{"id":1828,"date":"2022-03-19T06:41:12","date_gmt":"2022-03-19T09:41:12","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1828"},"modified":"2025-12-01T13:16:24","modified_gmt":"2025-12-01T16:16:24","slug":"1828-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2022\/03\/19\/1828-2\/","title":{"rendered":"FEN\u00d4MENO E ACONTECIMENTO DE CORPO[1]\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6>S\u00c9RGIO DE CAMPOS<br \/>\nPsicanalista, Analista Membro da Escola. EBP\/AMP<br \/>\n<a href=\"mailto:sergiodecampos1@gmail.com\"><span id=\"cloak6ae3659bb71c7f9c51b45a68fb28c349\">sergiodecampos1@gmail.com<\/span><\/a><\/h6>\n<blockquote><p><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>O autor trabalha a diferen\u00e7a entre os conceitos de fen\u00f4meno de corpo e acontecimento de corpo, o primeiro, um gozo que se inscreve como traumatismo e que poder\u00e1, ou n\u00e3o, ganhar o estatuto de acontecimento de corpo.\u00a0 Para tra\u00e7ar essa diferen\u00e7a, explora as no\u00e7\u00f5es -indissoci\u00e1veis- de corpo e gozo, dado que o corpo vivo surge como a persist\u00eancia de uma letra de gozo, um corpo consequ\u00eancia de marcas, tra\u00e7os, inscri\u00e7\u00f5es e acontecimentos contingentes. Al\u00e9m disso, apresenta tr\u00eas exemplos de acontecimentos de corpo: em Schreber, na rela\u00e7\u00e3o de James Joyce e Nora e em um fragmento de sua pr\u00f3pria an\u00e1lise.<\/p>\n<p><strong>Palavras chaves<\/strong>: fen\u00f4meno, acontecimento de corpo, gozo, corpo, sinthoma<\/p>\n<p><strong>BODY PHENOMENON AND BODY EVENT<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract:\u00a0<\/strong>In this essay, the author discusses the difference between the concepts of body phenomenon and body event. The first, a jouissance that is inscribed as a trauma and that may, or may not, gain the status of a body event.\u00a0 To trace this difference, he explores the -indissociable- notions of body and jouissance, since the living body is the persistence of a jouissance letter &#8211; a body that is a consequence of marks, traces, inscriptions, and contingent events. Moreover, he presents three examples of body events: in Schreber, in James Joyce and Nora&#8217;s relationship, and in a fragment of his own analysis.<\/p>\n<p><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>phenomenon, body event, jouissance, body, sinthome<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_1829\" style=\"width: 505px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/summer.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"495\" data-large_image_height=\"685\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1829\" class=\"wp-image-1829 \" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/summer-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"597\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1829\" class=\"wp-caption-text\">Desali. Noia summer please corona<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 sempre oportuno precisarmos e diferenciarmos os conceitos de fen\u00f4menos de corpo e os acontecimentos de corpo. Nesse sentido, tem-se que a palavra fen\u00f4meno, de etimologia grega, deriva da palavra\u00a0<em>phainomenon<\/em>\u00a0\u2014 o nome do brilho \u2014, portanto, tudo o que pode ser observado pelos nossos sentidos e descrito no plano do conhecimento.<\/p>\n<p>Os fen\u00f4menos de corpo, por sua vez, s\u00e3o frequentes e comuns. Os campos da psican\u00e1lise est\u00e3o repletos de fen\u00f4menos de corpo, desde as hist\u00e9ricas de Freud, como Ana O., Dora e Elizabeth von R., com os seus quadros som\u00e1ticos, dissociativos e conversivos; passando pelos dismorfismos corporais, tais como a anorexia, a bulimia e a obesidade; alcan\u00e7ando os fen\u00f4menos psicossom\u00e1ticos; e, por fim, os fen\u00f4menos de corpo que ocorrem nas psicoses, tais como as alucina\u00e7\u00f5es de todos os tipos e os del\u00edrios cenest\u00e9sicos e hipocondr\u00edacos. Desse modo, podemos concluir que os fen\u00f4menos de corpo, assim como os acontecimentos de corpo, t\u00eam lugar tanto nas neuroses quanto nas psicoses.