{"id":188,"date":"2023-08-15T19:24:18","date_gmt":"2023-08-15T22:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=188"},"modified":"2025-12-01T12:44:44","modified_gmt":"2025-12-01T15:44:44","slug":"a-crianca-seus-delirios-e-os-delirios-de-seus-pais1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2023\/08\/15\/a-crianca-seus-delirios-e-os-delirios-de-seus-pais1\/","title":{"rendered":"A crian\u00e7a, seus del\u00edrios e os del\u00edrios de seus pais<sup>[1]<\/sup>\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6>Suzana Faleiro Barroso<br \/>\nPsicanalista<br \/>\nMembro da EBP\/AMP<br \/>\nsuzanafaleirobarroso@gmail.com<\/h6>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>A partir da no\u00e7\u00e3o de del\u00edrio generalizado, o texto discute a quest\u00e3o da especificidade do del\u00edrio na psicose infantil. Segundo o coment\u00e1rio de fragmentos da cl\u00ednica, verifica-se, numa inf\u00e2ncia paranoica, diferentes modos de tratamento do gozo sem o Nome-do-Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0psicose infantil, del\u00edrio, lal\u00edngua de fam\u00edlia, tratamento do gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>THE CHILD, HIS DELUSIONS AND THE DELUSIONS OF HIS PARENTES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0Based on the notion of generalized delirium, the text discusses the question of the specificity of the delirium in childhood psychosis. According to the commentary on fragments from the clinic, it is possible to verify, in a paranoid childhood, different ways of treating jouissance without the Name-of-the-Father.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0child psychosis, delirium, family lalangue, treatment of jouissance.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_189\" style=\"width: 719px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/suzana_barroso.png\" data-dt-img-description=\"Imagem: Sofia Nabuco\" data-large_image_width=\"709\" data-large_image_height=\"709\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-189\" class=\"size-full wp-image-189\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/suzana_barroso.png\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"709\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/suzana_barroso.png 709w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/suzana_barroso-300x300.png 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/suzana_barroso-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-189\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Sofia Nabuco<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cO mal dos bichos foi aprender a\u00a0<em>falar\u00a0<\/em>conosco\u201d<br \/>\n(GULLAR, 2010, p. 52)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abordar a psicose a partir do ultim\u00edssimo ensino de Lacan abre novos horizontes para a cl\u00ednica da psicose infantil. A releitura dos fen\u00f4menos alucinat\u00f3rios, do del\u00edrio e dos fen\u00f4menos do corpo e do gozo a partir das \u00faltimas formula\u00e7\u00f5es lacanianas sobre a linguagem parece nos liberar de antigos debates sobre a psicose infantil, al\u00e9m de nos relan\u00e7ar para uma cl\u00ednica do p\u00f3s-\u00c9dipo, que \u00e9 a nossa atualmente. A inexist\u00eancia do Outro e a forclus\u00e3o generalizada implicando que todos deliram, nos dispensaria, por exemplo, do debate sobre a crian\u00e7a psic\u00f3tica, se ela delira ou n\u00e3o; ou se o del\u00edrio seria apenas caracter\u00edstico da psicose do adulto, ou ainda se haveria especificidade do del\u00edrio na inf\u00e2ncia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Miller (2015, p. 309), a frase \u201cTodo mundo \u00e9 louco, isto \u00e9, delirante\u201d \u00e9 uma esp\u00e9cie de condensado do ultim\u00edssimo ensino de Lacan, que contaminou a cl\u00ednica estrutural, supondo mais uma continuidade do