{"id":1710,"date":"2021-03-19T06:40:14","date_gmt":"2021-03-19T09:40:14","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1710"},"modified":"2025-12-01T13:56:04","modified_gmt":"2025-12-01T16:56:04","slug":"transferencia-e-presenca-do-analista1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2021\/03\/19\/transferencia-e-presenca-do-analista1\/","title":{"rendered":"TRANSFER\u00caNCIA E PRESEN\u00c7A DO ANALISTA[1]"},"content":{"rendered":"<h6>FRANK ROLLIER<br \/>\nPsicanalista. Membro da ECF\/AMP<br \/>\n<span id=\"cloakbf752566aca34eadd53bb3e6a667670a\"><a href=\"mailto:frollier@wanadoo.fr\">frollier@wanadoo.fr<\/a><\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>\n<strong>Resumo:<\/strong>\u00a0Neste texto, Frank Rollier traz a discuss\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da \u00a0presen\u00e7a dos corpos (analista-analisante) e seus efeitos relativos ao trabalho na transfer\u00eancia e de abertura ao inconsciente. As terapias a dist\u00e2ncia produzem uma exacerba\u00e7\u00e3o dos semblantes, uma profus\u00e3o de sentidos, conectadas ao projeto pol\u00edtico do discurso cientificista sob o qual a rela\u00e7\u00e3o sexual possa se escrever. A \u201cpresen\u00e7a real\u201d do analista \u00e9 a aposta \u00e9tica da psican\u00e1lise de poder tocar peda\u00e7os do real pulsional e do resto, o objeto a.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0terapias a dist\u00e2ncia; psican\u00e1lise; transfer\u00eancia; \u201cpresen\u00e7a real\u201d; objeto a.<\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0In this article, Frank Rollier raises an important discussion about the presence of the bodys (analyst-analysand) and its effects on the work in transference and on the opening to the unconscious. Remote therapies produce and exacerbation of the countenance and a profusion of meaning that are conected to the political project of the cientific discourse under which the sexual relation can be written. The \u201creal presence\u201d of the analyst is the ethical bet of psychoanalysis on being able to approach something of the remainder, of object a.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0remote therapy; psychoanalysis; transference; \u201creal presence\u201d; object a<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1711\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/frt.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"600\" data-large_image_height=\"583\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1711\" class=\"wp-image-1711\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/frt.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/frt.jpg 600w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/frt-300x292.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1711\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Jayme Reis<\/p><\/div>\n<p>A internet oferece uma profus\u00e3o de terapias a dist\u00e2ncia, atrav\u00e9s de v\u00e1rios dispositivos produzidos pelo discurso cientificista: chat on-line, webcam, fone 3D de realidade virtual, psi-rob\u00f4\u2026 que esvaziam a presen\u00e7a real do corpo para reduzi-lo a uma voz, frequentemente associada a uma imagem. Elas se assentam sobre a sugest\u00e3o e v\u00e3o, portanto, na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria da abordagem anal\u00edtica que pressup\u00f5e, por um lado, que o analisante desloque seu corpo at\u00e9 o consult\u00f3rio do analista e, por outro lado, que o saber esteja do lado do analisante, como o ilustra a decifra\u00e7\u00e3o da mensagem da tossezinha pela paciente de Ella Sharpe no Semin\u00e1rio de Lacan sobre o desejo (LACAN, 2016, p. 151\u2013169).