{"id":1696,"date":"2021-03-19T06:40:14","date_gmt":"2021-03-19T09:40:14","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1696"},"modified":"2025-12-01T13:54:29","modified_gmt":"2025-12-01T16:54:29","slug":"tech-no-me-tech-to-me1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2021\/03\/19\/tech-no-me-tech-to-me1\/","title":{"rendered":"TECH-NO-ME, TECH-TO-ME[1]"},"content":{"rendered":"<h6>RENATA TEIXEIRA<strong><br \/>\n<\/strong>Psic\u00f3loga e psicanalista. Membro do Lacanian Compass, Fl\u00f3rida, EUA |<br \/>\n<span id=\"cloak4853b0cbdb8e13350d5727a77b42c48f\"><a href=\"mailto:renatastoppini@icloud.com\">renatastoppini@icloud.com<\/a><\/span><\/h6>\n<blockquote><p>\n<strong>Resumo:<\/strong>\u00a0A autora aborda, neste artigo, como a irrup\u00e7\u00e3o da pandemia do novo coronav\u00edrus afetou sua pr\u00e1tica cl\u00ednica com crian\u00e7as e adolescentes e a faz se interessar pelo mundo dos jogos digitais como uma ferramenta poss\u00edvel para a continuidade do tratamento via dispositivos eletr\u00f4nicos. A partir de alguns extratos cl\u00ednicos, localiza como o analista pode se fazer presente, mesmo que virtualmente, acompanhando as inven\u00e7\u00f5es e os la\u00e7os de cada sujeito.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:\u00a0<\/strong>coronav\u00edrus, cl\u00ednica, infantil, tecnologia, jogos virtuais.<\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0The author discusses, in this article, how the outbreak of the new coronavirus pandemic affected her clinical practice with children and adolescents, making her interested in the world of digital games as a possible tool for the continuity of treatment via electronic devices. From some clinical extracts, she finds how the analyst can be present, even if virtually, following the inventions and bonds of each subject.<\/p>\n<p><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>coronavirus, clinic, child, technology, virtual games.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1697\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/encontrosbarc.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"960\" data-large_image_height=\"955\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1697\" class=\"wp-image-1697\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/encontrosbarc.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/encontrosbarc.jpg 960w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/encontrosbarc-300x298.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/encontrosbarc-150x150.jpg 150w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/encontrosbarc-768x764.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1697\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Jayme Reis<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes da pandemia e do fechamento das escolas, estava trabalhando clinicamente com crian\u00e7as de quatro a doze anos, na maior parte do tempo em seu ambiente escolar. Ap\u00f3s a decis\u00e3o do governo de fechar as institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, vi-me obrigada a iniciar atendimentos on-line utilizando dispositivos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise lacaniana implica o uso do corpo do analista como um instrumento para que o analisante construa semblantes de objeto a. Deparei-me, ent\u00e3o, com uma pergunta: como interagir psicanaliticamente se minha presen\u00e7a se tornou filtrada pelas telas e microfones, especialmente com crian\u00e7as e adolescentes que demandavam\/exigiam o uso de jogos e engajamento f\u00edsico durante suas sess\u00f5es?<\/p>\n<p>Observando o uso dos jogos on-line pelos jovens, incluindo a cria\u00e7\u00e3o de avatares como novas modalidades de imagens do ego, decidi aprender sobre alguns desses recursos eletr\u00f4nicos para interagir com eles enquanto temos nossas vozes conectadas durante as sess\u00f5es. Aprendi a jogar Minecraft e Roblox.<\/p>\n<p>Gustavo Dessal (2020), na confer\u00eancia proferida ao ICLO-NLS (Irish Circle of Lacanian Orientation) no dia 23 de maio, intitulada \u201cNem anjos nem dem\u00f4nios: psican\u00e1lise e tecnologia\u201d, comentou que, diferentemente da ci\u00eancia, que postula os par\u00e2metros do sujeito universal, as tecnologias est\u00e3o interessadas nas individualidades. Elas tentam capturar algo das diferentes modalidades de gozo dos sujeitos traduzindo-as matematicamente pelo uso de algoritmos. Esses recursos, de acordo com Dessal, poderiam ter um \u00f3timo n\u00edvel de efic\u00e1cia, similar \u00e0 promessa de uma segunda vida, como a religi\u00e3o postulava no passado.<\/p>\n<p>Enquanto me juntei a alguns dos meus jovens pacientes em seus jogos on-line favoritos, pude investigar como suas modalidades de gozo estavam implicadas na escolha de um determinado jogo e na maneira como o jogavam. \u00c9 importante mencionar que nenhum deles apresentava uma adi\u00e7\u00e3o aos jogos e que eram capazes de transitar entre um jogo e outro e de, eventualmente, parar de usar essa ferramenta nas sess\u00f5es posteriores.