{"id":424,"date":"2011-07-15T07:45:54","date_gmt":"2011-07-15T10:45:54","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=424"},"modified":"2025-12-01T17:33:57","modified_gmt":"2025-12-01T20:33:57","slug":"a-toxicomania-nao-e-mais-o-que-era","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2011\/07\/15\/a-toxicomania-nao-e-mais-o-que-era\/","title":{"rendered":"A toxicomania n\u00e3o \u00e9 mais o que era"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>ANTONIO BENETI<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Imagem-para-almanaque-9-Autor-Laurindo-Feliciano-Nome-da-imagem-Plato.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"700\" data-large_image_height=\"451\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-425\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Imagem-para-almanaque-9-Autor-Laurindo-Feliciano-Nome-da-imagem-Plato.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Imagem-para-almanaque-9-Autor-Laurindo-Feliciano-Nome-da-imagem-Plato.jpg 700w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Imagem-para-almanaque-9-Autor-Laurindo-Feliciano-Nome-da-imagem-Plato-300x193.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo das toxicomanias, em 28 anos, aqui em Belo Horizonte, mudou. No Brasil mudou, no mundo mudou! Ent\u00e3o, temos que pensar no fen\u00f4meno da toxicomania contempor\u00e2nea, seu lugar, sua fun\u00e7\u00e3o, sem exclus\u00e3o da singularidade de cada um dos consumidores. Foi assim que eu desenvolvi o que eu vou colocar para voc\u00eas, no sentido de algumas considera\u00e7\u00f5es para se pensar a quest\u00e3o do tratamento do toxic\u00f4mano hoje. Isso porque, se, nesses 28 anos, esse mundo mudou, temos que pensar na toxicomania ontem e hoje, para refletir sobre o tratamento do toxic\u00f4mano ontem e hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu entendo que, no tratamento do toxic\u00f4mano, hoje, n\u00f3s estamos engatinhando, estamos num momento de n\u00e3o saber como fazer com as novas formas da toxicomania; e entendo que isso aqui nos aproxima hoje do campo da psican\u00e1lise e do campo da sa\u00fade mental. \u00c9 evidente que se Lacan nos deixou um \u201cn\u00e3o recuar diante da psicose\u201d, e n\u00f3s assim o fazemos hoje, ontem, n\u00e3o recuamos diante da toxicomania, do tratamento do toxic\u00f4mano. Isso a partir do estabelecimento de um princ\u00edpio \u00e9tico n\u00e3o segregativo: \u201cNecess\u00e1rio hoje n\u00e3o recuar diante desse real contempor\u00e2neo, que \u00e9 o consumo de drogas\u201d. Ent\u00e3o, enquanto analista, estou de acordo com ele, devemos desejar saber o que se passa e nos posicionarmos a partir do que temos como princ\u00edpio pol\u00edtico (n\u00e3o segrega\u00e7\u00e3o do sujeito do inconsciente), com suas estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas para lidar com a quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, o que ocorria ontem? Ontem, em Belo Horizonte \u2014 est\u00e1vamos em 1983 \u2014 nossos usu\u00e1rios de drogas, indistintamente, quando eram surpreendidos, pegos usando droga, eram \u201cencarcerados\u201d no dep\u00f3sito de presos da Gameleira enquanto \u201cobjetos de tratamento\u201d da pol\u00edcia. N\u00e3o havia a inscri\u00e7\u00e3o desse tipo de sujeito nos campos da medicina, da psiquiatria e da sa\u00fade mental. Nem mesmo um discurso jur\u00eddico tinha tanta import\u00e2ncia nessa \u00e9poca, mesmo j\u00e1 com a exist\u00eancia da presen\u00e7a dos advogados, do relaxamento da pris\u00e3o, etc\u2026 E mesmo com somente os traficantes, que eram poucos, sendo enquadrados numa lei, como ato criminoso, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, qual o ato que calculamos fazer e fizemos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 \u201cVamos escutar esse tipo