{"id":1645,"date":"2020-03-19T06:39:44","date_gmt":"2020-03-19T09:39:44","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1645"},"modified":"2025-12-01T15:41:47","modified_gmt":"2025-12-01T18:41:47","slug":"confinamento-familiar-familias-questoes-cruciais1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2020\/03\/19\/confinamento-familiar-familias-questoes-cruciais1\/","title":{"rendered":"CONFINAMENTO FAMILIAR: FAM\u00cdLIAS, QUEST\u00d5ES CRUCIAIS[1]"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>H\u00c9L\u00c8NE BONNAUD<br \/>\nPsicanalista. Membro da Escola da Causa Freudiana\u00a0 ECF\/AMP<\/h6>\n<blockquote><p><strong>Resumo<br \/>\n<\/strong>A cr\u00f4nica de H\u00e9l\u00e8ne Bonnaud explora a rela\u00e7\u00e3o entre a pandemia do coronav\u00edrus e o confinamento dos sujeitos em casa. Consequentemente, a ang\u00fastia diante da incerteza que acomete a todos irrompe diante desse real. As novas rotinas dom\u00e9sticas e laborais, a conviv\u00eancia aumentada com a fam\u00edlia, a aposta midi\u00e1tica na pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o e o aumento de div\u00f3rcios s\u00e3o alguns efeitos deste momento que s\u00e3o ressaltados e examinados pela autora. Pela evidente amplifica\u00e7\u00e3o do sentimento de solid\u00e3o, a autora prop\u00f5e um paralelo entre isolamento e solid\u00e3o, levando em conta, contudo, as diferen\u00e7as entre os dois.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:\u00a0<\/strong>coronav\u00edrus, fam\u00edlia, ang\u00fastia, solid\u00e3o, isolamento.<\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0H\u00e9l\u00e8ne Bonnaud&#8217;s chronicle explores the relationship between the coronavirus pandemic and subjects&#8217; confinement at home. Consequently, the anguish at the uncertainty that affects everyone breaks out in the face of this reality. The new domestic and work routines, the increased coexistence with the family, the media focus on meditation practice and the increase in divorces are some effects of this moment that are highlighted and examined by the author. Due to the evident amplification of the feeling of loneliness, the author proposes a parallel between isolation and loneliness, taking into account, however, the differences between the two.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0coronavirus, family, anguish, loneliness, isolation.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1646\" style=\"width: 870px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/51_-_Foto_para_texto_Helene_Bonnaud_-_Posso_me_ver_nos_teus_olhos_-_Barbara_Schall-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"860\" data-large_image_height=\"576\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1646\" class=\"wp-image-1646\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/51_-_Foto_para_texto_Helene_Bonnaud_-_Posso_me_ver_nos_teus_olhos_-_Barbara_Schall-1.jpg\" alt=\"\" width=\"563\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/51_-_Foto_para_texto_Helene_Bonnaud_-_Posso_me_ver_nos_teus_olhos_-_Barbara_Schall-1.jpg 860w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/51_-_Foto_para_texto_Helene_Bonnaud_-_Posso_me_ver_nos_teus_olhos_-_Barbara_Schall-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/51_-_Foto_para_texto_Helene_Bonnaud_-_Posso_me_ver_nos_teus_olhos_-_Barbara_Schall-1-768x514.