<\/p>\n<p>Na China, foi dado um passo adiante com a oferta de sess\u00f5es ditas psicanal\u00edticas por Skype (GUYONNET, 2017, p. 26), que fazem cada vez mais sucesso.<\/p>\n<p>Se as psicoterapias, mesmo em suas formas mais grotescas, permanecem presas ao sentido e podem se contentar com uma escuta que coloca \u00e0 dist\u00e2ncia a presen\u00e7a dos corpos, n\u00e3o se excluem, contudo, poss\u00edveis efeitos de transfer\u00eancia. E isso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 psican\u00e1lise, que, por sua vez, visa a abertura do inconsciente?<\/p>\n<p><em>A selvageria da\u00a0<\/em><em>ideologia \u201ccientificista\u201d<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Desde 1949, Heidegger identificou a invas\u00e3o da ci\u00eancia pela t\u00e9cnica. Denunciou o apresamento da natureza e a op\u00f4s \u00e0\u00a0<em>techn\u00e8<\/em>, que, em grego, designa \u201cum desvelamento que produz a verdade\u201d.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia n\u00e3o foi estabelecida por Lacan como um dos quatro discursos, em que cada um representa uma modalidade diferente de la\u00e7o social. Entretanto, estando hoje intimamente ligada ao discurso do mestre capitalista e ao discurso universit\u00e1rio, a ci\u00eancia se converte em um cientificismo que passou a ser uma modalidade de la\u00e7o social com a finalidade manter o sujeito em continuidade com o objeto mais-de-gozar. Ao mesmo tempo, o cientificismo contempor\u00e2neo enuncia que se pode saber sempre mais e que nada \u00e9 imposs\u00edvel. Judith Miller (2013, p. 311) falava da \u201cselvageria desta ideologia\u201d cientificista que, pretendendo ao universal, ao Um, tem como efeito a aboli\u00e7\u00e3o dos sujeitos.<\/p>\n<p>A\u00a0<em>biopol\u00edtica<\/em>, descrita por Michel Foucault desde os anos setenta, hoje faz parte de nosso cen\u00e1rio. Fora da presen\u00e7a de qualquer terapeuta, o discurso capitalista visa ajustar os comportamentos \u00e0s ofertas do mercado para que o consumidor esteja sempre\u00a0<em>zen<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>positivo<\/em>. Nessa mesma veia, o\u00a0<em>self care<\/em>\u00a0(LACAZE-PAULE, 2014) garante seu m\u00e9dico particular ao alcance do smartphone, e os rob\u00f4s er\u00f3ticos possibilitam um encontro sexual sem passar pela presen\u00e7a do corpo do outro. A exacerba\u00e7\u00e3o narc\u00edsica que acompanha esse impulso para a adic\u00e7\u00e3o se refor\u00e7a frequentemente em um\u00a0<em>eu n\u00e3o quero saber nada disso\u00a0<\/em>que reduz o inconsciente e a transfer\u00eancia \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o de conceitos obsoletos. A cren\u00e7a no Outro \u00e9 abalada, a palavra \u00e9 desvalorizada e considerada sup\u00e9rflua se ela n\u00e3o se refere a uma t\u00e9cnica suposta imediatamente eficaz e ao menor custo. Ora, a manipula\u00e7\u00e3o dos corpos a partir da linguagem permite oferecer uma grande variedade de t\u00e9cnicas supostamente terap\u00eauticas que prometem harmonia evitando, cuidadosamente, tudo o que poderia confrontar o sujeito com a castra\u00e7\u00e3o. Assim, o site \u201cPsicoterapia On-Line\u201d destaca que \u201cquem consulta n\u00e3o perde tempo no transporte (&#8230;). Quando h\u00e1 uma necessidade urgente de comunicar alguma coisa, ele pode faz\u00ea-lo a partir do lugar onde se estiver (&#8230;) A liberdade e a flexibilidade assim produzidas (&#8230;) lhe permitem descontrair sem se sentir observado\u201d.