{"id":242,"date":"2023-08-15T19:24:18","date_gmt":"2023-08-15T22:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=242"},"modified":"2025-12-01T12:57:23","modified_gmt":"2025-12-01T15:57:23","slug":"o-ordinario-do-gozo-fundamento-da-nova-clinica-do-delirio1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2023\/08\/15\/o-ordinario-do-gozo-fundamento-da-nova-clinica-do-delirio1\/","title":{"rendered":"O ordin\u00e1rio do gozo, fundamento da nova cl\u00ednica do del\u00edrio<sup>[1]<sup>\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Dominique Laurent<br \/>\n<\/strong>Psicanalista, A.M.E. da \u00c9cole de la Cause Freudienne\/AMP<br \/>\n<span id=\"cloaka4768ed355a143a9d14373e7a471cfea\"><a href=\"mailto:laurent.dominique@wanadoo.fr\">laurent.dominique@wanadoo.fr<\/a><\/span><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n<blockquote><p><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>A norma neur\u00f3tica \u00e9 uma falsa evid\u00eancia imposta na hist\u00f3ria do patriarcado. As normas se dizem no plural, proliferam, ao passo que a lei se diz no singular. \u00c9 preciso compreender que a met\u00e1fora paterna nunca \u00e9 inteiramente realizada, a fim de irmos al\u00e9m do binarismo neurose e psicose. O conceito de\u00a0<em>sinthoma<\/em>, nesse sentido, constituiu um avan\u00e7o na cl\u00ednica \u201cinclassific\u00e1vel\u201d, ou seja, na cl\u00ednica da psicose ordin\u00e1ria.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0norma; lei; psicose, neurose,\u00a0<em>sinthoma<\/em>; psicose ordin\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>THE ORDINARY OF JOUISSANCE, FOUNDATION OF THE NEW CLINIC OF DELIRIUM<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Abstract:\u00a0<\/strong>The neurotic norm is a false evidence imposed on the history of patriarchy. Norms are said in the plural, they proliferate, while the law is said in the singular. It is necessary to understand that the paternal metaphor is never fully realized, in order to go beyond the binary neurosis and psychosis. The concept of\u00a0<em>sinthome<\/em>, in this sense, constituted an advance in the \u201cunclassifiable\u201d clinic, that is, in the clinic of ordinary psychosis.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>norm; law; psychosis; neurosis,\u00a0<em>sinthome<\/em>; ordinary psychosis.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_243\" style=\"width: 860px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/o_ordinario_do_gozo.png\" data-dt-img-description=\"Imagem: Renata Laguardia\" data-large_image_width=\"850\" data-large_image_height=\"845\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-243\" class=\"size-full wp-image-243\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/o_ordinario_do_gozo.png\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"845\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/o_ordinario_do_gozo.png 850w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/o_ordinario_do_gozo-300x298.png 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/o_ordinario_do_gozo-150x150.png 150w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/o_ordinario_do_gozo-768x763.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-243\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Renata Laguardia<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A tese da inexist\u00eancia do Outro, sustentada por Jacques-Alain Miller em 1996 em seu semin\u00e1rio, inaugura, dizia ele, \u201ca era lacaniana da psican\u00e1lise\u201d, a \u201cda err\u00e2ncia, a dos n\u00e3o-tolos erram, a daqueles que s\u00e3o mais ou menos tolos do pai, mais ou menos tolos do Outro\u201d (MILLER, 2005, p. 10-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizer que o Outro da civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea n\u00e3o existe \u00e9 dizer que os ideais como um todo, s\u00e3o inconsistentes. Friedrich Nietzsche, ao escrever em\u00a0<em>Gaia ci\u00eancia<\/em>\u00a0que \u201cDeus est\u00e1 morto\u201d, j\u00e1 n\u00e3o estaria inscrevendo essa quest\u00e3o? Houve, entretanto, ideais que foram resistentes e puderam assentar de modo decisivo a fun\u00e7\u00e3o paterna, um dos detentores do t\u00edtulo do Outro. Isso \u00e9 t\u00e3o verdadeiro que na psican\u00e1lise \u201co reinado do Nome-do-Pai [p\u00f4de aparecer] como o significante que o Outro existe\u201d (MILLER, 2005, p. 10). Esse reinado aparente foi uma etapa no caminho de sua desconstru\u00e7\u00e3o e de sua pluraliza\u00e7\u00e3o no equ\u00edvoco dos n\u00e3o-tolos erram. Os ideais, mergulhados na inconsist\u00eancia, n\u00e3o encontram seu ponto de basta. N\u00e3o h\u00e1 mais necessidade de ningu\u00e9m para encarn\u00e1-lo. A cren\u00e7a no pai n\u00e3o est\u00e1 menos presente. Ela simplesmente se tornou louca.