{"id":2121,"date":"2024-02-18T17:39:22","date_gmt":"2024-02-18T20:39:22","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=2121"},"modified":"2025-12-01T11:56:18","modified_gmt":"2025-12-01T14:56:18","slug":"2121-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2024\/02\/18\/2121-2\/","title":{"rendered":"Manuscrito H[1]"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"color: #333399;\">Manuscrito H<a href=\"\/revista_almanaque\/#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>1<\/sup><\/a><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>Elisa Alvarenga<br \/>\n<\/strong>A.M.E. da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise\/AMP<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"mailto:elisalvarenga@gmail.com\">elisalvarenga@gmail.com<\/a><\/span><\/p>\n<blockquote><p><strong>Resumo: <\/strong>O \u201cManuscrito H\u201d, enviado por Freud a Fliess em 1895, \u00e9 situado entre os textos em que Freud pensa as psicoses, no plural, entre as neuropsicoses de defesa, no final do s\u00e9culo XIX. Freud percebe que o mecanismo das psicoses difere do recalque das neuroses, mas ainda n\u00e3o consegue precis\u00e1-lo bem.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Palavras-chave: <\/strong>neuropsicoses; defesa; recalque.<\/p>\n<p><strong>H MANUSCRIPT<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Abstract: <\/strong>The \u201cH Manuscript\u201d, sent to Fliess by Freud in 1895, is situated among the texts in which Freud talks about psychoses, in plural, among the defense neuropsychoses, at the end of the XIXth century. Freud realizes that psychoses mechanism is different from neuroses repression, but he can\u2019t yet precise it.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Keywords: <\/strong>neuropsychoses; defense; repression.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Luciana-Silviano-Brandao.png\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"886\" data-large_image_height=\"1099\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2106 aligncenter\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Luciana-Silviano-Brandao-826x1024.png\" alt=\"\" width=\"386\" height=\"478\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Come\u00e7o com uma pergunta: a psicose \u00e9 para Freud uma estrutura, no sentido lacaniano do termo? Abordada inicialmente no quadro das \u201cNeuropsicoses de defesa\u201d, a psicose \u00e9 vista como uma maneira espec\u00edfica de defesa, e como tal distinta da neurose. Freud se interessa num primeiro momento pelas psicoses, no plural, pois ele distingue diversas maneiras de enfrentar realidades penosas, no sentido de representa\u00e7\u00f5es inconcili\u00e1veis com o eu. O mecanismo do recalque j\u00e1 est\u00e1 ent\u00e3o no centro do problema.<\/p>\n<p>O \u201cManuscrito H\u201d, que comentaremos hoje aqui, pertence a esse per\u00edodo inicial, em que Freud vai elaborando sua concep\u00e7\u00e3o do aparelho ps\u00edquico e resgatando a import\u00e2ncia da sexualidade nas neuroses e nas psicoses. Ele desemboca, na virada do s\u00e9culo XIX ao s\u00e9culo XX, na primeira t\u00f3pica freudiana (ics-pcs-cs) e na teoria da libido. Vai ser a \u00e9poca dos grandes relatos de casos cl\u00ednicos e Freud debru\u00e7a-se ent\u00e3o especialmente sobre a paranoia e a esquizofrenia, consideradas em s\u00e9rie como maneiras mais ou menos radicais de desviar a libido do mundo exterior. O seu \u201crecalque\u201d distingue-se bem do recalque da neurose.