<\/p>\n<p>Na segunda cl\u00ednica, Lacan migra do paradigma de o<em>\u00a0isso<\/em>\u00a0fala para o<em>\u00a0isso<\/em>\u00a0goza e que o real do inconsciente \u00e9 o corpo falante. Logo, o corpo n\u00e3o \u00e9 mais derivado do est\u00e1dio do espelho, da imagem do corpo, de sombras e de reflexos, mas da corporiza\u00e7\u00e3o da imagem, de uma imagem corporificada. Com fins de sair do dualismo de Descartes, Lacan prop\u00f5e a subst\u00e2ncia gozante para unir a\u00a0<em>res cogitans<\/em>\u00a0e a\u00a0<em>res extensas<\/em>, de sorte a produzir o corpo falante, resultando em uma m\u00f4nada, como uma m\u00e1xima do monismo, que ele traduz como mist\u00e9rio. Em seu \u00faltimo ensino, Lacan retira a relev\u00e2ncia das estruturas cl\u00ednicas ao propor o conceito de\u00a0<em>falasser<\/em>. Os fen\u00f4menos de corpo podem ser lidos como sinais de que o<em>\u00a0UOM<\/em>\u00a0tem um corpo e que\u00a0<em>isso<\/em>\u00a0goza.<\/p>\n<p>Seguindo a an\u00e1lise, os fen\u00f4menos de corpo podem ser fugazes, transit\u00f3rios ou permanentes, via de regra s\u00e3o fora de sentido, como a famosa dor sem raz\u00e3o encarnada e permanente da fibromialgia, ou podem estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de nexo causal, como no epis\u00f3dio no qual Dora \u00e9 assediada pelo sr. K. Assim, a sensa\u00e7\u00e3o de press\u00e3o no t\u00f3rax (que Freud compreende como deslocada) no caso de Dora, logo ap\u00f3s o sr. K. pressionar o seu ventre com o membro ereto.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>A corporifica\u00e7\u00e3o ou incorpora\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Na segunda cl\u00ednica, Lacan dispensa suas refer\u00eancias concernidas ao est\u00e1dio do espelho com a finalidade de usar o conceito de corpo como gozo. Lacan recorre ao texto de Freud \u201cBate-se numa crian\u00e7a\u201d, em raz\u00e3o de que esse postulado n\u00e3o se produz pelo efeito de verdade, mas pelo efeito de gozo. Logo, como significa\u00e7\u00e3o absoluta, a fantasia se desequilibra e se capta pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o mais como efeito de verdade, mas como efeito de afeto. Portanto, o significante \u00e9 incorporado como afeto, como um afeto de gozo.<\/p>\n<p>O conceito de gozo \u00e9, portanto, indispens\u00e1vel para se cogitar algo sobre o corpo, visto que \u00e9 necess\u00e1rio ter um corpo para gozar. Nesse sentido, ambos os conceitos s\u00e3o indissoci\u00e1veis, pois apenas um corpo pode gozar. Se o significante n\u00e3o necessita se apoiar em um corpo, mas em uma letra, \u00e9 necess\u00e1rio que o gozo se manifeste em um corpo (MILLER, 1998, p. 93).<\/p>\n<p>Ademais, Lacan leva em conta o conceito de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>\u00a0como um furo disjunto da linguagem, que antecede \u00e0 fala e ao vern\u00e1culo, uma vez que encarna o gozo e produz um corpo vivo. Assim, o corpo vivo surge como a persist\u00eancia de uma letra de gozo e passa a ser condi\u00e7\u00e3o para tal. Logo, o corpo \u00e9 consequ\u00eancia de marcas, tra\u00e7os, inscri\u00e7\u00f5es e acontecimentos contingentes, frutos da jun\u00e7\u00e3o entre\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>\u00a0e os afetos que se incorporam.<\/p>\n<p>Com a finalidade de debater sobre como se faz um corpo, \u00e9 necess\u00e1rio levar em considera\u00e7\u00e3o o conceito de gozo. O\u00a0<em>parl\u00eatre\u00a0<\/em>experimenta o gozo em si: tanto o gozo do Um como o gozo do Outro. Se, por um lado, o gozo do Outro \u00e9 conectado ao Outro sexo, o gozo do Um \u00e9 solit\u00e1rio e assexuado. Logo, a rela\u00e7\u00e3o do gozo do Um ao gozo do Outro sexo \u00e9 disfuncional, visto que \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d. Aqui, o axioma \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d denota que o gozo do Um \u00e9 sempre solit\u00e1rio e ele se encontra com o gozo do Outro apenas sob o regime da conting\u00eancia (MILLER, 2003, p. 275).<\/p>\n<p>Miller destaca que o gozo do Um \u00e9 parasit\u00e1rio e se manifesta de diversas formas, por diferentes meios. O gozo do Um \u00e9 conexo ao corpo pr\u00f3prio e n\u00e3o faz par, pois \u00e9 sempre o corpo que goza e o gozo como Um n\u00e3o depende de uma rela\u00e7\u00e3o com o Outro.