{"id":2142,"date":"2024-02-18T18:08:49","date_gmt":"2024-02-18T21:08:49","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=2142"},"modified":"2025-12-01T11:45:17","modified_gmt":"2025-12-01T14:45:17","slug":"eutanasia-entre-demanda-e-desejo1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2024\/02\/18\/eutanasia-entre-demanda-e-desejo1\/","title":{"rendered":"Eutan\u00e1sia: entre demanda e desejo"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"color: #333399;\">Eutan\u00e1sia: entre demanda e desejo<a style=\"color: #333399;\" href=\"\/revista_almanaque\/#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>1<\/sup><\/a><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>Araceli Teixid\u00f3<br \/>\n<\/strong>Psicanalista, membro da Escuela Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis\/AMP<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">Professora do Instituto do Campo Freudiano da Espanha<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">Coordenadora da Rede Psican\u00e1lise e Medicina<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"mailto:araceliteixido@gmail.com\">araceliteixido@gmail.com<\/a><\/span><\/p>\n<blockquote><p><strong>Resumo:<\/strong> A nova lei de regulamenta\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia na Espanha nos faz trabalhar a diferen\u00e7a entre demanda e desejo, bem como a relev\u00e2ncia do ato do profissional ao dar sua resposta. Na pr\u00e1tica, a resposta negativa tem sido considerada como obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia do m\u00e9dico e sup\u00f5e o fim do relacionamento com o paciente. Este trabalho prop\u00f5e que possa ser dada uma resposta negativa sem pressupor o fim do relacionamento com o paciente. Discute-se tamb\u00e9m a aceita\u00e7\u00e3o literal das demandas: quando a decis\u00e3o do paciente \u00e9 tida como um dado e o trabalho do m\u00e9dico como a verifica\u00e7\u00e3o dos requisitos para acesso ao procedimento.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> eutan\u00e1sia; demanda; desejo; ato; obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>EUTHANASIA: BETWEEN DEMAND AND DESIRE<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Abstract:<\/strong> The new euthanasia regulation law in Spain prompts us to explore the distinction between demand and desire, as well as the relevance of the professional&#8217;s actions when giving their response. In practice, a negative response has been considered a conscientious objection by the physician, leading to the termination of the relationship with the patient. This study suggests that a negative response can be given without presupposing the end of the relationship with the patient. The literal acceptance of demands is also discussed: when the patient&#8217;s decision is taken as given and the doctor&#8217;s work as verifying the requirements for access to the procedure.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Keywords: <\/strong>euthanasia; demand; desire; act; conscientious objection.<\/p><\/blockquote>\n<p><em><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/CF027956-scaled.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"886\" data-large_image_height=\"1002\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2640\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/CF027956-1010x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"507\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Este texto realiza-se a partir de minhas pr\u00f3prias elabora\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o seria poss\u00edvel sem as elabora\u00e7\u00f5es de outros que pesquisaram comigo, especialmente psicanalistas da ELP e da AMP, mas tamb\u00e9m m\u00e9dicos e outros profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade que caminham conosco neste terreno incerto que \u00e9 a fronteira entre a psican\u00e1lise e a medicina.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia alcan\u00e7ou avan\u00e7os que levam a vida mais al\u00e9m do que seria desej\u00e1vel, mesmo para vidas que podem n\u00e3o ser desej\u00e1veis. Isso abre para a decis\u00e3o de ter que frear a deriva, parar o processo terap\u00eautico, para n\u00e3o chegar a esses extremos em que prolongar a vida n\u00e3o faz sentido. Isso tem sido trabalhado pelo Estado espanhol h\u00e1 anos e algumas f\u00f3rmulas foram alcan\u00e7adas para limitar a viol\u00eancia terap\u00eautica. Essas vias eram legais, porque a morte era causada pela doen\u00e7a, mesmo quando ocorria por recusa do paciente em receber a medica\u00e7\u00e3o eficaz. Tanto a eutan\u00e1sia, quanto o suic\u00eddio assistido, eram pun\u00edveis. Os casos que foram regulamentados com a nova lei s\u00e3o aqueles em que \u00e9 solicitada a interven\u00e7\u00e3o de um profissional para poder morrer, sem que o paciente se encontre em estado agonizante ou terminal.