<\/p>\n<p><em>A \u201cpresen\u00e7a real\u201d do analista<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Freud, em 1912, falando das \u201cemo\u00e7\u00f5es amorosas secretas e esquecidas\u201d (FREUD, 1980), \u00e0s quais a transfer\u00eancia confere um car\u00e1ter de atualidade, conclui que \u201c\u00e9 imposs\u00edvel liquidar algu\u00e9m\u00a0<em>in absentia<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>in effigie<\/em>\u201d (<em>Ibid.<\/em>).<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o da presen\u00e7a \u00e9 abordada por Lacan desde seu primeiro semin\u00e1rio. Para ilustrar o fato de que a transfer\u00eancia se produz \u201cjustamente porque ela satisfaz a resist\u00eancia\u201d (1986, p. 51-52), Lacan testemunha que, em alguns casos, \u201cno momento em que ele parece pronto para formular alguma coisa de mais aut\u00eantica (&#8230;) do que jamais p\u00f4de atingir at\u00e9 ent\u00e3o, o sujeito (&#8230;) se interrompe (para dizer) \u2014\u00a0<em>eu realizo de repente o fato da sua presen\u00e7a<\/em>\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 52 ).\u00a0 A transfer\u00eancia se manifesta aqui pela \u201catualiza\u00e7\u00e3o da pessoa do analista\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 54), a percep\u00e7\u00e3o de sua presen\u00e7a, que Lacan nota como um sentimento que comporta uma parte de mist\u00e9rio e que n\u00f3s \u201ctendemos incessantemente a apag\u00e1-lo da vida\u201d (<em>Ibid.<\/em>).<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio sobre a transfer\u00eancia, ele indica que, paradoxalmente, \u00e9 o \u201cpr\u00f3prio lugar em que somos supostos saber que somos convocados a ser, e a ser, nada mais, nada menos, que a presen\u00e7a real, justamente na medida em que ela \u00e9 inconsciente\u201d (LACAN, 1992, p. 333). Lacan insiste sobre essa \u201cpresen\u00e7a real\u201d silenciosa do analista que,\u00a0<em>in fine<\/em>, s\u00f3 est\u00e1 aqui como \u201cisso \u2014 isso, justamente, que se cala, e que cala no sentido em que falta a ser\u201d (<em>Ibid.<\/em>). Se a transfer\u00eancia repousa sobre o saber suposto atribu\u00eddo ao analista, n\u00e3o \u00e9, no entanto, com seu ser que ele opera, mas a partir de sua falta-a-ser; trata-se, para ele, de sustentar um \u201clugar vazio\u201d (<em>Ibid.<\/em>) de tal forma que \u201co sujeito possa recuperar o significante faltoso\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 337). Atrav\u00e9s de sua presen\u00e7a, o analista \u00e9 seu \u201cpr\u00f3prio sujeito no ponto onde ele se desvanece, em que \u00e9 barrado\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 334).<\/p>\n<p>Essa no\u00e7\u00e3o da \u201cpresen\u00e7a real\u201d ser\u00e1 retomada no Semin\u00e1rio XI, em que a inven\u00e7\u00e3o de Lacan do conceito do objeto pequeno\u00a0<em>a<\/em>\u00a0dar\u00e1 a ele uma nova colora\u00e7\u00e3o. Ele dedica uma sess\u00e3o \u00e0 \u201cA presen\u00e7a do analista\u201d (LACAN, 1988, p. 119\u2013120) e come\u00e7a evocando o lan\u00e7amento de um livro ep\u00f4nimo de Sacha Nacht (1963), cacique da SPP, que sustenta que o m\u00e9dico deve manifestar uma \u201cpresen\u00e7a gratificante\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 201), consistindo em \u201cuma disponibilidade constante, um acolhimento incondicional, uma paci\u00eancia ilimitada\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 3) e ainda \u201cuma atitude profunda de dom aut\u00eantico\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 85 ) e uma \u201cbondade incondicional\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 188). A essa avalanche de boas inten\u00e7\u00f5es, Lacan retruca qualificando esse livro como \u201cprega\u00e7\u00e3o lacrimejante\u201d e de \u201cintumesc\u00eancia cerosa\u201d (LACAN, 1988, p. 121).