{"id":239,"date":"2023-08-15T19:24:18","date_gmt":"2023-08-15T22:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=239"},"modified":"2025-12-01T12:56:30","modified_gmt":"2025-12-01T15:56:30","slug":"folitiquement-incorreto12","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2023\/08\/15\/folitiquement-incorreto12\/","title":{"rendered":"\u201cFolitiquement\u201d incorreto<sup>[1],[2]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Pascale Fari<br \/>\n<\/strong>Psicanalista, Membro da \u00c9cole de la Cause Freudienne\/AMP<br \/>\n<span id=\"cloak914a4425c08db12c1a9e92fbc6a8bc58\"><a href=\"mailto:pfaripsy@gmail.com\">pfaripsy@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>O significante \u201cloucura\u201d n\u00e3o \u00e9 mais admiss\u00edvel em psiquiatria. O psiquismo tem sido apagado, o qualificativo \u201cmental\u201d se tornou uma rel\u00edquia inc\u00f4moda e o que permanece \u00e9 simplesmente \u201ca doen\u00e7a\u201d. Diante do sufixo-mestre atual, neuro, o essencial n\u00e3o \u00e9 mais o que o paciente tem a dizer, mas sim que ele engula a coisa. O c\u00e9rebro \u00e9 o objeto primordial dessa doen\u00e7a, a m\u00e1quina \u00e9 seu modelo original. \u00c9 a psican\u00e1lise que, por sustentar a dimens\u00e3o da subjetividade, constitui o obst\u00e1culo maior \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da loucura a um dist\u00farbio org\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palavras-chave<\/strong>: loucura; doen\u00e7a mental; del\u00edrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFOLITIQUEMENT\u201d INCORRECT<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abstract:<\/strong>\u00a0The signifier \u201cmadness\u201d is no longer admissible in psychiatry. Psychism has been erased, the qualifier \u201cmental\u201d has become an uncomfortable relic and what remains is simply \u201cthe disease\u201d. Faced with the current master suffix, neuro, what is essential is no longer what the patient has to say, but that he swallows it. The brain is the primary object of this disease, the machine is its original model. It is psychoanalysis that, by sustaining the dimension of subjectivity, constitutes the greatest obstacle to reducing madness to an organic disturbance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Keywords<\/strong>: craziness; mental disease; delirium.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"attachment_240\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/incorreto.jpg\" data-dt-img-description=\"Imagem: Renata Laguardia\" data-large_image_width=\"800\" data-large_image_height=\"1063\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-240\" class=\"size-large wp-image-240\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/incorreto-771x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/incorreto-771x1024.jpg 771w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/incorreto-226x300.jpg 226w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/incorreto-768x1020.jpg 768w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/incorreto.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-240\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Renata Laguardia<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Talvez, um dia, se saber\u00e1 melhor o que pode ser a loucura.<br \/>\n<\/em>(FOUCAULT, 1964\/2002)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Referimo-nos\u00a0 \u00e0 psiquiatria transformada numa quest\u00e3o para todos.<br \/>\n<\/em>(LACAN, 1964\/2003)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena se desenvolve em um setor de psiquiatria adulta na regi\u00e3o parisiense. O caso de um paciente esquizofr\u00eanico que vai particularmente mal \u00e9 abordado em reuni\u00e3o. A discuss\u00e3o est\u00e1 animada, rica de vinhetas cl\u00ednicas trazidas por todos. Durante a conversa\u00e7\u00e3o, eu digo: \u201cEle est\u00e1 completamente louco nesse momento\u201d. Sil\u00eancio incomodado, todos olham para frente. Ap\u00f3s um tempo de pausa, a conversa\u00e7\u00e3o recome\u00e7a sobre outra coisa, como se nada tivesse acontecido. Um