{"id":470,"date":"2012-03-15T06:50:50","date_gmt":"2012-03-15T09:50:50","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=470"},"modified":"2012-03-15T06:50:50","modified_gmt":"2012-03-15T09:50:50","slug":"a-segregacao-nossa-de-cada-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2012\/03\/15\/a-segregacao-nossa-de-cada-dia\/","title":{"rendered":"A Segrega\u00e7\u00e3o Nossa De Cada Dia"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\" style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"font-size: 14px;\">LU\u00cdS TUDANCA<\/strong><\/h6>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um prazer estar aqui, trabalhando com voc\u00eas as quest\u00f5es levantadas em meu \u00faltimo livro.[2] Agora posso dizer \u201cmeu \u00faltimo livro\u201d, j\u00e1 que s\u00e3o dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se, ent\u00e3o, da pol\u00edtica pensada a partir da psican\u00e1lise e, mais estritamente, da pol\u00edtica da psican\u00e1lise que chamo de \u201cuma pol\u00edtica do sintoma\u201d, que \u00e9 o t\u00edtulo do livro. Tento sustentar-me nessa linha. Nesse sentido, parece-me que h\u00e1 uma ideia de Lacan da qual n\u00e3o se deve desviar, que \u00e9 sua defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 psican\u00e1lise. Lacan diz, textualmente: \u201cO sintoma institui a ordem em que se revela nossa pol\u00edtica, implica, por outra parte, que tudo o que se articula por essa ordem, quer dizer, a ordem do sintoma, seja pass\u00edvel de interpreta\u00e7\u00e3o\u201d. Assim, o que Lacan indica \u2014 e ele n\u00e3o se afastou nunca disso \u2014 e que faz com que Miller retome todas as discuss\u00f5es sobre a pol\u00edtica e a psican\u00e1lise, nesse ponto, gira ao redor de tr\u00eas termos: pol\u00edtica, sintoma e interpreta\u00e7\u00e3o. Isso quer dizer que, em psican\u00e1lise, a pol\u00edtica \u00e9 a pol\u00edtica do sintoma, e, com isso, o outro passo agregado por Lacan \u00e9 aquele segundo o qual, se a pol\u00edtica da psican\u00e1lise \u00e9 a pol\u00edtica do sintoma, a \u00fanica ferramenta de que dispomos para essa pol\u00edtica \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o. Esses s\u00e3o os tr\u00eas eixos que vamos encontrar nos dois livros e em todas as ideias nas quais Miller insiste, e insiste muito, ultimamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso abre duas perspectivas, uma \u00e9 a perspectiva para dentro, ou seja, para a psican\u00e1lise pura, e outra \u00e9 a perspectiva para fora, quando dizemos ir desde a psican\u00e1lise ao social, ir desde a psican\u00e1lise \u00e0 cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para dentro, a pol\u00edtica da psican\u00e1lise \u00e9 a pol\u00edtica do sintoma, e isso nos leva ao passe. Por qu\u00ea? Porque o dispositivo do passe investiga o sintoma, e essa \u00e9 a pol\u00edtica da psican\u00e1lise pura. Por outra parte, no dispositivo do passe, tenta-se verificar o que se passou com a interpreta\u00e7\u00e3o em uma an\u00e1lise, se essa interpreta\u00e7\u00e3o conseguiu fazer algo ou n\u00e3o com o sintoma do sujeito, e se houve modifica\u00e7\u00e3o a tal ponto que se possa falar de sinthome no final de an\u00e1lise, um novo enodamento, isso \u00e9 para dentro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fora, em rela\u00e7\u00e3o ao social, ocorre o mesmo, por\u00e9m a\u00ed surgem nossos problemas. Porque a pol\u00edtica para fora teria que estar restrita unicamente a localizar o sintoma, o sintoma no social, a cada vez; n\u00e3o h\u00e1 outra perspectiva sen\u00e3o essa. De modo que o trabalho em institui\u00e7\u00f5es, o trabalho no Estado, inclusive, etc., se algu\u00e9m o aborda como psicanalista, tem que abord\u00e1-lo unicamente na perspectiva do sintoma, e a\u00ed sim se abre a perspectiva de interpretar esse sintoma que aparece no social, na sociedade concreta, na qual vivemos. Qual seria, no entanto, a especificidade dessa