de sujeito, vamos dar a palavra a esse tipo de sujeito\u201d, desejando saber por que ele consome essa \u201csubst\u00e2ncia-droga\u201d, esse \u201csignificante encarnado\u201d; por que ele se droga; qual o lugar e a fun\u00e7\u00e3o desse objeto droga nas tr\u00eas dimens\u00f5es da economia ps\u00edquica do sujeito (Real, Simb\u00f3lica e Imagin\u00e1ria); por que isso era importante para o sujeito; o que ele queria com isso\u2026 Foi assim que come\u00e7amos a construir uma \u201ccl\u00ednica n\u00e3o segregativa com o sujeito dito (pelo Outro do social) toxic\u00f4mano\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa \u00e9poca \u2014 eu vou dizer \u201co mundo de ontem\u201d com uma formulazinha: o \u201ci\u201d grand\u00e3o, o I mai\u00fasculo, maior que o a min\u00fasculo (I&gt;a). Os \u201cIdeais na cultura maiores que os objetos mais-de-gozar\u201d. Isso, ontem. Ent\u00e3o, toda cl\u00ednica constru\u00edda no tratamento do sujeito dito toxic\u00f4mano, nomeado assim, porque consumia droga, teria que ser referida a essa estrutura de funcionamento do mundo, estrutura de funcionamento da cultura. A\u00ed, t\u00ednhamos ent\u00e3o que o sujeito podia, muitas vezes, passar ao ato de se drogar, e ele passava a se drogar com o objeto fora da lei. Cham\u00e1vamos isso de uma \u201ctransgress\u00e3o\u201d. Era uma \u201cpassagem-ao-ato transgressiva\u201d, nomeado, o sujeito, enquanto toxic\u00f4mano. Come\u00e7amos a pensar que dever\u00edamos escutar o sujeito nessa passagem-ao-ato, em sua singularidade, um-a-um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introduzimos, ent\u00e3o, no que foi poss\u00edvel, um deslocamento do problema, que estava no campo policial, primeiro para o campo m\u00e9dico, e depois para o campo, talvez eu deva chamar, da sa\u00fade mental. Porque n\u00e3o era a psiquiatria, a sa\u00fade mental n\u00e3o tinha essa for\u00e7a, era um trabalho praticamente isolado, iniciativa de alguns analistas, no caso, eu, J\u00e9sus Santiago e Jos\u00e9 M\u00e1rio Simil Cordeiro, que fomos para construir esse servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrimos espa\u00e7o, ent\u00e3o, para profissionais orientados analiticamente, com informa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, que estavam na experi\u00eancia anal\u00edtica enquanto analisantes e analistas em forma\u00e7\u00e3o, para come\u00e7ar a escutar esses sujeitos, dentro de um determinado lugar, que viemos a chamar de Centro Mineiro de Toxicomania. N\u00e3o sem antes passar como \u201cpontos significantes\u201d de um percurso, por uma institui\u00e7\u00e3o chamada de Centro de Recupera\u00e7\u00e3o Social, onde eles estavam colocados como delinquentes, no ent\u00e3o dep\u00f3sito da Gameleira, como marginais. Depois, para Centro de Reintegra\u00e7\u00e3o Social, e depois, Centro Mineiro de Toxicomania. Se n\u00f3s prestarmos aten\u00e7\u00e3o a esses dois significantes, recupera\u00e7\u00e3o social e reintegra\u00e7\u00e3o social, o sujeito estava colocado \u201cfora\u201d, ou seja, deveria reintegrar-se a um bom tipo de comportamento. Se n\u00f3s pensarmos bem nesse primeiro momento, que era ent\u00e3o encarcerar o toxic\u00f4mano para proteger a sociedade, j\u00e1 operava um fundamento da l\u00f3gica manicomial que \u00e9 a \u201cd\u00edade prote\u00e7\u00e3o-exclus\u00e3o\u201d: \u201cN\u00f3s te internamos para te proteger, mas, ao mesmo tempo, te exclu\u00edmos do la\u00e7o social\u201d. Esse \u00e9 o principal fundamento da l\u00f3gica manicomial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a esse fundamento manicomial que n\u00f3s temos que estar atentos hoje. Fundamento que, politicamente, p\u00f5e a \u00eanfase, o acento, no objeto droga, o que leva a uma nomea\u00e7\u00e3o do sujeito generalizadamente, independentemente