<\/p>\n<p>A cada uma das tentativas, imagin\u00e1rio, simb\u00f3lico e real se revelam como insuficientes, mesmo porque o objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0se revela como um semblante. No\u00a0<em>Semin\u00e1rio<\/em>\u00a0<em>20<\/em>, Lacan descobre que o objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0n\u00e3o consegue dar conta do gozo, visto que ele \u00e9 um falso real que, em si, \u00e9 um semblante. Ent\u00e3o, a conclus\u00e3o de Lacan \u00e9 que o gozo n\u00e3o se reduz ao desejo, nem ao falo, tampouco ao objeto<em>\u00a0a<\/em>\u00a0(MILLER, 2009, p. 274).<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio\u00a0<em>Mais, ainda<\/em>, Lacan coloca em quest\u00e3o o conceito de linguagem, que passa a ser considerado um conceito derivado, e n\u00e3o origin\u00e1rio, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>\u00a0\u2014 que \u00e9 a fala antes do seu ordenamento sem\u00e2ntico, gramatical e lexicogr\u00e1fico. Assim, Lacan, ao questionar o conceito de fala e linguagem, afirma que n\u00e3o h\u00e1 linguagem como comunica\u00e7\u00e3o, apenas como gozo. No ensino de Lacan, o gozo era sempre secund\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao significante. Entretanto, o gozo sendo conduzido a uma rela\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria nesse\u00a0<em>Semin\u00e1rio,<\/em>\u00a0a linguagem, que era considerada prim\u00e1ria, surge como secund\u00e1ria e derivada. O que Lacan chama de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>\u00a0\u00e9 a fala como disjunta da estrutura de linguagem, que aparece como derivada e efeito dessa atividade primeira e separada da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desse modo, Lacan isolou o conceito de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>\u00a0aqu\u00e9m da linguagem, aqu\u00e9m dos efeitos de significa\u00e7\u00e3o.\u00a0<em>Lal\u00edngua\u00a0<\/em>serve para muitas coisas diferentes da comunica\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, Lacan a localiza no n\u00edvel homog\u00eaneo ao do inconsciente e mais aqu\u00e9m da linguagem, a qual se expressa como gozo; ela \u00e9 um significante que est\u00e1 reduzido ao Um \u2014 S1 \u2014 e n\u00e3o se articula ao S2 em sua fun\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o de sujeito. Portanto, o significante n\u00e3o \u00e9 funcional para a comunica\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 usado para gozar.\u00a0<em>Lal\u00edngua<\/em>\u00a0est\u00e1 inclu\u00edda no pensamento e permanece indecisa entre o fonema e a palavra (<em>Ibidem<\/em>, p. 334).<\/p>\n<p>Se a finalidade da psican\u00e1lise \u00e9 modificar o modo de gozo, cabe indagar como o significante opera sobre o gozo. Nesse sentido, a muta\u00e7\u00e3o de gozo \u00e9 o objetivo do processo anal\u00edtico, cujo par significante e significado constitui uma abordagem parcial do gozo. Em raz\u00e3o disso, Lacan inventou o conceito de<em>\u00a0lal\u00edngua<\/em>\u00a0como um furo no \u00e2mbito da linguagem. Logo, a linguagem \u00e9 o fruto de uma elucubra\u00e7\u00e3o de saber, de modo que ela \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o a partir de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>\u00a0e orientada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 significa\u00e7\u00e3o (<em>Ibid<\/em>., p. 271). Portanto, para dar conta do gozo, \u00e9 necess\u00e1rio arrancar o efeito de significa\u00e7\u00e3o e substitu\u00ed-lo por\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>.<\/p>\n<p>A partir disso, a fala como comunica\u00e7\u00e3o, o conceito do grande Outro, o Nome do Pai, o s\u00edmbolo f\u00e1lico se desfazem e se reduzem apenas ao estatuto de semblantes e acabam por ser reduzidos a uma fun\u00e7\u00e3o de grampo entre elementos disjuntos. O paradigma da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o traduz a disjun\u00e7\u00e3o entre o significante e o significado, o gozo e o Outro e o homem e a mulher sob a f\u00f3rmula de que \u201ca rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe\u201d. Assim, todos os termos considerados primordiais na obra de Lacan e que eram denominados transcendentais \u2014 visto que condicionavam toda a sorte de experi\u00eancias e princ\u00edpios da pr\u00e1tica e garantiam a grande conjun\u00e7\u00e3o e harmonia entre elementos como o Nome-do-pai, o Outro e o falo ficam reduzidos a conectores. Ent\u00e3o, o que era da ordem transcendental se torna uma pragm\u00e1tica social. A figura que pode representar esse paradigma s\u00e3o dois c\u00edrculos de Euler indexados pela disjun\u00e7\u00e3o, cuja intersec\u00e7\u00e3o \u00e9 vazia e que \u00e9 pass\u00edvel de ser conectada por intercessores variados capazes de fazer supl\u00eancia, os quais Lacan denominou sintoma.