{"id":222,"date":"2023-08-15T19:24:18","date_gmt":"2023-08-15T22:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=222"},"modified":"2025-12-01T12:53:45","modified_gmt":"2025-12-01T15:53:45","slug":"uma-leitura-do-texto-freudiano-recomendacoes-ao-medico-para-o-tratamento-psicanalitico1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2023\/08\/15\/uma-leitura-do-texto-freudiano-recomendacoes-ao-medico-para-o-tratamento-psicanalitico1\/","title":{"rendered":"Uma leitura do texto freudiano \u201cRecomenda\u00e7\u00f5es ao m\u00e9dico para o tratamento psicanal\u00edtico\u201d<sup>[1]<\/sup>\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristiana Pittella<br \/>\n<\/strong>Psicanalista, membro da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise\/AMP<br \/>\n<span id=\"cloakf3c991a628bc9ce078fd1443604ba6f6\"><a href=\"mailto:cristianapittella@yahoo.com.br\">cristianapittella@yahoo.com.br<\/a><\/span><\/h6>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>A partir de uma leitura de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana do texto em que Freud procura transmitir o m\u00e9todo psicanal\u00edtico, depreende-se a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o do psicanalista para aqueles que querem se lan\u00e7ar na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palavras-chave:\u00a0<\/strong>m\u00e9todo psicanal\u00edtico; forma\u00e7\u00e3o do psicanalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A READING OF FREUD&#8217;S TEXT \u201cRECOMMENDATIONS TO THE PHYSICIAN FOR PSYCHOANALYTIC TREATMENT\u201d\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0Based on a lacanian reading of the text in which Freud seeks to convey the psychoanalytic method, one can infer the importance of psychoanalyst training for those who want to embark on the practice of psychoanalysis.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>psychoanalytic method; psychoanalyst training.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_223\" style=\"width: 577px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/texto_freudiano.png\" data-dt-img-description=\"Imagem: Renata Laguardia\" data-large_image_width=\"567\" data-large_image_height=\"454\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-223\" class=\"size-full wp-image-223\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/texto_freudiano.png\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/texto_freudiano.png 567w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/texto_freudiano-300x240.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-223\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Renata Laguardia<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O poder da palavra<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, em seu Semin\u00e1rio 1,\u00a0<em>Os escritos t\u00e9cnicos de Freud<\/em>, ressalta que Freud dedicou-se de 1904 a 1919 a apresentar o seu m\u00e9todo psicanal\u00edtico e que esses escritos t\u00eam um interesse particular para aqueles que querem se lan\u00e7ar na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise. Neles, podemos ler as no\u00e7\u00f5es freudianas fundamentais gradualmente e compreender o modo de a\u00e7\u00e3o da terap\u00eautica anal\u00edtica (LACAN, 1953-54\/1986). Lacan afirma que Freud jamais cessou de falar da t\u00e9cnica anal\u00edtica, como no tardio texto\u00a0<em>An\u00e1lise termin\u00e1vel e Intermin\u00e1vel\u00a0<\/em>de 1934, segundo ele, um dos artigos mais importantes quanto \u00e0 t\u00e9cnica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os escritos de Freud reunidos pela Editora Aut\u00eantica no volume\u00a0<em>Fundamentos da Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica<\/em>, que nos orienta nestas Li\u00e7\u00f5es Introdut\u00f3rias, s\u00e3o de um frescor e vivacidade, de uma simplicidade e franqueza do tom que, por si s\u00f3, s\u00e3o uma esp\u00e9cie de li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan retoma esses escritos de Freud para reorientar a psican\u00e1lise e coloc\u00e1-la no eixo. Ele prop\u00f5e um retorno \u00e0 Freud, ao campo freudiano, ao que h\u00e1 de subversivo e \u00e9tico na psican\u00e1lise freudiana. A partir do inconsciente, o inconsciente estruturado como uma