da singularidade, da subjetividade, das rela\u00e7\u00f5es do sujeito do inconsciente com o mais-de-gozar, com o gozo, colocando a dimens\u00e3o de uma d\u00edade da prote\u00e7\u00e3o-exclus\u00e3o que n\u00f3s devemos combater. Esse \u00e9 o divisor de \u00e1guas, \u00e9 o ponto de combate: o princ\u00edpio de tratamento centrado na abstin\u00eancia do consumo com exclus\u00e3o da subjetividade, da singularidade de cada usu\u00e1rio ou consumidor. O pressuposto oficial \u2014 a droga faz o toxic\u00f4mano \u2014 que nos afirma imperativamente que se voc\u00ea usa a droga, voc\u00ea \u00e9 toxic\u00f4mano, e que todos que se drogam s\u00e3o toxic\u00f4manos, determina um \u201cs\u00e3o todos iguais\u201d, com uma homogeneiza\u00e7\u00e3o nominativa e um tratamento dos chamados toxic\u00f4manos numa cl\u00ednica que chamamos de \u201csegregativa\u201d. Segregativa no sentido de que, a partir de um \u201cn\u00f3s\u201d, todos s\u00e3o comandados por esse nome, excluindo a subjetividade. Vou colocar no quadro o que chamamos de segrega\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/matema001.png\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"67\" data-large_image_height=\"43\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-426\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/matema001.png\" alt=\"\" width=\"67\" height=\"43\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Discurso do Inconsciente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No lugar de S1, eu tenho um nome: toxic\u00f4mano. Temos um: \u201cVoc\u00ea \u00e9 toxic\u00f4mano!\u201d, e isso comanda um S2, \u201csaber fazer\u201d do sujeito que consome a droga para sustentar essa nomea\u00e7\u00e3o vinda do Outro, do social (\u201cSim, eu sou toxic\u00f4mano!\u201d), para fazer gozar \u2014 lugar do mais-de-gozar essa nomea\u00e7\u00e3o enquanto produ\u00e7\u00e3o nesse discurso, o discurso do inconsciente. No lugar da verdade, nesse discurso, enquanto verdade dessa l\u00f3gica terap\u00eautica, centrada no princ\u00edpio da abstin\u00eancia, n\u00f3s temos a exclus\u00e3o do sujeito do inconsciente. Ent\u00e3o, \u00e9 a exclus\u00e3o da subjetividade inconsciente. Uma cl\u00ednica que chamamos de segregativa. No discurso da segrega\u00e7\u00e3o, temos a amputa\u00e7\u00e3o do sujeito do inconsciente em suas rela\u00e7\u00f5es com o mais-de-gozar. \u00c9 o discurso do mestre amputado no lugar da verdade, transformando-se num discurso segregativo de tr\u00eas termos apenas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/matema002.png\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"67\" data-large_image_height=\"43\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-427\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/matema002.png\" alt=\"\" width=\"67\" height=\"43\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Discurso da Segrega\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, n\u00f3s temos que estar atentos com o que, hoje, isso pode operar novamente, vamos dizer assim: todos os que usaram crack ou que usam crack s\u00e3o \u201ccrackeiros\u201d. Eu acho que n\u00e3o \u00e9 bem assim. Ent\u00e3o, o sujeito est\u00e1 fora. Temos que introduzir o sujeito e enfrentar toda essa l\u00f3gica do discurso oficial que diz que todos os que usam drogas s\u00e3o toxic\u00f4manos, e que a droga faz o toxic\u00f4mano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que fizemos? Introduzimos a subvers\u00e3o dessa l\u00f3gica com uma frase vinda de nosso colega e amigo franc\u00eas Hugo Freda (na ocasi\u00e3o, Diretor do Centro de Acolhimento e Tratamento de Toxic\u00f4manos de Reims, Fran\u00e7a), que trouxemos a Belo Horizonte para fundarmos nosso servi\u00e7o no campo \u00e9tico do tratamento dos toxic\u00f4manos. Com as mesmas palavras, Hugo modificou essa frase: \u201cO toxic\u00f4mano faz a droga!