{"id":215,"date":"2023-08-15T19:24:18","date_gmt":"2023-08-15T22:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=215"},"modified":"2025-12-01T12:52:42","modified_gmt":"2025-12-01T15:52:42","slug":"uma-introducao-ao-amor-transferencia1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2023\/08\/15\/uma-introducao-ao-amor-transferencia1\/","title":{"rendered":"Uma introdu\u00e7\u00e3o ao amor transferencia<sup>[1]<\/sup>\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Renata Mendon\u00e7a<br \/>\n<\/strong>Psicanalista, doutoranda (UFMG), membro da Escola Brasileira de Psicanalise\/AMP<br \/>\n<span id=\"cloak9a8d44578ee035e9a7b9e47d15a00074\"><a href=\"mailto:renatalucindopsi21@gmail.com\">renatalucindopsi21@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>Este artigo apresenta uma releitura de \u201cObserva\u00e7\u00f5es sobre o amor transferencial\u201d (1915[1914]) para abordar as indica\u00e7\u00f5es de Freud sobre o m\u00e9todo psicanal\u00edtico, incluindo no debate tamb\u00e9m alguns autores de nossa \u00e9poca, como Lacan e Miller, mostrando o quanto o texto freudiano \u00e9 contempor\u00e2neo e necess\u00e1rio \u00e0 cl\u00ednica psicanal\u00edtica.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palavras-chave:\u00a0<\/strong>m\u00e9todo psicanal\u00edtico; amor transferencial.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AN INTRODUCTION TO TRANSFERENCE LOVE<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abstract:\u00a0<\/strong>The author rereads the Freudian text \u201cObservations on transference love\u201d (1915 [1914]) to present Freud&#8217;s indications on the psychoanalytic method, also including in the debate some authors of our time, such as Lacan and Miller, showing how much the text Freudian is contemporary and necessary to the psychoanalytic clinic.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0psychoanalytic method; transference love.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_216\" style=\"width: 577px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/amor_transferencial.png\" data-dt-img-description=\"Imagem: Renata Laguardia\" data-large_image_width=\"567\" data-large_image_height=\"500\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-216\" class=\"size-full wp-image-216\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/amor_transferencial.png\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/amor_transferencial.png 567w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/amor_transferencial-300x265.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-216\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Renata Laguardia<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>O problema do amor nos interessa na medida em que<br \/>\n<\/em><em>vai nos permitir compreender o que se passa na transfer\u00eancia<br \/>\n<\/em><em>\u2013 e, at\u00e9 certo ponto, por causa da transfer\u00eancia.<br \/>\n<\/em>(LACAN, 1960-61\/2010, p. 52)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero agradecer \u00e0 diretoria do Instituto e \u00e0s coordenadoras da atividade, L\u00facia Mello e Luciana Silviano Brand\u00e3o, pelo convite. \u00c9 uma boa responsabilidade estar aqui para tentar transmitir algo dos dois textos indicados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para iniciarmos a conversa, fa\u00e7o uso da quest\u00e3o feita por Iannini e Tavares (2017, p. 7) na \u201cApresenta\u00e7\u00e3o\u201d ao livro\u00a0<em>Fundamentos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica<\/em>: \u201cO que separa a Psican\u00e1lise de outras pr\u00e1ticas de cuidado, como o tratamento medicinal, as diversas psicoterapias ou as curas religiosas?