{"id":2089,"date":"2024-02-18T16:15:17","date_gmt":"2024-02-18T19:15:17","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=2089"},"modified":"2025-12-01T12:03:12","modified_gmt":"2025-12-01T15:03:12","slug":"uma-experiencia-de-sorte1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2024\/02\/18\/uma-experiencia-de-sorte1\/","title":{"rendered":"Uma experi\u00eancia de sorte"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"color: #333399;\">Uma experi\u00eancia de sorte<a href=\"\/revista_almanaque\/#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>1<\/sup><\/a><br \/>\n<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>S\u00e9rgio de Mattos<br \/>\n<\/strong>Psicanalista, A. E. da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise\/AMP<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">E-mail: <a style=\"color: #808080;\" href=\"mailto:sergioecmattos@hotmail.com\">sergioecmattos@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n<blockquote><p><strong>Resumo: <\/strong>O autor tra\u00e7a a diferen\u00e7a entre o come\u00e7o de uma an\u00e1lise e a entrada em an\u00e1lise visando, nas entrevistas preliminares, o la\u00e7o entre analista e analisando. A transfer\u00eancia, portanto, \u00e9 o que leva o sujeito a amar seu inconsciente e, consequentemente, desejar decifr\u00e1-lo. Para que um sujeito possa dar continuidade em uma an\u00e1lise \u00e9 preciso que o analista provoque, logo de in\u00edcio, que \u00e9 poss\u00edvel experimentar uma mudan\u00e7a para melhor, que \u00e9 poss\u00edvel mudar sua sorte, seu destino!<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave: <\/strong>an\u00e1lise; entrevistas preliminares; entrada; porta; sorte.<\/p>\n<p><strong>A LUCKY EXPERIENCE<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract: <\/strong>The author traces the difference between the start of an analysis and the entry into analysis by looking at the bond between analyst and analysand in the preliminary interviews. The transference, therefore, is what leads the subject to love their unconscious and, consequently, to want to decipher it. In order for a subject to be able to continue with an analysis, the analyst needs to show them, right from the start, that it is possible to experience a change for the better, that it is possible to change their fate, their destiny!<\/p>\n<p><strong>Keywords: <\/strong>analysis; preliminary interviews; entry; door; luck<\/p><\/blockquote>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Imagem-do-WhatsApp-de-2024-01-09-as-14.24.50_2807b0dd-3-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1918\" data-large_image_height=\"2560\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2465 size-large\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Imagem-do-WhatsApp-de-2024-01-09-as-14.24.50_2807b0dd-3-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" \/><\/a><\/p>\n<p>Estou honrado pelo convite de ser o respons\u00e1vel por esta atividade que \u00e9 a aula inaugural do IPSM-MG. Agrade\u00e7o em especial \u00e0 Lilany e \u00e0 Diretoria pelo convite.<\/p>\n<p>Esta atividade inaugura o come\u00e7o dos nossos trabalhos do segundo semestre deste ano. Inaugurar e come\u00e7ar s\u00e3o praticamente sin\u00f4nimos. Entretanto, a palavra \u201ccome\u00e7ar\u201d nos remete a uma continuidade, por isso falamos de come\u00e7ar a analisar-se, e n\u00e3o em inaugurar uma an\u00e1lise. Inauguro, assim, o come\u00e7o das atividades do Instituto com o assunto que ocupar\u00e1 nossa aten\u00e7\u00e3o no X ENAPOL, cujo t\u00edtulo \u00e9 \u201cCome\u00e7ar a analisar-se\u201d. Esse t\u00edtulo foi escolhido com cuidado pela sua import\u00e2ncia cl\u00ednica. O come\u00e7o de uma an\u00e1lise planta as sementes do que poder\u00e3o vir a ser seus frutos. Nesse percurso tamb\u00e9m haver\u00e1 ventos, tempestades, muitas podas, sol, as conting\u00eancias estar\u00e3o presentes e nada garante a flora\u00e7\u00e3o e os frutos. Mas, mesmo sem garantias, um bom come\u00e7o criar\u00e1 as chances de termos um bom resultado. Esse come\u00e7o \u00e9 como uma vela que abrimos para o vento levar nossa embarca\u00e7\u00e3o. Se a vela estiver fechada, mesmo que o vento sopre n\u00e3o iremos adiante e nem teremos os meios de dirigir nossa embarca\u00e7\u00e3o. Desenho ent\u00e3o diante de voc\u00eas uma paisagem \u2013 duas, a do cultivo e a do barco.