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Cren\u00e7a e loucura<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fun\u00e7\u00e3o paterna se apresenta daqui para frente como o avesso do mestre, sob a forma depreciada do escravo. Ela sustenta a cren\u00e7a louca naquele que trabalharia para todos, para assegurar a satisfa\u00e7\u00e3o de seus desejos e lhes devotando um amor igual. O verdadeiro Outro, ao qual se recorre como garantia, \u00e9 o Outro do direito. Esse Outro do discurso jur\u00eddico deve garantir a distribui\u00e7\u00e3o do gozo que a civiliza\u00e7\u00e3o oferece a partir dos semblantes. Ela indica para aquele que encarna a fun\u00e7\u00e3o de pai como se comportar, mas ela autoriza e reconhece, de modo in\u00e9dito, estilos de vida outrora condenados. O direito aos gozos n\u00e3o normatizados pelo pai tem conduzido os movimentos de reivindica\u00e7\u00e3o e de luta das mulheres, dos gays e l\u00e9sbicas para registros diversos cujo \u00faltimo, depois do\u00a0<em>mariage pour tous<\/em>,<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#nota2\">[2]<\/a><a id=\"ref2\"><\/a>\u00a0<\/sup>diz respeito ao direito dos homossexuais de conceber um filho por P.M.A.<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#_edn2\" name=\"_ednref2\">[3]<\/a><\/sup><sup>\u00a0<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa perspectiva deixa em suspenso a quest\u00e3o do desejo para-al\u00e9m do pai. O bom uso da fun\u00e7\u00e3o do significante-mestre \u00e9 o de encarnar um desejo humanizado que n\u00e3o seja fora-da-lei. O discurso do direito, ao assegurar a promo\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 diferen\u00e7a, pelo vi\u00e9s dos comunitarismos, tem como correlato uma pacifica\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o gozo? Em outras palavras, a identifica\u00e7\u00e3o a um significante-mestre permite um saber-fazer com o gozo? O gozo n\u00e3o se resolve apenas na pr\u00e1tica sexual, o sintoma verifica isso, mesmo que o parceiro sexual seja ocasionalmente o parceiro sintoma do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A norma neur\u00f3tica, constru\u00edda pela lei do pai, prevaleceu por muito tempo. Como Lacan dava a entender<a id=\"ref4\"><\/a>\u00a0em\u00a0<em>Os complexos familiares<\/em>,<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#nota4\">[4]<\/a><\/sup>\u00a0a neurose \u00e9, sob muitos aspectos, um efeito de perspectiva tomado em uma relatividade sociol\u00f3gica na qual prevalece a fam\u00edlia paternalista. \u00c9 a falsa evid\u00eancia que se imp\u00f4s em um momento da hist\u00f3ria do patriarcado. Sem d\u00favida Lacan falava de um momento remoto. Mas a norma neur\u00f3tica n\u00e3o \u00e9 a lei, como sublinhou Michel Foucault em\u00a0<em>Vigiar e punir<\/em>. A lei simb\u00f3lica n\u00e3o recobre o campo das normas. As normas se dizem no plural. Elas proliferam, elas s\u00e3o falantes. A lei se diz no singular, ela pode, para Lacan, se reduzir aos\u00a0<em>comandos da fala<\/em>\u00a0segundo o Dec\u00e1logo, que se deduz da enuncia\u00e7\u00e3o do Deus-dizer. As normas sociais s\u00e3o tamb\u00e9m as que s\u00e3o majoritariamente representadas por um estilo de vida. O estilo de vida \u00e9 o estilo de conflito entre as exig\u00eancias da civiliza\u00e7\u00e3o e o modo pelo qual se vive a puls\u00e3o. As normas majorit\u00e1rias admitem suas minorias, suas margens. Nesse sentido, a quase norma neur\u00f3tica n\u00e3o \u00e9 \u00fanica. Ela coexiste com o estilo de vida das novas parentalidades aparelhadas pelas P.M.A., o estilo de vida dos homossexuais ou transexuais casais ou