{"id":1877,"date":"2022-07-19T06:41:42","date_gmt":"2022-07-19T09:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1877"},"modified":"2025-12-01T13:01:48","modified_gmt":"2025-12-01T16:01:48","slug":"a-neurose-na-urgencia-subjetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2022\/07\/19\/a-neurose-na-urgencia-subjetiva\/","title":{"rendered":"A NEUROSE NA URG\u00caNCIA SUBJETIVA\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6>GIULIA CAMPOS LAGE<br \/>\nResidente em Psiquiatria pelo Instituto Raul Soares (FHEMIG)<br \/>\nAluna do Curso de Psican\u00e1lise do IPSM-MG<br \/>\n<a href=\"mailto:giucamla3@hotmail.com\">giucamla3@hotmail.com<\/a><\/h6>\n<blockquote><p>\n<strong>Resumo:<\/strong>\u00a0Frente \u00e0 experi\u00eancia em uma institui\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica, constata-se a dificuldade em manejar a neurose na urg\u00eancia hospitalar. Este texto visa buscar, na teoria psicanal\u00edtica de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, formas de entender a urg\u00eancia subjetiva, principalmente na neurose, e como poder viabilizar sa\u00eddas que acolham a subjetividade em quest\u00e3o, evitando a institucionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0psican\u00e1lise; urg\u00eancia subjetiva; neurose.<\/p>\n<p><strong>NEUROSIS IN SUBJECTIVE URGENCY<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0Faced with the experience in a psychiatric institution it is observed that there is a difficulty in managing neurosis in the hospital emergency room. This essay seeks ways to understand &#8211; through psychoanalytic theory of Lacanian orientation &#8211; subjective urgency, especially in neurosis, and how we can enable possible solutions that embrace the subjectivity in question, avoiding institutionalization.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0psychoanalysis; subjective urgency; neurosis.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0psychoanalysis; subjective urgency; neurosis.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1878\" style=\"width: 1290px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Giulia_Lage__-_Imagem_Ceclia_Velloso_Batista.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1280\" data-large_image_height=\"852\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1878\" class=\"wp-image-1878\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Giulia_Lage__-_Imagem_Ceclia_Velloso_Batista-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"485\" height=\"323\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1878\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Cec\u00edlia\u00a0Velloso Batista<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dou in\u00edcio ao curso de psican\u00e1lise no Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais em meio ao meu primeiro ano de resid\u00eancia em psiquiatria no Instituto Raul Soares. Entre os diversos aprendizados que acontecem nesse momento, algo me intriga: a abordagem da neurose na urg\u00eancia hospitalar. Haveria alguma forma de evitar a interna\u00e7\u00e3o? Ricardo Seldes, em\u00a0<em>La Urgencia Dicha<\/em>, aponta que a \u201curg\u00eancia subjetiva \u00e9 uma experi\u00eancia que d\u00e1 chance de fazer diferente com a palavra, e isso muda as coisas\u201d (SELDES, 2019, p. 12).