{"id":245,"date":"2023-08-15T19:24:18","date_gmt":"2023-08-15T22:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=245"},"modified":"2025-12-01T12:57:50","modified_gmt":"2025-12-01T15:57:50","slug":"todo-mundo-e-louco1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2023\/08\/15\/todo-mundo-e-louco1\/","title":{"rendered":"Todo mundo \u00e9 louco<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Frederico Zeymer Feu de Carvalho<br \/>\n<\/strong>Psicanalista, A.P. da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise AMP<br \/>\n<span id=\"cloak8db3236ab763b76940b51eedd3965a91\"><a href=\"mailto:fredericofeu@uol.com.br\">fredericofeu@uol.com.<\/a><\/span>br<\/h6>\n<blockquote><p><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>Texto de explicita\u00e7\u00e3o do aforismo lacaniano \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d, tema do congresso da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise de 2024, destacando seu contexto de enuncia\u00e7\u00e3o, ligado ao imposs\u00edvel de se ensinar, e o \u00faltimo ensino de Lacan, do qual esse aforismo \u00e9 uma b\u00fassola.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0loucura; psicose; del\u00edrio; discurso anal\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>EVERYONE IS CRAZY<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abstract:\u00a0<\/strong>Explanation text of the Lacanian aphorism \u201ceveryone is crazy\u201d, theme of the 2024 Congress of the World Association of Psychoanalysis, highlighting its enunciation context, linked to the impossible to teach, and Lacan&#8217;s last teaching, of which this aphorism is a compass.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0craziness; psychosis; delirium; analytical speech.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"attachment_246\" style=\"width: 435px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/todo_mundo__louco2.png\" data-dt-img-description=\"Imagem: Renata Laguardia\" data-large_image_width=\"425\" data-large_image_height=\"409\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-246\" class=\"size-full wp-image-246\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/todo_mundo__louco2.png\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/todo_mundo__louco2.png 425w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/todo_mundo__louco2-300x289.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-246\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Renata Laguardia<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1.<br \/>\nA frase \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d \u00e9 um aforismo criado por Lacan no ano de 1978. Ele pode ser tomado como um \u201ccondensado do seu ultim\u00edssimo ensino\u201d, conforme proposto por J.-A. Miller (2007-2008\/2015, p. 309). Est\u00e1 sob a \u00e9gide e o regime de S(\u023a), matema lacaniano que condensa dois aspectos principais. O primeiro diz respeito \u00e0 n\u00e3o garantia do Outro concernindo, portanto, \u00e0 linguagem como tal. Esse aspecto recobre duas proposi\u00e7\u00f5es negativas de Lacan: \u201cn\u00e3o h\u00e1 Outro do Outro\u201d e \u201cn\u00e3o h\u00e1 metalinguagem\u201d, proposi\u00e7\u00f5es equivalentes entre si, que refletem tanto a incompletude do simb\u00f3lico quanto a inconsist\u00eancia de um sistema l\u00f3gico, tal como abordado pela tradi\u00e7\u00e3o l\u00f3gico-filos\u00f3fica do s\u00e9culo XX. O segundo aspecto \u00e9 a intraduzibilidade do gozo. Esse aspecto n\u00e3o concerne ao sistema da l\u00edngua, tomado em si mesmo e por si mesmo, mas \u00e0 falta de um significante no Outro para nomear ou referir o gozo, conforme o \u201cprinc\u00edpio da indetermina\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o\u201d de Quine (1951), segundo o qual haver\u00e1 sempre inadequa\u00e7\u00e3o entre