{"id":2017,"date":"2023-08-19T06:42:44","date_gmt":"2023-08-19T09:42:44","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=2017"},"modified":"2025-12-01T12:18:15","modified_gmt":"2025-12-01T15:18:15","slug":"os-pais-traumaticos-a-data-do-trauma-e-a-crianca-troumatise1-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2023\/08\/19\/os-pais-traumaticos-a-data-do-trauma-e-a-crianca-troumatise1-2\/","title":{"rendered":"Os pais traum\u00e1ticos, a data do trauma e a crian\u00e7a\u00a0troumatis\u00e91, 2"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Philippe Lacad\u00e9e<\/strong><br \/>\n<a id=\"ref12\"><\/a>Psicanalista, A.M.E. da ECF\/AMP<br \/>\n<a href=\"mailto:phlacadee@wanadoo.fr\">phlacadee@wanadoo.fr<\/a><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>A crian\u00e7a \u00e9, desde suas primeiras rela\u00e7\u00f5es com o Outro, traumatizada. Lacan forjou o neologismo\u00a0<i>troumatisme<\/i>\u00a0para indicar que o trauma est\u00e1 ligado a uma experi\u00eancia relacionada ao sem-sentido, ao encontro com um real, enfim, a um furo na compreens\u00e3o das coisas ou das palavras que recebe do Outro.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave:<\/b>\u00a0crian\u00e7a;\u00a0<i>troumatisme<\/i>; trauma.<\/p>\n<p><b>THE TRAUMATIC PARENTS, THE DATE OF THE TRAUMA AND THE\u00a0<\/b><b><i>TROUMATIS\u00c9<\/i><\/b><b>\u00a0CHILD<br \/>\n<\/b><b><br \/>\nAbstract:\u00a0<\/b>The child is, from its first relations with the Other, traumatized. Lacan forged the neologism\u00a0<i>troumatisme<\/i>\u00a0to indicate that the trauma is linked to an experience related to meaninglessness, to the encounter with a real, or simply to a hole in the understanding of things or words that it receives from the Other.<\/p>\n<p><b>Keywords:\u00a0<\/b>child;\u00a0<i>troumatisme<\/i>; trauma.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_2020\" style=\"width: 1734px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/botura_lacadde.jpeg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1724\" data-large_image_height=\"1936\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2020\" class=\"wp-image-2020\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/botura_lacadde-912x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"708\" height=\"795\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2020\" class=\"wp-caption-text\">CAROLINA BOTURA.\u00a0O SEGREDO<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Comecemos por uma observa\u00e7\u00e3o de Jacques Lacan. Trata-se de um encontro que ele teve com uma crian\u00e7a pequena, certamente de sua fam\u00edlia, e que ele relata em\u00a0<i>Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psican\u00e1lise<\/i>, logo ap\u00f3s ter mencionado sobre o sobrinho-neto de Freud. Lacan (1964\/2008, p. 67) nos diz:<\/p>\n<p>Eu vi, tamb\u00e9m eu, vi com meus olhos arregalados pela adivinha\u00e7\u00e3o maternal, a crian\u00e7a, traumatizada com a minha partida a despeito de seu apelo precocemente esbo\u00e7ado na voz e da\u00ed em diante mais renovado por meses e meses \u2013 eu a vi, bastante tempo ainda depois disso, quando eu a tomava, essa crian\u00e7a, em meus bra\u00e7os \u2013 eu a vi abandonar a cabe\u00e7a sobre meu ombro para cair no sono, o sono unicamente capaz de lhe dar acesso ao significante vivo que eu era depois da data do trauma.