<\/p>\n<p>Vale dizer que o Semin\u00e1rio\u00a0<em>Mais, ainda<\/em>\u00a0radicaliza o conceito de n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o e que, portanto, faz vacilar o conceito de estrutura, j\u00e1 que ela nada mais \u00e9 do que uma variedade de articula\u00e7\u00f5es e de rela\u00e7\u00f5es, o que, em s\u00edntese, a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o amplia e aprofunda uma mudan\u00e7a total de paradigma. Nesse sentido, o semin\u00e1rio abole o conceito de estrutura e outros tipos de rela\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Lacan abandona, ent\u00e3o, o sistema de significa\u00e7\u00e3o com a finalidade de dar conta do efeito de gozo, de modo que ele o substitui pelo n\u00f3 borromeano, capaz de enodar os tr\u00eas registros (RSI). Para tal, Lacan coloca o inconsciente como um dejeto da elabora\u00e7\u00e3o freudiana, como inconsciente real. Ademais, a interpreta\u00e7\u00e3o ganha uma nova abordagem fora do sistema de significa\u00e7\u00e3o, como perturba\u00e7\u00e3o da defesa.<\/p>\n<p>Se Lacan destaca que, no in\u00edcio, est\u00e1 o significante, no\u00a0<em>Semin\u00e1rio 20<\/em>, ele segue seu caminho inverso, j\u00e1 que parte da ideia de que o gozo \u00e9 um fato. Assim, h\u00e1 um retorno \u00e0 Coisa, com a finalidade de reduzi-la ao objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0e torn\u00e1-lo manej\u00e1vel. O ponto de partida dessa perspectiva n\u00e3o \u00e9 \u201ca rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe\u201d, mas, ao contr\u00e1rio, \u00e9 que H\u00e1 Um. H\u00e1 gozo. At\u00e9 o semin\u00e1rio\u00a0<em>Mais, ainda<\/em>, havia uma satisfa\u00e7\u00e3o que adv\u00e9m do fato de falar para um analista e que isso produz efeitos de verdade. Agora, a perspectiva \u00e9 outra, pois se parte da premissa de que h\u00e1 gozo como propriedade de um corpo vivo e que o gozo se relaciona unicamente ao corpo vivo. Enfim, s\u00f3 h\u00e1 psican\u00e1lise de um corpo vivo e que fala.<\/p>\n<p>Lacan relata que o corpo falante \u201c\u00e9 o que merece ser qualificado de mist\u00e9rio\u201d. A psican\u00e1lise se dedica \u00e0 subst\u00e2ncia do corpo, com a condi\u00e7\u00e3o de que ela se defina apenas como aquilo de que se goza. Logo, a passagem do\u00a0<em>isso fala<\/em>\u00a0para\u00a0<em>isso goza<\/em>\u00a0implica uma disjun\u00e7\u00e3o entre o gozo e o Outro, instaurando a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o entre eles. Ent\u00e3o, temos o gozo do Um-totalmente s\u00f3, separado do Outro. Logo, todo gozo efetivo, todo gozo material \u00e9 gozo Uno, quer dizer, gozo do corpo pr\u00f3prio. Enfim, sempre \u00e9 o corpo pr\u00f3prio quem goza, por qualquer que seja o meio. O gozo, como tal, \u00e9 gozo Uno. \u00c9 o reino do gozo do Um.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Fen\u00f4menos e acontecimento de corpo<\/em><\/p>\n<p>O fen\u00f4meno de corpo \u00e9 um gozo que se inscreve como traumatismo, como choque do significante, de maneira contingente. Em \u201cLa Conversaci\u00f3n\u201d, Miller (2016) destacou v\u00e1rios fen\u00f4menos anormais, paradoxais e insensatos, cuja persist\u00eancia adquire a fun\u00e7\u00e3o de supl\u00eancias \u00e0 foraclus\u00e3o do Nome-do-pai.<\/p>\n<p>Miller nos adverte que \u00e9 apenas quando um fen\u00f4meno de corpo adquire perman\u00eancia e consist\u00eancia e ordena a vida do\u00a0<em>parl\u00eatre<\/em>\u00a0que ele ganha o estatuto de\u00a0<em>sinthoma<\/em>\u00a0e de acontecimento de corpo<em>.