{"id":199,"date":"2023-08-15T19:24:18","date_gmt":"2023-08-15T22:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=199"},"modified":"2025-12-01T12:46:10","modified_gmt":"2025-12-01T15:46:10","slug":"os-neodesencadeamentos-entre-discricao-e-exuberancia-nas-psicoses1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2023\/08\/15\/os-neodesencadeamentos-entre-discricao-e-exuberancia-nas-psicoses1\/","title":{"rendered":"Os neodesencadeamentos: entre discri\u00e7\u00e3o e exuber\u00e2ncia nas psicoses<sup>[1]<\/sup>\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e9rgio de Castro<\/strong><br \/>\nPsicanalista, Membro da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise\/AMP<br \/>\n<span id=\"cloakf6b757e88009ab00f63e2ae62df67998\"><a href=\"mailto:sdcastro54@gmail.com\">sdcastro54@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>O autor percorre momentos distintos de ensino de Lacan para abordar o desencadeamento nas psicoses partindo de sua concep\u00e7\u00e3o forjada no per\u00edodo estruturalista desse ensino determinada pela aus\u00eancia da met\u00e1fora paterna para, em seguida, examinar o outro modo pelo qual as psicoses e os seus desencadeamentos se apresentam com maior frequ\u00eancia na contemporaneidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palavras-chave:\u00a0<\/strong>psicoses; desencadeamentos; met\u00e1fora paterna; psicoses contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NEO-TRIGGERS: BETWEEN DISCRETION AND EXUBERANCE IN PSYCHOSES\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abstract:\u00a0<\/strong>the author goes through different moments of Lacan&#8217;s teaching to address the triggering of psychoses, taking his conception in the classical or structuralist period of this teaching as a result of the absence of the paternal metaphor, and then examines another way in which psychoses and their triggers are present more frequently in contemporary times.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>psychoses; triggering; paternal metaphor; contemporary psychoses.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_201\" style=\"width: 719px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/sergio_castro.png\" data-dt-img-description=\"Imagem: Sofia Nabuco\" data-large_image_width=\"709\" data-large_image_height=\"709\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-201\" class=\"size-full wp-image-201\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/sergio_castro.png\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"709\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/sergio_castro.png 709w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/sergio_castro-300x300.png 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/sergio_castro-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-201\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Sofia Nabuco<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema de minha interven\u00e7\u00e3o, \u201cOs neodesencadeamentos: entre discri\u00e7\u00e3o e exuber\u00e2ncia nas psicoses\u201d, j\u00e1 nos introduz numa quest\u00e3o mais ampla, t\u00edtulo do Congresso da AMP que acontecer\u00e1 em 2024,\u00a0<em>Todo mundo \u00e9 louco<\/em>. Vejam que tal tema j\u00e1 \u00e9 tribut\u00e1rio de uma leitura da contemporaneidade que n\u00e3o se compatibilizaria inteiramente com os primeiros anos do ensino de Lacan, mesmo n\u00e3o havendo entre os diversos per\u00edodos de tal ensino propriamente rupturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, quando falo em primeiros anos