<\/p>\n<p><i>O encontro traum\u00e1tico do significante vivo<\/i><\/p>\n<p>A crian\u00e7a, da qual Lacan nos fala aqui, \u00e9 uma crian\u00e7a traumatizada que encontra no Outro a paz simb\u00f3lica e que ali adormece. Observemos primeiro como Lacan nos falou dessa crian\u00e7a traumatizada pelo fato de que o Outro, isto \u00e9, ele mesmo, a deixou, apesar de seu apelo; essa crian\u00e7a que, a partir de ent\u00e3o, diante da falta de resposta do Outro, n\u00e3o endere\u00e7a mais um apelo, caindo numa esp\u00e9cie de mutismo, ou de autismo, e que encontra atrav\u00e9s do sono nos bra\u00e7os de Lacan \u201cacesso ao significante vivo que eu era depois da data do trauma\u201d. O Outro, para a crian\u00e7a, \u00e9 sobretudo um significante vivo que ilustra como o encontro com o Outro \u00e9 traum\u00e1tico, e como tamb\u00e9m pode ser apaziguador. Lacan nos indicou que o significante n\u00e3o \u00e9 somente simb\u00f3lico ou apaziguador, mas \u00e9 vivo, isto \u00e9, pode gozar de sua vida de significante sozinho e, como tal, portar um gozo sem-sentido; esse gozo \u00e9 traum\u00e1tico para a crian\u00e7a porque ele lhe escapa, enquanto outro significante n\u00e3o vem para lhe dar significa\u00e7\u00e3o. A crian\u00e7a n\u00e3o compreende nada, isso a traumatiza, fica sem recurso \u2013 o Outro ao sair a abandona, n\u00e3o responde ao seu apelo, o Outro, portador do significante, vive e goza em outro lugar, para al\u00e9m dela.<\/p>\n<p><i>O apelo ao Outro e o encontro com os objetos<\/i><\/p>\n<p>Observamos que Lacan ressalta os danos da palavra para uma crian\u00e7a quando seu apelo n\u00e3o \u00e9 atendido. Ele diz que entre o Outro e a crian\u00e7a existe \u201cseu apelo precocemente esbo\u00e7ado na voz\u201d. Remarcamos, finalmente, como ele introduz a import\u00e2ncia para a crian\u00e7a, no apelo ao Outro, de um objeto que lhe vem do desejo do Outro: a voz, esse objeto voz, \u00e9 tomado por todo sujeito em sua rela\u00e7\u00e3o com o Outro. Esse objeto voz e a puls\u00e3o invocante a ele vinculada, assim como o objeto olhar e a puls\u00e3o esc\u00f3pica, s\u00e3o dois objetos fundamentais na cl\u00ednica que Lacan destacou para a crian\u00e7a. Assim, o objeto olhar e a puls\u00e3o esc\u00f3pica s\u00e3o essenciais nessa cena: \u201cvi com meus olhos\u201d e o \u201colhar da m\u00e3e\u201d. Ao elaborar o \u201cest\u00e1dio do espelho&#8221;, Lacan primeiro apontou esse momento em que a crian\u00e7a, diante do caos e da fragmenta\u00e7\u00e3o de seu ser, tenta recuperar uma unidade na imagem especular que ela investe libidinal e imaginariamente para se fazer um eu. Mais adiante, ele enfatizar\u00e1 a import\u00e2ncia do olhar do Outro e da puls\u00e3o esc\u00f3pica. Da mesma forma, durante essa cena da crian\u00e7a que ele toma nos bra\u00e7os, o Outro, Lacan \u00e9 testemunha da ruptura do ser que abala essa crian\u00e7a, mas o olhar que ele oferece faz com que ele participe do acontecimento at\u00e9 ocupar a posi\u00e7\u00e3o causal que faz com que essa cena exista porque \u00e9 vista. O Outro, por seu olhar, torna-se aquele que acompanha a crian\u00e7a no momento de sua entrada no mundo e acaba sendo o elemento ativo fundamental que, ao cri\u00e1-lo, transforma esse mundo hostil em mundo apaziguado. O Outro enquadra a experi\u00eancia da crian\u00e7a com seu olhar.<\/p>\n<p><i>Os pais traum\u00e1ticos\u00a0<\/i><i>e a marca de um significante no corpo<\/i><\/p>\n<p>A psican\u00e1lise, indica Lacan, \u00e9 \u201ca demarca\u00e7\u00e3o do que se compreende de obscurecido, do que se obscurece como compreens\u00e3o, em virtude de um significante que marcou um ponto no corpo\u201d (LACAN, 1971-72\/2012, p. 145). Um psicanalista reproduz uma produ\u00e7\u00e3o da neurose, indica Lacan, e nisso todos est\u00e3o de acordo. Essa neurose \u00e9 atribu\u00edda, n\u00e3o sem raz\u00e3o, \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos pais, e isso na medida em que \u201cconverge para um significante que emerge dela que a neurose vem a se ordenar segundo o discurso cujos efeitos produziram o sujeito\u201d (LACAN, 1971-72\/2012, p. 145). Lacan fala ent\u00e3o dos pais traum\u00e1ticos: \u201cTodo pai ou m\u00e3e traum\u00e1tico est\u00e1, em suma, na mesma posi\u00e7\u00e3o que o psicanalista\u201d (LACAN, 1971-72\/2012, p. 146). Lacan precisa que se o psicanalista, de sua posi\u00e7\u00e3o, reproduz a neurose, \u201co pai ou m\u00e3e traum\u00e1ticos a produzem inocentemente\u201d (LACAN, 1971-72\/2012, p. 146). \u00c9 o que nos mostra esse exemplo de Lacan, psicanalista e tamb\u00e9m pai traum\u00e1tico, mas inocente.