linguagem, ele procura responder \u00e0 quest\u00e3o do que fazemos quando fazemos an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, passo a passo, ele critica os rumos e desvios que a pr\u00e1tica freudiana tomou com os p\u00f3s-freudianos, como, por exemplo, a Psicologia do Eu e a an\u00e1lise das resist\u00eancias. Ele vai minuciosamente demonstrar como foi em torno da concep\u00e7\u00e3o do ego que girou o desenvolvimento do que se dizia a t\u00e9cnica anal\u00edtica, cuja an\u00e1lise e interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o concebidas a partir da import\u00e2ncia da contratransfer\u00eancia. O analista, como se fosse uma placa sens\u00edvel, interv\u00e9m a partir dos sentimentos e rea\u00e7\u00f5es produzidas nele. Nessa inter-rea\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria entre o analisado e o analista, as interpreta\u00e7\u00f5es de \u201cego para ego\u201d (LACAN, 1953-54\/1986, p. 44) visam uma ortopedia, um refor\u00e7o do ego, e o final de an\u00e1lise \u00e9 concebido pela identifica\u00e7\u00e3o ao analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan vai progressivamente avan\u00e7ando da t\u00f3pica do imagin\u00e1rio \u00e0 ordem simb\u00f3lica para demonstrar que a experi\u00eancia anal\u00edtica n\u00e3o se baseia numa rela\u00e7\u00e3o dual, intersubjetiva. Se a linguagem \u00e9 tomada como ela deve ser, Lacan formula, a experi\u00eancia anal\u00edtica se passa ent\u00e3o numa rela\u00e7\u00e3o a tr\u00eas \u2013 a palavra faz media\u00e7\u00e3o entre o sujeito e o eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o analista n\u00e3o fala do lugar de sujeito. Interpretar \u00e9 t\u00e9cnica de enuncia\u00e7\u00e3o, orienta J.-A. Miller (1997) no texto \u201cO m\u00e9todo psicanal\u00edtico\u201d, refer\u00eancia para estas Li\u00e7\u00f5es Introdut\u00f3rias.\u00a0 As quest\u00f5es t\u00e9cnicas s\u00e3o \u00e9ticas, pois o analista se dirige ao sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 um significante enigm\u00e1tico que se oferece \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do analisante e possibilita uma mudan\u00e7a na modalidade subjetiva. Ela abre \u00e0 quest\u00e3o do desejo: o que isso quer dizer? O que ele quer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse n\u00e3o saber, enunciado indiz\u00edvel (recalque), causa do sintoma, \u00e9 assimil\u00e1vel a um enunciado escrito no sujeito e que n\u00e3o se poderia ler, ele se equivale, nos diz J.-A. Miller (1994\/2023) em \u201cComo come\u00e7am as an\u00e1lises\u201d, a um texto escrito indecifr\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa experi\u00eancia anal\u00edtica tratar-se-ia menos de lembrar e reviver do que reescrever a hist\u00f3ria. O mais importante \u00e9 a leitura e a escrita, como orienta Lacan (1953-54\/1986) em sua leitura de Freud: o que conta \u00e9 o que o sujeito reconstr\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passamos dos fatos aos ditos, ao uso da palavra. E, por mais estreita que seja a porta, ela pode fazer passar um elefante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Palavras n\u00e3o-toda<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto freudiano acerca dos fundamentos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica, cuja leitura fazemos aqui, \u00e9 o \u201cRecomenda\u00e7\u00f5es ao m\u00e9dico para o tratamento psicanal\u00edtico\u201d, que data de 1912. \u00c9 um dos textos mais pragm\u00e1ticos na obra de Freud.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua atualidade reside no chamado que ele faz tanto ao\u00a0<em>modos operandis<\/em>\u00a0da psican\u00e1lise, quanto \u00e0 import\u00e2ncia e responsabilidade de se cuidar da forma\u00e7\u00e3o do psicanalista e de sua transmiss\u00e3o. Desse modo, evidencia-se a diferen\u00e7a da Psican\u00e1lise em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 medicina e \u00e0s ambi\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o e da psicoterapia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud j\u00e1 havia nessa ocasi\u00e3o publicado Dora, O Homem dos Ratos e O pequeno Hans, casos cl\u00e1ssicos de Histeria, Obsess\u00e3o e Fobia. Embora n\u00e3o houvesse ainda uma sistematiza\u00e7\u00e3o das diretrizes