{"id":1741,"date":"2021-07-19T06:40:41","date_gmt":"2021-07-19T09:40:41","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1741"},"modified":"2025-12-01T13:25:12","modified_gmt":"2025-12-01T16:25:12","slug":"o-que-cabe-ao-analista-na-interpretacao-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2021\/07\/19\/o-que-cabe-ao-analista-na-interpretacao-hoje\/","title":{"rendered":"O QUE CABE AO ANALISTA NA INTERPRETA\u00c7\u00c3O HOJE?"},"content":{"rendered":"<h6>APARECIDA ROS\u00c2NGELA SILVEIRA<br \/>\nPsic\u00f3loga e psicanalista, doutora em Psicologia (UFMG)<br \/>\n<span id=\"cloakb31f0939efd528cdedf6980076fbafff\"><a href=\"mailto:silveira.rosangela@uol.com.br\">silveira.rosangela@uol.com.br<\/a><\/span><\/h6>\n<blockquote><p><strong>Resumo:<\/strong>\u00a0Este texto trata do lugar que ocupa a interpreta\u00e7\u00e3o hoje na cl\u00ednica psicanal\u00edtica a partir do \u00faltimo ensino de Lacan. Busca-se elucidar os deslocamentos te\u00f3ricos-cl\u00ednicos produzidos na pr\u00e1tica da interpreta\u00e7\u00e3o. Da escuta do sentido do sintoma \u00e0 leitura do fora de sentido, destaca-se que a interpreta\u00e7\u00e3o opera entre o ser da falta e a fixidez do gozo, entre o saber ler e o bem-dizer do sintoma. Assim, espera-se que do encontro com o analista possam advir sa\u00eddas para o sujeito lidar com o que \u00e9 da ordem de seu mal-estar.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0psican\u00e1lise, interpreta\u00e7\u00e3o, cl\u00ednica.<\/p>\n<p><strong>what is the analyst\u2019s role in interpretation today?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0This text deals with the place that interpretation occupies today in the psychoanalytic clinic from the last teaching of Lacan. This study seeks to elucidate the theoretical-clinical displacements produced in the practice of interpretation. From the listening of symptom sense to reading of what is out of sense, it is highlighted that interpretation operates between the being of lack and the fixity of jouissance, between knowing how to read and the well-spoken of the symptom. Thus, it is expected that the meeting with the analyst may provide solutions for the subject to deal with what is related to his inquietude.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0psychoanalysis, interpretation, practice.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_1742\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/lista4_1-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"600\" data-large_image_height=\"450\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1742\" class=\"wp-image-1742 size-full\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/lista4_1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/lista4_1-1.jpg 600w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/lista4_1-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1742\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e1rio Azevedo, S\/T, 2020\/2021.<\/p><\/div>\n<p>As mudan\u00e7as operadas na cl\u00ednica psicanal\u00edtica a partir dos desdobramentos do \u00faltimo ensino de Lacan convidam-nos para uma importante reflex\u00e3o sobre o lugar que ocupa a interpreta\u00e7\u00e3o hoje e, consequentemente, o que cabe ao praticante da psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana nesse contexto.<\/p>\n<p>Neste texto nos debru\u00e7aremos na interpreta\u00e7\u00e3o em tempos atuais. Faremos um breve percurso no ensino de Lacan em di\u00e1logo com Miller e, finalmente, desenvolveremos uma discuss\u00e3o para pensar os desdobramentos te\u00f3ricos-cl\u00ednicos acerca da interpreta\u00e7\u00e3o na atualidade.<\/p>\n<p>O primeiro ensino de Lacan, aquele do inconsciente estruturado como uma linguagem, per\u00edodo de seu retorno a Freud sob as ins\u00edgnias do movimento estruturalista, permitiu situar o que se nomeiam estruturas cl\u00ednicas como modos de funcionamento ps\u00edquico dos sujeitos. Nesse momento de seu ensino, o sintoma a ser interpretado passa pela cadeia significante. Trata-se de uma mensagem a ser decifrada e agrega um sentido. Um sintoma que busca o bem-dizer da interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em \u201cA dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder\u201d, Lacan (1998), ao propor a quest\u00e3o \u201cQuem analisa hoje?