<\/p>\n<p><a id=\"ref3\"><\/a>Observamos ainda como Lacan, nessa vinheta cl\u00ednica, ilustra sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e. Ele indica que seus olhos s\u00e3o abertos pela adivinha\u00e7\u00e3o materna. \u00c9 o olhar dessa m\u00e3e sobre seu filho, sua adivinha\u00e7\u00e3o materna, que o faz adivinhar o trauma, que o torna vis\u00edvel a ele. Vemos aqui como o significante \u201cadivinha\u00e7\u00e3o\u201d opera um deslizamento, etimologicamente fundado, entre adivinho e divino, deixando aparente esse divino que est\u00e1 ligado \u00e0 figura da crian\u00e7a, da crian\u00e7a como se ela fosse um Deus, da crian\u00e7a \u201cinocente e alegre\u201d, tal como Victor Hugo retrata em seu poema intitulado \u201cQuando a crian\u00e7a aparece\u201d,<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/os-pais-traumaticos-a-data-do-trauma-e-a-crianca-troumatise#iii\"><sup>3<\/sup><\/a>\u00a0e tal como Freud a designa em \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao narcisismo\u201d:\u00a0<i>His Majesty the baby<\/i>.<\/p>\n<p><i>A crian\u00e7a lacaniana n\u00e3o \u00e9 uma inocente<\/i><\/p>\n<p>Observamos tamb\u00e9m como, para Lacan, a crian\u00e7a freudiana \u00e9 culpada de se deixar levar pelo gozo masoquista que ela sentiu ou sofreu, ou seja, que dela decorreu. H\u00e1 na crian\u00e7a uma inclina\u00e7\u00e3o que a impele a se tornar o objeto ca\u00eddo do Outro. Ser tratada como um objeto, como um c\u00e3o (LACAN, 1958-59\/2016, p. 141). H\u00e1 nela uma disposi\u00e7\u00e3o precoce para a degrada\u00e7\u00e3o, um masoquismo primordial que a impele de sofrer com sua pr\u00f3pria degrada\u00e7\u00e3o e de tirar dela uma satisfa\u00e7\u00e3o fundamental, um gozo. Algo insiste no \u00e2mago do ser, cuja exist\u00eancia Lacan afirmou como uma necessidade prim\u00e1ria, esse algo que p\u00f5e cada ser \u00e0 merc\u00ea de ser abandonado por aquele que o sustenta simbolicamente em sua experi\u00eancia de nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Lacan, a crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma inocente, ela \u00e9 culpada do gozo que extrai usando o significante, mas tamb\u00e9m deixando-se levar por seu masoquismo primordial. Para Freud, e depois para Lacan, a neurose infantil n\u00e3o vem propriamente do encontro traum\u00e1tico com o Outro, mas do real, do gozo em jogo nesse encontro, gozo sobre o qual a crian\u00e7a n\u00e3o pode colocar nenhuma palavra e do qual pode fazer certo uso. A crian\u00e7a lacaniana n\u00e3o conhece a neglig\u00eancia, pois, por causa da linguagem, n\u00e3o h\u00e1 para ela simbiose poss\u00edvel com o autor de seus dias, mas h\u00e1 sempre a discord\u00e2ncia do mal-entendido.<\/p>\n<p><i>A disc\u00f3rdia da crian\u00e7a nascida mal-entendida: o trauma (le troumatisme)\u00a0<\/i><\/p>\n<p>A crian\u00e7a \u00e9 separada desse mundo no qual o nascimento a lan\u00e7ou, que j\u00e1 estava l\u00e1 antes de sua chegada. Ela \u00e9 uma imigrante no pa\u00eds da fala, no pa\u00eds onde o apelo pode n\u00e3o encontrar resposta. Uma crian\u00e7a nasceu, um rasgo se produziu, uma falha se abriu, uma dist\u00e2ncia permanece irredut\u00edvel. Houve um corte, uma separa\u00e7\u00e3o. A crian\u00e7a jamais desvelar\u00e1 o mist\u00e9rio de sua origem e, diante da pergunta \u201cQuem \u00e9 esta crian\u00e7a a\u00ed?