra por causa da agricultura, atividade criada e cultivada inicialmente por elas, que come\u00e7aram a se organizar, aos poucos, o que chamamos de fam\u00edlia. Assim, a hist\u00f3ria do pai, enquanto fic\u00e7\u00e3o ordenadora, tem uma origem a partir desse momento.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre f\u00e9 e cren\u00e7a, Freud nos d\u00e1 sua vers\u00e3o. Distingue a cren\u00e7a da ilus\u00e3o afirmando que podemos chamar uma cren\u00e7a de ilus\u00e3o quando ela \u00e9 motivada por uma realiza\u00e7\u00e3o de desejo e, portanto, n\u00e3o precisa ser confirmada pela realidade, quando n\u00e3o d\u00e1 valor \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o (FREUD, 1990, p. 44). Quando, em \u201cO futuro de uma ilus\u00e3o\u201d, Freud discorre sobre a significa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica das ideias religiosas, sustenta que estas s\u00e3o ensinamentos e afirma\u00e7\u00f5es sobre fatos e condi\u00e7\u00f5es da realidade externa ou interna que nos dizem algo que n\u00e3o descobrimos por n\u00f3s mesmos, e por isso reivindicam nossa cren\u00e7a. Para ele, todo ensinamento exige uma cren\u00e7a em seu conte\u00fado, mas n\u00e3o sem produzir fundamentos que o justifiquem. Para Freud, os ensinamentos s\u00e3o apresentados como o resultado resumido de um processo mais extenso de pensamento baseado em observa\u00e7\u00f5es e infer\u00eancias.<\/p>\n<p>Mas, com rela\u00e7\u00e3o aos ensinamentos da religi\u00e3o, quando se indaga sobre seus fundamentos, deparamo-nos com tr\u00eas respostas que se complementam. A primeira \u00e9 que devemos crer porque nossos antepassados primitivos j\u00e1 acreditavam nesses ensinamentos, entretanto, nossos antepassados eram muito mais ignorantes do que n\u00f3s. A segunda, porque possu\u00edmos provas escritas que nos foram transmitidas desde os tempos primitivos \u2014 mas Freud justifica que, nas provas que nos deixaram, est\u00e3o registrados escritos cheios de contradi\u00e7\u00f5es, revis\u00f5es e falsifica\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o os livros sagrados, e, al\u00e9m disso, as palavras escritas nesses registros se originam de revela\u00e7\u00f5es divinas. A terceira seria sobre a proibi\u00e7\u00e3o de questionamento de sua autenticidade. Com rela\u00e7\u00e3o a esse terceiro ponto, Freud nos diz que o pr\u00f3prio fato de n\u00e3o se poder questionar j\u00e1 desperta fortes suspeitas, afinal, uma proibi\u00e7\u00e3o como essas s\u00f3 pode ter uma raz\u00e3o: a inseguran\u00e7a que essas reivindica\u00e7\u00f5es geram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s doutrinas religiosas. Caso contr\u00e1rio, poderiam ser colocadas \u00e0 prova de quem quer que deseje chegar a tais convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por conseguinte, n\u00e3o h\u00e1 como provar a verdade das doutrinas religiosas. E \u00e9 por isso que ela necessita da f\u00e9. Talvez possamos dizer que esse seja mais um dos equ\u00edvocos de Freud, o de pensar que o fundamento precise ser verificado para ser v\u00e1lido. E \u00e9 por isso que ele deprecia a religi\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia. Mas n\u00f3s, mais de cem anos depois dele, sabemos que o problema n\u00e3o est\u00e1 a\u00ed, e ele, apesar desse equ\u00edvoco, segue adiante.