<\/p>\n<p>Ambas dependem de um procedimento espec\u00edfico, plantar a semente e abrir as velas e atravessam um limiar, algo que n\u00e3o havia passa a acontecer e a fazer uma diferen\u00e7a: uma come\u00e7a com um movimento, outra com o rebento da semente. A ideia de ultrapassar um limiar \u00e9 crucial quando tentamos formular o que \u00e9 come\u00e7ar a analisar-se. \u00c9 importante, portanto, diferenciar o come\u00e7o de uma an\u00e1lise, no sentido mais geral, do termo preciso formulado por Lacan, chamado de entrada em an\u00e1lise. Contudo, devemos nos orientar desde o in\u00edcio no sentido de que o come\u00e7o, em geral, se d\u00e1 no interior, ou na perspectiva dessa entrada.<\/p>\n<p>Podemos, assim, para explicitar essa diferen\u00e7a, fazer coincidir o come\u00e7o dos primeiros encontros com o analista, com o que \u00e9 chamado de entrevistas preliminares, preliminares \u00e0 entrada propriamente dita. Elas s\u00e3o \u201cpr\u00e9\u201d, anteriores a esse limiar que constitui uma entrada na experiencia do inconsciente. \u00c9 bonito ver essa experi\u00eancia come\u00e7ar a acontecer, experi\u00eancia que \u00e9 muitas vezes para o analisante um pouco assustadora: o que assusta \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser dono de si mesmo. De que ele, seus atos e interpreta\u00e7\u00f5es do mundo s\u00e3o determinados por for\u00e7as que ele desconhece e que o dominam sem saber.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante pensar para nosso prop\u00f3sito aqui hoje sobre a palavra <em>entre-vista<\/em>. Freud chamava esse tempo de \u201censaio pr\u00e9vio, tratamento de ensaio\u201d, que visava, al\u00e9m de um poss\u00edvel diagn\u00f3stico, justamente ligar o paciente ao seu tratamento. Gosto especialmente da palavra escolhida por Lacan: entrevistas. As propriedades do significante, de produzir v\u00e1rias significa\u00e7\u00f5es, nos d\u00e3o com esse termo um alvo preciso, porque entrevista \u00e9 uma palavra que come\u00e7a com \u201centre\u201d, como quando se diz: \u201centre pela porta!\u201d. Ou: \u201cfique entre isso e aquilo\u201d.<\/p>\n<p>Essa palavra, escolhida para designar esse tempo de come\u00e7o, tem na l\u00edngua falada por Lacan, o franc\u00eas, uma \u00eanfase especial, que \u00e9 o sentido de manter, sustentar, dar continuidade. Trata-se de sustentar, \u201c<em>entre<\/em>\u201d. Sustentar mutualmente, \u201c<em>entre-tenir<\/em>\u201d. Mas a palavra recobre tamb\u00e9m a ideia da instaura\u00e7\u00e3o de uma liga\u00e7\u00e3o, de um lugar de trocas de palavras e linguagens \u2013 um espa\u00e7o potencial de reuni\u00e3o. Nesse caso, uma entrevista visa, atrav\u00e9s do la\u00e7o entre analista e analisando \u2013 o qual chamamos de transfer\u00eancia \u2013, incidir na instaura\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es na estrutura subjetiva do analisando. Ao se endere\u00e7ar a um destinat\u00e1rio, ao analista, o sujeito pode, nas entrevistas, fazer coexistir em si, ligar, conectar, p\u00f4r em cadeia, diversas experiencias esparsas, clivadas, apagadas, desvalorizadas que, pelo endere\u00e7amento, pelo poder de evoca\u00e7\u00e3o das palavras, resson\u00e2ncias, padr\u00f5es, encontra, no endere\u00e7amento ao destinat\u00e1rio, um terreno favor\u00e1vel para uma certa \u201creuni\u00e3o\u201d. Engajados em uma entrevista, existe ent\u00e3o a oportunidade de ligar diversas partes de uma vida, de uma hist\u00f3ria, construindo uma experiencia \u00fanica, que ganha forma nesse encontro. Em nosso caso, trata-se de, nesse encontro, que se sustente algo que possa fazer justamente acontecer uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Cabe ao analista ajudar a encontrar, e mesmo a provocar, essa entrada na experi\u00eancia do inconsciente, dar um empurr\u00e3ozinho, por meio da sua aten\u00e7\u00e3o a significantes importantes que possibilitem essas associa\u00e7\u00f5es e, claro, por meio de suas interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>Lacan e o limiar<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Quando perguntaram a Lacan, na Universidade de Yale, sobre como acolhia seus pacientes de acordo com sua teoria e pr\u00e1tica, ele respondeu: \u00e9 uma quest\u00e3o de os fazer entrar pela porta. Da an\u00e1lise ser um limiar, de haver uma verdadeira procura deles. Procura do que \u00e9 que eles se querem ver livres. De um sintoma.