<\/p>\n<p>A internet n\u00e3o era ent\u00e3o imagin\u00e1vel; portanto, n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia do encontro de corpos que Lacan repudia, mas os analistas que se representam na transfer\u00eancia mais como um afeto do que como um amor aut\u00eantico \u2014\u00a0<em>eine echte Liebe<\/em>\u00a0(<em>Ibid.<\/em>, p. 119) \u2014, que invoca o inconsciente como instinto ou mesmo reduz a transfer\u00eancia a trocas de inconsciente a inconsciente.<\/p>\n<p>Para Lacan, uma recusa do inconsciente, essa \u201ctend\u00eancia\u201d que se manifesta ocasionalmente deve logicamente \u201cser integrada no conceito de inconsciente\u201d, pois ela somente traduz \u201cum movimento do sujeito que s\u00f3 se abre para tornar a se fechar, numa certa pulsa\u00e7\u00e3o temporal\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 121.). E \u2014 este \u00e9 o ponto crucial \u2014 a presen\u00e7a do analista \u201c\u00e9 ela pr\u00f3pria uma manifesta\u00e7\u00e3o do inconsciente\u201d (<em>Ibid.<\/em>), insepar\u00e1vel de seu pr\u00f3prio conceito. Lacan acrescenta que \u201ca presen\u00e7a do analista \u00e9 irredut\u00edvel, como testemunha\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 122) de uma perda total. \u00c9, de fato, atrav\u00e9s dessa presen\u00e7a real de corpos que a fun\u00e7\u00e3o de um objeto perdido pode se revelar: esse objeto \u00e9 o objeto pequeno a que \u201ccausa radicalmente o fechamento que comporta a transfer\u00eancia\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 128). O objeto pequeno\u00a0<em>a<\/em>\u00a0est\u00e1, portanto, no cerne dessa quest\u00e3o da presen\u00e7a, que, para Lacan, n\u00e3o est\u00e1 ligada ao ser nem a uma virtude particular do analista, mas \u00e0 irrup\u00e7\u00e3o do objeto de gozo na transfer\u00eancia, essa irrup\u00e7\u00e3o sendo o \u201cmeio (&#8230;) pelo qual o inconsciente torna a se fechar\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 125).<\/p>\n<p>Lacan fala tamb\u00e9m da \u201cpresentifica\u00e7\u00e3o dessa esquize do sujeito, realizada aqui, efetivamente, na presen\u00e7a\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 126. ), o que ele op\u00f5e \u00e0 \u201cparte s\u00e3 do eu do sujeito\u201d sobre a qual a psican\u00e1lise americana est\u00e1 focada apelando \u201cao bom-senso\u201d do paciente para faz\u00ea-lo \u201cnotar o car\u00e1ter ilus\u00f3rio de tais condutas no interior da rela\u00e7\u00e3o com o analista\u201d (<em>Ibid.<\/em>\u00a0p. 125\u2013126). Ora, \u00e9 exatamente essa parte s\u00e3 \u201cque fecha a porta (&#8230;) ou as janelas\u201d enquanto \u201ca bela com quem queremos falar est\u00e1 l\u00e1 detr\u00e1s, que s\u00f3 pede para reabri-los\u201d (<em>Ibid.<\/em>\u00a0p. 126).<\/p>\n<p>Ele considera, em seguida, o paradoxo freudiano segundo o qual o analista deve esperar a transfer\u00eancia, ou seja, o fechamento do inconsciente para come\u00e7ar a interpretar. Ignorando as cr\u00edticas da ortodoxia que o reprovam por querer \u201cintervir na transfer\u00eancia\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 123.), Lacan adianta que \u00e9 precisamente \u201cneste momento que a interpreta\u00e7\u00e3o se torna decisiva\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 126.) e que, assim, o analista \u201capela a reabertura do postigo\u201d (<em>Ibid.<\/em>) tratando a transfer\u00eancia como um \u201cn\u00f3 g\u00f3rdio\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 129).