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pergunta dif\u00edcil, principalmente nos dias de hoje, em que a certeza desinibida circula e faz la\u00e7o na contemporaneidade, em que o uso da Psican\u00e1lise nos parece indiscriminado nas redes, em que a t\u00e9cnica parece muitas vezes substituir a \u00e9tica. Uma pergunta que precisa ser reatualizada a cada vez, tanto pela necessidade \u00e9tica de verificar as pr\u00e1ticas psicanal\u00edticas, quanto pelas mudan\u00e7as que ocorrem na subjetividade de nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, podemos afirmar que a escolha da Diretoria em estudar os\u00a0<em>Fundamentos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica<\/em>\u00a0\u00e9 essencial, na atualidade, diante das mudan\u00e7as nos la\u00e7os sociais, da constata\u00e7\u00e3o da dilui\u00e7\u00e3o do Outro e de um mundo que precisa ser lido, ou lido de outra maneira, como nos mostra o t\u00edtulo da XXVI Jornada da EBP Se\u00e7\u00e3o Minas, \u201cH\u00e1 algo de novo nas psicoses&#8230; ainda\u201d, e o tema do XI ENAPOL, \u201cCome\u00e7ar a se analisar\u201d. Temas que s\u00e3o atualizados a partir do que h\u00e1 de novo em nossa \u00e9poca, da verifica\u00e7\u00e3o da nossa cl\u00ednica, para que as orienta\u00e7\u00f5es e constru\u00e7\u00f5es n\u00e3o se percam, mantendo assim, o rigor transmitido por Freud e Lacan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa mesma \u201cApresenta\u00e7\u00e3o\u201d, Iannini e Tavares (2017, p. 7) afirmam que os textos ali reunidos \u201cconstituem o essencial dos escritos freudianos sobre o m\u00e9todo e a t\u00e9cnica, em sua constitui\u00e7\u00e3o, em sua hist\u00f3ria e em seus desdobramentos\u201d. O que, entretanto, nos interessa especificamente em \u201cObserva\u00e7\u00f5es sobre o amor transferencial\u201d \u00e9 que, no trabalho de Freud, e na Psican\u00e1lise, o amor est\u00e1 presente, n\u00e3o foi recha\u00e7ado ou refutado, mas inclu\u00eddo no tratamento. Um amor lido e provocado pela an\u00e1lise. Uma das belezas de Freud e de seu m\u00e9todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Observa\u00e7\u00f5es sobre o amor transferencial<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto foi escrito no final de 1914 e publicado em 1915, e Freud achava que esse era um dos artigos fundamentais para a transmiss\u00e3o da t\u00e9cnica psicanal\u00edtica. Penso que, provavelmente, mesmo com as not\u00edcias da eclos\u00e3o da guerra, as quest\u00f5es que surgiram nos consult\u00f3rios de seus \u201calunos\u201d fizeram com que ele pensasse na publica\u00e7\u00e3o independente do momento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escutamos em nossos consult\u00f3rios, seja em an\u00e1lise, seja em supervis\u00e3o, os jovens praticantes se perguntando diariamente o que fizeram para que o paciente tenha ido embora, faltado \u00e0 sess\u00e3o, sumido sem responder, etc. Muitas vezes pensam nessas quest\u00f5es como um erro t\u00e9cnico, algo que sempre retorna invariavelmente, como nos afirmou J\u00e9sus Santiago na \u00faltima conversa\u00e7\u00e3o do Instituto. Ele nos diz que houve uma \u00e9poca em que a Psican\u00e1lise tinha manuais, que diziam o que dever\u00edamos fazer a cada circunst\u00e2ncia ou situa\u00e7\u00e3o, seja relativo a pagamento, \u00e0s faltas ou sobre quando o analisante estaria de fato em an\u00e1lise ou se tornaria um analista (essa decis\u00e3o se dava, por exemplo, pelo n\u00famero de sess\u00f5es feitas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O retorno a Freud feito por Lacan e o retorno a Freud nas \u201cLi\u00e7\u00f5es Introdut\u00f3rias\u201d \u00e9 fundamental, pois ele afirma no in\u00edcio do texto em tela que, apesar dos inc\u00f4modos dos jovens psicanalistas, \u201cas \u00fanicas dificuldades realmente s\u00e9rias s\u00e3o encontradas no manejo da transfer\u00eancia\u201d (FREUD, 1915[1914]\/2017, p. 165).