que uma descontinuidade entre as estruturas cl\u00ednicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A articula\u00e7\u00e3o entre psicose e linguagem perpassa todo o ensino de Lacan. A perspectiva estrutural da linguagem, na d\u00e9cada de 50, em contraponto a uma perspectiva psicogen\u00e9tica dominante at\u00e9 ent\u00e3o na psican\u00e1lise com crian\u00e7as, libertava a psicose infantil do campo das defici\u00eancias. Para al\u00e9m de uma cl\u00ednica estrutural do del\u00edrio, a introdu\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de lal\u00edngua, t\u00e3o bem transmitida no artigo \u201cFalar \u00e9 um transtorno de linguagem\u201d, de Pascale Fari, tende a generalizar o del\u00edrio, at\u00e9 ent\u00e3o considerado exclusividade da psicose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vemos que a linguagem no ultim\u00edssimo Lacan foi distanciando-se da no\u00e7\u00e3o de estrutura para aproximar-se das no\u00e7\u00f5es de aparelho, \u00f3rg\u00e3o, parasita. Passamos ent\u00e3o dos \u201cdist\u00farbios da linguagem\u201d decisivos no diagn\u00f3stico diferencial da psicose na d\u00e9cada de 50, a partir da releitura de Schreber, \u00e0 \u201clinguagem como dist\u00farbio\u201d, a partir da leitura de Joyce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de lal\u00edngua, que se elabora no Semin\u00e1rio 20, j\u00e1 implicava uma vers\u00e3o do Outro diferente daquela do grafo do sujeito, pois leva em conta a anteced\u00eancia l\u00f3gica do campo de gozo em rela\u00e7\u00e3o ao campo da linguagem. Por n\u00e3o comportar a dimens\u00e3o do sentido, lal\u00edngua altera todo o panorama das rela\u00e7\u00f5es do sujeito ao Outro e at\u00e9 mesmo a defini\u00e7\u00e3o do Outro. Lal\u00edngua diz respeito \u00e0 dimens\u00e3o inconsistente e m\u00faltipla da l\u00edngua, isto \u00e9, massa sonora que antecede \u00e0 captura na linguagem e que implica a inexist\u00eancia do Outro. Lal\u00edngua desconstr\u00f3i o edif\u00edcio te\u00f3rico sustentado pela primazia do significante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apoiada na estrutura de linguagem do inconsciente, a teoria freudiana do del\u00edrio tem como causa o destino da libido na paranoia, cujo investimento, ao ser retirado do mundo externo e dos objetos, provoca uma cat\u00e1strofe no mundo subjetivo, a dissolu\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio, que cabe ao del\u00edrio restaurar. \u201cA forma\u00e7\u00e3o delirante, que presumimos ser o produto patol\u00f3gico, \u00e9, na verdade, uma tentativa de restabelecimento, um processo de reconstru\u00e7\u00e3o\u201d (FREUD, 1911\/1996, p. 95). O trabalho do del\u00edrio \u00e9 o modo do paranoico de reconstruir seu mundo de maneira a poder viver nele novamente, compar\u00e1vel \u00e0 fantasia do neur\u00f3tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Classicamente, o del\u00edrio constituiu-se como o ordenador maior do diagn\u00f3stico de psicose. Onde n\u00e3o havia del\u00edrio n\u00e3o havia psicose. O grau de paranoia, na qual os del\u00edrios est\u00e3o sempre presentes, era um crit\u00e9rio decisivo para o diagn\u00f3stico e tratamento poss\u00edvel da psicose, por ser considerado um \u00edndice importante da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com a linguagem e com o campo do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo uma cl\u00ednica estrutural, a paranoia constituiria um fraco diagn\u00f3stico na inf\u00e2ncia. Por exemplo, no artigo \u201cCura de un ni\u00f1o paranoico?