{"id":1968,"date":"2022-07-19T06:41:42","date_gmt":"2022-07-19T09:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1968"},"modified":"2025-12-01T13:11:37","modified_gmt":"2025-12-01T16:11:37","slug":"o-inconsciente-e-o-corpo-politico-a-psicanalise-hoje1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2022\/07\/19\/o-inconsciente-e-o-corpo-politico-a-psicanalise-hoje1\/","title":{"rendered":"O INCONSCIENTE E O CORPO POL\u00cdTICO:  A PSICAN\u00c1LISE HOJE[1]\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6>RICARDO SELDES<br \/>\nPsicanalista, AME da EOL\/AMP<br \/>\n<a href=\"mailto:ricardoseldes@gmail.com\">ricardoseldes@gmail.com<\/a><\/h6>\n<blockquote><p><strong>Resumo:<\/strong>\u00a0O futuro da psican\u00e1lise \u00e9 algo que est\u00e1 sempre em quest\u00e3o, pois est\u00e1 ligado ao lugar de onde cada um conseguiu chegar com seu sintoma analisado, algo que exige a abertura para o desconhecido e n\u00e3o ao que j\u00e1 est\u00e1 categorizado. Nessa perspectiva, se indica\u00e7\u00f5es ao analista existissem, elas estariam ligadas a uma transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise, que se faz de analisante a analista e pela transfer\u00eancia de trabalho, apresentando o desejo de Lacan nos bastidores, vivo e novo contra os standards congelantes de uma experi\u00eancia que n\u00e3o pode deixar de ser t\u00e3o viva quanto esse desejo.<\/p>\n<p><strong>Palavras chaves:\u00a0<\/strong>futuro da psican\u00e1lise; transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Interpretation: The Unconscious and the body politic: psychoanalysis today.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0The future of psychoanalysis is something that is always in question because it relates to how each person managed to do with their analyzed symptom, something that requires an opening to the unknown and not to what is already categorized. From this perspective, if analyst referrals existed, it would be linked to a transmission of psychoanalysis, which happens from analysand to analyst and through transference of work, and having Lacan&#8217;s desire, which is always alive and new, against the freezing standards of an experience that can\u2019t help but be as alive as this desire.<\/p>\n<p><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>future of psychoanalysis; transmission.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1969\" style=\"width: 1118px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Fred_Bandeira_-_ricardo_seldes.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1108\" data-large_image_height=\"1108\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1969\" class=\"wp-image-1969\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Fred_Bandeira_-_ricardo_seldes-1024x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"711\" height=\"711\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1969\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Fred Bandeira<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o este convite por v\u00e1rios motivos: primeiro, pela amizade que tenho com voc\u00eas h\u00e1 muitos anos, pois n\u00e3o \u00e9 novidade que eu gosto da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, e porque acredito que, nestes tempos em que existem tantos ataques \u00e0 liberdade da palavra e o conseq\u00fcente ataque \u00e0 psican\u00e1lise, os psicanalistas e, em particular, os de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, t\u00eam que conseguir ficar mais unidos do que nunca.