do ensino de Lacan, no tema que nos toca hoje, refiro-me, em especial, a \u201cDe uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose\u201d. Ali, como sabemos, h\u00e1 contrastes e diferen\u00e7as n\u00edtidas, fundamentos mesmo da voga estruturalista que encontrava na Fran\u00e7a daquele per\u00edodo seu \u00e1pice. Eles ser\u00e3o ent\u00e3o t\u00edpicos do paradigma apresentado em<em>\u00a0\u201c<\/em>A inst\u00e2ncia da letra ou a raz\u00e3o desde Freud\u201d, que inaugura a rela\u00e7\u00e3o de Lacan com, justamente, a lingu\u00edstica estrutural. Estamos a\u00ed no cerne do que se convencionou chamar de Lacan cl\u00e1ssico.\u00a0 Como sabemos, em \u201cDe uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose\u201d os contrastes cl\u00ednico\/conceituais s\u00e3o sempre acentuados, fundados como est\u00e3o nas premissas de articula\u00e7\u00e3o e diferen\u00e7a pr\u00f3prios da defini\u00e7\u00e3o de estrutura. E aqui, a no\u00e7\u00e3o de simb\u00f3lico, deposit\u00e1ria que ser\u00e1 da pr\u00f3pria linguagem, estar\u00e1, hierarquicamente falando, numa posi\u00e7\u00e3o determinante com rela\u00e7\u00e3o ao imagin\u00e1rio e ao real. Ou, se preferirmos, nesse momento do ensino de Lacan poderemos falar de um dom\u00ednio do simb\u00f3lico sobre o imagin\u00e1rio e o real. Pensaremos portanto ali num desencadeamento a partir de um encontro do sujeito com\u00a0<em>Um pai<\/em>, numa solicita\u00e7\u00e3o proposta pela vida (a paternidade\/maternidade, a perda de um ente querido, uma situa\u00e7\u00e3o profissional imprevista, etc.) muitas vezes objetiva, \u00e0 qual, no plano da subjetividade, aquele sujeito n\u00e3o foi capaz de responder recorrendo ao que chamaremos aqui de \u201c padr\u00e3o\u201d ent\u00e3o vigente. Ou seja, responder a partir de uma posi\u00e7\u00e3o terceira, fora do eixo a&#8230;..a\u2019, como vemos no esquema L apresentado naquele momento por Lacan,\u00a0 pr\u00f3prio da dualidade especular\/imagin\u00e1ria. E isso, justamente por n\u00e3o dispor de recursos para, nessa resposta, sustentar-se no Nome-do-Pai, inscrito como poderia estar, no Outro. O Nome-do-Pai ent\u00e3o deve ser pensado ent\u00e3o como um significante especial e operador privilegiado para lidar com o real do gozo que teria emergido naquela solicita\u00e7\u00e3o feita \u00e0quele sujeito naquele momento. Ele ser\u00e1, portanto, o sustent\u00e1culo m\u00ednimo de toda a ordem simb\u00f3lica. Falar ent\u00e3o em hegemonia do simb\u00f3lico, como podemos falar desse per\u00edodo do ensino de Lacan, resultaria nisso, em se tratando de um desencadeamento cl\u00e1ssico de uma psicose: num dado momento da vida daquele sujeito ele ter\u00e1 sido solicitado a responder, subjetivamente, desde uma posi\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica (ali\u00e1s, desde esse significante privilegiado e dos recursos simb\u00f3licos transmitidas por ele), e, por n\u00e3o ter acontecido de aquele significante ter se inscrito no estoque significante daquele sujeito (inscrito no grande Outro, que ser\u00e1 tamb\u00e9m um nome do inconsciente), haver\u00e1 um desencadeamento. Ou, o que n\u00e3o estava inscrito no simb\u00f3lico, por estar nele foraclu\u00eddo, retornar\u00e1 do real, na forma de fen\u00f4menos elementares, as alucina\u00e7\u00f5es sendo aqui o paradigma de tal retorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que nos levaria ent\u00e3o a um desencadeamento claramente marcado por um antes e um depois, em muitos casos s\u00f3 sendo poss\u00edvel um diagn\u00f3stico de psicose uma vez ocorrido