<\/p>\n<p>Nas li\u00e7\u00f5es seguintes, Lacan precisa como o objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0faz o \u201cpapel de obturador\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 138) no fechamento do inconsciente. Jacques-Alain Miller comentar\u00e1 sobre esse enfoque no fechamento mais que sobre a abertura, notando que esse momento testemunha \u201cda interfer\u00eancia da sexualidade no inconsciente sob a esp\u00e9cie do objeto\u00a0<em>a<\/em>\u201d e que \u00e9 justamente nesse fechamento que \u201co mais real do inconsciente surge\u201d (MILLER, 2012). O que Lacan indica nesse mesmo Semin\u00e1rio XI, a\u00ed avan\u00e7ando, \u00e9 que \u201ca transfer\u00eancia (\u00e9) a atualiza\u00e7\u00e3o da realidade do inconsciente\u201d (LACAN, 1988, p. 142), realidade que \u00e9 sexual (<em>Ibid.<\/em>, p. 144), pulsional. \u00c9 a essa dimens\u00e3o sexual do ser vivo que a presen\u00e7a do analista d\u00e1 corpo e \u00e9 ela que a aus\u00eancia dos corpos permite ignorar.<\/p>\n<p>Podemos, ent\u00e3o, reler o semin\u00e1rio\u00a0<em>A transfer\u00eancia<\/em>\u00a0a partir do Semin\u00e1rio XI e medir o caminho percorrido por Lacan: ele anunciou ali que \u201csomos convocados a (&#8230;) ser nada mais (&#8230;) que a presen\u00e7a real (&#8230;) na medida em que esta \u00e9 inconsciente\u201d (LACAN, 1992, p. 333). Podemos ouvir essa presen\u00e7a real agora como aquela do objeto pequeno<em>\u00a0a<\/em>, que o analista visa encarnar para seu analisante.<\/p>\n<p><em>\u201cFazer surgir a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d<\/em><\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio\u00a0<em>O sinthoma<\/em>, doze anos ap\u00f3s o Semin\u00e1rio XI, Lacan diferencia com precis\u00e3o o inconsciente do real, que \u00e9 desprovido de sentido. A fun\u00e7\u00e3o do real se distingue daquele pelo fato de que \u201co inconsciente n\u00e3o deixa de se referir ao corpo\u201d (LACAN, 2006, p. 131), esse corpo que o\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0\u201cadora\u201d e que assinala basicamente a dimens\u00e3o imagin\u00e1ria que \u00e9 sua \u201c\u00fanica consist\u00eancia\u201d (<em>Ibid.<\/em>, p. 64).<\/p>\n<p>Isso nos permite lembrar o \u00f3bvio e dar um passo a mais: a presen\u00e7a real do analista n\u00e3o \u00e9 certamente aquela de sua imagem, mas aquela que, segundo a express\u00e3o de J-A. Miller, relendo o \u00faltimo Lacan, permite \u00e0 \u201cpalavra considerada como puls\u00e3o\u201d (MILLER, 2014) se desdobrar. O dispositivo do div\u00e3 est\u00e1 ali exatamente para eliminar, tanto quanto poss\u00edvel, essa presen\u00e7a imagin\u00e1ria dos corpos. A puls\u00e3o est\u00e1 localizada fora do corpo imagin\u00e1rio. O analista, entretanto, poder\u00e1 ocasionalmente utilizar seu corpo para interpretar a partir de sua posi\u00e7\u00e3o de objeto\u00a0<em>a<\/em>. \u00c9ric Laurent prop\u00f5e que, jogando \u201ccom o acontecimento de corpo, com semblante de trauma\u201d (2016, p. 16), ele poder\u00e1, assim, tocar o gozo.<\/p>\n<p>J-A Miller nos especifica que \u201clevar seu corpo \u00e0 sess\u00e3o\u201d, \u201cdeitar-se no div\u00e3, \u00e9 se tornar puro falante, experimentando a si mesmo como corpo parasitado pela palavra\u201d (FAVEREAU, 1999), mas que \u201cver-se e falar-se, isso n\u00e3o faz uma sess\u00e3o anal\u00edtica (&#8230;) \u00c9 necess\u00e1ria a co-presen\u00e7a em carne e osso apenas para fazer surgir a n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d (<em>Ibid.<\/em>), esse real ao qual o\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0n\u00e3o cessa de se confrontar e de responder atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o de sintomas.