<\/p>\n<p>Claro que, como o sangue n\u00e3o-todista corre em nossas veias, a pergunta que nos fazemos \u00e9: como podemos ser solid\u00e1rios com o futuro da psican\u00e1lise? Isso \u00e9 algo que est\u00e1 sempre em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa mesma proposta exige alguns princ\u00edpios e alguns acordos que, como a verdade, nunca s\u00e3o definitivos, nem devem nos levar \u00e0 burocratiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica cl\u00ednica ou da pr\u00e1tica institucional, que s\u00e3o duas experi\u00eancias subjetivas. Claro que o coletivo, o individual, as for\u00e7as que fazemos juntos est\u00e3o sempre em quest\u00e3o, mas pelo discurso anal\u00edtico, desde o lugar aonde cada um conseguiu chegar com seu sintoma analisado ou, podemos dizer, com seu \u201csinthoma\u201d, na medida em que \u00e9 sempre um arranjo.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, em prepara\u00e7\u00e3o para um dos Congressos da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise que aconteceu no Brasil, na Bahia<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/interpretacao-um-dizer#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, tive o prazer de fazer parte do Comit\u00ea de A\u00e7\u00e3o junto com meus amigos Esthela Solano, J\u00e9sus Santiago e Marco Focchi. Na ocasi\u00e3o, o tema que escolhi foi o das indica\u00e7\u00f5es e contraindica\u00e7\u00f5es \u00e0 psican\u00e1lise a partir de uma interven\u00e7\u00e3o de Miller na International Psychoanalytical Association (IPA), na qual ele falou sobre as n\u00e3o-indica\u00e7\u00f5es \u00e0 psican\u00e1lise, o que \u00e9 uma forma de conceber a pr\u00e1tica diferente daquela de muitos dos colegas da IPA.<\/p>\n<p>O essencial poderia ser resumido dizendo que, com a psican\u00e1lise aplicada, n\u00e3o temos contraindica\u00e7\u00f5es, e podemos acrescentar: se, no passado, se falava das indica\u00e7\u00f5es para uma an\u00e1lise, era para localizar se uma determinada estrutura ps\u00edquica era adequada ou n\u00e3o. No tempo do\u00a0<em>falasser,<\/em>\u00a0quase todo mundo pode ser analisado.<\/p>\n<p>Qual foi a principal contraindica\u00e7\u00e3o de Freud? Ele afirmou:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cNos anos anteriores \u00e0 guerra, quando a aflu\u00eancia de pacientes estrangeiros me tornou independente da simpatia ou antipatia de minha pr\u00f3pria cidade, eu seguia a regra de n\u00e3o tratar pacientes que n\u00e3o fossem sus juris, ou seja, que n\u00e3o fossem independentes nas quest\u00f5es essenciais da vida.\u201d (FREUD, 1917, p.610)<\/p>\n<p><em>Sui juris\u00a0<\/em>\u00e9 uma frase latina que significa, literalmente &#8216;em seu pr\u00f3prio direito&#8217;. Em Direito Civil, indica a capacidade jur\u00eddica para administrar seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios. Mas, \u00e9 claro, continua Freud: \u201cN\u00e3o \u00e9 algo que todo psicanalista pode se permitir\u201d (FREUD, 1917, p.610).<\/p>\n<p>Freud assim se manifesta: \u201cOs senhores perceber\u00e3o, naturalmente, como as perspectivas de um tratamento s\u00e3o determinadas pelo meio social e pela condi\u00e7\u00e3o cultural de uma fam\u00edlia\u201c (FREUD, 1917, p.610).\u00a0Freud mesmo teve que suportar abusos da fam\u00edlia de uma paciente que foi retirada do tratamento por ter\u00a0 revelado em an\u00e1lise segredos extraconjugais da m\u00e3e.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de um tratamento ainda n\u00e3o h\u00e1 um caso, mas h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para que isso ocorra. Desde a primeira consulta, localizamos dados cl\u00ednicos que nos permitam captar a decis\u00e3o do sujeito. Estamos no limite do sujeito suposto saber, estamos nas provas que o analista, sutilmente, pede para que se permita que o sujeito suposto saber se instale.