{"id":1976,"date":"2022-07-19T06:41:42","date_gmt":"2022-07-19T09:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=1976"},"modified":"2025-12-01T13:13:11","modified_gmt":"2025-12-01T16:13:11","slug":"editorial-almanaque-n-29","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2022\/07\/19\/editorial-almanaque-n-29\/","title":{"rendered":"EDITORIAL- ALMANAQUE N 29"},"content":{"rendered":"<h6>Daniela Dinardi<\/h6>\n<div id=\"attachment_1977\" style=\"width: 1546px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/editorial_Fred_Bandeira-2.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1536\" data-large_image_height=\"2048\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1977\" class=\"wp-image-1977\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/editorial_Fred_Bandeira-2-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"483\" height=\"644\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1977\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Fred Bandeira<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caros leitores,<\/p>\n<p>Apresentamos a 29\u00aa edi\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Almanaque on-line<\/strong>!<\/p>\n<p>Animados pelo desejo de transmiss\u00e3o do trabalho de pesquisa produzido no IPSM-MG e pelos demais colegas da nossa comunidade anal\u00edtica, nos dedicamos a recolher textos alinhados ao tema de investiga\u00e7\u00e3o do Instituto neste primeiro semestre de 2022: \u201cAcontecimento de corpo pol\u00edtico e a psican\u00e1lise hoje\u201d \u00e9 a b\u00fassola que nos orienta.<\/p>\n<p>Instigante, esta pesquisa trouxe para os nossos espa\u00e7os de discuss\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o que liga o analista \u00e0 dimens\u00e3o pol\u00edtica e \u00e0 subjetividade de sua \u00e9poca, nos impulsionando a refletir sobre a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise nos nossos dias face ao discurso do mestre contempor\u00e2neo. Se para Freud a pol\u00edtica \u00e9 o inconsciente, Lacan inverte essa l\u00f3gica afirmando que \u201co inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u201d, abrindo assim novas vias de estudo e reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Abrimos a revista com\u00a0<em>Trilhamentos<\/em>, em que, em uma orienta\u00e7\u00e3o epist\u00eamica, voc\u00eas encontrar\u00e3o textos que percorrem os caminhos tra\u00e7ados por Freud e Lacan relacionados \u00e0 nossa pesquisa.<\/p>\n<p>Frederico Feu de Carvalho prop\u00f5e retomar a li\u00e7\u00e3o \u201cDo n\u00f3 como suporte do sujeito\u201d, do\u00a0<em>Semin\u00e1rio 23<\/em>\u00a0de Lacan, acrescentando a ela algumas reflex\u00f5es sobre \u201co acontecimento de corpo pol\u00edtico\u201d e o que dele podemos extrair para pensar a pr\u00e1tica com as psicoses. Ricardo Seldes, nosso colega da EOL e convidado para a aula inaugural do IPSM-MG, pergunta sobre como ser solid\u00e1rio com o futuro da psican\u00e1lise em meio \u00e0 tend\u00eancia de homogeneiza\u00e7\u00e3o de nossa \u00e9poca. Philippe La Sagna, em seu texto \u201cO discurso como sa\u00edda do capitalismo\u201d, indica que, no discurso capitalista, o falasser se v\u00ea submetido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de consumidor e objeto consumido. O discurso anal\u00edtico, tal como esse autor localiza, seria a possibilidade de desvendar essa maquinaria do mais-de-gozar e de arejar os seus efeitos. V\u00e9ronique Voruz, em \u201cInterpretar o material humano\u201d, sublinha um efeito da interpreta\u00e7\u00e3o que toca na vergonha face ao falasser reduzido a \u201cmaterial humano\u201d, com vistas a restituir sua condi\u00e7\u00e3o de sujeito barrado. Gustavo Stiglitz, no texto \u201cPsican\u00e1lise e pol\u00edtica, uma amizade estrutural\u201d, afirma que a psican\u00e1lise sempre esteve ligada \u00e0 pol\u00edtica. Articulando inconsciente e pol\u00edtica, ele traz elementos para pensar no papel que a psican\u00e1lise tem no enfrentamento de uma sociedade previs\u00edvel, na qual desejo, risco e amor se dissolvem diante do regime do Todo.