a palavra e a coisa, o sentido e a refer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No\u00a0<em>ensino cl\u00e1ssico<\/em>\u00a0de Lacan, S(\u023a) designa, primordialmente, a incompletude e a inconsist\u00eancia do Outro que est\u00e1 no fundamento da ordem simb\u00f3lica, sendo ent\u00e3o designado como \u201csignificante de uma falta no Outro\u201d (LACAN, 1960\/1998, p. 832), cujo correlato \u00e9 $, o sujeito recoberto pela barra devido \u00e0 falta de um significante que o represente, mas aludindo tamb\u00e9m \u00e0quilo que o Nome-do-Pai n\u00e3o \u00e9 capaz de nomear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No\u00a0<em>ultim\u00edssimo ensino<\/em>\u00a0de Lacan, esse que come\u00e7a, segundo a periodiza\u00e7\u00e3o proposta por Miller, no cap\u00edtulo nono do Semin\u00e1rio 23, S(\u023a) se torna o \u201cfuro no real\u201d. Ou seja, passamos da incompletude e inconsist\u00eancia do simb\u00f3lico a um furo no real. Lacan se refere a esse matema como o \u201cverdadeiro furo\u201d (LACAN, 1975-76\/2007, p. 130), remetendo ao\u00a0<em>troumatisme<\/em>\u00a0(em franc\u00eas,\u00a0<em>trou<\/em>\u00a0significa um \u201cburaco\u201d), ao traumatismo da incid\u00eancia do gozo fora do sentido que afeta o\u00a0<em>falasser<\/em>, para al\u00e9m, portanto, da falta inerente ao simb\u00f3lico que afeta o sujeito. No tra\u00e7ado dos\u00a0<em>n\u00f3s<\/em>, esse furo \u00e9 localizado fora do registro simb\u00f3lico, na medida em que n\u00e3o h\u00e1 o Outro do simb\u00f3lico, e na conjun\u00e7\u00e3o entre o Imagin\u00e1rio e o Real, demarcando a opacidade do imagin\u00e1rio. Talvez a \u00fanica proposi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para esse furo no real seja uma outra proposi\u00e7\u00e3o negativa: n\u00e3o h\u00e1 propor\u00e7\u00e3o sexual (<em>Il n\u2019a pas de rapport sexuel<\/em>). Estamos, portanto, confrontados com a\u00a0<em>presen\u00e7a<\/em>\u00a0desse furo no real, com esse\u00a0<em>troumatisme<\/em>, para al\u00e9m da falta ou limite do simb\u00f3lico. Esse traumatismo \u00e9 o que se apresenta no acontecimento de corpo que marca a incid\u00eancia do gozo como fora do sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas considera\u00e7\u00f5es nos remetem \u00e0 quest\u00e3o enigm\u00e1tica por excel\u00eancia, \u201cque queres\u201d (<em>che vuoi<\/em>), mas na medida em que ela permanece sem resposta. Para al\u00e9m da dial\u00e9tica do desejo que caracteriza o ensino cl\u00e1ssico de Lacan, segundo a qual o desejo \u00e9 sempre desejo de desejo, tal quest\u00e3o nos remete ao gozo como fora de sentido. Se pud\u00e9ssemos localizar o furo no real, talvez seja justamente nessa inadequa\u00e7\u00e3o do gozo, na medida em que o gozo do\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0n\u00e3o se articula ao Outro, diferentemente do que a falta ligada \u00e0 castra\u00e7\u00e3o permite articular na dial\u00e9tica do desejo, na medida em que o neur\u00f3tico \u00e9 aquele que \u201cfaz de sua castra\u00e7\u00e3o algo positivo, ou seja, a garantia da fun\u00e7\u00e3o do Outro\u201d (LACAN, 1962-63\/2005, p. 56). Desde esse ponto de vista, a loucura de todo mundo, ordin\u00e1ria, que se refere ao falasser, seria mais pr\u00f3xima de um parafuso a mais que permanece solto ou desarticulado do que de um parafuso a menos que faltaria no universo dos parafusos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como\u00a0<em>proposi\u00e7\u00e3o<\/em>, \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d \u00e9 um paradoxo, ou seja, n\u00e3o tem estatuto l\u00f3gico, assim como a c\u00e9lebre frase de Epim\u00eanides, \u201ctodo cretense \u00e9 mentiroso\u201d, dita por um cretense (MILLER, 2022). O paradoxo consiste em que ambas as proposi\u00e7\u00f5es s\u00f3 poderiam ser ditas ou de um ponto de vista transcendental, um