da t\u00e9cnica anal\u00edtica, \u00e9 desses casos tomados em sua singularidade \u2013 entre outras experi\u00eancias cl\u00ednicas \u2013 que Freud retira o material para tentar sistematizar a sua experi\u00eancia cl\u00ednica nessas recomenda\u00e7\u00f5es. Ele tenta responder \u00e0 quest\u00e3o de como nos transformamos em analistas (FREUD, 1912\/2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que Freud desejasse formalizar esse material nessas recomenda\u00e7\u00f5es \u2013 nomear algo do real de sua cl\u00ednica para a transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise \u2013, ele hesitou muito em public\u00e1-las com receio de que elas pudessem ser tomadas como regras r\u00edgidas, como um saber dogm\u00e1tico, que mais faria consistir um ideal e instaurar uma rela\u00e7\u00e3o que engessa o praticante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud nos alerta sobre o quanto as regras\u00a0<em>standards,\u00a0<\/em>inflex\u00edveis, servem muito mais para defender o praticante do real que a mat\u00e9ria da psican\u00e1lise coloca em jogo, a saber, a palavra (o significante) e as puls\u00f5es (o gozo), que Lacan nomeou em seu \u00faltimo ensino com o neologismo\u00a0<em>moterialit\u00e9\u00a0<\/em>(palavra e mat\u00e9ria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma ocasi\u00e3o, comentamos no N\u00facleo de Pesquisa em Psican\u00e1lise e Psicose do IPSM-MG, quando este acontecia no CERSAM Noroeste nos primeiros anos do Instituto, uma vinheta cl\u00ednica apresentada por uma colega com experi\u00eancia cl\u00ednica na sa\u00fade mental e forma\u00e7\u00e3o na psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. Uma paciente psic\u00f3tica havia recebido alta do tratamento, j\u00e1 que ela fora acolhida na urg\u00eancia quando em crise e agora encontrava-se est\u00e1vel. Esse sujeito n\u00e3o tinha constru\u00eddo outros la\u00e7os nem lugar no Outro, apenas com essa t\u00e9cnica e com esse espa\u00e7o. N\u00e3o conseguindo separar-se, a paciente solicita continuar o tratamento ali, ao ponto de n\u00e3o sair da frente da institui\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m dos significantes mestres (S1) que orientam a institui\u00e7\u00e3o \u2013 urg\u00eancia e crise \u2013, a t\u00e9cnica, preocupada com a transfer\u00eancia maci\u00e7a estabelecida pelo sujeito, e ancorada no saber cl\u00ednico da import\u00e2ncia de se manter um la\u00e7o frouxo e uma pluraliza\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia numa cl\u00ednica com v\u00e1rios, decide n\u00e3o acolher o sujeito. A jovem, para encontrar um lugar nesse Outro, faz um\u00a0<em>acting-out<\/em>, ao escarificar no bra\u00e7o a palavra \u201ccrise\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na oportunidade, verificamos o quanto o saber, face ao real em jogo, estava servindo de resist\u00eancia ao desejo do analista e \u00e0s inven\u00e7\u00f5es que ele nos convoca na cl\u00ednica, impedindo-a de acolher o sujeito. \u00c9 nesse sentido que Lacan afirma que a resist\u00eancia \u00e9 do analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conseguinte, no texto que lemos, Freud pretende transmitir recomenda\u00e7\u00f5es\u00a0<em>n\u00e3o-toda<\/em>, l\u00f3gica que d\u00e1 lugar \u00e0s inven\u00e7\u00f5es e \u00e0 singularidade do modo de satisfa\u00e7\u00e3o (gozo) daquele que nos procura em sofrimento, num encontro que acontece a cada vez, em cada sess\u00e3o e sempre \u00fanico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que o saber cl\u00ednico nos oriente e nos permita fazer uma avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, as muta\u00e7\u00f5es do Outro e as respostas do real nos colocam em conversa\u00e7\u00e3o permanente. No Campo Freudiano temos a pr\u00e1tica das Conversa\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas, nas quais as quest\u00f5es e impasses s\u00e3o colhidos, debatidos, e algo do real em jogo pode vir a ser nomeado. Essa s\u00e9rie de inven\u00e7\u00f5es em torno dos casos cl\u00ednicos apresentados e publicados orientam e auxiliam na avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, na estrat\u00e9gia e na condu\u00e7\u00e3o de uma an\u00e1lise nos tempos atuais \u2013 temos a no\u00e7\u00e3o de