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse manejo nos \u00e9 caro e implica v\u00e1rios sentimentos dirigidos ao corpo do analista \u2013 amor, interesse, raiva. Em minha leitura, nesse texto, Freud (1915[1914]\/2017, p. 166), de forma bem \u201cbrincalhona\u201d, elege o amor como algo que surge em uma an\u00e1lise e nos relata as v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es sobre o amor que n\u00e3o cabem a um psicanalista:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00aa: a uni\u00e3o dos dois protagonistas, analista e analisante, m\u00e9dico e paciente, e diz: \u201cuma uni\u00e3o duradoura e leg\u00edtima\u201d;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00aa: a separa\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico e do paciente, encerrando assim o tratamento, \u201cdesistindo do trabalho iniciado\u201d;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00aa: a confirma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre os dois, \u201co in\u00edcio de rela\u00e7\u00f5es amorosas ileg\u00edtimas e n\u00e3o destinadas \u00e0 eternidade; mas essa se tornaria imposs\u00edvel devido \u00e0 moral burguesa e a dignidade m\u00e9dica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda sa\u00edda inclu\u00edda no texto: a separa\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico e do paciente, com o abandono do tratamento, \u00e9 desaconselhada por Freud, mas nos ensina como o amor transferencial funciona. Ele afirma que, quando o tratamento com aquele psicanalista \u00e9 interrompido, suspenso, as quest\u00f5es do paciente continuam, ele j\u00e1 sabia que o paciente seria perturbado pelo seu sofrimento e que o amor n\u00e3o o salvou de suas dificuldades. Ao se dirigir a outro analista, o amor ser\u00e1 transferido para esse segundo, em um deslocamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, podemos afirmar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. \u00c9 preciso enfrentar o amor transferencial! Melhor dizendo, nos utilizarmos dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.\u00a0O paciente n\u00e3o est\u00e1, de fato, enamorado pela pessoa do psicanalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante que o psicanalista saiba que o amor n\u00e3o se dirige a ele, enquanto pessoa; estar avisado disso \u00e9 imprescind\u00edvel para o tratamento, pois a transfer\u00eancia e o m\u00e9todo psicanal\u00edtico d\u00e3o trabalho, e n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel para o analista, desavisado, dar trabalho tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse momento do texto, Freud vai nos relatar as v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que caberiam a um livro de romance, a rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia, a ideia de tirar a paciente do tratamento, etc., sempre nos avisando pontualmente, como mencionei anteriormente, o que n\u00e3o cabe ao tratamento psicanal\u00edtico. Depois, ao retomar o caminho das possibilidades relativas ao amor transferencial, traz-nos um ponto essencial a ser lido em uma an\u00e1lise: \u201ctudo aquilo que atrapalha a continuidade do tratamento pode ser uma express\u00e3o de resist\u00eancia. No aparecimento daquela exig\u00eancia tempestuosa de amor, a resist\u00eancia indubitavelmente tem grande participa\u00e7\u00e3o\u201d (FREUD, 1915[1914]\/2017, p. 169). Ele ainda completa, dizendo-nos que, provavelmente, \u00e9 ao nos depararmos com um ponto importante para o tratamento ou algum ponto dif\u00edcil para o analisante que o amor transferencial age como resist\u00eancia. Podemos afirmar que v\u00e1rios sentimentos podem surgir nesse momento: o amor transferencial aparece com um xingamento ou com um convite para o seu anivers\u00e1rio. Algo a ser avaliado, lido, a cada vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe, nesse texto de Freud, uma informa\u00e7\u00e3o de trabalho indispens\u00e1vel a ser escutada: quando o amor transferencial se torna a mola de trabalho e os sentimentos ao redor do