tal desencadeamento. Tudo isso a partir deste significante (o Nome-do-Pai) que, em tese (ou, se se tratasse de uma estrutura neur\u00f3tica), deveria estar inscrito no Outro para aquele sujeito, ali onde a linguagem e a fala, como inst\u00e2ncias simb\u00f3licas, se sustentariam. Da\u00ed as consequ\u00eancias por n\u00f3s exploradas h\u00e1 muitos anos: sem a inscri\u00e7\u00e3o desse significante privilegiado no campo do Outro ou, a partir de sua formula\u00e7\u00e3o lacaniana cl\u00e1ssica, com a foraclus\u00e3o do Nome-do-Pai do simb\u00f3lico, (P o) Pai zero e suas consequ\u00eancias imediatas:\u00a0(\u0424 o), falo (simb\u00f3lico) zero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso paradigm\u00e1tico de ent\u00e3o, como todos sabemos, ser\u00e1 o de Schreber, que, justamente no momento em que recebe, em sua carreira jur\u00eddica, uma promo\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito tempo almejada, perde o ch\u00e3o e n\u00e3o segura com a firmeza f\u00e1lica que seria necess\u00e1ria, quer dizer, a partir do falo simb\u00f3lico inscrito no Outro (justamente o que n\u00e3o havia em Schreber), o cargo de Presidente daquele tribunal. De onde a c\u00e9lebre f\u00f3rmula j\u00e1 citada aqui de Lacan: o que \u00e9 foraclu\u00eddo do simb\u00f3lico (o Nome-do-Pai, nessa foraclus\u00e3o maior indicada ent\u00e3o por Lacan) retornar\u00e1 no real, quer dizer, enquanto fen\u00f4menos ruidosos e elementares, especialmente nas alucina\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9, portanto, o desencadeamento cl\u00e1ssico, contempor\u00e2neo de uma \u00e9poca \u2013 e aqui tocamos no que me parece ser o ponto principal da quest\u00e3o \u2013 em que esse significante privilegiado, sustent\u00e1culo mesmo de toda a ordem simb\u00f3lica como Lacan a formulava ent\u00e3o, estaria mais ou menos dispon\u00edvel, e de forma hegem\u00f4nica, na cultura. Da\u00ed a nitidez e o contraste acentuados entre uma neurose, quando, ent\u00e3o, naqueles sujeitos, o modo \u201cpadr\u00e3o\u201d se transmitiria (ainda que, \u00e9 claro, a partir das singularidades do romance familiar de cada um), sendo esse modo padr\u00e3o o Nome-do-Pai, urdido especialmente (mas n\u00e3o exclusivamente) a partir de uma organiza\u00e7\u00e3o patriarcal das fam\u00edlias e uma psicose, onde tal transmiss\u00e3o n\u00e3o teria se dado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que gostaria de acentuar \u00e9 que, com a famosa tese de Miller e Laurent (extra\u00edda de Lacan por certo) de um decl\u00ednio do Nome-do-Pai, tal \u201cmodalidade padr\u00e3o\u201d de resposta deixa, gradativamente, de ser hegem\u00f4nica na cultura. At\u00e9 ent\u00e3o ter\u00edamos o contraste e a nitidez t\u00edpicos de uma cl\u00ednica estrutural, na qual uma sustenta\u00e7\u00e3o subjetiva daquele sujeito referida no Nome-do-Pai, ou n\u00e3o, far\u00e1 a diferen\u00e7a entre uma psicose ruidosa, e o extraordin\u00e1rio daquele desencadeamento, no qual as formas delirantes agudas ou as psicoses alucinat\u00f3rias cr\u00f4nicas seriam n\u00edtidas, e uma neurose, em sua suposta discri\u00e7\u00e3o e maior extens\u00e3o social. No entanto, para tentarmos nos aproximar da quest\u00e3o das psicoses ordin\u00e1rias, acho que seria importante enfatizar um outro \u00e2ngulo de tais elabora\u00e7\u00f5es.