<\/p>\n<p>Freud menciona duas tentativas que foram feitas para se fugir ao problema da prova diante da tentativa de verifica\u00e7\u00e3o da cren\u00e7a: \u201cuma, de natureza violenta, \u00e9 antiga; a outra, \u00e9 sutil e moderna\u201d (1990, p. 40). A primeira \u00e9 o\u00a0<i>\u201cCredo quia absurdum\u201d\u00a0<\/i>(creio porque \u00e9 absurdo), de Tertuliano<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/almanaque24\/78-crenca-nome-pai#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>, aquele que foi o primeiro e mais importante escritor eclesi\u00e1stico da l\u00edngua latina, tamb\u00e9m padre da igreja cat\u00f3lica. Essa tentativa sustenta que<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[&#8230;] as doutrinas religiosas est\u00e3o fora da jurisdi\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o \u2014 isto \u00e9, acima dela. Sua verdade deve ser sentida interiormente e n\u00e3o precisam ser compreendidas. Logo, esse\u00a0<i>credo<\/i>\u00a0s\u00f3 tem interesse como autoconfiss\u00e3o. Como declara\u00e7\u00e3o autorizada, n\u00e3o possui for\u00e7a obrigat\u00f3ria. [&#8230;] Acima da raz\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 tribunal ao qual apelar (FREUD, 1990. p. 40).<\/p>\n<p>A segunda tentativa para fugir do problema da prova \u00e9 efetuada pela filosofia do\u00a0<i>como se,<\/i>\u00a0que assegurava que \u201cnosso pensamento inclui v\u00e1rias hip\u00f3teses cuja falta de fundamentos, e at\u00e9 mesmo absurdidade, compreendemos perfeitamente. S\u00e3o chamadas de fic\u00e7\u00f5es, mas por v\u00e1rias raz\u00f5es pr\u00e1ticas, temos que nos comportar\u00a0<i>como se<\/i>\u00a0nelas acredit\u00e1ssemos\u201d (FREUD, 1990. p. 41). Freud admite que as doutrinas religiosas, apesar de serem ilus\u00f5es, s\u00e3o de grande import\u00e2ncia para a sociedade. Mas o que ele se pergunta \u00e9: de onde surge a for\u00e7a dessas doutrinas? E a que se deve sua efic\u00e1cia, j\u00e1 que elas n\u00e3o dependem do conhecimento pela raz\u00e3o?<\/p>\n<p>Verifica que as ideias religiosas s\u00e3o transmitidas como ensinamentos, entretanto, n\u00e3o passam de ilus\u00f5es que permitem a realiza\u00e7\u00e3o dos mais fortes e antigos desejos da humanidade. Ele deduz que o segredo de sua for\u00e7a, sua efic\u00e1cia, reside na for\u00e7a desses desejos humanos. Ao chamar as ideias religiosas de ilus\u00f5es, esclarece que ilus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que um erro. O que \u00e9 caracter\u00edstico das ilus\u00f5es \u00e9 o fato de derivarem de desejos humanos. As ilus\u00f5es tamb\u00e9m se diferem dos del\u00edrios, uma vez que estes \u00faltimos se encontram necessariamente em contradi\u00e7\u00e3o com a realidade. As ilus\u00f5es n\u00e3o precisam ser necessariamente falsas, irrealiz\u00e1veis ou em contradi\u00e7\u00e3o com a realidade. Uma cren\u00e7a pode ser chamada de ilus\u00e3o quando uma realiza\u00e7\u00e3o de desejo constitui fator decisivo em sua motiva\u00e7\u00e3o e quando suas rela\u00e7\u00f5es com a realidade s\u00e3o desprezadas. Ou quando, tal como a pr\u00f3pria ilus\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 valor \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o. Assim, Freud conclui que as doutrinas religiosas s\u00e3o cren\u00e7as que se constituem como ilus\u00f5es, que, por sua vez, n\u00e3o s\u00e3o suscet\u00edveis de prova. Para ele, a via do conhecimento cient\u00edfico \u00e9 a \u00fanica que pode levar ao conhecimento da realidade externa a n\u00f3s mesmos. Acredita ser uma ilus\u00e3o apostar na intui\u00e7\u00e3o ou na introspec\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que elas s\u00e3o apenas detalhes da nossa vida mental e dif\u00edceis de interpretar. Ent\u00e3o, afirma que a ess\u00eancia da atitude religiosa se constitui na busca de um rem\u00e9dio para a impot\u00eancia e a insignific\u00e2ncia do homem diante do Universo. Por isso, a cren\u00e7a nas doutrinas religiosas \u00e9 necess\u00e1ria \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o, para