<\/p>\n<p>A segunda t\u00f3pica (isso-eu-supereu) surge ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o de morte na teoria da libido e os crit\u00e9rios antes utilizados se revelam insuficientes para diferenciar neuroses e psicoses: a defesa, o destino do afeto, a retra\u00e7\u00e3o da libido, a rela\u00e7\u00e3o com a homossexualidade, a rela\u00e7\u00e3o com a realidade. Freud se interessa pela maneira como os psic\u00f3ticos se afastam da realidade e pela especificidade do seu \u201crecalque\u201d. A realidade em quest\u00e3o \u00e9 uma realidade ps\u00edquica ou simb\u00f3lica, a realidade da castra\u00e7\u00e3o. \u00c9 a maneira de posicionar-se frente a essa realidade que vai caracterizar o mecanismo em quest\u00e3o na psicose, em oposi\u00e7\u00e3o ao recalque da neurose. Freud passa ent\u00e3o das psicoses, no plural, \u00e0 psicose, no singular (ALVARENGA, 1992, p. 5).<\/p>\n<p>O conceito de psicose em Lacan, nos anos 50, no Semin\u00e1rio <em>As psicoses<\/em> e no texto \u201cDe uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose\u201d, dois anos depois, diz respeito a uma estrutura, irredut\u00edvel \u00e0 estrutura neur\u00f3tica. Vamos percorrer hoje aqui alguns textos freudianos desse per\u00edodo inicial, em torno das neuropsicoses de defesa, de 1895 at\u00e9 1900, levando em considera\u00e7\u00e3o que esse conceito de defesa n\u00e3o perde sua import\u00e2ncia, pois ele reaparece ao final da vida de Freud no texto \u201cA divis\u00e3o do eu no processo de defesa\u201d.<\/p>\n<p><em>As neuropsicoses de defesa (1894)<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O interesse de Freud pelas psicoses foi provavelmente despertado pelos problemas cl\u00ednicos colocados pela histeria. J\u00e1 nos \u201cEstudos sobre a histeria\u201d, publicados em 1895, Freud prop\u00f5e um modelo de \u201cpsicose hist\u00e9rica\u201d como resultado de um fracasso da defesa. Come\u00e7aremos nosso percurso por uma leitura das \u201cneuropsicoses de defesa\u201d, assunto dos artigos dos anos 1890, assim como dos manuscritos e cartas enviados a Fliess.<\/p>\n<p>Wilhelm Fliess era um m\u00e9dico otorrinolaringologista, correspondente ass\u00edduo de Freud nesse per\u00edodo do seu pensamento, e que tinha umas teorias um pouco delirantes sobre as patologias mentais. \u00c9 considerado como \u201co analista\u201d de Freud, o qual lhe fazia confid\u00eancias e submetia a ele seus pensamentos e novas ideias. A correspond\u00eancia entre os dois pesquisadores tem um papel fundamental na elabora\u00e7\u00e3o de alguns conceitos freudianos.<\/p>\n<p>A retic\u00eancia de Freud em receber pacientes psic\u00f3ticos em an\u00e1lise n\u00e3o parece t\u00e3o acentuada no in\u00edcio de sua pr\u00e1tica, talvez em fun\u00e7\u00e3o mesmo da inclus\u00e3o das psicoses entre as neuropsicoses de defesa. Ele falar\u00e1 principalmente da paranoia e dos epis\u00f3dios delirantes agudos. Nesse artigo de 1894, Freud estabelece uma conex\u00e3o entre neurose e psicose como resultados de mecanismos de defesa ligados a uma divis\u00e3o da consci\u00eancia, express\u00e3o de uma disposi\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica: uma representa\u00e7\u00e3o desperta um afeto penoso que a pessoa decide esquecer, mas esse esquecimento fracassa e conduz a uma histeria, a uma obsess\u00e3o ou a uma psicose alucinat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Na neurose, o eu torna a representa\u00e7\u00e3o fraca retirando-lhe o afeto, quantidade de excita\u00e7\u00e3o que, na histeria, \u00e9 deslocada para o corpo na convers\u00e3o. Nas obsess\u00f5es e fobias, a representa\u00e7\u00e3o \u00e9 exclu\u00edda das associa\u00e7\u00f5es, mas o afeto se liga a outras representa\u00e7\u00f5es que se tornam obsedantes. Freud introduz ent\u00e3o uma \u201cpsicose de domina\u00e7\u00e3o\u201d: uma jovem que sofre de autoacusa\u00e7\u00f5es obsessivas perde sua capacidade cr\u00edtica e seu sentimento de culpa acentua-se de tal forma que ela chega \u00e0 psicose, sendo curada ap\u00f3s alguns meses de tratamento.