\u201d (LACAD\u00c9E, 2010), \u00e9 preciso ter cuidado para n\u00e3o acreditar que essa problem\u00e1tica da origem se tornaria alcan\u00e7\u00e1vel. A amn\u00e9sia infantil testemunha a impossibilidade de qualquer sujeito responder a essa pergunta \u2013 a crian\u00e7a n\u00e3o volta \u00e0 origem, ela \u00e9 introduzida pela via do mal-entendido \u00e0 dimens\u00e3o do real. Algo escapa ao sujeito, algo do qual ele est\u00e1 sempre separado; esse real n\u00e3o simboliz\u00e1vel pode retornar, pode emergir na virada de cada hist\u00f3ria. \u00c0 pergunta \u201cQuem \u00e9 esta crian\u00e7a a\u00ed?\u201d poder\u00edamos, ent\u00e3o, propor a resposta de que a crian\u00e7a, por ser uma crian\u00e7a, \u00e9 fundamentalmente traumatizada. \u201cDo trauma, n\u00e3o h\u00e1 outro: o homem nasce mal-entendido\u201d (LACAN, 1981, p. 12). Para devolver vigor e rigor ao termo \u201ctrauma\u201d, Lacan forjou o neologismo\u00a0<i>troumatisme\u00a0<\/i>(LACAN, 1973-74, aula de 19\/2\/1974), como dizer da melhor forma que isso que faz trauma na crian\u00e7a \u00e9 o encontro com um furo na compreens\u00e3o das coisas ou das palavras que recebe do Outro. H\u00e1 para a crian\u00e7a um furo no saber, ela n\u00e3o consegue colocar em palavras o que vive, o que sente, o que encontra. Ela experimenta uma experi\u00eancia fora do sentido, uma experi\u00eancia de gozo no sentido de um encontro com um real que ela n\u00e3o pode assimilar. A crian\u00e7a lacaniana \u00e9, portanto, uma crian\u00e7a traumatizada (<i>troumatis\u00e9<\/i>) porque exposta a momentos traum\u00e1ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><b>Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Giselle Moreira<\/h6>\n<h6><b>Revis\u00e3o:\u00a0<\/b>Let\u00edcia Mello<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><b>Refer\u00eancias<\/b><\/h6>\n<h6>LACAD\u00c9E, P. Qui est-il, cet enfant-l\u00e0. In:\u00a0<b>Le malentendu de l\u2019enfant<\/b>. Paris: \u00c9ditions Mich\u00e8le, 2010.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1964).\u00a0<b>O Semin\u00e1rio, livro 11<\/b>: Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1958-1959).\u00a0<b>O Semin\u00e1rio, livro 6<\/b>: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Zahar, 2016.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1971-1972).\u00a0<b>O Semin\u00e1rio, livro 19<\/b>: &#8230;ou pior. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1973-1974).\u00a0<b>Le S\u00e9minaire, livre 21<\/b>: Les non-dupes errent. (Texto in\u00e9dito).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1980). Le malentendu.\u00a0<b>Ornicar?<\/b>, n. 22\/23, Lyre, Paris, 1981.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a id=\"i\"><\/a><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/os-pais-traumaticos-a-data-do-trauma-e-a-crianca-troumatise#ref12\"><span class=\"TextRun SCXW85141185 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW85141185 BCX8\">1.\u00a0Texto apresentado na\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun Highlight SCXW85141185 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW85141185 BCX8\">Conversa\u00e7\u00e3o em torno do livro\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun Highlight SCXW85141185 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW85141185 BCX8\">Janela da Escuta: o adolescente especialista de si e a tessitura de uma rede sob medida<\/span><\/span><span class=\"TextRun Highlight SCXW85141185 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW85141185 BCX8\">, promovida pelo N\u00facleo de Investiga\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Psican\u00e1lise e Medicina da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSM-MG, em 24\/09\/2022.