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 563px) 100vw, 563px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1646\" class=\"wp-caption-text\">Posso me ver nos teus olhos &#8211; Barbara Schall<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se houvesse apenas uma coisa para comemorar neste per\u00edodo de pandemia e, portanto, de ang\u00fastia de morte, \u00e9 que as crian\u00e7as n\u00e3o sucumbem ao coronav\u00edrus. Mesmo sendo portadores, o v\u00edrus n\u00e3o causa o dano causado em adultos, especialmente em idosos. Se acreditarmos nos n\u00fameros, o coronav\u00edrus mata mais idosos do que jovens. A escala de idade encontra seus direitos. H\u00e1 uma enorme diferen\u00e7a entre as gera\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 um lembrete \u00fatil? Sim e n\u00e3o, j\u00e1 que muitos jovens se sentiram invulner\u00e1veis \u200b\u200bno in\u00edcio do confinamento e o recusaram, pensando que isso n\u00e3o os afetaria.<\/p>\n<p>A juventude sempre esteve\u00a0<em>inconsciente<\/em>, dizem. Esse \u00e9 o seu ponto fraco, ou o seu ponto forte, dependendo do objeto com o qual ela n\u00e3o se importa. No que diz respeito \u00e0 doen\u00e7a, ela sempre parece distante, e o sentimento de ter um corpo perfeitamente saud\u00e1vel engana a pr\u00f3pria ideia de mortalidade. Mas, atualmente, o coronav\u00edrus tem mostrado que pode ser bastante virulento com certos jovens e que \u00e9 necess\u00e1rio proteger-se dele, definitivamente, independentemente da idade. O caso da jovem Julie, 16 anos, infelizmente tornou minha previs\u00e3o real; ela morreu ap\u00f3s a escrita deste texto<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>A injusti\u00e7a, que atinge cegamente, \u00e9 o signo do real sem lei com o qual estamos lidando. Ela se manifesta nessa l\u00f3gica implac\u00e1vel de que ser jovem n\u00e3o \u00e9 uma certeza nestes momentos em que a vida e a morte colapsam, e menos ainda uma garantia, mas, isso, j\u00e1 sab\u00edamos. Sem d\u00favida, poder\u00edamos ler ali o efeito do\u00a0<em>caput mortuum<\/em>\u00a0do significante de que Lacan (1966\/1998, p. 55) fala em &#8220;Semin\u00e1rio sobre \u2018A carta roubada\u2019&#8221; e que constitui um furo no simb\u00f3lico<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p><em>As restri\u00e7\u00f5es do confinamento<\/em><\/p>\n<p>Estamos entrando na segunda semana de confinamento na Fran\u00e7a. A m\u00eddia nos inunda com seus conselhos sobre a melhor maneira de o suportar, seja em fam\u00edlia, seja em casal, seja sozinhos. De fato, a fam\u00edlia deve suportar a conviv\u00eancia a longo prazo; gerenciar as ang\u00fastias de todos; encontrar solu\u00e7\u00f5es para garantir que o hor\u00e1rio de trabalho de pais e filhos seja respeitado, sem mencionar a organiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para preparar refei\u00e7\u00f5es e resolver problemas de espa\u00e7o compartilhado, etc. Casais com filhos pequenos est\u00e3o reinventando a \u201cguarda compartilhada\u201d diariamente, cada um se revezando no cuidado com os filhos enquanto o outro trabalha. A vida profissional em casa obriga a redobrar sua concentra\u00e7\u00e3o, e a vida familiar sem sair de casa pode se transformar em um pesadelo. A perspectiva de uma dura\u00e7\u00e3o indeterminada do confinamento tamb\u00e9m causar\u00e1 picos de ang\u00fastia ou raiva, medo e exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>A sublima\u00e7\u00e3o \u00e9, sem d\u00favida, o processo de maior conten\u00e7\u00e3o. Muitos o utilizam: cozinhar, pintar, bricolagem, poesia, cantar, dan\u00e7ar, escrever, arrumar a casa e, mais prosaicamente, praticar esportes, &#8220;o grande protetor de nossa sa\u00fade f\u00edsica e mental&#8221;.<\/p>\n<p><em>E os conselhos da m\u00eddia<\/em><\/p>\n<p>A m\u00eddia nos explica, atrav\u00e9s de seus especialistas psiquiatras ou psicoterapeutas mais reconhecidos, que estamos diante de uma situa\u00e7\u00e3o sem precedentes, em que a ang\u00fastia de contrair a doen\u00e7a se manifesta como um trauma cujo principal sintoma, o atordoamento, penetra a capacidade de pensar, cristalizando o medo, que surge de um evento fora de sentido, fazendo vacilar as certezas sobre as quais cada um constr\u00f3i seu mundo.