apaziguar o sofrimento das pessoas j\u00e1 que a ci\u00eancia, sozinha, n\u00e3o basta ao homem. Reconhece que as necessidades imperiosas do homem jamais poderiam ser satisfeitas pela \u201cfr\u00edgida ci\u00eancia\u201d, pois \u201ca raz\u00e3o pouco pode fazer contra os impulsos apaixonados\u201d (FREUD, 1990. p. 56). Percebe-se, assim, como Freud n\u00e3o p\u00f4de ir mais al\u00e9m do pai e como Lacan foi necess\u00e1rio para manter a atualidade da psican\u00e1lise diante dos impasses da cl\u00ednica e para fazer entender por que a psican\u00e1lise pressup\u00f5e uma cren\u00e7a.<\/p>\n<p>Na cl\u00ednica, verifica-se que, normalmente, quando um paciente procura por um analista, ele j\u00e1 tem algum tipo de cren\u00e7a, pois a transfer\u00eancia pressup\u00f5e uma cren\u00e7a. Se n\u00e3o h\u00e1 cren\u00e7a no analista, enquanto Sujeito-Suposto-Saber, o paciente encontra dificuldades de chegar at\u00e9 ele. Sabe-se tamb\u00e9m, pelos ensinamentos de Lacan, elucidados por Jacques-Alain Miller, que h\u00e1 a transfer\u00eancia negativa, que pode ser uma outra via de acesso ao analista, e se d\u00e1 quando este est\u00e1 sob suspeita. Nessa situa\u00e7\u00e3o, o paciente hesita, tem d\u00favidas, desconfia do analista, tenta verificar se sua cren\u00e7a pode ser confirmada. A suspeita se situa num n\u00edvel intermedi\u00e1rio entre o saber e a cren\u00e7a (MILLER, 1999, p. 15\u201316). Miller (1999) ressalta que a suspeita se manifesta quando n\u00e3o se est\u00e1 seguro de alguma coisa ou de algu\u00e9m; quando h\u00e1 algo que n\u00e3o se sabe, mas que se antecipa como mal, como negativo. \u00c9 um grau inferior de saber, n\u00e3o demonstr\u00e1vel, que, por isso mesmo, \u00e9 insistente. \u00c9 uma cren\u00e7a sustentada na desconfian\u00e7a. O que h\u00e1 em comum entre a desconfian\u00e7a e a confian\u00e7a \u00e9 a antecipa\u00e7\u00e3o, pois ambas v\u00e3o al\u00e9m do que se sabe e do que se pode provar.<\/p>\n<p>De acordo com Lacan, que toma esse conceito a partir de sua origem grega, pode-se perceber como a diferen\u00e7a entre f\u00e9 e cren\u00e7a \u00e9 uma quest\u00e3o de nuance. E, assim, pode-se tamb\u00e9m dizer que a filosofia inglesa, com Hume \u2014 na qual a cren\u00e7a passa a ser impress\u00e3o, h\u00e1bito, sentimento, a partir do momento em que adquire uma unidade, e n\u00e3o mais se apresenta em termos de nuances \u2014 constr\u00f3i as bases para o triunfo do discurso da ci\u00eancia, que \u00e9 o que se presencia nos dias de hoje e que faz da probabilidade a garantia de uma verdade. Logo, o desenvolvimento do discurso da ci\u00eancia coincide com a queda do Nome-do-pai, com a morte de Deus ou fim da cren\u00e7a, enquanto possibilidade de acesso a um saber sobre uma verdade.<\/p>\n<p>Para Lacan, a verdade tem estrutura de fic\u00e7\u00e3o, tomando como refer\u00eancia os estudos de Jeremy Bentham (1997,\u00a0<i>apud<\/i>, LAIA, 2005), para quem uma entidade fict\u00edcia n\u00e3o \u00e9 uma entidade imagin\u00e1ria enganosa pelo fato de a linguagem fazer existir a fic\u00e7\u00e3o \u2014 o que faz com que a fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o dependa de uma realidade, mas da linguagem. Logo, se o inconsciente, para Lacan, tem a estrutura de uma linguagem, pode-se dizer que ele tamb\u00e9m tem um car\u00e1ter de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Finalmente, pode-se perceber como e por que \u00e9 preciso crer no Nome-do-Pai, ou no\u00a0<i>sinthoma<\/i>, mesmo que essa cren\u00e7a n\u00e3o seja uma certeza, uma convic\u00e7\u00e3o, ou algo tomado como verdadeiro. A partir do momento em que constatamos que h\u00e1 v\u00e1rios n\u00edveis