<\/p>\n<p>Em todos os casos, compete ao m\u00e9dico a decis\u00e3o de aceitar ou n\u00e3o a demanda e avaliar se a falta de desejo \u00e9 decorrente de fatores irrevers\u00edveis ou se \u00e9 transit\u00f3ria. Para isso ser\u00e1 necess\u00e1rio conversar com o paciente e decidir. No entanto, tal como foi disposto na Espanha, ao m\u00e9dico \u00e9 solicitado apenas verificar se os requisitos est\u00e3o preenchidos ou n\u00e3o. Nesse sentido, alguns profissionais tomam a decis\u00e3o do paciente como um dado objetivo e, portanto, como uma afirma\u00e7\u00e3o incontest\u00e1vel.<\/p>\n<p>A eutan\u00e1sia diz respeito a um real. O m\u00e9dico, formado para procurar o bem do paciente no sentido de melhorar sua sa\u00fade ou ajud\u00e1-lo a enfrentar os sofrimentos que a doen\u00e7a ou a pr\u00f3pria vida podem acarretar, se depara com uma demanda que sai totalmente do roteiro previsto e, mais ainda, o orienta a um ato que contradiz aquilo para o qual se formou e que orientou sua voca\u00e7\u00e3o. Acolher a demanda de receber a morte e ser aquele que ter\u00e1 que execut\u00e1-la se apresenta como um real, como algo que n\u00e3o se pode antecipar simb\u00f3lica ou imaginariamente, que pode confront\u00e1-lo com uma experi\u00eancia singular para a qual sente que n\u00e3o disp\u00f5e de recursos.<\/p>\n<p>Historicamente, o suic\u00eddio foi rejeitado pela legisla\u00e7\u00e3o e pela moral. Em diversos pa\u00edses e momentos, cometer suic\u00eddio foi condenado moralmente e penalizado legalmente. Por exemplo, um suicida poderia perder o direito a ser enterrado em terra sagrada, seu cad\u00e1ver n\u00e3o era merecedor de cuidados ou poderia legalmente perder todos os seus bens, isto \u00e9, n\u00e3o seriam deixados como heran\u00e7a aos seus descendentes.<\/p>\n<p>Embora essas penas tenham desaparecido do c\u00f3digo legal espanhol, n\u00e3o desapareceu a criminaliza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia ao suic\u00eddio. O que a legisla\u00e7\u00e3o atual disp\u00f5e n\u00e3o \u00e9 da legaliza\u00e7\u00e3o, mas, sim, da descriminaliza\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio a morrer em determinados casos, que s\u00e3o os que a legisla\u00e7\u00e3o indica.<\/p>\n<p>Considero que essa legisla\u00e7\u00e3o constitui, ent\u00e3o, um avan\u00e7o jur\u00eddico, mas tamb\u00e9m \u00e9tico, ao suprimir o ju\u00edzo moral a respeito do desejo de acabar com a pr\u00f3pria vida. Com essa lei, se reduz o ju\u00edzo moral, e o dilema \u00e9tico passaria para as m\u00e3os do paciente e de seu m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O ato de morrer n\u00e3o pode ser reduzido a um procedimento burocr\u00e1tico. Despojar a demanda de morrer de \u00a0um ju\u00edzo moral n\u00e3o precisa ser sin\u00f4nimo de simplesmente aceit\u00e1-la porque est\u00e3o preenchidos os requisitos ou porque o profissional sente empatia com o sofrimento do paciente. A\u00ed est\u00e1 um dos espa\u00e7os fronteiri\u00e7os que exploraremos hoje. A cl\u00ednica nos convoca. Por isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio observar como se considera e se trata a demanda do paciente.<\/p>\n<p><em>Quest\u00f5es que definem a lei do estado espanhol<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>A lei que regulamente e descriminaliza a eutan\u00e1sia na Espanha, conhecida como Ley Org\u00e1nica 3\/2021, foi aprovada em mar\u00e7o de 2022 e entrou em vigor tr\u00eas meses depois, em junho. A eutan\u00e1sia \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0quelas situa\u00e7\u00f5es em que uma pessoa manifesta vontade expressa de p\u00f4r fim \u00e0 sua vida com o objetivo de evitar o \u201cpadecimento grave, cr\u00f4nico e incapacitante\u201d provocado por uma \u201cdoen\u00e7a grave e incur\u00e1vel\u201d. Um exemplo que est\u00e1 ao alcance de todos \u00e9 o filme <em>Mar adentro<\/em>, de Alejandro Amenabar (MAR&#8230;, 2004).