interpreta\u00e7\u00e3o? Porque, se o abordamos, numa perspectiva geral, poder\u00edamos dizer que todos interpretam o sintoma. O que quer dizer todos? Os fil\u00f3sofos, os soci\u00f3logos, os cientistas pol\u00edticos, os literatos\u2026 Na televis\u00e3o, h\u00e1 um excesso de interpreta\u00e7\u00e3o do sintoma. O problema \u00e9 que todas essas interpreta\u00e7\u00f5es apontam para o sentido. A quest\u00e3o \u00e9: o que isso quer dizer? Eles convocam, na televis\u00e3o, na Argentina \u00e9 assim, aqui deve tamb\u00e9m, um cientista pol\u00edtico, um deputado, um m\u00e9dico e um psicanalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se algu\u00e9m vai a essas mesas multidisciplinares, como psicanalista, deveria perguntar-se se pode dizer algo diferente. O algo diferente teria que estar fora dos sentidos que as demais disciplinas v\u00e3o apresentar. \u00c9 nisso que se torna t\u00e3o dif\u00edcil a interven\u00e7\u00e3o de um psicanalista na m\u00eddia, seja em um jornal, na televis\u00e3o, etc. Porque ele sempre deveria apontar para o que chamamos, em psican\u00e1lise, o fora de sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que a interpreta\u00e7\u00e3o, como Miller a pensa e eu a retomo neste livro, \u00e9 leitura do sintoma, sempre se trata de ler o sintoma. Ler o sintoma \u00e9 interpret\u00e1-lo, interpret\u00e1-lo \u00e9, se n\u00e3o ir diretamente ao fora do sentido, \u00e9, pelo menos, tratar de podar os outros sentidos que est\u00e3o em jogo em rela\u00e7\u00e3o a esse sintoma. Essa me parece que \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro ponto que Lacan assinala, e que sempre nos traz dificuldades, \u00e9 sustentar nosso discurso num meio-dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um exemplo que Lacan d\u00e1, no Semin\u00e1rio 17, e que sempre gerou, inclusive entre n\u00f3s, os colegas, discuss\u00f5es. Lacan diz \u201cevitando a den\u00fancia\u201d, n\u00e3o denunciando. Mas, se algu\u00e9m permanece somente nessa frase, parece-me que n\u00e3o termina de entender a ideia de Lacan. Ele disse, efetivamente, \u201cevitando denunciar, porque denunciar refor\u00e7a o denunciado, salvo\u2026\u201d, e a\u00ed vem a segunda parte, \u201csalvo que se o fa\u00e7a com um meio-dizer\u201d. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 exatamente n\u00e3o denunciar, mas denunciar de outra maneira, uma maneira dif\u00edcil, uma maneira para a qual eu penso que \u00e9 preciso preparar-se, porque a que nos ocorre \u00e9 a outra, \u00e9 a do fil\u00f3sofo, a do soci\u00f3logo, nos ocorrem estas. N\u00e3o nos ocorre a den\u00fancia como um meio-dizer, sem dizer tudo, apontando ao vazio, diminuindo o sentido, podando-o, rasurando-o. Parece-me que merece uma pr\u00e1tica, uma maneira de ir-se instalando, aos poucos, nessas quest\u00f5es. Isso, como linha geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como isso se encarna na a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica concreta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque, de alguma maneira, e essa \u00e9 a segunda parte, deve-se pensar a pol\u00edtica j\u00e1 n\u00e3o somente a partir da psican\u00e1lise: a pol\u00edtica, em geral, \u00e9 a\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas podem verificar a multid\u00e3o de fil\u00f3sofos pol\u00edticos que, pelo positivo ou negativo, sempre vai indicar que pol\u00edtica \u00e9 a\u00e7\u00e3o. Assim, o importante \u00e9 pensar qual a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a cada vez, sem esquecer a perspectiva de que a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deve estar dirigida a ler um sintoma e interpret\u00e1-lo, essa \u00e9 a pol\u00edtica da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 pouco, ler um sintoma e interpret\u00e1-lo pode interferir diretamente no real de uma situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se deve pens\u00e1-lo como algo localizado fora da pol\u00edtica