\u00a0 Isso dado o que me parece ser a complexidade da quest\u00e3o e um certo avan\u00e7o mesmo que foi poss\u00edvel fazer sobre elas a partir de suas formula\u00e7\u00f5es iniciais no Concili\u00e1bulo de Angers, na Conversa\u00e7\u00e3o de Arcachon e na Conven\u00e7\u00e3o de Antibes, todos eventos e elabora\u00e7\u00f5es feitos no final do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, um ponto que me parece importante termos em mente \u00e9 o de que tais elabora\u00e7\u00f5es ser\u00e3o tribut\u00e1rias, mais ou menos diretamente, das elabora\u00e7\u00f5es feitas por Jacques-Alain Miller e por \u00c9ric Laurent no curso psicanal\u00edtico de 1996\/1997 que eles dividiam, intitulado\u00a0<em>O Outro que n\u00e3o existe e seus comit\u00eas de \u00e9tica.\u00a0<\/em>Se falei um pouco antes de uma \u201cmodalidade padr\u00e3o\u201d de resposta do sujeito a quest\u00f5es que a pr\u00f3pria vida se lhe apresentava, ser\u00e1 justamente o alcance e a extens\u00e3o desse dito padr\u00e3o que ser\u00e1 examinado e posto em quest\u00e3o em tal curso. Pois, se o Outro n\u00e3o existe\u00a0<em>mais<\/em>\u00a0(e o adv\u00e9rbio\u00a0<em>mais<\/em>\u00a0aqui \u00e9 fundamental), como prop\u00f5em e examinam Miller e Laurent no curso citado, isso quer dizer que algo, no campo do Outro, mudou. E onde localizaremos tal mudan\u00e7a? Justamente em seu ponto de sustenta\u00e7\u00e3o m\u00ednimo e fundamental: a inscri\u00e7\u00e3o ali do Nome-do-Pai. O decl\u00ednio do Nome-do-Pai ent\u00e3o (ou, se preferirmos, sua n\u00e3o inscri\u00e7\u00e3o, ao menos se tomarmos como refer\u00eancia a dita \u201cmodalidade padr\u00e3o\u201d) ser\u00e1 correlativo e elucidar\u00e1 o que chamaremos de emerg\u00eancia do UM, tanto quanto da frase de Miller que j\u00e1 se tornou famosa, a saber, de que o objeto\u00a0<em>a\u00a0<\/em>encontra-se hoje em seu z\u00eanite social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentemos dar mais uma volta: o inconsciente estruturado como uma linguagem, esse inconsciente pr\u00f3prio do famoso retorno a Freud empreendido por Lacan, se sustentar\u00e1 no dispositivo do recalque, ou da\u00a0<em>Verdrangung\u00a0<\/em>freudiana. A partir de um recalque prim\u00e1rio, teremos todos os recalques secund\u00e1rios, sempre compostos de material significante e que encontrar\u00e3o em suas diversas modalidades de retorno \u2013 as famosas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente \u2013 as manifesta\u00e7\u00f5es registradas por Freud e inaugurais mesmas da pr\u00f3pria psican\u00e1lise. Aqui, nas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, de um inconsciente portanto estruturado como uma linguagem, teremos os sintomas (sem a letra h), os famosos atos falhos e os sonhos, tal como apresentados por Freud na obra inaugural da psican\u00e1lise,\u00a0<em>A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos<\/em>\u00a0e, posteriormente, em\u00a0<em>Psicopatologia da vida cotidiana<\/em>. Ora, tal inconsciente, (e, portanto, toda a ordem simb\u00f3lica que se desdobra e se sustenta a\u00ed) estar\u00e1 assentado no dispositivo do recalcamento e ser\u00e1 inteiramente tribut\u00e1rio da incid\u00eancia do Nome-do-Pai sobre o desejo da m\u00e3e, naquela f\u00f3rmula inicial de Lacan, a da met\u00e1fora paterna, apresentada em\u00a0<em>A inst\u00e2ncia da letra ou a raz\u00e3o desde Freud.