{"id":1941,"date":"2022-07-19T06:41:42","date_gmt":"2022-07-19T09:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1941"},"modified":"2025-12-01T13:08:15","modified_gmt":"2025-12-01T16:08:15","slug":"1941-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2022\/07\/19\/1941-2\/","title":{"rendered":"PEQUENA GAROTA[1]"},"content":{"rendered":"<h6>SILVIA BAUDINI<br \/>\nPsicanalista, A.M.E. da EOL\/AMP<br \/>\n<a href=\"mailto:sbaudini@yahoo.com.ar\">sbaudini@yahoo.com.ar<\/a><\/h6>\n<blockquote><p>\n<strong>Resumo:\u00a0<\/strong>a autora apresenta a sua leitura do document\u00e1rio\u00a0<em>Pequena garota<\/em>, que aborda a quest\u00e3o do transexualismo e sua incid\u00eancia nos corpos das crian\u00e7as. Sua an\u00e1lise o articula ao discurso de nossa \u00e9poca, o que lhe permite dizer que\u00a0\u00a0se \u201cna era vitoriana a histeria era a\u00a0<em>epidemia<\/em>\u00a0que explicava o impasse sexual da \u00e9poca, a causa trans \u00e9 o que est\u00e1 em jogo hoje no impasse sexual de 2021\u201d.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chaves:<\/strong>\u00a0transexual; crian\u00e7as; corpos; impasse sexual.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>LITTLE GIRL<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0In this essay the author presents her thoughts on the documentary\u00a0<em>Little Girl<\/em>\u00a0that addresses transsexuality and its impact on children&#8217;s bodies. Her analysis articulates it to the discourse of our time wich allows her to say that if \u201cin the Victorian era hysteria was the epidemic that explained the sexual impasse of the time, the trans cause is what is at stake today in the sexual impasse of 2021\u201d.\u00a0\u201d<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>transsexual; children; bodies; sexual impasse.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1943\" style=\"width: 1290px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Imagem_Ceclia_Velloso_Batista.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1280\" data-large_image_height=\"848\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1943\" class=\"wp-image-1943 \" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Imagem_Ceclia_Velloso_Batista-1024x678.jpg\" alt=\"\" width=\"648\" height=\"429\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1943\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Cec\u00edlia Velloso Batista<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jacques-Alain Miller (2021) nos disse h\u00e1 um ano que a psican\u00e1lise corre e n\u00f3s, analistas, corremos atr\u00e1s, sempre atrasados<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>. A quest\u00e3o trans \u00e9 um desses acontecimentos que nos fisgaram atrasados.<\/p>\n<p>Embora na Argentina a Lei de Identidade de G\u00eanero (lei 26.743) tenha sido sancionada em 9 de maio de 2012 e promulgada duas semanas depois, n\u00e3o come\u00e7amos a question\u00e1-la de maneira profunda at\u00e9 que Miller fizesse soar o alarme. Ap\u00f3s as suas interven\u00e7\u00f5es de mar\u00e7o de 2021, posso identificar tr\u00eas quest\u00f5es centrais:<\/p>\n<p>1) A escuta sem interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2) Os efeitos sobre a linguagem.<\/p>\n<p>3) Os corpos a corrigir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pequena garota<\/em><\/p>\n<p>Esse filme de S\u00e9bastian Lifshitz conta a hist\u00f3ria da vida de uma fam\u00edlia confrontada com a experi\u00eancia de uma crian\u00e7a que n\u00e3o sente que pertence ao sexo que lhe foi atribu\u00eddo no nascimento. Ao longo de um ano, o realizador filma e documenta momentos cruciais na vida de Sasha, de 7 anos, e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio foi lan\u00e7ado em novembro de 2020, durante a pandemia, e recebeu cr\u00edticas muito favor\u00e1veis por parte dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. O jornal\u00a0<em>Le Monde\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>\u00a0publicou o seguinte t\u00edtulo: \u201c<em>Petite fille<\/em>, a hist\u00f3ria da eclos\u00e3o luminosa de uma crian\u00e7a transg\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p><em>Benzine<\/em>, uma webzine de ess\u00eancia cultural, diz: \u201cSasha \u00e9 uma garota como qualquer outra, tirando o fato de ter nascido no corpo de um menino\u201d<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas entusi\u00e1sticas atestam a delicadeza do filme e a qualidade do seu realizador. O respeito pela experi\u00eancia atravessada por Sasha e sua fam\u00edlia \u00e9 evidente.