{"id":1904,"date":"2022-07-19T06:41:42","date_gmt":"2022-07-19T09:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1904"},"modified":"2025-12-01T13:04:11","modified_gmt":"2025-12-01T16:04:11","slug":"um-caminho-politico-ideologico-para-a-hegemonia-das-classificacoes-e-seus-protocolos-rumo-as-neurociencias1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2022\/07\/19\/um-caminho-politico-ideologico-para-a-hegemonia-das-classificacoes-e-seus-protocolos-rumo-as-neurociencias1\/","title":{"rendered":"UM CAMINHO POL\u00cdTICO-IDEOL\u00d3GICO PARA  A HEGEMONIA DAS CLASSIFICA\u00c7\u00d5ES E SEUS  PROTOCOLOS RUMO \u00c0S NEUROCI\u00caNCIAS[1]"},"content":{"rendered":"<p><sup><strong><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/caminho-politico-ideologico#_edn1\" name=\"_ednref1\"><\/a><\/strong><\/sup><\/p>\n<h6>MARIA RITA GUIMAR\u00c3ES<br \/>\nPsicanalista, membro da EBP\/AMP<br \/>\n<a href=\"mailto:mariarita.guimaraes@gmail.com\">mariarita.guimaraes@gmail.com<\/a><\/h6>\n<p><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>A partir da cl\u00ednica psicanal\u00edtica, sobretudo a cl\u00ednica com crian\u00e7as e a cl\u00ednica com autistas nela inclu\u00edda, o que nos interessa acerca de protocolos e classifica\u00e7\u00f5es? Debater a atualidade: h\u00e1 uma perda da b\u00fassola de orienta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica porque se passou das decis\u00f5es cl\u00ednicas ao organismo das neuroci\u00eancias, ignorando ou tornando muda a palavra do sujeito. O texto tenta examinar as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas desse percurso.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:\u00a0<\/strong>diagn\u00f3stico; neuroci\u00eancias; autismo; redu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p><strong>A political-ideological path to the hegemony of classifications and their protocols towards neurosciences<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract:\u00a0<\/strong>In psychoanalytic clinic, especially the clinic with children and the clinic with autistic people included in that, what interests us in protocols and classifications? Debating the current situation: there is a loss of clinical orientation because it has gone from clinical decisions to the organism of neuroscience, ignoring or muting the subject&#8217;s word. This text tries to examine the political-ideological conditions of this path.<\/p>\n<p><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>diagnosis; neurosciences; autism; clinical reduction.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Ana_maria_Lopes_e_Henrique_Torres.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"853\" data-large_image_height=\"1280\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1905 alignleft\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Ana_maria_Lopes_e_Henrique_Torres-682x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"714\" \/><\/a>Um argumento poss\u00edvel para uma reflex\u00e3o sobre a atualidade do estatuto das neuroci\u00eancias leva-nos ao fato de que os protocolos cont\u00eam categorias e prescri\u00e7\u00f5es de medidas que n\u00e3o est\u00e3o dissociadas do car\u00e1ter biopol\u00edtico, ou seja, o que podemos chamar de campo pol\u00edtico-ideol\u00f3gico das condi\u00e7\u00f5es nas quais s\u00e3o cimentados os protocolos, come\u00e7a via classifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A partir da cl\u00ednica psicanal\u00edtica, sobretudo a cl\u00ednica com crian\u00e7as e a cl\u00ednica com autistas nela inclu\u00edda, o que nos interessa acerca de protocolos e classifica\u00e7\u00f5es? Debater a atualidade: h\u00e1 uma perda da b\u00fassola de orienta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica porque se passou das decis\u00f5es cl\u00ednicas ao organismo das neuroci\u00eancias, ignorando ou tornando muda a palavra do sujeito. E isso \u00e9 muito preocupante.