\u00a0<\/em>O resultado de tal opera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tanto a significa\u00e7\u00e3o como f\u00e1lica, quanto a pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o do inconsciente como Outro. Ou seja, a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito como neur\u00f3tico e a inscri\u00e7\u00e3o do falo enquanto falo simb\u00f3lico nesse mesmo campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, apresentar a tese (ou a constata\u00e7\u00e3o, para melhor diz\u00ea-lo) de que o grande Outro n\u00e3o existe mais (ou existe de forma t\u00e3o fragmentada que n\u00e3o ser\u00e1 mais entendido da mesma maneira) ser\u00e1 afirmar que a met\u00e1fora paterna, constitu\u00edda a partir do protagonismo do Nome-do-Pai, aquele recurso simb\u00f3lico at\u00e9 ent\u00e3o t\u00edpico para lidar com o gozo, n\u00e3o opera mais a contento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Semin\u00e1rio 21, de 1973\/74,\u00a0<em>Os n\u00e3o tolos erram<\/em>, ainda in\u00e9dito, Lacan descrever\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o em que certas muta\u00e7\u00f5es (justamente as indicadas aqui), que se articulam e se imbricam \u00e0 pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o do sujeito (ou do\u00a0<em>falasser<\/em>), produzir\u00e3o novas modalidades de la\u00e7o social (mas n\u00e3o fica claro se podemos falar aqui em la\u00e7o social, tribut\u00e1rio que \u00e9 da no\u00e7\u00e3o de discurso, o que justamente parece estar afetado numa \u00e9poca em que o UM inteiramente s\u00f3, em sua voca\u00e7\u00e3o autista, encontra-se numa esp\u00e9cie de z\u00eanite de cada\u00a0<em>falasser<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, toda uma indistin\u00e7\u00e3o entre termos at\u00e9 ent\u00e3o contrastantes e n\u00edtidos, veiculados mesmo por certas tradi\u00e7\u00f5es e constitutivos do pr\u00f3prio pensamento estruturalista tal como operado por Lacan no in\u00edcio de seu ensino, simplesmente se pulverizam, ou se pluralizam. Podemos abordar tais mudan\u00e7as de diversas maneiras poss\u00edveis, e as psicoses ordin\u00e1rias ser\u00e3o, num plano cl\u00ednico, uma maneira de constat\u00e1-las. Lacan afirmar\u00e1 no referido Semin\u00e1rio 21 que o suced\u00e2neo a uma ordem articulada a partir do Nome-do-Pai e sua Lei simb\u00f3lica ser\u00e1 muito mais feroz e r\u00edgida, muito mais imperativa e normativa do que a ordem simb\u00f3lica que lhe antecedeu. E a chamar\u00e1 de \u201cordem de ferro\u201d. Portanto, tal \u201cordem de ferro\u201d ser\u00e1 um dos nomes do que se constata a partir da inexist\u00eancia do Outro. Ser\u00e1 a partir dela que tentaremos indicar algumas quest\u00f5es relativas \u00e0s psicoses ordin\u00e1rias em sua extens\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o Semin\u00e1rio inacabado (ou apenas iniciado), que se chamaria justamente\u00a0<em>Os Nomes-do-Pai<\/em>, at\u00e9 suas elabora\u00e7\u00f5es finais, em especial nos Semin\u00e1rios 23 e 24, o que veremos em Lacan ser\u00e1 a desmontagem gradativa, correlata do pr\u00f3prio \u201cmovimento do mundo\u201d, de uma ordem na qual o simb\u00f3lico seria hegem\u00f4nico e dominante. Quer dizer, Lacan passa a orientar e a repensar seu pr\u00f3prio ensino a partir de tais constata\u00e7\u00f5es nas quais, de uma ordem em que o Nome-do-Pai seria a modalidade predominante de sustenta\u00e7\u00e3o subjetiva, passava-se a um entendimento no qual esse recurso simb\u00f3lico para lidar com o gozo perde sua hegemonia, tornando-se apenas uma modalidade poss\u00edvel entre outras. A essa des-hierarquiza\u00e7\u00e3o radical constatada e ent\u00e3o promovida por Lacan no \u00e2mbito de seu pr\u00f3prio ensino, veremos, por exemplo, o recurso aos\u00a0<em>n\u00f3s<\/em>\u00a0serem produzidos. Aqui, simb\u00f3lico, imagin\u00e1rio e real estar\u00e3o num mesmo plano. O que permitir\u00e1, sem que se prescinda de um diagn\u00f3stico referido numa cl\u00ednica estrutural, que seus termos possam ser