<\/p>\n<p>Se, nas neuroses, a defesa \u00e9 efetuada pela separa\u00e7\u00e3o entre a representa\u00e7\u00e3o inconcili\u00e1vel e o afeto que lhe corresponde, h\u00e1<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">uma esp\u00e9cie de defesa muito mais poderosa e bem sucedida. Aqui, o eu rejeita <em>(verwirft) <\/em>a ideia incompat\u00edvel juntamente com seu afeto e comporta-se como se a ideia jamais lhe tivesse ocorrido. Mas a partir do momento em que o tenha conseguido, o sujeito encontra-se numa psicose, confus\u00e3o alucinat\u00f3ria. (FREUD, 1894\/1976, p. 71)<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">O conte\u00fado de uma psicose alucinat\u00f3ria consiste na acentua\u00e7\u00e3o da ideia que foi amea\u00e7ada pela causa precipitante do desencadeamento da doen\u00e7a. O eu se defendeu da ideia incompat\u00edvel atrav\u00e9s da fuga para a psicose. Ele escapa da ideia intoler\u00e1vel; esta, por\u00e9m, \u00e9 ligada inseparavelmente a um fragmento da realidade, de modo que, \u00e0 medida que o eu alcan\u00e7a esse resultado, ele se destaca, tamb\u00e9m, parcial ou inteiramente, da realidade. As ideias do sujeito recebem a vividez das alucina\u00e7\u00f5es; assim, quando a defesa consegue ser levada a cabo, ele se encontra em um estado de confus\u00e3o alucinat\u00f3ria. (FREUD, 1894\/1976, p. 71)<\/p>\n<p>Dois exemplos:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li><em>M\u00e3e que perdeu o beb\u00ea: embala um peda\u00e7o de tronco em seus bra\u00e7os, como se fosse um beb\u00ea.<\/em><\/li>\n<li><em>Mulher que foi abandonada: veste-se para esperar o noivo todos os dias.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>A confus\u00e3o alucinat\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 habitualmente compat\u00edvel com a histeria ou com as obsess\u00f5es, mas uma psicose de defesa pode vir interromper episodicamente o curso de uma neurose hist\u00e9rica ou mista. Freud isola os mecanismos, mas admite sua incid\u00eancia sobre um mesmo sujeito.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre os mecanismos da neurose e da psicose \u00e9 elaborada por Lacan a partir do termo \u201crejei\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Verwerfung<\/em>), j\u00e1 utilizado em 1894. A alucina\u00e7\u00e3o, resultado da rejei\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o, \u00e9 exatamente o que Lacan vai chamar de retorno no real do que n\u00e3o foi simbolizado pelo sujeito.<\/p>\n<p><em>Manuscrito H \u2013 Paranoia \u2013 24.01.1895<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Freud introduz a paranoia nas neuropsicoses de defesa por uma analogia com a neurose obsessiva, como uma \u201cpsicose intelectual\u201d, considerando-a como mais uma forma de defesa, ao lado da histeria, da obsess\u00e3o e da confus\u00e3o alucinat\u00f3ria. \u201cAlgu\u00e9m se torna paranoico em rela\u00e7\u00e3o a coisas que n\u00e3o pode suportar\u201d (FREUD, 1895\/2016, p. 15). Mas \u00e9 preciso uma predisposi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para isso.