<\/p>\n<p>Trata-se de um procedimento protocolizado que deixa uma margem de decis\u00e3o ao profissional, mas que ser\u00e1 avaliado, endossado ou n\u00e3o, por outros: na Catalunha, interv\u00eam um m\u00e9dico consultor, e todos os casos passam por um Comit\u00ea de Garantia e Avalia\u00e7\u00e3o. O procedimento foi desenhado para assegurar um controle <em>anterior<\/em> \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o efetiva da eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p>Finalmente, gostaria de destacar a quest\u00e3o da obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia. Como sabem, trata-se da possibilidade de n\u00e3o ser convocado a participar nesses casos, em raz\u00e3o das convic\u00e7\u00f5es morais contr\u00e1rias \u00e0 eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><em>A lei n\u00e3o orienta a cl\u00ednica nem o ato<\/em><\/p>\n<p>A lei n\u00e3o orienta a cl\u00ednica nem o ato, apenas estabelece o marco legal. Os m\u00e9dicos t\u00eam se esfor\u00e7ado em conhecer os aspectos legais, tem havido muita forma\u00e7\u00e3o nesse \u00e2mbito, que certamente tem que ser conhecido e constitui um primeiro v\u00e9u diante do real, mas sabemos que, se o mantivermos somente nesse n\u00edvel, a ang\u00fastia do m\u00e9dico pode ficar escondida sob essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Em um dos espa\u00e7os convocados pelo Departamento de Sa\u00fade do Governo da Catalunha, chamou-me muito a aten\u00e7\u00e3o a pergunta que um m\u00e9dico fez ao professor: \u201c<em>posso me opor em um \u00fanico caso?<\/em>\u201d. Perguntei-me o que seria opor-se em um \u00fanico caso. O professor respondeu-lhe em termos legais. A orienta\u00e7\u00e3o do Departamento de Sa\u00fade indica que existem outros mecanismos para recusar-se a intervir em um \u00fanico caso sem que seja necess\u00e1rio ser objetor, como o conflito de interesses \u2013 isto \u00e9, a recusa a atuar por outros motivos, tais como a proximidade pessoal com o paciente \u2013, ou, tamb\u00e9m, coloca-se como exemplo que o m\u00e9dico possa sentir-se desconfort\u00e1vel se considera que pode haver solu\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas.<a href=\"\/revista_almanaque\/#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> H\u00e1, ali, uma confus\u00e3o.<\/p>\n<p>Se dizer \u201cn\u00e3o\u201d implica em ser objetor de consci\u00eancia e retirar-se do caso, colocado assim implica que se faz necess\u00e1rio responder \u201csim\u201d a todas as solicita\u00e7\u00f5es nas quais estejam preenchidos os requisitos, deixando o m\u00e9dico como mero executor da lei. Nessa opera\u00e7\u00e3o, a demanda \u00e9 reduzida a um dado objetivo, fechando o acesso ao desejo e ao poss\u00edvel trabalho da demanda. Essa quest\u00e3o me interessou porque me parece que o \u201cn\u00e3o\u201d nos permite pensar no ato do m\u00e9dico com mais clareza.<\/p>\n<p>Minha tese principal para o trabalho de hoje \u00e9 que o fato de que n\u00e3o se proponha que o m\u00e9dico possa dizer \u201cn\u00e3o\u201d e continuar vinculado ao paciente elimina a dimens\u00e3o do ato de sua interven\u00e7\u00e3o. Se dizer \u201cn\u00e3o\u201d significa retirar-se do caso, para que serviria o m\u00e9dico? Por isso, considero de m\u00e1ximo interesse estudar aqueles casos em que o m\u00e9dico efetivamente decide que n\u00e3o deve ser praticada a eutan\u00e1sia e como ele declina a dar continuidade do tratamento com o paciente.<\/p>\n<p><em>A obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia ou o ato de dizer n\u00e3o <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Dizer \u201csim\u201d \u00e9 um ato, mas ao apoiar a demanda do sujeito costuma ser mais f\u00e1cil esquecer-se disso. Dizer \u201cn\u00e3o\u201d tamb\u00e9m \u00e9 um ato, mas, ao se opor \u00e0 demanda do sujeito, coloca-se em jogo com mais for\u00e7a a posi\u00e7\u00e3o do profissional e a necessidade de administrar aspectos do caso que comprometem no \u00e2mbito da rela\u00e7\u00e3o entre profissional e paciente.<\/p>\n<p>Um dos limites da decis\u00e3o do m\u00e9dico \u00e9 o da lei, mas, nesse marco, a decis\u00e3o lhe corresponde como agente. Estar diante de uma solicita\u00e7\u00e3o de eutan\u00e1sia n\u00e3o deveria significar realizar um procedimento administrativo ou legal, n\u00e3o se pode reduzir a quest\u00e3o a apenas verificar o preenchimento dos requisitos. Foi dado a esse procedimento o nome de <em>Presta\u00e7\u00e3o de Aux\u00edlio para Morrer<\/em>, conferindo ao ato um car\u00e1ter administrativo, como se fosse da mesma natureza a <em>presta\u00e7\u00e3o<\/em> do aux\u00edlio financeiro que se d\u00e1 a uma pessoa desempregada. Suponho que essa denomina\u00e7\u00e3o est\u00e1 de acordo com a decis\u00e3o de n\u00e3o julgar moralmente o desejo de querer acabar com a pr\u00f3pria vida, ignorando que qualquer outro significante escolhido tamb\u00e9m se apoiar\u00e1 sobre uma vertente moral, uma moral vazia pr\u00f3pria ao capitalismo, que foraclui o gozo e deixa os sujeitos reduzidos a dados, em conson\u00e2ncia com a ideologia autonomista. Sup\u00f5e-se, assim, eliminar tamb\u00e9m a ang\u00fastia do m\u00e9dico quando se afirma que o paciente sabe o que diz e o que quer e o m\u00e9dico apenas deve decidir se aceita ou n\u00e3o sua demanda. Felizmente, o real n\u00e3o se elimina, se desloca. A quest\u00e3o \u00e9 que esse real possa ser recolhido e trabalhado em algum lugar.