\u201d, aponta que o analista certamente dirige o tratamento, o que n\u00e3o significa dirigir o paciente, e sim fazer com que o sujeito aplique a regra anal\u00edtica, a associa\u00e7\u00e3o livre, e o analista, com suas palavras, pela opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, possa produzir efeito de interpreta\u00e7\u00e3o a partir daquilo que lhe \u00e9 apresentado pelo analisante em atos e coloca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nesse mesmo texto, ele destaca o lugar da interpreta\u00e7\u00e3o e sua a\u00e7\u00e3o a partir do conceito da fun\u00e7\u00e3o significante, assim descrito: \u201c(&#8230;) o conceito da fun\u00e7\u00e3o do significante que capta onde o sujeito se subordina a ele, a ponto de por ele ser subornado\u201d (LACAN, 1998, p. 599). Assim, a interpreta\u00e7\u00e3o age como um deciframento do conte\u00fado que aparece na diacronia das repeti\u00e7\u00f5es inconscientes ao longo da hist\u00f3ria do sujeito e na sincronia dos significantes para possibilitar, do lado do sujeito, uma tradu\u00e7\u00e3o, e que, pela via do significante, a interpreta\u00e7\u00e3o possa produzir algo novo para o sujeito.<\/p>\n<p>Posteriormente, Lacan, ao recolher no texto freudiano o que Freud nomeou restos sintom\u00e1ticos, analisa que o sintoma deve ser interpretado em fun\u00e7\u00e3o de um desejo e que \u00e9 um efeito de verdade do sujeito. Lacan, destaca que h\u00e1 um resto, que se trata do real do sintoma, aquilo que nele se apresenta como sem sentido, que se repete e escapa ao simb\u00f3lico. Destaca-se, nesse momento de seu ensino, a presen\u00e7a de um sintoma, que se inscreve no corpo que n\u00e3o \u00e9 tocado pelo simb\u00f3lico, mas pelo real pulsional, fazendo marcas, esburacando sem fazer hist\u00f3ria e sem fazer mensagem, apenas ve\u00edculo da puls\u00e3o de morte inscrita no corpo. Trata-se do deslocamento do inconsciente transferencial para o inconsciente real, em que se afirma um saber no real que faz furo \u00e0 m\u00e1quina significante (LACAN, 2007).<\/p>\n<p>Miller cita que, a partir dessa virada no ensino de Lacan, ele nomeou gozo um acontecimento de corpo de valor traum\u00e1tico, que n\u00e3o h\u00e1 representa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 regula\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e que retorna sempre ao mesmo lugar.\u00a0 A repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 a mola do real do trauma, o que a estrutura n\u00e3o alcan\u00e7a. H\u00e1 desordem no gozo na medida em que o pensamento n\u00e3o se faz presente, escapa \u00e0 rede de significa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o obedece a essa lei, portanto, inassimil\u00e1vel semanticamente (MILLER, 2012).<\/p>\n<p>No \u00faltimo ensino de Lacan, h\u00e1 a inclus\u00e3o do sinthoma como uma segunda vers\u00e3o do real e sua repeti\u00e7\u00e3o. Em\u00a0<em>O<\/em>\u00a0<em>Semin\u00e1rio, 23: o sinthoma<\/em>, Lacan retoma as dimens\u00f5es imagin\u00e1rio, simb\u00f3lico e real para destacar o real como mola do simb\u00f3lico e convida \u00e0 reflex\u00e3o de como se virar com isso na medida em que em rela\u00e7\u00e3o ao real n\u00e3o h\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o, h\u00e1 o gozo.<\/p>\n<p>A partir desses deslocamentos operados na teoria, pergunta-se o que cabe ao analista na interpreta\u00e7\u00e3o hoje.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A pr\u00e1tica interpretativa<\/em><\/p>\n<p>Assistimos, no ensino de Lacan, a um deslocamento sobre a pr\u00e1tica interpretativa. Se temos, no seu primeiro ensino, a interpreta\u00e7\u00e3o como busca de sentido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei do desejo, em seu \u00faltimo ensino, h\u00e1 o convite para tocar na fixa\u00e7\u00e3o do sujeito n\u00e3o articulada aos significantes, e sim ao gozo, ao que \u00e9 da ordem do traum\u00e1tico, e sua repeti\u00e7\u00e3o. Assim, mudan\u00e7as foram operadas na pr\u00e1tica interpretativa com a inclus\u00e3o da leitura do que se repete para al\u00e9m do sentido, em refer\u00eancia ao real sem lei, que n\u00e3o tem ordem: \u201c(&#8230;) um peda\u00e7o de real\u201d (LACAN, 2007, p.133).<\/p>\n<p>Com essa interpreta\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do sentido, busca-se tocar o real pulsional, que escapa ao simb\u00f3lico. N\u00e3o h\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o de sentido que toque nesse real que se inscreve no corpo e promova um desvio do gozo.<\/p>\n<p>A partir dos desdobramentos do ensino de Lacan, instaura-se um campo cl\u00ednico em que a pr\u00e1tica interpretativa se desloca da escuta do sentido \u00e0 leitura do fora de sentido, sem, contudo, excluir a escuta do sentido. Do lado do analista, isso promove tocar o real, o modo de gozo, para al\u00e9m do \u00e9dipo e da opera\u00e7\u00e3o de recalcamento, em uma delicada cl\u00ednica que inclui a presen\u00e7a de um vazio em que n\u00e3o se inscrevem palavras. A partir desse lugar, o analista se encontra em posi\u00e7\u00e3o de validar o sujeito, a mensagem que vem dele, o seu sofrimento e o seu mal-estar que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se inscrever. A palavra do analista tem uma fun\u00e7\u00e3o apaziguadora e sua interven\u00e7\u00e3o tem efeito de interpreta\u00e7\u00e3o. Do lado do analisante, o que se coloca no horizonte \u00e9 a abertura para as inven\u00e7\u00f5es como forma de lidar com seu mal-estar.