{"id":2170,"date":"2024-02-18T18:47:23","date_gmt":"2024-02-18T21:47:23","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=2170"},"modified":"2025-12-01T11:41:09","modified_gmt":"2025-12-01T14:41:09","slug":"o-lugar-do-analista-na-interpretacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2024\/02\/18\/o-lugar-do-analista-na-interpretacao\/","title":{"rendered":"O lugar do analista na interpreta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"color: #333399;\">O lugar do analista na interpreta\u00e7\u00e3o<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>Ana Paula Menezes de Souza<br \/>\n<\/strong>Graduada em Psicologia (UFMG)<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">Aluna do Curso de Psican\u00e1lise do IPSM\/MG<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"mailto:psi.anamenezes@gmail.com\">psi.anamenezes@gmail.com<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong>Resumo: <\/strong>Entre discursos e terapias vigentes que se alinham a ideais normativos do \u201ceu consciente de si\u201d, do \u201ccontrole de emo\u00e7\u00f5es\u201d e de outros imperativos contempor\u00e2neos, perguntamo-nos no presente texto pelo lugar radicalmente distinto ocupado pelo analista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, tomada a partir da ruptura que prop\u00f5e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s l\u00f3gicas intersubjetiva e dial\u00f3gica, t\u00e3o presentes na atualidade. Nesse sentido, tentaremos discutir o conceito de interpreta\u00e7\u00e3o, visando explorar as resson\u00e2ncias que incidem sobre ele na medida em que transitamos, no ensino de Lacan, entre o inconsciente estruturado como uma linguagem e o inconsciente que se faz presente quando o espa\u00e7o de um lapso j\u00e1 n\u00e3o tem nenhum impacto de sentido. Apostamos que pensar o lugar do analista no que toca a intepreta\u00e7\u00e3o nesses tempos \u00e9 subverter a l\u00f3gica hegem\u00f4nica de uma psicoeduca\u00e7\u00e3o prescritiva cada vez mais presente.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> inconsciente transferencial; inconsciente real; analista; intepreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>THE PSYCHOANALYST\u2019S PLACE IN INTERPRETATION<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract: <\/strong>Between current discourses and therapies aligned with normative ideals of the \u201cself-conscious self\u201d, \u201ccontrol of emotions\u201d and other contemporary imperatives, we ask ourselves in this text about the radically different place occupied by the psychoanalyst in relation to interpretation, taken as a starting from the rupture it proposes in relation to intersubjective and dialogical logics, so present today. In this direction, we will try to discuss the concept of interpretation aiming to explore the resonances that affect it as we move, in Lacan&#8217;s teaching, between the unconscious structured as a language and the unconscious that is present when the space of a lapse has no impact of meaning. Our hypothesis is that the function of the psychoanalyst when it comes to interpretation in these times subvert the hegemonic logic of an increasingly present prescriptive psychoeducation.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong> transferential unconscious; real unconscious; psychoanalyst; interpretation.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Ana-Menezes.png\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"886\" data-large_image_height=\"1109\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2171 aligncenter\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Ana-Menezes-818x1024.png\" alt=\"\" width=\"368\" height=\"461\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>Quem \u00e9 este si\/consigo (soi), este si que sabe que isso n\u00e3o tem nem p\u00e9 nem cabe\u00e7a, nem sentido, nem interpreta\u00e7\u00e3o?<\/em> (MILLER, 2009, p. 15)<\/p>\n<p>Na atualidade, somos confrontados de forma massiva com terapias que se alinham a no\u00e7\u00f5es como as de um \u201ceu consciente de si\u201d, de \u201ccontrole de emo\u00e7\u00f5es\u201d e de outros ideais que se centram na pretens\u00e3o da reeduca\u00e7\u00e3o de comportamentos. Esses imperativos, aliados ao discurso capitalista, lan\u00e7am sobre a rela\u00e7\u00e3o \u201cterapeuta-cliente\u201d, como \u00e9 nomeada, l\u00f3gicas que se remetem \u00e0 intersubjetividade e \u00e0 dialogicidade, sustentadas pela cren\u00e7a em uma comunica\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca: ao ensinar, se aprende; ao escutar, se entende.