pluraliza\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia (o trabalho com v\u00e1rios), os novos sintomas, a psicose ordin\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A quem se destina<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Psican\u00e1lise \u00e9 oriunda do campo da medicina e em seus prim\u00f3rdios apenas os m\u00e9dicos a exerciam. Freud endere\u00e7a suas recomenda\u00e7\u00f5es ao m\u00e9dico, no singular. E, quinze anos ap\u00f3s, mais precisamente em 1927, Freud escreve \u201cA quest\u00e3o da an\u00e1lise leiga. Conversa com uma pessoa imparcial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ocasi\u00e3o, seu aluno n\u00e3o m\u00e9dico Dr. Theodor Reik era acusado de charlatanismo e, nesse texto, Freud transmite n\u00e3o s\u00f3 o m\u00e9todo psicanal\u00edtico \u2013 o que a psican\u00e1lise faz, suas indica\u00e7\u00f5es e contraindica\u00e7\u00f5es, a import\u00e2ncia do per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o para uma an\u00e1lise (as entrevistas preliminares), quando e como uma an\u00e1lise opera, como uma an\u00e1lise se difere da confiss\u00e3o na religi\u00e3o \u2013, mas, sobretudo, ele a distingue da medicina, para afirmar que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para que o exerc\u00edcio da psican\u00e1lise fique restrito aos m\u00e9dicos. Para tanto, Freud vai diferenciar o organismo do aparelho ps\u00edquico, o c\u00e9rebro, com seus est\u00edmulos sensoriais, do significado e interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos para o sujeito, o tratamento do sintoma na medicina e o sentido do sintoma para a psican\u00e1lise \u2013 cuja causa \u00e9 um enunciado que subsiste no sujeito sem que possa ser por ele formulado (MILLER, 1994\/2023) \u2013, para afirmar que \u201ca an\u00e1lise n\u00e3o disp\u00f5e de nenhum outro material al\u00e9m dos processos an\u00edmicos\u201d (FREUD, 1927\/2017, p. 276).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses processos an\u00edmicos \u00e9 o que Freud nomear\u00e1 de inconsciente, texto indecifr\u00e1vel, escrito que marca e ressoa no corpo (o sintoma como acontecimento de corpo) e que o analisando aprende com o analista a ler. E essa leitura implica a decifra\u00e7\u00e3o (<em>Sujeito Suposto ao Saber<\/em>), mas, tamb\u00e9m, nos dizeres de Miller (1994\/2023), o analista, ao guiar o paciente, esse int\u00e9rprete, n\u00e3o \u00e9 indiferente ao sujeito, o analista \u00e9 um objeto de uma vincula\u00e7\u00e3o especial para ele, que atrai libido, aquela em jogo para o sujeito e seu Outro primordial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud ressalta, assim, em suas recomenda\u00e7\u00f5es, que, para um praticante de psican\u00e1lise, o mais importante n\u00e3o \u00e9, portanto, a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, se ele \u00e9 m\u00e9dico ou n\u00e3o, mas, sim, uma forma\u00e7\u00e3o permanente em psican\u00e1lise, que implica fundamentalmente a pr\u00f3pria an\u00e1lise do praticante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma experi\u00eancia anal\u00edtica que permitir\u00e1 ao analista praticante que a leitura do sintoma de um<em>\u00a0falasser<\/em>\u00a0n\u00e3o fique contaminada pelas lentes dos seus preconceitos e preceitos, nem pelo texto, nem pela letra de gozo de seu pr\u00f3prio inconsciente, ou seja, pelo modo como ele enquadra e enla\u00e7a a sua realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud destaca tamb\u00e9m mais dois pilares na forma\u00e7\u00e3o do analista: o estudo te\u00f3rico e a supervis\u00e3o dos casos cl\u00ednicos. Ele criar\u00e1 a Associa\u00e7\u00e3o Psicanal\u00edtica Internacional em 1910, pois j\u00e1 se preocupava \u00e0 \u00e9poca com a sua exist\u00eancia sempre amea\u00e7ada e com a sua populariza\u00e7\u00e3o. Ele alerta para a import\u00e2ncia de uma transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise que a distinga de outras pr\u00e1ticas, como a psicoterapia e a sugest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E que o la\u00e7o de trabalho numa institui\u00e7\u00e3o permita que o analista praticante esteja constantemente em conversa\u00e7\u00e3o com os colegas nos dispositivos institucionais, nos espa\u00e7os de supervis\u00e3o e formaliza\u00e7\u00e3o de sua cl\u00ednica para que, agora com Lacan (1953\/1998), o analista esteja \u00e0 altura das quest\u00f5es em sua pr\u00e1tica e alcance em seu horizonte a subjetividade da \u00e9poca.