concreta, ao contrario, isso \u00e9 pol\u00edtica concreta, e pode fazer mudar as pol\u00edticas. A quest\u00e3o \u00e9: como mudar as pol\u00edticas sem chamar muita aten\u00e7\u00e3o? A\u00ed se coloca o impol\u00edtico,[3] porque a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica permite uma dupla leitura: a da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pensada em dire\u00e7\u00e3o a conseguir uma efic\u00e1cia direta; e a da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pensada como o impol\u00edtico, possibilitando a leitura da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sustentada em uma efic\u00e1cia indireta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui tenho que fazer uma pequena confiss\u00e3o: no primeiro livro, eu pensava que o impol\u00edtico sempre devia guiar a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Hoje, n\u00e3o penso exatamente o mesmo, h\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o entre o primeiro e o segundo livro. N\u00e3o falo de complemento entre ambos, mas sim de suplemento; assim como falamos do gozo feminino como suplemento, podemos falar do impol\u00edtico como suplemento. Por\u00e9m, \u00e0s vezes, necessita-se da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sustentada na a\u00e7\u00e3o direta, na efic\u00e1cia direta. Por exemplo, quando Miller funda a Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise, a\u00ed n\u00e3o h\u00e1 nenhum ato impol\u00edtico, \u00e9 um ato pol\u00edtico de efic\u00e1cia direta e com consequ\u00eancias, nesses 20 anos em que j\u00e1 se encontra estabelecida a AMP. \u00c9 uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica concreta direta, n\u00e3o tem nada de indireto, com uma mensagem ao resto da psican\u00e1lise, com uma presen\u00e7a nova no real dos psicanalistas de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana em n\u00edvel mundial. De forma que, h\u00e1, nisso, uma pol\u00edtica que n\u00e3o podemos chamar de impol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O impol\u00edtico deve ser pensado como um dos nomes do que, em psican\u00e1lise, se chama de n\u00e3o-todo. Para mim, o impol\u00edtico \u00e9 uma maneira de pensar o pol\u00edtico sustentado no n\u00e3o-todo, o que corresponde \u00e0 l\u00f3gica feminina e n\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica masculina, que aponta sempre para o todo, corresponde ao que eu transmitia, em meu testemunho de passe, como apontando ao A, A hist\u00f3ria, A pol\u00edtica, A mulher. O impol\u00edtico \u00e9 o que aponta ao n\u00e3o-todo sustentado na l\u00f3gica feminina, que \u00e9, por outro lado, a l\u00f3gica com base na qual Lacan pensa a posi\u00e7\u00e3o do analista, mais do lado da l\u00f3gica feminina, quer dizer, do n\u00e3o-todo, que do lado da l\u00f3gica masculina, que aponta ao todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, digo, neste livro: h\u00e1 a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica propriamente dita, que \u00e9 a que remete \u00e0 efic\u00e1cia direta, e h\u00e1 a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais sustentada no impol\u00edtico, que \u00e9 a que assinala para a efic\u00e1cia indireta, a ser atingida de lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso acrescenta um problema, o da decidibilidade, da decis\u00e3o. Ou seja, cada um tem que escolher que coisa, a cada vez. N\u00e3o se pode escapar da decis\u00e3o. Isso \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio de um efeito de massa, porque, se algu\u00e9m tem que decidir, a cada vez, elimina por completo o plano da sugest\u00e3o e o efeito de massa, ou o efeito de grupo, esse \u00e9 um tema a considerar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro Uma pol\u00edtica do sintoma deve um reconhecimento a um outro livro que n\u00e3o \u00e9 de um psicanalista e que me permitiu entender alguns temas da psican\u00e1lise, de modo a iluminar alguns pontos obscuros para mim em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria psicanal\u00edtica. Esse livro \u00e9 de Michel Foucault, e seu t\u00edtulo \u00e9 \u00c9 preciso defender a sociedade.