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe a droga faz o toxic\u00f4mano\u201d, Hugo Freda prop\u00f4s que: \u201cPara eu abrir uma porta, eu tenho que construir uma chave, e a minha chave \u00e9 a seguinte: o toxic\u00f4mano faz a droga\u201d. S\u00e3o as mesmas palavras, as mesmas letras, s\u00f3 que a \u00eanfase que era posta no objeto droga \u00e9 posta, agora, no sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introduz-se, ent\u00e3o, o sujeito do inconsciente, l\u00e1 onde n\u00e3o havia esse sujeito \u2014 ele estava exclu\u00eddo. Restitui-se ele ao lugar dele, e restitui-se o discurso que rompe com a segrega\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o do sujeito do inconsciente nas suas rela\u00e7\u00f5es com o gozo. Dar a palavra ao sujeito para que ele venha a nos dizer o que ele, inconscientemente, quer com o consumo de drogas. O que ele quer com esse objeto e n\u00e3o o porqu\u00ea do uso de drogas. Qual a import\u00e2ncia desse objeto, qual o lugar desse objeto, qual a fun\u00e7\u00e3o desse objeto droga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s introduzimos o sujeito, introduzimos a singularidade do sujeito, as particularidades das estruturas cl\u00ednicas. Era assim na \u00e9poca, \u00e9poca de uma cl\u00ednica psicanal\u00edtica estrutural, das estruturas cl\u00ednicas \u2014 Neuroses, Psicoses e Pervers\u00f5es \u2014 caracter\u00edstica do primeiro ensino de Lacan. Ent\u00e3o, rompemos com o princ\u00edpio de abstin\u00eancia, porque n\u00f3s perceb\u00edamos que, quando o sujeito parava de se drogar, em muitos deles, eclodia um quadro psic\u00f3tico, desencadeava-se um quadro psic\u00f3tico, o que j\u00e1 furava aquela l\u00f3gica, permitindo-nos propor que: nem todos que se drogam s\u00e3o toxic\u00f4manos. Muitos que se drogam s\u00e3o psic\u00f3ticos. Isso, centrado na escuta, nos sinais da forclus\u00e3o do Nome-do-Pai, impedindo-nos de pensar a quest\u00e3o generalizadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E havia outros que n\u00e3o aceitavam essa nomea\u00e7\u00e3o de toxic\u00f4manos. Eles n\u00e3o a aceitavam porque foram surpreendidos se drogando, que um outro, representante desse Outro do social, dissesse: \u201cVoc\u00ea \u00e9 toxic\u00f4mano!\u201d. Esses diziam: \u201cEu n\u00e3o sou toxic\u00f4mano, eu uso droga quando vou a uma festa, quando vou sair com os amigos, recreativamente\u201d. Uma posi\u00e7\u00e3o de consumo de drogas com a droga posta como um S1 identificat\u00f3rio grupal, de enla\u00e7amento social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, distinguimos usu\u00e1rios de drogas, geralmente neur\u00f3ticos, e os psic\u00f3ticos que faziam desse uso de droga algo que viria a substituir a produ\u00e7\u00e3o de um del\u00edrio, impedindo a produ\u00e7\u00e3o desse del\u00edrio, como uma supl\u00eancia imagin\u00e1ria a isso que Lacan chamou de forclus\u00e3o do Nome-do-Pai. E existiam os outros que, de fato, n\u00e3o eram psic\u00f3ticos, n\u00e3o eram neur\u00f3ticos, e sustentavam essa modalidade de gozo, do consumo de drogas, com certa caracter\u00edstica de ironia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei. Eles sempre transgrediam as normas da institui\u00e7\u00e3o; n\u00e3o se comportavam como os psic\u00f3ticos, nem como os neur\u00f3ticos. \u00c9 a\u00ed, nesse ponto, que escutamos, um tempo depois, um texto de Jacques-Alain Miller \u2014 \u201cAlgumas considera\u00e7\u00f5es sobre gozo auto-er\u00f3tico\u201d \u2014 em que ele introduz a dimens\u00e3o de um gozo c\u00ednico na toxicomania, um gozo autoer\u00f3tico, fazendo men\u00e7\u00e3o ao cinismo de Di\u00f3genes, o c\u00ednico. Cinismo com rela\u00e7\u00e3o aos ideais da polis grega. Di\u00f3genes