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico que se responsabiliza por seu ato escuta ou procura escutar cada demanda em sua singularidade e avalia com o paciente o pedido, podendo dizer \u201csim\u201d ou \u201cn\u00e3o\u201d, ou propor outras solu\u00e7\u00f5es ao paciente: podem ser oferecidos cuidados paliativos, mas tamb\u00e9m pode-se adiar a conclus\u00e3o oferecendo uma nova sess\u00e3o, tal como os \u00a0psicanalistas.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ver como declinam-se as negativas, como se chega a elas. Se o m\u00e9dico considera que n\u00e3o se deve dar continuidade ao pedido, ele ir\u00e1 se retirar do caso? Se ficar, qual sentido ter\u00e1 esse \u201cn\u00e3o\u201d? Tornar-se-\u00e1 um ato?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tenho a impress\u00e3o, pelas conversas tidas com diversos colegas, de que, quando o m\u00e9dico diz \u201cn\u00e3o\u201d e o paciente o aceita, o caso n\u00e3o entra na considera\u00e7\u00e3o de solicita\u00e7\u00e3o de eutan\u00e1sia. Deveriam ser inclu\u00eddos? N\u00e3o sei, porque se n\u00e3o \u00e9 inclu\u00eddo, n\u00e3o se contabiliza, mas, por outro lado, evita-se fixar algo dessa solicita\u00e7\u00e3o que certamente n\u00e3o conv\u00e9m fixar. A meu ver, acredito que \u00e9 especialmente importante trabalhar esses casos, isto \u00e9, lev\u00e1-los em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estou prestes a iniciar um pequeno grupo de trabalho sobre esses casos com m\u00e9dicos e enfermeiros que participam do processo de eutan\u00e1sia em Barcelona. Espero que nos sirva para aprender a partir da experi\u00eancia.<\/p>\n<p><em>O ideal da autonomia do sujeito esconde o fracasso da comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>O discurso autonomista choca-se com a psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, pela qual operamos a partir do lugar daquele a quem se dirige a palavra, partindo da premissa de um sujeito n\u00e3o t\u00e3o aut\u00f4nomo, pois \u00e9 dependente do corpo e do Outro (FREUD, 1930 [1929]\/1986, p. 66-67).<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9 a mat\u00e9ria-prima da psican\u00e1lise. Contudo, no del\u00edrio autonomista, a palavra n\u00e3o se pensa dependente de um desejo, mas sim que o discurso pertence a cada sujeito e que ele tem o direito a que ningu\u00e9m o int\u00e9rprete. Qualquer interfer\u00eancia ser\u00e1 vivida como uma intromiss\u00e3o paternalista.<\/p>\n<p>Assim, o discurso fica desvinculado do Outro e ao m\u00e9dico n\u00e3o \u00e9 dado nenhum poder de interpretar o dito. Perguntar geralmente sup\u00f5e uma d\u00favida a respeito do ju\u00edzo de quem fala, seja este o paciente ou o m\u00e9dico. Por isso, se o paciente disse que sente dor, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio questionar: ou acredita-se nele e atua-se em consequ\u00eancia, prescrevendo uma analgesia, ou bem n\u00e3o se acredita nele e abandona-se ele na suposi\u00e7\u00e3o de quem mente e \u201capenas\u201d quer chamar a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A deriva autonomista impede uma verdadeira conversa\u00e7\u00e3o e, portanto, impede o acesso ao desejo. Se a dor \u00e9 recebida como um dado, a respeito do qual o m\u00e9dico dir\u00e1 \u201cverdadeiro ou falso\u201d, elide-se toda a dimens\u00e3o do gozo, esquece-se que <em>dor<\/em> \u00e9 um nome do gozo e que \u00e0s vezes une \u00e0 vida, mesmo que seja de uma maneira ruim, pois h\u00e1 ali nela uma forma de elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pensa-se uma divis\u00e3o entre sofrimento f\u00edsico e sofrimento ps\u00edquico \u2013 dividem-se as demandas de eutan\u00e1sia entre aquelas que correspondem a doen\u00e7as f\u00edsicas e as de sa\u00fade mental \u2013, sendo o f\u00edsico o verdadeiro e o ps\u00edquico, o duvidoso. Esquece-se que, no ser falante, tal distin\u00e7\u00e3o \u00e9, em certo sentido, arbitr\u00e1ria. De acordo com a lei, um sofrimento f\u00edsico ou um diagn\u00f3stico concreto n\u00e3o s\u00e3o motivo para aceitar a demanda da eutan\u00e1sia: deve ser irrevers\u00edvel ou insuport\u00e1vel. Essas dimens\u00f5es n\u00e3o t\u00eam sentido a n\u00e3o ser no dom\u00ednio do <em>falasser<\/em>, como gozo. Parece-me muito importante distinguir essa dimens\u00e3o na demanda de eutan\u00e1sia. N\u00e3o se trata do insuport\u00e1vel para qualquer um, mas, sim, do insuport\u00e1vel para um. Nem todos os pacientes com a mesma doen\u00e7a no mesmo est\u00e1gio demandam a morte. Nunca \u00e9 a mesma dor. Caso contr\u00e1rio, bastar\u00e1, como acontece com o profissional que considere que tal sofrimento \u00e9 insuport\u00e1vel, que aceite a demanda sem mais delongas.