<\/p>\n<p>Miller (2012), ao tratar da instaura\u00e7\u00e3o do novo campo cl\u00ednico no ensino de Lacan, promove uma reflex\u00e3o em que se destaca a defasagem entre o que se escuta e o que se diz, que se compreende, que se comunica e que se apresenta como proposi\u00e7\u00e3o de verdade. Ele nos lembra de que h\u00e1 duas dimens\u00f5es no dito: o que alcan\u00e7a o ouvido e o que nele \u00e9 compreendido e a defasagem entre o que se escreve e o que se l\u00ea. Aponta que o lugar da interpreta\u00e7\u00e3o est\u00e1 na defasagem entre escutar e dizer, entre escrever e ler.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trataria de uma interpreta\u00e7\u00e3o suplementar, mas de considerar a exist\u00eancia de uma m\u00e1quina de interpreta\u00e7\u00f5es, com regras: a homofonia do lado da escuta da fala e o anagrama (as letras) para o que se inscreve. Escritura e leitura est\u00e3o ligadas. \u00a0Contudo, destaca Lacan que afirma a exist\u00eancia de um escrito para n\u00e3o ser lido. Nas palavras de Miller: \u201c(&#8230;) talvez haja no escrito algo mais ou algo mais distinto do significante\u201d (MILLER, 2012, p. 6). A letra separa o significante do significado, sendo a letra o significante sem valor de significa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma escritura na fala em que a letra \u00e9 decifrada como criptograma inscrito a partir de uma l\u00edngua perdida a ser constitu\u00edda.<\/p>\n<p>Nesse sentido, cabe \u00e0 pr\u00e1tica interpretativa fazer uma opera\u00e7\u00e3o de leitura do escrito separado do seu valor de significa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um gozo que se encontra sem um significante adequado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o. Trata-se do gozo do Um, inscrito no encontro da letra com o corpo, lal\u00edngua.<\/p>\n<p>Como pensar ent\u00e3o a interpreta\u00e7\u00e3o que inclua lal\u00edngua? A partir de Miller (2012), a interpreta\u00e7\u00e3o implica ultrapassar a rela\u00e7\u00e3o daquilo que se escuta no que se diz. Saber ler o que est\u00e1 na escritura, que aponta no dizer para algo singular do sujeito, pela via do pertencimento: a fala \u00e9 dele, na dimens\u00e3o da lal\u00edngua e seus equ\u00edvocos pela via do gozo, em sua finalidade distinta da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de lal\u00edngua significa dizer que o psicanalista n\u00e3o se encontra em n\u00edvel de comunica\u00e7\u00e3o, como se situa a interpreta\u00e7\u00e3o de sentido. Nesse sentido, Miller recorre a Lacan, em \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem\u201d, \u00e0 express\u00e3o resson\u00e2ncia de fala e convida-nos, atrav\u00e9s desta, para restituir o valor de evoca\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o apenas comunica\u00e7\u00e3o direta e informa\u00e7\u00e3o. Para ele, resson\u00e2ncia \u00e9 \u201c(&#8230;) uma propriedade da fala que consiste em fazer escutar o que ela n\u00e3o diz\u201d (<em>Ibid<\/em>., p. 18). A resson\u00e2ncia aponta para a presen\u00e7a do significante no destino do sujeito, a palavra como aparelho do gozo, assim como se refere Lacan (1985) no\u00a0<em>Semin\u00e1rio 20: Mais, ainda<\/em>.<\/p>\n<p>Miller (2015) aponta que a leitura do sintoma vai em dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 da interpreta\u00e7\u00e3o do sentido, ou seja, \u00e9 privar o sintoma de sentido. Passa-se \u00e0 leitura do fora de sentido. Ainda afirma Miller: \u201cA disciplina da leitura visa a materialidade da escrita, isto \u00e9, a letra, na medida em que ela produz o acontecimento de gozo que determina a forma\u00e7\u00e3o dos sintomas\u201d (p. 21). Aqui se apresenta uma dupla visada da interpreta\u00e7\u00e3o. H\u00e1 a interpreta\u00e7\u00e3o de sentido daquilo que se escuta, mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso saber ler o sintoma visando a um \u201cchoque inicial, o que \u00e9 como um\u00a0<em>clin\u00e2men<\/em>\u00a0do gozo\u201d (<em>Ibid<\/em>.), um desvio do gozo.