<\/p>\n<p>Poderia partir dos trabalhos do epistem\u00f3logo e professor canadense Ian Hacking, dos quais j\u00e1 nos ocupamos h\u00e1\u00a0uns 15 anos. Por\u00e9m, tomo desse autor poucos elementos de um texto publicado em 2013, chamado \u201cSobre a taxonomia dos transtornos mentais\u201d<em>.<\/em><\/p>\n<p>Vamos lembrar que, embora o DSM seja um manual norte-americano, ele \u00e9 prevalentemente utilizado no mundo inteiro, no Brasil inclusive, mesmo que a Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (ICD \u2013 Genebra), CID, como conhecemos, seja normalmente considerada o manual oficial.<\/p>\n<p>Dois pontos para a finalidade que nos ocupa: a pergunta do autor \u201cQuem precisa das 947 p\u00e1ginas do DSM-5?\u201d. Do que a maioria dos consumidores necessita \u00e9 o aplicativo para celular DSM-5 Diagnostic Criteria, para diagn\u00f3stico do DSM-5. E desse\u00a0<em>app<\/em>, quem precisa? Resposta: as burocracias.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">\u201cTodas as pessoas nos EUA e no Canad\u00e1, esperando que seu seguro de sa\u00fade cubra ou pelo menos custeie parte do valor do tratamento de suas doen\u00e7as mentais, precisam, primeiramente, receber um diagn\u00f3stico que se enquadre no esquema e tenha um c\u00f3digo num\u00e9rico\u201d (HACKING, 2013, p. 302).<\/p>\n<p>Outro aspecto das burocracias diz respeito \u00e0 estat\u00edstica \u2014 o estabelecimento de predomin\u00e2ncia de doen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cO diagn\u00f3stico exerce efeitos sutis na maneira como o paciente entende a si mesmo, e, hoje em dia, os pacientes tendem a buscar informa\u00e7\u00f5es on-line. As principais revistas de psiquiatria da l\u00edngua inglesa exigem que os artigos cient\u00edficos que tratam da sa\u00fade mental as caracterizem usando o DSM\u201d (HACKING, 2013, p. 302).<\/p>\n<p>O importante \u00e9 que Hacking (2013), ao final, vai considerar que o DSM-5 serve para outras coisas \u2014 as citadas acima, por\u00e9m, trata-se de um \u201clivro\u201d \u2014 assim o chama \u2014 equivocado. Para pontuar essa afirma\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte, fa\u00e7o-o de modo reducionista, desprezando aqui sua esclarecedora argumenta\u00e7\u00e3o referindo-se ao modelo bot\u00e2nico, no qual o DSM se inspirou, com classifica\u00e7\u00f5es em g\u00eanero, esp\u00e9cie e subesp\u00e9cie; um modo de organiza\u00e7\u00e3o \u2014 leis da reprodu\u00e7\u00e3o, que permitem a descri\u00e7\u00e3o da \u00e1rvore. Cito Hacking: \u201cTalvez, ao fim e ao cabo, o DSM seja visto um dia como uma\u00a0<em>reductio ad absurdum<\/em>\u00a0do projeto bot\u00e2nico no campo da insanidade\u201d (2013, p. 313).<\/p>\n<p>N\u00e3o assinalarei, do texto, os fatos que se desenvolveram uma semana antes do lan\u00e7amento do DSM-5, que mereceram ser qualificados como \u201c\u00edndices da crise epistemol\u00f3gica das classifica\u00e7\u00f5es\u201d, porque, antes mesmo desse artigo a que me reporto e do lan\u00e7amento do DSM-5, em \u201cFim de uma \u00e9poca\u201d (2012a), \u00c9ric Laurent j\u00e1 trabalhava esses fatos e seguiu trabalhando em v\u00e1rias confer\u00eancias. Foi imprescind\u00edvel revisitar seus textos e encontrar as refer\u00eancias ao texto de Hacking.<\/p>\n<p>Vale lembrar que, no \u00e1pice da crise da \u201czona DSM\u201d, Thomas Insel, chefe do Instituto Nacional da Sa\u00fade Mental \u2014 EUA, principal financiador de pesquisa na \u00e1rea \u2014, anunciou que o \u00f3rg\u00e3o abandonaria o DSM porque a publica\u00e7\u00e3o tratava apenas de sintomas. Ele queria ci\u00eancia, queria pesquisa gen\u00e9tica e neurol\u00f3gica e acreditava que, como em qualquer outro campo da medicina, tais recursos deveriam ser usados para definir a identidade de uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Trata-se do mesmo senhor citado em um texto extraordin\u00e1rio de \u00c9ric Laurent, \u201cAutismo: epidemia ou estado ordin\u00e1rio do sujeito?