\u201d, Fran\u00e7ois Leguil (1992) discute a pertin\u00eancia desse diagn\u00f3stico para uma crian\u00e7a. Ele recupera a opini\u00e3o de Cl\u00e9rambault, para quem os fen\u00f4menos psic\u00f3ticos podem ser observados na crian\u00e7a, por\u00e9m, sem que o del\u00edrio tome uma forma sistematizada nessa \u00e9poca da vida. Cl\u00e9rambault teria considerado as \u201cregras da idade\u201d, segundo as quais a crian\u00e7a n\u00e3o estaria submetida \u00e0 necessidade imperiosa que move o adulto de conduzir o esfor\u00e7o de seu trabalho delirante at\u00e9 uma elabora\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de uma solu\u00e7\u00e3o \u00faltima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fran\u00e7ois Leguil (1992) sugeriu que a observa\u00e7\u00e3o de uma cura e de uma estabiliza\u00e7\u00e3o deve sempre levar em conta os efeitos do questionamento promovido pela confronta\u00e7\u00e3o real com o Outro sexo para al\u00e9m da inf\u00e2ncia. Apoiando-se na teoria da sexualidade, ele justifica a necessidade de uma prud\u00eancia quanto ao diagn\u00f3stico de paranoia antes do encontro com a falta do significante f\u00e1lico, o que n\u00e3o concerne mais \u00e0 inf\u00e2ncia, pois sup\u00f5e que o sujeito j\u00e1 se tenha colocado \u00e0 prova em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 castra\u00e7\u00e3o no ato sexual. O cap\u00edtulo do del\u00edrio na psicose infantil \u00e9, portanto, controverso, e n\u00e3o un\u00edssono. De um modo geral, desde a psiquiatria, acreditava-se na precariedade das forma\u00e7\u00f5es delirantes na inf\u00e2ncia e menos ainda na sua sistematiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sistematiza\u00e7\u00e3o delirante requer etapas nas quais ocorrem profundos remanejamentos do significante desencadeado. Com base na no\u00e7\u00e3o de \u201cescala dos del\u00edrios\u201d (LACAN, 1955-56\/1985, p. 92), que sup\u00f5e o avan\u00e7o do delirante na evolu\u00e7\u00e3o do trabalho de constru\u00e7\u00e3o, J.-C. Maleval (2009) descreveu o percurso do del\u00edrio. Trata-se de quatro per\u00edodos, cada um com uma especificidade ao n\u00edvel do gozo e da din\u00e2mica da elabora\u00e7\u00e3o delirante, que pode ir da persegui\u00e7\u00e3o paranoica \u00e0 parafrenia. O primeiro per\u00edodo se caracteriza pela deslocaliza\u00e7\u00e3o do gozo e pela perplexidade angustiante; o segundo corresponde \u00e0 tentativa de significa\u00e7\u00e3o do gozo do Outro; o terceiro per\u00edodo \u00e9 o da identifica\u00e7\u00e3o do gozo do Outro; e o quarto \u00e9 o do consentimento ao gozo do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tend\u00eancia dos psiquiatras infantis, a exemplo de Ajuriaguerra (2007), \u00e9 de afirmar que, nas crian\u00e7as, os sentimentos delirantes est\u00e3o mais presentes do que as ideias delirantes em seus aspectos fenomenol\u00f3gicos, isto \u00e9, convic\u00e7\u00e3o subjetiva, impenetrabilidade e impossibilidade de conte\u00fado. G. Heuyer (1951) descreveu o del\u00edrio de imagina\u00e7\u00e3o ou del\u00edrio de sonhos t\u00edpico da inf\u00e2ncia, a saber, relato fant\u00e1stico, mais ou menos sistematizado, quase sempre deslocado no tempo e no espa\u00e7o, cujos temas podem ser grandeza ou filia\u00e7\u00e3o e no qual as ideias se confundem com a realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A amplia\u00e7\u00e3o do conceito de del\u00edrio tribut\u00e1ria das reformula\u00e7\u00f5es de Lacan sobre a linguagem, o gozo e o corpo est\u00e3o presentes no artigo de Pascale Fari, no qual a linguagem como dist\u00farbio do real explica o del\u00edrio generalizado. De maneira impactante, ela nos fala de lal\u00edngua como o que arru\u00edna o ordenamento simb\u00f3lico da linguagem, isto \u00e9, o n\u00facleo imposs\u00edvel de compartilhar que constitui nosso ponto de inser\u00e7\u00e3o e de exclus\u00e3o com respeito \u00e0 comunidade humana. Falamos a partir desse ponto exclu\u00eddo do simb\u00f3lico, a partir da lal\u00edngua de fam\u00edlia e tentamos nos extrair desse lugar tecendo la\u00e7os, articulando um discurso a partir desses significantes sozinhos, desses s\u00edmbolos petrificados fora da cadeia. O del\u00edrio generalizado \u00e9 isso. O