<\/p>\n<p>Nos tempos atuais, tentamos trabalhar a inconsist\u00eancia, ou seja, algo diferente da psican\u00e1lise constru\u00edda na l\u00f3gica das classes, a que permite dizer isso \u00e9 ou isso n\u00e3o \u00e9. Assim como a primeira psican\u00e1lise foi erguida na l\u00f3gica do\u00a0<em>para todo x,<\/em>\u00a0neste momento atual ela visa n\u00e3o a classe, sen\u00e3o a s\u00e9rie, pois com ela temos a inven\u00e7\u00e3o, os arranjos e a abertura mais para o desconhecido do que para o que est\u00e1 categorizado.<\/p>\n<p>Os trabalhos do IV Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise que investigou a pr\u00e1tica sem standards, mas n\u00e3o sem princ\u00edpios<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/interpretacao-um-dizer#cita2\" name=\"_ednref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, estavam em andamento quando me detive sobre um Simp\u00f3sio da IPA, do ano de 1967,<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/interpretacao-um-dizer#cita3\" name=\"_ednref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0para pesquisar sobre como as regras t\u00e9cnicas, das quais Lacan nos dispensa, tentavam localizar o real que encontravam em sua pr\u00e1tica. Nesse Simp\u00f3sio descobri, em princ\u00edpio, tr\u00eas per\u00edodos diferentes sobre as regras t\u00e9cnicas que interrogavam aqueles pontos limites, nos quais a experi\u00eancia do real estava dentro ou fora da experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o dos analistas das d\u00e9cadas de 1920 e 1930 se concentrou em conceituar o obst\u00e1culo que limita a interven\u00e7\u00e3o anal\u00edtica\u00a0\u2014 n\u00e3o para retroceder, mas para tentar inventar uma maneira de ultrapassar o obst\u00e1culo. No segundo per\u00edodo, proliferaram as listas de contraindica\u00e7\u00f5es baseadas em tra\u00e7os de inadequa\u00e7\u00e3o dos pacientes ao dispositivo. Tamb\u00e9m coincide com o que chamaram de um entusiasmo excessivo dos colegas para cuidar de pacientes decepcionados com a psiquiatria.<\/p>\n<p>O terceiro e atual momento da IPA \u00e9 aquele em que a psican\u00e1lise se desprende das regras\u00a0\u2014 n\u00e3o em busca de desregulamentar os padr\u00f5es e capturar a singularidade do gozo de cada pessoa, mas, ao contr\u00e1rio, para homogeneizar todos os gozos.<\/p>\n<p>Para Lacan, n\u00e3o se trata de escolher os pacientes, mas de que eles possam dar forma de pergunta \u00e0 sua demanda, que a problematizem. Estamos obrigados a saber o que se pede; mais precisamente, o que define a demanda \u00e9 que nunca se sabe o que se deseja. Lacan pergunta: \u201cO sujeito suposto saber de onde \u00e9 suportada, definida a transfer\u00eancia \u00e9 suposto saber o qu\u00ea? Como opera?<strong>\u00a0<\/strong>(LACAN, 1977, p. 2, tradu\u00e7\u00e3o nossa).\u00a0E acrescenta:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cSeria totalmente excessivo dizer que o analista sabe de que modo operar. O que seria necess\u00e1rio \u00e9 que ele saiba operar convenientemente, ou seja, que possa se dar conta\u00a0 do alcance das palavras para seu analisando, o que incontestavelmente ignora.\u201d (LACAN, 1977, p. 2, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/p>\n<p>Da\u00ed a indica\u00e7\u00e3o de n\u00e3o compreender. No lugar de t\u00e9cnicas e regras, que j\u00e1 vimos a que conduzem, colocamo-nos sob a no\u00e7\u00e3o de enfrentamento do real. Neste ponto, sabemos que n\u00e3o apostamos em interpreta\u00e7\u00f5es padr\u00e3o, mas que nossas interpreta\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas sob medida.