<\/p>\n<p>Em 9 de maio, na Web TV Lacan<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>, ouvimos Caroline Eliacheff (psiquiatra infantil e psicanalista) e C\u00e9line Masson (psicanalista e professora universit\u00e1ria) falarem sobre seu livro,\u00a0<em>La fabrique des enfants transgenre\u00a0<\/em>(<em>A f\u00e1brica de crian\u00e7as transg\u00eaneros<\/em>, em tradu\u00e7\u00e3o nossa)<em>.\u00a0<\/em>Na capa, podemos ler: \u201cComo proteger as crian\u00e7as de um esc\u00e2ndalo sanit\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Temos aqui dois n\u00edveis da quest\u00e3o: por um lado, o momento singular e \u00edntimo na vida de uma crian\u00e7a confrontada com a marca significante sobre o corpo e sua fam\u00edlia. Por outro, o empuxo atual midi\u00e1tico das redes, do movimento\u00a0<em>woke<\/em>, da cultura do cancelamento da qual Eliacheff e Masson falaram na entrevista acima mencionada e do que as autoras chamam de \u201cesc\u00e2ndalo sanit\u00e1rio\u201d. Em 29 de abril, ambas foram convidadas para dar uma confer\u00eancia em Genebra sobre o livro, mas os militantes do CRAQ<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#link6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>\u00a0(<em>Collectif Radical d\u2019Action Queer<\/em>\u00a0[Coletivo Radical de A\u00e7\u00e3o Queer, em tradu\u00e7\u00e3o nossa]) invadiram o local e impediram a palestra de acontecer.<\/p>\n<p>Nesse ano e meio que transcorreu entre a estreia de\u00a0<em>Pequena garota<\/em>\u00a0e o epis\u00f3dio sofrido por Eliacheff e Masson, testemunhamos um aumento do empuxo \u00e0 solu\u00e7\u00e3o trans e, por outro lado, o crescimento daqueles que decidem\u00a0<em>destransicionar<\/em>. O primeiro produz um apoio e uma milit\u00e2ncia sustentada, o segundo, por enquanto, imp\u00f5e uma morda\u00e7a \u00e0queles que o fazem e \u00e0queles que o divulgam.<\/p>\n<p>Durante esse ano e meio, Miller tamb\u00e9m nos advertiu sobre a quest\u00e3o ainda pendente e inquietante da quest\u00e3o trans e de seu aliado, o movimento\u00a0<em>woke<\/em>\u00a0e seus efeitos sobre a linguagem, e, portanto, sobre o discurso anal\u00edtico, sobre a amea\u00e7a que ele representa para esse discurso e para a exist\u00eancia do inconsciente.\u00a0<em>Sou o que digo\u00a0<\/em>\u00e9 a alocu\u00e7\u00e3o que Miller prop\u00f5e como expoente linguageiro da \u00e9poca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O filme<\/em><\/p>\n<p>Sasha, uma pequena menina, percorre o document\u00e1rio com uma atitude a\u00e9rea. Grande parte do peso desse filme recai sobre a m\u00e3e. Protagonista, ativa, angustiada, combativa, ela n\u00e3o cede do seu desejo. Ela diz: \u201cSei que esta ser\u00e1 a luta da minha vida\u201d. A garotinha a acompanha e, por tr\u00e1s de uma aparente decis\u00e3o, segue pela via que sua m\u00e3e vai abrindo, disposta a fazer qualquer coisa para responder \u00e0 demanda de seu filho.<\/p>\n<p>Muito cedo, Sasha, aos 3 anos de idade, pergunta \u00e0 m\u00e3e se ela vai ser uma menina quando crescer. Isso toca intimamente essa mulher, que se encontra ali com seu pr\u00f3prio desejo e seu pr\u00f3prio recha\u00e7o: o desejo de que essa crian\u00e7a fosse uma menina e sua decep\u00e7\u00e3o ao saber o g\u00eanero de seu filho. Ela formular\u00e1 esse desejo em v\u00e1rios momentos, por exemplo, na entrevista com a psiquiatra, mas est\u00e1 presente em sua iniciativa, determinada em n\u00e3o deixar ningu\u00e9m atrapalhar o que Sasha profere, \u201cquerer ser uma menina\u201d. O desejo e a culpa materna est\u00e3o presentes de maneira cristalina no document\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os acompanham Sasha sem qualquer oposi\u00e7\u00e3o ou questionamento sobre sua situa\u00e7\u00e3o; seu pai concorda e acompanha.