<\/p>\n<p>Podemos deduzir da\u00ed que h\u00e1 um lugar na fala do paciente ao qual devemos dar m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso colocar nossa aten\u00e7\u00e3o ao que levou o sujeito a procurar uma an\u00e1lise, cernir esse ponto de sofrimento, de embara\u00e7o, o que n\u00e3o anda bem. N\u00e3o \u00e9 sem consequ\u00eancias buscarmos saber tamb\u00e9m o que aconteceu em um determinado momento que levou \u00e0 decis\u00e3o para essa procura. Certamente ali haver\u00e1 elementos que, naquela circunst\u00e2ncia espec\u00edfica, evocaram traumas, repeti\u00e7\u00f5es e algo insuport\u00e1vel que desencadeou o desejo de tratar.<\/p>\n<p>O que leva a buscar uma an\u00e1lise, hoje, \u00e9 em parte o mesmo de antes: um embara\u00e7o, um sofrimento, alguma coisa que nunca vai bem repetidamente, a \u201cpedra no caminho\u201d, como disse o poeta Drummond. Mas, hoje, o que faz sofrer aparece \u00e0s vezes logo de entrada como um excesso, uma adic\u00e7\u00e3o, uma quest\u00e3o sobre uma inadequa\u00e7\u00e3o do corpo biol\u00f3gico e a identifica\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o com ele. No fundo, tamb\u00e9m podemos colocar essas quest\u00f5es dentro do problema dos excessos. A sexualidade humana \u00e9 sempre excessiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de representar seus modos de satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Lacan e a porta<\/em><\/p>\n<p>De volta ao \u201centre\u201d: para Lacan, no Semin\u00e1rio 2,<em> O eu na teoria de Freud e na t\u00e9cnica psicanal\u00edtica<\/em>, a porta \u00e9 o s\u00edmbolo por excel\u00eancia, aquele pelo qual sempre se reconhecer\u00e1 a passagem de um homem em algum lugar&#8230; ao fazer com que se entrecruzem o acesso e a cerca<em>.<\/em> Lacan (1954-55\/1985, p. 377) chama a aten\u00e7\u00e3o para a rela\u00e7\u00e3o entre o acesso e a cerca: uma porta \u201cdeve estar aberta [acesso] e depois fechada [cerca], e depois aberta, e depois fechada\u201d.<\/p>\n<p>Um tempo depois, no Semin\u00e1rio 6, Lacan (1958-59\/2016, p. 460) retoma sua refer\u00eancia \u00e0 met\u00e1fora da porta, mas introduz, entre o acesso e a cerca, um novo elemento: um lugar entre portas. Tomando como exemplo o caso Richard, tratado por Melaine Klein, ele mostra como esse abre e fecha da porta tem as mesmas caracter\u00edsticas da nossa rela\u00e7\u00e3o com a cadeia significante e, desse modo, como o comportamento da crian\u00e7a est\u00e1 imerso nessa estrutura desde os primeiros momentos com a analista. Richard responde \u00e0s interven\u00e7\u00f5es de Klein de modo exemplar: ele vai se p\u00f4r entre as duas portas, a porta interna dos consult\u00f3rios e a porta externa, num espa\u00e7o escuro. Espanta a Lacan que Klein, que viu t\u00e3o bem o limite entre o mundo interno, as \u201ctrevas interiores\u201d, e o externo, n\u00e3o tenha enxergado o alcance dessa zona intermedi\u00e1ria. Zona que n\u00e3o \u00e9 nem interior, nem exterior, e que se encontra em certas estruturas da aldeia primitiva como zonas baldias, entre a aldeia propriamente dita e a natureza virgem. Zona do <em>no man\u2019s land<\/em>, onde, nesse caso, o desejo do pequeno sujeito entra em pane tentando p\u00f4r-se ao abrigo do desejo do Outro. Podemos ver nessa zona uma antecipa\u00e7\u00e3o do que vai ser formulado no Semin\u00e1rio 16 como \u201co lugar do mais ningu\u00e9m\u201d (LACAN, 1968-69\/2008).<\/p>\n<p>O que podem nos ensinar essas passagens sobre o come\u00e7o de uma an\u00e1lise sen\u00e3o que desde os primeiros encontros \u00e9 preciso entrar nos jogos dos significantes, lig\u00e1-los, torn\u00e1-los amigos um do outro, para que possam conversar, mas tamb\u00e9m jogar com essa zona intermedi\u00e1ria, essa terra de ningu\u00e9m? N\u00e3o ser\u00e1 essa a verdadeira terra de uma an\u00e1lise? Esse lugar vazio, fora dos lugares conhecidos, mas que \u00e9 o suporte de todos os lugares poss\u00edveis? \u00c9 entre os significantes e o buraco, ligados aos embara\u00e7os aos sofrimentos do sujeito, que podemos lev\u00e1-lo a se interessar, a amar seu inconsciente, desejar decifr\u00e1-lo, que \u00e9 o que chamamos de S.s.S?