\u00a0 Para tanto, esses lugares zelam pela \u00e9tica e pela forma\u00e7\u00e3o do psicanalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O que \u00e9 um psicanalista?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As recomenda\u00e7\u00f5es freudianas nos transmitem que essa \u00e9 a quest\u00e3o central para a psican\u00e1lise e para a forma\u00e7\u00e3o de um psicanalista: o que \u00e9 um psicanalista?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No t\u00edtulo da tradu\u00e7\u00e3o que lemos aqui das\u00a0<em>Obras Incompletas de Sigmund Freud<\/em>, a singularidade referente ao praticante, ao m\u00e9dico (\u201cRecomenda\u00e7\u00f5es ao m\u00e9dico para o tratamento psicanal\u00edtico\u201d), encontra nela a sua raz\u00e3o (diferentemente da tradu\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>: \u201cRecomenda\u00e7\u00f5es aos m\u00e9dicos que exercem a psican\u00e1lise\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan (1956\/1998) afirma que a psican\u00e1lise \u00e9 o tratamento que que se espera de um psicanalista e define um psicanalista como o que resulta de uma an\u00e1lise. Cada um pode dar a sua resposta singular, se desejar, no dispositivo do passe inventado por Lacan, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 um universal: O Analista n\u00e3o existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evoco um fragmento do passe de S\u00e9rgio de Mattos (membro Escola Brasileira de Psican\u00e1lise e da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise) que foi recentemente nomeado Analista da Escola (AE), tendo testemunhado como se tornou um psicanalista de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao apresentar o tema para o pr\u00f3ximo XI Enapol,\u00a0<em>Come\u00e7ar a se analisar<\/em>, com o seu texto \u201cA boa sorte de analisar-se\u201d, e tamb\u00e9m em seu 1\u00ba testemunho intitulado \u201cNada melhor do que o vazio\u201d, S\u00e9rgio de Mattos (2023) conta que, ao chegar em sua an\u00e1lise \u2013 j\u00e1 tendo tido outras experi\u00eancias anal\u00edticas \u2013, o analista pergunta-lhe o que ele p\u00f4de saber de seu inconsciente. Ele responde ao analista que havia conseguido saber qual era o desejo da m\u00e3e. O analista interv\u00e9m dizendo-lhe, ent\u00e3o, que a psican\u00e1lise n\u00e3o podia fazer nada por ele. Corta a sess\u00e3o e marca outra para ele voltar. Esse ato do analista, \u00e9tico, introduz o mal-entendido e faz uma cis\u00e3o entre o dito e o dizer. O sujeito \u00e9 levado a um questionamento de seu desejo e do que diz quando fala. Esse primeiro encontro com o analista \u201cfaz voar em peda\u00e7os\u201d, segundo ele, o saber constitu\u00eddo, a resposta que ele havia elaborado ao que o Outro quer dele (MATTOS, 2023).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O analista, ao separar o enunciado e a enuncia\u00e7\u00e3o, questiona a posi\u00e7\u00e3o do sujeito, e essa localiza\u00e7\u00e3o subjetiva introduz o inconsciente (MILLER, 1997), um \u201cn\u00e3o saber o que se diz\u201d. Ele \u00e9 levado a se questionar e a se situar concernente ao que ele fazia e desejava t\u00e3o longe de sua casa (MATTOS, 2022).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O analista, ao colocar entre par\u00eanteses o que o sujeito diz, faz com que ele perceba que pode tomar diferentes posi\u00e7\u00f5es modalizadas para com o seu dito (MILLER, 1997, p. 247). Localizar o sujeito, \u00e9 demarcar onde se inscreve as varia\u00e7\u00f5es da posi\u00e7\u00e3o subjetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entreabre-se a porta e a pergunta sobre o desejo do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e9rgio sai da 1\u00aa sess\u00e3o e tem um sonho com a morte de sua m\u00e3e, que \u00e9 velada na garagem da casa da fam\u00edlia. Recorda-se de uma cena traum\u00e1tica vivida aos 5 anos. Ap\u00f3s uma briga dos pais, a m\u00e3e se tranca no quarto dizendo que se mataria. Frente \u00e0 porta trancada, o filho grita e bate desesperado. Nenhuma resposta. O pai, perturbado, tenta arromb\u00e1-la. A