{"id":1771,"date":"2021-07-19T06:40:41","date_gmt":"2021-07-19T09:40:41","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1771"},"modified":"2025-12-01T13:28:05","modified_gmt":"2025-12-01T16:28:05","slug":"o-que-faz-um-marca12","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2021\/07\/19\/o-que-faz-um-marca12\/","title":{"rendered":"O QUE FAZ UM, MARCA[1][2]"},"content":{"rendered":"<h6>Paula Husni<br \/>\nMembro da Escuela de Orientaci\u00f3n Lacaniana EOl\/AMP |<br \/>\n<span id=\"cloak6d636e6725a458b6cac474f6ed723f51\"><a href=\"mailto:paulahus@gmail.com\">paulahus@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<blockquote><p><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>A autora faz refer\u00eancia ao encontro de Lilia Mahjoub-Trobas com Lacan e os efeitos de uma interven\u00e7\u00e3o do analista que toca o corpo, ressoa e faz eco perturbando as defesas e inserindo um menos. Com seu corpo, o analista inscreve uma hi\u00e2ncia ao se prestar a representar o n\u00e3o simboliz\u00e1vel do gozo. O analista adv\u00e9m no lugar do trauma ao provocar um vazio, o Um a menos que instaura a presen\u00e7a da falha da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Palavras-chave: corpo, analista traum\u00e1tico, Um a menos, gozo.<\/p>\n<p><strong>What does one, signs<\/strong><\/p>\n<p><strong>ABSTRACT:\u00a0<\/strong>The author makes reference to the encounter between Lilia Mahjoub-Trobas and Lacan and the effects of an intervention by the analyst that touches the body, resonates and echoes, disturbing defenses and inserting a minus. With his body, the analyst inscribes a gap, as he lends himself to representing the non-symbolizable of jouissance. The analyst takes the place of trauma by provoking an emptiness, the One less he introduces the presence of the failure of the non-sexual relationship.<\/p>\n<p><strong>Keywords<\/strong>: body, traumatic analyst, One less, jouissance.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_1772\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/caligrafias_8.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"600\" data-large_image_height=\"454\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1772\" class=\"wp-image-1772 size-full\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/caligrafias_8.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/caligrafias_8.jpg 600w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/caligrafias_8-300x227.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1772\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e1rio Azevedo, S\/T, 2020\/2021.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><em>\u201cNada gera mais velocidade que aquilo que det\u00e9m\u201d<br \/>\n<\/em>(MILLER, 1998, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em uma pequena nota, anterior ao come\u00e7o do semin\u00e1rio \u201c<em>Los signos del goce<\/em>\u201d (MILLER, 1998), encontramos um esclarecimento a respeito dos diversos equ\u00edvocos poss\u00edveis em torno do t\u00edtulo desse semin\u00e1rio em franc\u00eas \u2014\u00a0<em>Ce qui fait insigne<\/em>. Recorri a esse ponto para o t\u00edtulo do meu coment\u00e1rio incluindo uma mai\u00fascula ao Um.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse mesmo semin\u00e1rio que Jacques-Alain Miller assinala que, diferente do h\u00e1bito que indica sempre o mesmo, o que faz ins\u00edgnia \u00e9 o que faz que um n\u00e3o caminhe do parecido ao mesmo e abre o encontro com o que manca.<\/p>\n<p>Penso que a interven\u00e7\u00e3o escolhida do caso de Lilia Mahjoub-Trobas segue essa l\u00f3gica apresentando um \u201cencontro que p\u00f4s fim a uma s\u00e9rie\u201d (1995. p. 31) e produzindo um trope\u00e7o nesse caminho que ia do parecido ao mesmo. Efetivamente, pr\u00e9vio ao seu encontro com Lacan, relata oito tentativas malsucedidas, que n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m da primeira entrevista ou de uma liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica. Todos sob um denominador comum: ningu\u00e9m a cobra.<\/p>\n<p>O que \u00e9 que faz, do encontro com Lacan, Um que n\u00e3o faz s\u00e9rie sen\u00e3o que a det\u00e9m, descompletando-a?<\/p>\n<p>Tomarei a interven\u00e7\u00e3o a partir de seus efeitos: existe a experi\u00eancia de um vazio que descompleta uma s\u00e9rie e que persiste depois de ter deixado o analista. Isso verifica que o corpo foi tocado e que isso ressoa e faz eco; presen\u00e7a que perturba, que transtorna.<\/p>\n<p>Proponho pensar que o que permite a opera\u00e7\u00e3o de esvaziamento \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o do analista no corpo representando o n\u00e3o simboliz\u00e1vel do gozo. \u00c9 o vazio que instaura essa presen\u00e7a, o que retroativamente marca o Um a menos.<\/p>\n<p>Lacan, no\u00a0<em>Semin\u00e1rio, livro 19: &#8230; ou pior<\/em>\u00a0(1971-72\/2012), distingue o Um da s\u00e9rie, da repeti\u00e7\u00e3o, do Um que \u00e9 marcado como tal a partir da inscri\u00e7\u00e3o de um vazio.<\/p>\n<p>O Um que se repete faz s\u00e9rie, contabiliza, mant\u00e9m o corpo adormecido em um devir sincopado. A rasteira que subtrai interrompendo a contagem faz trope\u00e7ar e transtorna o corpo.<\/p>\n<p>Nesse mesmo Semin\u00e1rio, estabelece que \u201co primeiro passo da experi\u00eancia anal\u00edtica \u00e9 introduzir nela o Um, como o analista que se \u00e9\u201d (LACAN, 1971-72\/2012, p. 123).