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito do \u201cbom uso do sinthoma\u201d na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise, ele assinala que, do ponto de vista da singularidade de cada um, \u201ca sess\u00e3o anal\u00edtica tende a se reduzir ao instante\u201d (MILLER, 2009), a um evento que deve ser encarnado, especificando que, com alguns pacientes psic\u00f3ticos, o encontro com o terapeuta \u201cpode, no limite, precisar somente de um aperto de m\u00e3o e de um \u2018Tudo bem?\u2019 \u2014 \u2018Tudo bem\u2019 (&#8230;). Necessita simplesmente de um cora\u00e7\u00e3o batendo, da encarna\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a\u201d (<em>Ibid.<\/em>).<\/p>\n<p>J-A. Miller acrescenta que \u201ctodos os modos de presen\u00e7a virtual, mesmo os mais sofisticados, trope\u00e7ar\u00e3o nisso\u201d (<em>Ibid.<\/em>) quer dizer sobre o \u201cfora-de-sentido da rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d (LACAN, 1953), esse furo no simb\u00f3lico que causa o fracasso ao qual o\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0est\u00e1 fadado. E ele conclui que \u201cquanto mais a presen\u00e7a virtual se torna comum, mais preciosa ser\u00e1 a presen\u00e7a real\u201d (FAVEREAU, 1999).<\/p>\n<p>Nas terapias a dist\u00e2ncia e, consequentemente, com a Skype-an\u00e1lise, a aus\u00eancia de corpos faz sintoma do\u00a0<em>nada querer saber<\/em>\u00a0disso que falha e disso que se perde, da dimens\u00e3o pulsional como fundamento da rela\u00e7\u00e3o com o Outro (MILLER, 2000). Essas terapias que colocam em cena uma presen\u00e7a virtual s\u00e3o, elas pr\u00f3prias, um sintoma (GUYONNET, 2017) da recusa do imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Lacan assinalou a import\u00e2ncia das entrevistas preliminares, da \u201cconfronta\u00e7\u00e3o de corpos\u201d (LACAN, 2012). A aus\u00eancia de corpos, de seus deslocamentos na sess\u00e3o, abre mais para o mundo dos semblantes do que para o encontro do real pulsional e do resto, o objeto\u00a0<em>a<\/em>. Mas \u00e9 precisamente o projeto pol\u00edtico do discurso cientificista que n\u00e3o haja resto e que a rela\u00e7\u00e3o sexual possa se escrever. Ent\u00e3o, como se situa hoje a psican\u00e1lise nesse contexto de arrebatamento pelas tecnoci\u00eancias? Isso que Lacan denunciou em 1964 como um obscurantismo, \u201cmuito caracter\u00edstico da condi\u00e7\u00e3o do homem de nosso tempo de pretensa informa\u00e7\u00e3o\u201d (LACAN, 1985. P. 122\u2013123), n\u00e3o perdeu nada de sua atualidade.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise \u201cpermite se desintoxicar da overdose de saberes e da conex\u00e3o\u201d, escreve \u00c9ric Laurent (2020). Ela tamb\u00e9m \u00e9 o lugar onde o sujeito trope\u00e7ar\u00e1 sobre o imposs\u00edvel e, assim, encontrar\u00e1 os peda\u00e7os de real com os quais ele n\u00e3o cessa de se \u201cconfundir\u201d (MILLER, 2000).<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Vinheta cl\u00ednica<\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos de tratamento, um paciente vem por causa de uma impot\u00eancia sexual antiga que, diante do horror da castra\u00e7\u00e3o feminina, o faz fugir de suas parceiras. Contudo, ele se apega mais firmemente \u00e0 nega\u00e7\u00e3o dessa castra\u00e7\u00e3o, o que evita que se confronte com a sua.<\/p>\n<p>Um dia, a sess\u00e3o se torna o lugar de um pequeno drama na transfer\u00eancia. Ele anuncia que n\u00e3o suporta mais que o analista se cale, que n\u00e3o responda \u00e0s suas s\u00faplicas para salv\u00e1-lo de seu mal-estar. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 humano!