{"id":2056,"date":"2023-08-19T06:42:44","date_gmt":"2023-08-19T09:42:44","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=2056"},"modified":"2025-12-01T12:05:32","modified_gmt":"2025-12-01T15:05:32","slug":"modos-de-presenca1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2023\/08\/19\/modos-de-presenca1\/","title":{"rendered":"Modos de presen\u00e7a1"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Florencia F. C. Shanahan<br \/>\n<\/strong>Psicanalista, A.P. da NLS\/AMP<br \/>\n<a href=\"mailto:florenciashanahan@gmail.com\">florenciashanahan@gmail.com<\/a><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong>Resumo:<\/strong>\u00a0A autora levanta algumas quest\u00f5es, a partir de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, sobre os modos de presen\u00e7a em uma an\u00e1lise, apontando o lugar fundamental que o atendimento virtual teve para ela. No entanto, questiona se haveria um final de an\u00e1lise caso assim permanecesse.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0presen\u00e7a; analista; fim de an\u00e1lise; virtual.<\/p>\n<p><strong>MODES OF PRESENCE<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0In this essay the author questions, through her own experience, the modes of presence in an analysis, while recognizing that the online sessions were very important for her. However, she questions if there would\u2019ve been an end of analysis had it continued to be virtual.<\/p>\n<p><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>presence; analyst; end of analysis; virtual.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_2057\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ENCONTROS_-_FLORENCIA_SHANAHAN.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"960\" data-large_image_height=\"640\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2057\" class=\"wp-image-2057\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ENCONTROS_-_FLORENCIA_SHANAHAN.jpg\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"370\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2057\" class=\"wp-caption-text\">CAROLINA BOTURA. S\/T<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Penso que a an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 um quebra-cabe\u00e7a, mas um mosaico, feito n\u00e3o de pe\u00e7as preexistentes para as quais haveria um lugar predeterminado e cuja disposi\u00e7\u00e3o daria uma forma toda bem-feita, mas de pe\u00e7as,\u00a0tesselas\u00a0que v\u00e3o cortando, encontrando, descartando ou tirando do outro na transfer\u00eancia, compondo um quadro que n\u00e3o se completa, mesmo que esteja acabado.<\/p>\n<p>Vou tentar dizer algumas coisas. Podem \u00e0s vezes ser contradit\u00f3rias.\u00a0N\u00e3o respondem a nenhuma pergunta geral.\u00a0Tampouco, creio eu, se prestam a qualquer dedu\u00e7\u00e3o.\u00a0S\u00e3o pequenos fragmentos que emergem no tempo de elabora\u00e7\u00e3o em que me encontro.\u00a0Eles encontrar\u00e3o um lugar no mosaico que continua a ser criado ap\u00f3s o passe.<\/p>\n<p>Meu primeiro analista nunca teve meus dados: nem endere\u00e7o postal, nem n\u00famero de telefone.\u00a0Muitas vezes fantasiei que desaparecia e que ele n\u00e3o poderia me contatar, n\u00e3o saberia onde me procurar, se perguntaria se eu havia morrido.\u00a0Por quase oito anos assisti religiosamente \u00e0s sess\u00f5es de tempo fixo. A\u00a0tr\u00eas quarteir\u00f5es de onde morava.\u00a0Quarenta e cinco minutos.\u00a0Um enquadramento ritualizado que alimentava meu j\u00e1 excessivo supereu e que mortificava meu corpo.\u00a0O sil\u00eancio e a quietude do analista muitas vezes me deixavam \u00e0 merc\u00ea do mutismo pulsional do qual me tornei parceira.\u00a0Aprendi ali que o sentido n\u00e3o se engorda apenas com palavras.<\/p>\n<p>O analista que me permitiu sair disso \u2014 e encontrar um fim l\u00f3gico para a experi\u00eancia do inconsciente do qual sou sujeito \u2014 se mexia muito.\u00a0Ele tamb\u00e9m falava muito pouco, mas movia seu corpo constantemente.\u00a0Cortava peda\u00e7os de papel freneticamente ou digitava forte no teclado.\u00a0Ele atendia liga\u00e7\u00f5es durante as sess\u00f5es, \u00e0s vezes resmungava coisas.\u00a0Ali aprendi que o sil\u00eancio n\u00e3o era do Outro.<\/p>\n<p>Eu poderia ter continuado a seguir a vida se ele n\u00e3o tivesse me atendido por telefone todos os dias quando minha m\u00e3e e meu irm\u00e3o morreram inesperadamente?