<\/p>\n<p>O risco de assimilar a interpreta\u00e7\u00e3o como forma\u00e7\u00e3o do inconsciente \u00e9 acreditar que ela \u00e9 o que responde \u00e0 associa\u00e7\u00e3o livre, com a consequ\u00eancia de tomar a interpreta\u00e7\u00e3o como associa\u00e7\u00e3o do analista. Confundir interpreta\u00e7\u00e3o com associa\u00e7\u00e3o \u00e9 pensar que o significante da interpreta\u00e7\u00e3o preencheria um buraco nas associa\u00e7\u00f5es do sujeito, supondo que o preenchimento desse buraco permitiria ao sujeito dar um passo. Partimos da ideia de que \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o que vai ao encontro da transfer\u00eancia\u00a0\u2014 n\u00e3o uma associa\u00e7\u00e3o que proporciona ao sujeito a liga\u00e7\u00e3o com o S2, mas que opera no vetor de uma dissocia\u00e7\u00e3o, de um corte na cadeia significante entre S1 e S2. Isso nos confronta com a dimens\u00e3o do S1 sozinho.<\/p>\n<p>Quando estamos nesse n\u00edvel, podemos considerar que existem certas palavras que o sujeito distingue, que\u00a0 lhe tocam; quaisquer palavras, inclusive palavras banais que\u00a0 foram ditas a um terceiro e escutadas por acaso. Mas, se o sujeito as toma para si, elas adquirem um status de palavras primeiras, separadas, n\u00e3o bin\u00e1rias, como est\u00e1 na moda, pois a cadeia significante \u00e9 bin\u00e1ria. Visamos ent\u00e3o o n\u00e3o bin\u00e1rio para capturar, produzir, isolar o S1. O corte da interpreta\u00e7\u00e3o produz uma separa\u00e7\u00e3o significativa do S2 como se pode ver no andar inferior do Discurso do Analista.<\/p>\n<p>Como evitar que a interven\u00e7\u00e3o do analista, que denominamos, genericamente, de interpreta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o acrescente mais um significante \u00e0 cadeia, mas a produ\u00e7\u00e3o daquele S1? Vamos partir do mais b\u00e1sico, da id\u00e9ia de que a psican\u00e1lise \u00e9 uma oferta expl\u00edcita de palavras: fale, estou ouvindo. O que est\u00e1 impl\u00edcito \u00e9 o n\u00e3o entendimento, sem limitar a curiosidade necess\u00e1ria ao que a palavra dita produz.<\/p>\n<p>Entretanto, no momento em que o enquadramento anal\u00edtico fica expl\u00edcito ao estabelecer as regras do jogo, adiciona-se uma explica\u00e7\u00e3o: voc\u00ea associa, fala tudo, a mais plena bobagem, e a\u00ed eu vou interpret\u00e1-la. Alguns chamavam de devolver, termo de que nunca gostei, como uma esp\u00e9cie de reembolso; n\u00e3o h\u00e1 virtude em supor um dar e receber quando, muitas vezes, o que se imp\u00f5e \u00e9 o sil\u00eancio do analista.<\/p>\n<p>Lacan vai propor no\u00a0<em>Semin<\/em><em>\u00e1<\/em><em>rio 11, Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>\u00a0(1964)<em>,<\/em>\u00a0naquele momento de ruptura definitiva com a IPA, a fun\u00e7\u00e3o do analista como objeto, destacando, especialmente, a tens\u00e3o que existe entre o inconsciente e a interpreta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o se trata do inconsciente como reservat\u00f3rio dos significantes do sujeito, pois, quando se trata do discurso do analista, \u00e9 o inconsciente que interpreta. O que poder\u00edamos acrescentar que n\u00e3o seja para redobrar essa interpreta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Como dissemos antes, Lacan trar\u00e1 \u00e0 tona a quest\u00e3o do fechamento do inconsciente, e h\u00e1 ai um paradoxo, pois ele nos dir\u00e1 que esperamos esse efeito da transfer\u00eancia para interpretar, ao mesmo tempo em que a transferencia fecha o sujeito ao efeito de nossa interpreta\u00e7\u00e3o.