se masturbava em p\u00fablico, gozando, extraindo o gozo do pr\u00f3prio corpo, dispensando os significantes que vinham do Outro da cultura grega, do corpo de Ideais da polis grega. Ent\u00e3o, a esse gozo, Miller chamou c\u00ednico. Isso nos ajudou muito clinicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, vejam bem que, a partir desse momento, h\u00e1 um enriquecimento da cl\u00ednica com o toxic\u00f4mano, trabalhando um-a-um para saber o lugar e a fun\u00e7\u00e3o desse objeto droga para a economia ps\u00edquica do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que, naquela \u00e9poca, e isso mudou tamb\u00e9m, as drogas eram quais? Optalidon, barbit\u00faricos, analg\u00e9sicos, maconha, os xaropes antituss\u00edgenos \u00e0 base de code\u00edna \u2014 que produziam os \u201cboiadeiros\u201d, assim chamados porque, ap\u00f3s beberem um ou dois vidros desses xaropes, ficavam \u201cpastando\u201d, andando cambaleando, com altera\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia. Eram chamados de \u201cboiadeiros\u201d por eles mesmos. O curioso \u00e9 que eles, \u00e0s vezes, chegavam a ter convuls\u00f5es t\u00f4nico-cl\u00f4nicas que chamavam de \u201cpala\u201d. A \u201cpala\u201d era interpretada como um ponto de basta no consumo da droga, uma convuls\u00e3o que fazia as vezes de \u201cUm-Pai\u201d interditor do excesso do mais-de-gozar. Era preciso atingir a \u201cpala\u201d para depois parar de se drogar. Havia ainda o tetracloroetileno (um verm\u00edfugo), a metaqualona (Mandrix e Mequalon, hipn\u00f3ticos), o LSD e a coca\u00edna. Essas eram as drogas de ontem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, vejam bem que n\u00f3s nos posicionamos a\u00ed com a ferramenta que temos: com o discurso anal\u00edtico, a \u00e9tica da psican\u00e1lise enquanto bem-dizer e um combate \u00e0 cl\u00ednica oficial segregativa. T\u00ednhamos para n\u00f3s o seguinte: h\u00e1 casos que n\u00e3o conseguimos tratar sem uma parceria institucional, o que justificava a institui\u00e7\u00e3o para tratamento dos toxic\u00f4manos. E n\u00f3s diz\u00edamos que a institui\u00e7\u00e3o elimina, forclui, n\u00e3o deixa que o discurso anal\u00edtico seja inclu\u00eddo entre os discursos que estruturam o lugar terap\u00eautico que \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o. A institui\u00e7\u00e3o \u00e9 o lugar dos quatro discursos formalizados por Lacan (mestre, hist\u00e9rico, universit\u00e1rio e anal\u00edtico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, deve haver o anal\u00edtico. Isso fundou de alguma maneira essa nossa institui\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o trabalhava com interna\u00e7\u00e3o. Tinha o hospital-dia e o ambulat\u00f3rio. Era assim que dirig\u00edamos os tratamentos nesses espa\u00e7os institucionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, n\u00f3s dissemos: Centro Mineiro de Toxicomania. Toxicomania a\u00ed n\u00e3o \u00e9 nada mais, nada menos, que um significante que utilizamos estrategicamente para justificar a institui\u00e7\u00e3o e trazer os toxic\u00f4manos a ela, a partir dessa nomea\u00e7\u00e3o \u201ctoxic\u00f4manos\u201d. Fazendo um semblante de que est\u00e1vamos preocupados com o objeto droga, mas a preocupa\u00e7\u00e3o era mais al\u00e9m do objeto droga, era com o sujeito do inconsciente em suas rela\u00e7\u00f5es com o mais-de-gozar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E qual era a pol\u00edtica? Dar a palavra ao sujeito da fala e estabelecer uma cl\u00ednica sob transfer\u00eancia, um-a-um nesse tratamento. Tratava-se de estabelecer, entre os princ\u00edpios de cura, na cl\u00ednica dos toxic\u00f4manos, princ\u00edpios fundamentais para uma cl\u00ednica n\u00e3o segregativa, fora da l\u00f3gica manicomial, fora da d\u00edade da