<\/p>\n<p>De fato, diante desse real, cuja natureza inesperada e invasiva muda a rotina de nossas vidas, cada sujeito deve encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para lidar com esse novo elemento, objeto invis\u00edvel e ainda intrusivo, circulando sem o nosso conhecimento, verdadeira figura do cont\u00e1gio em larga escala, infiltrando-se principalmente atrav\u00e9s dos orif\u00edcios respirat\u00f3rios nariz e boca. O isolamento necess\u00e1rio nos afasta uns do outros e d\u00e1 consist\u00eancia aos uns-sozinhos que somos.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia, nesse sentido, \u00e9 uma entidade particularmente sens\u00edvel a essa cat\u00e1strofe sanit\u00e1ria, porque os pais t\u00eam o dever de proteger seus filhos que devem, portanto, suportar as novas regras que lhes s\u00e3o impostas, tanto em termos de higiene quanto de conviv\u00eancia. Mas crian\u00e7as pequenas e adolescentes n\u00e3o apresentam os mesmos problemas. Os primeiros est\u00e3o sujeitos \u00e0s ordens dos pais e podem apenas levar em considera\u00e7\u00e3o suas novas medidas. Para os adolescentes, a restri\u00e7\u00e3o do confinamento \u00e9 mais dif\u00edcil de suportar. &#8220;Como explicar essas restri\u00e7\u00f5es aos adolescentes?\u201d, perguntou L\u00e9a Salam\u00e9 a Serge Hefez<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>\u00a0durante uma entrevista matinal. E isso para evocar a no\u00e7\u00e3o de &#8220;sacrif\u00edcio&#8221; que os adolescentes devem consentir para proteger os mais velhos \u200b\u200bcomo sendo uma resposta que os ajudar\u00e1 a aceitar seu confinamento. Sacrificar-se pelo Outro, de certa forma.<\/p>\n<p>Salientamos que essa ideia \u00e9 encontrada em Freud, que associou o sacrif\u00edcio \u00e0 ren\u00fancia pulsional e, por conseguinte, tornou o sacrif\u00edcio quase equivalente a uma restri\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do princ\u00edpio do prazer em favor do princ\u00edpio da realidade. Para estarmos juntos, devemos admitir que todos devem sacrificar algo de seu gozo. Esse princ\u00edpio permite que a comunidade se organize para transformar sua produ\u00e7\u00e3o habitual em novos objetos dedicados a salvar os doentes, apoiar os cuidadores e ajudar os mais fr\u00e1geis. Diante do real, o desejo se coloca a servi\u00e7o da causa comum pela sobreviv\u00eancia do grupo. \u00c9 justo!<\/p>\n<p><em>A medita\u00e7\u00e3o revelada a si mesma<\/em><\/p>\n<p>O medi\u00e1tico Christophe Andr\u00e9<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>\u00a0tamb\u00e9m apoiou a popula\u00e7\u00e3o confinada, defendendo os benef\u00edcios da medita\u00e7\u00e3o. Certamente, esta tem o m\u00e9rito de ser uma terapia para esvaziar os pensamentos e oferece um tratamento que se parece muito uma \u201cpausa\u201d da mente. Mas, quando h\u00e1 superexposi\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso atualmente, \u00e0s ang\u00fastias da doen\u00e7a e da morte pode-se perguntar como alcan\u00e7ar seu rumo em dire\u00e7\u00e3o ao zen. E, se nossos pensamentos podem ser suspensos pela medita\u00e7\u00e3o, resta, por\u00e9m, a quest\u00e3o de se saber como fazer quando eles retornarem.<\/p>\n<p>De fato, como bem sabemos enquanto analistas, a compuls\u00e3o de pensar \u00e9 uma defesa contra o real e, como todo del\u00edrio, permite contornar o buraco do vazio que poderia sugar alguns. \u00c9 assim que a an\u00e1lise, cuja pr\u00e1tica consiste em ir duas ou tr\u00eas vezes por semana ao seu psicanalista, permite um esvaziamento de pensamentos, mas um esvaziamento de sentido orientado pelo desejo de saber, um esvaziamento operando em dire\u00e7\u00e3o a uma historiciza\u00e7\u00e3o de sua vida ps\u00edquica. Essa experi\u00eancia de palavras produz sua ordena\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e, de modo mais profundo, atinge o gozo ao encontrar maneiras de canaliz\u00e1-lo e de tratar o excesso.