{"id":460,"date":"2012-03-15T06:50:50","date_gmt":"2012-03-15T09:50:50","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=460"},"modified":"2025-12-01T17:29:53","modified_gmt":"2025-12-01T20:29:53","slug":"almanaque-on-line-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2012\/03\/15\/almanaque-on-line-entrevista\/","title":{"rendered":"Almanaque On-Line Entrevista"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\" style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"font-size: 14px;\">MARCELO VERAS<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Picasso-The-artist-and-his-model-1966.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"650\" data-large_image_height=\"460\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-454\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Picasso-The-artist-and-his-model-1966.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Picasso-The-artist-and-his-model-1966.jpg 650w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Picasso-The-artist-and-his-model-1966-300x212.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Almanaque On-Line: Publicamos, Neste N\u00famero De Almanaque On-Line, Um Belo Artigo De Silvia Tendlarz, No Qual Ela Se Remete \u00c0 \u201cMascarada Feminina\u201d De Joan Rivi\u00e8re E \u00c0 Pergunta Sobre A Diferen\u00e7a Entre A Feminilidade Como Disfarce E A Verdadeira Feminilidade. Diz Rivi\u00e8re: \u201cQue A Feminilidade Seja Fundamental Ou Superficial, \u00c9 Sempre A Mesma Coisa\u201d. Para Silvia, No Entanto, A Cria\u00e7\u00e3o Da Mascarada N\u00e3o Sutura A Pergunta Acerca De \u201cO Que \u00c9 Ser Mulher\u201d. Que Resposta (Ou Respostas) Podemos Esperar Encontrar Nas \u201cFiguras Do Feminino\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Veras<\/strong>: H\u00e1 mais de um modo de responder \u00e0 quest\u00e3o. Tomarei o caminho aberto por Lacan a partir da diferen\u00e7a entre identifica\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e imagin\u00e1ria. \u00c9 fato que a figura\u00e7\u00e3o remete ao imagin\u00e1rio e ao simb\u00f3lico: percep\u00e7\u00e3o da priva\u00e7\u00e3o e aplicabilidade da fun\u00e7\u00e3o castra\u00e7\u00e3o. Aqui n\u00e3o se trata apenas do imagin\u00e1rio da rela\u00e7\u00e3o especular, presente em Freud, no texto sobre a diferen\u00e7a anat\u00f4mica entre os sexos, mas do modo como a ere\u00e7\u00e3o permite localizar o gozo sexual atrav\u00e9s das culturas e dos tempos. Basta caminhar pelas ruas de Pompeia ou presenciar as festividades do solst\u00edcio na Su\u00e9cia at\u00e9 hoje \u2014 o Midsommar, festa familiar popular em torno de um enorme p\u00eanis \u2014 para perceber o triunfo do falo ereto. O gozo feminino, por sua vez, mobiliza o corpo de um modo totalmente distinto. N\u00e3o deixa de ser relevante que o XIX Encontro se passe na Bahia, terra onde o transe m\u00edstico tem uma fun\u00e7\u00e3o fundamental para o Candombl\u00e9. O transe n\u00e3o tem nada a ver com a histeria. Na histeria, os eventos corporais passam pelo corpo mapeado pela castra\u00e7\u00e3o e pela falta simb\u00f3lica, tal como podemos perceber na descri\u00e7\u00e3o que faz Freud da terceira modalidade de identifica\u00e7\u00e3o, chamada de identifica\u00e7\u00e3o pela falta ou hist\u00e9rica. No transe, o que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 o gozo do corpo que escapa \u00e0 l\u00f3gica f\u00e1lica, em conex\u00e3o direta com os deuses polite\u00edstas que, no Candombl\u00e9, se inscrevem de um modo muito particular na l\u00f3gica da sexua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a psican\u00e1lise, o desafio \u00e9 maior. N\u00e3o basta ser tomado pelo gozo que escapa \u00e0 l\u00f3gica f\u00e1lica, \u00e9 preciso um bem dizer sobre isso. Um ponto que tem sido colocado em relevo constantemente nos passes \u00e9 o acontecimento de corpo, no final de an\u00e1lise, que n\u00e3o se conecta com a castra\u00e7\u00e3o. O bem dizer implica poder falar desse acontecimento e n\u00e3o apenas experiment\u00e1-lo. Meu mestre de psiquiatria na Bahia, o falecido Professor Rubim de Pinho, dizia que as boas Ekedis, no Candombl\u00e9, sabem muito bem separar o que \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de transe da loucura. As Ekedis, tamb\u00e9m chamadas, em alguns terreiros, de m\u00e3es, assim como os Ogans, n\u00e3o entram em transe, pois devem estar acordados para orientar e assessorar os rituais. Arrisco-me a dizer que h\u00e1 algo da posi\u00e7\u00e3o do analista nas Ekedis, elas aprenderam a organizar o mundo para al\u00e9m da l\u00f3gica da castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Almanaque On-Line: O Que \u00c9 Uma Verdadeira Mulher? O Que Distingue A Hist\u00e9rica E A Mulher Quanto Ao Gozo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Veras<\/strong>: Retomo um pouco a pergunta anterior. Quando fazemos a pergunta sobre a verdadeira mulher, n\u00f3s