[4] H\u00e1 uma tese central, nesse livro, que n\u00e3o \u00e9 exatamente o que se toma em geral como a tese central que est\u00e1 no \u00faltimo cap\u00edtulo, que \u00e9 onde ele define a biopol\u00edtica. H\u00e1 um cap\u00edtulo do meu livro dedicado \u00e0 biopol\u00edtica. Por\u00e9m o desenvolvimento que se d\u00e1 a ver no livro de Foucault \u00e9 muito mais importante que o de seu \u00faltimo cap\u00edtulo, ou seja, os quatro primeiros cap\u00edtulos. Pelo menos, eu penso assim, porque a biopol\u00edtica \u00e9 uma consequ\u00eancia do desenvolvimento que Foucault faz nesse curso, nas quatro primeiras aulas. Eu o recomendo especialmente, porque \u00e9 um livro que serve a n\u00f3s, psicanalistas, n\u00e3o para saber de filosofia pol\u00edtica, mas para saber de nossos temas, nossos problemas. Nesse livro de Foucault, est\u00e3o duas ideias fundamentais para mim, que constituem as hip\u00f3teses que sustento em meu livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de Foucault est\u00e1 sustentada na an\u00e1lise de uma f\u00f3rmula. Ele diz que, antes, no discurso do mestre antigo, havia o direito, por parte do mestre, de \u201cfazer morrer ou deixar viver\u201d, essa \u00e9 a f\u00f3rmula que ele analisa. Ou seja, que o mestre, com rela\u00e7\u00e3o ao s\u00fadito (para n\u00e3o dizer escravo, por\u00e9m poder\u00edamos dizer escravo), tinha o direito de fazer morrer, de mat\u00e1-lo concretamente, e essa era uma lei inerente ao mestre. Ou de permitir-lhe viver, deix\u00e1-lo viver. Foucault exp\u00f5e que, na sociedade contempor\u00e2nea, no capitalismo contempor\u00e2neo, essa f\u00f3rmula sofre uma transforma\u00e7\u00e3o, que nos leva ao tema central do livro. Essa f\u00f3rmula \u00e9 substitu\u00edda pelo poder de \u201cfazer viver e deixar morrer\u201d, \u00e9 uma f\u00f3rmula que deve ser destrinchada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, h\u00e1 um deslocamento do termo \u201cdireito\u201d ao termo \u201cpoder\u201d, e a\u00ed estamos na ess\u00eancia de todo o desenvolvimento de Foucault a respeito do que seja o tema central de sua obra, que \u00e9 o poder e como um sujeito sofre em rela\u00e7\u00e3o ao poder. A segunda quest\u00e3o \u00e9 a invers\u00e3o dos termos, antes era \u201cfazer morrer\u201d, agora a f\u00f3rmula passa a \u201cfazer viver\u201d, antes era \u201cdeixar viver\u201d, agora passa a \u201cdeixar morrer\u201d. A invers\u00e3o de vida e morte na f\u00f3rmula mesma. O fundamental, e o que nos permitiria interpretar a invers\u00e3o da f\u00f3rmula, \u00e9 que come\u00e7am a nos dizer como viver. Isso eu creio que \u00e9 claro para qualquer um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de dar um exemplo, no mesmo curso de Foucault, encontramos a ideia de que o mundo est\u00e1 basicamente dividido em duas ra\u00e7as. Essas duas ra\u00e7as podemos traduzir como dois bandos, dois grupos, e Foucault pensa que isso constitui a ess\u00eancia mesma de nossa sociedade. Na Argentina, pode ser River e Boca, pode ser peronismo e antiperonismo, os millerianos e os antimillerianos\u2026 Isso \u00e9 essencial, na sociedade contempor\u00e2nea, n\u00e3o ocorria tanto na sociedade antiga. Inclusive, quando se produziam guerras, nunca havia exatamente essa quest\u00e3o de dois bandos, isso \u00e9 o que constitui um racismo contempor\u00e2neo, \u00e9 o que eu chamo de o racismo nosso de cada dia. Aqueles que, alguma vez, rezaram o Pai Nosso recordar\u00e3o essa f\u00f3rmula, na parte em que se diz \u201do p\u00e3o nosso de cada dia nos dai hoje\u201d. Fa\u00e7o uma ironia com ela, tomo da ora\u00e7\u00e3o maior da religi\u00e3o crist\u00e3 essa frase e a transformo em \u201co racismo nosso de cada dia\u201d. Assinalo o pequeno racismo de