crian\u00e7a, de joelhos, suplica para que o pai fa\u00e7a alguma coisa. Em seguida, um buraco negro, desfalecimento. Vai recuperar o sentido e a mem\u00f3ria quando o m\u00e9dico sai do quarto e diz que a m\u00e3e estava dormindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa cena, ele p\u00f4de ler sua identifica\u00e7\u00e3o com o objeto de gozo do Outro. Chave de sua neurose infantil, experimentada com ang\u00fastias intensas, terrores noturnos, nervosismo, doen\u00e7as e dificuldade de encontrar seu lugar. Repert\u00f3rio que se repetiu sintomaticamente na sua vida nas ocasi\u00f5es de separa\u00e7\u00e3o e conflitos, nomeado pelo analista de patologia do\u00a0<em>fort-da<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele nos ensina, como nos diz J.-A.-Miller (1994\/2023), que o candidato \u00e0 psican\u00e1lise deve ser capaz de fornecer o texto a ler, a interpretar, e, mesmo, de o ler de diversas maneiras. \u00c9 o que Freud chama de<em>\u00a0regra fundamental<\/em>, a associa\u00e7\u00e3o livre, que s\u00e3o as cadeias de significantes que o sujeito n\u00e3o controla, significantes sem mestre. A associa\u00e7\u00e3o livre vai levar o sujeito a se dissociar da causa inventada que justifica a sua exist\u00eancia e que lhe tampa o vazio em que consiste (MATTOS, 2022).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abre-se ao trabalho, \u00e0 transfer\u00eancia, tanto na vertente do saber (Sujeito-Suposto-Saber) e do gozo (libidinal).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final de sua an\u00e1lise, ao escutar uma interven\u00e7\u00e3o do analista \u2013 \u201cme chama\u201d \u2013, se escreve para ele uma nova rela\u00e7\u00e3o com o Outro, que implica em n\u00e3o ter que responder fantasmaticamente,\u00a0<em>salvar a mulher<\/em>, colocando em jogo um programa de gozo, de destrui\u00e7\u00e3o, de desaparecimento e dano ao outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece-nos que o \u201cme chama\u201d, vociferado pelo analista ao final de sua an\u00e1lise, se articula com a abertura do enigma do desejo materno colocado \u00e0 entrada de sua an\u00e1lise. Onde havia uma porta que n\u00e3o se abria, a an\u00e1lise faz passar por ela, entreabre-se ao desejo do analista que o possibilita a engajar-se na via do desejo, quando o gozo transborda no cotidiano da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Lugares e la\u00e7os<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 s\u00f3 a partir de uma experi\u00eancia anal\u00edtica, da an\u00e1lise de seus pr\u00f3prios sonhos, nos diz Freud, que o praticante alcan\u00e7a e se orienta por um\u00a0<em>saber n\u00e3o-saber\u00a0<\/em>(<em>douta ignor\u00e2ncia)<\/em>, fun\u00e7\u00e3o do desejo do analista. Assim a an\u00e1lise se molda, sublinha Freud (1927\/2017), a partir de sua mat\u00e9ria, daquilo que o paciente traz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, num dos espa\u00e7os do IPSM-MG, o Atelier de Pesquisa em Psican\u00e1lise e Segrega\u00e7\u00e3o, uma \u00f3tima conversa e discuss\u00e3o coloca em jogo esse tema. Um caso de uma crian\u00e7a, apresentado pela psicanalista In\u00eas Seabra, membro da EBP\/AMP \u2013 que tamb\u00e9m foi trabalhado anteriormente em outro espa\u00e7o do IPSM-MG, o N\u00facleo de Pesquisa e Psican\u00e1lise com Crian\u00e7as \u2013, nos presentifica com sua transmiss\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o do desejo do analista, que acompanha as respostas do sujeito e a temporalidade do trabalho de elabora\u00e7\u00e3o anal\u00edtico dessa crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O analista n\u00e3o se precipita nem insere significantes, que fazem parte do Outro simb\u00f3lico ao qual a menina pertence \u2013 ser preta, menina, racismo, exclus\u00e3o. O analista tamb\u00e9m n\u00e3o insere na an\u00e1lise da crian\u00e7a a interpreta\u00e7\u00e3o materna de racismo, em rela\u00e7\u00e3o a uma experi\u00eancia que a menina viveu na escola.\u00a0 O analista acolhe o tempo do sujeito e a quest\u00e3o que o analisando trazia \u2013 \u201cde onde v\u00eam os beb\u00eas?