\u00a0S\u00e3o os enganos do amor&#8230;<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o impedir\u00e1 Lacan de avan\u00e7ar dizendo que a transfer\u00eancia \u00e9 o amor que se dirige ao saber, o que implica que a interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o obt\u00e9m seu alcance sen\u00e3o nos momentos em que o saber inconsciente \u00e9 interrompido. E o que isso quer dizer?<\/p>\n<p>Tentamos localizar uma er\u00f3tica da presen\u00e7a do analista quando Lacan definiu a transfer\u00eancia como a atualiza\u00e7\u00e3o (no sentido do ato) da realidade do inconsciente como sexual.<\/p>\n<p>Para entender isso, temos que fazer um pequeno\u00a0<em>loop<\/em>\u00a0porque, se o sujeito entra em jogo a partir do suporte fundamental que \u00e9 o Sujeito Suposto Saber, isso n\u00e3o acontece simplesmente, sem que haja um porqu\u00ea. H\u00e1 uma causa anterior e Lacan aponta, de modo clar\u00edssimo, que, se h\u00e1 uma suposi\u00e7\u00e3o de saber, isso se d\u00e1 porque h\u00e1 um sujeito do desejo. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa dizer isso. Se existe um suposto\u00a0 saber, \u00e9 porque o analista \u00e9 o sujeito do desejo.<\/p>\n<p>Disso decorre a dificuldade quando o Sujeito Suposto Saber \u00e9 instalado em outra parte, em outra pessoa. Essa \u00e9 uma estranha formula\u00e7\u00e3o, porque, nesse ponto, Lacan j\u00e1 n\u00e3o coloca mais\u00a0 a an\u00e1lise como intersubjetiva. A tor\u00e7\u00e3o que ele faz \u00e9 percebida. Quando h\u00e1 amor de transfer\u00eancia isso remete ao narcisismo ou, como disse Freud, ama-se ser amado.<\/p>\n<p>Mas que tipo de efeitos pretendemos? Os efeitos lacanianos s\u00e3o o que definem a experi\u00eancia anal\u00edtica como uma pesquisa cl\u00ednica para encontrar os pontos onde se alcan\u00e7a a certeza, no encadeamento entre a cadeia significante e o gozo pulsional. Se existe um fen\u00f4meno lacaniano, isso implica que ele \u00e9 escutado e, se existe, \u00e9 porque ele \u00e9 apresentado com um sentido. No entanto, o inconsciente tem mais a ver com o\u00a0<em>Witz<\/em>. Esse \u00e9 um princ\u00edpio que nos leva a evitar a compreens\u00e3o emocional dos pacientes.<\/p>\n<p>Se indica\u00e7\u00f5es ao analista existissem, elas\u00a0 indicariam aquele ponto em que a transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise, que se faz de sujeito a sujeito e pela transfer\u00eancia de trabalho, apresenta o desejo de Lacan nos bastidores, vivo e novo contra os standards congelantes de uma experi\u00eancia que n\u00e3o pode deixar de ser t\u00e3o viva quanto esse desejo.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da tarefa complicada e imposs\u00edvel de tentar homogeneizar os gozos, seja por decreto, seja por invas\u00e3o, interrogamo-nos sobre algo que nos retira da l\u00f3gica de um certo totalitarismo psicanal\u00edtico. Sabemos que o totalitarismo \u00e9 uma esperan\u00e7a, a de reabsorver as decis\u00f5es singulares, a multiplicidade da verdade. No totalitarismo s\u00f3 existe uma verdade, que \u00e9 a enorme tarefa de estabelecer o reino do Um. No campo da pol\u00edtica temos claramente o que Freud indicou\u00a0em\u00a0<em>Psicologia das Massas e An\u00e1lise do Eu<\/em>\u00a0(1921). Na pol\u00edtica cidad\u00e3, o totalitarismo tem boas inten\u00e7\u00f5es; a aspira\u00e7\u00e3o a um mundo de harmonia, todo mundo reconciliado, como algumas religi\u00f5es o buscaram (na superf\u00edcie, \u00e9 claro). Mas ainda \u00e9 uma ilus\u00e3o que n\u00e3o se sustenta.