<a href=\"\/revista_almanaque\/#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Esse \u201centre\u201d \u00e9, portanto, muito importante. Se fecharmos demais a porta da cadeia significante, fechando os sentidos, uma an\u00e1lise ter\u00e1 pouca chance de acontecer, podendo inclusive facilmente se transformar em uma psicoterapia. Por outro lado, aberto demais, n\u00e3o haver\u00e1 chance de que haja um la\u00e7o entre analisando e analista, inviabilizando a an\u00e1lise.<\/p>\n<p><em>Psican\u00e1lise ou psicoterapia<\/em><\/p>\n<p>Nessa altura, cabe notar que toda psicoterapia oferece, de uma maneira ou de outra, um saber pronto, um sentido. No final das contas, o que ela oferta \u00e9 uma vis\u00e3o do que \u00e9 um sujeito ou do que \u00e9 a sa\u00fade mental. Em outras palavras, trata-se da oferta de um ideal! Procura-se o desvio da realidade imaginada e, em seguida, a adequa\u00e7\u00e3o a ela segundo uma vis\u00e3o de mundo. Toda psicoterapia \u00e9 uma defesa standard contra o real. No come\u00e7o de uma an\u00e1lise, \u00e9 muito importante estar atento para que n\u00e3o haja um desvio para a psicoterapia. Respostas terap\u00eauticas precoces certamente fechar\u00e3o a porta para analisar-se. Na psican\u00e1lise, entra-se pela porta do n\u00e3o saber, que de certo modo se reabre a cada sess\u00e3o. Mas a cada sess\u00e3o vai-se tamb\u00e9m construindo um saber singular sobre o sofrimento daquela pessoa, v\u00e3o se fechando algumas portas que delimitam os problemas, os programas de gozo do ser falante. Abre-se a porta, fecha-se a porta, abre, fecha.<\/p>\n<p>Entramos aqui em um ponto importante do nosso t\u00edtulo: \u201cCome\u00e7ar a analisar-se\u201d. O que pode querer dizer nesse t\u00edtulo o \u201cse\u201d, do come\u00e7o? Trata-se de um \u201csi mesmo\u201d? O que se formula nesse \u201cse analisar\u201d?<\/p>\n<p>\u00c9 preciso a\u00ed n\u00e3o perder o fio da meada concernente ao que somos como efeito de saber. E, como efeito de saber, somos cindidos. No fantasma $&lt;&gt; a, \u00e9 como se fossemos causa de n\u00f3s mesmos, como se houvesse um si mesmo que dirige o barco da fantasia. Mas, na verdade, isso seria mais pr\u00f3ximo da Nau dos Loucos. Nessa perspectiva, j\u00e1 no come\u00e7o da experi\u00eancia trata-se (se estivermos diante de uma neurose, \u00e9 claro) de interrogarmos esse del\u00edrio de identidade, essa cren\u00e7a de ser si mesmo. Porque n\u00e3o existe um si mesmo, o que h\u00e1 \u00e9 um ser dividido, j\u00e1 que um significante n\u00e3o pode repre\u00adsentar a si mesmo. Quando Lacan diz que \u00e9 preciso definir o significante como aquilo que representa um sujeito para outro significante, isso significa que nin\u00adgu\u00e9m saber\u00e1 nada dele, exceto o outro significante. E o outro signifi\u00adcante n\u00e3o tem cabe\u00e7a, \u00e9 um significante.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que alguma coisa desse sujeito, que \u00e9 produzido por um significante para se apagar prontamente em outro, pode se constituir e, no fim, fazer-se tomar por um si mesmo, por uma consci\u00eancia de si, por algo que se satisfaz por ser id\u00eantico a si mesmo? \u00c9 justamente isso que se trata de examinar logo, porque \u00e9 justamente a\u00ed que h\u00e1 um \u201centre\u201d, entre os significantes. O sujeito, seja qual for a forma em que se produza em sua presen\u00ad\u00e7a, n\u00e3o pode reunir-se em seu representante de significante sem que se produza, na identidade, uma perda, propriamente chamada de objeto <em>a<\/em>.