<\/p>\n<p>Lembro-me da express\u00e3o do m\u00e9dico Marc Broggi (2011, p. 156) a respeito do que acontece quando se recolhe uma demanda em sua literalidade, por estar de acordo com o texto da lei. Ele diz que isso \u00e9 \u201cabandonar o paciente aos seus direitos\u201d.<\/p>\n<p>As demandas recolhem e encobrem o sofrimento e com elas pede-se uma solu\u00e7\u00e3o. Por isso, nem sempre s\u00e3o claras, nem sempre s\u00e3o exatamente o que se pretendia dizer, inclusive quando s\u00e3o formuladas com clareza. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio question\u00e1-las, para que possam ser ditas de uma maneira melhor.<\/p>\n<p>Como pontua Hoornaert (2003, p. 96), na realidade a qualifica\u00e7\u00e3o de insuport\u00e1vel n\u00e3o se baseia apenas na avalia\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo aut\u00f4nomo, mas est\u00e1 <em>contaminada de paternalismo<\/em>, tendo em vista que \u00e9 o m\u00e9dico quem decide sobre o insuport\u00e1vel. Mas quando o m\u00e9dico se limita a verificar os requisitos, sup\u00f5e-se que, ao dizer \u201csim\u201d, nada do seu desejo est\u00e1 em jogo, porque a opera\u00e7\u00e3o da medicina atual tenta eliminar da equa\u00e7\u00e3o o desejo do m\u00e9dico. Por esse motivo, todo ato que n\u00e3o se limite a considerar exclusivamente o ju\u00edzo do paciente \u00e9 <em>habitado por uma sombra de libertic\u00eddio<\/em> (HOORNAERT, 2023, p. 96). Um atentado \u00e0 liberdade do sujeito.<\/p>\n<p>De fato, poder\u00edamos concordar, pois qual ferramenta tem o m\u00e9dico n\u00e3o analisado para evitar sugestionar o paciente? Os psicanalistas tamb\u00e9m acreditam que o paciente deve tomar sua decis\u00e3o n\u00e3o influenciado por n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que na medicina as decis\u00f5es dos pacientes s\u00e3o tidas como dados que entram em um algoritmo, e n\u00e3o como manifesta\u00e7\u00f5es de dor, de medo, de ang\u00fastia. J\u00e1 a psican\u00e1lise considera que todos esses afetos influenciam na decis\u00e3o do paciente e o deixam em uma situa\u00e7\u00e3o de falta de autonomia e de vulnerabilidade que fazem imprescind\u00edvel n\u00e3o o deixar sozinho no processo de decidir.<\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia dessa maneira de agir, a decis\u00e3o de morrer pode ser entendida como a firme decis\u00e3o de morrer quando o pr\u00f3prio m\u00e9dico tem a convic\u00e7\u00e3o de que a dor do paciente \u00e9 insuport\u00e1vel. A psican\u00e1lise considera qu\u00e3o insuport\u00e1vel pode ser para um sujeito, e tamb\u00e9m para o m\u00e9dico, suportar a dor do outro, especialmente quando se \u00e9 o destinat\u00e1rio da demanda. A obriga\u00e7\u00e3o de viver bem, que determina nossa \u00e9poca, deixa no esquecimento que viver \u00e9 dif\u00edcil, que h\u00e1 quem n\u00e3o consiga faz\u00ea-lo e que \u00e9 condenado a n\u00e3o ser mais do que um resto se n\u00e3o lhe for permitido falar bem. A obriga\u00e7\u00e3o de viver bem d\u00e1 as costas \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o do bem dizer (LACAN, 1973\/2012, p. 558) que promovemos, o que sup\u00f5e deixar o sujeito sozinho com seu gozo.<\/p>\n<p>Na ideologia autonomista, fazer falar, perguntar, \u00e9 duvidar da palavra, \u00e9 duvidar da capacidade do paciente. Paradoxalmente, isso deixa o pacienta \u00e0 merc\u00ea de uma decis\u00e3o que o exclui. Ao contr\u00e1rio, no discurso do analista, perguntar \u00e9 devolver ao sujeito sua capacidade de responder e fazer-se respons\u00e1vel por suas palavras.<\/p>\n<p><em>Dizer n\u00e3o, introduzir a conversa\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Freud (1915\/1984, p. 301), com suas palavras \u201cse quiseres suportar a vida, prepara-te para a morte\u201d, nos encoraja a entender que a demanda de receber a morte deve ser considerada pelo real que cont\u00e9m em seu seio.<\/p>\n<p>Leonora Troianovski, colega da ELP, me contou o caso em que uma mulher pedia a eutan\u00e1sia depois da morte de sua pequena filha em um acidente. A m\u00e9dica disse rapidamente que n\u00e3o procederia essa demanda, mas, ao mesmo tempo, acolheu o real que emergia dessas palavras: a morte de um filho \u2013 como viver depois disso? Cada um dever\u00e1 encontrar seu caminho, em solid\u00e3o, mas acompanhado de algu\u00e9m que possa acolher seu sofrimento e suas palavras. Algu\u00e9m que possa esperar e dar tempo. At\u00e9 que se produzam ou se reconhe\u00e7am outras \u00e2ncoras para a vida.