colega psiquiatra me explicar\u00e1: \u201cN\u00e3o se pode mais falar de loucura, isso n\u00e3o se diz mais\u201d. \u00c9 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Investiga\u00e7\u00e3o sobre um apagamento<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu j\u00e1 sabia, h\u00e1 muito tempo, que o termo\u00a0<em>doen\u00e7a mental\u00a0<\/em>tinha suplantado o termo\u00a0<em>loucura<\/em>; que in\u00fameros loucos se encontram na rua ou na pris\u00e3o; etc. Mas eu descobri l\u00e1, entretanto, o que \u00e9 o corol\u00e1rio l\u00f3gico disso: a loucura n\u00e3o \u00e9 mais admiss\u00edvel em psiquiatria. O significante ele mesmo se tornou tabu. Silenciosamente obliterado. Politicamente incorreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre exclu\u00eddos, os loucos tinham um lugar no discurso psiqui\u00e1trico e no hosp\u00edcio. A exclus\u00e3o lhes conferia um lugar. Lidar\u00edamos, a partir da\u00ed, com a nega\u00e7\u00e3o \u2013 at\u00e9 mesmo a forclus\u00e3o \u2013 da loucura? Estamos nesse desenla\u00e7amento antecipado por Michel Foucault (FOUCAULT, 1964\/2002, 1973-74\/2006), no qual a loucura e a doen\u00e7a mental terminam por se separar? \u00c0 for\u00e7a de reduzir a doen\u00e7a mental \u00e0 uma afec\u00e7\u00e3o org\u00e2nica chegou-se a \u201cpasteurizar o hospital psiqui\u00e1trico\u201d sem mais a\u00ed encontrar a loucura?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sil\u00eancio embara\u00e7ado de meus colegas testemunha, apesar de tudo essa presen\u00e7a ainda quente de um real que n\u00e3o encontra mais como se nomear? O que \u00e9 exatamente esse apagamento? O que \u00e9 que o tornou poss\u00edvel? Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias disso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Engolir a doen\u00e7a (mental)<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se fundamentando sen\u00e3o por dados quantitativos, o cientificismo estuda sua distribui\u00e7\u00e3o \u201csem refer\u00eancia a nenhum conte\u00fado significativo ou absoluto\u201d (MILLER, 2004, p. 8).\u00a0 Nessa \u201cditadura da m\u00e9dia\u201d, a ideologia da objetividade das cifras se alimenta da vacuidade de sua significa\u00e7\u00e3o. Nesse reino de quantifica\u00e7\u00e3o desenfreada, joga-se uma cumplicidade implac\u00e1vel entre as exig\u00eancias econ\u00f4micas da Administra\u00e7\u00e3o e a psiquiatria organicista, entre o Um gestor e o Um bioqu\u00edmico ou neuronal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez o psiquismo apagado, o qualificativo \u201cmental\u201d se torna uma rel\u00edquia inc\u00f4moda; permanece \u201ca doen\u00e7a\u201d, simplesmente. Assim, se indica ao paciente que a \u201cesquizofrenia \u00e9 como o diabetes, \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica\u201d; detalha-se para ele os sintomas (todos deficit\u00e1rios); \u00fanico recurso, tomar cuidadosamente todos os seus medicamentos para impedir a inevit\u00e1vel progress\u00e3o do mal. O essencial n\u00e3o \u00e9 o que o paciente teria a dizer, mas sim que ele engula a coisa. \u00c0s \u201cvelhas leis\u201d [do hospital] (FOUCAULT, 1975\/2002, p. 288): \u201cVoc\u00ea n\u00e3o se mexer\u00e1, n\u00e3o gritar\u00e1\u201d, acrescentou-se esta: \u201cVoc\u00ea engolir\u00e1\u201d (neurol\u00e9pticos, refei\u00e7\u00f5es, cuidados, explica\u00e7\u00f5es&#8230;). E Foucault (1975\/2002, p. 289) conclui: \u201centre a loucura que n\u00e3o se quer mais e a cura que dificilmente se espera, [o] \u2018bom doente\u2019 [\u00e9] aquele que come bem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, atualmente a forma que toma a cifra quando ocupa o ps\u00edquico \u00e9 o \u201csignificante-mestre, o sufixo-mestre, \u00e9\u00a0<em>neuro<\/em>-\u201d (MILLER, 2018). O c\u00e9rebro \u00e9 seu objeto primordial, a m\u00e1quina \u00e9 seu modelo original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O homem-m\u00e1quina: o \u201creset\u201d do eletrochoque<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imagin\u00e1rio contempor\u00e2neo comporta uma \u201cidentifica\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e1quina\u201d, n\u00f3s tratamos ou gostamos de \u201cser tratados como uma m\u00e1quina\u201d, continua Jacques-Alain Miller. A l\u00edngua est\u00e1 impregnada disso \u2013 acionada, encarnada, \u201cestar no clima\u201d disso ou daquilo&#8230;, robotizada, superexcitada, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis o que esclarece a volta surpreendente do eletrochoque: \u201cNeurologia: mudan\u00e7a a respeito do eletrochoque\u201d;<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_edn1\" name=\"_ednref1\">[3]<\/a><\/sup>\u00a0\u201cPsiquiatria: a incr\u00edvel revanche dos eletrochoques\u201d;<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_edn2\" name=\"_ednref2\">[4]<\/a><\/sup>\u00a0\u201cA sismoterapia \u00e9 particularmente brilhante contra a depress\u00e3o severa\u201d.<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_edn3\" name=\"_ednref3\">[5]<\/a>\u00a0<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rebatizada \u201csismoterapia\u201d ou \u201celetroconvulsivoterapia\u201d (ECT), trata-se sempre de uma crise convulsiva provocada pela passagem de uma corrente el\u00e9trica no c\u00e9rebro \u2013 entre 50 e 200 V (at\u00e9 350 V), para uma intensidade de 50 a 800 mA. Mencionemos aqui que o custo dos eletrochoques \u00e9 elevado, \u00e9 um ato que \u201cd\u00e1 lucro\u201d, principalmente \u00e0s cl\u00ednicas privadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um novo padr\u00e3o se imp\u00f5e (GUELFI, ROUILLON, 2017, p. 660; SZEKELY; POULET, 2012), que promete o ECT como \u201co tratamento o mais eficaz da depress\u00e3o severa\u201d. Atualmente \u00e9 admitido (sen\u00e3o preconizado) recorrer a ele\u00a0<em>logo de in\u00edcio\u00a0<\/em>(ao passo seu uso se limitava anteriormente aos casos resistentes \u00e0 quimioterapia e que apresentem um risco vital). As indica\u00e7\u00f5es n\u00e3o esquecem ningu\u00e9m (mulheres, gr\u00e1vidas, crian\u00e7as, terceira idade). Se bem que \u201cn\u00e3o consensuais\u201d, elas se multiplicam em todas as dire\u00e7\u00f5es, da primeira descompensa\u00e7\u00e3o esquizofr\u00eanica at\u00e9 a adi\u00e7\u00e3o \u00e0 internet dos adolescentes&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Incr\u00edvel, mas verdadeiro, poucos estudos tratam dos danos cerebrais causados pelos eletrochoques; grande parte desses estudos s\u00e3o antigos e insuficientes (SACKEIM et al., 2007). Em 2007, o primeiro estudo de envergadura conclui pela persist\u00eancia de problemas cognitivos (mem\u00f3ria, aprendizagem, pensamento).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao mecanismo de a\u00e7\u00e3o, mist\u00e9rio&#8230; Alguns contam com \u201ccamundongos modificados geneticamente\u201d por serem verdadeiramente deprimidos! As hip\u00f3teses s\u00e3o abundantes, evocam uma esp\u00e9cie de\u00a0<em>branle-bas de combat<\/em><sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_edn4\" name=\"_ednref4\">[6]<\/a><\/sup>\u00a0para interromper as principais perturba\u00e7\u00f5es induzidas pela descarga el\u00e9trica. Sem se confessar explicitamente, o modelo que emerge dessas conjecturas se parece com a fun\u00e7\u00e3o\u00a0<em>reset<\/em>\u00a0de uma m\u00e1quina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um problema, entretanto: a \u201ctaxa de reca\u00edda [&#8230;] importante e precoce\u201d ap\u00f3s um tratamento de ECT (oito a doze sess\u00f5es por algumas semanas). Pouco importa, os tratamentos \u201cde manuten\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cde controle\u201d s\u00e3o recomendados \u2013 ainda o modelo da m\u00e1quina \u2013 para prevenir uma recidiva. Dentro de pouco tempo a adi\u00e7\u00e3o aos eletrochoques?