\u00a0<\/em>Vale dizer que os fen\u00f4menos de corpo s\u00e3o um conjunto maior, no qual est\u00e1 inclu\u00eddo o conjunto menor dos acontecimentos de corpo. Logo, todo acontecimento \u00e9 um fen\u00f4meno de corpo, mas nem todo fen\u00f4meno \u00e9 um acontecimento. Ent\u00e3o, se, por um lado, o fen\u00f4meno \u00e9 algo frequente e comumente observado na cl\u00ednica, por outro, o acontecimento de corpo \u00e9 algo excepcional e raro.<\/p>\n<p>Por tal motivo, \u00e9 necess\u00e1rio aguardar um tempo para saber se aquele fen\u00f4meno ter\u00e1 alguma fun\u00e7\u00e3o\u00a0<em>sinthom\u00e1tica<\/em>\u00a0para, depois, defini-lo como acontecimento<em>.<\/em>\u00a0O que Miller chama de<em>\u00a0sinthoma<\/em>\u00a0\u00e9 a consist\u00eancia dessas marcas, e \u00e9 por isso que ele o reduz e o equivale ao acontecimento de corpo (MILLER, 2016, p. 110). Logo, o acontecimento \u00e9 um choque inaugural do significante que se fixa sobre corpo, e desse encontro nascem marcas que reiteram gozo sem cessar em um acontecimento permanente (MILLER, 2013, p. 75).<\/p>\n<p><em>Tr\u00eas exemplos de acontecimento de corpo<\/em><\/p>\n<p>Como exemplo cl\u00ednico de acontecimento de corpo, relato tr\u00eas exemplos: o primeiro exemplo \u00e9 uma hip\u00f3tese extra\u00edda das\u00a0<em>Mem\u00f3rias de um doente de nervos<\/em>, de Daniel Paul Schreber; o segundo, da rela\u00e7\u00e3o de James Joyce e Nora e o terceiro est\u00e1 relacionado a minha experi\u00eancia de an\u00e1lise, relatada com detalhes no meu testemunho de passe.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Schreber<\/em><\/p>\n<p>O livro<em>\u00a0Mem\u00f3rias de um doente de nervos<\/em>, de Daniel Paul Schreber, foi o objeto do principal trabalho psicanal\u00edtico de Freud sobre as psicoses, conhecido como o caso Schreber. O livro de mem\u00f3rias \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o minuciosa do del\u00edrio do paciente e de sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Schreber descreve detalhadamente uma teologia na qual ele \u00e9 o piv\u00f4 do interesse sexual de Deus. Toda a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de grande sofrimento, visto que ele \u00e9 submetido, por capricho divino, a uma feminiza\u00e7\u00e3o, contra sua vontade. Apenas quando Schreber consente em ser mulher de Deus \u00e9 que o del\u00edrio se apazigua. Entretanto, por que h\u00e1 esse consentimento? J\u00e1 quase no fim do livro, surge um elemento sutil que quase nos passa despercebido. Schreber destaca que \u201cdevo confessar que em parte s\u00f3 depois de anos reconheci as verdades nelas contidas, ao passo que no in\u00edcio, pelo menos com rela\u00e7\u00e3o a algumas delas, eu me conduzia de modo muito c\u00e9tico\u201d.<\/p>\n<p>A esse contexto pertence, entre outras, a locu\u00e7\u00e3o: \u201cPor mim \u2014 deve ser a senha\u201d. Com essa senha, Schreber tem a convic\u00e7\u00e3o que deve abandonar qualquer preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro \u2014 confiando na eternidade \u2014 e deixar com que seu destino pessoal se desenvolva tranquilamente, seguindo o curso natural das coisas. \u201cNa \u00e9poca, eu ainda n\u00e3o conseguia reconhecer como adequado o conselho de me livrar de tudo que me acontecia com um indiferente \u2018Por mim\u2019 \u201d. Schreber destaca que a senha \u201cpor mim\u201d tem rela\u00e7\u00e3o com outra frase: \u201cTodo absurdo se anula\u201d. Completa ainda que \u201cNaquela \u00e9poca em que ainda ouvia das vozes essa frase, h\u00e1 muitos anos, e agora n\u00e3o as ou\u00e7o mais, n\u00e3o conseguia me convencer, de sua veracidade\u201d (SCHREBER, 1984, p. 303\u2013304).<\/p>\n<p>\u00c9 bastante instigante destacar que o fen\u00f4meno elementar, como um fractal em seu devaneio \u2014 \u201ccomo seria bom ser mulher no ato da c\u00f3pula\u201d \u2014, j\u00e1 antevia todo o del\u00edrio de Schreber no qual ele se coloca como objeto de transitivismo da vol\u00fapia divina. N\u00e3o entrarei em detalhes da complexidade delirante de Schreber, no entanto, o que ocorre \u00e9 que, em determinado momento, surge uma senha que, como um grampo, produz o consentimento e todo o estancamento da produ\u00e7\u00e3o delirante de Schreber.