\u201d, diz ele. Ele faz a experi\u00eancia dolorosa da solid\u00e3o radical do sujeito e, ao longo dessa sess\u00e3o, p\u00f5e-se a gritar, a bater na parede ao lado do div\u00e3, depois se levanta e sai do consult\u00f3rio com uma grande c\u00f3lera. Com esse\u00a0<em>acting out<\/em>, ele repete na transfer\u00eancia aquilo que acontece com ele a cada tentativa de penetrar uma mulher, o que me permite, em seguida, interpret\u00e1-lo: diante do furo, ou seja, da aus\u00eancia de significante para representar o Outro sexo, surge a ang\u00fastia e ele se esquiva.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia repentina do sil\u00eancio do analista levou ao surgimento do objeto, seguido do fechamento do inconsciente quando ele deixa a sess\u00e3o. O analista encarna, desse modo, esse resto que o sujeito n\u00e3o controla, esse \u201cres\u00edduo n\u00e3o imaginado do corpo\u201d (LACAN, 2005), como diz Lacan, este a\/- \u03c6 cujo encontro tem um efeito de divis\u00e3o sobre ele.<\/p>\n<p>Na sess\u00e3o seguinte, ele pode dizer do desejo de que a parceira tenha algo para lhe dar. O que ele espera \u00e9 castr\u00e1-la desse ter imagin\u00e1rio e priv\u00e1-la de seu gozo para que ele n\u00e3o perca nada na rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>\u00c9 somente na transfer\u00eancia, corpos presentes, que ele pode tocar esse real que \u00e9 um ponto imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a real do analista, que \u00e9 sustentada pela coloca\u00e7\u00e3o em ato de seu desejo, permanece, mais do que nunca, uma aposta \u00e9tica e pol\u00edtica.<\/p>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>: Let\u00edcia Mello<\/h6>\n<h6><strong>Revis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>: Let\u00edcia Soares<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>FAVEREAU, \u00c9. Le divan. XXIe si\u00e8cle. Demain la mondialisation des divans? Vers le corps portable. Par Jacques-Alain Miller, Lib\u00e9ration, 3 julho 1999 in https:\/\/www.liberation.fr\/cahier-special\/1999\/07\/03\/le-\u00a0divan-xx1-e-siecle-demain-la-mondialisation-des-divans-vers-le-corps-portable- par-jacques-alain-m_278498. Nossa tradu\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1912b). A\u00a0din\u00e2mica\u00a0da\u00a0transfer\u00eancia.\u00a0<strong>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das Obras psicol\u00f3gicas completas de\u00a0Sigmund Freud<\/strong>, Vol. XII, Rio de Janeiro: Imago, 1980.<\/h6>\n<h6>GUYONNET, D. \u201cLa Skype analyse en Chine. Quand le divan fait symot\u00f4me\u201d,\u00a0<strong>La Cause du d\u00e9sir<\/strong>, n. 97, novembro 2017, p. 26. Nossa tradu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1953 &#8211; 54)\u00a0<strong>O semin\u00e1rio livro I, Os escritos t\u00e9cnicos de Freud.<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1986, p.51 &#8211; 52.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1959 &#8211; 59)\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, Livro VI, O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2016, p. 151 \u2013\u00a0 169.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1960 \u2013 61)\u00a0<strong>O\u00a0semin\u00e1rio,\u00a0livro\u00a0VIII: A\u00a0transfer\u00eancia. Rio de Janeiro:<\/strong>\u00a0Jorge Zahar Editor. 1992, p. 333<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1960 \u2013 61)\u00a0<strong>O\u00a0semin\u00e1rio,\u00a0livro\u00a0VIII: A\u00a0transfer\u00eancia. Rio de Janeiro<\/strong>: Jorge Zahar Editor. 1992, p. 333.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1962-1963)\u00a0<strong>O semin\u00e1rio livro X A ang\u00fastia<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,. 2005, p. 71<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1964)\u00a0<strong>O Semina\u0301rio, Livro XI: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicana\u0301lise.<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1988, p. 119 \u2013 120.