de cren\u00e7a, podemos perceber que, entre o sim e o n\u00e3o, entre uma verdade e uma mentira, h\u00e1 uma cren\u00e7a, que, de acordo com seu grau, pode nos levar de um ponto a seu oposto \u2014 o que permite entrever como a cren\u00e7a se relaciona com o Real e com o semblante. E, por conseguinte, porque \u00e9 preciso, segundo Miller, acreditar no Nome-do-Pai para poder prescindir-se dele. \u00c9 preciso de uma fantasia, de um mito, mesmo que delirante, para que um sujeito do inconsciente possa\u00a0<i>ex-sistir<\/i>\u00a0enquanto\u00a0<i>sinthoma<\/i>. Sabemos que, para Lacan, a diferen\u00e7a entre cren\u00e7a e f\u00e9 \u00e9 sutil. Por isso, vai examinar o funcionamento da f\u00e9 na experi\u00eancia religiosa, tal como Freud o fez.<\/p>\n<p>Numa an\u00e1lise, o analisante deposita sua confian\u00e7a no analista \u2014 n\u00e3o na pessoa dele, e sim no Sujeito-Suposto-Saber, que opera enquanto objeto\u00a0<i>a<\/i>. \u00c9 essa cren\u00e7a que instaura a transfer\u00eancia e permite a produ\u00e7\u00e3o do inconsciente do analisante. Para Lacan, a f\u00e9 \u00e9 algo verdadeiro que n\u00e3o tem nada a ver com o Real. Por isso faz equivaler a psican\u00e1lise com uma forma moderna da f\u00e9. A religi\u00e3o, para Lacan, \u00e9 marcada pelo esquecimento. Da\u00ed a exist\u00eancia dos sacramentos, que t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de renovar um pacto esquecido, atrav\u00e9s dos rituais, da repeti\u00e7\u00e3o. \u201cA verdade pelo decreto dos deuses se esquece\u201d (LACAN, 1964, p. 239). Uma an\u00e1lise \u00e9 marcada por um esquecimento semelhante, por\u00e9m opera a partir dele, do recalque, levando em considera\u00e7\u00e3o o dizer que se encontra mais al\u00e9m da fala. O esquecimento est\u00e1 relacionado ao \u201cdizer que ultrapassa o dito\u201d (LACAN, 2003, p. 483), pois \u201cque se diga fica esquecido por tr\u00e1s do que se diz no que se ouve\u201d (LACAN, 2003. p. 448)<\/p>\n<p>Lacan interroga Freud para tentar saber o que faz um pai. Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do pai em Freud? O que \u00e9 um pai?<\/p>\n<p>Responde que \u00e9 um nome que implica a f\u00e9, \u00e9 um\u00a0<i>sinthoma<\/i>. A hip\u00f3tese do inconsciente sup\u00f5e um Nome-do-Pai, que significa supor Deus. Por\u00e9m, essa hip\u00f3tese da exist\u00eancia de um grande Outro, da exist\u00eancia de Deus, serviu n\u00e3o somente para promulgar a lei, mas para garantir o sentido. Contudo, como estamos impossibilitados de dizer o verdadeiro sobre o real, que \u00e9 sem-sentido, que faz barra sobre o dizer, para que seja pensado um saber no real, Lacan precisou buscar, na topologia, uma maneira de tentar formalizar o inconsciente e sua l\u00f3gica; foi mais al\u00e9m do sentido, buscando elucidar a l\u00f3gica do real. Ele encontra, assim, no n\u00f3 borromeano, uma resposta para suas dificuldades de formaliza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o poderia ser bem transmitida apenas pela letra ou pela linguagem. Ele formula o n\u00f3 borromeano de tr\u00eas termos \u2014 simb\u00f3lico, imagin\u00e1rio e real. Mas esse n\u00f3 n\u00e3o responde ao enigma sobre a foraclus\u00e3o, pois foi constru\u00eddo sob as bases referenciais do complexo de \u00c9dipo. Por isso, mais tarde vai chegar ao n\u00f3 borromeano de quatro termos, no qual o Nome-do-Pai vem a se somar ao simb\u00f3lico, ao imagin\u00e1rio e ao real. Nesse quarto n\u00f3, o do pai, o sujeito precisa crer para que funcione, isto \u00e9, o Nome-do-Pai, ou o\u00a0<i>Sinthoma<\/i>, \u00e9 um utens\u00edlio que funciona como operador l\u00f3gico, que permite que o sujeito acredite num sentido, em algo que fa\u00e7a fun\u00e7\u00e3o de ordenador, concedendo o funcionamento do semblante. Permite que se torne poss\u00edvel o acesso a uma verdade, a um saber inconsciente, que n\u00e3o deixa de ser um golpe de sentido, um semblante, ou um\u00a0<i>sens-blant<\/i>\u00a0(FONTENEAU, 2005, p. 34).