ponto de vista fora do conjunto de todos os mentirosos cretenses ou de todos os loucos, lugar de exce\u00e7\u00e3o que desmente a proposi\u00e7\u00e3o universal, ou de um ponto de vista imanente, ou seja, de um ponto de vista particular de quem \u00e9 designado mentiroso ou louco, s\u00f3 podendo ser dita por um indiv\u00edduo do conjunto, ou seja, por\u00a0<em>um<\/em>\u00a0mentiroso ou por\u00a0<em>um<\/em>\u00a0desarrazoado, sem ter alcance universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como um\u00a0<em>aforismo<\/em>\u00a0da pr\u00e1tica anal\u00edtica, por sua vez, a frase \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d equivale a uma generaliza\u00e7\u00e3o decorrente da incid\u00eancia de uma experi\u00eancia enigm\u00e1tica de gozo conotada por um S1, uma marca de gozo, ao qual se liga um S2, ou seja, um saber, e \u00e0 disjun\u00e7\u00e3o entre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se postulamos, com esse aforismo, a igualdade fundamental do\u00a0<em>falasser<\/em>, \u00e9 porque esse S1, como tal, \u00e9 fora-de-sentido; como consequ\u00eancia, o S2, que busca engendrar algum sentido a essa experi\u00eancia sem sentido, ser\u00e1 necessariamente delirante. Passamos ent\u00e3o do operador de perplexidade, S1, ao saber delirante, S2 (MILLER, 2007-2008\/2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a essa experi\u00eancia prim\u00e1ria do gozo que se refere o matema S(\u023a) no ultim\u00edssimo ensino de Lacan. N\u00e3o h\u00e1 resposta para o enigma endere\u00e7ado ao Outro em rela\u00e7\u00e3o a essa experi\u00eancia. Ela se imp\u00f5e ao ser falante a partir de uma dupla certeza:\u00a0<em>isso quer dizer alguma coisa<\/em>\u00a0e\u00a0<em>isso concerne a mim<\/em>, visto que essa experi\u00eancia \u00e9 um acontecimento que concerne ao\u00a0<em>meu<\/em>\u00a0corpo; mas n\u00e3o se sabe\u00a0<em>o qu\u00ea isso quer dizer<\/em>, engendrando, assim, o trabalho inconsciente de cifra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A certeza concerne, portanto, ao real, e n\u00e3o ao simb\u00f3lico. Ela pode ser formulada nesses termos: h\u00e1 gozo ou h\u00e1\u00a0<em>do<\/em>\u00a0gozo. Mas, quando essa certeza se estende ao campo da linguagem, entramos no del\u00edrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas vias se colocam a partir da\u00ed, duas formas de se arranjar com esse furo no real. A primeira delas consiste em atribuir um sentido retroativo a essa marca de gozo, S1, a partir do saber inconsciente, S2, no sentido de um trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o do inconsciente em torno do desejo do Outro, ou seja, levando em conta um la\u00e7o com o Outro. Mas como o Outro \u00e9 barrado, esse saber conserva seu car\u00e1ter delirante. Freud chamou essa significa\u00e7\u00e3o retroativa de\u00a0<em>natr\u00e4glich<\/em>,\u00a0<em>a posteriori<\/em>, chamando a aten\u00e7\u00e3o para seu car\u00e1ter ficcional e falacioso. De fato, se a fantasia \u00e9 uma resposta do real a essa experi\u00eancia enigm\u00e1tica de gozo, ela n\u00e3o deixa de levar em conta um la\u00e7o com o Outro por interm\u00e9dio da extra\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>objeto a<\/em>, ao qual o neur\u00f3tico se consagra, ao transportar para o Outro a fun\u00e7\u00e3o desse objeto sob a forma da Demanda do Outro, $ &lt;&gt; D, como Lacan desenvolve em seu Semin\u00e1rio sobre a ang\u00fastia (LACAN, 1962-63\/2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa via demonstra o limite do\u00a0<em>teste de realidade<\/em>\u00a0como uma barreira para o del\u00edrio. Miller aborda esse ponto a partir do texto freudiano \u201cFormula\u00e7\u00f5es sobre os dois princ\u00edpios do funcionamento mental\u201d (FREUD, 1911\/1969). Freud diz, nesse texto, que a passagem do princ\u00edpio do prazer ao princ\u00edpio