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8230; \u00e0 lier<\/em><sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_edn5\" name=\"_ednref5\">[7]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exacerba\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia em psiquiatria ultrapassa a pr\u00e1tica dos eletrochoques. Ela se deve precisamente a esse apagamento da loucura em proveito da sa\u00fade mental, aquela que \u201cn\u00e3o tem outra defini\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a da ordem p\u00fablica. Trata-se sempre do uso, do bom uso da for\u00e7a\u201d (MILLER, 1999, p. 14). Negando a subjetividade, em nada querer saber do que os pacientes t\u00eam a dizer, nesses \u201cconfins onde a palavra se demite come\u00e7a o \u00e2mbito da viol\u00eancia, e que ela j\u00e1 reina ali, mesmo sem que a provoquemos\u201d nos advertia Lacan (LACAN, 1954\/1998, p. 376).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada surpreendente, portanto, a infla\u00e7\u00e3o imoderada das medidas coercitivas (hospitaliza\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, isolamento, conten\u00e7\u00e3o). Em 2015, aproximadamente um quarto das hospitaliza\u00e7\u00f5es foram feitas sem o consentimento de 100.000 pacientes concernidos (FAVEREAU, 2017),<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_edn6\" name=\"_ednref6\">[8]<\/a><\/sup>\u00a0ou seja, duas vezes mais que h\u00e1 dez anos. Surpreendente contraste com a ambi\u00e7\u00e3o da Lei de 5 de julho 2011, que esperava limitar o recurso \u00e0 for\u00e7a e garantir os direitos dos pacientes! O filme de Raymund Depardon,\u00a0<em>12 dias<\/em><em>,<\/em>\u00a0mostra isso de maneira de pungente: os pacientes s\u00e3o convidados a se expressar, mas a entrevista com o juiz encarregado de avaliar a medida, focalizada sobre a legalidade do procedimento, reduz sua palavra a uma casca vazia. Deste mal-entendido absoluto, o n\u00e3o-encontro redobra a aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma maneira, a coloca\u00e7\u00e3o em quarto de isolamento e a utiliza\u00e7\u00e3o das amarras de conten\u00e7\u00e3o v\u00e3o crescendo, manifestando \u00e0s vezes uma certa imprecis\u00e3o entre cuidado e san\u00e7\u00e3o disciplinar; para Genevi\u00e8ve Hazan, respons\u00e1vel pelo controle geral dos locais de priva\u00e7\u00e3o de liberdade, as causas disso s\u00e3o m\u00faltiplas: a redu\u00e7\u00e3o dos efetivos, a falta de forma\u00e7\u00e3o das equipes&#8230;, mas tamb\u00e9m a amplifica\u00e7\u00e3o mediatizada \u201cde acontecimentos dram\u00e1ticos, mas excepcionais\u201d (CGLPL, 2016, p. 80).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, a periculosidade, a passagem ao ato imprevis\u00edvel, n\u00e3o \u00e9 justamente o que resta (ou o que faz retorno) da loucura amarrada, negada, privada de subjetividade, extra\u00edda de toda psicopatologia? Do Daech<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_edn7\" name=\"_ednref7\">[9]<\/a><\/sup>\u00a0a Trump passando pelos fatos diversos, espelho de aumento disto que amea\u00e7a o la\u00e7o social, a viol\u00eancia bruta, incontrol\u00e1vel, que angustia e fascina. \u201cA loucura s\u00f3 existe em uma sociedade\u201d, indicava Foucault, ela n\u00e3o existe fora das formas que a isolam, a excluem ou a capturam. Assim, o bin\u00e1rio\u00a0<em>raz\u00e3o<\/em>\/<em>n\u00e3o raz\u00e3o<\/em>\u00a0que servia para discriminar a loucura parece ter sido substitu\u00edda por aquele da\u00a0<em>seguran\u00e7a<\/em>\/<em>viol\u00eancia<\/em>. \u201cCada cultura, afinal de contas, tem a loucura que merece\u201d (FOUCAULT, 1961\/2002, p. 150).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Eu \u201cpsychote\u201d, tu \u201cpsychotes\u201d&#8230; todo mundo delira<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a dissolu\u00e7\u00e3o do par\u00a0<em>raz\u00e3o<\/em>\/<em>n\u00e3o raz\u00e3o\u00a0<\/em>tem igualmente outros motivos muito s\u00e9rios: todo mundo delira, e a partir de agora todo mundo sabe disso. N\u00e3o se surpreende mais que, na rua, todos falem sozinhos \u2013 com ou sem telefone \u2013, \u00e9 uma simples quest\u00e3o de modalidades de aparelhagem com o Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coisa passou para a l\u00edngua. \u00c9 claro,<em>\u00a0Le vocabulaire pours tous<\/em>, de Berscherelle, confirma como \u201ctabu\u201d o termo \u201clouco\u201d, substitu\u00eddo pelo intoler\u00e1vel \u201cdoente mental\u201d; essa modifica\u00e7\u00e3o da terminologia m\u00e9dica data do s\u00e9culo XX, conforme o\u00a0<em>Dictionnaire historique de la langue fran\u00e7aise\u00a0<\/em>das Edi\u00e7\u00f5es Robert. Por outro lado, \u201cdelirar\u201d e \u201cdelirante\u201d s\u00e3o completamente banalizados.