{"id":3848,"date":"2025-08-05T06:35:41","date_gmt":"2025-08-05T09:35:41","guid":{"rendered":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/?p=3848"},"modified":"2025-12-01T09:14:52","modified_gmt":"2025-12-01T12:14:52","slug":"editorial-almanaque-35","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2025\/08\/05\/editorial-almanaque-35\/","title":{"rendered":"Editorial Almanaque 35"},"content":{"rendered":"<h5><strong><em>Maria Rita Guimar\u00e3es \u2013 EBP\/AMP<\/em><\/strong><\/h5>\n<p>Caro leitor,<\/p>\n<p>O n\u00famero 35 da revista <em>Almanaque On-line<\/em> inscreve-se na atualidade do trabalho de pesquisa proporcionado pela tem\u00e1tica do XII Enapol, \u201cFalar com a crian\u00e7a\u201d. Em raz\u00e3o dessa convocat\u00f3ria, a Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSM-MG, com entusiasmo, consagrou-se ao tema no 1\u00ba semestre de 2025.<\/p>\n<p>Se, em 2012, Jacques Alain-Miller formula a pergunta \u201co que \u00e9 uma crian\u00e7a? N\u00e3o \u00e9 tarde demais para colocar a quest\u00e3o\u201d, Lacan, em 1960-1961, orientava aos analistas a impedirem que o sujeito analisante respondesse \u00e0 pergunta \u201co que sou?\u201d com \u201ceu sou uma crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Tomar essa advert\u00eancia de Lacan importa muito \u00e0 cl\u00ednica, pois desloca a ideia de desenvolvimento, que permitiria ter a cronologia como crit\u00e9rio pelo qual os termos \u201ccrian\u00e7a\u201d e \u201cadulto\u201d (este \u00faltimo pouco empregado no ensino de Lacan) excluiriam o sujeito analisante.<\/p>\n<p>O que sair\u00e1 da boca de uma crian\u00e7a, em uma an\u00e1lise, n\u00e3o ser\u00e1 uma verdade que creditamos a uma certa \u201cespontaneidade\u201d provavelmente herdeira de nosso imagin\u00e1rio saudosista acerca da inoc\u00eancia de seu mundo. Tal como da boca de um adulto \u2013 para conservar os termos \u2013, se algo vai se aproximar de uma verdade, advir\u00e1 de outro territ\u00f3rio, fora do sujeito, ali onde h\u00e1 um buraco fora de representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Rosine Lefort, analista leitora fiel de Freud e de Lacan, reafirmou em diversos textos que <em>infantil<\/em> \u00e9 a estrutura, isto \u00e9, o efeito do significante na constitui\u00e7\u00e3o do sujeito do inconsciente, valorizando que a psican\u00e1lise \u00e9 apenas uma. A leitura da obra de Freud do ponto de vista do <em>infantil<\/em> ensina o que se pode distinguir entre \u201ccrian\u00e7a\u201d e \u201cinfantil\u201d, dissociando <em>infantil <\/em>da teoria do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Dedicamos este n\u00famero de <em>Almanaque On-line<\/em>, quase em sua totalidade, \u00e0 abordagem do infantil. A rubrica <strong>Trilhamentos<\/strong> se inicia por um texto de Daniel Roy \u2013 a quem novamente apresentamos nossos agradecimentos pela generosa permiss\u00e3o para essa publica\u00e7\u00e3o \u2013, no qual ele nos oferece um novo nome para crian\u00e7a, vindo de Lacan. Cito-o:<\/p>\n<p>Tiramos proveito do \u00faltimo ensino de Lacan para liberar a crian\u00e7a dos ideais da inf\u00e2ncia e, para marcar essa ruptura, podemos nos aproveitar de um nome \u2013 <em>P\u2019titom \u2013 <\/em>que vem sob a pena de Lacan, durante sua confer\u00eancia sobre Joyce de junho de 1975, e que nos permite correlacionar a crian\u00e7a e suas fic\u00e7\u00f5es n\u00e3o mais ao <em>verde para\u00edso dos amores infantis<\/em>, mas ao sintoma.<\/p>\n<p>Sim, <em>P\u2019titom<\/em> ressoa com sintoma, uma maneira de cada um de n\u00f3s lidar com a percuss\u00e3o da linguagem no corpo, o encontro ca\u00f3tico entre o significante e o gozo, como pura conting\u00eancia.<\/p>\n<p>S\u00e3o esclarecimentos que reavivam a import\u00e2ncia da f\u00f3rmula \u201cFalar com a crian\u00e7a\u201d evidenciada nesse texto: escutar o mundo pr\u00f3prio do sujeito, sempre original, tal como em Hans e em Alice no Pa\u00eds das Maravilhas. Ao analista, cabe ler a marca singular da resposta do <em>P\u2019titom<\/em>.