del\u00edrio reconstr\u00f3i uma trama discursiva a partir de elementos n\u00e3o simb\u00f3licos. \u00c9 esse o trabalho de Samuel, caso t\u00e3o bem conduzido por Patr\u00edcia Ribeiro, e que nos ensina sobre a inven\u00e7\u00e3o do sujeito no discurso anal\u00edtico. \u00c9 na medida em que Samuel vai tecendo sua trama que ele pode ir construindo uma posi\u00e7\u00e3o de extimidade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lal\u00edngua que lhe agitava o corpo. Ele fala a partir do ponto de exclus\u00e3o que marcou sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a no\u00e7\u00e3o de lal\u00edngua, ganha-se tamb\u00e9m a condi\u00e7\u00e3o de diagnosticar o estatuto dos dist\u00farbios da fala e da linguagem na inf\u00e2ncia psic\u00f3tica, que, a exemplo dos mutismos, dos dist\u00farbios da comunica\u00e7\u00e3o, da presen\u00e7a dos significantes holofraseados, constituem \u00edndices da forclus\u00e3o dos significantes fundamentais do sujeito e de sua desinser\u00e7\u00e3o no discurso.<em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>As c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia: tentativa de localizar o gozo, sem o Nome-do-Pai, no objeto olhar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hip\u00f3tese da inexist\u00eancia do Outro indica o quanto a cl\u00ednica do objeto torna-se fundamental para o tratamento psicanal\u00edtico das psicoses, visto que o problema maior a ser visado pelo tratamento \u00e9 o gozo. Como ent\u00e3o tratar o gozo n\u00e3o interditado pela lei do pai atrav\u00e9s de lal\u00edngua e n\u00e3o da linguagem, a partir do objeto e n\u00e3o do Outro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho cl\u00ednico parece consistir em tentar localizar o que o sujeito psic\u00f3tico traz como um poss\u00edvel esbo\u00e7o do que \u00e9, para o sujeito neur\u00f3tico, o objeto\u00a0<em>a<\/em>. A psican\u00e1lise pode ent\u00e3o sustentar uma cl\u00ednica do objeto visando \u00e0 extra\u00e7\u00e3o do excedente de gozo na psicose infantil. Trata-se de localizar o gozo fora do corpo por meio de uma redu\u00e7\u00e3o do gozo, sem a qual n\u00e3o h\u00e1 la\u00e7o social poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando a preval\u00eancia dos dist\u00farbios da estrutura\u00e7\u00e3o corporal nas psicoses da crian\u00e7a, trata-se de priorizar as interven\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas destinadas a promover alguma negativiza\u00e7\u00e3o do gozo, isto \u00e9, a separa\u00e7\u00e3o entre o corpo e o gozo. O alvo principal da cl\u00ednica do objeto \u00e9 mais a deslocaliza\u00e7\u00e3o do gozo do que os fen\u00f4menos cl\u00e1ssicos da forclus\u00e3o do significante do Nome-do-Pai. Colocam-se ent\u00e3o em primeiro plano os excessos relativos \u00e0 positividade do gozo mais do que o d\u00e9ficit centrado sobre a escala f\u00e1lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objeto n\u00e3o est\u00e1 conectado \u00e0 fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica na psicose. Ele se encontra, portanto, em seu pleno car\u00e1ter de subst\u00e2ncia, isto \u00e9, de subst\u00e2ncia real e n\u00e3o de consist\u00eancia l\u00f3gica. Segundo Miller (2005), h\u00e1 duas vertentes do objeto a: 1) extra\u00e7\u00e3o corporal; 2) consist\u00eancia l\u00f3gica. Na neurose, o objeto a definido como um furo no Outro, um furo com uma borda que funciona como lugar de captura de gozo, proporciona uma forma ao gozo, pois isola uma unidade de gozo em rela\u00e7\u00e3o ao seu car\u00e1ter de absolutiza\u00e7\u00e3o e infinitiza\u00e7\u00e3o. Trata-se do isolamento de zonas especiais no corpo que se tornam lugares do mais-de-gozar. Nas psicoses, verificam-se os fen\u00f4menos de corpo tribut\u00e1rios da subst\u00e2ncia gozante, isto \u00e9, o objeto n\u00e3o dessubstancializado cujo gozo irrompe no corpo sem a negatividade que lhe seria