n\u00e3o, encarregados de fam\u00edlia ou n\u00e3o. O combate pela emancipa\u00e7\u00e3o feminista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem simb\u00f3lica tradicional, seguido pela no\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>gender<\/em>, que tenta reduzir a diferen\u00e7a homem\/mulher, d\u00e1 lugar tamb\u00e9m a outros estilos de vida at\u00e9 os\u00a0<em>queer\u00a0<\/em>que, confrontados a uma fuga de identifica\u00e7\u00f5es, se prendem a modos de gozar cada vez mais singulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passamos de uma sociedade centrada no pai para uma sociedade do parceiro sintoma, isto \u00e9, do parceiro gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Do patriarcado ao parceiro gozo<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa passagem precisou renovar as fic\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas do casal em sua composi\u00e7\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o, assim como as da parentalidade. Mais ainda, estamos sendo confrontados com uma nova er\u00f3tica do divino, marcada pelo fundamentalismo, pelo retorno por artif\u00edcio ao casamento funesto da puls\u00e3o de morte com a imposs\u00edvel identifica\u00e7\u00e3o primordial ao pai. A \u00e9poca do fundamentalismo n\u00e3o pode ser interpretada como um retorno a um regime pacificador do pai. Trata-se de uma nova figura da cren\u00e7a que pode ser examinada como um regime novo, bem mais pr\u00f3ximo da psicose enquanto vontade louca de Deus. Os Deuses de Schreber est\u00e3o a\u00ed para testemunhar isso. Essas normas est\u00e3o em competi\u00e7\u00e3o no mercado dos estilos de vida. O valor social atrelado a um ou a outro varia segundo o pre\u00e7o atribu\u00eddo pela civiliza\u00e7\u00e3o ao ideal e ao objeto\u00a0<em>a.\u00a0<\/em>N\u00e3o deixa de ser verdade que a neurose hist\u00e9rica e a neurose obsessiva que, sublinhemos, n\u00e3o existem mais na classifica\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>DSM V<\/em>, resistem em seu modo de religi\u00e3o privada, na singularidade de seus sintomas. Por quanto tempo? Em todo caso, \u00e9 in\u00fatil acreditar que elas sejam ainda a norma.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Os tipos de sintomas e os imperativos de gozo<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan apreendeu o sintoma em sua dimens\u00e3o singular, isto \u00e9, a partir do sentido e do gozo em jogo para cada sujeito. Nesse sentido, o sintoma est\u00e1 sempre fora da norma, j\u00e1 que ele remete sempre ao um a um. Essa perspectiva do sintoma \u00e9, entretanto, correlativa de uma outra, a do sintoma apreendido pela estrutura. Em \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de um primeiro volume dos Escritos\u201d, Lacan (1973\/2003) coloca a quest\u00e3o sobre os tipos de sintomas como a cl\u00ednica os isolou antes da psican\u00e1lise, pelo olhar da particularidade do sintoma. Como dar conta de uma certa validade desses tipos como a fobia, a obsess\u00e3o ou a convers\u00e3o hist\u00e9rica e, poder\u00edamos acrescentar, a psicose? Esses tipos cl\u00ednicos n\u00e3o respondem ao nominalismo da conting\u00eancia, mas ao realismo da estrutura. H\u00e1 tipos de sintomas porque a estrutura, furada, inscreve um certo n\u00famero de restos t\u00edpicos do encontro do gozo com o Outro. Poder\u00edamos dizer que os sintomas s\u00e3o ent\u00e3o identific\u00e1veis pelo \u201cimperativo de gozo\u201d. A\u00a0<em>Zwangneurose\u00a0<\/em>deve ser generalizada para al\u00e9m daquilo que a neurose obsessiva permite perceber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa quest\u00e3o do gozo est\u00e1 em primeiro plano no caso freudiano do Homem dos Lobos, o inclassific\u00e1vel por excel\u00eancia. J.-A. Miller, em 1985, dedicou a ele todo um semin\u00e1rio de DEA.<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#_edn4\" name=\"_ednref4\">[5]<\/a><\/sup>\u00a0\u00c9 com esse caso que Freud introduz pela primeira vez o termo\u00a0<em>Verwerfung<\/em>, rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 castra\u00e7\u00e3o, que \u00e9 acompanhado, ao mesmo tempo, de um reconhecimento da castra\u00e7\u00e3o. Para Lacan, como observa J.