{"id":434,"date":"2011-07-15T07:51:16","date_gmt":"2011-07-15T10:51:16","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=434"},"modified":"2011-07-15T07:51:16","modified_gmt":"2011-07-15T10:51:16","slug":"a-transferencia-e-o-diagnostico-de-discurso-na-metodologia-da-construcao-do-caso-clinico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2011\/07\/15\/a-transferencia-e-o-diagnostico-de-discurso-na-metodologia-da-construcao-do-caso-clinico\/","title":{"rendered":"A Transfer\u00eancia E O Diagn\u00f3stico De Discurso Na Metodologia Da Constru\u00e7\u00e3o Do Caso Cl\u00ednico"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\" style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"font-size: 14px;\">DIEGO ALONSO SOARES DIAS<\/strong><\/h6>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O diagn\u00f3stico, em psican\u00e1lise, tomado por Miller como uma arte (MILLER, 2003), e o conceito de transfer\u00eancia, desde a \u00e9poca de Freud, s\u00e3o caracterizados por diversas sutilezas, o que exige de n\u00f3s extremo rigor no uso desses termos. Afinal, o sentido atribu\u00eddo a uma no\u00e7\u00e3o em um determinado per\u00edodo da teoriza\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica pode n\u00e3o corresponder ao de outro momento. Algumas nuances podem surgir, o que abre novas perspectivas e formas de abordagem, n\u00e3o necessariamente se excluindo ou remetendo a uma ideia de evolu\u00e7\u00e3o conceitual. Esse ponto se torna fundamental, dizendo de uma especificidade da psican\u00e1lise: a de que ela se caracteriza por ser sempre algo a se construir, ou melhor, a se reconstruir. Em certo sentido, o acompanhamento de um caso se torna similar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da teoria psicanal\u00edtica. Ambos comportam desdobramentos, aberturas, fechamentos, questionamentos e at\u00e9 mesmo abandonos de perspectivas. De que forma ent\u00e3o poder\u00edamos trabalhar os conceitos de diagn\u00f3stico e transfer\u00eancia sem corrermos o risco de cairmos em uma extensa revis\u00e3o de literatura e em um delicado trabalho de apropria\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre os dois? O que nos parece \u00e9 que se faz necess\u00e1rio um terceiro elemento que possa auxiliar nessa amarra\u00e7\u00e3o. Trabalhemos esses conceitos, portanto, sob a \u00e9gide da constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico, tal como formula Vigan\u00f2 (1999), procurando apreender em que medida tais perspectivas se entrecruzam para que um caso cl\u00ednico possa efetivamente ser constru\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que Vigan\u00f2 (1999) nos revela \u00e9 que a constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico deve ser entendida como uma pr\u00e1tica que leva em conta prioritariamente a presen\u00e7a de um sujeito. \u00c9 esse sujeito que, de maneira particular, nos revela algo do que se passa com ele e que direciona de que forma devemos intervir ou n\u00e3o. Dizermos ent\u00e3o que \u00e9 o sujeito quem nos conduz implica considerarmos que fundamentalmente n\u00e3o sabemos a priori muito a seu respeito. \u00c9 necess\u00e1rio que ele fale sobre o que lhe ocorre. O sujeito ser\u00e1 o guia na constru\u00e7\u00e3o, o que se difere radicalmente de eventuais interpreta\u00e7\u00f5es de sua situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que essas interpreta\u00e7\u00f5es pressup\u00f5em a exist\u00eancia de algo sob a forma de um enigma. N\u00e3o \u00e9 isso que est\u00e1 em jogo nesse momento. Nesse sentido, a constru\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 a partir de palavras e atos, amarrados dentro de uma l\u00f3gica norteadora. De acordo com Vigan\u00f2:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\"><em>A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 o preliminar do ato anal\u00edtico. Trata-se de um preliminar l\u00f3gico, que concerne todo o movimento que caracteriza o tempo para compreender. [\u2026]. Esse tempo de compreender \u00e9, pois, o tempo para o diagn\u00f3stico inicial, \u00e9 o tempo em que o diagn\u00f3stico vem a ser reconstru\u00eddo (VIGAN\u00d2, 1999, p.55).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constru\u00e7\u00e3o, dessa maneira, em seu momento inicial, implica a gradual constru\u00e7\u00e3o de um diagn\u00f3stico. Que tipo de diagn\u00f3stico seria esse?