<\/span><\/span><\/a><\/h6>\n<h6><a id=\"ii\"><\/a><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/os-pais-traumaticos-a-data-do-trauma-e-a-crianca-troumatise#ref12\">2.\u00a0<span class=\"TextRun SCXW166735544 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">T\u00edtulo original: \u201cLe\u00a0<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">parent<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">\u00a0<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">traumatique<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">,\u00a0<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">la<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">\u00a0date\u00a0<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">du<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">\u00a0trauma et\u00a0<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">l\u2019enfant<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun SCXW166735544 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><em><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">troumatis\u00e9<\/span><\/em><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">\u201d.\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun SCXW166735544 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">O autor se serve do neologismo lacaniano\u00a0<\/span><\/span><em><span class=\"TextRun SCXW166735544 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">troumatis\u00e9<\/span><\/span><\/em><span class=\"TextRun SCXW166735544 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">, que ser\u00e1 desdobrado ao longo deste texto. Optamos aqui por mant\u00ea-lo em franc\u00eas.\u00a0\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun SCXW166735544 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun SCXW166735544 BCX8\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"none\"><span class=\"NormalTextRun SCXW166735544 BCX8\">\u00a0<\/span><\/span><\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/os-pais-traumaticos-a-data-do-trauma-e-a-crianca-troumatise#ref3\">3.\u00a0No original, \u201cLorsque l\u2019enfant para\u00eet\u201d (1831):\u00a0<em>Lorsque l\u2019enfant para\u00eet, le cercle de\u00a0 famille\/Applaudit \u00e0 grands cris.\/Son doux regard qui brille\/Fait briller tous les yeux,\/Et les plus tristes fronts, les plus souill\u00e9s peut-\u00eatre,\/Se d\u00e9rident soudain \u00e0 voir l\u2019enfant para\u00eetre,\/ Innocent et joyeux.<\/em>\u00a0Em portugu\u00eas: Quando a crian\u00e7a aparece, o c\u00edrculo familiar\/Aplaude com grande clamor.\/Seu doce olhar que brilha\/Faz brilhar todos os olhos,\/E os rostos mais tristes, talvez os mais sujos,\/De repente se animam ao ver a crian\u00e7a aparecer,\/Inocente e alegre. (Tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Philippe Lacad\u00e9e Psicanalista, A.M.E. da ECF\/AMP phlacadee@wanadoo.fr &nbsp; Resumo:\u00a0A crian\u00e7a \u00e9, desde suas primeiras rela\u00e7\u00f5es com o Outro, traumatizada. Lacan forjou o neologismo\u00a0troumatisme\u00a0para indicar que o trauma est\u00e1 ligado a uma experi\u00eancia relacionada ao sem-sentido, ao encontro com um real, enfim, a um furo na compreens\u00e3o das coisas ou das palavras que recebe do Outro.&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57744,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-2017","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-30","category-27","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2017"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57745,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2017\/revisions\/57745"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57744"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}