<\/p>\n<p>Em outra via, radicalmente distinta, recolhemos desde Freud as reverbera\u00e7\u00f5es que o descentramento inconsciente provoca e que \u00e9 fundante de uma ruptura, na releitura de Lacan, entre o ser e o pensamento: \u201cAli onde penso n\u00e3o me reconhe\u00e7o, n\u00e3o sou \u2013 \u00e9 o inconsciente. Ali onde sou, \u00e9 mais do que evidente que me perco (LACAN, 1969-1970\/1992, p. 96). Tomamos, neste artigo, essa invers\u00e3o que o inconsciente promove para pensar o lugar do analista quando est\u00e1 em quest\u00e3o a interpreta\u00e7\u00e3o, sua \u201ct\u00e1tica\u201d (LACAN, 1958\/1998). Quais seriam os efeitos sobre a no\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o quando tomamos a modifica\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de inconsciente presente ao longo da obra de Lacan, isto \u00e9, nos termos de Miller (2009), de um inconsciente transferencial ao inconsciente real? Nesse deslocamento, como podemos situar o lugar do analista? Tentaremos tocar essas quest\u00f5es impulsionados pela aposta no car\u00e1ter subversivo da interpreta\u00e7\u00e3o e do discurso anal\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao discurso do atual tempo hist\u00f3rico, permeado por terapias que se prop\u00f5em a, de forma normativa, \u201cpsicoeducar.\u201d<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>Inconsciente e interpreta\u00e7\u00e3o: estruturalismo e al\u00e9m<\/em><\/p>\n<p>O termo \u201cinconsciente\u201d, elevado a conceito por Freud, foi posteriormente tomado por Lacan, em seu Semin\u00e1rio 11, como um dos quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Enquanto termo presente desde a cria\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise, ele sofreu altera\u00e7\u00f5es j\u00e1 nesse per\u00edodo inicial, especialmente se considerarmos as modifica\u00e7\u00f5es que incidiram sobre a teoria em 1920, com o texto \u201cAl\u00e9m do princ\u00edpio de prazer\u201d. Nesse trabalho, Freud (1920\/2006) se confronta de modo mais direto com a dimens\u00e3o do inconsciente que resta intraduz\u00edvel e que se apresenta por sua insist\u00eancia como compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o ali presentes coordenadas fundamentais ao conceito de gozo \u2013 posteriormente elaborado por Lacan \u2013 e, ainda, a uma leitura do inconsciente lido al\u00e9m das conten\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, que encontrar\u00e1 desenvolvimentos persistentes ao longo de todo o ensino lacaniano, especialmente em sua \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Antes desse derradeiro momento, contudo, observamos outras caracter\u00edsticas nos momentos pr\u00e9vios do ensino de Lacan. A d\u00e9cada de 1950, por exemplo, foi especialmente marcada pela influ\u00eancia do estruturalismo. Sob essa perspectiva, o inconsciente \u00e9 lido como estruturado como uma linguagem, o que quer dizer, em outras palavras, que ele opera como um sistema do qual se decantam os mesmos elementos da linguagem, como o significante e o significado (MILLER, 2012). Nos termos de Miller (2009), podemos pensar essa leitura sobre o inconsciente em sua dimens\u00e3o transferencial, diante da qual nos remetemos \u00e0 liga\u00e7\u00e3o entre S1 e S2 que constituem as cadeias significantes. Nesse sistema, h\u00e1 de forma central a dimens\u00e3o do endere\u00e7amento, de algo a ser decifrado e que vai ser lan\u00e7ado \u00e0 figura do analista, tomado na posi\u00e7\u00e3o de sujeito suposto saber.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, Miller (2012, p. 5) dir\u00e1 que, sob essas coordenadas estruturalistas, a interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o constituiria \u201cum problema\u201d, estaria remetida de maneira direta \u00e0s opera\u00e7\u00f5es com o significante: \u201cA quest\u00e3o \u00e9 saber qual significante deve ser acrescentado, trazido, injetado pelo interlocutor-analista, para provocar um efeito de sentido\u201d. Esse lugar do analista e da interpreta\u00e7\u00e3o parecem dar continuidade a uma posi\u00e7\u00e3o colocada por Freud (1896\/1996) desde sua \u201cCarta 52\u201d, texto em que o inconsciente \u00e9 situado como uma escrita a partir da qual o que se inscreve deve n\u00e3o ser somente lido, mas traduzido, decifrado. H\u00e1 desde esse princ\u00edpio a dimens\u00e3o de um endere\u00e7amento que convoca uma posi\u00e7\u00e3o presente do analista: \u201cpela transfer\u00eancia [&#8230;] tornamos presente, mobilizamos e lemos o inconsciente\u201d (MILLER, 2009, p. 5).<\/p>\n<p>De modo interessante, contudo, Laurent (2021, p. 176) nomeia o inconsciente, tal como estabelecido por Freud, como uma \u201cilus\u00e3o estrutural\u201d, apontando para os limites dessa opera\u00e7\u00e3o tradutiva que convocaria uma leitura do analista a partir da transfer\u00eancia, conforme trazido anteriormente. A partir disso, perguntamo-nos ent\u00e3o: o que h\u00e1 para al\u00e9m dessa ilus\u00e3o? E, nesse al\u00e9m, onde se situa o analista? Entendemos caminhar com essas quest\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 no\u00e7\u00e3o de inconsciente real: \u201cAssociamos, eventualmente, \u00e0 injun\u00e7\u00e3o do analista. Mas, aqui, onde ele est\u00e1? N\u00e3o o encontramos. S\u00f3 o encontramos quando nos pomos a prestar aten\u00e7\u00e3o. E, de fato, nesse momento, h\u00e1 sentido e h\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o\u201d (MILLER, 2009, p. 6).