<\/p>\n<p>Vale dizer que a pequena alocu\u00e7\u00e3o \u201cpor mim\u201d, concernida ao seu narcisismo, faz a fun\u00e7\u00e3o de grampo capaz de cessar a produ\u00e7\u00e3o delirante e adiar por s\u00e9culos o seu des\u00edgnio de se tornar mulher de Deus. Nesse momento, cabe indagar se essa alocu\u00e7\u00e3o \u201cpor mim\u201d, de modo paradoxal, consegue grampear o grande e complexo del\u00edrio de Schreber produzindo, como acontecimento de corpo, o desaparecimento das alucina\u00e7\u00f5es e sua estabiliza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica. Enfim, \u00e9 necess\u00e1rio destacar que h\u00e1 um antes e um depois do aparecimento contingente da senha \u201cpor mim\u201d, que provoca um acontecimento de corpo de dura\u00e7\u00e3o suficiente, por\u00e9m, n\u00e3o eterna.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Joyce e Nora<\/em><sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/fenomeno-corpo#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a><\/sup><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O encontro de Joyce e Nora vale constatar como improv\u00e1vel e contingente, de modo que cabe indagar a raz\u00e3o dessa uni\u00e3o ter sido duradoura. Qual \u00e9 o papel de Nora na rela\u00e7\u00e3o com Joyce? Teria Nora a fun\u00e7\u00e3o de acontecimento de corpo para Joyce?<\/p>\n<p>Nora tinha uma esp\u00e9cie de fun\u00e7\u00e3o de luva ao corpo de Joyce, embora, quando virada pelo avesso, o bot\u00e3o da luva impedisse um ajuste perfeito. Se Nora serve como uma luva para Joyce, \u00e9 porque ela tem uma fun\u00e7\u00e3o reparadora de fixa\u00e7\u00e3o\/aperto (<em>serrage<\/em>), de inv\u00f3lucro ao<em>\u00a0ego<\/em>\u00a0defeituoso, de forma que ela une e ata o corpo de Joyce que lhe escapa (ARPIN, 2016, p. 127). Logo, Nora suplementava a fun\u00e7\u00e3o da escrita.<\/p>\n<p>Inobstante a Joyce desdenhar de sua mulher, por ser \u201cadoravelmente ignorante\u201d, ele n\u00e3o a dispensava ao escrever em raz\u00e3o de dois objetos: o olhar e a voz. Joyce necessitava do olhar de Nora. Ele usava de um expediente para escrever: ao sentar-se \u00e0 mesa em frente a um espelho, postava Nora sentada ou deitada atr\u00e1s dele, de modo que ele se sentia olhado por ela e era poss\u00edvel olh\u00e1-la quando desejasse (<em>Ibid<\/em>., p. 133). O olhar de Nora ganha uma fun\u00e7\u00e3o fundamental na medida em que Joyce vai perdendo sua vis\u00e3o.<\/p>\n<p>A voz de Nora, por sua vez, com um sotaque de Gallway, cuja pron\u00fancia se aproximava do ga\u00e9lico, tinha um papel relevante em virtude da musicalidade de sua l\u00edngua, j\u00e1 que ela utilizava express\u00f5es e reviravoltas que jamais ouvira. \u201cSua voz oferece um contraponto que torna seu esc\u00e1rnio excitante, exasperante e terno ao mesmo tempo\u201d (<em>Ibid<\/em>., p. 124).<\/p>\n<p>Os dois n\u00e3o se desgarravam, fazendo a rela\u00e7\u00e3o sexual existir. \u201cSe ele est\u00e1 em algures, ela est\u00e1 por perto. Se ele vai a nenhures ela tamb\u00e9m ir\u00e1 por certo\u201d. Entretanto, Nora n\u00e3o ser\u00e1 a Beatriz de Dante ou a Madeleine de Gide, como musas inspiradoras e idealizadas (ARPIN, 2018,\u00a0<em>[s.p.]<\/em>)<em>,<\/em>\u00a0tampouco Joyce faz dela a causa de seu desejo. Nora \u00e9 uma matadora de homens, mas fica com o \u00fanico homem que n\u00e3o morre de amores por ela (ARPIN, 2016, p. 137).<\/p>\n<p>De acordo com Lacan, no<em>\u00a0Semin\u00e1rio<\/em>\u00a0<em>23<\/em>, sua escrita singular teve fun\u00e7\u00e3o de ego para Joyce. Trata-se de ego, e n\u00e3o de eu, visto que ele n\u00e3o est\u00e1 concernido \u00e0 imagem corporal, ao est\u00e1dio do espelho, mas a uma corporifica\u00e7\u00e3o da imagem. Ent\u00e3o, haveria uma diferen\u00e7a entre as fun\u00e7\u00f5es da escrita e de Nora, como sua parceira? Nesse caso, caberia indagar se a escrita teria um papel de\u00a0<em>sinthoma<\/em>\u00a0e, Nora, uma fun\u00e7\u00e3o de supl\u00eancia, ou se ambos, escrita e Nora, desempenham a mesma fun\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o existe uma sem a outra? \u00c9 evidente que Nora tem a fun\u00e7\u00e3o de atar o corpo de Joyce, portanto, poder\u00edamos nos autorizar a dizer que o encontro contingente com Nora teve um papel de acontecimento de corpo para Joyce?