<\/p>\n<p>N\u00e3o preciso explicar muito quando digo que, se falamos do sujeito do inconsciente, pensamos em desejo, e, quando colocamos a quest\u00e3o do\u00a0<em>falasser<\/em>, estamos do lado do gozo e da puls\u00e3o, em que o sujeito \u00e9 sempre feliz. Ele \u00e9 feliz porque a puls\u00e3o \u00e9 sempre satisfeita, direta ou indiretamente; do ponto de vista econ\u00f4mico, ela \u00e9 satisfeita dolorosamente ou agradavelmente, do lado do prazer ou do desprazer. Esta tese corresponde a apontar que existem arranjos ou modos de gozo, como sugere Lacan, em\u00a0<em>Televis\u00e3o<\/em>\u00a0(LACAN, 1974\/2003), nos quais\u00a0 o sujeito \u00e9 sempre feliz na satisfa\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, afirmamos que\u00a0<em>la urgencia dicha,<\/em>\u00a0como dizemos em espanhol, dita no sentido de falada\u00a0\u2014 nos remete \u00e0quela estranha felicidade do sil\u00eancio das puls\u00f5es que podem atingir o mais mort\u00edfero.<\/p>\n<p>Miller disse que afirmar que o sujeito \u00e9 feliz \u00e9 uma vocifera\u00e7\u00e3o. Uma vocifera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma exclama\u00e7\u00e3o que vem de uma voz muito alta. N\u00e3o \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o, nem uma proposi\u00e7\u00e3o. A \u00a0proposi\u00e7\u00e3o sempre vem com sua suposta afirma\u00e7\u00e3o: \u00e9 um fato sem valor de verdade ou falsidade. A vocifera\u00e7\u00e3o, por outro lado, supera a divis\u00e3o do enunciado e da enuncia\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o suspende, nem se distancia de quem a pronuncia, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 outro que n\u00e3o se distancie de onde se pronuncia. Ela \u00e9, fundamentalmente, seu ponto de emiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Somos consultados, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, devido \u00e0 depress\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cO que a tristeza tem de central \u00e9 que ela \u00e9 um saber; existe lucidez na tristeza, mas \u00e9 um saber triste, por ser cortado da vida, separado do real do gozo. \u00c9 um saber que se articula s\u00f3, e que perdeu o vazio que o articularia ao gozo em si.\u201d (LAURENT, 2000, p.88)<\/p>\n<p>O analista \u00e9 aquele que se orienta pela \u00e9tica do bem dizer, que prescreve encontrar um acordo, uma harmonia, sim, mas se trata de uma certa harmonia entre o significante e o gozo. O problema da depress\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de saber, \u00e9 fundamentalmente um saber triste, que n\u00e3o pode ser dito. Recebemos pacientes deprimidos, muitas vezes como uma emerg\u00eancia, moderados ou graves, que n\u00e3o conseguem colocar em discurso algo do n\u00e3o dito. Paradoxalmente, a chamamos de \u201ca dita urg\u00eancia\u201d, aquela que se desfruta sem saber. A escuta da demanda de cada um marca uma virada, pois, para o discurso anal\u00edtico, os fatos do desejo e a resposta do gozo s\u00e3o singulares.<\/p>\n<p>Se a temporalidade da an\u00e1lise \u00e9 a ang\u00fastia, e isso vale tamb\u00e9m para a urg\u00eancia, para aquele momento de perplexidade em que a palavra fica presa na garganta, como diria Chico Buarque. Temos a fun\u00e7\u00e3o operativa do desejo do analista que visa despertar um contorno de espera. N\u00e3o de esperan\u00e7a, isso sempre complica. Podemos caracteriz\u00e1-la como uma proposta que permite uma mistura de aborrecimento, nos momentos de agita\u00e7\u00e3o &#8211; o t\u00e9dio est\u00e1 sempre \u00e0 espera de Outra Coisa &#8211;\u00a0 com a oferta de encontrar uma surpresa mais eficiente que a disjun\u00e7\u00e3o ou o desapego do Outro.<\/p>\n<p>Freud descobriu\u00a0 que o corpo do\u00a0<em>falasser\u00a0<\/em>fala. Mas tamb\u00e9m goza, especificou Lacan. \u00c9 o que a psican\u00e1lise demonstra: n\u00e3o h\u00e1 gozo sem corpo e que uma an\u00e1lise n\u00e3o visa apenas decifrar a verdade, mas tamb\u00e9m o gozo produzido no\u00a0<em>sinthoma.