<\/p>\n<p>O inconsciente real, de modo distinto ao inconsciente transferencial, coloca em cena a exterioridade do sujeito suposto saber e da m\u00e1quina significante, evidenciando a dimens\u00e3o que <em>lal\u00edngua<\/em> convoca da materialidade da linguagem, alheia ao sentido. Miller (2009) situar\u00e1 o inconsciente real como hom\u00f3logo ao traumatismo, como um limite que n\u00e3o convoca sentido ou transfer\u00eancia, mas uma centralidade do corpo como aparelho de gozo: goza-se \u00e0 revelia do sentido.<\/p>\n<p>Esses dois conceitos formulados por Miller \u2013 inconsciente transferencial e inconsciente real \u2013 interessam-nos na medida em que tentamos percorrer desde uma interpreta\u00e7\u00e3o-tradu\u00e7\u00e3o, que se associa ao sentido e ao sujeito suposto saber, at\u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o-corte, ligada \u00e0 \u201cmat\u00e9ria sonora equ\u00edvoca\u201d (LAURENT, 2022, s\/p), que se afasta do sentido, oferecendo outros contornos \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como afirma Laurent (2022, s\/p).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Ao introduzir essa modalidade que rompe com a associa\u00e7\u00e3o livre da fala, ao estabelecer um certo <em>isto n\u00e3o quer dizer nada<\/em>, a interpreta\u00e7\u00e3o que passa pela fala passa para o lado da escrita, \u00fanica capaz de se encarregar do furo do sentido e do imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>De uma \u00e0 outra, entendemos partir da interpreta\u00e7\u00e3o que joga com o sentido, referida \u00e0 estrutura da linguagem, em dire\u00e7\u00e3o a um hiato que se remete mais aos efeitos de sentido real que \u201cdispensa[m] o imagin\u00e1rio da significa\u00e7\u00e3o\u201d (LAURENT, 2022, s\/p). Estamos, nesta \u00faltima, mais distantes da linguagem e mais pr\u00f3ximos de <em>lal\u00edngua<\/em>.<\/p>\n<p>Nesse terreno, Miller (2012, p. 16) dir\u00e1 que, no que diz respeito \u00e0 lal\u00edngua, o fen\u00f4meno essencial que ela convoca remete n\u00e3o ao sentido, mas ao gozo: \u201ce o que se pode fazer com a interpreta\u00e7\u00e3o quando se trata de <em>apparola<\/em>, quando \u00e9 o gozo que fala? Interpretar a verdade, certamente. Interpretar o gozo!\u201d.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>O lugar do analista<\/em><\/p>\n<p>No texto \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o pelo avesso\u201d, Miller (1996, p. 96) afirma:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Fazer ressoar, fazer alus\u00e3o, subentender, silenciar, fazer or\u00e1culo, citar, fazer enigma, meio-dizer, revelar \u2013 quem faz isso? Quem o faz melhor? Quem maneja essa ret\u00f3rica desde nascen\u00e7a, enquanto voc\u00ea se esfor\u00e7a por aprender os rudimentos dela? Quem? \u2013 a n\u00e3o ser o pr\u00f3prio inconsciente.<\/p>\n<p>Ainda no referido texto, Miller (1996), recuperando Lacan, situar\u00e1 a interpreta\u00e7\u00e3o junto ao conceito de inconsciente, estabelecendo que a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 primordialmente opera\u00e7\u00e3o do inconsciente, cabendo \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica um segundo tempo.<\/p>\n<p>Partindo desse ponto, localizamos uma presen\u00e7a do analista que n\u00e3o toma o inconsciente como uma linguagem-objeto a ser decifrada por uma metalinguagem, que seria a interpreta\u00e7\u00e3o (MILLER, 2009), mas a situa de modo correlato a essas pr\u00f3prias opera\u00e7\u00f5es. H\u00e1 a\u00ed a subvers\u00e3o que o discurso anal\u00edtico promove. Desse ponto de vista, estabelecemos para a interpreta\u00e7\u00e3o um lugar pr\u00f3prio, n\u00e3o sendo ela pedag\u00f3gica, did\u00e1tica, sugestiva ou explicativa, imperativa (SIQUEIRA; GORSKI, 2018).<\/p>\n<p>Se, no come\u00e7o do ensino lacaniano, a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica consistia na ideia de fazer revelar uma verdade oculta do sujeito do inconsciente, com o passar dos anos, e uma permea\u00e7\u00e3o mais presente do conceito de gozo, avan\u00e7a-se em dire\u00e7\u00e3o ao <em>falasser<\/em>, entendendo a interpreta\u00e7\u00e3o cada vez mais como ferramenta de perturbar a defesa ao \u201ctentar tocar esse real do corpo que se goza\u201d (SEYNHAEVE, 2021, s\/p). Nesse sentido, o pr\u00f3prio inconsciente transferencial poderia ser tomado como uma defesa contra o gozo fora do sentido:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">o ponto de vista do <em>sinthoma<\/em> consiste em pensar o inconsciente a partir do gozo. Pois bem, isso tem consequ\u00eancias para a pr\u00e1tica, especialmente para a pr\u00e1tica da interpreta\u00e7\u00e3o. A interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas a decifra\u00e7\u00e3o de um saber, \u00e9 fazer ver, \u00e9 elucidar a natureza de defesa do inconsciente\u201d (MILLER apud SEYNHAEVE, 2021, s\/p).