todos os dias, que acontece quando tomamos um t\u00e1xi, com o taxista, n\u00e3o ao racismo que termina no nazismo, por exemplo, e que pode resultar numa guerra, etc. A mim me preocupa esse racismo nosso de cada dia, que \u00e9 o que cada analisante leva \u00e0 an\u00e1lise e do que, a partir da psican\u00e1lise, devemos tentar dizer algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m podemos dizer algo sobre o outro racismo, de fato um cap\u00edtulo do livro que dedico \u00e0s ideias de Lacan sobre o racismo e ao que acrescenta Miller a essas ideias, que s\u00e3o tr\u00eas. O racismo dos discursos em a\u00e7\u00e3o, a f\u00f3rmula do racismo sustentado no \u00f3dio ao gozo do outro e uma terceira de que n\u00e3o me recordo neste momento, por\u00e9m s\u00e3o tr\u00eas. Pode-se fazer isso tamb\u00e9m, e, de fato, \u00e9 importante, mas, na condi\u00e7\u00e3o de psicanalista, procuro elucidar o ponto do pequeno racismo, que \u00e9 esse do qual ningu\u00e9m escapa, inclu\u00eddos n\u00f3s, os psicanalistas. De forma que este \u00e9 cl\u00ednico, o interesse \u00e9 pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m \u00e9 cl\u00ednico, porque depois \u00e9 o que se escuta no discurso dos analisantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, agora sim, o exemplo, correndo o risco de que, ao ser dado, se constituam dois bandos. Na sociedade contempor\u00e2nea, cada vez mais, pode-se fumar em menos lugares. Ent\u00e3o, algu\u00e9m pode dizer que isso \u00e9 indicar-nos como viver. Imp\u00f5em-nos que h\u00e1 um gozo que n\u00e3o devemos ter, outros n\u00e3o importam tanto, por\u00e9m esse \u00e9 um gozo em cuja erradica\u00e7\u00e3o a sociedade contempor\u00e2nea, cada vez mais, tem decidido investir. Por qu\u00ea? J\u00e1 sabemos, como psicanalistas, que quanto mais se aponta \u00e0 erradica\u00e7\u00e3o de um gozo, este volta por outro lado, isso j\u00e1 sabemos. Vamos deixar de fumar e seguramente n\u00f3s iremos talvez \u00e0s drogas, n\u00e3o importa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m n\u00e3o sabemos tampouco quem det\u00e9m o poder, porque uma das teses de Foucault \u00e9 a de que se perde onde est\u00e1 o poder, cada vez mais. Antes, localizava-se o poder num rei, por exemplo, ou em algu\u00e9m que mandava, agora n\u00e3o se sabe muito bem, o poder est\u00e1 completamente desfocalizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltemos ao exemplo: se eu pego um cigarro, v\u00e3o me dizer: \u201cn\u00e3o, aqui n\u00e3o, em Belo Horizonte, n\u00e3o se fuma aqui dentro, podemos ir l\u00e1 fora para fumar\u201d. Isso imediatamente constitui dois bandos, e \u00e9 a sociedade na qual vivemos. Na Argentina, continua-se avan\u00e7ando no como viver, e agora n\u00e3o se pode colocar um saleiro na mesa dos restaurantes, \u00e9 preciso pedi-lo ao gar\u00e7om, se algu\u00e9m quer colocar sal na comida. Ent\u00e3o, indicam-nos que devemos consumir pouco ou nada de sal, e assim ser\u00e1 com a \u00e1gua, que ser\u00e1 com g\u00e1s ou sem g\u00e1s, de acordo com o que pense o poder, continuar\u00e1 com as comidas, n\u00e3o haver\u00e1 mais carne de porco nos restaurantes\u2026 Exagero para que entendam a minha ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa ideia est\u00e1 em Foucault e se verifica no que os analisantes nos contam de seus dramas. \u00c9 o mesmo, porque os bandos devem ser pensados em termos psicanal\u00edticos, em termos de homem e mulher. Por isso, \u00e9 um milagre que tenham ocorrido a Lacan as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, que eliminam os dois bandos: h\u00e1 dois gozos, n\u00e3o dois bandos, e cada um pode-se localizar de acordo com o gozo que tem. Um homem pode estar do lado direito, de fato estar do lado esquerdo, a estrutura da histeria o faz estar do lado esquerdo. Para a mulher, valem as quatro f\u00f3rmulas, no homem, ao contr\u00e1rio, as duas da esquerda, e ele tem muito mais dificuldades para orientar-se