fortemente nuan\u00e7ados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de tais refer\u00eancias, e do que Lacan permite que se extraia delas, \u00e9 poss\u00edvel sair de uma distin\u00e7\u00e3o por demais mec\u00e2nica, como dir\u00e1 Laurent (2022), \u00a0entre as psicoses e as neuroses. Poderemos a partir da\u00ed ultrapassar parcialmente esse regime de contrastes n\u00edtidos e acentuados, por exemplo entre foraclus\u00e3o e n\u00e3o foraclus\u00e3o do Nome-do-Pai, ou mesmo que se fale e se localize outros tipos de foraclus\u00e3o, como a foraclus\u00e3o generalizada ou a foraclus\u00e3o de fato. Talvez aqui possamos ir al\u00e9m da pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de psicose ordin\u00e1ria, quando tratar-se-ia, ainda seguindo Laurent (2022), de, em cada caso, encontrar a pequena e singular montagem dos\u00a0<em>n\u00f3s<\/em>\u00a0que cada sujeito produziu para dar conta de si mesmo no mundo e na vida.Quer dizer, cada arranjo, cada pequeno arranjo que t\u00e3o frequentemente se construir\u00e1 a partir de recursos distintos do que chamei de padr\u00e3o, articulado ao Nome-do-Pai. Pois, uma vez que os recursos dispon\u00edveis na cultura hoje para a sustenta\u00e7\u00e3o de cada\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0sejam tantos, e t\u00e3o distintos da modalidade cl\u00e1ssica chamada Nome-do-Pai, basta que pensemos rapidamente nas redes sociais, na internet, na\u00a0<em>deep\u00a0<\/em>internet e na IA \u2013 cujos efeitos e consequ\u00eancias mal pressentimos \u2013 para nos darmos conta de que ali se oferecem infind\u00e1veis termos e recursos de amarra\u00e7\u00e3o subjetiva fora da modalidade cl\u00e1ssica, para constatarmos que as consequ\u00eancias e funcionamento do que poder\u00edamos ent\u00e3o chamar de \u201cordem de ferro\u201d s\u00e3o de alcance amplo e ainda mal vislumbrados. E, se fal\u00e1vamos de uma Lei simb\u00f3lica enquanto um certo padr\u00e3o da cultura, uma vez que referida no Nome-do-Pai, talvez possamos falar hoje de uma norma psic\u00f3tica (LAIA, 2023), que n\u00e3o seria simplesmente sin\u00f4nimo de psicose, mas do que indiquei como \u201cordem de ferro\u201d, quer dizer, uma ordem que n\u00e3o oferecer\u00e1, predominantemente, operadores simb\u00f3licos para lidar com o real do gozo.\u00a0\u00a0Ou seja, cada um hoje tem que se valer de normas que proliferam no lugar da falta da Lei simb\u00f3lica, que n\u00e3o ser\u00e1 mais pass\u00edvel de ser definida como um universal, ou articulada a um suposto Discurso Universal, uma vez que tal Lei deixa de ser t\u00edpica da cultura, ou das culturas, de um modo geral. Para pressentirmos o alcance da quest\u00e3o podemos pensar, por exemplo, no pr\u00f3prio avan\u00e7o da extrema direita (n\u00e3o da direita, mas da extrema direita) tal como se constata hoje em v\u00e1rias partes do mundo. Ou seja, o recurso ao cassetete, como antev\u00ea Lacan em \u201cTelevis\u00e3o\u201d (LACAN, 1973\/2003), ou \u00e0 for\u00e7a bruta, na medida em que algo da ordem simb\u00f3lica se desarranje gravemente, como se constata hoje, ou nos fundamentalismos religiosos, no pr\u00f3prio triunfo da\u00a0religi\u00e3o,<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/537-os-neo-desencadeamentos#nota2222\">[2]<\/a><\/sup><a id=\"refer2\"><\/a>\u00a0nas radicaliza\u00e7\u00f5es em tantas \u00e1reas e atividades humanas (os jogos eletr\u00f4nicos, o v\u00edcio numa academia de gin\u00e1stica, a posi\u00e7\u00e3o subjetiva do adicto enfim), poder\u00e3o\u00a0 ser pensados como consequ\u00eancias dessa desregula\u00e7\u00e3o