-A. Miller, o problema te\u00f3rico pode ser colocado assim: \u201ccomo formular uma coexist\u00eancia da\u00a0<em>Verwerfung<\/em>\u00a0e do reconhecimento da realidade?\u201d (MILLER, 1987-88, p. 11). J.-A. Miller situa em primeiro lugar a etapa que constitui o isolamento da\u00a0<em>Verwerfung<\/em>, que ele nomeia \u201cforclus\u00e3o como mecanismo simb\u00f3lico\u201d (LACAN, 1954\/1998, p. 388-89). A no\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Verwerfung<\/em>\u00a0\u201csup\u00f5e que haja um elemento linguageiro significante \u2013 e n\u00e3o um sentido \u2013 que \u00e9 subtra\u00eddo do circuito\u201d. \u00c9 um elemento \u201cque faz sentir seus efeitos somente por sua aus\u00eancia, e que mobiliza muitas significa\u00e7\u00f5es em torno dela, sem que essas significa\u00e7\u00f5es cheguem a alcan\u00e7ar esse pr\u00f3prio significante\u201d (MILLER, 1987-88, p. 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forclus\u00e3o da castra\u00e7\u00e3o no Homem dos Lobos vai aparecer erraticamente e se manifestar na alucina\u00e7\u00e3o do dedo cortado. Essa\u00a0<em>Verwerfung<\/em>\u00a0da castra\u00e7\u00e3o n\u00e3o p\u00f5e em quest\u00e3o toda a ordem simb\u00f3lica.\u00a0A problem\u00e1tica do caso \u201cn\u00e3o parece se centrar na assun\u00e7\u00e3o [&#8230;] da fun\u00e7\u00e3o paterna, mas sobre a fun\u00e7\u00e3o da castra\u00e7\u00e3o\u201d (MILLER, 1987-88, p. 21). A forclus\u00e3o do Nome-do-Pai s\u00f3 aparecer\u00e1 em 1956 com a \u201cQuest\u00e3o preliminar&#8230;\u201d (LACAN, 1957-58\/1998).\u00a0A partir desse texto, a rela\u00e7\u00e3o de causalidade introduzida entre o pai e a castra\u00e7\u00e3o abre uma grande quest\u00e3o cl\u00ednica. Se a met\u00e1fora paterna garante a significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, o inverso \u00e9 verdadeiro? A elis\u00e3o da significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica implica numa forclus\u00e3o do Nome-do-Pai?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma maneira, as rela\u00e7\u00f5es entre o pai da realidade e sua fun\u00e7\u00e3o de ser o suporte do Nome-do-Pai s\u00e3o interrogadas. O pai pode permanecer coordenado \u00e0 ang\u00fastia de castra\u00e7\u00e3o e aparecer assim em sua vers\u00e3o catastr\u00f3fica. O in\u00edcio da doen\u00e7a do Homem dos Lobos e a sequ\u00eancia de seus sintomas colocam em primeiro plano n\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o paterna, mas a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica. Assim que um\u00a0<em>menos<\/em>\u00a0se dirige ao falo imagin\u00e1rio, quer seja sua gonorreia aos dezoito anos ou as figuras do pai imagin\u00e1rio marcadas por um menos, o sujeito se desestabiliza. \u00c9 o que faz com que J.-A. Miller diga que tudo se passa \u201ccomo se esse falo imagin\u00e1rio tivesse uma fun\u00e7\u00e3o de Nome-do-Pai\u201d (MILLER, 1987-88, p.40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A paranoia e a cl\u00ednica universal do del\u00edrio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tese da foraclus\u00e3o generalizada introduzida no semin\u00e1rio de DEA n\u00e3o abole as classifica\u00e7\u00f5es psicopatol\u00f3gicas. Ela as subverte: a forclus\u00e3o generalizada vem evidenciar o fato de que o real do gozo nunca \u00e9 inteiramente reabsorvido pela mortifica\u00e7\u00e3o significante e que, a esse respeito, a met\u00e1fora paterna nunca \u00e9 inteiramente realizada. Lacan chega a considerar que ali onde est\u00e1 o gozo, e n\u00e3o simplesmente o\u00a0<em>joui-sens<\/em><sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#nota6\">[6]<\/a><\/sup><a id=\"ref6\"><\/a>\u00a0f\u00e1lico, \u00e9 a l\u00edngua em seu conjunto que se encarrega dele. A metaforiza\u00e7\u00e3o do gozo na l\u00edngua se faz com a ajuda de elementos que n\u00e3o s\u00e3o mais Nomes-do-Pai. Esses elementos que se imobilizam dependem do\u00a0<em>sinthoma\u00a0<\/em>e asseguram uma articula\u00e7\u00e3o entre uma opera\u00e7\u00e3o significante e o gozo, articula\u00e7\u00e3o ligada ao corpo. A perspectiva do\u00a0<em>sinthoma<\/em>\u00a0tem como desafio n\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de novas categorias cl\u00ednicas, mas de