<\/p>\n<p>Quero chamar a aten\u00e7\u00e3o de voc\u00eas para isso que encontrei no Semin\u00e1rio 16, <em>De um Outro ao outro<\/em>. Encontrei Lacan deslocar a \u00eanfase dada aos significantes (significante qualquer, significante da transfer\u00eancia&#8230;) em 67, na \u201dProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro\u201d, para o que ele chamou na ocasi\u00e3o de agalma, esse elemento libidinal em jogo na m\u00e1quina significante e que \u00e9, digamos assim, a energia para fazer o algoritmo funcionar. A import\u00e2ncia de passagem \u00e9 deslocar esse elemento libidinal j\u00e1 para o come\u00e7o dos tratamentos. Na \u201cProposi\u00e7\u00e3o\u201d, podemos dizer que nos encontramos com o agalma no final, a partir de Um Outro ao outro, ele est\u00e1 na partida. Ele \u00e9, nos diz Lacan, um dos limites em torno dos quais se articula o v\u00ednculo da manuten\u00e7\u00e3o da refer\u00eancia ao sujeito su\u00adposto saber, como o chamamos na transfer\u00eancia, com esse \u00edndice da necessidade repetitiva que decorre da\u00ed, que \u00e9, logicamente, o objeto pequeno <em>a.<\/em><\/p>\n<p>Nesse sentido, qualquer an\u00e1lise come\u00e7a interrogando esse del\u00edrio do eu, del\u00edrio de ser id\u00eantico a si mesmo, para conduzir por um caminho no qual o sujeito \u00e9 um objeto, um resto que se repete incessante entre os significantes, resto de toda tentativa de representa\u00e7\u00e3o. Salto desesperado em algo de ordem libidinal e que, mesmo ao pre\u00e7o de se apagar, agarra em algo que tem uma fixidez de gozo. Essa dimens\u00e3o de gozo, localizada em peda\u00e7os que chamamos de objeto <em>a<\/em>, s\u00e3o muito relevantes no momento que vivemos, quando o que encontramos n\u00e3o s\u00e3o sujeitos cheios de palavras e busca de sentido, mas, ao contr\u00e1rio, atolados no gozo e no consumo de todo tipo de objetos ofertados pelo mercado. Jacques Lacan chama o objeto <em>a<\/em> de \u201cobjeto intrag\u00e1vel\u201d. N\u00e3o haveria a\u00ed uma boa indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica para esses casos, que parecem estar com o objeto entupindo suas gargantas, impedindo-os de falar? N\u00e3o seria esse um dos efeitos das condi\u00e7\u00f5es discursivas regidas hoje pela ci\u00eancia, enquanto serve ao mercado e a domin\u00e2ncia do consumo, que esse objeto esteja, como nunca, atolando o sujeito?<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, uma an\u00e1lise segundo Miller come\u00e7a com um interesse e paix\u00e3o por objetos brilhantes, que logo se tornam invis\u00edveis, desvanecendo-se, apagando esse fulgor, tornando-se algo duro, como um osso e com o qual nada a mais a fazer \u2013 a n\u00e3o ser separar-se dele, digo eu. Tal condensa\u00e7\u00e3o libidinal cada vez mais compacta \u00e9 o objeto da constru\u00e7\u00e3o do fantasma. Se o objeto est\u00e1 desde o princ\u00edpio, em pot\u00eancia pelo menos, se ele \u00e9 causa da divis\u00e3o subjetiva e da pergunta ao Outro sobre o que sou para ele como objeto de valor e de desejo, essa \u00e9 a verdadeira natureza do la\u00e7o. A fundamental natureza do la\u00e7o com o Outro \u00e9 a do la\u00e7o entre o sujeito dividido e o objeto <em>a<\/em>, ou seja, a articula\u00e7\u00e3o mesma que constitui o fantasma fundamental de cada um. E ent\u00e3o \u00e9 com isso que dirigimos uma cura.<\/p>\n<p><em>Do saber ao gozo <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o vou retomar aqui em detalhes a primeira sess\u00e3o de minha primeira an\u00e1lise (a primeira daquelas duas que me levaram ao final). J\u00e1 falei bastante sobre isso em meu testemunho (que deve sair publicado na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o da revista <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>). Lembro apenas que, em poucos minutos do encontro com o analista, fui do completo desespero de receber uma \u201cporta na cara\u201d \u2013 quando, ao responder sua pergunta sobre o que eu havia produzido de saber em uma an\u00e1lise anterior lhe digo que sabia qual era o desejo de minha m\u00e3e, ele vocifera: \u201cse voc\u00ea sabe qual o desejo de sua m\u00e3e, uma an\u00e1lise n\u00e3o pode fazer nada por voc\u00ea\u201d \u2013 para o oposto: uma porta aberta. O analista, com um pequeno sorriso, me levou at\u00e9 a porta do seu consult\u00f3rio e, com uma m\u00e3o em meu ombro, marcou a pr\u00f3xima consulta. Lembro ainda que, na noite que precedeu essa sess\u00e3o, sonhei com a morte de minha m\u00e3e, em um cen\u00e1rio de representa\u00e7\u00f5es que me levou a recordar uma cena traum\u00e1tica infantil, nunca lembrada. Tratava-se de uma cena traum\u00e1tica em que, diante de um epis\u00f3dio de amea\u00e7a de autoexterm\u00ednio de minha