<\/p>\n<p>A urg\u00eancia em psican\u00e1lise \u00e9 um tema intr\u00ednseco \u00e0 pr\u00e1tica psicanal\u00edtica. Frequentemente acolhemos pessoas que passam por um momento de crise no qual os recursos que elas t\u00eam para dar conta da sua exist\u00eancia se desestabilizam. Segundo Sandra Let\u00edcia Berta, em seu artigo \u201cLocaliza\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia subjetiva em psican\u00e1lise\u201d, a urg\u00eancia como subjetiva leva em conta a dimens\u00e3o do real em jogo. Isso a Lacan n\u00e3o era decisivo, tampouco importava definir, mas, pelos motivos que nos interessam aqui, podemos delinear como sendo aquilo que, no discurso do mestre, n\u00e3o anda, isso que o discurso n\u00e3o consegue cernir, isso que t\u00eam algo muito singular para cada um. Nesse sentido, Berta define que uma\u00a0<em>quest\u00e3o preliminar sobre a urg\u00eancia subjetiva em psican\u00e1lise<\/em>\u00a0deveria ser formulada a partir do conceito de ang\u00fastia e da teoria do trauma, cujos referentes epist\u00eamicos se encontram na obra de Sigmund Freud e no ensino de Jacques Lacan (BERTA, 2015).<\/p>\n<p>Para Lacan, o sujeito do inconsciente n\u00e3o nasce nem se desenvolve; ele se constitui e s\u00f3 pode ser concebido a partir do campo da linguagem. O beb\u00ea, no seu nascimento, se encontra em um desamparo fundamental, de modo que n\u00e3o da\u0301 conta de sobreviver por si mesmo, exigindo a interven\u00e7\u00e3o de um Outro primordial, que o implicara\u0301 na l\u00f3gica do significante (GUSMAN; DERZI, 2021).<\/p>\n<p>Lacan menciona, no Semin\u00e1rio 6, que o sujeito s\u00f3\u0301 pode se instituir como tal enquanto sujeito que fala, enquanto sujeito de fala.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cNa medida em que o Outro e\u0301 ele pr\u00f3prio marcado pelas necessidades da linguagem, j\u00e1 n\u00e3o e\u0301 o Outro real, instaura-se como lugar de articula\u00e7\u00e3o da fala. Ai\u0301 e\u0301 que se constitui a primeira posi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel de um sujeito como tal, de um sujeito que pode ser apreendido como sujeito, como sujeito no Outro, na medida em que esse Outro o pense como sujeito\u201d (LACAN, 1958-1959\/2016, p. 402).<\/p>\n<p>O corpo, ent\u00e3o, se encontra a\u0300 merc\u00ea da linguagem, e e\u0301 esse encontro com o corpo que Lacan considera traum\u00e1tico. O trauma e\u0301 entendido como a entrada do sujeito no mundo simb\u00f3lico. Ele n\u00e3o e\u0301 um acidente, mas constitutivo da subjetividade. O trauma do sujeito e\u0301 a exig\u00eancia da linguagem e a depend\u00eancia do sujeito ao significante. Devemos lembrar que o sujeito j\u00e1 e\u0301 nomeado antes de ele ter nascido; j\u00e1 se encontra implicado na l\u00f3gica do Outro. E\u0301 ent\u00e3o crucial que o Outro, geralmente materno, fa\u00e7a a fun\u00e7\u00e3o de nomear e reconhecer o beb\u00ea como um sujeito e que fa\u00e7a uma significa\u00e7\u00e3o do seu grito, que deve ser interpretado pelo Outro como uma demanda de satisfa\u00e7\u00e3o. O Outro e\u0301 quem pode dar uma resposta ao apelo do beb\u00ea e lhe faz a pergunta fundamental:\u00a0<em>Che vuoi<\/em>, que queres? Nesse momento, o sujeito tem seu primeiro encontro com o desejo como desejo do Outro (GUSMAN; DERZI,\u00a02021, p. 8).<\/p>\n<p>Para Lacan, no Semin\u00e1rio 6, o desejo do Outro e\u0301 sempre traum\u00e1tico, j\u00e1 que o sujeito se encontra sem recursos, desamparado diante da opacidade do desejo do Outro. O sujeito se encontra em um ponto zero e o desejo do Outro e\u0301 enigm\u00e1tico. O sujeito precisa ent\u00e3o produzir uma resposta, a fantasia, no caso da neurose. Assim, \u201co desejo do Outro permaneceria como um n\u00facleo enigm\u00e1tico, ate\u0301 que, depois, a posteriori, o sujeito possa reintegrar o momento vivido numa (&#8230;) cadeia geradora de toda uma modula\u00e7\u00e3o inconsciente\u201d (LACAN, 1958-1959\/2016, p. 453), ou seja, o sujeito precisa inventar uma l\u00f3gica, uma resposta para essa pergunta, e colocar a resposta em uma cadeia. E\u0301 aqui que aparece a fantasia. \u201cO que lhe da\u0301 seu valor de \u00edndice e\u0301 um tempo suspenso, uma pausa, que corresponde a um momento de a\u00e7\u00e3o em que o sujeito s\u00f3\u0301 pode se instituir de uma certa maneira x\u201d (LACAN, 1958-1959\/2016, p. 454).