de uma Lei simb\u00f3lica at\u00e9 ent\u00e3o tida como fundamental. Pois essa \u201cdesregula\u00e7\u00e3o\u201d da Lei simb\u00f3lica, escrita assim com mai\u00fascula, trar\u00e1 efeitos agudos em diversos campos e dom\u00ednios, como o da diferen\u00e7a sexual, uma vez que, como tamb\u00e9m aprendemos em \u201cTelevis\u00e3o\u201d, tal diferen\u00e7a ser\u00e1 tribut\u00e1ria e se fundamentar\u00e1 mesmo no recalcamento prim\u00e1rio<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/537-os-neo-desencadeamentos#nota3333\">[3]<\/a><\/sup>\u00a0<a id=\"refer3\"><\/a>e secund\u00e1rios que lhe seguir\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, creio que podemos dizer que a quest\u00e3o do ordin\u00e1rio, nessa era p\u00f3s-Nome-do-Pai, ou das psicoses ordin\u00e1rias, tem a ver com o comum, com o que se estabeleceu, com o que \u00e9 veiculado nas rotinas dos discursos, ou do desfalecimento dos discursos operado pelos jogos eletr\u00f4nicos, pela IA, pela internet, etc. Isso talvez relativize um pouco a quest\u00e3o do extraordin\u00e1rio enquanto, em se tratando de uma psicose, remeta apenas ao extraordin\u00e1rio de uma sintomatologia. \u00c9 poss\u00edvel que possamos dizer aqui, no dom\u00ednio da \u201cordem de ferro\u201d, que \u00e9 o da contemporaneidade, que, sim, muitos sujeitos ainda se sustentam a partir de uma amarra\u00e7\u00e3o subjetiva a partir do Nome-do-Pai, mas que em outros, muito discretamente \u00e0s vezes, um pequeno desenganche \u2013 para usarmos um termo ao qual recorremos numa cl\u00ednica dos n\u00f3s \u2013 acontecer\u00e1 e ser\u00e1 importante detect\u00e1-lo, e nosso trabalho seria o de acompanhar ou at\u00e9 possibilitar que um outro tipo de enganche ou de grampo, para usar outro termo que nos \u00e9 caro hoje, se produza. Seriam, estes \u00faltimos,\u00a0<em>falasseres<\/em>\u00a0pass\u00edveis de serem situados no campo das psicoses, ordin\u00e1rias certamente, mas, especialmente, contempor\u00e2neas. Portanto, n\u00e3o parece suficiente dizer que uma psicose ordin\u00e1ria seria uma psicose que n\u00e3o desencadearia, ou que n\u00e3o se desencadeou ainda. N\u00e3o; se tomarmos a quest\u00e3o pelo prisma da norma psic\u00f3tica, uma psicose ordin\u00e1ria poderia sim se desencadear ou j\u00e1 ter se desencadeado. N\u00e3o me pareceria essa a distin\u00e7\u00e3o principal a ser feita. A quest\u00e3o do ordin\u00e1rio, ent\u00e3o, e das psicoses ordin\u00e1rias, talvez seja a quest\u00e3o das psicoses contempor\u00e2neas, em que a extens\u00e3o delas \u00e9, sem d\u00favida, muito maior, e teriam a ver com os recursos dos quais os\u00a0<em>falasseres<\/em>\u00a0lan\u00e7am m\u00e3o nas normas que passam a vigorar na atualidade, que s\u00e3o recursos muitas vezes prec\u00e1rios de regula\u00e7\u00e3o do gozo. Ou, se n\u00e3o prec\u00e1rios, in\u00e9ditos, inven\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas (porque alguns s\u00e3o razoavelmente est\u00e1veis, inclusive, ainda que inven\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas). Para concluir: tal regula\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria do gozo, ou o ineditismo dos arranjos para lidar com ele, \u00e9 que definir\u00e1 e esclarecer\u00e1 o ordin\u00e1rio de uma psicose t\u00edpica de nossa \u00e9poca.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Televis\u00e3o. In:\u00a0<em>Outros Escritos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. (Trabalho original publicado em 1973).