<\/p>\n<p>Freud d\u00e1 como exemplo uma paciente que apresentava del\u00edrios de observa\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o. Ele cr\u00ea que ela sofre de uma neurose de car\u00e1ter sexual, com eventuais acessos de paranoia. Tendo tentado, sem sucesso, suprimir a tend\u00eancia \u00e0 paranoia restaurando a lembran\u00e7a de uma cena de sedu\u00e7\u00e3o, ele se pergunta sobre o car\u00e1ter espec\u00edfico de defesa paranoica. A paciente foi assediada por um h\u00f3spede e se recusava a se lembrar da cena de ass\u00e9dio e se sentir culpada. Sua culpa retorna de fora no del\u00edrio de observa\u00e7\u00e3o e recrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a tentava evitar uma autocensura recalcando-a, mas a recrimina\u00e7\u00e3o retornava de fora: a paciente era observada e criticada.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">O julgamento sobre ela fora desalojado para fora. As pessoas diziam aquilo que normalmente ela teria dito para si mesma ela. [&#8230;] O julgamento vindo de dentro, ela teria de aceitar. O que vinha de fora, ela podia recusar. Dessa forma o julgamento, a recrimina\u00e7\u00e3o, era afastado do Eu. A paranoia tem, portanto, o prop\u00f3sito de se defender de uma representa\u00e7\u00e3o intoler\u00e1vel para o Eu projetando seu conte\u00fado no mundo exterior. [&#8230;] Trata-se do abuso de um mecanismo ps\u00edquico utilizado com frequ\u00eancia. (FREUD, 1895\/2016, p. 17-18)<\/p>\n<p>Para Lacan, seria melhor abandonar o termo \u201cproje\u00e7\u00e3o\u201d, pois a proje\u00e7\u00e3o na psicose \u201c\u00e9 o mecanismo que faz voltar de fora o que est\u00e1 preso na <em>Verwerfung, <\/em>ou seja, o que foi posto fora da simboliza\u00e7\u00e3o geral que estrutura o sujeito\u201d (LACAN, 1955-56\/1985, p. 58).<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Freud coloca em quest\u00e3o tal termo, diferenciando a proje\u00e7\u00e3o como mecanismo neur\u00f3tico de imputar ao outro o que n\u00e3o reconhe\u00e7o em mim \u2013 se n\u00e3o gosto de fulano penso que fulano n\u00e3o gosta de mim \u2013 do mecanismo da psicose: \u00e9 incorreto dizer que a sensa\u00e7\u00e3o suprimida internamente \u00e9 projetada para o exterior, a verdade \u00e9 que, pelo contr\u00e1rio, aquilo que foi abolido internamente retorna desde fora (FREUD, 1911\/2021).<\/p>\n<p>Freud d\u00e1 v\u00e1rios exemplos de defesa que levam a um del\u00edrio de persegui\u00e7\u00e3o e nota que a megalomania consegue eliminar do eu a ideia penosa melhor ainda que a paranoia: \u201ca ideia delirante \u00e9 mantida com a mesma energia com que o Eu se defende de alguma outra ideia penosamente insuport\u00e1vel. Portanto, eles amam o del\u00edrio como a si mesmos\u201d (FREUD, 1895\/2016, p. 20). Exemplos:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol start=\"3\">\n<li><em>O paranoico querelante n\u00e3o suporta a ideia de ter feito algo errado e imputa o erro ao Outro: del\u00edrio de reivindica\u00e7\u00e3o<\/em><\/li>\n<li><em>A na\u00e7\u00e3o n\u00e3o suporta a ideia de ter sido vencida: paranoia de massa, del\u00edrio de trai\u00e7\u00e3o. Mais atual, uma massa que n\u00e3o aceita ter perdido uma elei\u00e7\u00e3o, del\u00edrio de fraude<\/em><\/li>\n<li><em>O alco\u00f3latra n\u00e3o suporta a ideia de ter ficado impotente pela bebida. A culpa \u00e9 da mulher: del\u00edrio de ci\u00fames<\/em><\/li>\n<li><em>O hipocondr\u00edaco n\u00e3o admite que sua doen\u00e7a tem a ver com suas condutas: del\u00edrio de envenenamento<\/em><\/li>\n<li><em>O funcion\u00e1rio n\u00e3o admite seu fracasso em ser promovido: del\u00edrio de compl\u00f4 e de persegui\u00e7\u00e3o<\/em><\/li>\n<li><em>A cozinheira que perdeu seus atrativos: del\u00edrio erot\u00f4mano ou de grandeza<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Tamb\u00e9m no caso Schreber, Freud desenvolve com mais clareza a gram\u00e1tica da paranoia, a