de realidade n\u00e3o afeta o inconsciente como tal e que o princ\u00edpio de realidade \u00e9, na verdade, uma continua\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do prazer sob novas condi\u00e7\u00f5es. Em outras palavras, a ren\u00fancia ao princ\u00edpio do prazer, que \u00e9 soberano (h\u00e1 gozo), s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por interm\u00e9dio de um ganho de prazer, de uma compensa\u00e7\u00e3o, de uma infiltra\u00e7\u00e3o da fantasia no campo da realidade, o que mostra que o gozo, como tal, \u00e9 imposs\u00edvel de negativizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda via do\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0para se arranjar com o furo no real refere-se \u00e0 busca de uma significa\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia enigm\u00e1tica fora do la\u00e7o com o Outro, sem o apoio no Outro ou desacreditando o Outro, no sentido da\u00a0<em>Unglauben<\/em>, da descren\u00e7a. Essa possibilidade pode se dar de diferentes maneiras. O saber pode assumir a forma de um del\u00edrio extraordin\u00e1rio, de uma auto elabora\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia enigm\u00e1tica de gozo, como vemos em Schreber, ou de uma manipula\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, como vemos em Joyce, ou seja, a partir de uma inven\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 no card\u00e1pio do Outro. Ambos se utilizam do material da pr\u00f3pria l\u00edngua para criar uma nova l\u00edngua, particular, que remodela o Outro, em lugar de fazer um la\u00e7o com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, podemos dizer ainda que a ironia esquizofr\u00eanica, como uma outra maneira de fazer frente ao furo no real, toma partido de S(\u023a), na forma de uma cr\u00edtica feroz do Outro, sem remend\u00e1-lo, e sem que, necessariamente, esse furo no real seja tamponado pelo del\u00edrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao considerar essas duas vias, a via da neurose e a via da psicose, tomamos a afirma\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d de uma forma restrita, o que permite dizer que a psicose, ao contr\u00e1rio da loucura, n\u00e3o \u00e9 para todo mundo. Provisoriamente, podemos concluir, ent\u00e3o, que todo mundo \u00e9 louco antes de ser ou n\u00e3o psic\u00f3tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia universal do del\u00edrio (continu\u00edsta) se concilia, assim, com o realismo cl\u00ednico da estrutura (descontinu\u00edsta). Em outros termos, o aforismo \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d concerne mais a uma pol\u00edtica da psican\u00e1lise, a uma orienta\u00e7\u00e3o geral quanto aos princ\u00edpios e limites da pr\u00e1tica anal\u00edtica, do que a uma orienta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, no sentido da sua estrat\u00e9gia e da dire\u00e7\u00e3o do tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o contexto geral do aforismo \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d pertence ao ultim\u00edssimo ensino de Lacan, seu contexto espec\u00edfico pode ser localizado no ano de 1978. Miller solicita a Lacan que ele intervenha, a partir de um escrito, em favor do Departamento de Psican\u00e1lise de Paris VIII (Universidade de Vincennes). Esse texto ficou conhecido com o t\u00edtulo \u201cLacan a favor de Vincennes\u201d e foi publicado em portugu\u00eas no n\u00famero 65 da\u00a0<em>Revista Correio<\/em>\u00a0da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse contexto espec\u00edfico leva em considera\u00e7\u00e3o as quest\u00f5es sobre o ensino da psican\u00e1lise, n\u00e3o s\u00f3 na universidade. Ele aborda, em primeiro lugar, a diferen\u00e7a entre o discurso do analista e o discurso da universidade, mas tamb\u00e9m as dificuldades de ensino da psican\u00e1lise se levarmos em considera\u00e7\u00e3o a estrutura do pr\u00f3prio discurso anal\u00edtico, uma vez que o agenciamento desse discurso exclui o saber exposto da psican\u00e1lise. Como ensinar ent\u00e3o o que n\u00e3o se ensina?