<em>\u00a0Last but not least<\/em>, \u201c<em>psychoter<\/em>\u201d fez sua entrada oficial no Petit Robert em 2013, depois no Larousse em 2015. \u201cParano\u201d, \u201cschizo\u201d, circulam. Esses novos usos, deslocados, provocadores, ir\u00f4nicos, levam uma parte da carga de real associada a seu emprego original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles atestam, entretanto, tamb\u00e9m uma perturba\u00e7\u00e3o profunda. Com a decad\u00eancia do Nome-do-Pai, o \u201ctodo\u201d, garantia de uma organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, n\u00e3o tem mais utilidade ou lugar, mostra J.-A. Miller. N\u00e3o se cr\u00ea mais nas classes. As distribui\u00e7\u00f5es estanques s\u00e3o totalit\u00e1rias e ultrapassadas. O\u00a0<em>DSM\u00a0<\/em>aninhou-se assim na crise das classifica\u00e7\u00f5es que afetavam a nosografia psiqui\u00e1trica (MILLER, 2011, 2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, na segunda cl\u00ednica de Lacan, a perspectiva do\u00a0<em>sinthoma<\/em>\u00a0\u201c\u00e9 a vers\u00e3o lacaniana de [&#8230;] fragmenta\u00e7\u00e3o das entidades cl\u00ednicas no\u00a0<em>DSM<\/em>. N\u00e3o se trata da mesma fragmenta\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 o mesmo movimento de desestrutura\u00e7\u00e3o das entidades\u201d, observa ainda J.-A. Miller. O enunciado\u00a0<em>Todo mundo \u00e9 louco,\u00a0<\/em>proferido em seu tempo por Lacan, chama uma nova cl\u00ednica, na qual o \u201csintoma se torna uma unidade elementar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 um humanismo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o esque\u00e7amos que o\u00a0<em>DSM<\/em>\u00a0foi concebido n\u00e3o somente para negar a dimens\u00e3o ps\u00edquica, mas tamb\u00e9m para combater a psican\u00e1lise (BERCHERIE, 2010, p. 635-640). Esse combate permanece eminentemente atual. Assim, financiado por dois laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos, uma pesquisa sobre a \u201cimagem da esquizofrenia\u201d (L\u2019ObSoCo, 2015) na imprensa se descobre ser um cavalo de Tr\u00f3ia para incriminar a psican\u00e1lise. Os argumentos s\u00e3o misteriosos. Os adeptos da organicidade t\u00eam, entretanto, raz\u00e3o sobre um ponto: a psican\u00e1lise carrega a dimens\u00e3o da subjetividade e constitui um obst\u00e1culo maior \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da loucura a um dist\u00farbio org\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa configura\u00e7\u00e3o, protestos humanistas e voos liter\u00e1rios s\u00e3o v\u00e3os. Face ao rolo compressor dos\u00a0<em>negativistas<\/em>\u00a0que se recusam a ouvir aqueles de quem deveriam cuidar, afiemos nossos conceitos e nossa cl\u00ednica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 a loucura do mundo, h\u00e1 aquela que habita nossa abje\u00e7\u00e3o a mais \u00edntima e h\u00e1 a patologia psiqui\u00e1trica. N\u00f3s n\u00e3o temos saudade das classes perdidas. Mas n\u00f3s sabemos que apagar ou negar as diferen\u00e7as redobra a exclus\u00e3o. N\u00e3o negar a loucura \u00e9 tamb\u00e9m abordar com rigor o real da psicose como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De cada um, n\u00f3s temos a aprender seu uso incompar\u00e1vel da l\u00edngua, sua irredutibilidade absoluta, sua estranheza. A nos ligar \u00e0s varia\u00e7\u00f5es qualitativas do heter\u00f3geno, sem fascina\u00e7\u00e3o, sem romantismo, sem complac\u00eancia.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Tereza Cristina C\u00f4rtes Facury<br \/>\n<strong>Revis\u00e3o:<\/strong>\u00a0Beatriz Esp\u00edrito Santo Nery Ferreira<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">BERCHERIE, P. Pourquoi le DSM? L\u2019obsolescence des fondements du diagnostic psychia\u00a0 trique.