<\/p>\n<p>Com um paciente autista de doze anos, joguei Minecraft modo sobreviv\u00eancia. Ele \u00e9 um jogador habilidoso e algumas vezes me convidou para sua casa no jogo. N\u00f3s trocamos objetos simultaneamente enquanto jog\u00e1vamos e ele mencionou, durante o jogo, que nunca expulsou ningu\u00e9m de seu mundo e que n\u00e3o gostava quando jogadores avan\u00e7ados n\u00e3o conseguiam acolher os jogadores novos. Reconheci sua capacidade de aplicar as habilidades sociais criando um la\u00e7o social com os jogadores. Essa habilidade n\u00e3o poderia ser muito explorada em sess\u00f5es presenciais.<\/p>\n<p>Outra paciente de onze anos, que apresentava uma rela\u00e7\u00e3o conflituosa com sua m\u00e3e e que acabou por ir morar com o pai devido a explos\u00f5es de raiva desta, escolheu jogar Adopte-me no aplicativo Roblox. Primeiramente, percebi que o t\u00edtulo do jogo escolhido se relacionava com a rela\u00e7\u00e3o materna conflituosa. Em seguida, percebi seu desejo de cuidar de mim e dos animais de estima\u00e7\u00e3o no jogo. Ela se encarregava de nos alimentar, levar os pets ao veterin\u00e1rio e levar todo mundo para diferentes lugares. Em uma sess\u00e3o, mencionei sua posi\u00e7\u00e3o materna no jogo e algo mudou na transfer\u00eancia. Ela decidiu parar de jogar esse jogo on-line e preferiu fazer\u00a0<em>slimes<\/em><sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/technome#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a><\/sup>\u00a0durante as sess\u00f5es me mostrando diferentes cores e texturas de suas produ\u00e7\u00f5es utilizando a c\u00e2mera.<\/p>\n<p>Dessal (2020) tamb\u00e9m mencionou que os seres falantes s\u00e3o consumidores de met\u00e1foras. Mesmo antes da pandemia, os analistas podiam experimentar o uso massivo de jogos on-line pelas crian\u00e7as e adolescentes para fazer amigos, inventar novas formas de la\u00e7o ou us\u00e1-los de forma autoer\u00f3tica. Minhas interven\u00e7\u00f5es com esses pacientes visavam faz\u00ea-los falar enquanto jogavam. Aprendi somente o b\u00e1sico dos jogos, uma vez que minha inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era competir com eles. Por outro lado, deixava meus avatares serem guiados pelo terreno de seus jogos e, uma vez ali, deixava-os fazer uso de minha presen\u00e7a digital enquanto minha voz refletia os encontros nesses mundos imagin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como tudo o que fazemos em psican\u00e1lise, investigamos os resultados, caso a caso, sem acreditar que estamos criando um m\u00e9todo cient\u00edfico que trate da\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0universaliza\u00e7\u00e3o do ser. Contudo, como praticantes da psican\u00e1lise lacaniana, temos que trabalhar com demandas e recursos de nossa \u00e9poca e estar abertos ao desenvolvimento de novas modalidades de gozo que traduzam as impossibilidades do Real (MILLER, 2013).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Cecilia V. Gomes Batista<\/h6>\n<h6><strong>Revis\u00e3o:<\/strong>\u00a0Michelle Sena<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/h6>\n<h6>DESSAL, Gustavo.\u00a0<strong>Neither Angels nor Demons<\/strong>: Psychoanalysis and Technology. Webinar organised by ICLO-NLS, Ireland. May 20, 2020.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.A.; JAANUS, M. (Orgs.) \u201cWe\u2019re all mad here\u201d.\u00a0<strong>Culture\/Clinic, Issue 1<\/strong>. University of Minnesota Press. 2013.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/technome#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Texto originalmente publicado em Lacanian Review Online, em maio de 2020. Dispon\u00edvel em:\u00a0<u><a href=\"https:\/\/www.thelacanianreviews.com\/tech-no-me-tech-to-me\/\">https:\/\/www.thelacanianreviews.com\/tech-no-me-tech-to-me<\/a>.<\/u>\u00a0No t\u00edtulo, a autora faz uso de um jogo de palavras que, em tradu\u00e7\u00e3o livre, \u201ctech-no-me\u201d pode ser entendido como \u201ctecnologia-n\u00e3o-eu\u201d; e \u201ctech-to-me\u201d como \u201ctecnologia-para-mim\u201d.<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/technome#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>\u00a0Nova massa de modelar que vem dominando a internet com receitas e texturas diferentes.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RENATA TEIXEIRA Psic\u00f3loga e psicanalista. Membro do Lacanian Compass, Fl\u00f3rida, EUA | renatastoppini@icloud.com Resumo:\u00a0A autora aborda, neste artigo, como a irrup\u00e7\u00e3o da pandemia do novo coronav\u00edrus afetou sua pr\u00e1tica cl\u00ednica com crian\u00e7as e adolescentes e a faz se interessar pelo mundo dos jogos digitais como uma ferramenta poss\u00edvel para a continuidade do tratamento via dispositivos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57943,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-1696","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-26","category-22","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1696"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1696\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57944,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1696\/revisions\/57944"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}