<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o que visa perturbar a defesa, pois, mobiliza o corpo e convoca do analista \u201co tom, a voz, o sotaque. At\u00e9 o gesto e o olhar\u201d (MILLER apud SEYNHAEVE, 2021, s\/p). De Seynhaeve (2020) extra\u00edmos o testemunho de Bernard Porcheret, que sintetiza esse outro lugar da interpreta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">No caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta de sa\u00edda, eu tiro meu casaco do cabide. Sil\u00eancio, nenhum barulho de ma\u00e7aneta para ir chamar o analisante seguinte. Viro-me, o analista, conting\u00eancia da interpreta\u00e7\u00e3o, neste dia, est\u00e1 vestido com um terno escuro [&#8230;]. Na penumbra do corredor, atr\u00e1s da porta da sala de espera, ele fica de frente para a parede, congelado, imitando o agente funer\u00e1rio [&#8230;]. Na rua, a alguns metros de dist\u00e2ncia, leve, eu rio. Um dizer surgiu: f\u00f4lego. [&#8230;]. A interpreta\u00e7\u00e3o fez cair o significante mestre <em>agente funer\u00e1rio<\/em>, sob o qual eu estava esmagado. Imitando-o, em sil\u00eancio e sem olhar, o analista me separa dele. (PORCHERET apud SEYNHAEVE, 2020, s\/p)<\/p>\n<p>O analista perturba o sil\u00eancio com sua interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/h6>\n<h6>FREUD, S. Carta 52. In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. I, 1996. (Trabalho original publicado em 1896).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer. In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XVII, 2006. (Trabalho original publicado em 1920).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 17<\/em>: O avesso da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992. (Trabalho original proferido em 1969-70).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder. In: <em>Escritos.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. (Texto original publicado em 1958).<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. A interpreta\u00e7\u00e3o: da verdade ao acontecimento. <em>Curinga<\/em>, n. 50, 2021.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. A intepreta\u00e7\u00e3o: da escuta ao escrito. <em>Correio <\/em><em>\u2013 Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, <\/em>n. 87, 2022.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. A interpreta\u00e7\u00e3o pelo avesso. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n. 15, p. 96-99, 1996.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Primeira li\u00e7\u00e3o: o inconsciente real. In: <em>Perspectivas do Semin\u00e1rio 23 de Lacan: <\/em>O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009. <a name=\"_ftn4\"><\/a><\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. O mon\u00f3logo da apparola. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana On-line<\/em>, ano 3, n. 9, p. 1-25, nov., 2012.<\/h6>\n<h6>SEYNHAEVE, B. N\u00e3o sem os corpos. <em>Almanaque On-line<\/em>, v. 14, n. 27, ago. 2021. Dispon\u00edvel em: http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/bernard-seynhaeve. Acesso em: 01 out. 2023.<\/h6>\n<h6>SIQUEIRA, E.; GORSKI, G. <em>Inconsciente e interpreta\u00e7\u00e3o<\/em>: momentos-chave em Freud e Lacan. 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/inconsciente-e-interpretacao-momentos-chave-em-freud-e-lacan\/\">https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/inconsciente-e-interpretacao-momentos-chave-em-freud-e-lacan\/<\/a>. Acesso em: 01 out. 23.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lugar do analista na interpreta\u00e7\u00e3o Ana Paula Menezes de Souza Graduada em Psicologia (UFMG) Aluna do Curso de Psican\u00e1lise do IPSM\/MG psi.anamenezes@gmail.com &nbsp; Resumo: Entre discursos e terapias vigentes que se alinham a ideais normativos do \u201ceu consciente de si\u201d, do \u201ccontrole de emo\u00e7\u00f5es\u201d e de outros imperativos contempor\u00e2neos, perguntamo-nos no presente texto pelo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57683,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-2170","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-32","category-34","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2170"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2170\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57685,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2170\/revisions\/57685"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57683"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}