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller, em seu texto denominado \u201cA arte do diagn\u00f3stico: o rouxinol de Lacan\u201d (MILLER, 2003), trabalha a ideia do diagn\u00f3stico enquanto uma arte. Diz-se ent\u00e3o a arte do diagn\u00f3stico. A arte, por sua vez, e com base em Kant, \u00e9 definida por ele como uma \u201cfinalidade sem fim\u201d (MILLER, 2003, p. 30). A finalidade sem fim do diagn\u00f3stico. O que poderia significar isso? O que Miller enfatiza, por meio dessa coloca\u00e7\u00e3o, \u00e9 a dimens\u00e3o de sujeito \u00e0 qual o diagn\u00f3stico deve servir. O diagn\u00f3stico, portanto, trata de uma \u201cfinalidade sem fim\u201d por dois vieses. O primeiro, se entendermos finalidade sem fim como o que n\u00e3o acaba, relaciona-se \u00e0s diversas formas contingenciais de manifesta\u00e7\u00e3o do sujeito. N\u00e3o h\u00e1 uma regra que d\u00ea conta dessas conting\u00eancias, elas s\u00e3o particulares. Por outro lado, \u00e9 poss\u00edvel estabelecermos outro sentido para tal afirma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m depreendido da argumenta\u00e7\u00e3o de Miller. Aqui, encontramo-nos com a no\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico enquanto uma arte, uma vez que ela nos lan\u00e7a na tentativa de avaliar um caso sem uma regra que o predetermine. Trata-se de uma finalidade sem uma finalidade, pois, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o que se coleta do sujeito n\u00e3o poder\u00e1 ser sistematizado ou englobado em classes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, o que \u00e9 digno de nota e \u00e9 pr\u00f3prio da psican\u00e1lise \u00e9 que a sua pr\u00e1tica busca localizar justamente o que \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra. No\u00e7\u00f5es que dizem de alguma classifica\u00e7\u00e3o ou enquadramento se revelam dimens\u00f5es que anulam o sujeito. Para Miller, \u201cchamamos de \u2018sujeito\u2019 o efeito que desloca, sem parada, o indiv\u00edduo da esp\u00e9cie, o particular do universal e o caso da regra\u201d (MILLER, 2003, p. 27). Essa localiza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra, por sua vez, implica um momento fundamental, que \u00e9 o da capacidade do julgamento, referindo-se \u00e0 aptid\u00e3o de se julgar de que forma o caso pode-se inserir na regra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, de que maneira devemo-nos apropriar do diagn\u00f3stico estrutural? As estruturas cl\u00ednicas formalizadas por Lacan (neurose, psicose e pervers\u00e3o) devem ser analisadas sob qual prisma, uma vez que \u00e9 poss\u00edvel encar\u00e1-las a partir da no\u00e7\u00e3o de categoriza\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o dos casos? Isso n\u00e3o poderia tamb\u00e9m dificultar a emerg\u00eancia do sujeito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que nos parece \u00e9 que, ao pensarmos em estruturas cl\u00ednicas, n\u00e3o devemos perder de vista a no\u00e7\u00e3o de sujeito. Para al\u00e9m de qualquer estrutura cl\u00ednica, h\u00e1 sempre o sujeito. Ainda, \u00e9 v\u00e1lido dizer que o sujeito, em certo sentido, lacaniano por excel\u00eancia, \u00e9 um efeito de estrutura, o que aproxima as duas perspectivas de maneira muito importante; uma se depreende da outra. Por outro lado, e de um ponto de vista mais operacional, quando se recorre ao \u201cuniversal\u201d da estrutura, em \u00faltimo caso, o que se procura \u00e9 o que foge a qualquer classifica\u00e7\u00e3o, a singularidade. O uso que se faz da estrutura procura, assim, potencializar a emerg\u00eancia do inclassific\u00e1vel. Mais uma vez, somos remetidos \u00e0 no\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico enquanto uma arte, j\u00e1 que \u00e9 preciso que se julgue se o caso cabe na regra e, mais al\u00e9m, de que forma esse julgamento pode permitir o aparecimento dos efeitos de sujeito: \u201cjulgar, isto \u00e9, utilizar categorias universais num caso particular, n\u00e3o \u00e9 o mesmo que aplicar uma regra, mas \u00e9 decidir se uma regra se aplica\u201d (MILLER, 2003, p. 28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos, nesse contexto, a arte do diagn\u00f3stico como a complexa tarefa de julgar de que forma \u00e9 poss\u00edvel que se d\u00ea a rela\u00e7\u00e3o entre o caso e a regra. Vigan\u00f2 (1999), em suas coloca\u00e7\u00f5es a respeito do caso cl\u00ednico, pontua que a constru\u00e7\u00e3o remete diretamente ao estabelecimento de um diagn\u00f3stico inicial, que, por vezes, deve ser reconstru\u00eddo. Dessa forma, reconstruir um diagn\u00f3stico relaciona-se a um