<\/p>\n<p>Portanto, a interpreta\u00e7\u00e3o como saber ler o sintoma implica uma redu\u00e7\u00e3o do sintoma \u00e0 sua origem, que se trata do encontro material do significante com o corpo. A interpreta\u00e7\u00e3o como saber ler visa a reduzir o sintoma ao choque da linguagem sobre o corpo, ou seja, o trauma do corpo pela entrada do significante, destacando aqui que o trauma se experimenta sempre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de absor\u00e7\u00e3o que o corpo tem, um acontecimento de corpo. Nesse sentido, a interpreta\u00e7\u00e3o busca perturbar a fixidez do gozo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 inven\u00e7\u00e3o do sujeito em constru\u00e7\u00e3o de sa\u00edda poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Na interpreta\u00e7\u00e3o, hoje, \u00e9 preciso tocar o gozo do ser falante, o significante que opera fora do sentido. Como afirma Miller (2015), a leitura do sintoma vai em dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 infla\u00e7\u00e3o de sentido, al\u00e9m do enquadre edipiano e se deparando com o enquadre da topologia borromeana, novo estatuto na rela\u00e7\u00e3o entre Real, Imagin\u00e1rio e Simb\u00f3lico, em que a interpreta\u00e7\u00e3o passa \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do sem sentido.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Conclus\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>A t\u00edtulo de finaliza\u00e7\u00e3o, retomamos a pergunta central do texto: o que cabe ao analista na interpreta\u00e7\u00e3o hoje?<\/p>\n<p>Partindo do princ\u00edpio de que o saber ler na pr\u00e1tica anal\u00edtica completa o bem-dizer, do lado do analista, trata-se de que o bem-dizer e o saber ler se transfiram para o analisante, que ele possa bem-dizer e saber ler o seu sintoma rumo \u00e0s inven\u00e7\u00f5es que possam fazer borda, fazer contorno ao gozo do sintoma.<\/p>\n<p>Advertidos por Lacan que um sintoma deve ser interpretado em seu sentido, mas que h\u00e1 um resto sintom\u00e1tico, nomeado por ele Real, que faz resson\u00e2ncia, os analistas devem interpretar do lugar onde a pr\u00e1tica psicanal\u00edtica opera, entre escuta e leitura, entre o ser da falta e a fixidez do gozo para o qual n\u00e3o h\u00e1 resposta, mas que as palavras, do encontro com o analista, possam advir para que o sujeito possa lidar com o que \u00e9 da ordem do real que escapa \u00e0 significa\u00e7\u00e3o e que produz mal-estar.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1972-1973]).\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/strong>: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1975-76).\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/strong>:\u00a0o Sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1958). A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder. In:\u00a0<strong>Escritos<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. O escrito na fala. In:\u00a0<strong>Op\u00e7\u00e3o lacaniana Online Nova S\u00e9rie<\/strong>. Ano 3, N. 8, 2012.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. O inconsciente real. In:\u00a0<strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/strong>. N. 4, Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/n4\/pdf\/artigos\/JAMIncons.pdf. Acesso em abril de 2021.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. Progressos Em Psican\u00e1lise Bastante Lentos.\u00a0<strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/strong>, n. 64, Ano 2012. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.ebp.org.br\/old\/publicacoes\/opc%CC%A7a%CC%83o-lacaniana-64\/ Acesso em maio 2021.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. Ler um sintoma.\u00a0<strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/strong>. Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise. N. 70, 2015.\u00a0Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_8\/O_escrito_na_fala.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_8\/O_escrito_na_fala.pdf<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>APARECIDA ROS\u00c2NGELA SILVEIRA Psic\u00f3loga e psicanalista, doutora em Psicologia (UFMG) silveira.rosangela@uol.com.br Resumo:\u00a0Este texto trata do lugar que ocupa a interpreta\u00e7\u00e3o hoje na cl\u00ednica psicanal\u00edtica a partir do \u00faltimo ensino de Lacan. Busca-se elucidar os deslocamentos te\u00f3ricos-cl\u00ednicos produzidos na pr\u00e1tica da interpreta\u00e7\u00e3o. Da escuta do sentido do sintoma \u00e0 leitura do fora de sentido, destaca-se que&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57889,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-1741","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-27","category-23","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1741"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57890,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1741\/revisions\/57890"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}