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse texto, a frase \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d \u00e9 acompanhada da explicita\u00e7\u00e3o \u201cisto \u00e9, delirante\u201d, que a complementa. A frase que se segue \u00e9 a seguinte: \u201c\u00e9 isso mesmo que se demonstra no primeiro passo rumo ao ensino\u201d. Ou seja, como afirma Miller (2022), afirmar que todo mundo delira \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de todo ensino. Trata-se de uma \u201ccr\u00edtica feroz \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do ensino\u201d (MILLER, 2022, p. 11), forma da ironia anal\u00edtica que n\u00e3o deixa de remeter \u00e0 ironia esquizofr\u00eanica. A frase refere-se, portanto, ao imposs\u00edvel inerente ao of\u00edcio de ensinar qualquer coisa, ao imposs\u00edvel de educar, como dizia Freud, e n\u00e3o \u00e0 cl\u00ednica propriamente dita e ao imposs\u00edvel pr\u00f3prio do discurso anal\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo contr\u00e1rio, podemos dizer que \u00e9 justamente por conceber que h\u00e1 um imposs\u00edvel em jogo, ou seja, por se orientar pelo real, que a pr\u00e1tica anal\u00edtica n\u00e3o \u00e9 apenas um del\u00edrio. Pois nada pode fazer frente ao del\u00edrio sen\u00e3o o real, e n\u00e3o a raz\u00e3o ou a cren\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o quer dizer que a pr\u00e1tica anal\u00edtica nada tenha a ver com o saber. Mas trata-se de um saber suposto e n\u00e3o de um saber exposto que se ensine ou que se aplique como uma t\u00e9cnica. No discurso do analista, o saber \u00e9\u00a0<em>sous-pos\u00e9<\/em>, sub-posto ao\u00a0<em>objeto a<\/em>, seu agente (a\/S2). Esse saber suposto \u00e9 um saber deslocalizado e contingencial. N\u00e3o sabemos quando ou de onde ele pode emergir, mas ele \u00e9 suposto advir da transfer\u00eancia. Ele \u00e9 tamb\u00e9m disjunto de S1 (S2 \/\/ S1), o significante mestre do inconsciente. O que isso quer dizer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se, justamente, da emerg\u00eancia de um novo saber, disjunto da cadeia significante (S1 \u2013 S2) que subsiste no inconsciente como\u00a0<em>automaton<\/em>\u00a0(repeti\u00e7\u00e3o do mesmo); de um saber que n\u00e3o engendra um novo sentido, mais um\u00a0<em>saber-fazer<\/em>\u00a0com o S1 isolado pela experi\u00eancia anal\u00edtica como marca de gozo. Esse saber disjunto, fruto da experi\u00eancia anal\u00edtica, de nada serve para outro analisante. Por isso n\u00e3o pode ser ensinado. Ele \u00e9 limitado por seu alcance singular e pragm\u00e1tico. Mesmo que ele seja uma esp\u00e9cie de fic\u00e7\u00e3o ou de inven\u00e7\u00e3o, como acontece frequentemente na psicose, esse limite singular e pragm\u00e1tico \u00e9 tamb\u00e9m um limite ao del\u00edrio. Mas podemos dizer que esse S2, oriundo da pr\u00e1tica anal\u00edtica, \u00e9 um saber que concerne a um real e ao embate com o fora-do-sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel evocar, ainda, o\u00a0<em>contexto contempor\u00e2neo<\/em>\u00a0desse aforismo, ou seja, o imperativo da despatologiza\u00e7\u00e3o. Miller (2022, p. 10) observa que Lacan n\u00e3o diz \u201ctodo mundo \u00e9 normal\u201d, mas \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d, o que conv\u00e9m mais a um apagamento dos limites entre normalidade e loucura do que a uma despatologiza\u00e7\u00e3o generalizada. Todo mundo \u00e9 louco \u00e0 sua maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despatologiza\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio, vista como um imperativo