<\/p>\n<p>A ignor\u00e2ncia e a covardia das institui\u00e7\u00f5es desempenham um papel significativo: a escola que se nega a aceitar Sasha em sua singularidade, a professora de dan\u00e7a que expulsa Sasha empurrando, gentilmente, a porta em seu rosto, a psiquiatra que tem respostas e n\u00e3o faz nenhuma pergunta. O diagn\u00f3stico, como cataplasma, permite um al\u00edvio na m\u00e3e e uma desresponsabiliza\u00e7\u00e3o da medicina. Desse modo, a psiquiatra infantil n\u00e3o hesita um minuto em levar adiante a possibilidade da t\u00e3o almejada transforma\u00e7\u00e3o e, sem qualquer reserva, faz o atestado para a escola \u2014 o que me faz lembrar Freud e sua reserva em dar o atestado que o Homem dos Ratos lhe pedia para aliviar sua culpa.<\/p>\n<p>O que impacta Sasha e produz sua ang\u00fastia \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com o la\u00e7o social representada por sua situa\u00e7\u00e3o escolar, seus colegas, seus amigos. Seu choro angustiado ao falar da escola, lugar eminente do la\u00e7o social, completamente perturbado, e que poderia perder, seria o ponto de ruptura de seu\u00a0<em>sou o que digo<\/em>, mas isso n\u00e3o produz nenhum efeito, nenhuma pergunta. Rapidamente se entende que \u00e9 porque ela quer ser uma pequena garota. No entanto, Sasha faz uma pergunta que \u00e9 transmitida por sua m\u00e3e \u00e0 psiquiatra, depois de ser expulsa do grupo de dan\u00e7a: \u201cEla me perguntou se lutar serve para alguma coisa\u201d. A m\u00e3e responde: \u201cTodos n\u00f3s temos uma miss\u00e3o a cumprir e Sasha pode mudar as mentalidades\u201d.<\/p>\n<p>O excelente texto de H\u00e9l\u00e8ne Bonnaud (2020), publicado na revista\u00a0<em>Lacan Quotidienne<\/em>, d\u00e1 conta da rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 psican\u00e1lise implicada no encontro com a psiquiatra infantil \u201cque det\u00e9m um saber sobre essa quest\u00e3o e ser\u00e1 a interlocutora de Sasha e da m\u00e3e no processo de transi\u00e7\u00e3o\u201d (BONNAUD, 2020, n\/p, tradu\u00e7\u00e3o nossa). Nesse texto, ela se pergunta, embora o caminho esteja aberto para que ela tome o lugar de uma menina: \u201cComo seria para ser uma mulher?\u201d.<\/p>\n<p>A escola, em sua recusa dogm\u00e1tica, tamb\u00e9m coloca em jogo\u00a0<em>o n\u00e3o quero saber nada disso<\/em>, sobre aquilo que irrompe no real de um sujeito ainda crian\u00e7a, para finalmente ceder, com uma aceita\u00e7\u00e3o administrativa, a um certificado m\u00e9dico que permitir\u00e1 a Sasha ir \u00e0 escola como uma menina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A lei<\/em><\/p>\n<p>Em\u00a0<em>Todo el mundo es loco<\/em>, Miller (2015) nos diz que, nos dias de hoje, os direitos est\u00e3o \u00e0 frente dos deveres. A lei de identidade de g\u00eanero da Argentina \u00e9 pioneira no mundo. Atualmente, na Espanha est\u00e1 sendo discutida uma lei que envolve as quest\u00f5es que em 2012 foram sancionadas em nosso pa\u00eds. Os colegas na Espanha, atrav\u00e9s da Funda\u00e7\u00e3o para a Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana (FCPOL), est\u00e3o preparando documentos para serem inclu\u00eddos na reda\u00e7\u00e3o dessa lei, para que ela n\u00e3o fa\u00e7a desaparecer a possibilidade de interpretar, quer dizer, de fazer existir o inconsciente. Eles colocam \u00eanfase especial em seu texto sobre as crian\u00e7as e a prud\u00eancia necess\u00e1ria na administra\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios e interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas em menores<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>. A \u00c9cole de la Cause Freudienne (ECF), recentemente, em dezembro de 2021, conseguiu introduzir modifica\u00e7\u00f5es em um projeto de lei que impede a realiza\u00e7\u00e3o de terapias de convers\u00e3o, tornando poss\u00edvel a inclus\u00e3o da escuta psi.