conferida pela castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conjuntura psic\u00f3tica, o objeto est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o, o que implica o corpo na sua dimens\u00e3o absolutamente substancial. A voz e o olhar comparecem como objetos privilegiados da substancialidade do corpo fora da lei do pai. A voz \u00e1fona emerge como aud\u00edvel, e o olhar se torna vis\u00edvel. \u201cA voz, que ningu\u00e9m escuta, e o olhar, que ningu\u00e9m v\u00ea, existem, portanto, na experi\u00eancia do sujeito psic\u00f3tico\u201d (NAVEAU, 2006, p. 76). Os objetos tendem \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o h\u00e1 a extra\u00e7\u00e3o do excedente de gozo. Tanto as vozes como os olhares se multiplicam. Manifestam-se sob formas separadas com um evidente car\u00e1ter de exterioridade em rela\u00e7\u00e3o ao sujeito. Trata-se da exterioridade dos objetos e n\u00e3o de extimidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso cl\u00ednico de Samuel, um menino de 9 anos, apresentado no N\u00facleo de Pesquisa e Investiga\u00e7\u00e3o em Psican\u00e1lise com Crian\u00e7as, me pareceu bastante importante seu singular interesse pelas c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia. No primeiro encontro com a analista, ele pergunta se no consult\u00f3rio existiriam c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia. Ao desenhar, parece esbo\u00e7ar a localiza\u00e7\u00e3o do gozo no objeto olhar. Desenha\u00a0<em>a \u201c<\/em><em>garagem de um pr\u00e9dio onde h\u00e1 um porteiro que n\u00e3o v\u00ea o que a c\u00e2mera \u2013 que est\u00e1 em destaque no desenho \u2013 do pr\u00e9dio v\u00ea: uma sombra que se esgueira pelo muro e esfaqueia e esquarteja algu\u00e9m, deixando um rastro de peda\u00e7os de corpo e muito sangue, como ele me mostra desenhando e colorindo de vermelho\u201d.\u00a0<\/em>Noutra sess\u00e3o, relata ter pedido a av\u00f3 materna uma mini c\u00e2mera port\u00e1til de presente para vigiar o lugar, isto \u00e9,\u00a0<em>\u201cum barrac\u00e3o nos fundos que&#8230; teria algo de estranho, certos ru\u00eddos\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais adiante, no relato da analista que o atende, encontramos novamente a presen\u00e7a da c\u00e2mera de vigil\u00e2ncia. Ele falou de sua proposta\u00a0<em>\u201cde ajudar a vigiar as crian\u00e7as no recreio para que elas n\u00e3o entrem com bebidas escondidas, como ele sup\u00f5e que possa acontecer, chegando mesmo a propor a c\u00e2mera de vigil\u00e2ncia para ajud\u00e1-lo\u201d.<\/em>\u00a0Essa demanda, dessa vez visando o la\u00e7o social no contexto da escola, n\u00e3o consiste na possibilidade do tratamento do gozo por meio do objeto olhar?\u00a0<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A lal\u00edngua de fam\u00edlia e o n\u00e3o lugar do intruso<\/em>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso de Samuel nos coloca a par de sua lal\u00edngua de fam\u00edlia, uma l\u00edngua da exclus\u00e3o e da viol\u00eancia. Conforme queixa dos pais, o irm\u00e3o mais velho do menino n\u00e3o suporta a presen\u00e7a do ca\u00e7ula:<em>\u00a0\u201cEssa rivalidade com Samuel se manifesta sem tr\u00e9guas: o irm\u00e3o nunca o chama pelo nome, atrapalha quando ele est\u00e1 brincando, mal lhe dirige a palavra e quando o faz, geralmente, \u00e9 com muita raiva\u201d.