contempor\u00e2neo, sup\u00f5e, por detr\u00e1s da \u201creivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de uma igualdade fundamental dos cidad\u00e3os\u201d (MILLER, 2022, p. 9), a convers\u00e3o de uma patologia a um modo identit\u00e1rio ligado a um determinado estilo de vida. O estilo de vida viria, assim, no lugar de uma designa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. O fim da cl\u00ednica, que podemos ver no horizonte dessa reivindica\u00e7\u00e3o, busca tamb\u00e9m o fim de toda hierarquia fundamentada no saber, isto \u00e9, de toda assimetria na rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e9dico ou profissional\u00a0<em>psi<\/em>\u00a0e paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, ser nomeado por um estilo de vida pode ser t\u00e3o alienante quanto uma nomea\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica \u2013 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual a psican\u00e1lise sempre se pautou por uma reserva, em especial em sua oposi\u00e7\u00e3o ao DSM e a favor do respeito \u00e0 singularidade \u2013, embora a despatologiza\u00e7\u00e3o, seja, ao menos aparentemente, menos segregativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa reivindica\u00e7\u00e3o se estende ao campo jur\u00eddico, afirmando-se a partir do direito ao pr\u00f3prio corpo e \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de si mesmo, como na frase autodeclarativa \u201ceu sou o que eu digo que eu sou\u201d, forma contempor\u00e2nea do\u00a0<em>cogito ergo sum<\/em>\u00a0(\u201cpenso, logo existo\u201d) de Descartes, que reafirma a soberania do Eu, ficando o m\u00e9dico ou o psi, apesar de algumas ressalvas da lei, sob a autoridade do paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o a essa autodeclara\u00e7\u00e3o, podemos formular a quest\u00e3o: o que \u00e9 uma autoridade cl\u00ednica? Recorro aqui a uma express\u00e3o conhecida de Carlo Vigan\u00f2 para se referir ao saber contingente que adv\u00e9m da experi\u00eancia anal\u00edtica, mesmo dentro de uma institui\u00e7\u00e3o. A autoridade cl\u00ednica n\u00e3o \u00e9 o saber do especialista; tampouco aquilo que o paciente pode dizer de si mesmo, mas o que se imp\u00f5e\u00a0<em>por si mesmo<\/em>\u00a0na medida em que, como diz Lacan, \u201cisso fala\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, gostaria de me referir \u00e0 confer\u00eancia feita por Pascale Fari, membro da Escola da Causa Freudiana de Paris, pronunciada na cidade de Ros\u00e1rio, em uma atividade preparat\u00f3ria da XXIII Jornada da Escola de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, em outubro de 2022. Essa confer\u00eancia parte de uma formula\u00e7\u00e3o de Miller durante a Conversa\u00e7\u00e3o de Antibes, em torno das psicoses ordin\u00e1rias: \u201cfalar \u00e9 um transtorno de linguagem\u201d (BATISTA; LAIA, 2012, p. 250), que se articula \u00e0 frase dita por Lacan, em 1978.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a frase \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d pode ser tomada em um sentido banal. Somos todos loucos na medida em que falamos a torto e a direito, em uma fuga desenfreada do sentido, sem nos preocuparmos se o que falamos existe ou n\u00e3o. A ideia de que \u201cfalar \u00e9 um transtorno de linguagem\u201d enfatiza, por sua vez, mais as repercuss\u00f5es e resson\u00e2ncias da linguagem no corpo, o fato de que padecemos da linguagem que falamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 evidente, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inj\u00faria. Mas todo del\u00edrio est\u00e1 ligado, de alguma forma, a uma significa\u00e7\u00e3o \u00edntima. Um elemento, um significante qualquer, de repente se destaca do conjunto articulado da linguagem e se absolutiza, torna-se louco, no sentido de um significante primordial