<\/p>\n<p>A lei argentina tem uma caracter\u00edstica marcante: ela elimina, uma a uma, qualquer inst\u00e2ncia que permita interrogar, abrir um tempo para compreender a livre escolha do g\u00eanero; \u00e9 uma lei que desliza suavemente, flui, e qualquer um pode ser tentado a entrar nesse trem. Quando eu digo qualquer um, \u00e9 claro que \u00e9 no sentido figurativo. Penso de fato na desorienta\u00e7\u00e3o subjetiva e no que Lacan nos diz em \u201cTelevis\u00e3o\u201d: \u201cNo desatino de nosso gozo, s\u00f3 h\u00e1 o Outro para situ\u00e1-lo, mas na medida em que estamos separados dele\u201d (LACAN, 1973\/2003, p. 533). E aqui o Outro n\u00e3o est\u00e1 separado<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>O que significa dizer que o Outro \u00e9 separado? Lemos em\u00a0<em>Mais, ainda<\/em>: \u201c(&#8230;) \u00e9 sempre isto \u2014 ao que se enuncia de significante, voc\u00eas d\u00e3o sempre uma leitura outra que n\u00e3o o que ele significa\u201d (LACAN, 1972\/1973, 1985, p. 52). Isso quer dizer que h\u00e1 uma hi\u00e2ncia, um espa\u00e7o, at\u00e9 mesmo um abismo, entre o que se diz e o que isso quer dizer. Suportar esse espa\u00e7o \u00e9 dever do analista, suportar no sentido de ser suporte, comprometer com sua presen\u00e7a: \u201cEstou lhe dizendo que voc\u00ea est\u00e1 dizendo algo diferente do que voc\u00ea quer dizer\u201d. Isso \u00e9 o que Miller quer dizer quando nos adverte sobre a escuta sem interpreta\u00e7\u00e3o. Ana\u00eblle Lebovits-Quenehen (2021) diz que Miller, com a \u201cquest\u00e3o trans\u201d, assinala um impasse no discurso comum, n\u00e3o sem efeitos potenciais no discurso anal\u00edtico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Todo erro \u00e9 sexual<\/em><\/p>\n<p>\u201cTudo o que tem a ver com sexo sempre est\u00e1 errado. Todo erro \u00e9 sexual\u201d (MILLER, 2013, p. 64, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo I da Lei n. 26.743 disp\u00f5e sobre o direito \u00e0 identidade de g\u00eanero e suas consequ\u00eancias jur\u00eddicas: reconhecimento civil, livre desenvolvimento e o de ser tratado de acordo com a escolha de g\u00eanero. Ela apela para a n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o contra aqueles que n\u00e3o se reconhecem em uma norma. N\u00f3s, analistas, sempre trabalhamos nesse sentido, n\u00e3o advogamos por nenhuma norma. A psican\u00e1lise tem apenas uma prescri\u00e7\u00e3o: associa\u00e7\u00e3o livre e uma exig\u00eancia (que a pandemia perturbou): a presen\u00e7a dos corpos no mesmo espa\u00e7o f\u00edsico; o paciente deve trazer seu corpo para o consult\u00f3rio.<\/p>\n<p>Pois bem, a esse direito humano, que est\u00e1 estabelecido no artigo 1\u00ba da lei e que n\u00f3s celebramos, seguem-se uma s\u00e9rie de artigos que, na minha opini\u00e3o, s\u00e3o extremamente perigosos, porque n\u00e3o se trata apenas de um direito, mas, no extravio contempor\u00e2neo do modo de gozo, pode ser um empuxo, uma incita\u00e7\u00e3o, uma \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d. E o corpo j\u00e1 est\u00e1 comprometido com o assunto, o corpo como um objeto de \u201cmodifica\u00e7\u00f5es\u201d. Segue uma lista de quais, eventualmente, poderiam ser essas modifica\u00e7\u00f5es: da apar\u00eancia ou fun\u00e7\u00f5es corporais atrav\u00e9s de meios farmacol\u00f3gicos, cir\u00fargicos ou de outra \u00edndole, sempre que seja \u201clivremente\u201d escolhida. Atrevo-me a chamar essa enumera\u00e7\u00e3o de \u201cprovocadora\u201d, uma vez que est\u00e1 escrita com a for\u00e7a de uma lei. A liberdade contida na palavra \u201clivremente\u201d \u00e9 uma peti\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios, pois ningu\u00e9m age sobre esse julgamento, nem sobre quem o faz, nem de onde ele \u00e9 feito; pelo menos a lei n\u00e3o o prescreve.