prote\u00e7\u00e3o-exclus\u00e3o do la\u00e7o social, fora do princ\u00edpio da abstin\u00eancia, que se aplica a um \u201cuniversal\u201d de que \u201ca droga faz o toxic\u00f4mano\u201d, e como o DSM-IV, que coloca o todos iguais enquanto \u201cdependentes qu\u00edmicos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os princ\u00edpios eram: \u201cO toxic\u00f4mano faz a droga\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1- Introdu\u00e7\u00e3o do sujeito do inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2- Introdu\u00e7\u00e3o de uma cl\u00ednica sob transfer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3- Nem todos que se drogam s\u00e3o toxic\u00f4manos verdadeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4- Quest\u00e3o da singularidade de cada um em quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5- A Institui\u00e7\u00e3o enquanto lugar terap\u00eautico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6- A Institui\u00e7\u00e3o enquanto lugar dos quatro discursos tem que incluir o discurso do analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso ontem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que ocorre hoje? Hoje, h\u00e1 uma mudan\u00e7a radical: os objetos mais-de-gozar maiores do que os ideais (I&lt;a). As palavras de ordem, medidas socioeducativas, etc\u2026 Ent\u00e3o, n\u00f3s temos a maior que I.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, podemos dizer de uma outra forma: \u201cTodos toxic\u00f4manos!\u201d Todos consumistas, consumidores, n\u00e3o somente dessas drogas ditas il\u00edcitas, foras da lei, mas as drogas legalizadas que todo mundo, praticamente, consome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu gostei muito de um texto que chegou a partir do F\u00f3rum de Sa\u00fade Mental para eu ler, que se chama \u201cA Doen\u00e7a Mental Medicalizada\u201d (in Revista Piau\u00ed, n.59). Eu recomendo a leitura desse texto para todo mundo psi. Impressionante esse texto. \u00c9 um tema que me interessa muito, e a\u00ed podemos observar, escutar, como o discurso da ci\u00eancia via ind\u00fastria farmac\u00eautica constr\u00f3i, fabrica, o \u201ctodo mundo se drogando\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, o mundo mudou! A\u00ed \u00e9 que entra a quest\u00e3o de que essa mudan\u00e7a implica a mudan\u00e7a do mestre de ontem para o mestre de hoje. Se o mestre de ontem era o discurso do mestre, discurso do inconsciente, hoje, n\u00f3s temos o mestre contempor\u00e2neo, o discurso capitalista, em que h\u00e1 um decl\u00ednio dos significantes dos Ideais na cultura. Assim, o S1 cai, o sujeito sobe, e aqui n\u00f3s temos o saber da ci\u00eancia produzindo objetos mais-de-gozar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/matema03.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"236\" data-large_image_height=\"124\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-428\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/matema03.jpg\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"124\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Discurso Capitalista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O discurso da ci\u00eancia, inerente ao discurso capitalista, \u00e9 respons\u00e1vel, ent\u00e3o, pela produ\u00e7\u00e3o dos gadgets, das drogas supostamente terap\u00eauticas, e por esse consumo impressionante de drogas, de qu\u00edmicas, de ascens\u00e3o do saber qu\u00edmico ao comando, colocando os consumidores como objetos comandados por esse saber qu\u00edmico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, o que ocorre, hoje, como essa mudan\u00e7a e as mudan\u00e7as na sociedade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De repente, aparece uma popula\u00e7\u00e3o \u00e0 margem dos la\u00e7os