<\/p>\n<p>E acrescenta: \u201cQuando algu\u00e9m me procura no meu consult\u00f3rio pela primeira vez (&#8230;) o importante \u00e9 a confronta\u00e7\u00e3o de corpos. \u00c9 justamente por isso partir desse encontro de corpos que este n\u00e3o entra mais em quest\u00e3o, a partir do momento em que entramos no discurso anal\u00edtico\u201d (LACAN, 1971-72\/2012, p. 220).<\/p>\n<p>Esse movimento se vislumbra muito bem em uma par\u00e1bola do caso em tr\u00eas movimentos precisos:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o fez coment\u00e1rios quando lhe disse o que havia acontecido com aqueles a quem havia encontrado antes dele. Mas n\u00e3o manifestou nenhuma indiferen\u00e7a. Chegou um pouco mais perto \u2014 estava realmente muito perto\u201d (MAHJOUB-TROBAS, 1995, p. 35, tradu\u00e7\u00e3o nossa), afirma Lilia.<\/p>\n<p>A m\u00e3o \u00e9 estendida junto com as frases: \u201cVoc\u00ea me dar\u00e1 algo\u201d e, depois, \u201cD\u00ea-me o que tem\u201d.<\/p>\n<p>No final do relato, situa-se bem esse ponto em que o corpo pode ser subtra\u00eddo: \u201cVim ontem, mas voc\u00ea n\u00e3o p\u00f4de me receber, estava de cama. Como! \u2014 me disse \u2014, claro que eu podia receb\u00ea-la!\u201d (MAHJOUB-TROBAS, 1995, p. 35, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<p>Irei me deter no segundo tempo. Aquele que, junto com essa m\u00e3o, desse corpo, instaura uma diferen\u00e7a com o resto da s\u00e9rie, subtrai em ato, subtra\u00e7\u00e3o no real. O que faz furo no saco para que haja Um (LACAN, 1971-72\/2012).<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea me dar\u00e1 algo\u201d marca o instante que funda a inscri\u00e7\u00e3o de uma cess\u00e3o de gozo. \u201cD\u00ea-me o que tem\u201d \u00e9, por outro lado, uma frase que se presta ao equ\u00edvoco. Para dar o que n\u00e3o se tem a quem n\u00e3o o \u00e9 (LACAN, 1960-61\/2010) \u00e9 preciso, primeiro, instaurar uma hi\u00e2ncia que produza um menos.<\/p>\n<p>O sentido fica do lado do analisante, est\u00e1 claro. O analista d\u00e1 um corpo a esse significante que o representa (LACAN, 2011).<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o pode muito bem ser lida sob as coordenadas do analista traum\u00e1tico. Um analista que reduplica o efeito traum\u00e1tico da imers\u00e3o do sujeito na linguagem j\u00e1 que \u201ccomporta, em seu centro, uma n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o. (&#8230;) o analista ocupa o lugar da perda essencial do objeto. (&#8230;) ele consegue estar, ele pr\u00f3prio, no lugar do trauma\u201d (LAURENT, 2004, p. 26).<\/p>\n<p>O caso ilustra que, para que o analista advenha no lugar do trauma que descompleta o simb\u00f3lico, deve se produzir uma hi\u00e2ncia trazendo aquilo que n\u00e3o \u00e9 do mesmo n\u00edvel que a palavra: o corpo. Com seu ato, faz existir o que n\u00e3o existe (MILLER, 2003, p. 42) para fazer da falha estrutural da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual um vazio que permita instalar a transfer\u00eancia a partir do Um a menos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Renata Mendon\u00e7a<\/h6>\n<h6><strong>Revis\u00e3o:<\/strong>\u00a0Julia Bu\u00e9re<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1960-61)\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, livro 8: a Transfer\u00eancia<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1971-72)\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, livro 19: &#8230;ou pior<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1971-72)\u00a0<strong>Estou falando com as paredes: conversas na Capela de Sainte Anne<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2011.<\/h6>\n<h6>LAURENT, E. \u201cO trauma ao avesso\u201d.\u00a0<em>In<\/em>:\u00a0<strong>Pap\u00e9is de Psican\u00e1lise<\/strong>, Belo Horizonte: Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, n. 1, v. 1, 2004, p. 21-28.<\/h6>\n<h6>MAHJOUB-TROBAS, L. \u201cEl encontro com el Outro em la serie de los analistas\u201d.\u00a0<em>In<\/em>:\u00a0<strong>\u00bfConoce usted Lacan?<\/strong>\u00a0Barcelona: Paid\u00f3s, 1995.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A.\u00a0<strong>La experiencia de lo real en la cura psicoanal\u00edtica<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2003.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A.\u00a0<strong>Los signos del goce<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 1998.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/paula-husni#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Texto originalmente publicado na Revista Lacaniana, n. 25, ano XIII, nov. 2018.<\/h6>\n<h6>[2]\u00a0Em portugu\u00eas\u00a0 se perde o uso deste equ\u00edvoco homof\u00f4nico, poss\u00edvel em espanhol, entre<em>\u00a0Insigne<\/em>\u00a0e<em>\u00a0Lo que hace Un<\/em>, s<em>igna<\/em>\u00a0 do qual a autora se vale no t\u00edtulo.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula Husni Membro da Escuela de Orientaci\u00f3n Lacaniana EOl\/AMP | paulahus@gmail.com Resumo:\u00a0A autora faz refer\u00eancia ao encontro de Lilia Mahjoub-Trobas com Lacan e os efeitos de uma interven\u00e7\u00e3o do analista que toca o corpo, ressoa e faz eco perturbando as defesas e inserindo um menos. 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