<\/p>\n<p>Miller, em\u00a0<em>La fuga del sentido<\/em>, cita \u201cCortejo\u201d, um poema de Pr\u00e9vert, e faz refer\u00eancia \u00e0 enumera\u00e7\u00e3o feita pelo poeta como a presen\u00e7a da puls\u00e3o de morte, assinalando para \u201co dom\u00ednio do significante sobre as significa\u00e7\u00f5es humanas\u201d (MILLER, 2012, p. 88, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<ol>\n<li>Bonnaud continua em seu texto:<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cO tempo para crescer e escolher \u00e9 essencial. Esse tempo do qual Sasha foi privada ao ser informada de que ela \u00e9 uma menina e que tudo o que ela n\u00e3o tem para ser uma menina lhe ser\u00e1 retirado&#8230; mas fica uma resposta que afirma o g\u00eanero como determinado pela imagem do corpo\u201d (BONNAUD, 2020 n\/p.).<\/p>\n<p>\u201cUma crian\u00e7a se autopercebe\u201d: poderia ser esse o nome que hoje toma o \u201cBate-se numa crian\u00e7a\u201d freudiano? Em outras palavras, a presen\u00e7a do Outro \u00e9 apagada e o discurso da crian\u00e7a \u00e9 transformado em uma palavra monol\u00edtica, uma hol\u00f3frase, como disse Jacques Lacan. O valor metaf\u00f3rico da palavra perde seu lugar, a palavra se aproxima cada vez mais do real. As equipes m\u00e9dica e psicol\u00f3gica que recebem as crian\u00e7as que desejam fazer a transi\u00e7\u00e3o t\u00eam uma morda\u00e7a autoimposta? Ou, antes, o outro social representado pelas associa\u00e7\u00f5es trans, a m\u00eddia, laborat\u00f3rios, etc., etc., imp\u00f5e uma san\u00e7\u00e3o \u00e0 equipe se eles n\u00e3o autorizarem a palavra monol\u00edtica. Perguntar, quer dizer, \u201c(&#8230;) interpretar, n\u00e3o equivale nem a \u2018julgar\u2019, nem a \u2018recha\u00e7ar\u2019, nem a \u2018negar\u2019 (&#8230;)\u201d (LEBOVITS-QUENEHEN, 2021, n\/p.).<\/p>\n<p>Em \u201cD\u00f3cil ao trans\u201d (2021), Miller nos lembra que Lacan elogia Freud por ter sido d\u00f3cil \u00e0 hist\u00e9rica e se pergunta se ele poderia felicitar o praticante de hoje por ser d\u00f3cil ao trans. Como podemos ler isso?<\/p>\n<p>Assim como na era vitoriana a histeria era a \u201cepidemia\u201d que explicava o impasse sexual da \u00e9poca, a causa trans \u00e9 o que est\u00e1 em jogo hoje no impasse sexual de 2021. Por que ano trans e n\u00e3o s\u00e9culo ou d\u00e9cada? Porque d\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o de um lugar ef\u00eamero, que n\u00e3o assume a consist\u00eancia que pode ser nomeada em termos de \u00e9poca, era, s\u00e9culo, etc.<\/p>\n<p>D\u00f3cil ao trans \u00e9 a forma de dizer do compromisso do psicanalista com o tempo e o lugar em que vivemos e praticamos a psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Alteridade real<\/em><\/p>\n<p>O nome do pai, a fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, a ordem simb\u00f3lica, figuras, lugares de alteridade t\u00eam perdido a autoridade. Lacan, em seu<em>\u00a0Semin\u00e1rio 19: &#8230;ou pior<\/em>, diz que o pai \u00e9 quem surpreende, quem bate na mesa, quem impacta. Ele vincula a fun\u00e7\u00e3o do pai ao trauma. E tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o do analista ao trauma<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>. A alteridade da \u00e9poca \u00e9 o trauma.<\/p>\n<p>O trauma como disrup\u00e7\u00e3o de lal\u00edngua sobre o corpo faz desse corpo um corpo falante. A experi\u00eancia de um corpo que erra, que n\u00e3o se adequa; a experi\u00eancia de uma palavra que tamb\u00e9m erra e falha ao dizer. Freud, em \u201cEstudos sobre histeria\u201d, escreve:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cDevemos antes presumir que o trauma ps\u00edquico \u2014 ou mais precisamente, a lembran\u00e7a do trauma \u2014 atua como um corpo estranho que muito depois de sua entrada, deve continuar a ser considerado como um agente que ainda est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o; encontramos a prova disso num fen\u00f4meno invulgar que, ao mesmo tempo, traz um importante interesse pr\u00e1tico para nossas descobertas\u201d (FREUD, [1893\/ 1996], p. 42).