\u201d (2012b, tradu\u00e7\u00e3o livre do t\u00edtulo), no qual analisa o contexto do aumento impressionante dos diagn\u00f3sticos de autismo. Vemos, na atualidade, a correla\u00e7\u00e3o entre vacina como um dos fatores daquele \u201caumento\u201d diagn\u00f3stico, dentro do chamado \u201cfator ambiental\u201d, e o que se passou com a quest\u00e3o da vacina contra a covid-19 para as crian\u00e7as no Brasil. Laurent faz importante desenvolvimento das interpreta\u00e7\u00f5es surgidas, de origens ideol\u00f3gicas distintas, como tentativas explicativas das causas da chamada \u201cpandemia\u201d do autismo. Deixo o \u00faltimo par\u00e1grafo do texto:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cO debate estat\u00edstico n\u00e3o revela um\u00a0<em>status<\/em>\u00a0quase ordin\u00e1rio de autismo? Se definirmos o ser falante como um ser de comunica\u00e7\u00e3o, descobrimos uma falha radical nisso. O in\u00edcio do s\u00e9culo 20 viu a descoberta da extens\u00e3o da neurose e do conflito ps\u00edquico. O final do s\u00e9culo passado foi marcado pelo estatuto ordin\u00e1rio da psicose e depress\u00e3o. O s\u00e9culo 21 n\u00e3o ser\u00e1 o s\u00e9culo da evid\u00eancia de um\u00a0<em>status\u00a0<\/em>comum de autismo?\u201d (LAURENT, 2012b, n.p., tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<p>Laurent dedicou longo tempo a esse debate. Recordo a confer\u00eancia dada em Buenos Aires, na qual examina \u201cos efeitos de massifica\u00e7\u00e3o segregativos\u201d produzidos pela ideologia classificat\u00f3ria, lembrando, justamente, a porcentagem do n\u00famero de autistas (em torno de uma crian\u00e7a em 1980 seria autista ou considerando a diferen\u00e7a de sexos, meninos, algo assim como um em cada grupo de 60) e que tal fato se tornou um problema de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cAparece o perigo do silenciamento da voz dos autistas, especialmente de alto n\u00edvel. Cabe ao psicanalista dar-lhes a voz e, inclusive, levar em conta a ang\u00fastia dos \u00f3rg\u00e3os controladores que enfrentam a sua impot\u00eancia: ajud\u00e1-los a recusar o fetichismo das cifras para considerar o despertar do desejo. \u00c0 medida que Lacan chamou os impasses da civiliza\u00e7\u00e3o, especialmente no controle da inf\u00e2ncia, as armas que a psican\u00e1lise oferece como pensamento cr\u00edtico permitem restaurar as margens da singularidade n\u00e3o conformada \u00e0 \u00e9poca\u201d (LAURENT, 2012c, n.p., tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<p>Lembro a frase de Miller (2021): \u201cDiante da intoler\u00e2ncia, nos cabe fazer a diferen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os filhotes do DSM-5<\/em><\/p>\n<p>No per\u00edodo que assinalamos anteriormente \u2014 das discuss\u00f5es entre os grupos de constru\u00e7\u00e3o do DSM-5 \u2014, em torno de 2013, surgiu o tal \u201ctranstorno do neurodesenvolvimento (TND), hoje dominante na psiquiatria norte-americana, o que nos chega como psiquiatria biol\u00f3gica. De qualquer forma, o tema \u00e9 bastante sens\u00edvel e h\u00e1 muitas filigranas biopol\u00edticas, que foram trabalhadas por Maleval no texto \u201cTranstornos do neurodesenvolvimento: um for\u00e7amento epist\u00eamico-pol\u00edtico\u201d (2021), que recomendamos \u00e0 falta de condi\u00e7\u00f5es de traz\u00ea-las aqui. Para mostrar o tom de desconforto emanado por essa falsa ci\u00eancia, cito Maleval:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201c[&#8230;] os TND seriam uma cole\u00e7\u00e3o que tem em comum \u2018crian\u00e7as anormais\u2019. Como os identificamos? Essencialmente por cifras \u2013 n\u00fameros \u2013 que mostram um desvio de um desenvolvimento \u2018normal\u2019 definido por meios estat\u00edsticos. Trata-se essencialmente de testes que avaliam o cognitivo e a linguagem que proporcionam um marco para as TND\u201d (MALEVAL, 2021, n\/p., tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Movimento \u201cBasta\u201d!