<\/em><\/p>\n<p>Na aula V do semin\u00e1rio\u00a0<em>Mais Ainda<\/em>, Lacan dir\u00e1 que \u201ctodas as necessidades do ser falante est\u00e3o contaminadas pelo fato de estarem implicadas com uma outra satisfa\u00e7\u00e3o \u2013 sublinhem as tr\u00eas \u00faltimas palavras \u2013 \u00e0 qual elas podem faltar.\u201d (LACAN, 1973, p.70)<\/p>\n<p>J\u00e1 sab\u00edamos que n\u00e3o basta pensar na satisfa\u00e7\u00e3o da necessidade para entender o que \u00e9 satisfa\u00e7\u00e3o, pois existe outra. Qual \u00e9 o outro termo ao qual essa outra satisfa\u00e7\u00e3o se somaria? Essa outra satisfa\u00e7\u00e3o dar\u00e1 origem ao inconsciente, que se satisfaz no n\u00edvel da linguagem, diz Lacan nessa aula do semin\u00e1rio\u00a0<em>Mais, ainda,<\/em>\u00a0na qual j\u00e1 est\u00e1 preparando seu conceito de\u00a0<em>falasser<\/em>.<\/p>\n<p>O inconsciente \u00e9 o lugar da satisfa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o apenas do que \u00e9 interpretado ou decifrado.Nesse semin\u00e1rio, o salto \u00e9 perceber que o significante n\u00e3o tem apenas efeitos de significa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de gozo, ou seja, o significante n\u00e3o apenas mortifica o organismo do ser vivo, mas tamb\u00e9m produz gozo. E \u00e9 com isso que temos que lidar na an\u00e1lise, que \u00e9, fundamentalmente, uma experi\u00eancia de fala.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 tamb\u00e9m, particularmente, verdadeiro para a interpreta\u00e7\u00e3o que \u00e9 o modo de interven\u00e7\u00e3o do analista. A interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 solicitada por seus efeitos de sentido, mas de gozo, por seus efeitos corporificados. Trata-se a\u00ed de colocar, junto \u00e0 dimens\u00e3o da verdade, a da materialidade do significante, ou seja, o som, o que nos leva \u00e0 no\u00e7\u00e3o de lal\u00edngua, na qual \u00e9 o som, o fonema, que tem uma import\u00e2ncia especial. Isso d\u00e1 \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o uma cor especial, essa sua emigra\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o do saber para um grito, uma jaculat\u00f3ria, um uso do significante sem o uso do sentido, pois, o que importa \u00e9 a sua consist\u00eancia, &#8220;o que poderia fazer soar o sino do gozo de maneira conveniente para satisfazer-se com ele&#8221; (MILLER, 2011, p.268, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<p>E aqui estamos no ponto em quest\u00e3o: devemos separar o gozo da satisfa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o haveria experi\u00eancia anal\u00edtica se o gozo fosse satisfat\u00f3rio. Somente a jacula\u00e7\u00e3o pode retificar, n\u00e3o o sujeito, mas o gozo para que possa ser concebido como satisfat\u00f3rio. Em outras palavras, temos um gozo que seria satisfat\u00f3rio e um outro que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o um curto-circuito para pensar no discurso da ci\u00eancia que tende a ser universalista, pois n\u00e3o pode responder \u00e0 quest\u00e3o que nos \u00e9 colocada em consequ\u00eancia do que chamamos de\u00a0<em>a modalidade do gozo<\/em>\u00a0ou, pode-se dizer, o imperativo de gozo do qual cada um \u00e9 escravo. E isso \u00e9 em si uma resposta.<\/p>\n<p>Pretende-se que o discurso cient\u00edfico ofere\u00e7a\u00a0respostas para o gozo, mesmo aquele\u00a0 que vemos muito grosseiramente em nosso campo, que atua como um discurso cient\u00edfico, com suas extra\u00e7\u00f5es absurdas e estat\u00edsticas sugestivas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Revis\u00e3o:<\/strong>\u00a0Beatriz Esp\u00edrito Santo<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1917).