<\/p>\n<p>Trata-se de um trabalho que aprendemos com Freud, um esfor\u00e7o para dizer o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel o que se passa. Os pensamentos, portanto, n\u00e3o se intrometem mais como fen\u00f4menos perturbadores que carregam muita ang\u00fastia, mas servem para nomear a coisa. Um paciente, que vivia j\u00e1 confinado devido a um luto patol\u00f3gico, p\u00f4de me dizer que a frase que teve o efeito de cham\u00e1-lo para uma solu\u00e7\u00e3o fat\u00eddica: &#8220;Gostaria que a Terra parasse para cair&#8221;<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>\u00a0\u2014 extra\u00edda de uma can\u00e7\u00e3o escrita por Serge Gainsbourg e cantada por Jane Birkin, agora faz limite \u00e0 sua tristeza porque, de fato, o mundo parou. Ele pr\u00f3prio se encontra aliviado porque n\u00e3o est\u00e1 mais sozinho em confinamento. O mundo do qual ele se defendeu excluindo-se n\u00e3o o amea\u00e7a mais. Os uns-sozinhos que s\u00e3o seus amigos juntaram-se a ele. O confinamento n\u00e3o o exclui mais. Ele se juntou ao Outro na priva\u00e7\u00e3o da liberdade obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p><em>E previs\u00e3o de div\u00f3rcios<\/em><\/p>\n<p>Outros nos contam sobre a epidemia de div\u00f3rcios que se segue ao confinamento na China e prev\u00eaem que esse confinamento a dois ter\u00e1 repercuss\u00f5es nesse aspecto. Certamente, estar sujeito \u00e0 tens\u00e3o de compartilhar a vida cotidiana 24 horas por dia pode ser a ocasi\u00e3o para fixa\u00e7\u00f5es no comportamento de um ou de outro. Cr\u00edticas furiosas, acessos de raiva ultrajantes e insultos guardados do &#8220;que estava no cora\u00e7\u00e3o e o que n\u00e3o foi dito&#8221;, a situa\u00e7\u00e3o pode se tornar explosiva. Os conflitos conjugais \u2014 trai\u00e7\u00f5es passadas \u200b\u200bou atuais, disc\u00f3rdia permanente, amea\u00e7as de separa\u00e7\u00e3o, alcoolismo e adi\u00e7\u00f5es diversas para falar apenas dos sintomas mais vis\u00edveis de um ou de outro \u2014 reaparecem nestes momentos de questionamento da vida, pois o confinamento leva a atualizar seu passado para pensar em seu futuro. O tempo presente suspenso assume um significado diferente dia ap\u00f3s dia.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma desregula\u00e7\u00e3o da temporalidade ligada \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o da vida &#8220;normal&#8221;. A pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de casal pode aparecer como uma entidade ilus\u00f3ria, pois cada um defende seu territ\u00f3rio, seu lugar adquirido \u00e0 custa do outro, seus interesses de g\u00eanero e gozo pessoal. Enfim, o casal \u00e9 um microcosmo a dois que pode ser explosivo, e, a sa\u00edda pelo div\u00f3rcio, a solu\u00e7\u00e3o mais confi\u00e1vel.<\/p>\n<p><em>Resta a solid\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>A solid\u00e3o est\u00e1 em primeiro plano. A sensa\u00e7\u00e3o de estar sozinho pode ser acompanhada de uma ang\u00fastia de abandono ou, pelo contr\u00e1rio, de isolamento for\u00e7ado pela vontade de um Outro mau. Pensa-se especialmente nos idosos que vivem sozinhos, privados de visitas de seus filhos e netos. Mas existem todas as outras formas de solid\u00e3o.