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos desenhos do menino o tema de um Outro mau, intrusivo e mort\u00edfero, que mata e trucida, \u00e9 frequente. Segundo a analista, em determinada sess\u00e3o\u00a0<em>\u201cele desenha um personagem que descreve como um ser parasita, explicando que ele costuma entrar nos corpos das pessoas e quando o faz, ela se transforma em um monstro e morre, ambos, a pessoa e o parasita\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura do \u201cser parasita\u201d sobre a qual Samuel fala me pareceu bem lacaniana, pois evoca a no\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0e da linguagem, provenientes do \u00faltimo ensino. Como foi dito antes, desde a leitura da escrita de Joyce por Lacan passamos a trabalhar com a hip\u00f3tese da linguagem como parasita. O sujeito psic\u00f3tico \u00e9 o mais indicado para testemunhar isso, tal como o fez Samuel. Disse Lacan: \u201ca quest\u00e3o \u00e9 antes de saber porque um homem dito normal n\u00e3o percebe que a fala \u00e9 um parasita, que a fala \u00e9 uma excresc\u00eancia, que a fala \u00e9 a forma de c\u00e2ncer pela qual o ser humano \u00e9 afligido\u201d (LACAN, 1975-76\/2007, p. 92). \u00c9 o que nos permite sustentar que todo mundo delira.\u00a0 No melhor dos casos, pode-se fazer disso um\u00a0<em>sinthoma<\/em>, uma maneira de gozar singular do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se extraindo do n\u00facleo de real que o constituiu, Samuel faz a fic\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de um desenho animado, uma vers\u00e3o na qual o tema do exclu\u00eddo toma forma:\u00a0<em>\u201c<\/em><em>nessa fam\u00edlia, haveria um membro rejeitado, uma porquinha relegada a ficar abandonada em casa, por ser doente com c\u00e2ncer e que, por isso, seus pais decidiram escond\u00ea-la do mundo\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel testemunha a marca da transmiss\u00e3o da lal\u00edngua de fam\u00edlia e nos permite retomar Lacan na Confer\u00eancia de Genebra. O que retorna nos sonhos e no sintoma, enfim, nas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, sob o formato de trope\u00e7os os mais diversos e de v\u00e1rios tipos de formas de dizer, depende de como a lal\u00edngua foi falada e entendida pelo outro. \u00a0Ele afirma que os pais instilam um modo de falar na crian\u00e7a:\u00a0 \u201cA forma pela qual lhe foi instilado um modo de falar s\u00f3 pode levar a marca do modo como os pais a aceitaram\u201d (LACAN, 1975\/1998, p. 9). A linguagem interpreta as marcas de lal\u00edngua, que v\u00e3o sendo depositadas sobre o corpo do\u00a0<em>infans.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema do exclu\u00eddo e do intruso aparece em v\u00e1rios contextos tanto da fam\u00edlia quanto da escola de Samuel. No ambiente escolar, que p\u00f5e a prova a inser\u00e7\u00e3o desse sujeito num la\u00e7o social, destaco a figura de um colega de sala, um duplo de Samuel, que, segundo ele, est\u00e1 na escola onde n\u00e3o deveria estar por ser uma crian\u00e7a doente,\u00a0<em>\u201ccujo lugar deveria ser em uma escola especial, pois ele n\u00e3o \u00e9 como os outros\u201d<\/em>. Esse colega parece viabilizar uma certa recomposi\u00e7\u00e3o da imagem do eu, que por ser constantemente invadida pelo gozo esc\u00f3pico deslocalizado promove a inquietante estranheza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui pretendo articular o ultim\u00edssimo Lacan com o primeir\u00edssimo, pois recorrerei \u00e0 teoria dos complexos familiares como chave de leitura do problema do intruso, t\u00e3o patente no caso do Samuel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 1938, no artigo \u201cOs complexos familiares\u201d, Lacan problematizou a paranoia estruturante do eu por meio do complexo de intrus\u00e3o, segundo o qual a imagem do outro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual o eu se aliena tem um car\u00e1ter estrangeiro e intrusivo. \u00c9 nesse complexo que se funda o alicerce de temas delirantes da paranoia pela domin\u00e2ncia do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">As liga\u00e7\u00f5es da paranoia com o complexo fraterno manifestam-se pela frequ\u00eancia dos temas da filia\u00e7\u00e3o, da usurpa\u00e7\u00e3o e da espolia\u00e7\u00e3o, assim como sua estrutura narc\u00edsica se revela nos temas mais paranoides da intrus\u00e3o, da