<\/p>\n<p>Para Lacan, no come\u00e7o, e\u0301 a imagem do outro que constitui o suporte do sujeito e, depois, vem uma estrutura denominada fantasia, que e\u0301 o suporte e o \u00edndice de certa posi\u00e7\u00e3o do sujeito no desejo. Como menciona Miller:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cE\u0301 a mesma l\u00f3gica da fantasia que opera no \u00e2mbito do inconsciente, em que o sujeito n\u00e3o tem a possibilidade de designar a si mesmo, em que e\u0301 confrontado com a aus\u00eancia de seu nome de sujeito. E\u0301, ent\u00e3o, a\u0300 fantasia que ele recorre e e\u0301 na sua rela\u00e7\u00e3o com o objeto do desejo que reside a verdade de seu ser\u201d (MILLER, 2014, p. 9).<\/p>\n<p>Lembremos que o significante determina o sujeito, e e\u0301 em posi\u00e7\u00e3o de sujei\u00e7\u00e3o que ele ser\u00e1\u0301 constitu\u00eddo pelo universo simb\u00f3lico. Ha\u0301 sempre algo que fica de fora, que Lacan chama de real. O encontro com o real n\u00e3o tem correspond\u00eancia no simb\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cO esbarr\u00e3o com o real (&#8230;) desarranja a homeostase significante, tendo a importante fun\u00e7\u00e3o de romper com uma situa\u00e7\u00e3o na qual o eu se reconhecia\u201d (GUZMAN; DERZI, 2021, p. 9). Como tal, o acidente traum\u00e1tico e\u0301 algo que impulsiona para a mudan\u00e7a, porque a desestrutura\u00e7\u00e3o promovida na tessitura simb\u00f3lica e imagin\u00e1ria do eu empurra o sujeito para um novo arranjo, em que a constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa tem um papel fundamental (RUDGE, 2009).<\/p>\n<p>Segundo Favero (2009), o inconsciente estruturado como uma linguagem pode ser entendido a partir do que o inconsciente se apresenta como trope\u00e7o significante, atribuindo um sentido a\u0300 falha do discurso por meio da repeti\u00e7\u00e3o. A repeti\u00e7\u00e3o do sujeito esta\u0301 ligada a\u0300 procura do objeto perdido, na tentativa de reencontra\u0301-lo. Assim, Lacan desenvolve o conceito de real como algo imposs\u00edvel de nomear e que sempre retorna ao mesmo lugar para o sujeito. A repeti\u00e7\u00e3o \u201cenvolve algo que esta\u0301 exclu\u00eddo da cadeia significante, que o sujeito n\u00e3o lembrara\u0301, mas em torno do qual a cadeia de significantes gira\u201d (FAVERO, 2009, p. 65). Isso quer dizer que a repeti\u00e7\u00e3o envolve tanto o \u201cimposs\u00edvel de pensar\u201d quanto o \u201cimposs\u00edvel de dizer\u201d. Dessa forma, o real surge de um encontro faltoso que, via repeti\u00e7\u00e3o, \u201creitera o impasse pr\u00f3prio da estrutura do sujeito. Essa repeti\u00e7\u00e3o traz o retorno n\u00e3o do mesmo, e sim do diferente, de uma outra coisa, que ate\u0301 faz parecer que n\u00e3o e\u0301 um retorno\u201d (RUDGE, 2009, p. 43). Assim, o real lacaniano trata daquilo que escapa da cadeia significante como um trauma, um corte que imp\u00f5e seus efeitos e limites (GUSMAN; DERZI, 2021).<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 urg\u00eancia subjetiva, segundo Seldes, esta costuma aparecer relacionada a um trauma, e isso rompe os limites do imagin\u00e1rio e do simb\u00f3lico. O trauma \u00e9 um daqueles eventos ps\u00edquicos que tocam o real, assim como a alucina\u00e7\u00e3o na psicose ou a experi\u00eancia do gozo no perverso. A neurose vivencia momentos de ang\u00fastia que aproximam o sujeito inconsciente da realidade e o afastam de sua tend\u00eancia de considerar a vida um sonho (SELDES, 2019).