\u00a0<em>Confer\u00eancia 28, A terapia anal\u00edtica.<\/em>\u00a0In:\u00a0<strong>Sigmund Freud, Obras Completas,<\/strong>\u00a0v. 13, Confer\u00eancias introdut\u00f3rias \u00e0 psican\u00e1lise (1916-17), S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2014.<\/h6>\n<h6>FREUD. S. (1921)\u00a0<em>Psicologia das massas e an\u00e1lise do eu<\/em>. In:\u00a0<strong>Sigmund Freud, Obras Completas<\/strong>, v. 15. Psicologia das massas e an\u00e1lise do eu e outros textos \u2013 1920-23, S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.<strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1964).\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, livro 11<\/strong>:\u00a0<strong>os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1974).\u00a0<em>Televis\u00e3o<\/em>. In:\u00a0<strong>Outros escritos.<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1973).\u00a0<em>Arist\u00f3teles e Freud: a Outra satisfa\u00e7\u00e3o,<\/em>\u00a0In:\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, livro 20: mais ainda.<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1977).\u00a0<em>Una pr\u00e1ctica de charlataneria.<\/em>\u00a0In:\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, livro 25: El momento de concluir<\/strong>, in\u00e9dito.<\/h6>\n<h6>LAURENT, E. (2000).\u00a0<strong>As paix\u00f5es do ser<\/strong>. Semin\u00e1rio da VII Jornada da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. Salvador, Bahia: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2000.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.A. (2011).\u00a0<em>El goce no miente,<\/em>\u00a0In:\u00a0<strong>Sutilezas anal\u00edticas<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2020.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a id=\"cita1\"><\/a>[1] Confer\u00eancia pronunciada na Aula Inaugural do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, em 07 de mar\u00e7o de 2022.<\/h6>\n<h6><a id=\"cita2\"><\/a>[2] IV Congresso, em Comandatuba, 2004: &#8220;A pr\u00e1tica lacaniana da psican\u00e1lise: sem standard mas n\u00e3o sem princ\u00edpios&#8221;<\/h6>\n<h6><a id=\"cita3\"><\/a>[3] IV Congresso, em Comandatuba, 2004: &#8220;A pr\u00e1tica lacaniana da psican\u00e1lise: sem standard mas n\u00e3o sem princ\u00edpios&#8221;<\/h6>\n<h6><a id=\"cita4\"><\/a>[4] Trata-se do 25\u00ba. Congresso da International Psichoanalytical Association (IPA), ocorrido em Copenhagen, sobre o tema \u201cTratamento Psicanal\u00edtico da Neurose Obsessiva\u201d<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RICARDO SELDES Psicanalista, AME da EOL\/AMP ricardoseldes@gmail.com Resumo:\u00a0O futuro da psican\u00e1lise \u00e9 algo que est\u00e1 sempre em quest\u00e3o, pois est\u00e1 ligado ao lugar de onde cada um conseguiu chegar com seu sintoma analisado, algo que exige a abertura para o desconhecido e n\u00e3o ao que j\u00e1 est\u00e1 categorizado. Nessa perspectiva, se indica\u00e7\u00f5es ao analista existissem,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57845,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-1968","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-29","category-25","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1968"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1968\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57846,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1968\/revisions\/57846"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57845"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}