{"id":1683,"date":"2021-03-19T06:40:14","date_gmt":"2021-03-19T09:40:14","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1683"},"modified":"2025-12-01T13:49:27","modified_gmt":"2025-12-01T16:49:27","slug":"comentario-ao-texto-de-suzana-barroso-na-xxiv-conversacao-clinica-do-ipsm-mg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2021\/03\/19\/comentario-ao-texto-de-suzana-barroso-na-xxiv-conversacao-clinica-do-ipsm-mg\/","title":{"rendered":"COMENT\u00c1RIO AO TEXTO DE SUZANA BARROSO NA XXIV CONVERSA\u00c7\u00c3O CL\u00cdNICA DO IPSM-MG"},"content":{"rendered":"<h6>LILANY VIEIRA PACHECO<br \/>\nAnalista Praticante. Membro da EBP-MG\/AMP. Diretora-adjunta do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais. Doutora em Sa\u00fade da Crian\u00e7a e do Adolescente (Ci\u00eancias da Sa\u00fade) pela UFMG |<br \/>\n<span id=\"cloak34b32d03bb16665a80c72c696f3509e3\"><a href=\"mailto:lilanypacheco@gmail.com\">lilanypacheco@gmail.com<\/a><\/span><strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<blockquote><p>\n<strong>Resumo:\u00a0<\/strong>Coment\u00e1rio ao texto de Suzana Barroso na XXIV Conversa\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSM-MG.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0Falasser, ato, jacula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Abstract:\u00a0<\/strong>Commentary on the text presented by Suzana Barroso at the XXIV Clinical Conversation of the Institute of Psychoanalysis and\u00a0 Mental Health of Minas Gerais (IPSM-MG)<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0speaking being; act; jaculation.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1684\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/almanaque21-2.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"600\" data-large_image_height=\"470\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1684\" class=\"wp-image-1684 size-full\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/almanaque21-2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/almanaque21-2.jpg 600w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/almanaque21-2-300x235.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1684\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Jayme Reis<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o o convite e me sinto muito honrada por participar da XXIV Conversa\u00e7\u00e3o da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSM-MG, desta vez sob os ausp\u00edcios do N\u00facleo de Psican\u00e1lise com Crian\u00e7as. Agrade\u00e7o tamb\u00e9m, e principalmente, a possibilidade de conversar com voc\u00eas sobre um tema t\u00e3o candente quanto os efeitos do Real da pandemia sobre os\u00a0<em>falasseres<\/em>\u00a0ao introduzir uma realidade para al\u00e9m da realidade ps\u00edquica. A pandemia \u00e9 ininterpret\u00e1vel, e cabe a n\u00f3s, enquanto psicanalistas \u00e0 altura da subjetividade de nossa \u00e9poca, distinguir esse universal das singularidades de cada um, a cada vez, a cada sess\u00e3o, face \u00e0s exig\u00eancias da pandemia e seus efeitos.<\/p>\n<p>Foi partindo dessa perspectiva que colhi do texto de Suzana Barroso a constru\u00e7\u00e3o que ela faz em torno do caso Paulinho ao demonstrar que algumas demandas feitas aos psicanalistas de atendimento on-line puderam vivificar a psican\u00e1lise. Suzana anota, a prop\u00f3sito do caso Paulinho, a import\u00e2ncia de se verificar a constitui\u00e7\u00e3o do lugar do Outro como int\u00e9rprete do que se passava com a crian\u00e7a, ponto no qual ela interroga se as fun\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o atribu\u00eddas ao Outro parental estariam sendo debilitadas pela interven\u00e7\u00e3o do discurso do mestre contempor\u00e2neo. Suzana aponta a\u00ed a import\u00e2ncia de viabilizar que a crian\u00e7a seja falada por seus pais e que o analista opere promovendo o enla\u00e7amento do\u00a0<em>infans<\/em>\u00a0ao Outro que o constitui. Encontramos a\u00ed uma localiza\u00e7\u00e3o precisa do que fizemos quando passamos dos atendimentos presenciais para os atendimentos on-line, n\u00e3o importando a idade cronol\u00f3gica daqueles que se apresentaram como candidatos a essa passagem.<\/p>\n<p>Suzana descreve, assim, as condi\u00e7\u00f5es de possibilidades para a constitui\u00e7\u00e3o do lugar do Outro pela opera\u00e7\u00e3o de muta\u00e7\u00e3o do Real em significante, o que requer a tradu\u00e7\u00e3o do Outro, ponto no qual ele lembra Freud em \u201cO projeto\u201d, quando ele demonstra que a vida ps\u00edquica do<em>\u00a0infans<\/em>\u00a0se constitui a partir de uma a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do Outro, enquanto a\u00e7\u00e3o de linguagem.<\/p>\n<p>Paulinho inaugura, diante da analista vista pelo v\u00eddeo, o movimento de oculta\u00e7\u00e3o, de ir e vir, o\u00a0<em>fort-da<\/em>, que colocou em jogo o objeto olhar.