procurar em cada caso a singularidade da distribui\u00e7\u00e3o do real, do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de\u00a0<em>sinthoma<\/em>\u00a0constituiu um avan\u00e7o consider\u00e1vel para compreender uma cl\u00ednica confusa, \u201cinclassific\u00e1vel\u201d, e aquela que chamamos desde a Conversa\u00e7\u00e3o de Arcachon de cl\u00ednica da psicose ordin\u00e1ria. Para al\u00e9m do binarismo r\u00edgido neurose\/psicose, a \u00eanfase dada por Lacan ao impacto do dizer sobre o corpo antes da entrada em jogo do olhar no est\u00e1dio do espelho radicaliza a paranoia constitutiva do sujeito. \u201cA psicose paranoica e a personalidade [&#8230;] \u00e9 a mesma coisa\u201d (LACAN, 1975-76\/2007, p. 52). Lacan havia mostrado desde o est\u00e1dio do espelho a paranoia constitutiva do sujeito em seu imagin\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao outro e elaborou os diferentes tratamentos desta paranoia constitutiva. Ele chega a concluir com a teoria dos n\u00f3s que a psicose paranoica consiste em que o sujeito amarre a tr\u00eas, em uma continuidade, o imagin\u00e1rio, o simb\u00f3lico e o real. Esses tr\u00eas n\u00f3s t\u00eam uma \u00fanica e mesma consist\u00eancia. Cada um desses registros traz o germe da paranoia fundamental. No registro imagin\u00e1rio, \u00e9 a paranoia constitutiva do sujeito desde o est\u00e1dio do espelho. No registro simb\u00f3lico, \u201ccom o sujeito, portanto, n\u00e3o se fala. Isso fala dele e \u00e9 a\u00ed que ele se apreende\u201d (LACAN, 1964\/1998, p. 849). No registro real, o traumatismo do gozo \u00e9 a marca do significante que falta e que tem como matema S(\u023a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O impacto do dizer no corpo, antes de qualquer entrada em cena do olhar no est\u00e1dio do espelho, depende do\u00a0<em>troumatisme<\/em>.<sup><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#nota6\">[7]<\/a><\/sup><a id=\"ref7\"><\/a><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#_edn6\" name=\"_ednref6\"><\/a>\u00a0Ele \u00e9 apreendido a partir do furo, da borda que une o corpo e o la\u00e7o da linguagem. Esse\u00a0<em>troumatisme<\/em>\u00a0pode ser qualificado como alucina\u00e7\u00e3o generalizada no sentido em que o corpo percebe a linguagem exterior, como fazendo furo com seu impacto irremedi\u00e1vel de gozo. Nesse sentido, o<em>\u00a0troumatisme\u00a0<\/em>\u00e9 correlativo de uma nova defini\u00e7\u00e3o do sintoma. N\u00e3o \u00e9 mais o sintoma como met\u00e1fora, mas acontecimento de corpo, emerg\u00eancia de gozo. J.-A. Miller chamava de \u201ccl\u00ednica universal do del\u00edrio aquela que toma seu ponto de partida disso, que todos nossos discursos s\u00e3o apenas defesas contra o real\u201d (MILLER, 1996, p. 90). A f\u00f3rmula \u201ctodo mundo \u00e9 louco, isto \u00e9, delirante\u201d (LACAN, 1978\/2010, p. 31) remete \u00e0 \u201cextens\u00e3o da categoria da loucura a todos os seres falantes que sofrem da mesma car\u00eancia de saber no que concerne a sexualidade\u201d (MILLER, 2014, p. 22). Isso subverte as diferen\u00e7as feitas at\u00e9 ent\u00e3o entre neurose e psicose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concluir, n\u00e3o \u00e9 excessivo dizer que, com a decl\u00ednio do Nome-do-Pai, o discurso do neur\u00f3tico para se defender do real n\u00e3o \u00e9 mais a norma mesmo que haja sempre pais e m\u00e3es em torno dos quais o discurso se apega mais ou menos. Os conceitos do \u00faltimo ensino de Lacan s\u00e3o, a esse respeito, fundamentais para compreender os desafios cl\u00ednicos para al\u00e9m de uma taxonomia fixa.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0M\u00e1rcia Bandeira<br \/>\n<strong>Revis\u00e3o:<\/strong>\u00a0Let\u00edcia Mello<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. O Homem dos Lobos.\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2013 Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>. S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, 1987-88.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. Cl\u00ednica ir\u00f4nica. In:\u00a0<em>Matemas I<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A.