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. O triunfo da religi\u00e3o. In:\u00a0<em>O triunfo da religi\u00e3o, precedido de Discurso aos cat\u00f3licos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. (Trabalho original proferido em 1974).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LAIA, S. Por que as psicoses&#8230;\u00a0 ainda.\u00a0<em>Revista Curinga<\/em>, n. 55, p. 164-175, 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LAURENT, \u00c9. O inconsciente e o acontecimento de corpo.\u00a0<em>ECOS \u2013 Boletim da 25<sup>a<\/sup>\u00a0Jornada EBP-MG<\/em>, n. 3, 2002. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2021\/o-inconsciente-e-o-acontecimento-de-corpo\/. Acesso em: 01 jul. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/537-os-neo-desencadeamentos#refer1\">[1]<\/a><a id=\"nota1\"><\/a>\u00a0Texto apresentado no N\u00facleo de Pesquisa e Investiga\u00e7\u00e3o em Psicanalise e Sa\u00fade Mental em 23 de maio de 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/537-os-neo-desencadeamentos#refer2\">[2]<\/a><a id=\"nota2222\"><\/a>\u00a0\u00a0Como indica Lacan (1974\/2005, p. 65): \u201c[a religi\u00e3o] n\u00e3o triunfar\u00e1 apenas sobre a psican\u00e1lise, triunfar\u00e1 sobre in\u00fameras outras coisas tamb\u00e9m. [&#8230;] O real, por pouco que a ci\u00eancia a\u00ed se meta, vai se estender, e a religi\u00e3o ter\u00e1 ent\u00e3o muito mais raz\u00f5es para apaziguar os cora\u00e7\u00f5es. A ci\u00eancia \u00e9 novidade, e introduzir\u00e1 um mont\u00e3o de coisas perturbadoras na vida de todos. Ora, a religi\u00e3o, sobretudo a verdadeira, tem recursos de que sequer se suspeita. Por enquanto ela fervilha\u201d.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/537-os-neo-desencadeamentos#refer3\">[3]<\/a><a id=\"nota3333\"><\/a>\u00a0Lacan (1973\/2003, p. 530) dir\u00e1 que Miller, seu entrevistador, se \u201cresvalou no esquerdismo\u201d, n\u00e3o o ter\u00e1 feito no \u201csexo-esquerdismo\u201d. Parece-me que hoje lidamos com algo que na d\u00e9cada de 1970 chamava-se de \u201csexo-esquerdismo\u201d, mas com as diferen\u00e7as produzidas e acentuadas pelo discurso da ci\u00eancia, quando, por exemplo, cirurgias de mudan\u00e7a de sexo s\u00e3o cada vez mais banais e acess\u00edveis. Ser\u00e1 algo, portanto, do recalque prim\u00e1rio e da pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o do inconsciente que estar\u00e1 concernido aqui. E, no horizonte, o af\u00e3 humano de fazer existir a rela\u00e7\u00e3o sexual. Como lidaremos com tais quest\u00f5es, tais como se apresentam hoje, possivelmente definir\u00e1 todo o porvir da psican\u00e1lise no mundo.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rgio de Castro Psicanalista, Membro da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise\/AMP sdcastro54@gmail.com Resumo:\u00a0O autor percorre momentos distintos de ensino de Lacan para abordar o desencadeamento nas psicoses partindo de sua concep\u00e7\u00e3o forjada no per\u00edodo estruturalista desse ensino determinada pela aus\u00eancia da met\u00e1fora paterna para, em seguida, examinar o outro modo pelo qual as psicoses e os&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57775,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-199","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-31","category-26","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=199"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57776,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199\/revisions\/57776"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57775"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}