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1971-1972)<strong>\u00a0O semin\u00e1rio livro XIX \u2026ou pior<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2012, p. 220.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1973) Televis\u00e3o In\u00a0<strong>Outros escritos<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p. 512.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1975 \u2013 76)\u00a0<strong>O\u00a0Semin\u00e1rio,\u00a0livro\u00a0XXIII \u2013 O sinthoma.<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 2006, p. 131.<\/h6>\n<h6>LACAZE-PAULE, C., \u201cSelf-made-care\u201d,\u00a0<strong>Lacan quotidien<\/strong>, n. 412, 28 de junho 2014,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lacanquotidien.fr\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/LQ-412.pdf\">http:\/\/www.lacanquotidien.fr\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/LQ-412.pdf<\/a><\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. Gozar da internet. In\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistaderivasanaliticas.com.br\/index.php\/gozar-internet\">http:\/\/www.revistaderivasanaliticas.com.br\/index.php\/gozar-internet<\/a>\u00a0Consultado em 07\/12\/2020.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9.\u00a0<strong>O avesso da biopol\u00edtica: uma escrita para o gozo<\/strong>. Rio de Janeiro: Contracapa, 2016, p. 16<\/h6>\n<h6>MILLER, J. \u201cScientisme, ruine de la Science\u201d,\u00a0<strong>Scilicet \u201cUm r\u00e9el pour le XXI\u00e8me si\u00e8cle<\/strong>, 2013, Paris, p. 311. Nossa tradu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<h6>MILLER, J<strong>. Coisas de fineza em psicana\u0301lise. Orientac<\/strong><strong>\u0327<\/strong><strong>a\u0303o Lacaniana III.\u00a0<\/strong>Semina\u0301rio ine\u0301dito<strong>,<\/strong>\u00a0aula de 17\/12\/2009.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A.\u00a0<strong>La\u00a0fuga\u00a0del\u00a0sentido<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A.\u00a0<strong>El ultim\u00edssimo Lacan &#8211; os cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A., A\u00a0teoria do parceiro. In:\u00a0<strong>Os circuitos do desejo na vida e na an\u00e1lise.<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Contra Capa, 2000.<\/h6>\n<h6>NACHT, S.\u00a0<strong>La pr\u00e9sence do psychanalyste,\u00a0<\/strong>Paris, PF, 1963.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/transfeanalista#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Retomada de uma confer\u00eancia em Tel-Aviv em 11 de maio de 2018, no semin\u00e1rio Nouage du GIEP-NLS.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FRANK ROLLIER Psicanalista. Membro da ECF\/AMP frollier@wanadoo.fr &nbsp; Resumo:\u00a0Neste texto, Frank Rollier traz a discuss\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da \u00a0presen\u00e7a dos corpos (analista-analisante) e seus efeitos relativos ao trabalho na transfer\u00eancia e de abertura ao inconsciente. As terapias a dist\u00e2ncia produzem uma exacerba\u00e7\u00e3o dos semblantes, uma profus\u00e3o de sentidos, conectadas ao projeto pol\u00edtico do discurso&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57949,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-1710","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-26","category-22","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1710"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1710\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57950,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1710\/revisions\/57950"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}