sociais, \u00e0 margem do sistema de produ\u00e7\u00e3o e que consome uma subst\u00e2ncia quase que de forma epid\u00eamica, que coloca a dimens\u00e3o do sujeito como resto, dejeto, dentro dessa sociedade de hoje, resto social, resto dessa produ\u00e7\u00e3o, desse discurso, simples objetos degradados e que colocam uma dimens\u00e3o de passagem ao ato diferente daquela que presenciamos ontem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 a\u00ed que a coisa \u00e9 preocupante. E \u00e9 por isso que estamos aqui reunidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como fazer com isso? Porque \u00e9 a preponder\u00e2ncia da passagem-ao-ato homicida, n\u00e3o \u00e9 mais uma passagem ao ato transgressiva, no sentido de se conseguir algo do qual se podia gozar mais al\u00e9m do interdito da lei. \u00c9 uma passagem-ao-ato homicida, uma associa\u00e7\u00e3o com o tr\u00e1fico que tem um poder econ\u00f4mico muito forte e coloca a dimens\u00e3o de uma periculosidade social epid\u00eamica. Ent\u00e3o, n\u00f3s vivemos numa dimens\u00e3o de risco o tempo todo\u2026 de bala perdida, de gente matando, crian\u00e7a morrendo, sendo assassinada, e n\u00e3o temos muita solu\u00e7\u00e3o at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu li aquela revista Brasileiros, em que tem um colega, Ant\u00f4nio Lancetti, eu n\u00e3o o conhe\u00e7o, dizendo da passagem do basagliano Franco Rotelli por S\u00e3o Paulo. Quando eles foram visitar a Cracol\u00e2ndia, ele falou: \u201cIsso \u00e9 um manic\u00f4mio a c\u00e9u aberto!\u201d \u00c9 uma express\u00e3o importante, mas ser\u00e1 que a sa\u00edda seria um manic\u00f4mio a c\u00e9u fechado? N\u00e3o creio, porque a\u00ed entrariam todos dentro dessa l\u00f3gica, n\u00f3s retroceder\u00edamos e perder\u00edamos muito daquilo que conseguimos fazer a partir de 79. Foi a reforma psiqui\u00e1trica. Mesmo que tenhamos muitas dificuldades, h\u00e1 muitos avan\u00e7os. Seria, ent\u00e3o, algo da ordem de um retrocesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dever-se-ia pensar uma nova modalidade de lidar com essas novas toxicomanias, diferente da do mundo de ontem. E o crack \u00e9 o representante maior. N\u00f3s temos, hoje, drogas diferentes, com o discurso da ci\u00eancia produzindo o ecstasy, skank, \u00f3xi, etc\u2026 s\u00e3o drogas completamente violentas, que colocam o sujeito numa aliena\u00e7\u00e3o, numa posi\u00e7\u00e3o de objeto, resto degradado, lixo da sociedade, que quando sai dessa dimens\u00e3o, \u00e9 sob a forma de uma passagem-ao-ato homicida, como se fossem delinquentes, mas ent\u00e3o vamos retroceder. Esse \u00e9 um problema que n\u00f3s temos que pensar: como construir solu\u00e7\u00f5es novas, contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o o que temos a pensar? Se a institui\u00e7\u00e3o mais adequada ontem era a institui\u00e7\u00e3o enquanto lugar terap\u00eautico, lugar dos quatro discursos, fora da d\u00edade da l\u00f3gica manicomial prote\u00e7\u00e3o-exclus\u00e3o, como pensar uma institui\u00e7\u00e3o hoje que considere o discurso anal\u00edtico como algo muito importante, para zelar por essa n\u00e3o exclus\u00e3o do sujeito, para zelar por essa n\u00e3o segrega\u00e7\u00e3o, sabendo que existe mais um discurso dentro de qualquer institui\u00e7\u00e3o que venha a ser fundada hoje, que \u00e9 o discurso capitalista?