para o lado direito. As f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o s\u00e3o um exemplo, uma resposta ao problema dos dois bandos. Obviamente, n\u00e3o me imagino indo \u00e0 televis\u00e3o para explicar, numa mesa com fil\u00f3sofos e soci\u00f3logos, que o que d\u00e1 a possibilidade de solucionar o problema das duas ra\u00e7as s\u00e3o as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o. \u00c9 imposs\u00edvel, por isso, nossa interven\u00e7\u00e3o \u00e9 muito limitada. Mas temos que nos perguntar como podemos intervir, tendo essa ideia em mente. A partir desse ponto de vista, a filosofia pol\u00edtica tomou as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o para explicar o mundo contempor\u00e2neo. Isso \u00e9 feito por Milner, Badiou, assim como Ernesto Laclau, todos os fil\u00f3sofos pol\u00edticos que consideram o pensamento de Lacan. Por\u00e9m, do pensamento de Lacan, o que tomam fundamentalmente s\u00e3o as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente, mas fundamentalmente, repito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, nesse ponto, para dar-lhes outro exemplo, h\u00e1 outro cap\u00edtulo que eu chamo \u201ca \u00e9poca da vizinhan\u00e7a\u201d. Vizinhan\u00e7a \u00e9 um termo que Lacan usa no Semin\u00e1rio 21, e em todo o \u00faltimo ensino. \u00c9 um termo que corresponde \u00e0 l\u00f3gica do n\u00e3o-todo, do pas-tout, inclusive como oposi\u00e7\u00e3o a outra l\u00f3gica, que \u00e9 a l\u00f3gica da fronteira. \u00c9 sempre o mesmo tema, com distintos nomes. A l\u00f3gica da fronteira \u00e9 uma l\u00f3gica de segrega\u00e7\u00e3o, porque, onde h\u00e1 uma fronteira, h\u00e1 um bando e outro bando, e, a partir da\u00ed, come\u00e7am as guerras, porque \u201cvoc\u00ea avan\u00e7ou um pouquinho, cem metros, e ocupou meu territ\u00f3rio, ent\u00e3o, tenho que te expulsar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00f3gica da fronteira \u00e9 uma l\u00f3gica da inclus\u00e3o\/exclus\u00e3o, n\u00e3o tem nada de n\u00e3o-todo. Ao contr\u00e1rio, por isso, Lacan pensa que a l\u00f3gica da vizinhan\u00e7a \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o total das fronteiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, a filosofia pol\u00edtica come\u00e7a a pensar se poderia haver uma maneira de eliminar as fronteiras. Gostemos ou n\u00e3o, estejamos completamente de acordo ou um pouquinho em desacordo, o Mercosul \u00e9 uma ideia de vizinhan\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 uma ideia de fronteira. E todas as discuss\u00f5es do Mercosul \u2014 \u201cme impediste a importa\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cagora n\u00e3o me mandas aquilo, mas queres o meu\u201d \u2014 isso \u00e9 um retorno da l\u00f3gica das fronteiras. Ou seja, a l\u00f3gica da vizinhan\u00e7a \u00e9 muito dif\u00edcil de sustentar, no entanto, pareceria que h\u00e1 elementos que pouco a pouco se v\u00e3o instalando na sociedade contempor\u00e2nea, pelo menos na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso teria que nos servir para pensar os problemas nas institui\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas. Nelas, deixamo-nos levar pelo n\u00e3o-todo, pela l\u00f3gica da vizinhan\u00e7a, ou ca\u00edmos todo o tempo, como sintoma, na l\u00f3gica das fronteiras, na l\u00f3gica dos bandos, dos grupos? E, como sempre, ao cair nisso, deve-se interpretar o sintoma e encontrar solu\u00e7\u00f5es parciais para esse sintoma. Pelo pouco que conversei, em S\u00e3o Paulo e aqui, sei que isso acontece do mesmo modo como na Argentina, o tempo todo, e \u00e9 necess\u00e1rio, a cada vez, interpretar o sintoma: como ele se deslocou e apareceu em outro lugar, como se deslocou e voltou a aparecer no outro lado, e como se pode resolv\u00ea-lo a cada vez. Para consumo interno, isso tem uma vig\u00eancia extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Debate<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sergio