{"id":1700,"date":"2021-03-19T06:40:14","date_gmt":"2021-03-19T09:40:14","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1700"},"modified":"2025-12-01T13:55:13","modified_gmt":"2025-12-01T16:55:13","slug":"entrevista-com-gustavo-dessal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2021\/03\/19\/entrevista-com-gustavo-dessal\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA COM GUSTAVO DESSAL"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: left;\">Psicanalista. Membro da Escola Lacaniana de Psican\u00e1lise- ELP\/AMP |<br \/>\n<span id=\"cloak70029a2af4bc292c259209fdae5739f7\"><a href=\"mailto:g.dess.esp@cop.es\">g.dess.esp@cop.es<\/a><\/span><\/h6>\n<div id=\"attachment_1701\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/entrevistadessal-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"600\" data-large_image_height=\"720\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1701\" class=\"wp-image-1701\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/entrevistadessal-1.jpg\" alt=\"\" width=\"405\" height=\"486\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/entrevistadessal-1.jpg 600w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/entrevistadessal-1-250x300.jpg 250w\" sizes=\"auto, (max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1701\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Jayme Reis<\/p><\/div>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Almanaque: Em sua entrevista a Luis Salamone, no m\u00eas de abril, voc\u00ea disse que seria precipitado tirar conclus\u00f5es sobre os atendimentos on-line e suas consequ\u00eancias. Agora, ap\u00f3s oito meses, o que voc\u00ea pode dizer de suas percep\u00e7\u00f5es?<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gustavo Dessal<\/strong>: Em termos gerais, o resultado de minha pr\u00f3pria experi\u00eancia tem sido bastante satisfat\u00f3rio. Tenho descoberto que se pode manter uma an\u00e1lise empregando os meios telem\u00e1ticos. Tenho a impress\u00e3o de que os sujeitos que esperam da an\u00e1lise um benef\u00edcio terap\u00eautico, que n\u00e3o est\u00e3o comprometidos com a forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica e s\u00f3 procuram um al\u00edvio de seus sintomas, se adaptaram muito melhor ao atendimento virtual. Talvez porque eles tenham menos preconceitos que os pr\u00f3prios psicanalistas e n\u00e3o se preocupem em estabelecer compara\u00e7\u00f5es. Para eles, \u00e9 suficiente que esse m\u00e9todo alternativo lhes sirva, lhes ajude a resolver seu sofrimento e lhes d\u00ea uma sa\u00edda aos seus sintomas. Isso, sem d\u00favida, \u00e9 algo que pode ser feito. Foi muito surpreendente para mim, e aconteceu a muitos colegas com quem conversei, que os analisantes que tamb\u00e9m s\u00e3o analistas (e que, como todos, t\u00eam atendido a seus pacientes on-line ou pelo telefone) sejam os que mais recusaram a possibilidade de continuar as suas an\u00e1lises desse modo. Ou seja, n\u00e3o para eles, mas para seus pacientes, sim! Ainda n\u00e3o tenho uma explica\u00e7\u00e3o para isso.<\/p>\n<p>Dito isso, \u00e9 evidente que uma an\u00e1lise por meios telem\u00e1ticos n\u00e3o seja algo que possa substituir o encontro real. N\u00e3o me parece que possam ser consideradas op\u00e7\u00f5es equivalentes, mas n\u00e3o acho que as sess\u00f5es on-line tenham sido apenas um recurso alternativo, um substituto ante a impossibilidade de faz\u00ea-lo de outra forma. Foi assim que come\u00e7amos, sem d\u00favida, for\u00e7ados pelas circunst\u00e2ncias. Mas agora devemos nos perguntar se o que podemos extrair dessa experi\u00eancia \u00e9 somente isso, que tem sido \u201cmelhor algo que nada\u201d.