<\/p>\n<p>Da minha parte, assisti a um caso no qual propor a eutan\u00e1sia como horizonte surgiu como rem\u00e9dio para acalmar o sofrimento de um paciente bem idoso em um momento de perda do controle transit\u00f3rio das fun\u00e7\u00f5es corporais, \u00e0 qual sucedeu uma tentativa de suic\u00eddio. Contudo, o paciente n\u00e3o pode dialetizar sua experi\u00eancia naquele momento e passou ao ato suicida. J\u00e1 no hospital, a escuta o tranquilizou, revelando as dificuldades sofridas, mas tamb\u00e9m seus la\u00e7os com a vida. N\u00e3o proponho sugerir a eutan\u00e1sia como possibilidade futura como a melhor solu\u00e7\u00e3o no caso de se chegar a uma situa\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel, mas foi a que pode ser realizada naquele momento e que tranquilizou o paciente no sentido de dar-lhe um sentimento de controle, que lhe permitia continuar vivendo.<\/p>\n<p>Durante esse trabalho, outro profissional interpretou esse desejo de morrer como uma demanda de morrer e j\u00e1 se disponibilizava a processar a solicita\u00e7\u00e3o de eutan\u00e1sia. N\u00e3o teve seguimento, mas \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o do enlouquecimento extremo que \u00e0s vezes se produz na situa\u00e7\u00e3o de uma leitura literal da passagem ao ato. Oferecer a eutan\u00e1sia a uma pessoa suicida n\u00e3o \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o a ser considerada (JOVELET, 2023). Cada vez h\u00e1 mais suic\u00eddios entre pessoas idosas, o que nos confronta com quest\u00f5es a respeito da qualidade dos nossos cuidados.<\/p>\n<p>Por outro lado, e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 demanda de eutan\u00e1sia, tamb\u00e9m deve ser considerado que tal demanda de pedir pela morte e sua aceita\u00e7\u00e3o podem introduzir um limite ao sofrimento que permita situar-se novamente na vida (ANSERMET, 2023, p. 91). N\u00e3o \u00e9 rara a proposta que alguns pacientes fazem de adiar a realiza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia depois de j\u00e1 ter sido aprovada. Nesse caso, eles mesmo pronunciam o \u201cn\u00e3o\u201d, uma vez que j\u00e1 foi aprovada sua demanda. Saber que \u00e9 poss\u00edvel ter certo controle sobre o sofrimento ajuda a suport\u00e1-lo.<\/p>\n<p><em>A posi\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Por fim, e no cerne da quest\u00e3o, a cl\u00ednica da eutan\u00e1sia tamb\u00e9m atinge o pr\u00f3prio m\u00e9dico em sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica. Assim, para abordar os aspectos cl\u00ednicos e \u00e9ticos, aspectos que dizem respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre profissional e paciente, no ano passado propusemos dois espa\u00e7os na Rede Psican\u00e1lise e Medicina,<a href=\"\/revista_almanaque\/#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> aos quais se juntaram muitos profissionais da sa\u00fade. Um primeiro espa\u00e7o, em junho de 2022, no qual trabalhamos a partir de um texto de refer\u00eancia,<a href=\"\/revista_almanaque\/#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a> e uma jornada, em dezembro de 2022, a partir de uma conversa entre alguns m\u00e9dicos e psicanalistas que introduziram suas reflex\u00f5es, d\u00favidas e medos a respeito dos primeiros casos recebidos.<a href=\"\/revista_almanaque\/#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>Em um desses espa\u00e7os, um m\u00e9dico questiona-se a respeito da influ\u00eancia que pode haver \u00a0para o paciente se for oferecida a eutan\u00e1sia como uma das possibilidades diante da situa\u00e7\u00e3o que o acomete, pois nem todos os pacientes est\u00e3o informados de que esse benef\u00edcio existe na carteira de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Parece-me uma boa quest\u00e3o que deve ser esclarecida, como esclarece-se a inc\u00f3gnita nas equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas. Na demanda de eutan\u00e1sia, est\u00e1 em jogo a quest\u00e3o da pergunta pelo desejo do outro. Atualmente, se pensa a vida em termos de utilidade, e muitos pacientes, ao ver chegar a fase final de sua vida, dizem para si e para n\u00f3s: \u201c<em>n\u00e3o sirvo para nada<\/em>\u201d. Isso pode ter sido dito tamb\u00e9m em outras \u00e9pocas, mas, no contexto atual, o paciente pode ver-se reduzido a n\u00e3o ser mais do que uma despesa, quest\u00e3o que se agrava pela falta de tempo das fam\u00edlias para estarem ao seu lado.