j\u00e1 a inscrevemos no bin\u00e1rio verdadeiro\/falso, que nada tem a ver com o real. Desse modo, n\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade em afirmar que \u201cA\u201d mulher n\u00e3o existe e, ao mesmo tempo, falar de uma verdadeira mulher. Sabemos que apontar para essa inexist\u00eancia, na an\u00e1lise, muda o cerne da quest\u00e3o feminina, passando de uma impot\u00eancia a uma impossibilidade. H\u00e1, nesse ponto, uma subvers\u00e3o do dispositivo da demanda que \u00e9 crucial na cl\u00ednica. \u00c9 necess\u00e1rio um consentimento \u00e0 castra\u00e7\u00e3o para n\u00e3o perpetuar uma demanda que esgota o sujeito na busca de m\u00e1scaras. M\u00e1scaras que nunca se adequam perfeitamente, sem restos. Podemos dizer que h\u00e1 uma mulher verdadeira, j\u00e1 que verdadeiro e falso s\u00e3o proposi\u00e7\u00f5es constantes na rela\u00e7\u00e3o do falasser com o Outro, quando seu dizer n\u00e3o se escora na rivalidade f\u00e1lica e avan\u00e7a sem a garantia de que esse Outro obture sua falta com a castra\u00e7\u00e3o. Ou seja, a mulher verdadeira n\u00e3o institui o Outro da castra\u00e7\u00e3o como parceiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Almanaque On-Line: Como Retomarmos E Discutirmos Hoje A Express\u00e3o De Lacan: \u201cPara O Homem, Uma Mulher Pode Representar A Hora Da Verdade\u201d? O Que Quer Dizer Isso Hoje? De Que Forma O XIX EBCF, Com O Tema \u201cMulheres De Hoje: Figuras Do Feminino\u201d, Atualiza E Aborda Essa Quest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Veras<\/strong>: Com Lacan, aprendemos que a verdade n\u00e3o \u00e9 algo que se alcan\u00e7a pelo saber. Eis um ponto que faz com que a psican\u00e1lise n\u00e3o seja uma forma de filosofia. A leitura das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o nos ajuda a ver como o homem acredita que a mulher pode ser inscrita em seu desejo. Para construir esse espa\u00e7o, ele se serve da fantasia fundamental; \u00e9 pelo aparelho da fantasia que ele acredita na exist\u00eancia da mulher. Ocorre que o feminino aponta para algo fora da cena, algo que faz com que ela, desculpem se repito um bord\u00e3o, esteja n\u00e3o-toda no campo da realidade. Ent\u00e3o, respondendo \u00e0 pergunta, para um homem, a verdade irrompe na parceria quando se ultrapassa o verdadeiro\/falso da castra\u00e7\u00e3o. \u00c9 quando a parceira recusa a posi\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 assegurada pela fantasia masculina. Ela recusa a fantasia que a fixa na zona de conforto f\u00e1lica, para fazer valer sua demanda de outra coisa, que n\u00e3o se relaciona com o falo e sim com um gozo suplementar, que escapa precisamente a esse gozo do falo. Musas, Medusas ou Medeias, as figuras do feminino que ser\u00e3o tratadas no XIX Encontro elevam, cada uma \u00e0 sua maneira, o parceiro masculino a uma dimens\u00e3o mais al\u00e9m do que pode ser obtido pela sua fantasia, \u00e9 a\u00ed que se situa a hora da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Almanaque On-Line: O Tema Da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica Do IPSM-MG, Para Este Semestre, \u00c9 \u201cO Fracasso Em Psican\u00e1lise Na Feminiza\u00e7\u00e3o Do Mundo\u201d. Esse Tema Articula Fracasso E Sucesso, Se Pensarmos A Feminiza\u00e7\u00e3o Como Uma Valoriza\u00e7\u00e3o E Preval\u00eancia Da Posi\u00e7\u00e3o Feminina No Mundo De Hoje. Se Tomarmos A Ideia De Lacan De Que O Sucesso Da Psican\u00e1lise Seria Seu Fracasso, Que Correla\u00e7\u00e3o Podemos Fazer Em Rela\u00e7\u00e3o Ao Sucesso Feminino?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Veras<\/strong>: Eu diria que h\u00e1 muita semelhan\u00e7a entre as duas formula\u00e7\u00f5es. A feminiza\u00e7\u00e3o do mundo ocorre naquele ponto em que o mundo recusa a ordem totalizadora e homogeneizadora dos mestres antigos ou atuais. Ela ocorre quando as formas de gozo se desprendem do \u00c9dipo e v\u00e3o mais al\u00e9m. Assim \u00e9 tamb\u00e9m a psican\u00e1lise. J\u00e1 o sucesso, no mundo contempor\u00e2neo, \u00e9 uma exig\u00eancia onipresente em todos os setores da vida. Nesse sentido, n\u00e3o tem nada a ver com o feminino ou com a psican\u00e1lise, que recusam uma solu\u00e7\u00e3o universal. H\u00e1 uma certa voca\u00e7\u00e3o \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise e da mulher, que \u00e9 de estrutura. Da\u00ed o papel importante de uma Escola de Psican\u00e1lise, pois n\u00e3o s\u00e3o muitos os que suportam sustentar essa condi\u00e7\u00e3o de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARCELO VERAS Almanaque On-Line: Publicamos, Neste N\u00famero De Almanaque On-Line, Um Belo Artigo De Silvia Tendlarz, No Qual Ela Se Remete \u00c0 \u201cMascarada Feminina\u201d De Joan Rivi\u00e8re E \u00c0 Pergunta Sobre A Diferen\u00e7a Entre A Feminilidade Como Disfarce E A Verdadeira Feminilidade. 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