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vai ser ele que vai fundar. Ent\u00e3o, n\u00f3s ter\u00edamos que fazer parceria sim, discurso do analista com o discurso do mestre, discurso do estado, discurso externo, discurso de institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental, sabendo que, na verdade, n\u00f3s temos algo coletivamente, chamado o coletivo desses, o conjunto desses quatro discursos para combater um que \u00e9 o discurso capitalista, sen\u00e3o n\u00f3s vamos ter institui\u00e7\u00f5es capitalistas malucas e n\u00e3o vamos poder fazer quase nada. O motor desse discurso \u00e9 o discurso da ci\u00eancia, vamos dizer assim, da ci\u00eancia e tecnologia, e n\u00e3o vai ser dif\u00edcil pensar que n\u00f3s teremos futuras institui\u00e7\u00f5es, manic\u00f4mios a c\u00e9u fechado, para tratamento dos \u201ccrackeiros\u201d, com drogas, com subst\u00e2ncias, porque tudo vai ser pensado no n\u00edvel do c\u00e9rebro. Ent\u00e3o, para tratar o consumo de droga, n\u00f3s vamos fazer outro consumo de droga para tratar esse tipo de sujeito, excluindo de novo a dimens\u00e3o da subjetividade, da singularidade, do um-a-um, do caso a caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que o sujeito est\u00e1 \u00e0 beira da morte; h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas, quando devemos coloc\u00e1-lo numa cl\u00ednica, pelo menos durante uma semana, para que ele se recupere, se alimente, se hidrate, para depois seguir um tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bom, eu estava dizendo desse quadro dram\u00e1tico, que o crack preocupa mesmo. Ontem, eu vi um desses jornais, Aqui, esses que \u201ct\u00eam sangue\u201d, esses tabloidezinhos, e vi uma coisa impressionante: aparece uma foto de dois p\u00e9s do sujeito com sapato, acorrentado. A m\u00e3e desesperada, n\u00e3o sabia mais o que fazer. Eu entendi assim, que ele foi pego pelo p\u00e9, amarrado ali, para que o sujeito n\u00e3o sa\u00edsse. \u201c\u00danica maneira que eu tive foi amarrar os p\u00e9s dele para ele n\u00e3o sair para a rua, n\u00e3o roubar as coisas, n\u00e3o vender isso, n\u00e3o se drogar, porque eu tenho que trabalhar para sustentar meus filhos\u201d, disse a m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, n\u00f3s temos situa\u00e7\u00f5es que chegam a esse n\u00edvel dram\u00e1tico e violento, do sujeito correndo risco de vida, de matar ou de morrer. Bom, minha opini\u00e3o \u00e9 a de que qualquer tentativa de se construir algo que n\u00e3o seja simplesmente dar a palavra, e que tenhamos que proteger o indiv\u00edduo e resgatar ali o sujeito, n\u00e3o deve passar pela exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pensar algum lugar terap\u00eautico? Primeiro: \u00e9 hora de somar os esfor\u00e7os \u2014 que inclua decididamente os analistas, o pessoal da sa\u00fade mental, as equipes multidisciplinares para combater esse mestre contempor\u00e2neo que vem ditando todas as normas baseadas no \u201cDeus c\u00e9rebro\u201d para tratar tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu fico por aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<h6 style=\"text-align: justify;\">[1] Interven\u00e7\u00e3o pronunciada na VII Conversa\u00e7\u00e3o da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSMMG, realizada em 10\/09\/2011. Texto estabelecido por Ana Elisa Maciel, revisado por M\u00e1rcia Mez\u00eancio e pelo autor.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Antonio Beneti<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Psiquiatra e psicanalista, Analista Membro da Escola (A.M.E.) da EBP-CF \/AMP \u2013 Escola Brasileira de Psican\u00e1lise do Campo Freudiano \/ Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise. E-mail:\u00a0<span id=\"cloakad523859f09493996cf61f6c43e7e07f\"><a href=\"mailto:aabenetti.bhz@gmail.com\">aabenetti.bhz@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO BENETI O mundo das toxicomanias, em 28 anos, aqui em Belo Horizonte, mudou. No Brasil mudou, no mundo mudou! Ent\u00e3o, temos que pensar no fen\u00f4meno da toxicomania contempor\u00e2nea, seu lugar, sua fun\u00e7\u00e3o, sem exclus\u00e3o da singularidade de cada um dos consumidores. 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