<\/p>\n<p>O gozo \u00e9 profundamente h\u00e9tero para cada um, incompreens\u00edvel, insuport\u00e1vel, imposs\u00edvel. A quest\u00e3o trans na inf\u00e2ncia apaga a diferen\u00e7a sexual, porque nunca se trata de sexo, mas de g\u00eanero. Poder\u00edamos at\u00e9 dizer g\u00eanero humano, n\u00e3o vamos descartar o desejo de transi\u00e7\u00e3o para o n\u00e3o humano. Esses s\u00e3o desvios a serem corrigidos. Se o erro for eliminado, o sexual desaparece.<\/p>\n<p>O inconsciente \u00e9 incorrig\u00edvel, lapsos, sonhos, chistes s\u00e3o as fa\u00edscas que iluminam o caminho para a opacidade do sintoma, sintoma que implica em saber ler de outro modo.<\/p>\n<p>A lei e o direito normatizam, se movem no campo do para todos. Eles protegem o cidad\u00e3o, mas n\u00e3o resolvem o singular da rela\u00e7\u00e3o com a sexualidade. E isso n\u00e3o pode ser corrigido, s\u00f3 pode se esclarecer a fim de tornar a vida viv\u00edvel.<\/p>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Rodrigo Almeida<\/h6>\n<h6>Revis\u00e3o: Patr\u00edcia Ribeiro<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>BONNAUD, H. &#8220;Sasha, une petite filie comme les autres?&#8221;.\u00a0<em>In<\/em>:\u00a0<strong>Lacan Quotidien<\/strong>, n. 903, 17 dez. 2020. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/lacanquotidien.fr\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/LQ-903.pdf\">https:\/\/lacanquotidien.fr\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/LQ-903.pdf<\/a>. Acesso em: 26 jun. 2022.<\/h6>\n<h6>DUPONT, L. &#8220;Chronique du malaise: Cancel culture, la v\u00e9rit\u00e9 et le un&#8221;.\u00a0<em>In<\/em>:\u00a0<strong>L\u2019Hebdo-Blog<\/strong>, 15 maio 2022. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hebdo-blog.fr\/category\/lhebdo-blog-270\/\">https:\/\/www.hebdo-blog.fr\/category\/lhebdo-blog-270\/<\/a>. Acesso em: 26 jun. 2022.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. \u201cEstudos sobre a histeria\u201d.\u00a0<em>In<\/em>: FREUD, S.\u00a0<strong>Edi\u00e7\u00e3o Standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud<\/strong>. v. II. Rio de Janeiro: Imago, 1996.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.<strong>\u00a0O semin\u00e1rio, livro 20<\/strong>: mais, ainda\u2026 Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201cTelevis\u00e3o\u201d.\u00a0<em>In<\/em>: LACAN, J.\u00a0<strong>Outros escritos<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<strong>O semin\u00e1rio, livro 19<\/strong>: \u2026ou pior. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012.<\/h6>\n<h6>LEBOVITS-QUENEHEN, A. \u201cPsicoan\u00e1lisis y pol\u00edtica: cuatro modalidades de una relaci\u00f3n\u201d.\u00a0<strong>Zadig Espa\u00f1a<\/strong>, set. 2021. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/zadigespana.com\/2021\/09\/29\/psicoanalisis-y-politica-cuatro-modalidades-de-una-relacion\/\">https:\/\/zadigespana.com\/2021\/09\/29\/psicoanalisis-y-politica-cuatro-modalidades-de-una-relacion\/<\/a>. Acesso em: 26 jun. 2022.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A.\u00a0<strong>La fuga del sentido<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A.\u00a0<strong>Piezas sueltas<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A.\u00a0<strong>Todo mundo es loco<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2015.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. A escuta com e sem interpreta\u00e7\u00e3o: bate-papo, R\u00fassia, 15 mai. 2021. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=F56PprU6Jmk\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=F56PprU6Jmk<\/a>. Acesso em: 26 jun. 2022.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. \u201cD\u00f3cil ao trans\u201d. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/uqbarwapol.