<\/p>\n<p>Penso que n\u00e3o \u00e9 assim. At\u00e9 agora, a psican\u00e1lise era uma pr\u00e1tica que n\u00e3o havia sido afetada em quase nada pela tecnologia. Era uma esp\u00e9cie de \u201creserva natural\u201d, em que se realizava uma tarefa que, em seus elementos fundamentais, n\u00e3o havia mudado em um s\u00e9culo. O que aconteceu foi um questionamento de nosso dispositivo cl\u00e1ssico. N\u00e3o pudemos encontrar os pacientes pessoalmente. Tivemos que receber nossos honor\u00e1rios por meio de plataformas banc\u00e1rias. De repente, toda uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que acredit\u00e1vamos imut\u00e1veis, inquestion\u00e1veis e que faziam parte da \u201cess\u00eancia\u201d da psican\u00e1lise, por assim dizer, sofreram modifica\u00e7\u00f5es, e aconteceu de termos de coloc\u00e1-las em suspenso e rev\u00ea-las. Toda a vida, em seu conjunto, n\u00e3o voltar\u00e1 a recompor-se como era antes da pandemia. Foram introduzidas mudan\u00e7as que, inicialmente, se implementaram como medidas emergenciais, mas, agora, vemos que modificar\u00e3o de forma duradoura o panorama geral de como se trabalha, se estabelecem rela\u00e7\u00f5es, se compra, se aprende, se ensina, se oferece aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, etc. Do mesmo modo, a experi\u00eancia que tivemos como analistas vai produzir mudan\u00e7as permanentes. Quando o v\u00edrus for derrotado, um psicanalista poder\u00e1 \u2014 e estar\u00e1 em todo seu direito \u2014 voltar a sua pr\u00e1tica tradicional e n\u00e3o aceitar nenhum tipo de solicita\u00e7\u00e3o de atendimento on-line. Mas muitos outros o far\u00e3o, e isso \u00e9 algo que gradualmente mudar\u00e1 o padr\u00e3o cl\u00e1ssico. Se isso for acompanhado de uma discuss\u00e3o permanente sobre as consequ\u00eancias te\u00f3ricas e cl\u00ednicas, parece-me que estaremos perante a possibilidade de nossa pr\u00e1tica manter uma conex\u00e3o mais pr\u00f3xima com o mundo atual. Uma conex\u00e3o cr\u00edtica, \u00e9 claro, uma conex\u00e3o que n\u00e3o consista simplesmente em aderir \u00e0 tend\u00eancia geral que celebra o \u201ctudo on-line\u201d. Claro que n\u00e3o se trata disso. Mas insisto que n\u00e3o podemos reivindicar para n\u00f3s uma pr\u00e1tica que se mantenha fechada na bolha de uma pureza excepcional.<br \/>\n<strong>A.: Em rela\u00e7\u00e3o a essas vari\u00e1veis, a impossibilidade de escolha de uma outra forma de atendimento e os efeitos subjetivos da pandemia, que se impunham como temas prevalentes nas sess\u00f5es on-line, como voc\u00ea tem percebido\/avaliado a continuidade dos processos de an\u00e1lise ap\u00f3s esse per\u00edodo?<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>G.D<\/strong>: Suponho que cada analista tenha uma vis\u00e3o diferente do que aconteceu na sua pr\u00e1tica. A maioria dos meus pacientes, ap\u00f3s um per\u00edodo inicial, em que a pandemia e o confinamento foram o tema principal, retomaram suas preocupa\u00e7\u00f5es habituais. Para muitos, o assunto covid n\u00e3o foi motivo para distra\u00ed-los dos sintomas e fantasias que constituem o fundamental de seu trabalho anal\u00edtico. Em certos casos, o confinamento ou o medo de adoecer desencadearam mal-estares latentes que, sob a nova