influ\u00eancia, do desdobramento, do duplo e de todas as transmuta\u00e7\u00f5es delirantes do corpo. (LACAN, 1938\/2003, p. 51)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan discute o papel traumatizante do irm\u00e3o no complexo familiar de intrus\u00e3o: \u201cA intrus\u00e3o parte do rec\u00e9m-chegado e infesta o ocupante; na fam\u00edlia, em regra geral, trata-se de um nascimento, e \u00e9 o primog\u00eanito que desempenha, em princ\u00edpio, o papel de paciente\u201d (LACAN, 1938\/2003, p. 50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O transitivismo paranoico, no qual o eu regride a um est\u00e1gio arcaico de sua constitui\u00e7\u00e3o, pode explicar a tend\u00eancia \u00e0 agressividade, por vezes necess\u00e1ria a separa\u00e7\u00e3o entre o eu e o outro. A afinidade da paranoia com o eu especular foi retomada na li\u00e7\u00e3o de 08\/04\/1975, do Semin\u00e1rio RSI, em que \u00e9 definida como um visgo imagin\u00e1rio. A paranoia estrutura-se, pois, sobre a base de uma prolifera\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio e sobre a fixa\u00e7\u00e3o do sujeito no est\u00e1gio do espelho.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A inven\u00e7\u00e3o do projeto pedag\u00f3gico: uma sa\u00edda esbo\u00e7ada pela via do Ideal?<\/em>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um\u00a0<em>projeto pedag\u00f3gico<\/em>\u00a0proposto por Samuel,\u00a0<em>\u201cpara ajudar Lucio a se sair melhor nas notas j\u00e1 que ele tem dificuldades de aprender\u201d<\/em>, me pareceu uma outra maneira de tratar o real do gozo, dessa vez por meio do Ideal, n\u00e3o sem conex\u00e3o ao destino do objeto olhar. Se, at\u00e9 ent\u00e3o, Samuel e o colega compunham o eixo imagin\u00e1rio a-a\u2019, no qual Samuel sofre do \u00f3dio e da intrus\u00e3o sem a media\u00e7\u00e3o do Outro, a inven\u00e7\u00e3o do saber pedag\u00f3gico entre eles promove o ideal pedag\u00f3gico no lugar do Nome-do-Pai forclu\u00eddo. Com o Lacan dos complexos familiares dir\u00edamos que a estagna\u00e7\u00e3o da sublima\u00e7\u00e3o do complexo de intrus\u00e3o cede \u00e0 a\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico. Samuel assumiria o lugar do educador ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa solu\u00e7\u00e3o, que no caso do Samuel parece uma miss\u00e3o, mais do que um ideal, evoca o\u00a0<em>Em\u00edlio<\/em>\u00a0de Rousseau e suas li\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o. Rousseau inscreveu seu nome no campo do Outro mediante a escrita de seu tratado de educa\u00e7\u00e3o. Ele pretendia uma esp\u00e9cie de pedagogia capaz de eliminar o gozo. Prop\u00f4s inclusive a elimina\u00e7\u00e3o de qualquer li\u00e7\u00e3o verbal, de maneira que o educando mantivesse sua natureza pura sem contamina\u00e7\u00e3o pela linguagem, ainda que isso lhe custasse o pr\u00f3prio la\u00e7o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concluir, recorro ao coment\u00e1rio de J.-A. Miller (2015, p. 308) em \u201cTodo el mundo es loco\u201d sobre uma pergunta-t\u00edtulo de um col\u00f3quio, a saber, \u201co que pode esperar o psic\u00f3tico hoje?\u201d.\u00a0 Miller sugeriria j\u00e1 \u00e0 entrada do col\u00f3quio a frase \u201cTodo mundo \u00e9 louco, quer dizer, delirante\u201d. A tend\u00eancia \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o do del\u00edrio implica, certamente, o seu decl\u00ednio, e articula-se a uma mudan\u00e7a na pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de loucura.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">AJURIAGUERRA, J. Psicoses infantis. In: MARCELLI, D.\u00a0<em>Manual de Psicopatologia da Inf\u00e2ncia de Ajuriaguerra<\/em>. Porto Alegre: Editora Artmed, 2007, p. 201-226.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FARI, P. Lal\u00edngua. In: MACHADO, O.; RIBEIRO, V. A. (Org.).