<\/p>\n<p>Como localizar o espa\u00e7o e o tempo hoje, quando, na urg\u00eancia, tudo \u00e9 da ordem do imediato? Com os tempos l\u00f3gicos de Lacan, interpretamos que existe um curto-circuito entre o instante de ver e o momento de concluir, sem passar pelo tempo de compreender.<\/p>\n<p>Tentamos elucidar a urg\u00eancia com base no trio de descompensa\u00e7\u00e3o, desencadeamento e desconex\u00e3o. Tr\u00eas formas de crise que d\u00e3o origem a um real como modos de hesita\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico. A nova forma ser\u00e1 restaurar o simb\u00f3lico \u2014 n\u00e3o sem o imagin\u00e1rio \u2014, talvez de um novo modo.<\/p>\n<p>O que condiciona a possibilidade da inven\u00e7\u00e3o? Que o Outro n\u00e3o existe. Depois de uma emerg\u00eancia, talvez um trauma, o sujeito deve se reinventar a partir de um Outro que n\u00e3o existe mais. \u00c9 preciso ent\u00e3o &#8220;fazer&#8221; com que um sujeito perdido reencontre as diretrizes de vida com um Outro do qual se sentia perdido. N\u00e3o h\u00e1 pedagogia, n\u00e3o se reaprende a conviver com o Outro; a proposta urgente \u00e9 construir um novo caminho, um caminho que devemos ajudar a buscar ao lado da insensatez do fantasma e do sintoma, o que excede todo &#8220;sentido&#8221; poss\u00edvel na causa libidinal.<\/p>\n<p>Por essa via, referir-se \u00e0 urg\u00eancia implica que partamos do gozo, e n\u00e3o do Outro do significante. A experi\u00eancia anal\u00edtica, a experi\u00eancia da palavra, afeta o corpo, corpo afetado pelo significante. Nele, o corpo n\u00e3o \u00e9 um corpo que fala, mas quem fala em an\u00e1lise n\u00e3o o faz sem o corpo (SELDES, 2019).<\/p>\n<p>Do que temos medo, ent\u00e3o? Lacan se pergunta. \u00a0Do nosso corpo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cIsso se manifesta por aquele curioso fen\u00f4meno sobre o qual durante um ano inteiro dei um semin\u00e1rio que chamei de ang\u00fastia. \u00c9 o nosso corpo, justamente, a ang\u00fastia est\u00e1 situada em um lugar diferente do medo. \u00c9 o sentimento que surge dessa suspeita que nos assalta de que nos reduzamos ao nosso corpo. \u00c9 muito curioso que esta fraqueza do\u00a0<em>parletre<\/em>\u00a0tenha conseguido chegar a este ponto, perceber que a ang\u00fastia n\u00e3o \u00e9 o medo de algo que pode motivar o corpo. \u00c9 um medo de temer&#8221; (LACAN, 1975-1980\/2015, p. 27).<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o da conting\u00eancia \u00e9 uma resposta lacaniana \u00e0 urg\u00eancia, ao contr\u00e1rio das psicoterapias que tentam retornar ao estado anterior, isto \u00e9, ao estado anterior \u00e0 irrup\u00e7\u00e3o &#8220;daquilo&#8221; que causou o surto. \u00c9 sobre a eclos\u00e3o de uma verdade que se mostra impotente para definir o estado pelo qual algu\u00e9m est\u00e1 passando.<\/p>\n<p>A urg\u00eancia \u00e9 a oportunidade de apreender como as verdades imut\u00e1veis \u200b\u200bde algu\u00e9m se transformam em outra coisa, algo que n\u00e3o se sabe ser, mas, na verdade, n\u00e3o \u00e9 mais. O sujeito em an\u00e1lise \u00e9 extra\u00eddo da opera\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de aliena\u00e7\u00e3o, simb\u00f3lica, e separa\u00e7\u00e3o, pulsional. Isso torna a distin\u00e7\u00e3o algo subjetivo, aquela que o discurso da ci\u00eancia gostaria de silenciar (SELDES, 2019).