{"id":2410,"date":"2017-07-19T07:26:26","date_gmt":"2017-07-19T10:26:26","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=2410"},"modified":"2025-12-01T16:23:07","modified_gmt":"2025-12-01T19:23:07","slug":"editorial-almanaque-no20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2017\/07\/19\/editorial-almanaque-no20\/","title":{"rendered":"Editorial Almanaque n\u00ba20"},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>K\u00c1TIA MARI\u00c1S<\/strong><\/h6>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/0-EDITORIAL.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"540\" data-large_image_height=\"722\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2411\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/0-EDITORIAL.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"722\" \/><\/a><\/p>\n<p>Voil\u00e0! Chegamos \u00e0 vig\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o do Almanaque! Aqui, voc\u00ea, leitor, poder\u00e1 realizar um travelling pelo tema do nosso XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, \u201cA queda do falocentrismo: consequ\u00eancias para a pr\u00e1tica anal\u00edtica\u201d, que ocorrer\u00e1 no Rio de Janeiro, de 23 a 25 de novembro. Selecionamos textos importantes e acreditamos que muito auxiliar\u00e3o e provocar\u00e3o seu mergulho nas incid\u00eancias cl\u00ednicas do decl\u00ednio dos semblantes, que n\u00e3o oferecem mais a garantia e um arranjo com o gozo regrado pelo falo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Trilhamentos, J\u00e9sus Santiago e Camilo Ramirez abordam exuberantemente que o sintagma contempor\u00e2neo \u201cdecl\u00ednio da virilidade\u201d n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio da civiliza\u00e7\u00e3o atual. J\u00e9sus Santiago, em \u201cAdeus ao pai morto ou cl\u00ednica da pai-vers\u00e3o\u201d, afirma que o significante-mestre da modernidade, o culto ao \u2018Um-inteiramente-s\u00f3\u2019, contrap\u00f5e-se ao ideal feminista de \u2018igualdade entre os sexos\u2019 e adverte que o psicanalista surdo \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o feminista da igualdade entre os sexos permanece nas sombras, escutando o inconsciente pela orelha do amor ao pai. Ramirez, em \u201cVacila\u00e7\u00f5es salutares: travelling pela virilidade no s\u00e9culo XX\u201d, apresenta retratos de homens no cinema que revelam o quanto a virilidade depende de uma constru\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica, na qual o que se destaca n\u00e3o \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, mas certa separa\u00e7\u00e3o do objeto que vem tamponar a castra\u00e7\u00e3o. Demonstra, ainda, que cada grande transforma\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria mundial produziu um sentimento de desperd\u00edcio viril ao mesmo tempo que certo triunfo da feminiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00f4nica Campos nos presenteia com a resenha \u201cO saber absoluto e o decl\u00ednio do viril\u201d, em que J.-A. Miller, a prop\u00f3sito de \u201cBuenos dias, sabidur\u00eda\u201d, parte de um problema tratado por Koj\u00e8ve ao saber o que este chama de \u201cverdadeiro mundo novo\u201d. Koj\u00e8ve extrai, das novelas de Fran\u00e7oise Sagan, as consequ\u00eancias do saber absoluto na rela\u00e7\u00e3o sexual. A \u00e9poca do saber absoluto \u00e9, portanto, correlata do decl\u00ednio do viril, ou, como ele diz, \u201cencontramo-nos em um mundo sem homens\u201d. A tese defendida por Miller \u00e9 que o decl\u00ednio e o desaparecimento do viril n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis de serem pensados sem o decl\u00ednio do pai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voc\u00ea encontrar\u00e1 tamb\u00e9m uma bibliografia sobre o tema da queda do falocentrismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o rigor e a generosidade que lhe s\u00e3o peculiares, Ant\u00f4nio Teixeira responde, em Entrevista, \u00e0 duas perguntas cruciais sobre a querela Lacan e Derrida presentes no conto \u201cA carta roubada\u201d, de Edgar Allan Poe, desvelando a verdade prec\u00e1ria da ordem f\u00e1lica e o apagamento de toda refer\u00eancia ao ideal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na rubrica Incurs\u00f5es, temos seis textos: tr\u00eas deles de colegas de Minas e outros tr\u00eas produzidos por colegas de outros continentes. Rose-Paule Vinciguerra, em \u201cO avesso da fic\u00e7\u00e3o masculina\u201d, afirma que, em rela\u00e7\u00e3o ao desejo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel concluir t\u00e3o rapidamente que os homens representam o sexo forte. Na verdade, com uma mulher, um homem n\u00e3o sabe o que fazer. Em \u201cParadoxal virilidade\u201d, Fabian Fajnwaks constata que, para representar o macho, nossa civiliza\u00e7\u00e3o do empuxo-ao-gozo perdeu tudo no que diz respeito a qualquer semblante, particularmente ao semblante f\u00e1lico. O verdadeiro ganho de uma an\u00e1lise e a subvers\u00e3o que ela introduz em rela\u00e7\u00e3o ao triunfo do vazio contempor\u00e2neo no que diz respeito aos semblantes \u00e9 que ela permite situar o real em jogo na fantasia do falasser, autorizando-o a se desidentificar das posi\u00e7\u00f5es que o impede de aceder a uma posi\u00e7\u00e3o desejante. Ainda em Incurs\u00f5es, temos alguns textos que dialogam entre si. Philippe Lacad\u00e9e, em \u201cA viol\u00eancia no jovem: sintoma ou n\u00e3o?