\u00a0<em>Scilicet<\/em>: o real no s\u00e9culo XXI. Belo Horizonte: Scriptum\/Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2014.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FREUD, S.\u00a0<em>Notas psicanal\u00edticas sobre um relato autobiogr\u00e1fico de um caso de paranoia<\/em><em>\u00a0<\/em>(dementia paranoides). In:\u00a0<em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XII, 1996. (Trabalho original publicado em 1911).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">GULLAR, F.\u00a0<em>Zoologia bizarra<\/em>. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2010.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 3<\/em>: As psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Trabalho original proferido em 1955-56).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Confer\u00eancia em Genebra sobre o sintoma.\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n. 23, p. 6-16, dez. 1998. (Trabalho original publicado em 1975).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Os complexos familiares. In:\u00a0<em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. (Trabalho original publicado em 1938).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. (Trabalho original proferido em 1975-76).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LEGUIL, F. Cura de un ni\u00f1o paranoico? In:\u00a0<em>Ni\u00f1os en psicoan\u00e1lisis<\/em>. Buenos Aires: Manantial, 1992, p. 127-133.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MALEVAL, J.C.\u00a0\u00a0<em>Locuras hist\u00e9ricas y psicosis disociativas<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2009<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura e refer\u00eancias do Semin\u00e1rio 10.\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n. 43, p. 7-81. mai. 2005.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. Todo el mundo es loco. In:\u00a0<em>Todo el mundo es loco.\u00a0<\/em>Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2015.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">NAVEAU, P. L\u00b4extraction de l\u00b4objet a et le passage \u00e0 acte.\u00a0<em>La Cause\u00a0<\/em><em>Freu<\/em><em>dienne<\/em>, n. 63, p. 75-78, 2006.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/543-a-crianca-seus-delirios-e-os-delirios-de-seus-pais#refer1\">[1]<\/a><a id=\"nota1\" contenteditable=\"false\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/543-a-crianca-seus-delirios-e-os-delirios-de-seus-pais#refer1\"><\/a><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/543-a-crianca-seus-delirios-e-os-delirios-de-seus-pais#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a>\u00a0Texto apresentado no N\u00facleo de Pesquisa e Investiga\u00e7\u00e3o em Psican\u00e1lise com Crian\u00e7as do IPSM-MG, em 16 de junho de 2023<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Suzana Faleiro Barroso Psicanalista Membro da EBP\/AMP suzanafaleirobarroso@gmail.com Resumo:\u00a0A partir da no\u00e7\u00e3o de del\u00edrio generalizado, o texto discute a quest\u00e3o da especificidade do del\u00edrio na psicose infantil. Segundo o coment\u00e1rio de fragmentos da cl\u00ednica, verifica-se, numa inf\u00e2ncia paranoica, diferentes modos de tratamento do gozo sem o Nome-do-Pai. Palavras-chave:\u00a0psicose infantil, del\u00edrio, lal\u00edngua de fam\u00edlia, tratamento do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57769,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-188","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-31","category-26","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=188"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57770,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188\/revisions\/57770"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=188"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=188"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}