m\u00e3e, me vejo diante de uma porta fechada, perco os sentidos e apago. \u00c9 poss\u00edvel ver a\u00ed como nesse primeiro encontro com o analista se abriu a dimens\u00e3o de um gozo mort\u00edfero que havia ocupado toda a minha exist\u00eancia. Perturbou fortemente a minha defesa constitu\u00edda por um saber (\u201csei tapar o buraco da m\u00e3e, digamos assim, vamos entupir logo aquela garganta e a minha tamb\u00e9m\u201d \u2013 fiz, ali\u00e1s, uma anorexia infantil) e, com essa interven\u00e7\u00e3o, fez cintilar o que eu s\u00f3 pude verificar muitos anos depois, de modo condensado e como \u201cdiretor\u201d de minha exist\u00eancia: a presen\u00e7a do objeto nada, como objeto prevalente no meu fantasma, ou seja, do padr\u00e3o constante de meu la\u00e7o com o Outro.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><em>Do tempo e da sorte de analisar-se<\/em><\/p>\n<p>Quero terminar com um \u00faltimo assunto. \u00c9, digamos assim, uma considera\u00e7\u00e3o especial \u00e0 dimens\u00e3o inventiva e criadora, a qual, como psicanalistas, estamos convidados a responder mesmo no come\u00e7o de cada experi\u00eancia que conduzimos. Como acabou meu tempo, vou trazer as coordenadas principais do assunto.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise come\u00e7a com um encontro e continua com encontros at\u00e9 seu final. Lacan gostava de usar a express\u00e3o francesa \u201c<em>au petit bonheur, la chance<\/em>\u201d, para falar desse encontro.\u00a0 Essa \u00e9 uma express\u00e3o usada quando se faz algo ao acaso, esperando que, com sorte, v\u00e1 dar certo. O curioso a\u00ed, o crucial, o g\u00eanio, \u00e9 que o analista pode ajudar a encontrar a boa sorte, tornar o encontro mais feliz ali e na vida do analisante.<\/p>\n<p>Esse encontro casual, acidental, era o que Lacan (1964\/1988) chamava, no Semin\u00e1rio 11, de tiqu\u00ea, categoria aristot\u00e9lica para pensar as causas. H\u00e1 na conting\u00eancia, sob uma forma ou outra, o fato de que duas coisas se encontram, \u201calguma coisa faz um encontro; alguma coisa que poderia n\u00e3o ter feito um encontro, faz um encontro; o que \u00e9 em geral acompanhado de um espanto\u201d (EBERSOLT, 2021, p. 143). No jogo da conting\u00eancia, nos interessa particularmente como Arist\u00f3teles concebia \u201ca conting\u00eancia que n\u00e3o parecia conting\u00eancia\u201d (EBERSOLT, 2021, p. 143), ou seja, nos casos em que o encontro parecia ter uma finalidade, imaginava-se ter acontecido aquele encontro contingente por causa de uma finalidade j\u00e1 dada. Como no exemplo em que o credor encontra por acaso seu devedor a tanto tempo buscado, justo quando sai de casa para passear, e n\u00e3o para receber o dinheiro que lhe era devido. Dizemos: \u00e9 porque tinha que ser! Estava escrito! Mas n\u00e3o estava escrito. Depois \u00e9 que se escreveu o que estava antes. Quem \u00e9 o devedor que tomamos como exemplo acima do texto de Arist\u00f3teles, no caso de uma an\u00e1lise? N\u00e3o seria o gozo que nos \u00e9 devido? Poder gozar um pouco melhor com nosso sintoma? O paciente sai ent\u00e3o para passear na paisagem do analista e, ops! O que ele pode encontrar de novo, entre as repeti\u00e7\u00f5es e impossibilidades?<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 dos <em>Escritos<\/em>, Lacan (1973\/2002) vai dizer: existe a sorte. De fato, \u00e9 tudo que existe&#8230; O ser falante \u00e9 <em>heureux<\/em>, \u00e9 feliz, isso \u00e9 tudo que lhe resta. \u00c9 uma refer\u00eancia ao Eclesiastes, tudo passa e depende pouco de n\u00f3s, \u201cVaidade das vaidades\u201d, \u00e9 uma das tradu\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o vamos ser um pouco mais felizes, comer bem, beber, amar, trabalhar com o que se gosta \u2013 \u00e9 mais ou menos isso que prop\u00f5e um dos grandes textos sapienciais ao qual Lacan recorre de vez em quando. Ser\u00e1 que o discurso anal\u00edtico n\u00e3o poderia deix\u00e1-lo um pouco mais feliz (feliz, com um gozo melhorzinho)?