partir de tr\u00eas formas de negar a proposi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u201cEu, um homem, amo um homem\u201d (FREUD, 1911\/2021, p. 604-606): negar o objeto, o verbo ou o sujeito:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li><em>Eu n\u00e3o o amo, eu a amo, porque ela me ama: erotomania<\/em><\/li>\n<li><em>Eu n\u00e3o o amo, eu o odeio, porque ele me persegue: del\u00edrio de persegui\u00e7\u00e3o<\/em><\/li>\n<li><em>N\u00e3o sou eu que o amo, \u00e9 ela que o ama: del\u00edrio de ci\u00fames<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Freud compara, ent\u00e3o, no quadro da p\u00e1gina 21, as formas de defesa da histeria, da obsess\u00e3o, da confus\u00e3o alucinat\u00f3ria, da paranoia e da \u201cpsicose hist\u00e9rica\u201d. Na histeria, o conte\u00fado intoler\u00e1vel fica fora da consci\u00eancia e o afeto \u00e9 deslocado para o corpo. Na obsess\u00e3o o afeto \u00e9 mantido, mas o conte\u00fado representativo \u00e9 substitu\u00eddo por outro (deslocado). Na confus\u00e3o alucinat\u00f3ria, o afeto e o conte\u00fado s\u00e3o afastados do eu por um desligamento parcial do mundo exterior, com alucina\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis ao eu (ver os dois primeiros exemplos). Na paranoia, ao contr\u00e1rio, o afeto e a ideia intoler\u00e1vel s\u00e3o mantidos, mas projetados no mundo exterior. As alucina\u00e7\u00f5es s\u00e3o desagrad\u00e1veis ao eu, mas apoiam a defesa. J\u00e1 nas \u201cpsicoses hist\u00e9ricas\u201d, o afeto domina a consci\u00eancia e as alucina\u00e7\u00f5es s\u00e3o hostis ao eu. Trata-se da histeria aguda dos \u201cEstudos sobre a histeria\u201d, na qual \u201co eu est\u00e1 sendo constantemente esmagado pelos produtos da doen\u00e7a\u201d (FREUD, 1895\/1974, p. 319). O sentimento de culpa de uma paciente torna-se t\u00e3o acentuado que ela acredita ser uma criminosa.<\/p>\n<p>Para Lacan, Freud p\u00f5e em jogo mecanismos de defesa semelhantes para as neuroses e as psicoses, embora seus efeitos sejam fenomenologica e psicopatologicamente distintos. Os diferentes mecanismos deveriam, inversamente, ser deduzidos a partir dos resultados.<\/p>\n<p><em>Manuscrito K \u2013 As neuroses de defesa &#8211; 01.01.1896<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Freud retoma um ano depois algumas ideias sobre a paranoia. O \u201crecalque\u201d s\u00f3 se efetua depois que a lembran\u00e7a j\u00e1 causou desprazer. N\u00e3o se trata de uma recrimina\u00e7\u00e3o recalcada, mas de um desprazer pelo qual o outro \u00e9 considerado respons\u00e1vel, atrav\u00e9s do mecanismo da proje\u00e7\u00e3o. O sintoma prim\u00e1rio \u00e9 a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos outros e o paciente n\u00e3o acredita na censura. As vozes representam as autoacusa\u00e7\u00f5es. As frases s\u00e3o inicialmente deformadas, confusas e amea\u00e7adoras, para depois associar-se \u00e0 desconfian\u00e7a. O processo termina, seja pelo que Freud chama de melancolia \u2013 impress\u00e3o de insignific\u00e2ncia do eu \u2013, seja pela megalomania.<\/p>\n<p>Freud interessa-se cada vez mais pela especificidade do \u201crecalque\u201d na psicose. Na paranoia, a rela\u00e7\u00e3o entre o discurso e a lembran\u00e7a \u201crecalcada\u201d n\u00e3o pode tornar-se consciente e o eu recusa qualquer cren\u00e7a na censura. Freud chama de <em>Unglauben <\/em>essa descren\u00e7a na censura, que far\u00e1 com que tomemos a inoc\u00eancia como um signo da paranoia, enquanto a culpabilidade delirante \u00e9 um signo da melancolia. Essa quest\u00e3o da cren\u00e7a aparece v\u00e1rias vezes nos escritos de