esfor\u00e7o constante, em que se presentifica a necessidade do julgamento para que se encontre o momento cl\u00ednico a partir da l\u00f3gica do caso. Nesse sentido, um mesmo caso pode-nos revelar diferentes diagn\u00f3sticos, uma vez que o que se procura na constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico \u00e9 o diagn\u00f3stico do discurso (VIGAN\u00d2, 1999). E o que seria isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na perspectiva da constru\u00e7\u00e3o, o diagn\u00f3stico do discurso refere-se a um momento espec\u00edfico, em que o sujeito revela qual a sua rela\u00e7\u00e3o estabelecida com o Outro. Localizam-se, por meio disso, elementos que dizem de dificuldades e tens\u00f5es pr\u00f3prias daquele sujeito em seu dia-a-dia e at\u00e9 mesmo em seu tratamento. De acordo com Vigan\u00f2:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\"><em>A constru\u00e7\u00e3o do caso, dentro do grupo, \u00e9 um trabalho que tende a trazer \u00e0 luz a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o seu Outro, portanto tende a constituir o diagn\u00f3stico do discurso e n\u00e3o do sujeito. [\u2026]. N\u00e3o \u00e9 um diagn\u00f3stico que afirma que ele \u00e9 neur\u00f3tico, psic\u00f3tico, etc. A constru\u00e7\u00e3o, ela serve para operar o deslocamento do sujeito dentro do discurso (VIGAN\u00d2, 1999, p.58).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diagn\u00f3stico do discurso, portanto, diz de uma manobra que procura incidir sobre o sujeito. Implica na busca de const\u00e2ncias, ou de pontos invari\u00e1veis, que possam revelar a forma como o sujeito se posiciona frente ao Outro e de que modo o concebe. Al\u00e9m de comportar em si o ato do julgamento, que estabelece a ponte entre a teoria a que recorremos para caminharmos com o caso e o caso em si, o diagn\u00f3stico do discurso faz um apelo de que esse ju\u00edzo se repita diversas vezes. O que se revela aqui \u00e9 que, para se construir, s\u00e3o necess\u00e1rios ju\u00edzos e que ser\u00e3o os efeitos que se coletam desses ju\u00edzos que legitimar\u00e3o uma conduta ou levar\u00e3o a um esfor\u00e7o a mais de formaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta que orienta o estabelecimento de um diagn\u00f3stico de discurso refere-se ao Outro, ou seja, quem, ou como \u00e9 o Outro, para o sujeito. Uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica se esbo\u00e7a entre o sujeito e o Outro, de inquestion\u00e1vel import\u00e2ncia para o trabalho, seja no \u00e2mbito do trabalho nas institui\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o. Nesse sentido, \u00e9 o conceito de transfer\u00eancia que parece possibilitar-nos um aprofundamento maior em nossa investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vigan\u00f2 (2010) procura argumentar que o m\u00e9todo da constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico demonstra a possibilidade de um trabalho norteado pela transfer\u00eancia, enquanto um elemento cl\u00ednico diferencial, motor de um trabalho poss\u00edvel. Dessa forma, a transfer\u00eancia se coloca como uma alternativa aos ideais culturais da efic\u00e1cia e classifica\u00e7\u00e3o, que anulam em diversos momentos a dimens\u00e3o do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transfer\u00eancia, de acordo com o artigo de Freud denominado a \u201cA din\u00e2mica da transfer\u00eancia\u201d (1912\/1996), \u00e9 definida como o ve\u00edculo de cura e condi\u00e7\u00e3o de sucesso (FREUD, 1912\/1996, p.112). Caracteriza-se como um elemento indispens\u00e1vel para que um tratamento se d\u00ea. Ainda n\u00e3o nos interessa se ela, apesar de indispens\u00e1vel, \u00e9 tamb\u00e9m uma das maiores resist\u00eancia que se erguem no trabalho, conforme Freud mesmo pontua (1912\/1996). O fato \u00e9 que essa ideia de um ve\u00edculo de trabalho tamb\u00e9m \u00e9 enfatizada por Vigan\u00f2 (2010) na metodologia da constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico. A transfer\u00eancia, para ele, ganha um lugar de destaque, na medida em que favorece a constru\u00e7\u00e3o do caso por meio de uma abordagem que se coloca de maneira peculiar, estritamente desvinculada de ideais de cura ou mesmo de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que nos surge de maneira radical \u00e9 a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre a perspectiva do diagn\u00f3stico do discurso e a transfer\u00eancia. A transfer\u00eancia parece-nos como um momento privilegiado que permite