situa\u00e7\u00e3o, vieram \u00e0 tona. Relacionamentos que foram afetados porque a conviv\u00eancia permanente revelou quest\u00f5es que j\u00e1 estavam em jogo. Algo semelhante ao que aconteceu no mundo. A pandemia mostrou a face oculta de cada sociedade, e o que vimos n\u00e3o foi muito agrad\u00e1vel, podemos dizer\u2026<\/p>\n<p>Na Espanha, em particular, pude voltar ao meu consult\u00f3rio em junho do ano passado. A maioria das pessoas retomaram as suas sess\u00f5es presenciais, mas mant\u00eam-se on-line ou por telefone os que n\u00e3o moram em Madrid ou est\u00e3o fora da Espanha. Esses analisantes costumavam vir mensalmente e tinham v\u00e1rias sess\u00f5es em um ou dois dias. Agora, com as restri\u00e7\u00f5es dos voos e meios de transportes, somado \u00e0 inseguran\u00e7a de viajar, continuam on-line. Mas mesmo nas an\u00e1lises que voltaram presencialmente, o recurso do telefone ou videochamada n\u00e3o desapareceu completamente. Durante a semana, sempre tem algu\u00e9m que me solicita fazer a sess\u00e3o virtualmente porque surgiu um imprevisto. Antes, isso significava que a sess\u00e3o era cancelada e voc\u00ea tinha que procurar outro hor\u00e1rio. Agora, essa possibilidade tem feito com que as aus\u00eancias diminuam de forma not\u00e1vel. Esse \u00e9 um ponto delicado, que deve ser avaliado um a um. O problema \u00e9 que a op\u00e7\u00e3o telem\u00e1tica pode se tornar uma resist\u00eancia para vir ao consult\u00f3rio, e que, como toda resist\u00eancia, sempre pode haver um motivo aparente para passar do presencial ao virtual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A.: Como tem sido o desafio de fazer existir a presen\u00e7a e o ato do analista nos atendimentos virtuais? Como o imprevisto, a conting\u00eancia se presentifica nas sess\u00f5es on-line? H\u00e1 que se apostar mais na voz? Que lugar a tela passa a ocupar no setting anal\u00edtico?<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>G.D<\/strong>: A presen\u00e7a do analista. Tenho insistido muito nisso, que n\u00e3o se confunda com a ideia ing\u00eanua da presen\u00e7a f\u00edsica no consult\u00f3rio. Um analista pode estar fisicamente presente, mas isso n\u00e3o garante que sua fun\u00e7\u00e3o esteja. A presen\u00e7a do analista tem uma rela\u00e7\u00e3o direta com o conceito de \u201cdesejo do analista\u201d. N\u00e3o acredito que o desejo do analista v\u00e1 desaparecer porque a sess\u00e3o \u00e9 feita por telefone, por exemplo. Freud fazia supervis\u00f5es por correspond\u00eancia. A conting\u00eancia tampouco desaparece. Por que haveria de desaparecer? Acontecem coisas curiosas. Desde o paciente que n\u00e3o encontra seu telefone, ou a conex\u00e3o da internet que cai, at\u00e9 a entrada de uma pessoa que mora com o paciente e interrompe a sess\u00e3o, sem querer. Os efeitos de surpresa na fala do sujeito tamb\u00e9m ocorrem na tela. H\u00e1 aqueles que preferem usar o telefone, sem a imagem, e outros que se sentem melhor ao ver o analista na tela. Da mesma forma que nas sess\u00f5es cl\u00e1ssicas, ofere\u00e7o a alguns pacientes o uso do div\u00e3, mas n\u00e3o o imponho de forma alguma, deixo que cada um escolha o m\u00e9todo de comunica\u00e7\u00e3o que deseja.