\u201d \u2013, colocada pelo real do nascimento de um irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As recomenda\u00e7\u00f5es de Freud acentuam a import\u00e2ncia de que muitas coisas que ouvimos, sua import\u00e2ncia s\u00f3 se revelar\u00e1\u00a0<em>a posteriori<\/em>\u00a0(<em>nachtraglich<\/em>). Que os analistas sejam pacientes. E, se ele n\u00e3o recomenda fazermos anota\u00e7\u00f5es para suprir a falta de evid\u00eancias e comprova\u00e7\u00f5es para fins cient\u00edficos, \u00e9 porque passamos dos fatos para o dizer, das evid\u00eancias para a constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fundamento da regra\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A t\u00e9cnica simples que Freud destaca para o psicanalista nessas recomenda\u00e7\u00f5es \u00e9 a que chamamos durante anos de \u201caten\u00e7\u00e3o flutuante\u201d e, na tradu\u00e7\u00e3o que lemos, optou-se pelo neologismo \u201caten\u00e7\u00e3o equiflutuante\u201d, justificado pelo termo em alem\u00e3o utilizado por Freud, que cont\u00e9m a aten\u00e7\u00e3o continuada, flutuante e equitativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma nota, os editores das\u00a0<em>Obras Incompletas de Sigmund Freud<\/em>\u00a0referem-se \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o proposta por Paul-Laurent Assoun (2009) \u2013 \u201cequiflutuante\u201d \u2013, pois o seu sentido abarca um para al\u00e9m da mera flutua\u00e7\u00e3o e designa as pequenas batidas de asas suficientes para que um p\u00e1ssaro possa planar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse batimento de asas evoca a linguagem com o seu batimento, aquele da articula\u00e7\u00e3o dos significantes, assim como as resson\u00e2ncias e ocorr\u00eancias da l\u00edngua que produzem algo novo, que tanto surpreende o analista e o analisando na leitura e na escrita do inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse modo de aten\u00e7\u00e3o, a sua import\u00e2ncia, enfatiza a n\u00e3o sele\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, que o psicanalista n\u00e3o se fie em seus valores ou teorias pr\u00e9-concebidas. No dizer de Freud (1912\/2017, p. 94): \u201cse seguimos as nossas inclina\u00e7\u00f5es e expectativas, corremos o risco de nunca encontrarmos algo diferente do que sabemos\u201d. O sujeito \u00e9 suposto ao saber inconsciente que se desprende das cadeias, das associa\u00e7\u00f5es do analisando, e \u00e9 a partir do que lhe \u00e9 dito que o analista interpreta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A contrapartida para a \u201caten\u00e7\u00e3o equiflutuante\u201d \u00e9 exigirmos, nos dizeres de Freud, que o analisando conte tudo o que lhe ocorre, sem cr\u00edtica ou sele\u00e7\u00e3o. Trata-se da regra psicanal\u00edtica fundamental da psican\u00e1lise, que j\u00e1 comentamos aqui, a \u201cassocia\u00e7\u00e3o livre\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O lugar do analista<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para finalizarmos, voltamos ao in\u00edcio de nossa leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud (1912\/2017, p. 102) adverte para que o psicanalista n\u00e3o ambicione a cura e o bem para seu analisando, assim como n\u00e3o tenha compaix\u00e3o e empatia: \u201co m\u00e9dico precisa ser opaco para o analisando\u201d, ele recomenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o lugar e a fun\u00e7\u00e3o do analista que ele procura nesse texto formalizar, retirando-o do eixo imagin\u00e1rio, especular, e do campo da sugest\u00e3o. Assim, trata-se de desvalorizar a transfer\u00eancia sentimental e empalidecer a transfer\u00eancia imagin\u00e1ria, nos diz Miller (1994\/2023), pois elas n\u00e3o favorecem o desenvolvimento da cadeia significante nem possibilitam ao sujeito responsabilizar-se pelo pr\u00f3prio gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O valor disso que ele destaca \u00e9 o que chamamos de segunda regra da an\u00e1lise, a regra da abstin\u00eancia, que completaria a primeira regra, a da associa\u00e7\u00e3o livre. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 n\u00e3o se satisfazer com uma satisfa\u00e7\u00e3o de ordem sexual com o analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lugar do analista no discurso do analista enquanto objeto\u00a0<em>a<\/em>, inv\u00f3lucro do nada da significa\u00e7\u00e3o inconsciente. Lacan (1973\/2003, p. 518) situar\u00e1 o analista em \u201cTelevis\u00e3o\u201d pelo que antigamente se chamava \u201cser santo\u201d. O santo n\u00e3o faz caridade; antes, presta-se a bancar o dejeto: ele faz\u00a0<em>descaridade<\/em>, o que permite ao sujeito tom\u00e1-lo como objeto causa de seu desejo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">ASSOUN, P.