Freud e s\u00f3 vinte anos depois, em \u201cA nega\u00e7\u00e3o\u201d (1925), ele nos dar\u00e1 as chaves para entender essa \u201cdescren\u00e7a\u201d dos paranoicos. A rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lembran\u00e7a que n\u00e3o pode tornar-se consciente indica que se trata aqui de algo distinto de um recalque. Essa recusa na cren\u00e7a parece ser a precursora do mecanismo finalmente isolado como<em> Verwerfung. <\/em><\/p>\n<p><em>An\u00e1lise de um caso de paranoia cr\u00f4nica (1896)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Em seus \u201cNovos coment\u00e1rios sobre as neuropsicoses de defesa\u201d, Freud apresenta um caso que confirma sua teoria de uma \u201cpsicose de defesa\u201d. Trata-se de uma mulher de 32 anos que, seis meses ap\u00f3s o nascimento de seu primeiro filho, manifesta os primeiros sinais da doen\u00e7a: ela se fecha em si mesma e torna-se desconfiada: todos fazem tudo para mago\u00e1-la, adivinham seus pensamentos e sabem de tudo que se passa em sua casa.<\/p>\n<p>Um dia surge o pensamento de que a observam enquanto se despe, e mais tarde sente seus genitais como \u201cse sente uma m\u00e3o pesada\u201d. Tem alucina\u00e7\u00f5es de mulheres nuas e dos \u00f3rg\u00e3os femininos e masculinos. Vozes desconhecidas come\u00e7am a importun\u00e1-la, comentando suas a\u00e7\u00f5es, amea\u00e7ando-a e recriminando-a.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7a a an\u00e1lise dessa paciente, Freud pensa que ela se comporta como uma hist\u00e9rica. Por\u00e9m, os dados inconscientes s\u00e3o, a maior parte do tempo, escutados interiormente ou alucinados como vozes. A origem dos sintomas da paciente estaria no \u201crecalque\u201d das rela\u00e7\u00f5es que ela tivera com o irm\u00e3o e as falsas interpreta\u00e7\u00f5es da paranoia se apoiariam sobre um recalque. As alucina\u00e7\u00f5es visuais seriam fragmentos das experi\u00eancias infantis recalcadas, correspondendo ao retorno do recalcado. Sua vergonha transforma-se em suspeita em rela\u00e7\u00e3o aos vizinhos e as vozes devem sua origem ao \u201crecalque\u201d de recrimina\u00e7\u00f5es provocadas por um acontecimento an\u00e1logo ao traumatismo infantil. Seria caracter\u00edstico da paranoia a alus\u00e3o dissimulada e as formas de linguagem incomuns.<\/p>\n<p>Comparativamente \u00e0 neurose obsessiva, em que o sujeito desconfia de si mesmo e a censura retorna nas representa\u00e7\u00f5es obsessivas, na paranoia a censura \u00e9 \u201crecalcada\u201d pela via da \u201cproje\u00e7\u00e3o\u201d: a desconfian\u00e7a diz respeito aos outros e as censuras retornam nas ideias delirantes. Incapaz de se responsabilizar por seus atos e palavras, o sujeito paranoico atribui a culpa ao Outro, assim como as acusa\u00e7\u00f5es. A alucina\u00e7\u00e3o paranoica sofreria uma deforma\u00e7\u00e3o na qual uma imagem recente substitui a antiga. Pensamentos em voz alta s\u00e3o deformados e substitu\u00eddos por outros pensamentos. O eu se adapta a eles por um trabalho delirante de interpreta\u00e7\u00e3o que acaba por modific\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Em 1922, Freud acrescenta a esse caso uma nota sobre sua evolu\u00e7\u00e3o, dando-lhe finalmente o diagn\u00f3stico de <em>dementia paranoides, <\/em>o mesmo conferido a Schreber.