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/JAM-DOCILE-AU-TRANS-PT.pdf\">https:\/\/uqbarwapol.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/JAM-DOCILE-AU-TRANS-PT.pdf<\/a><\/h6>\n<h6>RICHARD, B. \u201c<em>Petite fille<\/em>, le film \u00e9mouvant de S\u00e9bastien Lifshitz sur une enfant transgenre&#8221;.\u00a0<strong>Benzine<\/strong>, 24 mar. 2021. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.benzinemag.net\/?s=petite+fille\">https:\/\/www.benzinemag.net\/?s=petite+fille<\/a><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Texto apresentado no N\u00facleo de Pesquisa em Psican\u00e1lise e Direito, da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica &#8211; IPSM-MG, em 20\/05\/2022.<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>\u00a0Dispon\u00edvel em: https:\/\/psicoanalisislacaniano.com\/2021\/05\/15\/jam-presentacion-revista-rusia-20210515\/<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a>\u00a0Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.lemonde.fr\/culture\/article\/2020\/11\/24\/petite-fille-histoire-de-l-eclosion-lumineuse-d-un-enfant-transgenre_6060888_3246.html<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a>\u00a0Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.benzinemag.net\/?v=D7Ju43F55ZM<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a>\u00a0Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=D7Ju43F55ZM<\/h6>\n<h6><a id=\"link6\"><\/a><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_ednref6\" name=\"_edn6\"><\/a>[6]\u00a0Dispon\u00edvel em:https:\/\/360.ch\/suisse\/68062-une-conference-interrompue-par-des-militant%C2%B7e%C2%B7x%C2%B7s-trans-a-luniversite-de-geneve\/<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a>\u00a0Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/fcpol.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Alegaciones-y-propuestas-al-anteproyecto-de-la-Ley-Trans-LGTBI.pdf\">https:\/\/fcpol.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Alegaciones-y-propuestas-al-anteproyecto-de-la-Ley-Trans-LGTBI.pdf<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a>\u00a0BAUDINI, S. Una ley revelada. In:Lacan Quotidien, no. 924, 23\/03\/2021. Dispon\u00edvel em:https:\/\/lacanquotidien.fr\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/LQ-924.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/pequena-garota#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a>\u00a0\u201c\u00c9 na medida em que converge para um significante que emerge dela que a neurose vem a se ordenar segundo o discurso cujos efeitos produziram o sujeito. Todo pai ou m\u00e3e traum\u00e1tico est\u00e1, em suma, na mesma posi\u00e7\u00e3o que o psicanalista. A diferen\u00e7a \u00e9 que o psicanalista, da sua posi\u00e7\u00e3o, reproduz a neurose, enquanto o pai ou m\u00e3e traum\u00e1ticos a produzem inocentemente.\u201d LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 19: \u00a0&#8230;ou pior<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p.146, 2012.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SILVIA BAUDINI Psicanalista, A.M.E. da EOL\/AMP sbaudini@yahoo.com.ar Resumo:\u00a0a autora apresenta a sua leitura do document\u00e1rio\u00a0Pequena garota, que aborda a quest\u00e3o do transexualismo e sua incid\u00eancia nos corpos das crian\u00e7as. Sua an\u00e1lise o articula ao discurso de nossa \u00e9poca, o que lhe permite dizer que\u00a0\u00a0se \u201cna era vitoriana a histeria era a\u00a0epidemia\u00a0que explicava o impasse sexual&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57833,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-1941","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-29","category-25","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1941"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1941\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57834,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1941\/revisions\/57834"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}