<\/p>\n<p>Portanto, a cren\u00e7a est\u00e1 no \u00e2mago da experi\u00eancia anal\u00edtica, mesmo que muitas vezes enquanto f\u00e9, pois o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a implica\u00e7\u00e3o do sujeito na cura. Ela est\u00e1 presente em todo sujeito no sentido de tomar-como-verdadeiro, associada tanto ao saber quanto ao n\u00e3o saber; associada ao ato psicanal\u00edtico tanto no neur\u00f3tico quanto no psic\u00f3tico, com a \u00fanica diferen\u00e7a de que, neste \u00faltimo, ela aparece de forma invertida, isto \u00e9, enquanto descren\u00e7a (<i>Ibid.<\/i>).<\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 importante salientar que a descren\u00e7a para Lacan \u00e9 o\u00a0<i>Unglaben<\/i>, que n\u00e3o \u00e9 a supress\u00e3o da cren\u00e7a nem a nega\u00e7\u00e3o da fenomenologia do\u00a0<i>Galuben<\/i>, da cren\u00e7a, que foi a obsess\u00e3o de Freud at\u00e9 o final. \u201c\u00c9 um modo pr\u00f3prio da rela\u00e7\u00e3o do homem com seu mundo e, na verdade, aquele no qual ele subsiste\u201d (LACAN, 1959-60, p. 163). Para Lacan, a cren\u00e7a pressup\u00f5e a divis\u00e3o do sujeito, pressup\u00f5e uma\u00a0<i>Verdrangung<\/i>, um recalque da coisa. Logo, quando n\u00e3o h\u00e1 cren\u00e7a \u2014 e o exemplo que ele d\u00e1 aqui \u00e9 o do discurso da ci\u00eancia \u2014, e sim descren\u00e7a, o que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o da coisa no sentido pr\u00f3prio da\u00a0<i>Verwerfung<\/i>\u00a0(<i>Idem<\/i>, p. 164). Segundo Lacan, o discurso da ci\u00eancia rejeita a presen\u00e7a da coisa, pois pressup\u00f5e o ideal do saber absoluto, de algo que estabelece, apesar de tudo, a coisa, mas n\u00e3o a leva em conta. Ressalta que o discurso da ci\u00eancia \u00e9 determinado por essa\u00a0<i>Verwerfung<\/i>. Assim, entendemos a aproxima\u00e7\u00e3o entre\u00a0<i>Unglauben<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Verwerfung<\/i>, de acordo com o uso que Lacan faz deles, no sentido de que a descren\u00e7a seria um rep\u00fadio da cren\u00e7a e, portanto, correlativo da rejei\u00e7\u00e3o. Podemos constatar isso pela seguinte cita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">No fundo da pr\u00f3pria paranoia, que nos parece no entanto toda animada de cren\u00e7a, reina esse fen\u00f4meno de\u00a0<i>Unglauben<\/i>. N\u00e3o \u00e9 o n\u00e3o crer nisso, mas a aus\u00eancia de um dos termos da cren\u00e7a, do termo em que se designa a divis\u00e3o do sujeito. Se n\u00e3o h\u00e1, de fato, cren\u00e7a que seja plena, e inteira, \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 cren\u00e7a que n\u00e3o suponha, em seu fundo, que a dimens\u00e3o \u00faltima que ela tem que revelar \u00e9 estritamente correlativa do momento em que seu sentido ir\u00e1 desvanecer-se (LACAN, 1964, p. 225).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>BENTHAM, J.\u00a0<strong>De l\u2019ontologie et autrestextessurlesfictions<\/strong><i>.\u00a0<\/i>Paris: Seuil, 1997.<\/h6>\n<h6>DUPUIS, J.\u00a0<strong>Em nome do pai<\/strong>: uma hist\u00f3ria da paternidade. S\u00e3o Paulo: Ed. Martins Fontes, 1989.<\/h6>\n<h6>ENCYCLOPEIE UNIVERSALIS. Vers\u00e3o eletr\u00f4nica, 2005.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1927).\u00a0<strong>O futuro de uma ilus\u00e3o<\/strong>. Rio de Janeiro: ESB, v.21. 1990.