psicanalista ficam presentes no tratamento, esses sentimentos, ou esse enamoramento, n\u00e3o podem ser expulsos. Esses sentimentos, ideias, sensa\u00e7\u00f5es surgem e n\u00e3o podem ser simplesmente dissolvidos rapidamente, essa \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es para o tratamento psicanal\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele afirma que quando pretendemos trabalhar com o m\u00e9todo psicanal\u00edtico invocamos \u201cum espirito do submundo para que venha \u00e0 superf\u00edcie&#8221; e que n\u00e3o \u00e9 coerente ao tratamento &#8220;mandarmos ele de volta, sem ao menos lhe fazermos uma pergunta\u201d (FREUD, 1915[1914]\/2017, p. 171). Podemos concluir tamb\u00e9m que, tal qual o amor de transfer\u00eancia, que surge no corpo do outro psicanalista, o \u201cesp\u00edrito do submundo\u201d\u00a0<a id=\"refer2\"><\/a>n\u00e3o vai deixar de aparecer para aquele analisante, de um jeito ou de outro \u2013 tal qual ocorre, por exemplo, no filme\u00a0<em>O Lodo<\/em>.<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/uma-introducao-ao-amor-transferencial#nota2\">[2]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois, Freud conta uma anedota do pastor e do corretor para nos dizer que se cairmos no jogo do analisante estaremos, nesse momento, simplesmente abrindo m\u00e3o do tratamento. Que nada pode ser feito ao toparmos, cedermos, a esse amor. Isso n\u00e3o quer dizer que devemos \u201cdesviar a transfer\u00eancia amorosa, afugent\u00e1-la ou estraga-la na paciente; tamb\u00e9m nos abstermos ferrenhamente de toda correspond\u00eancia desse amor\u201d (FREUD, 1915[1914]\/2017, p. 174).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio darmos espa\u00e7o para escutarmos o sentimento para al\u00e9m do sofrimento, para al\u00e9m do amor e fazermos uma interroga\u00e7\u00e3o sobre esse sentimento. No texto \u201cA met\u00e1fora do amor: Fedro\u201d, que est\u00e1 no capitulo \u201cA mola do amor\u201d do Semin\u00e1rio 8, Lacan (1960-61\/2010, p. 54) avisa que \u201cnada de melhor podemos fazer, nesse sentido, do que partir de uma interroga\u00e7\u00e3o sobre aquilo que o fen\u00f4meno da transfer\u00eancia \u00e9 considerado imitar ao m\u00e1ximo, at\u00e9 mesmo chegando a confundir-se com ele: o amor\u201d. Assim, os sentimentos que surgem em uma an\u00e1lise precisam ser lidos, o analista n\u00e3o pode abstrair deles ou evit\u00e1-los, mas interrog\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan avisa que o texto freudiano fica \u00e0s voltas com o amor, diferenciando-o do amor transferencial, em que h\u00e1 uma \u201csuspens\u00e3o no problema do amor, uma disc\u00f3rdia interna\u201d (LACAN, 1960-61\/2010, p. 55), pois \u00e9 preciso tentar saber o que se passa numa an\u00e1lise, numa \u201ca\u00e7\u00e3o anal\u00edtica\u201d. Mas, podemos assegurar a partir do texto freudiano, que h\u00e1 um objetivo nesse amor transferencial: \u00e9 a \u201cdescoberta da escolha do objeto infantil e das fantasias que o enredam\u201d (FREUD, 1915[1914]\/2017, p. 176). Ele se pergunta se h\u00e1 diferen\u00e7a entre o amor transferencial e outros amores e afirma que os dois t\u00eam uma certa autenticidade, mas s\u00f3 a transfer\u00eancia coloca o trabalho psicanal\u00edtico da escuta do inconsciente em movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enamoramento, por sua vez, \u00e9 composto de \u201creedi\u00e7\u00f5es de tra\u00e7os antigos e repete rea\u00e7\u00f5es infantis\u201d, j\u00e1 que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">a natureza e a qualidade das rela\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a com as pessoas do seu pr\u00f3prio sexo ou do sexo oposto, j\u00e1 foi firmada nos primeiros seis anos de vida. Ela pode posteriormente desenvolv\u00ea-las e transform\u00e1-las em certas dire\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o pode mais livrar-se delas. (FREUD, 1915[1914]\/2017, p. 248).