que o diagn\u00f3stico do discurso se efetue. \u00c9 ela, a partir do que \u00e9 coletado pelo pr\u00f3prio caso, que poder\u00e1 fornecer os caminhos a serem seguidos e os que devem ser abandonados. Se o diagn\u00f3stico do discurso objetiva, em \u00faltima inst\u00e2ncia, possibilitar que ocorra um deslocamento discursivo por parte do sujeito (VIGAN\u00d2, 2010) a transfer\u00eancia parece ser fundamental para a localiza\u00e7\u00e3o do momento de interven\u00e7\u00e3o para o alcance de tal deslocamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a forma peculiar como a transfer\u00eancia se insere no tratamento nos leva novamente ao texto de Freud e \u00e0 pontua\u00e7\u00e3o de que, al\u00e9m de motor, a transfer\u00eancia tamb\u00e9m se configura como a maior das resist\u00eancias ao trabalho anal\u00edtico (FREUD, 1912\/1996).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizer de tal resist\u00eancia, no \u00e2mbito da constru\u00e7\u00e3o, implica a localiza\u00e7\u00e3o do sujeito ao Outro. O Outro, muitas vezes o sujeito o concebe como aquele de quem adv\u00eam todos os seus males e desgra\u00e7as. Todos os seus infort\u00fanios se localizam a\u00ed, o que tamb\u00e9m diz de uma n\u00e3o retifica\u00e7\u00e3o por parte do sujeito. Dessa forma, as resist\u00eancias que se mostram at\u00e9 o momento em que o analista possa responder de outro lugar que n\u00e3o seja aquele esperado pelo sujeito s\u00e3o in\u00fameras. Por\u00e9m, \u00e9 importante que se leve em conta esse momento, pois ele \u00e9 \u00fanico em revelar a forma como se deve intervir para que se alcance essa modifica\u00e7\u00e3o discursiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que nos parece, portanto, \u00e9 que a constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico nos revela, de forma operativa, de que maneira diagn\u00f3stico e transfer\u00eancia se enla\u00e7am na condu\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o dos mais diversos casos. O diagn\u00f3stico, tomado especificamente enquanto um diagn\u00f3stico de discurso, evoca a transfer\u00eancia como um elemento determinante para todo o manejo poss\u00edvel. A transfer\u00eancia, no sentido abordado pelo texto, deve ser encarada de maneira a comportar suas sutilezas, no trabalho institucional ou n\u00e3o. Ela, de fato, diz de uma resist\u00eancia. Por um lado, revela as resist\u00eancias de um sujeito frente ao Outro, muitas vezes encarado como a sede de todo mal. Por outro, em uma perspectiva mais ampla, relaciona-se a uma das principais orienta\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico, que age no sentido de fornecer uma alternativa aos ideais da contemporaneidade, resgatando a no\u00e7\u00e3o de sujeito e colocando-a em primeiro plano.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FREUD, Sigmund. (1912) O caso de Schreber, artigos sobre t\u00e9cnica e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p 111-119. (Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud, v.12).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">VIGAN\u00d2, Carlo. A constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico em sa\u00fade mental. Curinga, Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental, Belo Horizonte, EBP-MG, n.13, p.50-59, 1999.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">______. (2010) A constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico. Op\u00e7\u00e3o lacaniana online nova s\u00e9rie, ano 1, n.1, mar. 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero1\/texto6.html&gt;. Acesso em: jun. 2011.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, Jacques-Alain. A arte do diagn\u00f3stico: o rouxinol de Lacan. Carta de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo, v.10, n.5, p.18-32, 2003.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Diego Alonso Soares Dias<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Psic\u00f3logo, aluno do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais. Email:\u00a0<span id=\"cloaka9d9a5c4fba5f5f7b15a274d6e1f8d02\"><a href=\"mailto:dasdias@gmail.com\">dasdias@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIEGO ALONSO SOARES DIAS O diagn\u00f3stico, em psican\u00e1lise, tomado por Miller como uma arte (MILLER, 2003), e o conceito de transfer\u00eancia, desde a \u00e9poca de Freud, s\u00e3o caracterizados por diversas sutilezas, o que exige de n\u00f3s extremo rigor no uso desses termos. 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