<\/p>\n<p><em>A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos (1900)<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>No cap\u00edtulo VII de \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos\u201d, Freud se det\u00e9m sobre os del\u00edrios e as psicoses. Ap\u00f3s o paralelo com as neuropsicoses, encontramos aqui um outro, entre os del\u00edrios e os sonhos. Freud se interessa pelos del\u00edrios dos pacientes confusos, decorrentes de uma censura que n\u00e3o dissimula mais sua a\u00e7\u00e3o. Ela apaga tudo que lhe desagrada e torna o resto incoerente. A quest\u00e3o \u00e9 saber se a supress\u00e3o operada pela censura no sonho \u00e9 da mesma ordem que a censura em jogo na psicose.<\/p>\n<p>Freud compara a psicose ao sonho como realiza\u00e7\u00e3o de desejo: o sonho seria um fragmento da vida ps\u00edquica infantil que foi suplantado. Na psicose, o sujeito voltaria tamb\u00e9m a modos de trabalho ps\u00edquico antigos e suprimidos (<em>unterdr\u00fcckten<\/em>) e encontra-se incapaz de satisfazer suas necessidades em rela\u00e7\u00e3o ao mundo exterior. Freud nota sua neglig\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diferen\u00e7a entre os termos \u201crecalcado\u201d (<em>verdr\u00e4ngt<\/em>) e \u201csuprimido\u201d (<em>unterdr\u00fckt<\/em>). Ao dizer que a guardi\u00e3 de nossa sa\u00fade mental \u00e9 a censura entre o inconsciente e o pr\u00e9-consciente, ele deixa a psicose associada ao mecanismo do recalque.<\/p>\n<p>Finalmente, a diferen\u00e7a que define a psicose em rela\u00e7\u00e3o ao sonho \u00e9 estabelecida: neste, os impulsos vindos do inconsciente podem entrar em cena sem colocar o aparelho motor em movimento, ao passo que na psicose h\u00e1 um enfraquecimento da censura cr\u00edtica ou um refor\u00e7o patol\u00f3gico das excita\u00e7\u00f5es inconscientes que submetem o pr\u00e9-consciente a seu poder e dominam as palavras e atos do sujeito ou levam \u00e0 regress\u00e3o alucinat\u00f3ria durante a vig\u00edlia. Essa regress\u00e3o \u00e9 assim associada \u00e0 submiss\u00e3o do pr\u00e9-consciente ao inconsciente, antiga ideia de submiss\u00e3o do eu que ser\u00e1 posteriormente desenvolvida em termos de conflito entre o eu e o isso.<\/p>\n<p>Essa invas\u00e3o pelo inconsciente tem o mesmo modelo que o estado segundo hist\u00e9rico, chamado de \u201cpsicose hist\u00e9rica\u201d em 1895. A antiga diferen\u00e7a estabelecida entre os sintomas neur\u00f3ticos da histeria e a psicose hist\u00e9rica \u00e9 an\u00e1loga \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o entre o sonho e a psicose: os sintomas da neurose hist\u00e9rica s\u00e3o tidos como o resultado da realiza\u00e7\u00e3o de um desejo ao qual se op\u00f5e o desejo pr\u00e9-consciente, como no sonho o pr\u00e9-consciente impede o acesso \u00e0 motilidade volunt\u00e1ria. Na psicose n\u00e3o haveria essa oposi\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-consciente.<\/p>\n<p>Concluindo, nos textos contempor\u00e2neos do \u201cManuscrito H\u201d, sobre a paranoia, Freud considera os tipos de recalque isolados passo a passo como mecanismos de defesa que resultar\u00e3o na separa\u00e7\u00e3o entre o recalque (<em>Verdr\u00e4ngung<\/em>) e a rejei\u00e7\u00e3o, ou foraclus\u00e3o (<em>Verwerfung<\/em>), isolados plenamente no caso do Homem dos Lobos, como voc\u00eas ver\u00e3o mais adiante. No final do s\u00e9culo XIX, Freud conserva uma concep\u00e7\u00e3o din\u00e2mica dos acontecimentos ps\u00edquicos, talvez mais pr\u00f3xima do \u00faltimo Lacan, que exploramos na prepara\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo Congresso da AMP: \u201cTodo mundo \u00e9 louco, ou seja, delirante\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/h6>\n<h6><strong>\u00a0<\/strong>ALVARENGA, E.<em> O conceito de psicose em Freud. <\/em>Belo Horizonte: Ed. Tahl, 1992.