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No amor transferencial existem algumas diferen\u00e7as, j\u00e1 que este \u00e9 provocado pela an\u00e1lise, potencializado pela resist\u00eancia ao tratamento e menos preocupado com as consequ\u00eancias sociais. Ele cabe ao tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Lacan \u00e9 necess\u00e1rio entender a transfer\u00eancia como uma articula\u00e7\u00e3o e implica\u00e7\u00e3o ao simb\u00f3lico, ao imagin\u00e1rio e ao real, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de leitura da transfer\u00eancia e \u00e9 \u201cimposs\u00edvel comparar a transfer\u00eancia e o amor, e medir a parte, a dose, do que se deve atribuir a cada um, e reciprocamente, de ilus\u00e3o ou de verdade\u201d (LACAN, 1960-61\/2010, p. 51).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto \u201cUma conversa sobre o amor\u201d, Miller (2010) fala que Freud nos avisa que o v\u00ednculo social \u00e9 um v\u00ednculo er\u00f3tico ou amoroso, que a psican\u00e1lise, em Lacan, inventou um novo amor, e que Freud inventou um novo Outro, um tipo de Outro ao qual o analisante possa dirigir o seu amor. Um Outro que possa dar novas respostas ao amor, respostas diferentes e, talvez, mais adequadas \u00e0quelas que encontramos cotidianamente. Ler esse texto de Miller, que apresenta uma leitura do que Freud inventou \u2013 \u201cUm novo Outro\u201d \u2013, nos faz retornar a \u201cObserva\u00e7\u00f5es sobre o amor transferencial\u201d, pois todas as recomenda\u00e7\u00f5es implicam esse novo Outro. Todas as recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o para o psicanalista e seu lugar no mundo. No texto, Freud tenta ensinar ao analista a suportar e a usar, a favor do tratamento, o amor dirigido a ele \u2013 o que o analisante dirige ao analista e o que \u00e9 poss\u00edvel que o analista \u201cdevolva\u201d ao analisante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para finalizar, Freud (1915[1914]\/2017) faz observa\u00e7\u00f5es importantes, equivalendo o psicanalista a um qu\u00edmico e dizendo que n\u00e3o \u00e9 porque o qu\u00edmico trata de materiais explosivos que ele \u00e9 proibido de manuse\u00e1-los, assim como o psicanalista tamb\u00e9m fica \u00e0s voltas e trata de materiais explosivos. Afirma que n\u00e3o precisamos, e nem o mundo precisa, do\u00a0<em>furor sanandi<\/em>, ou seja, tentar curar o doente a qualquer custo. Para ele, o material a ser manuseado precisa de tempo e uma certa coragem, ou aposta no inconsciente, e que, principalmente, a \u00e9tica precisa estar pr\u00f3xima da t\u00e9cnica. Me parece, portanto, que, nesse texto, o que orienta Freud \u00e9 a \u00e9tica. Assim, dizer \u201csim\u201d ao amor transferencial \u00e9 dizer \u201csim\u201d ao tratamento e ao inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Miller (1997) \u201cO m\u00e9todo psicanal\u00edtico\u201d faz la\u00e7o com o texto de Freud ao dizer que esse m\u00e9todo n\u00e3o tem padr\u00f5es, mas tem princ\u00edpios. Melhor dizendo, n\u00e3o \u00e9 orientado pela t\u00e9cnica, mas sim pela \u00e9tica, e que em \u201can\u00e1lise n\u00e3o h\u00e1 paciente \u00e0 revelia de si mesmo\u201d (MILLER, 1997, p. 223). H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o paciente que est\u00e1 na an\u00e1lise e aquele da psiquiatria que pode ser encaminhado por outros, tal qual a crian\u00e7a que \u00e9 encaminhada pelos pais: em an\u00e1lise, o paciente precisa querer ser paciente. No texto \u201cObserva\u00e7\u00f5es ao amor transferencial\u201d Freud (1915[1914]\/2017, p. 168) nos avisa inclusive que a fam\u00edlia decidir pelo paciente n\u00e3o tem nenhum efeito de tratamento, pode no m\u00e1ximo atrapalhar, e conclui: \u201cO amor dos parentes n\u00e3o consegue curar uma neurose\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao texto de Miller e ao de Freud poder\u00edamos tamb\u00e9m afirmar que precisamos localizar numa an\u00e1lise sempre o dito e o dizer, o enunciado e a enuncia\u00e7\u00e3o, e que a declara\u00e7\u00e3o de um amor de transfer\u00eancia precisa ser lida desta forma: isso foi dito, mas o que isso quer dizer, a que se refere? Isso para que, de um modo \u00e9tico, possamos encontrar ou formular uma resposta que tenha lugar para o tratamento ou para o inconsciente, que d\u00ea lugar para a \u201cboca maldita\u201d, pois, no amor transferencial, o analisante demanda uma resposta que o inclua na repeti\u00e7\u00e3o infantil, no mesmo de sempre, colocando em ordem o sintoma que funcionava muito bem at\u00e9 aquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso que Miller traz sobre o dito e o dizer se mostra em seus exemplos pelo enamoramento dirigido a uma an\u00e1lise, mesmo que n\u00e3o seja o amor transferencial estabelecido por Freud \u2013 uma paix\u00e3o \u2013, mas, em todos os aspectos, a palavra precisa ser escutada, dando lugar para o que vem junto dela, acoplado a ela. Miller d\u00e1 o exemplo de uma mulher que chega aos prantos no seu consult\u00f3rio: ela sabia que ele iria viajar, e ele diz que talvez seja por isso que ela chega dessa forma, dizendo que os filhos sairiam de viagem sem ela. Ele sorri, dizendo que esperava que seu sorriso tenha sido verdadeiro, pois n\u00e3o cabe ao psicanalista \u201cparticipar emocionalmente das situa\u00e7\u00f5es afetivas dos pacientes demonstrando sempre que compreende ou sente ternura\u201d (MILLER, 1997, p. 244), e que \u00e9 preciso avaliar cada caso, tal qual Freud. Isso n\u00e3o significa n\u00e3o acolher, mas fazer um c\u00e1lculo que possa autorizar o que pode vir\u00a0<em>a posteriori<\/em>, que \u00e9 no dizer, na enuncia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O que fazer com o amor que surge em an\u00e1lise?<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ler o texto de Freud, lembrei-me de um caso que Oscar Ventura (2020) trouxe na XXIV Jornada da EBP Se\u00e7\u00e3o Minas, em uma confer\u00eancia com o nome \u201cO Amor. Sempre Outro\u201d, que tratava do amor, do amor repeti\u00e7\u00e3o, do amor em Freud e do amor em Lacan como elabora\u00e7\u00e3o de saber, ligado ao Outro. Mas trago aqui o texto intitulado \u201cA mulher pr\u00f3diga\u201d, que apresenta um caso muito bem trabalhado por Ventura (2003\/2005) e que est\u00e1 em\u00a0<em>La pareja y el amor: Conversa\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas com Jacques-Alain Miller em Barcelona<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse texto, Ventura traz o caso de uma psicose ordin\u00e1ria est\u00e1vel por mais ou menos 37 anos, que ele chama, tal qual Miller (1997) em\u00a0<em>Lacan Elucidado<\/em>, de pr\u00e9 psicose. Ela estava estabilizada em um casamento em que o marido, por causa dos trabalhos, fazia viagens. Quando esse casal decide ter um pouso e pensar em filhos, surge a instabilidade. Em seguida, surge uma posi\u00e7\u00e3o delirante em rela\u00e7\u00e3o a um professor de Yoga e a separa\u00e7\u00e3o do marido. Nesse momento, ela estava em uma primeira an\u00e1lise. Ao se separar, ela decide vender todas as suas coisas e voltar para a sua cidade, com uma mala e o endere\u00e7o de um novo analista. Fica errante na cidade por um tempo, entre hot\u00e9is, lugares e com seus perseguidores, pois havia um del\u00edrio de persegui\u00e7\u00e3o ao seu redor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na an\u00e1lise com Oscar Ventura, ela tira os objetos da mala, os deposita no tapete e come\u00e7a a falar, e depois que se encerra a sess\u00e3o, os recolhe novamente. Em um certo momento, passa a deixar seu dinheiro nos lugares, a pagar muito mais que o necess\u00e1rio, a n\u00e3o aceitar troco e, na an\u00e1lise, quer pagar em dobro, o valor do ano todo, com o que o analista n\u00e3o consente. At\u00e9 o momento em que ela decide entregar a ele os objetos da mala: o analista n\u00e3o aceita, mas consente em guarda-los. Nesse momento, esse lugar vira uma \u00e2ncora na cidade e o \u201caumento progressivo do amor come\u00e7a a ser notado\u201d (VENTURA, 2003\/2005, p. 201).