\u00a0<em>L\u2019Information psychiatrique<\/em>, n. 7, v. 86, p. 635-640, set. 2010. Dispon\u00edvel em:\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cairn.info\/revue-l-information-psychiatrique-2010-7-page-635.htm\">www.cairn.info<\/a>.\u00a0Acesso em: 01 jun. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">CONTR\u00d4LEUR G\u00c9N\u00c9RAL DES LIEUX DE PRIVATION DE LIBERT\u00c9 (CGLPL).\u00a0<em>Rapport th\u00e9matique<\/em>: Isolement et contention dans les \u00e9tablissements de sant\u00e9 mentale. Paris: \u00c9ditions Dalloz, 2016. Dispon\u00edvel em: www.cglpl.fr. Acesso em: 01 jun. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FAVEREAU, \u00c9. Les chiffres affolants des soins psy sans consentement.\u00a0<em>Lib\u00e9ration<\/em>, 15 fev. 2017. Dispon\u00edvel em: www.liberation.fr. Acesso em: 01 jun. 2023.<strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FOUCAULT, M. A loucura s\u00f3 existe em uma sociedade. In:\u00a0<em>Problematiza\u00e7\u00e3o do sujeito<\/em>: Psicologia, Psiquiatria e Psican\u00e1lise. (Cole\u00e7\u00e3o Ditos e Escritos I). Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 2002. (Trabalho original publicado em 1961).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FOUCAULT, M. A loucura, aus\u00eancia de obra. In:\u00a0<em>Problematiza\u00e7\u00e3o do sujeito<\/em>: Psicologia, Psiquiatria e Psican\u00e1lise. (Cole\u00e7\u00e3o Ditos e Escritos I). Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 2002. (Trabalho original publicado em 1964).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FOUCAULT, M. Bancar os loucos. In:\u00a0<em>Problematiza\u00e7\u00e3o do sujeito<\/em>: Psicologia, Psiquiatria e Psican\u00e1lise. (Cole\u00e7\u00e3o Ditos e Escritos I). Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 2002. (Trabalho original publicado em 1975).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FOUCAULT, M.\u00a0<em>O poder psiqui\u00e1trico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2006. (Trabalho original publicado em 1973-74).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">GUELFI, J.-D., ROUILLON, F.\u00a0<em>Manuel de Psychiatrie<\/em>. 3. ed. Paris\u00a0: Elsevier Masson, 2017.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Introdu\u00e7\u00e3o ao coment\u00e1rio de Jean Hyppolite sobre a \u201cVerneinung\u201d de Freud. In:\u00a0<em>Escritos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. (Trabalho original publicado em 1954).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0Ato de funda\u00e7\u00e3o. In:\u00a0<em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. (Trabalho original publicado em 1964).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">L\u2019OBSERVATOIRE SOCIETE &amp; CONSOMMATION (L\u2019ObSoCo).\u00a0<em>L\u2019Image de la schizophr\u00e9nie \u00e0 travers son traitement m\u00e9diatique (Synth\u00e8se)<\/em>. 2015. Dispon\u00edvel em: www.fondation-fondamental.org. Acesso em: 01 jun. 2023.<strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. Sa\u00fade mental e ordem p\u00fablica.\u00a0<em>Curinga<\/em>, n. 13, p. 14-24, set. 1999.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. A era do homem sem qualidades.\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana On-line<\/em>, n. 1, 2004. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/n1\/pdf\/artigos\/jamera.pdf\">www.opcaolacaniana.com.br<\/a>. Acesso em: 01 jun. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. Intui\u00e7\u00f5es milanesas, Parte II.\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana On-line<\/em>, n. 6, p. 1-21, nov. 2011.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. La signature des symp-t\u00f4mes.\u00a0<em>La Cause du D\u00e9sir<\/em>, n. 96, 2017.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. Neuro-, le nouveau r\u00e9el.\u00a0<em>La Cause du D\u00e9sir<\/em>, n. 98, p. 111-121, 2018. Dispon\u00edvel em: www.cairn.info. Acesso em: 06 jul. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">SACKEIM, H. A. et al. The cognitive effects of electroconvulsive therapy in community settings.\u00a0<em>Neuropsychopharmacology<\/em>, n. 1, v. 32, p. 244-254, 2007.