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e0s vezes, o pedido de eutan\u00e1sia pode ser a verifica\u00e7\u00e3o do desejo do outro, uma pergunta a respeito sobre se, apesar da depend\u00eancia, ainda se \u00e9 amado. Por isso, me parece extremamente importante que n\u00e3o seja considerado objetor quem considera que deve dizer que n\u00e3o autoriza a pr\u00e1tica da eutan\u00e1sia. N\u00e3o deve se ver obrigado a se retirar do caso, mas deve poder continuar para sustentar seu ato.<\/p>\n<p>Para concluir, da mesma maneira que n\u00e3o considerar\u00edamos o desejo de matar o outro levianamente nem como algo a ser discutido, conv\u00e9m n\u00e3o se colocar inteiramente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o diante da demanda de receber a morte. Hoornaet (2023, p. 99) sugere, inclusive, n\u00e3o aprofundar o assunto, pois se trata de uma tend\u00eancia a ser contida. Ou seja, \u00e0s vezes n\u00e3o se trata de fazer falar sobre isso, mas sim do contr\u00e1rio, de fazer calar.<\/p>\n<p>Acontece que, na psiquiatria, o diagn\u00f3stico de incurabilidade levaria a poder praticar a eutan\u00e1sia de maneira absolutamente louca. Repensar a psicose como uma posi\u00e7\u00e3o pessoal, e n\u00e3o como doen\u00e7a, d\u00e1 outra dimens\u00e3o ao seu tratamento. Tamb\u00e9m d\u00e1 espa\u00e7o a repensar o papel do psiquiatra que, hoje, em muitos casos, est\u00e1 alinhado com a promessa terap\u00eautica e pode esquecer o papel testemunhal e de acompanhamento que lhe cabe (DEWAMBRECHIES-LA SAGNA, 2018, p. 11).<\/p>\n<p>Da minha parte, e considerando que minha \u00e1rea \u00e9 a sa\u00fade f\u00edsica e n\u00e3o a sa\u00fade mental, parece-me importante que o paciente possa sentir sempre que sua demanda \u00e9 acolhida por aquilo que nela circula do sofrimento, do mal-estar de viver, portanto, do gozo, e que est\u00e1 ligado a uma palavra. Acredito que \u00e9 o que se obt\u00e9m das vinhetas aqui apresentadas.<\/p>\n<p>Como sempre, o trabalho que fazemos na intersec\u00e7\u00e3o entre a psican\u00e1lise e a medicina nos leva a questionar a respeito da fun\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico. O impulso a curar tudo leva ao ponto de limite da impot\u00eancia da medicina equiparada \u00e0 ci\u00eancia onipotente e elimina o resto que permitiria continuar trabalhando.<\/p>\n<p>Na \u00e9tica m\u00e9dica, a reflex\u00e3o somente deve surgir diante dos casos tamb\u00e9m nos processos de eutan\u00e1sia. Como na psican\u00e1lise, a revis\u00e3o do ato deveria ser posterior. Do contr\u00e1rio, sustentaremos que \u00e9 poss\u00edvel controlar o ato antes, que \u00e9 poss\u00edvel eliminar o real da morte.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui chegam as elabora\u00e7\u00f5es que consegui articular para trabalhar hoje. \u00c9 dif\u00edcil estar \u00e0 fronteira do processo de atender solicita\u00e7\u00f5es de eutan\u00e1sia, h\u00e1 um real em jogo.<\/p>\n<p>O incalcul\u00e1vel est\u00e1 sempre presente, para o profissional, para o paciente e para sua fam\u00edlia. N\u00e3o se pode prever os efeitos que o ato ter\u00e1 sobre si mesmo. E me parece que \u00e9 aconselh\u00e1vel deixar permanentemente em aberto algo a esse respeito, impedindo que se feche precipitadamente. O trabalho sobre o pr\u00f3prio inconsciente e sobre a cl\u00ednica dos casos \u00e9 o caminho.<\/p>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Victoria Carm\u00edn Musachi<br \/>\n<strong>Revis\u00e3o:<\/strong> Patr\u00edcia Ribeiro<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>ANSERMET, F. Une mort prescrite. <em>Mental. Revue International de Psychanalyse<\/em>, n. 47, p. 89-94, 2023.<\/h6>\n<h6>BROGGI, M.-A. <em>Per una mort apropiada.<\/em> Barcelona: Edicions 62, 2011.<\/h6>\n<h6>DEWAMBRECHIES-LA SAGNA, C. (2018). Les choses qui importen. Em G. Briole, <em>Comment s&#8217;orienter dans la clinique<\/em> (p. 11-12). Par\u00eds: Le Champ Freudien \u00c9diteur.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. De guerra y muerte. Temas de actualidad. In: <em>Obras Completas<\/em>. Vol. XIV. Buenos Aires: Amorrortu, 1984, p. 273-303. (Trabalho original publicado em 1915).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. El malestar en la cultura. In: <em>Obras Completas<\/em>. Vol. XXI. Buenos Aires: Amorrortu, 1986, p. 58-140. (Trabalho original publicado em 1930 [1929]).<\/h6>\n<h6>HOORNAERT, G. Euthanasie pour souffrance psychique insupportable. <em>Mental \u2013 Revue Internationale de Psychanalyse<\/em>, n. 47, p. 95-103, 2023.<\/h6>\n<h6>JOVELET, G. Mouirir au XXIe. si\u00e8cle. Place du suicide et de ses \u00e9quivalents chez la personne \u00e2g\u00e9e. <em>Mental<\/em>, n. 47, p. 110-117, 2023.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. Televisi\u00f3n. In: <em>Otros escritos<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012, p. 535-572. (Trabalho original proferido em 1973).