<\/p>\n<p>Falar do texto de H\u00e9l\u00e8ne Bonnaud inclui, primeiramente, expressar nossos agradecimentos pela amabilidade de nos conceder a autoriza\u00e7\u00e3o para sua publica\u00e7\u00e3o. Seu t\u00edtulo? \u201cO infantil\u201d. Trata-se de uma escrita de inestim\u00e1vel clareza, em cuja transmiss\u00e3o oferece-nos uma passagem do conceito infantil vinda da cl\u00ednica de Freud:<\/p>\n<p>O que dizer, por exemplo, do sintoma de Dora de chupar o dedo, que marca a fixa\u00e7\u00e3o em um gozo oral que decorre do autoerotismo (sugar o polegar), mas que tamb\u00e9m envolvia a a\u00e7\u00e3o de puxar a orelha de seu irm\u00e3o, sentado tranquilamente ao seu lado? Freud [&#8230;] observa que \u201ctrata-se de um modo completo de satisfa\u00e7\u00e3o de si mesmo atrav\u00e9s da suc\u00e7\u00e3o\u201d. O polegar, por um lado, e a orelha do irm\u00e3o, por outro, constituem um gozo oral cuja manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 ilustrada em seu sintoma de afonia e posteriormente no de tosse. Lacan [&#8230;] identifica essa cena como \u201ca matriz imagin\u00e1ria em que vieram desaguar todas as situa\u00e7\u00f5es que Dora desenvolveu em sua vida\u201d \u2013 no que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre homem e mulher.<\/p>\n<p>Falar de infantil \u00e9 falar da cl\u00ednica, tal como <em>Almanaque<\/em> 35 o comprova. Gilson Iannini, a quem agradecemos pelo texto t\u00e3o original e surpreendente, percorre, \u00e0 luz do texto \u201cTransitoriedade\u201d, de Freud, o conceito <em>infantil<\/em> atrav\u00e9s de dois excertos cl\u00ednicos. Ensina-nos, via os exemplos, o que chamamos comumente de \u201cneurose infantil\u201d, em sua manifesta\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o cessa de se inscrever, modalidade do sintoma. A articula\u00e7\u00e3o entre tempo, itera\u00e7\u00e3o e gozo permite-lhe definir o infantil como \u201cn\u00e3o \u00e9 o que passou<em>, <\/em>mas o que insiste\u201d.<\/p>\n<p>Ludmilla F\u00e9res, a quem igualmente endere\u00e7amos nossos agradecimentos, joga luz ao tema pela via da perspectiva \u201csob transfer\u00eancia\u201d, trazendo-nos as palavras de Rosine Lefort na condi\u00e7\u00e3o de analisante de Lacan. Dois sonhos v\u00e3o conformando sua passagem do lugar de dejeto para o lugar de objeto causa. Ler esse texto permite-nos uma chance rara de aprecia\u00e7\u00e3o \u2013 atrav\u00e9s das palavras da analisante Rosine Lefort \u2013 do Lacan analista.<\/p>\n<p><strong>Encontros <\/strong>\u00e9 um encontro&#8230; com a Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica. S\u00e9rgio de Campos, futuro diretor do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, traz-nos um esclarecedor texto dedicado \u201caos jovens analistas\u201d, como nos diz, desenvolvendo a hist\u00f3ria e a finalidade da cria\u00e7\u00e3o da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica, por Jacques Lacan.\u00a0 Para todos os leitores de <em>Almanaque<\/em>, uma leitura imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>Maria Wilma de Faria, diretora da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do Instituto, \u00e9 a entrevistada de <em>Almanaque<\/em> 35. Assunto? Justamente, a Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica! Uma conversa que se inicia com a c\u00e9lebre pergunta de Lacan em seu texto de 1976 intitulado \u201cAbertura da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica\u201d: \u201cO que \u00e9 a cl\u00ednica psicanal\u00edtica?\u201d. Na entrevista voc\u00ea encontra a resposta que Lacan mesmo se d\u00e1 e, a partir dela, a formula\u00e7\u00e3o de Maria Wilma.<\/p>\n<p>Vamos ler <em>Almanaque On-line<\/em> 35?<\/p>\n<p>Baixe-o e leve-o com voc\u00ea!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 8<\/em>: A transfer\u00eancia. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de Dulce Duque Estrada; revis\u00e3o de Romildo do R\u00eago Barros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992. (Trabalho original publicado em 1960-61).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. Abertura da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2013 Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>. n. 30, abr. 2001. (Trabalho original publicado em 1976).<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. A crian\u00e7a e o saber. CIEN Digital \u2013 H\u00edfen, n. 11, jan. 2012.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Rita Guimar\u00e3es \u2013 EBP\/AMP Caro leitor, O n\u00famero 35 da revista Almanaque On-line inscreve-se na atualidade do trabalho de pesquisa proporcionado pela tem\u00e1tica do XII Enapol, \u201cFalar com a crian\u00e7a\u201d. Em raz\u00e3o dessa convocat\u00f3ria, a Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSM-MG, com entusiasmo, consagrou-se ao tema no 1\u00ba semestre de 2025. 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