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com as joias guardadas, algo se estabiliza e o mundo \u00e9 dividido em dois: um, dos perseguidores, e o outro, de pessoas que assumem \u201co status de deuses, pelos quais vale a pena existir\u201d (VENTURA, 2003\/2005, p. 202). Ela come\u00e7a, assim, a traduzir textos de psican\u00e1lise, fazendo o que chama de suas pr\u00f3prias vers\u00f5es; o analista passa a ser o deposit\u00e1rio dessas vers\u00f5es e a an\u00e1lise ocupa um lugar fundamental para o seu tratamento e estabiliza\u00e7\u00e3o, um lugar para sua hist\u00f3ria, e os fen\u00f4menos persecut\u00f3rios ficam mais distantes dela, menos invasivos. Nesse momento, o \u201canalista agora encarna o fiador do psi, \u00e9 um deus protetor e \u00e0s vezes basta um simples chamado para organizar os \u00e2nimos\u201d (VENTURA, 2003\/2005, p. 203).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao aumento do amor transferencial, Ventura relata que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">a insist\u00eancia em aumentar a periodicidade das sess\u00f5es aparece como um obst\u00e1culo, ela aspira ser a \u00fanica paciente, ela se diz analista! [&#8230;]. Esse sujeito ama o analista e os deuses come\u00e7am a exigir sacrif\u00edcios de amor, o corpo come\u00e7a a tremer e n\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds para onde fuja a menos que outro seja inventado. (VENTURA, 2003\/2005, p. 202)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O manejo da transfer\u00eancia no caso da \u201cmulher pr\u00f3diga\u201d \u00e9 um instrumento evidentemente fundamental e algo a ser verificado. At\u00e9 que ponto \u00e9 poss\u00edvel regular essa erup\u00e7\u00e3o de gozo que reca\u00ed sobre o corpo do analista, j\u00e1 que a transfer\u00eancia se torna explicitamente erotoman\u00edaca? Ventura descreve todas as artimanhas feitas por essa mulher para ter o objeto amado, tal qual descrito por Freud em \u201cObserva\u00e7\u00f5es sobre o amor transferencial\u201d:\u00a0 ela compra roupas, veste-se de modo sedutor, liga para o analista em hor\u00e1rios desnecess\u00e1rios para perguntar se pode ser atendida, se pode ir para casa dele, convida-o para jantar e descobre o endere\u00e7o de sua casa. Manda-lhe presentes pelo correio, que s\u00e3o imediatamente devolvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acontece a\u00ed o choro e o ranger de dentes, o bater de portas, os xingamentos, ela se enfurece&#8230; mas volta. Essa, talvez, nesse caso, seja a orienta\u00e7\u00e3o dada pela analisante. Ela volta. Assim, \u201cs\u00e3o esses momentos em que ela n\u00e3o \u00e9 o manejo privilegiado da transfer\u00eancia, n\u00e3o se trata do n\u00e3o da rejei\u00e7\u00e3o ou do n\u00e3o de uma nega\u00e7\u00e3o pura e arbitr\u00e1ria, mas um n\u00e3o de um manejo, um n\u00e3o que cumpre\u201d (VENTURA, 2003\/2005, p. 203). Ele age e esse manejo da transfer\u00eancia come\u00e7a a produzir outros efeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vi nesse caso de Oscar Ventura uma \u00f3tima oportunidade de exemplificar as quest\u00f5es sobre o amor transferencial e seu manejo. Ap\u00f3s essa intensa posi\u00e7\u00e3o da analisante, ela passa a acreditar que ele a roubou, e logo que se esvazia esse excesso ela se sente em falta e passa a verificar os objetos, se eles continuam ali guardados. Depois de algum tempo, pede de volta os objetos para deposit\u00e1-los em um banco, vai espa\u00e7ando a periodicidade das sess\u00f5es e o analista vai consentido. Em uma sess\u00e3o, chega bem, arrumada