<\/p>\n<p>Miller (2021, p. 234) chama essa possibilidade de intervir na sorte da vida de um analisante de conting\u00eancia lacaniana, atrav\u00e9s da qual o analista \u00e9 \u201cUm parceiro que tem a oportunidade de responder \u2013 de um outro modo\u201d. Para ele, em uma an\u00e1lise se trata de p\u00f4r em jogo a conting\u00eancia: \u201cVolto a p\u00f4r em jogo a boa sorte, salvo que, nessa oportunidade, essa vez, vem de mim e sou eu que devo proporcion\u00e1-la\u201d.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>O problema a\u00ed \u00e9, como j\u00e1 me perguntaram: se se trata de sorte, ou da palavra azar, como \u00e9 usual utilizar no sentido geral de coisas acidentais, como \u00e9 poss\u00edvel intervir nisso? \u00c9 a\u00ed que vemos toda a genialidade de Lacan. Lacan se interessa pelo acaso quando ele se transforma em discurso. O que isso quer dizer? Encontrei o melhor esclarecimento desse assunto em um texto de nosso saudoso colega Jos\u00e9 Atti\u00e9, sobre Mallarm\u00e9, quando ele diz que o acaso que interessa a Lacan \u00e9 aquele que pode ser interrogado pelo simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Para ir rapidamente ao assunto, isso quer dizer que, para Lacan, o acaso deve ser restrito \u00e0 conting\u00eancia, ou seja, ao acaso enquanto restrito a fatos de linguagem, a rastros que s\u00e3o as pistas, os aluvi\u00f5es que governam o discurso de um ser falante. Em outras palavras, o que Arist\u00f3teles sugeria como \u201ca conting\u00eancia que n\u00e3o parecia conting\u00eancia\u201d: onde imaginava-se ter acontecido, por causa de uma finalidade j\u00e1 dada, Lacan interp\u00f5e a linguagem e a escrita. O que \u00e9 que estava escrito? As marcas que em cada um de n\u00f3s s\u00e3o a condi\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9, portanto, que o analista possa dominar o acaso, essa \u00e9 a finalidade da ci\u00eancia, mas, para n\u00f3s, o acaso pode ser interrogado a partir da resposta que deu o sujeito a um impacto traum\u00e1tico primordial e de como essa resposta se inscreveu como determina\u00e7\u00e3o inconsciente que tem consequ\u00eancias no sofrimento de sua vida.<\/p>\n<p>O analisante, ao submeter-se \u00e0 regra da associa\u00e7\u00e3o livre, tenta intencionalmente tanto quanto poss\u00edvel se aproximar de falar ao acaso, e eis que, no meio disso, ele se pega agarrado por significantes que determinam sua vida. O papel do neur\u00f3tico vai ser o de tentar, por outro lado, abolir todo o acaso, demonstrando, se podemos dizer assim, que sua resposta ao trauma foi a necess\u00e1ria, estava escrito, quer dizer, o reenvio da palavra \u00e0 escritura, o reenvio daquelas palavras ao lugar desde onde foram escritas como marcas de gozo, enuncia\u00e7\u00e3o que se apresenta pelo funcionamento do sujeito suposto saber.<\/p>\n<p>Onde entra o analista nessa trama? Laurent (2019) nos mostra que ele guarda desde o come\u00e7o a refer\u00eancia do efeito S.s.S, como artificio desde onde se revela a pot\u00eancia do \u201cestava escrito\u201d \u2013 <em>Maktub<\/em> \u2013, mas acrescenta o erro de leitura como uma abertura para uma nova chance, uma boa sorte. Como algu\u00e9m pode dar continuidade em uma an\u00e1lise se n\u00e3o experimenta logo que algo pode mudar para melhor, que o que sempre lhe fez sofrer pode se reescrever de outro modo?<\/p>\n<p>A sorte pode advir quando a enuncia\u00e7\u00e3o no registro do SsS passa de \u201cestava escrito\u201d, \u00e9 o destino, para \u201cestava escrito no equ\u00edvoco\u201d. Isso quer dizer que a conting\u00eancia lacaniana est\u00e1 no lugar dos equ\u00edvocos, nesse entre os sentidos. O analista provoca a ocasi\u00e3o de uma nova sorte, quando sua interpreta\u00e7\u00e3o vai dizer de algum modo, jogando com homofonias, por exemplo, que \u201cvoc\u00ea leu mal o que estava escrito\u201d. A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma retifica\u00e7\u00e3o da leitura feita pelo sujeito suposto saber. A interpreta\u00e7\u00e3o sup\u00f5e que a palavra j\u00e1 \u00e9 uma leitura e o sujeito suposto saber n\u00e3o soube ler bem o acontecimento, por isso est\u00e1 sofrendo, tendo tanta m\u00e1 sorte na vida. Essa sensa\u00e7\u00e3o de maldi\u00e7\u00e3o que \u00e0s vezes nos habita \u00e9 um erro de leitura. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma sorte termos a psican\u00e1lise e os psicanalistas para nos mostrarem isso!