<\/h6>\n<h6>FONTENEAU, F. \u201cCren\u00e7a\u201d. In:\u00a0<strong>Scilicet dos Nomes-do-Pai<\/strong>. AMP. Textos preparat\u00f3rios para o congresso de Roma, 2005.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1959-1960)\u00a0<strong>O semin\u00e1rio, livro 7<\/strong>: a \u00e9tica da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1964)\u00a0<strong>O semin\u00e1rio, livro 11<\/strong>: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996.<\/h6>\n<h6>LACAN. (1973) \u201cO aturdito\u201d. In:\u00a0<strong>Outros escritos<\/strong><i>.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.<\/h6>\n<h6>LAIA, S. \u201cA mentira e o Nome-do-Pai\u201d. In:\u00a0<strong>Scilicet dos Nomes-do-Pai<\/strong>.\u00a0<i>Op. Cit.<\/i><\/h6>\n<h6>MEAD, M. (1949).\u00a0<strong>Macho e f\u00eamea<\/strong>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 1971.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. \u201cLa transferencia negativa\u201d. Semin\u00e1rio sobre a pol\u00edtica da transfer\u00eancia. Escuela del Campo Freudiano de Barcelona. 1\u00aa edici\u00f3n, Barcelona, 1999.<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/almanaque24\/78-crenca-nome-pai#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Texto in\u00e9dito apresentado na \u201cSess\u00e3o Liter\u00e1ria\u201d da Biblioteca da EBP-MG, no dia 13\/3\/2006, que teve como tema de debate \u201ccren\u00e7a e nomes-do-pai\u201d. Uma vers\u00e3o modificada deste texto comp\u00f5e parte do subitem \u201cA cren\u00e7a no Pai: a constru\u00e7\u00e3o do conceito de Nome do Pai e seu uso\u201d, de minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado \u201cA l\u00f3gica do Sacrif\u00edcio e suas consequ\u00eancias\u201d. UFMG, 2006.<\/h6>\n<p><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/almanaque24\/78-crenca-nome-pai#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>\u00a0Conforme defini\u00e7\u00e3o do dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio. S\u00e9c.XXI. vers\u00e3o eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/almanaque24\/78-crenca-nome-pai#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a>\u00a0Tertuliano nasceu em Cartago, no ano 155 d.C., e l\u00e1 exercia sua profiss\u00e3o de advogado, quando, em 193, converteu-se ao Cristianismo, passando a exercer tamb\u00e9m a atividade de catequista junto \u00e0 Igreja. Sua intelig\u00eancia e s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica foram claramente demonstradas em\u00a0<i>Contra Pr\u00e1xeas,<\/i>\u00a0sua obra mais importante, escrita no ano 197 e dirigida aos governantes do Imp\u00e9rio Romano. Ali, ele defende os crist\u00e3os, apelando por seu direito de liberdade religiosa perante o Imp\u00e9rio Romano cruel e perseguidor. Seus argumentos s\u00e3o expostos de forma l\u00f3gica e pol\u00eamica, visando ao convencimento das autoridades a quem \u00e9 dirigida, questionando a &#8220;justi\u00e7a&#8221; aplicada contra os crist\u00e3os, transportando a apolog\u00e9tica do terreno filos\u00f3fico para o jur\u00eddico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo O texto trata da rela\u00e7\u00e3o entre os conceitos de cren\u00e7a e Nome-do-Pai buscando elucidar a proximidade e a intimidade entre eles. Evidencia de que maneira ambos tocam na quest\u00e3o do saber e da autoridade, bem como, na quest\u00e3o da verdade e da fic\u00e7\u00e3o e como se diferenciam. Palavras-chaves:\u00a0Cren\u00e7a, Nome-do-Pai, saber, verdade, fic\u00e7\u00e3o Abstract The&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-1252","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque-24","category-20","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1252\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}