<\/p>\n<p>Na rubrica\u00a0<em>Entrevistas,<\/em>\u00a0nosso colega S\u00e9rgio Laia conversa conosco sobre as poss\u00edveis sa\u00eddas para que o discurso psicanal\u00edtico possa se manter como aquele que faz obje\u00e7\u00e3o \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o, ao apagamento do desejo e ao imp\u00e9rio do mais-de-gozar presente na atualidade. Nosso entrevistado tamb\u00e9m se refere \u00e0s mudan\u00e7as provocadas pelo movimento de globaliza\u00e7\u00e3o do mundo sobre o que chamamos de ra\u00e7a, fraternidade e racismo e nos esclarece sobre como a psican\u00e1lise pode intervir na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>Encontros<\/em>, reservamos para voc\u00eas os artigos de T\u00e2nia Abreu, Silvia Baudini, Ana\u00eblle Lebovits-Quenehen,\u00a0Fabi\u00e1n Naparstek e Rodrigo Almeida. As duas primeiras nos brindam com uma leitura aguda do que est\u00e1 em jogo no document\u00e1rio\u00a0<em>Pequena garota<\/em>, trazendo \u00e0 discuss\u00e3o um tema que tem mobilizado o debate no campo freudiano, refletindo sobre as repercuss\u00f5es das quest\u00f5es trans sobre as crian\u00e7as. No texto \u201cPsican\u00e1lise e Pol\u00edtica: quatro modalidades de uma rela\u00e7\u00e3o\u201d, Ana\u00eblle Lebovits-Quenehen exp\u00f5e seus pontos de vista sobre a posi\u00e7\u00e3o do analista em rela\u00e7\u00e3o ao pol\u00edtico e diante da pol\u00edtica a partir de diferentes aspectos. Fabi\u00e1n Naparstek discorre sobre \u201cPsican\u00e1lise e pol\u00edtica\u201d e destaca que a pol\u00edtica da psican\u00e1lise implica em abrir a via da palavra e da interpreta\u00e7\u00e3o para que cada sujeito possa produzir sintomas singulares que n\u00e3o caminhe em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 consist\u00eancia ideal imagin\u00e1ria das identifica\u00e7\u00f5es. \u00a0Em \u201cDiscursos de g\u00eanero e psican\u00e1lise: poss\u00edveis interlocutores\u201d, Rodrigo Almeida privilegia alguns pontos dos \u201cdiscursos de g\u00eanero\u201d e de suas teorias, especialmente naquilo que os contrap\u00f5em \u00e0 psican\u00e1lise, interrogando sobre de que maneira o debate com as teorias de g\u00eanero pode contribuir para a leitura dos psicanalistas sobre a subjetividade de sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>Incurs\u00f5es<\/em>, apresentamos textos dos colegas que est\u00e3o presentes nos espa\u00e7os de investiga\u00e7\u00e3o do Instituto. Suzana Faleiro e Sandra Espinha, em seus respectivos textos, discorrem sobre como um analista pode permitir \u00e0 crian\u00e7a separar-se do lugar de objeto para reinventar sua fam\u00edlia em um tempo marcado por uma desordem simb\u00f3lica e na vig\u00eancia de discursos de remedia\u00e7\u00e3o cognitiva e comportamental que n\u00e3o levam em conta o real. Ainda nesse\u00a0contexto, Maria Rita Guimar\u00e3es recorta alguns elementos das reflex\u00f5es de Ian Hacking para subsidiar o debate sobre a biopol\u00edtica reinante fundada em protocolos e classifica\u00e7\u00f5es, para deles extrair as consequ\u00eancias para a cl\u00ednica