<\/p>\n<p>O confinamento convoca cada um a encontrar a dist\u00e2ncia certa de seu sentimento de solid\u00e3o. Como Philippe La Sagna (2007) diz em seu not\u00e1vel texto &#8220;Da solid\u00e3o ao isolamento&#8221;, no qual muitas frases fazem eco ao que estamos passando, a solid\u00e3o e o isolamento n\u00e3o s\u00e3o do mesmo registro: &#8220;Para estar separado, \u00e9 necess\u00e1rio ter uma fronteira comum. Temos uma fronteira comum com o Outro quando estamos em solid\u00e3o, enquanto que, no isolamento, n\u00e3o h\u00e1 fronteira. O isolamento \u00e9 um muro. E estamos na era da constru\u00e7\u00e3o de isolados, j\u00e1 que cada um n\u00e3o sabe mais onde come\u00e7am e onde terminam as fronteiras\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos onde come\u00e7am nem onde terminam as fronteiras. O coronav\u00edrus pode mudar esse modelo de globaliza\u00e7\u00e3o. Mas, entre o isolamento e a solid\u00e3o, h\u00e1 um muro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Michelle Santos Sena de Oliveira<br \/>\nRevis\u00e3o: Luciana Silviano Brand\u00e3o Lopes<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1966). \u201cO semin\u00e1rio sobre \u2018A carta roubada\u2019\u201d. In:<strong>\u00a0Escritos<\/strong>.\u00a0 Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.<\/h6>\n<h6>LA SAGNA, P. \u201cDe l\u2019isolement \u00e0 la solitude\u201d. In:\u00a0<strong>La Cause freudienne<\/strong>, n\u00b0 66, p. 43-49, 2007.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Texto originalmente publicado em Lacan Quotidien, n. 877, publicado em 30 de mar\u00e7o de 2020 . Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.lacanquotidien.fr\/blog\/2020\/03\/lacan-quotidien-n-877\/<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_ednref3\" name=\"_edn3\">[2]<\/a>\u00a0https:\/\/www.lepoint.fr\/societe\/on-n-aura-jamais-de-reponse-julie-a-16-ans-morte-du-coronavirus-en-france-27-03-2020-2368993_23.php#<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_ednref4\" name=\"_edn4\">[3]<\/a>\u00a0Cf. MILLER J.-A., \u00ab L\u2019orientation lacanienne. Des r\u00e9ponses du r\u00e9el \u00bb, cours du 16 novembre 1983, in\u00e9dit : \u00ab C\u2019est ce que Lacan appelle un trou \u2013 un trou au niveau du symbole : \u201cun trou s\u2019ouvre que constitue un certain caput mortuum du signifiant\u201d \u00bb (citation de Lacan J., \u00ab La lettre vol\u00e9e \u00bb, \u00c9crits, Paris, Seuil, 1966, p. 50).<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_ednref5\" name=\"_edn5\">[4]<\/a>\u00a0https:\/\/www.franceinter.fr\/emissions\/l-invite-de-7h50\/l-invite-de-7h50-19-mars-2020<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_ednref6\" name=\"_edn6\">[5]<\/a>\u00a0https:\/\/www.bfmtv.com\/mediaplayer\/video\/le-medecin-psychiatre-christophe-andre-donne-ses-conseils-pour-gerer-la-peur-du-coronavirus-1232606.html<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/confinamento#_ednref7\" name=\"_edn7\">[6]<\/a>\u00a0http:\/\/www.frmusique.ru\/texts\/g\/gainsbourg_serge\/quoi.htm<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; H\u00c9L\u00c8NE BONNAUD Psicanalista. Membro da Escola da Causa Freudiana\u00a0 ECF\/AMP Resumo A cr\u00f4nica de H\u00e9l\u00e8ne Bonnaud explora a rela\u00e7\u00e3o entre a pandemia do coronav\u00edrus e o confinamento dos sujeitos em casa. Consequentemente, a ang\u00fastia diante da incerteza que acomete a todos irrompe diante desse real. As novas rotinas dom\u00e9sticas e laborais, a conviv\u00eancia&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57966,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-1645","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-25","category-21","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1645"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57967,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1645\/revisions\/57967"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}