que pode, at\u00e9 mesmo, ressignificar todo o conjunto da l\u00edngua, como acontece com Schreber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan chamou de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>\u00a0a exist\u00eancia da l\u00edngua fora do la\u00e7o social e que subsiste \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o da linguagem pelo discurso. \u201c<em>Lal\u00edngua<\/em>\u00a0encarna esse n\u00facleo imposs\u00edvel de compartilhar que constitui nosso ponto de inser\u00e7\u00e3o e de exclus\u00e3o com respeito \u00e0 comunidade humana\u201d (FARI, 2023, s\/p). Sendo assim, podemos dizer que n\u00e3o existe\u00a0<em>A L\u00edngua<\/em>, que a l\u00edngua \u00e9 uma multiplicidade inconsistente, e que s\u00f3 existem l\u00ednguas particulares, efetivamente faladas, mutantes e vivas, como uma fic\u00e7\u00e3o gramaticalmente ordenada por regras de uso, mas cuja significa\u00e7\u00e3o \u00edntima n\u00e3o pode ser compartilhada. \u00c9 o la\u00e7o social que normaliza o sentido, isto \u00e9, os desvios de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>, introduzindo uma rotina, uma pragm\u00e1tica de seu uso no mar dos mal-entendidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que especifica o esquizofr\u00eanico, diz Lacan, \u00e9 o fato de habitar a l\u00edngua sem a ajuda dos discursos estabelecidos. \u00c9 o que revela um paciente que se inquieta pelo fato de se sentir exclu\u00eddo do grupo de colegas na escola: \u201cEu me dirijo a eles, fazendo uma pergunta. Eles podem at\u00e9 me responder, mas isso n\u00e3o desencadeia nenhuma conversa\u201d. Ele deseja entrar no la\u00e7o social, mas \u00e9 como se n\u00e3o tivesse a senha de acesso, e isso o angustia a ponto de se sentir um objeto estranho, n\u00e3o admitido nos agrupamentos sociais, por n\u00e3o compartilhar do mesmo regime de cren\u00e7as, ou melhor, pela dificuldade em fazer semblante social com a linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa dificuldade t\u00edpica da psicose \u00e9 inerente a todo\u00a0<em>ato de tomar a palavra<\/em>. N\u00e3o quando se fala pelos cotovelos, como se diz, seguindo o moinho das palavras, mas quando o uso da palavra exige que se diga \u201ceu\u201d como sujeito da enuncia\u00e7\u00e3o. Uma paciente, ao retornar para uma segunda entrevista, come\u00e7ou a sess\u00e3o exatamente com essa pergunta essencial: \u201cquem fala?\u201d. A paciente se refere \u201ca quem cabe tomar a palavra em uma sess\u00e3o anal\u00edtica?\u201d. Certamente, h\u00e1 uma prolifera\u00e7\u00e3o de vozes que falam em n\u00f3s e que ser\u00e3o decantadas no decorrer de uma an\u00e1lise; mas essa pergunta, \u201cquem fala?\u201d, n\u00e3o deixa de evocar a emerg\u00eancia de um sujeito no moinho das palavras, seja quando se faz um ato falho ou um\u00a0<em>Witz<\/em>, seja para operar o corte veiculado por um ato de enuncia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao tomar a palavra, o\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0corre sempre o risco de se desconectar do Outro, por falar a mais ou a menos, por se mostrar inadequado, por expor uma forma de satisfa\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica, enfim, uma forma particular de recortar e usar a linguagem e de usufru\u00ed-la como sua\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>. O corpo goza em sil\u00eancio, mas \u00e9 com as marcas de gozo fixado em um acontecimento de corpo que se fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sem raz\u00e3o, o ato de tomar a palavra est\u00e1 na raiz de muitas formas de desencadeamento da psicose. Se falar \u00e9 um transtorno de linguagem, podemos dizer que ele tamb\u00e9m \u00e9 uma esp\u00e9cie de acontecimento de corpo que atualiza o seu trauma. De certa forma, sempre falamos sozinhos, desde o lugar em que se