\u00a0N\u00e3o sei.<\/p>\n<p>Poderia ter ido ao encontro do bom furo se ele n\u00e3o tivesse me atendido por Skype, sustentando o olhar na tela, diariamente, por mais de um m\u00eas, durante a travessia pela ang\u00fastia mais radical no tempo da destitui\u00e7\u00e3o subjetiva que deu passagem ao final? N\u00e3o acredito.<\/p>\n<p>No entanto, acredito que minha an\u00e1lise n\u00e3o poderia ter conclu\u00eddo se tivesse sido \u201cvirtual\u201d.\u00a0Especialmente porque o impulso de sair surgiu, como relatei em meu primeiro testemunho, a partir do momento em que deixei meu isqueiro no div\u00e3.\u00a0Sem d\u00favida, isso n\u00e3o poderia ter acontecido em uma sess\u00e3o telef\u00f4nica ou por chamada de v\u00eddeo.\u00a0Aquele pequeno objeto que fica para tr\u00e1s imprime a urg\u00eancia que me faz pegar um avi\u00e3o para voltar; e abre a porta da \u00faltima sess\u00e3o.\u00a0A voz\u00a0<em>como objeto<\/em>, como entrou em jogo em minha an\u00e1lise \u2014 em sua extra\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o \u00e9 de forma alguma a voz da comunica\u00e7\u00e3o.\u00a0Sobre isso tentarei avan\u00e7ar em meu pr\u00f3ximo escrito.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, a pr\u00e1tica\u00a0on-line\u00a0ou por telefone existe.\u00a0\u00c9 um fato.\u00a0Que estatuto tem?\u00a0As quest\u00f5es que derivam disso dizem respeito \u00e0 psican\u00e1lise como tal, e n\u00e3o apenas a que circunst\u00e2ncias atuais elas nos confrontam.<\/p>\n<p>Acho que se trata, sobretudo, de encontrar posi\u00e7\u00f5es na enuncia\u00e7\u00e3o que v\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do que Lacan chamou de\u00a0<em>bem-dizer<\/em>\u00a0e contra as posi\u00e7\u00f5es que a neurose est\u00e1 sempre pronta a alimentar: buscar explica\u00e7\u00f5es para o que se faz ou deixa de fazer;\u00a0tentar obter do Outro a valida\u00e7\u00e3o do que se faz ou n\u00e3o;\u00a0for\u00e7ar os pinos a entrar nos buraquinhos para acomodar o real \u00e0 realidade&#8230;<\/p>\n<p>Trata-se de n\u00e3o se preparar muito r\u00e1pido para dizer o que \u00e9 psican\u00e1lise e o que n\u00e3o \u00e9, ignorando a implica\u00e7\u00e3o de um desejo singular na base de cada ato que, como tal, n\u00e3o tem garantia.\u00a0Trata-se de n\u00e3o se sustentar, na tradi\u00e7\u00e3o, os significantes congelados na boca da autoridade ou o saber morto do que j\u00e1 foi dito, com a ilus\u00e3o de proteger a psican\u00e1lise de sua degrada\u00e7\u00e3o fantasiada.<\/p>\n<p><a id=\"ref2\"><\/a>Obviamente, quando se trata de justificar a pr\u00e1tica em si como meio de subsist\u00eancia<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/modos-presenca#referencias\"><sup>2<\/sup><\/a>, ou sua perman\u00eancia no mercado como mais um dos objetos oferecidos para consumo, a\u00ed o problema \u00e9 outro.\u00a0E diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do analista.<br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>: Rodrigo Almeida<\/p>\n<p><strong>Revis\u00e3o<\/strong>: Cec\u00edlia Batista<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><a id=\"referencias\"><\/a>1.\u00a0Texto originalmente publicado em:\u00a0<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/modos-presenca#ref1\">https:\/\/zadigespana.com\/2020\/04\/11\/coronavirus-modos-de-la-presencia\/<\/a><u><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/modos-presenca#ref1\">.<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/modos-presenca#ref2\">2.\u00a0Pergunta feita por Lacan em seu \u00faltimo texto escrito, \u201cPref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o inglesa do\u00a0<em>Semin\u00e1rio 11<\/em>\u201d,\u00a0<em>In<\/em>: LACAN, J.\u00a0<strong>Outros escritos<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 567.<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Florencia F. C. Shanahan Psicanalista, A.P. da NLS\/AMP florenciashanahan@gmail.com &nbsp; Resumo:\u00a0A autora levanta algumas quest\u00f5es, a partir de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, sobre os modos de presen\u00e7a em uma an\u00e1lise, apontando o lugar fundamental que o atendimento virtual teve para ela. No entanto, questiona se haveria um final de an\u00e1lise caso assim permanecesse. 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