<\/p>\n<p>Interessando-se pelos brinquedos que lhe foram oferecidos, ele vai ensaiar um afastamento do Outro materno para se envolver com os objetos, n\u00e3o sem um chorinho endere\u00e7ado, que claramente podia ser lido como \u201cpode o Outro me perder?\u201d. Em seguida, Paulinho se volta para a analista com um significante: \u201cnen\u00e9m\u201d. Assim como o neto de Freud, o menino ilustra, com seu\u00a0<em>fort-da<\/em>, como a castra\u00e7\u00e3o imp\u00f5e a articula\u00e7\u00e3o da linguagem e faz com que uma palavra tenha que se articular a outra para produzir sentido, n\u00e3o sem uma perda de seu valor de gozo autoer\u00f3tico (BARROSO, 2020).<\/p>\n<p>Valendo-se de Lacad\u00e9e, Suzana pode recortar, em sua articula\u00e7\u00e3o do caso Paulinho, o tempo do primeiro ex\u00edlio do ser falante.<\/p>\n<p>Ao situar-se como\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0na linguagem, o\u00a0<em>infans<\/em>\u00a0deve consentir num primeiro modo de exilio, a saber, a perda da sua simples natureza de um ser vivo. Para se constituir enquanto ser falante, inserido num discurso e num la\u00e7o social, h\u00e1 que se renunciar ao gozo primitivo do ser em troca da representa\u00e7\u00e3o pelas palavras do Outro.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">(&#8230;) O primeiro ex\u00edlio inerente \u00e0 entrada na linguagem implica que o Outro primordial, que transmite a l\u00edngua e com ela a interpreta\u00e7\u00e3o das necessidades do\u00a0<em>infans,<\/em>\u00a0transmite tamb\u00e9m um furo, ou um mal-entendido estrutural ligado \u00e0 pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o de tradu\u00e7\u00e3o. (BARROSO, 2021).<\/p>\n<p>Em \u201cA disrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia\u201d, \u00c9ric Laurent aponta a distin\u00e7\u00e3o que podemos encontrar entre o inconsciente trope\u00e7o nos semin\u00e1rios livro 11 e livro 24,\u00a0<em>L\u2019une b\u00e9vue<\/em>. Laurent cita Lacan:<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada mais dif\u00edcil de captar do que esse tra\u00e7o do\u00a0<em>une-b\u00e9vue<\/em>, que traduzi por\u00a0<em>l\u2019Unbewust<\/em>, que significa\u00a0<em>inconsciente<\/em>\u00a0em alem\u00e3o. Mas traduzido por\u00a0<em>une-b\u00e9vue<\/em>, isso quer dizer uma outra coisa \u2014 um obst\u00e1culo, um trope\u00e7o, um deslizamento de palavra a palavra (LACAN, apud LAURENT, 2018).<\/p>\n<p>Laurent destaca a vers\u00e3o de trope\u00e7o isolada por Miller:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">(&#8230;) Em seu Semin\u00e1rio dos Quatro conceitos [Lacan] define o inconsciente pelo trope\u00e7o, isto \u00e9, pelo\u00a0<em>une-b\u00e9vue<\/em>. Mas em seu Semin\u00e1rio 24, isso significa outra coisa. L\u00e1, o trope\u00e7o ou o deslizamento de palavra em palavra, como fen\u00f4meno, se situa em um tempo anterior \u00e0quele onde pode aparecer o inconsciente. O inconsciente aparece no\u00a0<em>une-b\u00e9vue<\/em>\u00a0apenas na medida em que acrescentamos uma finalidade significante, na medida em que acrescentamos uma significa\u00e7\u00e3o (MILLER apud LAURENT, 2018).<\/p>\n<p>E, como consequ\u00eancia a isso, que se situa antes da cadeia significante, Laurent situar\u00e1 a interpreta\u00e7\u00e3o como uma jacula\u00e7\u00e3o, seja em sua natureza secreta, seja em sua f\u00f3rmula jubilat\u00f3ria, seja na onomatopeica, assim como se faz do\u00a0<em>fort-da<\/em>\u00a0uma jacula\u00e7\u00e3o, a exemplo do que Suzana demonstra com sua interven\u00e7\u00e3o no caso Paulinho e em seu testemunho da cl\u00ednica on-line com crian\u00e7as. Constatamos, portanto, que o \u00faltimo ensino de Lacan oferece subs\u00eddios para as modalidades de interven\u00e7\u00f5es que os psicanalistas t\u00eam sido convocados a fazer, em sua presen\u00e7a on-line, quando se desloca da tr\u00edade inconsciente, transfer\u00eancia e interpreta\u00e7\u00e3o para a tr\u00edade\u00a0<em>falasser<\/em>, ato e jacula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>BARROSO, Suzana. \u201cPsican\u00e1lise on-line com crian\u00e7as\u201d. Texto apresentado na XXIV Conversa\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, 2020, in\u00e9dito.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9ric. \u201cA disrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia\u201d,\u00a0<strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/strong>. S\u00e3o Paulo, n. 79, 2018. p. 52-63.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LILANY VIEIRA PACHECO Analista Praticante. Membro da EBP-MG\/AMP. Diretora-adjunta do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais. Doutora em Sa\u00fade da Crian\u00e7a e do Adolescente (Ci\u00eancias da Sa\u00fade) pela UFMG | lilanypacheco@gmail.com\u00a0 Resumo:\u00a0Coment\u00e1rio ao texto de Suzana Barroso na XXIV Conversa\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSM-MG. 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