\u201d, retoma a interven\u00e7\u00e3o de Jacques-Alain Miller na Jornada do Instituto da Crian\u00e7a para diferenciar a viol\u00eancia do \u00f3dio: o amor, como o \u00f3dio, s\u00e3o modos de express\u00e3o afetiva de Eros. O \u00f3dio est\u00e1 do lado de Eros e, portanto, trata-se de um la\u00e7o social. A viol\u00eancia, por sua vez, est\u00e1 do lado de Thanatos, do lado da morte. Adverte que levar em considera\u00e7\u00e3o apenas o comportamento violento pode confirmar e produzir ainda mais viol\u00eancia. Cristiane de Freitas Cunha, seguindo a mesma via que Lacad\u00e9e no que tange \u00e0 viol\u00eancia entre os jovens, interroga, em \u201cA radicaliza\u00e7\u00e3o da recusa frente \u00e0 inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, o radicalismo de algumas das formas contempor\u00e2neas da recusa como modalidade de defesa do sujeito diante da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Ana Maria Lopes parte da pol\u00eamica s\u00e9rie 13 Reasons Wwhy para diferenciar \u2018passagem ao ato\u2019 de acting out para abordar o suic\u00eddio na adolesc\u00eancia como paradigma na cl\u00ednica do ato. Nessa s\u00e9rie, a personagem endere\u00e7a fitas cassetes gravadas por ela mesma, descrevendo os motivos que a levaram ao suic\u00eddio. Cada um dos lados dessas fitas revela tentativas de solu\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, que se inscrevem na perspectiva especular e d\u00e3o consist\u00eancia \u00e0 erotomania mort\u00edfera que se concluir\u00e1 no ato suicida. Aline Aguiar Mendes aborda, em \u201cO valor de uma aposta: Tecendo a Rede nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade\u201d, a fun\u00e7\u00e3o da conversa\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico com equipes de sa\u00fade mental no campo da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia. A aposta com as equipes \u00e9 que se tornem aprendizes, introduzindo a dimens\u00e3o da causalidade, evitando, assim, pr\u00e1ticas de controle e segregat\u00f3rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na rubrica Encontros, os textos de Bernadete de Carvalho e Admardo Gomes Jr., frutos de um semin\u00e1rio cl\u00ednico no N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Direito, discutem subjetividade e trabalho, a partir de fragmentos de casos de psicose. Bernadete, em \u201cO mundo do trabalho e subjetividade nas psicoses: identifica\u00e7\u00f5es, estabiliza\u00e7\u00f5es e desencadeamentos\u201d, chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, depois de tanto afirmar a import\u00e2ncia do trabalho como forma de inscri\u00e7\u00e3o dos sujeitos no Outro e como um campo de solu\u00e7\u00f5es para as inclina\u00e7\u00f5es do gozo, ele tamb\u00e9m \u00e9 um contexto fecundo para as interpreta\u00e7\u00f5es delirantes na paranoia. Admardo, em \u201cConter e contar a vida secreta das palavras\u201d, comenta o filme A vida secreta das palavras, em que vemos as ela\u00e7\u00f5es estabelecidas pelos sujeitos com o trabalho e as consequ\u00eancias para suas vidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em De uma nova gera\u00e7\u00e3o, temos \u201cEntre a cruz e a espada: culpa e gozo em um caso de neurose obsessiva\u201d, de Rodrigo Almeida. O autor retoma o tema do masoquismo e as mudan\u00e7as que Freud introduz ao longo da sua obra, evidenciando sua dimens\u00e3o econ\u00f4mica e a presen\u00e7a da puls\u00e3o de morte na puls\u00e3o de vida. Rodrigo Almeida aponta a fun\u00e7\u00e3o que a an\u00e1lise desempenhou em um caso em que o gozo mort\u00edfero tomava a cena da vida do sujeito e como foi poss\u00edvel conter algo da ordem da sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vale uma parada sobre os textos que, cuidadosamente, escolhemos para nos orientar durante este semestre e, assim, nos prepararmos para o grande Encontro de novembro, no Rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a palavra, nossa Diretora de Publica\u00e7\u00e3o, Ludmilla F\u00e9res Faria:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este Boletim, de n\u00famero 20, \u00e9 o ultimo da diretoria composta por Ana Lydia Santiago, como diretora-geral, e Maria Jos\u00e9 Gontijo Salum, diretora-secret\u00e1ria. Agradecemos \u00e0s duas, bem como \u00e0s colegas Lilany Pacheco, diretora de Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica, e Graciela Bessa, diretora de ensino, pela oportunidade, confian\u00e7a e trabalho prof\u00edcuo durante o bi\u00eanio 2016-2018. Aproveitamos para renovar, em nome da diretoria-geral e de publica\u00e7\u00e3o, nossos agradecimentos \u00e0 equipe de publica\u00e7\u00e3o, que se dedicou, durante este bi\u00eanio, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os Almanaque, Minas com Lacan e Agenda, al\u00e9m das p\u00e1ginas nas redes sociais. Foi um prazer trabalhar com voc\u00eas e gostaria de registrar aqui o nome de cada um: Bruna Albuquerque, Cristina Vidigal, Ernesto Alzalone, Jorge Mour\u00e3o. Let\u00edcia Soares, Lisley Braun, K\u00e1tia Mari\u00e1s, M\u00e1rcia de Souza Mez\u00eancio, M\u00e1rcia Bandeira, Maria das Gra\u00e7as Sena, Michelle Sena, M\u00f4nica Campos , Renato Sariedinne e Virginia Carvalho.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>K\u00c1TIA MARI\u00c1S Voil\u00e0! Chegamos \u00e0 vig\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o do Almanaque! 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