<\/em><\/p>\n<p>Fa\u00e7o aqui brev\u00edssima refer\u00eancia ao recente engajamento da Escola da Causa Freudiana (ECF) na luta de apoio aos psic\u00f3logos da Fran\u00e7a. Esse importante movimento junto aos psic\u00f3logos franceses levou \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de um f\u00f3rum em 27\/5\/21. A luta, certamente, estava no momento mesmo da prepara\u00e7\u00e3o do f\u00f3rum. Deixo a refer\u00eancia de um texto de Miller na LQ n. 930, em que associa esse movimento ao de 2003, ocasi\u00e3o em que se pretendeu regulamentar as psicoterapias. Em favor da luta da ECF, v\u00e1rios nomes da intelig\u00eancia francesa se manifestaram igualmente. A emenda foi retirada.<\/p>\n<p>Da apresenta\u00e7\u00e3o desse f\u00f3rum realizado pela Escola da Causa Freudiana, escrita por Laurent Dupont e \u00c9ric Ziliani, tomo o essencial para configurar a dimens\u00e3o do que se tratava pol\u00edtico-ideologicamente, a partir de um decreto de 10\/3\/21, advindo da Alta Autoridade da Sa\u00fade, da Fran\u00e7a.<\/p>\n<ol>\n<li><em>O decreto n\u00e3o visa apenas a regulamentar a profiss\u00e3o dos psic\u00f3logos em subordina\u00e7\u00e3o ao campo m\u00e9dico, mas tamb\u00e9m a reduzir a diversidade das suas pr\u00e1ticas ao \u00fanico referente comportamental, pr\u00e1ticas que visam a silenciar o sujeito, reduzindo-o ao seu c\u00e9rebro.<\/em><\/li>\n<li><em>H\u00e1 tentativas de deputados republicanos que apresentaram um projeto de lei visando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cautoridade ordinal\u201d para a profiss\u00e3o. Desconfia tanto da forma\u00e7\u00e3o quanto da pr\u00e1tica do psic\u00f3logo e tamb\u00e9m sustenta a ideia de que essa ordem de psic\u00f3logos ser\u00e1 filiada \u00e0s profiss\u00f5es da sa\u00fade.<\/em><\/li>\n<li><em>A Escola da Causa Freudiana organizou esse f\u00f3rum para combater essa amea\u00e7a \u00e0s pr\u00e1ticas da fala. Porque, n\u00e3o se engane, essa ofensiva n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o a de uma redu\u00e7\u00e3o neurocient\u00edfica do ser humano, que teria como consequ\u00eancia silenciar toda a pr\u00e1tica da fala e, ao mesmo tempo, apagar toda a contribui\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Situa\u00e7\u00e3o do autismo, atualmente, no Brasil: h\u00e1 como esvaziar as boas inten\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Existe uma Funda\u00e7\u00e3o no Brasil, precisamente em S\u00e3o Paulo, a Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Luiz Egydio Set\u00fabal, que, por seu nome, nos indica o peso financeiro que a sustenta: trata-se de um dos donos do Banco Ita\u00fa \u2014 o \u00fanico, entre os sete filhos de Olavo Set\u00fabal, que n\u00e3o seguiu os destinos da fam\u00edlia, mas a medicina. A Funda\u00e7\u00e3o re\u00fane tr\u00eas vieses de trabalho, todos no campo infantil. Autismo e Realidade \u00e9 um deles. Formada como associa\u00e7\u00e3o de pais e profissionais de sa\u00fade, passou a fazer parte da estrutura do Instituto Pensi (outro bra\u00e7o da Funda\u00e7\u00e3o), respons\u00e1vel por desenvolver programas de ensino e pesquisa em sa\u00fade infantil. O terceiro campo de interesse da Funda\u00e7\u00e3o se centra na \u00e1rea hospitalar infantil.