est\u00e1 fora do sistema da l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O discurso anal\u00edtico \u00e9, nesse sentido, uma nova forma de la\u00e7o social que permite acolher um sujeito a partir desse lugar de enuncia\u00e7\u00e3o em que somos estranhos \u00e0 linguagem, em sua inigual\u00e1vel singularidade, para al\u00e9m de um modo de vida identit\u00e1rio e de nossa aliena\u00e7\u00e3o ao Outro. Nesse sentido, o discurso anal\u00edtico \u00e9 um la\u00e7o social inusitado, destinado a desnudar nossa rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com a l\u00edngua, isolando seus pontos de ancoragem no corpo, seus S1s, a fim de que o analisante possa se virar com isso de uma outra maneira. Mas n\u00e3o \u00e9 isso, precisamente, um del\u00edrio? A reconstru\u00e7\u00e3o de um saber a partir de seus elementos d\u00edspares, n\u00e3o simb\u00f3licos e intraduz\u00edveis?<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">BATISTA, M.C.; LAIA, S. (Orgs.).\u00a0<em>A Psicose Ordin\u00e1ria (A Conven\u00e7\u00e3o de Antibes)<\/em>. Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2012.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FARI, P.\u00a0 Hablar es um transtorno de lenguaje. Dispon\u00edvel em: www.youtube.com\/watch?v=qz4jD-2ONDw. Acesso em: 10 abr. 2023.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FREUD, S. Formula\u00e7\u00f5es sobre os dois princ\u00edpios do funcionamento mental. In:\u00a0<em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XII, 1969.\u00a0(Trabalho original publicado em 1911).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Subvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano. In:\u00a0<em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. (Trabalho original publicado em 1960).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 10<\/em>: A ang\u00fastia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. (Trabalho original proferido em 1962-63).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. (Trabalho original proferido em 1975-76).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Transfer\u00eancia para Saint Denis? Di\u00e1rio Ornicar Lacan a favor de Vincennes!\u00a0<em>Correio \u2013 Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 65, 2010. (Trabalho original redigido em 1978).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A.\u00a0<em>Todo mundo es loco<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2015.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/54-almanaque-on-line-31\/544-todo-mundo-e-louco#refer1\">[1]<\/a><a id=\"nota1\"><\/a>\u00a0Semin\u00e1rio pronunciado no \u00e2mbito do N\u00facleo de Pesquisa em Psican\u00e1lise e Psicose do IPSM-MG, em mar\u00e7o de 2023, em torno do tema do Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise, que ter\u00e1 lugar em Paris, no ano de 2024.<\/h6>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frederico Zeymer Feu de Carvalho Psicanalista, A.P. da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise AMP fredericofeu@uol.com.br Resumo:\u00a0Texto de explicita\u00e7\u00e3o do aforismo lacaniano \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d, tema do congresso da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise de 2024, destacando seu contexto de enuncia\u00e7\u00e3o, ligado ao imposs\u00edvel de se ensinar, e o \u00faltimo ensino de Lacan, do qual esse aforismo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57805,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-245","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-31","category-26","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57806,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245\/revisions\/57806"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57805"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}