\u00a0<em>El Otro que no existe y sus comit\u00e9s de \u00e9tica<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2005.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. O real no s\u00e9culo XXI. Apresenta\u00e7\u00e3o do tema do IX Congresso da AMP. In: MACHADO, O.; RIBEIRO, V. A. (Org.).\u00a0<em>Scilicet<\/em>: o real no s\u00e9culo XXI. Belo Horizonte: Scriptum\/Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2014, p. 21-32<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Resposta ao coment\u00e1rio de Jean Hyppolite sobre a \u201cVerneinung\u201d de Freud. In:\u00a0<em>Escritos.<\/em>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1998. (Texto original publicado em 1954).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. De uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose. In:\u00a0<em>Escritos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. (Trabalho original publicado em 1957-58).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Posi\u00e7\u00e3o do inconsciente. In:\u00a0<em>Escritos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. (Trabalho original proferido em 1964).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. (Trabalho original proferido em 1975-76).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Transfer\u00eancia para Saint Denis? Di\u00e1rio Ornicar Lacan a favor de Vincennes!\u00a0<em>Correio \u2013 Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 65, 2010. (Trabalho original redigido em 1978).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de um primeiro volume dos Escritos. In:\u00a0<em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. (Trabalho original redigido em 1973).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#titulo\">[1]<\/a><a id=\"nota1\"><\/a>Texto publicado originalmente na revista\u00a0<em>La Cause du D\u00e9sir,<\/em>\u00a0n. 98, p. 26-30, 2018.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#ref2\">[2]<\/a><a id=\"nota2\"><\/a>\u00a0Lei de 17 de maio de 2013 que abre \u00e0s pessoas do mesmo sexo, residindo na Fran\u00e7a, a possibilidade de se casarem.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#_ednref2\" name=\"_edn2\">[3]<\/a>\u00a0Procria\u00e7\u00e3o Medicamente Assistida.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#ref4\">[4]<\/a><a id=\"nota4\"><\/a>\u00a0Cf. LACAN, J.\u00a0<em>Os complexos familiares<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1987.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#_ednref4\" name=\"_edn4\">[5]<\/a>\u00a0Cf. AFLALO, A. R\u00e9\u00e9valuation du cas de l\u2019Homme aux loups.\u00a0<em>La Cause freudienne<\/em>, n. 43, 1999, p. 85-117.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#ref6\">[6]<\/a><a id=\"nota6\"><\/a>\u00a0N.T.: Jogo de palavras valendo-se da homofonia entre\u00a0<em>joui-sens<\/em>, \u201csentido gozado\u201d, e\u00a0<em>jouissance<\/em>, \u201cgozo\u201d.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#ref7\">[7]<\/a><a id=\"nota7\"><\/a><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#ref7\" name=\"_edn6\"><\/a><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/545-o-ordinario-do-gozo#_ednref6\" name=\"_edn6\"><\/a>\u00a0N.T.: Jogo de palavras com\u00a0<em>trou<\/em>, \u201cfuro\u201d, e\u00a0<em>traumatisme<\/em>, \u201ctraumatismo\u201d.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dominique Laurent Psicanalista, A.M.E. da \u00c9cole de la Cause Freudienne\/AMP laurent.dominique@wanadoo.fr Resumo:\u00a0A norma neur\u00f3tica \u00e9 uma falsa evid\u00eancia imposta na hist\u00f3ria do patriarcado. As normas se dizem no plural, proliferam, ao passo que a lei se diz no singular. \u00c9 preciso compreender que a met\u00e1fora paterna nunca \u00e9 inteiramente realizada, a fim de irmos al\u00e9m&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57803,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-242","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-31","category-26","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=242"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57804,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions\/57804"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57803"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}