psicanal\u00edtica, sobretudo, a cl\u00ednica com crian\u00e7as e com autistas. Maria Wilma S. de Faria, em \u201cO acontecimento de corpo pol\u00edtico e a psican\u00e1lise hoje\u201d, indaga sobre o que pode a psican\u00e1lise frente \u00e0 toxicomania que nossa \u00e9poca promove. Ana Maria Lopes e Henrique Torres, em \u201cCorpos anor\u00e9xicos e o avesso da biopol\u00edtica\u201d, partem de seus estudos sobre a cl\u00ednica da anorexia para ressaltar a import\u00e2ncia de uma aposta nas inven\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas singulares que cada sujeito inscreve nas marcas de seu corpo, destacando a import\u00e2ncia da escuta cl\u00ednica, hoje t\u00e3o fragilizada na pr\u00e1tica m\u00e9dica. Elaine Maciel, em \u201cO corpo: do cl\u00ednico ao pol\u00edtico\u201d, aborda a no\u00e7\u00e3o de corpo em psican\u00e1lise articulada \u00e0 sua dimens\u00e3o cl\u00ednica e \u00e0 dimens\u00e3o pol\u00edtica. No artigo \u201cPsicopatologia do racismo cotidiano: do corpo pol\u00edtico ao acontecimento de corpo\u201d, Lu\u00eds Couto investiga os efeitos sobre os corpos oriundos da hist\u00f3ria pol\u00edtica de segrega\u00e7\u00e3o racial em nosso pa\u00eds, particularmente, os efeitos singulares das nomea\u00e7\u00f5es vindas do campo do Outro e sua rela\u00e7\u00e3o com o gozo.<\/p>\n<p>No que ressoa como efeito de transmiss\u00e3o para os alunos do Instituto,\u00a0<em>De uma nova gera\u00e7\u00e3o<\/em>, temos os trabalhos de Giulia Campos Lage, com \u201cA neurose na urg\u00eancia subjetiva\u201d, e de Paulo de Souza Novaes, com \u201cMomentos de virada no ensino de Jacques Lacan: do inconsciente transferencial ao inconsciente real\u201d. Tais trabalhos evidenciam o estatuto \u00e9tico da psican\u00e1lise na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com seu inconsciente e com a sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>Por fim, agradecemos aos autores que, generosamente, contribu\u00edram para esta edi\u00e7\u00e3o; \u00e0 equipe de publica\u00e7\u00e3o, pelo cuidado na pesquisa, tradu\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o dos trabalhos; \u00e0 colega e fot\u00f3grafa Cec\u00edlia Velloso Batista, assim como aos fot\u00f3grafos Fred Bandeira e Nelson Martins de Almeida, o nosso muito obrigado pela cess\u00e3o de t\u00e3o lindas e impactantes imagens! Aos nossos leitores, fica o convite para a aprecia\u00e7\u00e3o dos textos desta edi\u00e7\u00e3o, na expectativa de que eles possam contribuir em um debate t\u00e3o atual e caro a n\u00f3s psicanalistas e, dessa forma, como conclamou o nosso colega Ricardo Seldes, \u201csolidarizar com o futuro da psican\u00e1lise\u201d.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniela Dinardi &nbsp; Caros leitores, Apresentamos a 29\u00aa edi\u00e7\u00e3o da\u00a0Almanaque on-line! Animados pelo desejo de transmiss\u00e3o do trabalho de pesquisa produzido no IPSM-MG e pelos demais colegas da nossa comunidade anal\u00edtica, nos dedicamos a recolher textos alinhados ao tema de investiga\u00e7\u00e3o do Instituto neste primeiro semestre de 2022: \u201cAcontecimento de corpo pol\u00edtico e a psican\u00e1lise&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57849,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-1976","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-29","category-25","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1976"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57850,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1976\/revisions\/57850"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}