discretamente, com uma caixa na m\u00e3o e diz, de forma imperativa, que aquele presente ele precisava aceitar. Ele pede para ver: em uma caixa estava uma escultura do analista, feita por ela. Ela conta como foi feita, o material, etc. E ele o aceita: a escultura \u00e9 um trabalho que inclui o analista e a hist\u00f3ria da analisante e seu pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos concluir que o amor transferencial, a transfer\u00eancia, da forma que ela vier, est\u00e1 ali em fun\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo psicanal\u00edtico, \u00e9 preciso escutar como algo a favor do tratamento, a favor do sujeito, pois, como afirmou Miller (1997, p.235), a &#8220;primeira incid\u00eancia cl\u00ednica da \u00e9tica da psican\u00e1lise \u00e9 o pr\u00f3prio sujeito\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FREUD, S. (1915 [1914]). Observa\u00e7\u00f5es sobre o amor transferencial. In:\u00a0<em>Obras Incompletas de Sigmund Freud<\/em>: Fundamentos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2017, p. 165-182.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. (1960-61). A mola do amor. In:\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 8<\/em>: A transfer\u00eancia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010, p. 31-210.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. O m\u00e9todo psicanal\u00edtico. In:\u00a0<em>Lacan Elucidado<\/em>: palestras no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 219-284.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. Uma conversa sobre o amor.\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana On-Line<\/em>, n. 2, jul. 2010. Dispon\u00edvel em: opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_2. Acesso em: 22 mai. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">VENTURA, O. Uma mulher pr\u00f3diga. In:\u00a0<em>La pareja y el amor<\/em>: Conversa\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas com Jaques-Alain Miller em Barcelona. Barcelona: Ed. Paid\u00f3s, 2003\/2005<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">VENTURA, O. O Amor. Sempre Outro. In:\u00a0<em>XXIV Jornada da EBP-MG \u2013 Muta\u00e7\u00f5es do la\u00e7o social: o novo nas parcerias<\/em>. 2020. Dispon\u00edvel em:jornadaebpmg.com.br\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/ Acesso em: 22 mai. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/uma-introducao-ao-amor-transferencial#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Texto apresentado nas 59\u00aa Li\u00e7\u00f5es Introdut\u00f3rias \u00e0 Psican\u00e1lise do IPSM-MG, em 25 de abril de 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/uma-introducao-ao-amor-transferencial#refer2\">[2]<\/a><a id=\"nota2\"><\/a>\u00a0Filme de Helv\u00e9cio Ratton, da produtora Quimera, lan\u00e7ado em 13 de abril de 2023.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renata Mendon\u00e7a Psicanalista, doutoranda (UFMG), membro da Escola Brasileira de Psicanalise\/AMP renatalucindopsi21@gmail.com Resumo:\u00a0Este artigo apresenta uma releitura de \u201cObserva\u00e7\u00f5es sobre o amor transferencial\u201d (1915[1914]) para abordar as indica\u00e7\u00f5es de Freud sobre o m\u00e9todo psicanal\u00edtico, incluindo no debate tamb\u00e9m alguns autores de nossa \u00e9poca, como Lacan e Miller, mostrando o quanto o texto freudiano \u00e9 contempor\u00e2neo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57785,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-215","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-31","category-26","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=215"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/215\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57786,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/215\/revisions\/57786"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}