<br \/>\n<strong>A.: A onipresen\u00e7a da tecnologia digital provocou, especialmente entre os mais jovens, uma ades\u00e3o incondicional \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais virtuais como uma nova forma de adi\u00e7\u00e3o. Para tais sujeitos, viver no mundo virtual se tornou uma forma de suportar &#8220;as inclem\u00eancias da vida&#8221;. Como um novo sintoma que vemos se estabelecer, voc\u00ea v\u00ea a possibilidade de que, para alguns desses sujeitos, uma psican\u00e1lise s\u00f3 seja vi\u00e1vel virtualmente? Quais s\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es dessa mudan\u00e7a em nossa pr\u00e1xis?<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><strong>G.D<\/strong>: N\u00e3o estou t\u00e3o seguro de que a adi\u00e7\u00e3o \u00e0s redes sociais tenha aumentado tanto. Durante os meses de confinamento, foi um recurso indubitavelmente muito mais utilizado que o habitual, mas as adi\u00e7\u00f5es aos videogames, chats, etc. j\u00e1 existiam. \u00c9 poss\u00edvel que alguns jovens tenham se tornado adictos nessa \u00e9poca, mas n\u00e3o tenho dados que demonstrem que o n\u00famero de \u201ccyber-adictos\u201d tenha aumentado acentuadamente. Percebi, pelo contr\u00e1rio, que o isolamento foi mais mal tolerado pelos jovens e que, assim que se p\u00f4de sair, organizaram encontros, muitas vezes violando as normas e restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. Acredito que os adolescentes e os jovens continuem preferindo as experi\u00eancias \u201creais\u201d, encontros, contato f\u00edsico, \u00e0 vida on-line. \u00c9 verdade que h\u00e1 quem se refugie no mundo virtual para evitar ou, pelo menos, atenuar as conting\u00eancias do mundo real. Nesse sentido, a internet \u00e9 um instrumento indispens\u00e1vel para n\u00e3o se abandonar \u00e0 solid\u00e3o e, ao mesmo tempo, se proteger dos riscos que, para alguns, sup\u00f5e o encontro com o Outro que pode existir em qualquer outro. Como em qualquer adi\u00e7\u00e3o, a ader\u00eancia ao uso dos dispositivos cumpre uma determinada fun\u00e7\u00e3o, que costuma ser necess\u00e1ria, vital, um ponto de capit\u00f3n, ou um modo de tentar uma repara\u00e7\u00e3o no ajuste do Real, Simb\u00f3lico e Imagin\u00e1rio. No meu livro\u00a0<em>Inconsciente 3.0<\/em>\u00a0abordei esse tema e acredito que, entre os psicanalistas, exista um certo preconceito a respeito dos instrumentos tecnol\u00f3gicos que foram incorporados ao nosso cotidiano. Uma tend\u00eancia a considerar que h\u00e1 algo como um perigo iminente. Por que nos parece a coisa mais normal do mundo mergulhar um dia inteiro na leitura dos semin\u00e1rios de Lacan e consideramos um sinal patol\u00f3gico que um adolescente fique horas diante de um computador? Durante o confinamento, as telas serviram para que muitas crian\u00e7as pudessem suportar o isolamento e elaborar a ang\u00fastia. Isso provocou um aumento muito grande no uso, mas quando as restri\u00e7\u00f5es foram suspensas, a maioria deles estava feliz de voltar \u00e0 escola e encontrar outras crian\u00e7as. Em todo caso, a adi\u00e7\u00e3o \u00e0s telas n\u00e3o \u00e9 uma causa, mas antes um efeito de algo que \u00e9 preciso analisar.<\/p>\n<p>Existem alguns casos, particularmente certas formas de psicose, nos quais a virtualidade torna mais toler\u00e1vel o encontro anal\u00edtico, suaviza o sentimento persecut\u00f3rio e alivia o peso superegoico da transfer\u00eancia. Introduz uma dist\u00e2ncia, uma regula\u00e7\u00e3o das oscila\u00e7\u00f5es do gozo favor\u00e1vel \u00e0 transfer\u00eancia. Ao contr\u00e1rio, em outros sujeitos, as sess\u00f5es virtuais intensificam a dimens\u00e3o da voz e do olhar, at\u00e9 o limite do insuport\u00e1vel. Mais uma vez, devemos dar uma resposta singular e implementar o modo que melhor se adapte \u00e0s caracter\u00edsticas do sujeito em quest\u00e3o.