-L.\u00a0<em>Dictionnaire des oeuvres psychanalytiques<\/em>. Paris: PUF, 2009.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FREUD, S.\u00a0<em>Recomenda\u00e7\u00f5es ao m\u00e9dico para o tratamento psicanal\u00edtico<\/em><em>.\u00a0<\/em>In:\u00a0<em>Obras Incompletas de Sigmund Freud<\/em>: Fundamentos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. Vol. 6. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2017, p. 93-104. (Trabalho original publicado em 1912).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FREUD, S. A quest\u00e3o da an\u00e1lise leiga. Conversas com uma pessoa imparcial<em>.\u00a0<\/em>In:\u00a0<em>Obras Incompletas de Sigmund Freud<\/em>: Fundamentos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. Vol. 6. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2017, p. 93-104. (Trabalho original publicado em 1927).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise. In:\u00a0<em>Escritos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. (Trabalho original publicado em 1953).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 1<\/em>: Os escritos t\u00e9cnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1986. (Texto original proferido em 1953-54).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Situa\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise em 1956. In:\u00a0<em>Escritos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.\u00a0(Texto original proferido em 1956).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Televis\u00e3o. In:\u00a0<em>Outros Escritos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. (Trabalho original publicado em 1973).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. (1956). Situa\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise em 1956. In:\u00a0<em>Escritos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. (1973). Televis\u00e3o. In:\u00a0<em>Outros Escritos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.\u00a0<a id=\"nota1\"><\/a><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MATTOS, S. de. Rien comme un vide.\u00a0<em>Revue La Cause du D\u00e9sir<\/em>, n. 111, jun, 2022.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MATTOS, S. de. A boa sorte de analisar-se. In:\u00a0<em>XI ENAPOL: Textos de Orienta\u00e7\u00e3o<\/em>. 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/enapol.com\/xi\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ENAPOL-Sergio-de-Mattos-PT-2.pdf&gt;. Acesso em: 25 mai. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. O m\u00e9todo psicanal\u00edtico. In:\u00a0<em>Lacan Elucidado<\/em>: palestras no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. Como come\u00e7am as an\u00e1lises. In:\u00a0<em>XI ENAPOL: Textos de Orienta\u00e7\u00e3o<\/em>. 2023. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/enapol.com\/xi\/wp-content\/uploads\/\">http:\/\/enapol.com\/xi\/wp-content\/uploads\/<\/a>\u00a02023\/04\/ENAPOL-Jacques-Alain-Miller-PT.pdf. Acesso em: 25 mai. 2023.\u00a0Trabalho original publicado em 1994).<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/uma-leitura-do-texto-freudiano#refer1\">[1]\u00a0<\/a>Texto apresentado nas 59\u00aa. Li\u00e7\u00f5es introdut\u00f3rias \u00e0 Psican\u00e1lise em 28 de mar\u00e7o de 2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cristiana Pittella Psicanalista, membro da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise\/AMP cristianapittella@yahoo.com.br Resumo:\u00a0A partir de uma leitura de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana do texto em que Freud procura transmitir o m\u00e9todo psicanal\u00edtico, depreende-se a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o do psicanalista para aqueles que querem se lan\u00e7ar na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise. Palavras-chave:\u00a0m\u00e9todo psicanal\u00edtico; forma\u00e7\u00e3o do psicanalista. 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