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. A psicoterapia da histeria. In:\u00a0<em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. II. Rio de Janeiro: Imago, 1974, p. 309-363. (Trabalho original publicado em 1895).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. Manuscrito H: Paranoia (24.01.1895). In: <em>Obras incompletas de Sigmund Freud: <\/em>Neurose, Psicose, Pervers\u00e3o. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2016, p. 15-21. (Trabalho original publicado em 1895).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. Manuscrito K: As neuroses de defesa (01.01.1896). In: <em>Obras incompletas de Sigmund Freud: <\/em>Neurose, Psicose, Pervers\u00e3o. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2016,p. 23-34. (Trabalho original publicado em 1896).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. As neuropsicoses de defesa. In:\u00a0<em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. III, 1976. (Trabalho original publicado em 1894).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. Novos coment\u00e1rios sobre as neuropsicoses de defesa: An\u00e1lise de um caso de paranoia cr\u00f4nica. In:\u00a0<em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. III. Rio de Janeiro: Imago, 1976, p. 200-211. (Trabalho original publicado em 1896).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos. In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. IV, 1972, p. 543-560. (Trabalho original publicado em 1900).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. Observa\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas sobre um caso de paranoia (<em>dementia paranoides<\/em>) descrito com base em dados biogr\u00e1ficos (Caso Schreber). In: <em>Hist\u00f3rias cl\u00ednicas<\/em>: cinco casos paradigm\u00e1ticos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2021, p. 539-630. (Trabalho original publicado em 1911).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. A nega\u00e7\u00e3o. In: <em>Obras incompletas de Sigmund Freud: <\/em>Neurose, Psicose, Pervers\u00e3o. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2016, p. 305-314. (Trabalho original publicado em 1925).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 3<\/em>: As psicoses. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Trabalho original proferido em 1955-56).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. De uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose. In: <em>Escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998, p. 537-590. (Trabalho original proferido em 1957-58).<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Apresenta\u00e7\u00e3o ocorrida em 12 de setembro de 2023 no interior da programa\u00e7\u00e3o das 60\u00aa Li\u00e7\u00f5es Introdut\u00f3rias \u00e0 Psican\u00e1lise do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuscrito H1 Elisa Alvarenga A.M.E. da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise\/AMP elisalvarenga@gmail.com Resumo: O \u201cManuscrito H\u201d, enviado por Freud a Fliess em 1895, \u00e9 situado entre os textos em que Freud pensa as psicoses, no plural, entre as neuropsicoses de defesa, no final do s\u00e9culo XIX. Freud percebe que o mecanismo das psicoses difere do recalque&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57702,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-2121","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-32","category-34","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2121"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2121\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57703,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2121\/revisions\/57703"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}