<br \/>\n<strong>A.: \u00c9 poss\u00edvel vislumbrarmos uma mudan\u00e7a na concep\u00e7\u00e3o do corpo a partir do uso das tecnologias?<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p><strong>G.D<\/strong>: Acredito que, mais que uma mudan\u00e7a na concep\u00e7\u00e3o do corpo em psican\u00e1lise, as novas tecnologias nos permitem entender melhor os conceitos que j\u00e1 temos, fazer uma nova leitura do que Freud e Lacan pensaram sobre o corpo, especialmente o segundo, que, a partir da introdu\u00e7\u00e3o dos quatro discursos, colocou uma \u00eanfase especial no tema do corpo. Lacan n\u00e3o foi contempor\u00e2neo da revolu\u00e7\u00e3o da internet, mas mesmo assim teve uma verdadeira clarivid\u00eancia do que estava por vir. Sua ideia sobre a aletosfera \u00e9 um sinal de que tinha compreendido at\u00e9 que ponto a vida humana e o pr\u00f3prio conceito de sujeito estavam entrando em uma segunda desnaturaliza\u00e7\u00e3o. Se a primeira \u00e9 a que a linguagem introduz, a segunda \u00e9 a que resulta do fato de que o ser falante participa da mesma realidade em que se aloja o objeto t\u00e9cnico. O\u00a0<em>parl\u00eatre<\/em>\u00a0\u00e9 uma\u00a0<em>lathouse<\/em>\u00a0entre as outras, ele o \u00e9 cada vez mais, de uma forma impar\u00e1vel. O del\u00edrio que nos \u00faltimos tempos tem circulado, o de que, com a vacina\u00e7\u00e3o contra a covid, v\u00e3o nos inocular um chip 5G, tem o mesmo n\u00facleo de verdade que qualquer outro del\u00edrio. Nosso corpo est\u00e1 atravessado por um discurso que exerce diversos efeitos sobre ele. Por sua vez, a presen\u00e7a do corpo nas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o, por exemplo, \u00e9 absolutamente indiscut\u00edvel. \u00c9 incompreens\u00edvel para mim que alguns analistas sustentem que o corpo est\u00e1 ausente nas telas. Suponho que n\u00e3o est\u00e3o cientes das coisas que os sujeitos fazem com seus corpos atrav\u00e9s da internet e das modalidades de gozo que podem extrair nesse uso. O sexo virtual tornou-se uma possibilidade a mais no polimorfismo perverso do desejo.<\/p>\n<p>Portanto, considero que o futuro do mundo nos exige uma mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o, como a que tivemos que tomar, por exemplo, frente \u00e0 transexualidade. N\u00f3s mudamos sobre isso. Compreendemos que, em muitos casos, trata-se de acompanhar o sujeito nesse tr\u00e2nsito, e n\u00e3o de lhe sugerir que reconsidere seu projeto. Algo semelhante tem que acontecer no que diz respeito ao uso das novas tecnologias e ao que pode ser v\u00e1lido para a experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Entrevista por:<\/strong>\u00a0Daniela Dinardi, Michelle Sena, Patr\u00edcia Ribeiro e Tereza Facury.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Ernesto Anzalone<br \/>\n<strong>Revis\u00e3o:<\/strong>\u00a0Michelle Sena<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Psicanalista. Membro da Escola Lacaniana de Psican\u00e1lise- ELP\/AMP | g.dess.esp@cop.es &nbsp; Almanaque: Em sua entrevista a Luis Salamone, no m\u00eas de abril, voc\u00ea disse que seria precipitado tirar conclus\u00f5es sobre os atendimentos on-line e suas consequ\u00eancias. Agora, ap\u00f3s oito meses, o que voc\u00ea pode dizer de suas percep\u00e7\u00f5es? 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