<\/p>\n<p>Autismo e Realidade tem um site pr\u00f3prio, bonito e funcional, com o objetivo de difus\u00e3o do conhecimento sobre autismo por meio de conte\u00fados voltados para pais e o p\u00fablico geral. Podemos, nesse site, baixar as cartilhas (uma delas com parceria de Ziraldo). Al\u00e9m delas, conjuntamente com o Pensi, s\u00e3o realizadas pesquisas cient\u00edficas e cursos EaD de capacita\u00e7\u00e3o para profissionais, cuidadores e familiares. De outra cartilha, \u00e0 p. 112, no cap\u00edtulo \u201cTerapias\u201d, destaco, como primeira op\u00e7\u00e3o, as Terapias Cognitivo-comportamentais (TCCs) e o m\u00e9todo ABA (An\u00e1lise Aplicada do Comportamento), que ressaltam, dessa terapia, os princ\u00edpios que a constituem, entre outros, refor\u00e7o positivo e puni\u00e7\u00e3o; aplica\u00e7\u00e3o de est\u00edmulo indesej\u00e1vel para inibir problemas comportamentais etc. Tudo muito coerente, como estas palavras: \u201cPara garantir uma padroniza\u00e7\u00e3o no processo do diagn\u00f3stico, foram criados protocolos m\u00e9dicos, que s\u00e3o testes e entrevistas [&#8230;]\u201d (Guia para leigos sobre o TEA, 2021, p. 71\u20132).<\/p>\n<p>No caso de crian\u00e7as, por exemplo, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que o primeiro protocolo a ser usado seja a escala Michat. Em seguida, vem o n\u00edvel de risco ADI_R (Entrevista de Diagn\u00f3stico Revisada), que \u00e9 um teste, na verdade, com 93 quest\u00f5es<em>.\u00a0<\/em>Tem tamb\u00e9m o ADOS (Programa\u00e7\u00e3o Diagn\u00f3stica para Autismo). N\u00e3o irei seguir nisso, mas, lendo a cartilha, ter\u00e3o ideia do poder e infiltra\u00e7\u00e3o da neuroci\u00eancia.<\/p>\n<p>Cito, para encerrar, uma frase escolhida aleatoriamente: \u201cNa neurologia, os m\u00e9dicos aprendem a avaliar o funcionamento t\u00edpico do c\u00e9rebro, movimentos anormais e sinais de epilepsia, e aplicar testes da capacidade motora, reflexos e for\u00e7a muscular\u201d (Guia para leigos sobre o TEA, 2021, p. 80).<\/p>\n<p>Uma frase de Josef Schovanec, autor do livro\u00a0<em>Yo pienso\u00a0diferente<\/em>:\u00a0<em>el extraordinario testimonio de um genio autista<\/em>, vers\u00e3o e-book, encontr\u00e1vel em Amazon e Google Livros:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cSuponha que voc\u00ea seja um psic\u00f3logo. Voc\u00ea traz em seu escrit\u00f3rio uma crian\u00e7a autista que come\u00e7a a falar com as palavras \u2018Alnitak, Alnilam, Mintaka\u2019. Voc\u00ea deduz que ele tem uma forma de psicose infantil? Um autismo que limita toda a comunica\u00e7\u00e3o humana? Ou voc\u00ea vai reconhecer os nomes de tr\u00eas estrelas no cinto de Orion e iniciar uma conversa apaixonada sobre astronomia?\u201d (SCHOVANEC, 2015, p. 25. Tradu\u00e7\u00e3o nossa).<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>Guia para leigos sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)<\/strong>. PDF. Instituto Pensi \u2013 Pesquisa e ensino em Sa\u00fade Mental. Autismo e Realidade. Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Luiz Egydio Set\u00fabal. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/autismoerealidade.org.br\/convivendo-com-o-tea\/cartilhas\">https:\/\/autismoerealidade.org.br\/convivendo-com-o-tea\/cartilhas<\/a>. Acesso em: 5 maio 2022.<\/h6>\n<h6>HACKING, I. \u201cSobre a taxonomia dos transtornos mentais\u201d.\u00a0<strong>Discurso<\/strong>. ago. 2013. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/discurso\/issue\/view\/6478\">https:\/\/www.revistas.usp.br\/discurso\/issue\/view\/6478<\/a>. Acesso em: 5 maio 2022.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. \u201cFim de uma \u00e9poca\u201d.\u00a0<strong>Diretoria EBP na Rede<\/strong><em>.\u00a0<\/em>2012a. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/dr\/ebp_deb\/ebP_deb001\/laurent.html\">https:\/\/www.ebp.org.br\/dr\/ebp_deb\/ebP_deb001\/laurent.html<\/a>&gt;. \u00a0Acesso em: 5 maio 2022.