\u00a0\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Fen\u00f4meno e acontecimento de corpo e final de an\u00e1lise<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Antes de abordarmos o acontecimento de corpo no final de minha an\u00e1lise, narrarei um breve epis\u00f3dio que destaco como fen\u00f4meno de corpo ocorrido na minha juventude. Era in\u00edcio dos anos setenta, talvez 1972, eu tinha aproximadamente quinze anos. Tinha um sonho, como quase todo jovem de minha gera\u00e7\u00e3o: ter uma cal\u00e7a jeans da marca Lee. Era algo muito raro e caro. Juntei ao longo dos meses o pouco de mesada que recebia. Certa vez, quando supus ter a quantia, dirigi-me \u00e0 Galeria Ouvidor, uma esp\u00e9cie de shopping center da \u00e9poca, onde havia algumas importadoras. Sempre ia a essas importadoras, mas nunca encontrei a cal\u00e7a Lee. Por\u00e9m, um dia, ao chegar \u00e0 loja, o vendedor me avisou que a cal\u00e7a Lee havia chegado e tinha o meu n\u00famero. Entrei no trocador e a experimentei: perfeita!<\/p>\n<p>No momento em que ainda apreciava o modelo justo ao meu corpo, comecei a escutar uma m\u00fasica que me deixou totalmente at\u00f4nito e arrepiado da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. Tirei a cal\u00e7a resoluto e a entreguei ao vendedor que, perplexo, n\u00e3o entendia a raz\u00e3o pela qual n\u00e3o compraria a cal\u00e7a Lee, t\u00e3o desejada. Cruzei o corredor da Galeria Ouvidor, dirigi-me \u00e0 loja de discos e perguntei: que m\u00fasica \u00e9 essa?\u00a0<em>Blowing in the Wind<\/em>, de um tal de Bob Dylan. Nunca tinha ouvido falar em Bob Dylan, mas fui tomado de assalto por aquela musicalidade expressa por uma esp\u00e9cie de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>, acompanhada por uma gaita que parecia um gemido. Esse epis\u00f3dio deixou marcas de satisfa\u00e7\u00e3o no corpo, por\u00e9m, n\u00e3o o considero acontecimento de corpo, mas sim um fen\u00f4meno de corpo.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0s sess\u00f5es que serviram de ep\u00edlogo para o final de minha an\u00e1lise, destaco uma passagem que pode ser inscrita como acontecimento de corpo. Em raz\u00e3o de o filho ter entrado, contingencialmente, na briga do casal parental, o pai o teria puxado e carregado pelos cabelos e o exibido em p\u00fablico durante um conflito por ocasi\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o conjugal litigiosa. Depois desse acontecimento, inscrito como trauma, o menino queria passar despercebido, desaparecer diante do olhar do Outro. Defronte a isso, a ang\u00fastia se tornou minha companheira e a inibi\u00e7\u00e3o ocorria no plano social e intelectual.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um longo per\u00edodo de an\u00e1lise, o analista interrompeu a minha sess\u00e3o e olhou-me bem fixo nos olhos, pela primeira vez em dezenove anos, com o semblante mais maroto do mundo. Sua cabe\u00e7a arredondada estava incandescente, como o p\u00f4r do sol, desses que acontecem no inverno de Belo Horizonte, quando o sol beija a montanha no final do dia (CAMPOS, 2014, p. 30).<\/p>\n<p>Esse acontecimento de corpo estabeleceu um divisor de \u00e1guas em minha vida, entre um antes e um depois. Parece que o acontecimento de corpo tem o mesmo estatuto do trauma, na medida em que ele tem um tempo um como inscri\u00e7\u00e3o e, depois, um tempo dois, como acontecimento que guarda fidelidade ao tempo um. Antes, o sintoma me prendia em um gozo enigm\u00e1tico, expresso como uma esp\u00e9cie de debilidade mental. Estava suspenso, a\u00e9reo, com os p\u00e9s fora do ch\u00e3o, como um espectador distante da vida, imerso em procrastina\u00e7\u00f5es, fantasias e devaneios, os quais serviam de mecanismo de prote\u00e7\u00e3o, defesa e fuga da realidade. Era como se o tempo tivesse sido congelado em raz\u00e3o da cena traum\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a conclus\u00e3o da an\u00e1lise, paulatinamente comecei a constatar uma estranha precipita\u00e7\u00e3o<em>\u00a0sinthom\u00e1tica<\/em>. O evento da alucinose da cabe\u00e7a em brasa do analista ocorrida no ocaso da an\u00e1lise, no fundo nada mais era do que a proje\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a quente, puxada pelos cabelos pelo pai na cena traum\u00e1tica. A partir de ent\u00e3o, houve um deslocamento radical da debilidade para uma esp\u00e9cie de