<\/h6>\n<h6><strong>\u00a0<\/strong>MAR Adentro. Dire\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?sca_esv=599810411&amp;sxsrf=ACQVn0-j08lL6qjlMaVBQHQ-mpknrdPrcQ:1705676843325&amp;q=Alejandro+Amen%C3%A1bar&amp;si=AKbGX_oBDfquzodaRrfbb9img4kPQ4fCBZjeqAiaW1svvC8uXlCEQ6oX-lguW3ACRjW61X5B5ndJa1D3PuDI-q-GKSx9a4kbHs5Bp3Pcj41NFfAD4rnWkeBv8KLczHmwsHFEBm3FYReCKcTW_86L7IHg9Ptum7eVSGY70pl3RjSmx_mqeE4dAZypiredjzk-iWZ2MKtUtkXEE6wVOS7E7o2wcvlZLmv8pQ%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjf_-Oy3emDAxWFp5UCHdQPBHEQmxMoAHoECCoQAg\">Alejandro Amen\u00e1bar<\/a>. Espanha, It\u00e1lia, Fran\u00e7a: \u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?sca_esv=599810411&amp;sxsrf=ACQVn0-j08lL6qjlMaVBQHQ-mpknrdPrcQ:1705676843325&amp;q=20th+Century+Studios&amp;si=AKbGX_oBDfquzodaRrfbb9img4kPQ4fCBZjeqAiaW1svvC8uXkxzF74V9YUekZqRqYR2_bQhsaL3w2LK19NTqm2lfDQGzqZnoC1OiwwwWz4bSd0Bj1jgCpChaDjILY2egCRt4aHW4tDKmSP4kXoptNWaRR_ap-77slGtno9JTn7WI6c1f_XrFBsb1DMgOwHOfNMtDoX1WRDvH26WDy4ynHx0vf0qKZSbUxpy8ztSvi8o_UjYHwiRD_K3GtxA2ZZhFDazhIZi2dDKNs2E44c59BEczRsQzLiN-jKoBVY4CrS2vwgA5_Hqpv0%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjf_-Oy3emDAxWFp5UCHdQPBHEQmxMoAHoECCcQAg\">20th Century Studios<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?sca_esv=599810411&amp;sxsrf=ACQVn0-j08lL6qjlMaVBQHQ-mpknrdPrcQ:1705676843325&amp;q=Fine+Line+Features&amp;si=AKbGX_oBDfquzodaRrfbb9img4kPQ4fCBZjeqAiaW1svvC8uXh85Sz-jNXNs7BKC1cxIg6yYnr6r9sYbtY1b2MDavpGGEtDeFGviscrXOV8z4NYoKvZSG5k_8IWvoaY-VgHHirkF8pj8CXhw3BTahK8fZf8DE8DHj9m7e9KAkMeQe5ZGLZKTT17NwdPKuI8y5DE7bKYWB88vzHeBFwSHO3ECJ86w7XuB6TWhvNnUaeBcn_69h2fA-vUMKE2nJ_vhcU5XdJodI47ma9TPM-idpyUxJMmTIZGjwA%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjf_-Oy3emDAxWFp5UCHdQPBHEQmxMoAXoECCcQAw\">Fine Line Features<\/a>, 2004.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[<\/a><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">1]<\/a> Texto apresentado no N\u00facleo de Pesquisa e Investiga\u00e7\u00e3o em Psican\u00e1lise e Medicina, no dia 15\/09\/2023.<\/h6>\n<h6><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Na \u00fanica nota de rodap\u00e9 sobre a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia do Comit\u00ea de Garantias e Avalia\u00e7\u00e3o da Catalunha. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/canalsalut.gencat.cat\/ca\/professionals\/consells-comissions\/comissio-garantia-avaluacio-catalunya\/parers-posicionament\/objeccio-consciencia-pram\">https:\/\/canalsalut.gencat.cat\/ca\/professionals\/consells-comissions\/comissio-garantia-avaluacio-catalunya\/parers-posicionament\/objeccio-consciencia-pram<\/a>. Acesso em: 10 set. 2023.<\/h6>\n<h6><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Red Psicoan\u00e1lisis y Medicina (ICF). Cf.: <a href=\"https:\/\/redpsicoanalisisymedicina.org\/\">https:\/\/redpsicoanalisisymedicina.org\/<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Cf.: <a href=\"https:\/\/redpsicoanalisisymedicina.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Programa-Al-pie-de-la-letra-2022.pdf\">https:\/\/redpsicoanalisisymedicina.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Programa-Al-pie-de-la-letra-2022.pdf<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"\/revista_almanaque\/#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Cf.: <a href=\"https:\/\/redpsicoanalisisymedicina.org\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PROGRAMA-6a-JORNADA-2022.pdf\">https:\/\/redpsicoanalisisymedicina.org\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PROGRAMA-6a-JORNADA-2022.pdf<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eutan\u00e1sia: entre demanda e desejo1 Araceli Teixid\u00f3 Psicanalista, membro da Escuela Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis\/AMP Professora do Instituto do Campo Freudiano da Espanha Coordenadora da Rede Psican\u00e1lise e Medicina araceliteixido@gmail.com Resumo: A nova lei de regulamenta\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia na Espanha nos faz trabalhar a diferen\u00e7a entre demanda e desejo, bem como a relev\u00e2ncia do ato do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57694,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-2142","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-32","category-34","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2142"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2142\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57695,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2142\/revisions\/57695"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}