<\/h6>\n<h6>LAURENT \u00c9. &#8220;Autisme: \u00c9pid\u00e9mie ou \u00e9tat ordianaire du sujet?&#8221;.\u00a0<strong>Lacan Quotidien<\/strong>. n. 194., abr. 2012b. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lacanquotidien.fr\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/LQ-1941.pdf\">http:\/\/www.lacanquotidien.fr\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/LQ-1941.pdf<\/a>. Acesso em: 1 maio 2022.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. \u201cEl psicoan\u00e1lisis y la crisis del control de la infancia\u201d.\u00a0<strong>Intersecciones Psi. Revista Eletr\u00f3nica de la Facultad de Psicolog\u00eda<\/strong>. n. 43. 2012c. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/intersecciones.psi.uba.ar\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=157:el-psicoanalisis-y-la-crisis-del-control-de-la-infancia&amp;catid=15:actualidad&amp;Itemid=1\">http:\/\/intersecciones.psi.uba.ar\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=157:el-psicoanalisis-y-la-crisis-del-control-de-la-infancia&amp;catid=15:actualidad&amp;Itemid=1<\/a>. Acesso em: 5 maio 2022.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9ric. \u201cLa \u00e9poca del Sinthome\u201d. Transmitido ao vivo em nov. 2019 pelo canal UBApsicologia. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wuDkFM9ZrWo\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wuDkFM9ZrWo<\/a>. Acesso em: 5 maio 2022.<\/h6>\n<h6>MALEVAL, J.-C. \u201cTranstorno del neuro-desarrollo: un forzamiento epist\u00e9mico-politico\u201d.\u00a0<strong>Lacan Quotidien<\/strong>. n. 932. jun. 2021, p. 15-24. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wapol.org\/es\/global\/Lacan-Quotidien\/LQ-932-BAT.pdf\">https:\/\/www.wapol.org\/es\/global\/Lacan-Quotidien\/LQ-932-BAT.pdf<\/a>\u00a0Acesso em: 5 maio 2022.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cLa escuela de la tolerancia\u201d.\u00a0<strong>Lacan Quotidien<\/strong>. n. 930, jun. 2021. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.eol.org.ar\/biblioteca\/lacancotidiano\/LC-cero-930.pdf\">http:\/\/www.eol.org.ar\/biblioteca\/lacancotidiano\/LC-cero-930.pdf<\/a>. Acesso em: 5 maio 2022.<\/h6>\n<h6>SCHOVANEC, J.\u00a0<strong>Yo pienso\u00a0diferente<\/strong>: el extraordinario testimonio de um genio autista. Madri: Ediciones Palabra, 2015.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/caminho-politico-ideologico#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Texto apresentado no N\u00facleo de Investiga\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Psican\u00e1lise com Crian\u00e7as da \u00a0Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica &#8211; \u00a0IPSM-MG, no dia 11 de maio de 2022.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARIA RITA GUIMAR\u00c3ES Psicanalista, membro da EBP\/AMP mariarita.guimaraes@gmail.com Resumo:\u00a0A partir da cl\u00ednica psicanal\u00edtica, sobretudo a cl\u00ednica com crian\u00e7as e a cl\u00ednica com autistas nela inclu\u00edda, o que nos interessa acerca de protocolos e classifica\u00e7\u00f5es? Debater a atualidade: h\u00e1 uma perda da b\u00fassola de orienta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica porque se passou das decis\u00f5es cl\u00ednicas ao organismo das neuroci\u00eancias,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57821,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-1904","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-29","category-25","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1904"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1904\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57822,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1904\/revisions\/57822"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57821"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}