<\/p>\n<p>Ao receber um paciente que chega em uma institui\u00e7\u00e3o diante de uma urg\u00eancia subjetiva, o diagn\u00f3stico estrutural n\u00e3o est\u00e1 dado. N\u00e3o se pode dizer de um sujeito em an\u00e1lise. Qual seria, ent\u00e3o, o papel do analista nesse dado momento? Vigan\u00f3, em seu texto \u201cA palavra na institui\u00e7\u00e3o\u201d, traz que Lacan d\u00e1 uma indica\u00e7\u00e3o acerca dessa tarefa: \u201ctalvez e\u0301 do discurso do analista, que se completam os tr\u00eas quartos de giro, que pode surgir um outro estilo de significante\u2013mestre\u201d (XVII; p. 205 trad. italiana). Com essa tarefa, da qual Lacan n\u00e3o se cala diante do desafio da impossibilidade, somos confrontados a construir uma Escola do passe, onde o posto da exce\u00e7\u00e3o que a escola representa no social pode consentir a qualquer pessoa que se coloque diante do real da cl\u00ednica como o mais-um que transforme a firmeza do gozo, escolhendo a identifica\u00e7\u00e3o que a sustenta. A demanda estereotipada pode encontrar a via de uma nova modula\u00e7\u00e3o, caso encontre um interlocutor que encarne uma nova vers\u00e3o do posto de poder (VIGAN\u00d3, 2006).<\/p>\n<p>Portanto, conclui-se que n\u00e3o se pode afirmar que o encontro com o real, o trauma, a urg\u00eancia subjetiva, nos conduza sempre a efeitos desastrosos na subjetividade. Pode-se tamb\u00e9m recolher efeitos surpreendentes, possibilitando remanejamentos subjetivos, ou, melhor, permitindo o sujeito a retificar sua posi\u00e7\u00e3o subjetiva a partir da conting\u00eancia. E\u0301 necess\u00e1rio ressaltar que o encontro com o real pode fazer vacilar a fixa\u00e7\u00e3o do fantasma, e o res\u00edduo do traumatismo pode permitir que o sujeito descole do\u00a0<em>semblant<\/em>, da fic\u00e7\u00e3o, do engodo, e possibilite a emerg\u00eancia da sa\u00edda do desejo (GUZMAN;\u00a0DERZI, 2021).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>SELDES, R.\u00a0<strong>La urgencia dicha<\/strong>. Buenos Aires: Col\u00e9ccion Diva Ed., 2019.<\/h6>\n<h6>BERTA, S. L. \u201cLocaliza\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia subjetiva em psican\u00e1lise\u201d.\u00a0<strong>A Peste<\/strong>: Revista de Psican\u00e1lise e Sociedade e Filosofia, S\u00e3o Paulo, n. 1, 2015, p. 95-105.<\/h6>\n<h6>GUZM\u00c1N, M. C.; DERZI, C. D. A. M. \u201cO Trauma e seu Tratamento: Contribui\u00e7\u00f5es de Freud e Lacan\u201d,\u00a0<strong>Revista Subjetividades<\/strong>,\u00a0n. 1, 2021, p. 1-14.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1958-1959\/2016).\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio. Livro VI<\/strong>: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2016.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cApresentac\u0327a\u0303o do Semina\u0301rio 6: O desejo e sua interpretac\u0327a\u0303o, de Jacques Lacan\u201d.\u00a0<strong>Opc<\/strong><strong>\u0327<\/strong><strong>a\u0303o Lacaniana online<\/strong><em>,\u00a0<\/em>n. 14, 2014, p. 1-19.<\/h6>\n<h6>RUDGE, A. M. (2009).\u00a0<strong>Trauma<\/strong>: Cole\u00e7a\u0303o Psicana\u0301lise passo-a-passo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.<\/h6>\n<h6>FAVERO, A. B.\u00a0<strong>A noc<\/strong><strong>\u0327<\/strong><strong>a\u0303o de trauma em psicana\u0301lise<\/strong>. Dissertac\u0327a\u0303o. (Tese de doutorado pelo Programa de Po\u0301s-Graduac\u0327a\u0303o em Psicologia Cli\u0301nica da PUC). Rio de Janeiro, 2009.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201cLa Tercera\u201d.\u00a0<strong>Revista Lacaniana<\/strong>. Buenos Aires, n. 18, 2015, p. 27.<\/h6>\n<h6>VIGAN\u00d2, C. \u201cA palavra na institui\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<strong>Mental<\/strong>. Barcelona, n. 6, 2006, p. 27-32.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GIULIA CAMPOS LAGE Residente em Psiquiatria pelo Instituto Raul Soares (FHEMIG) Aluna do Curso de Psican\u00e1lise do IPSM-MG giucamla3@hotmail.com Resumo:\u00a0Frente \u00e0 experi\u00eancia em uma institui\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica, constata-se a dificuldade em manejar a neurose na urg\u00eancia hospitalar. 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