<\/p>\n<p>Concluo com uma pequena cr\u00f4nica dessas que hoje em dia viralizam e que, a meu ver, ilustra uma interven\u00e7\u00e3o que provoca a mudan\u00e7a em um destino no meio de uma conting\u00eancia.<\/p>\n<p>Em uma entrevista, a filha de Zizi Possi, Luiza, tamb\u00e9m cantora, conta o seguinte: \u201cEu me casei de manh\u00e3 e tinha brigado, foi um pau horr\u00edvel e eu estava arrasada. Cheguei para maquiar arrasada e a primeira pessoa que eu vi foi a F\u00e1tima e falei: \u2018Ai, briguei\u2019. E ela disse: \u2018Menina, voc\u00ea n\u00e3o sabia que d\u00e1 a maior sorte brigar antes do casamento? Tem que brigar pra tudo acontecer\u2019. E F\u00e1tima falou para minha melhor amiga depois: \u2018Ainda bem que todo mundo acredita no que eu falo\u2019. F\u00e1tima Bernardes mudou meu dia e salvou meu casamento\u201d.<a href=\"\/revista_almanaque\/#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>EBERSOLT, S. <em>Contingence et communaut\u00e9<\/em>: Kuki Sh\u00fbz\u00f4, philosophe japonais. Paris: Ed: Vrin, 2021.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 2<\/em>: O eu na teoria de Freud e na t\u00e9cnica psicanal\u00edtica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Trabalho original proferido em 1954-55).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 11<\/em>: Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Trabalho estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1988. (Trabalho original proferido em 1964).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de um primeiro volume dos Escritos. In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p. 553-556. (Trabalho original publicado em 1973).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 16<\/em>:\u00a0 De um Outro ao outro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008. (Trabalho original proferido em 1968-69).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio, livro 6<\/em>: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2016. (Trabalho original publicado em 1958-59).<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. <em>L\u2019inconscient \u00e9clair. Temporalit\u00e9 etethique au CPCT.<\/em> Colletion Rue Huysmans. Paris, 2019.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. <em>1,2,3,4, Tomo I<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2021.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Aula inaugural de abertura do semestre do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, proferida por S\u00e9rgio de Mattos em 07 de agosto de 2023.<\/h6>\n<h6><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Pois, para sermos precisos, n\u00e3o \u00e9 o tanto o que sabe a pessoa de nossos analistas que \u00e9 o sujeito suposto saber, mas sim essa maquininha, esse algoritmo, que o saber do analista incita a entrar em funcionamento e que cristaliza em torno de buracos, falhas, equ\u00edvocos, um saber que surge da associa\u00e7\u00e3o dita livre.<\/h6>\n<h6><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Tendo sido criado um amor pelo inconsciente, como motor de uma an\u00e1lise, amor que produz o ajuntamento de significantes sozinhos, marcas de gozo na vida de cada um, \u00e9 preciso que o analista salve tamb\u00e9m esse casamento, com uma sorte que pode ser ao menos um pouco melhor, entre outras coisas.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma experi\u00eancia de sorte1 S\u00e9rgio de Mattos Psicanalista, A. E. da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise\/AMP E-mail: sergioecmattos@hotmail.com Resumo: O autor tra\u00e7a a diferen\u00e7a entre o come\u00e7o de uma an\u00e1lise e a entrada em an\u00e1lise visando, nas entrevistas preliminares, o la\u00e7o entre analista e analisando. A transfer\u00eancia, portanto, \u00e9 o que leva o sujeito a amar&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57714,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-2089","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-32","category-34","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2089"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2089\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57715,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2089\/revisions\/57715"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}