loucura. Miller destaca que o fen\u00f4meno de corpo, quando ganha perman\u00eancia, \u00e9 designado acontecimento de corpo e tem o estatuto de\u00a0<em>sinthoma\u00a0<\/em>(MILLER, 2016, p. 110). A cabe\u00e7a a\u00e9rea, fantasiosa, d\u00e9bil e anestesiada se transformou em uma cabe\u00e7a inquieta, arejada, incandescente, desassossegada e fervilhante, promotora de satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, mergulhei de cabe\u00e7a na Escola. Durante tr\u00eas anos aconteceram os depoimentos do passe; em seguida, foram dois anos como integrante do cartel do passe; depois vieram a participa\u00e7\u00e3o do conselho da EBP e a presid\u00eancia da EBP. Enfim, h\u00e1 mais de seis anos, de modo dedicado e ininterrupto, abracei o desejo incandescente pelos \u201cSemin\u00e1rios por conta e risco\u201d, de onde extraio a enorme satisfa\u00e7\u00e3o de transmitir a psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>ARPIN, D. Gault, J-L., L\u2019\u00e9pouse de Joyce.\u00a0<strong>L\u2019Hebdo-Blog,<\/strong>\u00a0n. 154, 2018.<\/h6>\n<h6>ARPIN, D. James et Nora Joyce.<strong>\u00a0Couples c\u00e9l\u00e8bres.<\/strong>\u00a0Paris: Navarin, 2016.<\/h6>\n<h6>CAMPOS, S.\u00a0<strong>Passema: testemunhos de um final de an\u00e1lise<\/strong>. Belo Horizonte: Scriptum, 2014.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. La Conversaci\u00f3n. In:\u00a0<strong>Embrollos del cuerpo.<\/strong>\u00a0Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2016.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Conferencias porte\u00f1as, Tomo 2.\u00a0<strong>Significante y goce.<\/strong>\u00a0Buenos Aires: Paidos, 2009.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. El primado de la pr\u00e1ctica. In:\u00a0<strong>La experiencia de lo real en<\/strong><strong>\u00a0la cura psicoanal\u00edtica<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2003.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A.\u00a0<strong>O osso de uma an\u00e1lise<\/strong><em>.<\/em>\u00a0Salvador: Biblioteca agente, 1998.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Sintoma y sinthome. In:\u00a0<strong>Piezas sueltas.<\/strong>\u00a0Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013, p.67-75.<\/h6>\n<h6>SCHREBER, D.-P.\u00a0<strong>Mem\u00f3rias de um doente de nervos<\/strong>. Rio de Janeiro: Graal, 1984, p. 303-304.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/fenomeno-corpo#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1] Texto apresentado no N\u00facleo de Pesquisa e Investiga\u00e7\u00e3o em Psican\u00e1lise e Psicose em 17\/09\/2021.<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/fenomeno-corpo#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>\u00a0Fragmento relacionado ao encontro de Joyce e Nora, extra\u00eddo do relat\u00f3rio apresentado no X Enapol, no qual participaram Anamaria Vasconcelos, Ana Martha Maia, Blanca Musachi, Eder Galiza, Fernando Casula, Gisele Sette Lopes, Glacy Gorski, Katia Mari\u00e1s, Loren Costa, Marcela Brand\u00e3o, Maria Wilma Faria, Marina Cursino, Michelle Sena, Ruskaya Maia, S\u00e9rgio de Campos, S\u00e9rgio Mattos, Viviane Lafayette.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c9RGIO DE CAMPOS Psicanalista, Analista Membro da Escola. EBP\/AMP sergiodecampos1@gmail.com Resumo:\u00a0O autor trabalha a diferen\u00e7a entre os conceitos de fen\u00f4meno de corpo e acontecimento de corpo, o primeiro, um gozo que se inscreve como traumatismo e que poder\u00e1, ou n\u00e3o, ganhar o estatuto de acontecimento de corpo.\u00a0 Para tra\u00e7ar essa diferen\u00e7a, explora as no\u00e7\u00f5es -indissoci\u00e1veis-&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57861,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24],"tags":[],"class_list":["post-1828","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-28","category-24","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1828"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1828\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57862,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1828\/revisions\/57862"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57861"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}