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">SZEKELY, D.; POULET, E. L\u2019\u00c9lectroconvulsivo th\u00e9rapie. In:\u00a0<em>De l\u2019historique \u00e0 la pratique clinique<\/em>: principes et applications. Marseille: Solal, 2012.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Texto originalmente publicado em\u00a0<em>La Cause du D\u00e9sir<\/em>, n. 98, p. 50-54, 2018. 50-54. Dispon\u00edvel em: www.cairn.info.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>\u00a0N.T.: T\u00edtulo em franc\u00eas:\u00a0<em>Folitiquement incorrect<\/em>. Optamos por conservar o neologismo\u00a0<em>Folitiquement<\/em>\u00a0em refer\u00eancia \u00e0 palavra francesa\u00a0<em>folie<\/em>\u00a0(\u201cloucura\u201d), mantendo o jogo de palavras da autora com a express\u00e3o \u201cpoliticamente incorreto\u201d.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_ednref1\" name=\"_edn1\">[3]<\/a>\u00a0Cf.: CABUT, S. Neurologie: volte-face sur l\u2019\u00e9letrochoc.\u00a0<em>Le Monde<\/em>, 18 nov. 2018. Dispon\u00edvel em: www.lemonde.fr. Acesso em\u00a0: 01 jun. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_ednref2\" name=\"_edn2\">[4]<\/a>\u00a0Cf.: MALYE, F.\u00a0; VINCENT, J.\u00a0; LAGRANGE, C. Psychiatrie: l\u2019incroyable revanche des \u00e9letrochocs.\u00a0<em>Le Point<\/em>, 25 ago. 2015. Dispon\u00edvel em: www.lepoint.fr. Acesso em\u00a0: 01 jun. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_ednref3\" name=\"_edn3\">[5]<\/a>\u00a0Cf.: SZAPIRO-MANOUKIAN, N. La sismoth\u00e9rapie fait des \u00e9tincelles contre la d\u00e9pression s\u00e9v\u00e8re.\u00a0<em>Le Figaro<\/em>, 27 nov. 2015. Dispon\u00edvel em: sante.lefigaro.fr. Acesso em\u00a0: 01 jun. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_ednref4\" name=\"_edn4\">[6]<\/a>\u00a0A express\u00e3o\u00a0\u201c<em>branle-bas de combat<\/em>\u201d remete a uma grande agita\u00e7\u00e3o durante os preparativos de uma opera\u00e7\u00e3o ou uma a\u00e7\u00e3o, frequentemente realizada em uma emerg\u00eancia de maneira desordenada e barulhenta. Cf.:\u00a0<em>La Langue Fran\u00e7aise.<\/em>\u00a0Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lalanguefrancaise.com\/expressions\/branle-bas-de-combat\">www.lalanguefrancaise.com<\/a>.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_ednref5\" name=\"_edn5\">[7]<\/a>\u00a0A express\u00e3o francesa \u201c<em>fou \u00e0 lier<\/em>\u201d tem o significado de \u201cloucura\u201d ou \u201cdoen\u00e7a mental\u201d.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_ednref6\" name=\"_edn6\">[8]<\/a>\u00a0N.A.: Conferir tamb\u00e9m o relat\u00f3rio publicado pelo L&#8217;Institut de recherche et documentation en \u00e9conomie de\u00a0la sant\u00e9 (Irdes): COLDEFY, M.; FERNANDES, S.; LAPALUS, D. Les soins sans consentement en psychiatrie.\u00a0<em>Questions d\u00b4\u00e9conomie de la Sant\u00e9<\/em>, n. 222, fev. 2017. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.irdes.fr\/\">www.irdes.fr<\/a>. Acesso em\u00a0: 01 jun. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/folitiquement-incorreto#_ednref7\" name=\"_edn7\">[9]<\/a>\u00a0Uma das siglas, considerada como tendo conota\u00e7\u00e3o negativa, para o Estado Isl\u00e2mico.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pascale Fari Psicanalista, Membro da \u00c9cole de la Cause Freudienne\/AMP pfaripsy@gmail.com Resumo:\u00a0O significante \u201cloucura\u201d n\u00e3o \u00e9 mais admiss\u00edvel em psiquiatria. O psiquismo tem sido apagado, o qualificativo \u201cmental\u201d se tornou uma rel\u00edquia inc\u00f4moda e o que permanece \u00e9 simplesmente \u201ca doen\u00e7a\u201d. Diante do sufixo-mestre atual, neuro, o essencial n\u00e3o \u00e9 mais o que o paciente&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57801,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-239","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-31","category-26","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57802,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239\/revisions\/57802"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57801"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}