de Castro<\/strong>: Pergunta n\u00e3o aud\u00edvel a respeito da diferen\u00e7a entre o Mercosul e o mercado comum europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luis Tudanca<\/strong>: Sim, torna-se mais duro se se mant\u00e9m a l\u00f3gica das fronteiras, porque o que se mostra no mercado comum europeu \u00e9 que est\u00e1 mantida a l\u00f3gica das fronteiras, porque os maus alunos s\u00e3o castigados, os alunos que n\u00e3o fazem os deveres. Isso nos leva \u00e0 l\u00f3gica da avalia\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um poder que avalia quem merece permanecer. Neste momento, \u00e9 muito mais interessante a l\u00f3gica do Mercosul que a do mercado comum europeu. Deve-se ver se isso vai seguir assim ou n\u00e3o, o Mercosul \u00e9 uma mistura das duas l\u00f3gicas, vamos ver o que acontece. Nesse sentido, Lacan era pessimista, falava do pessimismo da estrutura e somente localizava o otimismo do lado da a\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, devem-se pensar todas essas quest\u00f5es do lado da a\u00e7\u00e3o, porque, se as pensamos do lado da estrutura, j\u00e1 sabemos, como psicanalistas, o que acontece do lado da estrutura, nesse ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 a conviv\u00eancia de l\u00f3gicas, e qual vai tendo maior peso em cada situa\u00e7\u00e3o, essa \u00e9 a quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e9sus Santiago<\/strong>: Porque, al\u00e9m da quest\u00e3o da fronteira e da vizinhan\u00e7a, tem um aspecto mais estrutural que, a meu ver, \u00e9 a pr\u00f3pria l\u00f3gica do capital. Lacan, de alguma maneira, aponta para se considerar os mercados comuns como uma esp\u00e9cie de est\u00edmulo ao racismo. O que os mercados comuns denotam \u00e9 o avan\u00e7o do capitalista, portanto, da homogeneiza\u00e7\u00e3o, e isso iria contra os distintos modos de gozo. N\u00e3o sei o que voc\u00ea pensa, mas talvez tiv\u00e9ssemos que introduzir a ideia, em torno do problema da vizinhan\u00e7a e da fronteira, de que, para al\u00e9m dele, haveria um certo processo de homogeneiza\u00e7\u00e3o, e que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 a base do fen\u00f4meno do racismo, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luis Tudanca<\/strong>: Essa \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o que temos de realizar, o que voc\u00ea disse \u00e9 preciso. Em certo sentido, a l\u00f3gica da fronteira j\u00e1 n\u00e3o existe, devido \u00e0 uniformiza\u00e7\u00e3o que o capitalismo tem produzido, a homogeneiza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m a l\u00f3gica da vizinhan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 isso. Ent\u00e3o, deve-se extrair de Lacan essa ideia. Talvez a AMP possa dar uma inje\u00e7\u00e3o de vizinhan\u00e7a no capitalismo. Isso \u00e9 o que temos que come\u00e7ar a pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e9sus Santiago<\/strong>: Porque a ideia que eu penso que a pr\u00f3pria Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana introduz em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise que vive a Europa, dos processos de homogeneiza\u00e7\u00e3o no n\u00edvel da pr\u00f3pria economia, a impress\u00e3o que me d\u00e1 \u00e9 a de que, para se contrapor ao racismo, a resposta que tem que ser dada n\u00e3o \u00e9 tanto uma resposta pela via do nacionalismo. Pois o nacionalismo refor\u00e7a a l\u00f3gica da fronteira. O que estaria em jogo seria um processo de civiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o um projeto jur\u00eddico, n\u00e3o uma certa orienta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria integra\u00e7\u00e3o, de mercado comum, de propor uma unifica\u00e7\u00e3o dos mercados, sem ter uma orienta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio estilo da vida civilizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ludmilla Faria<\/strong>: A homogeneiza\u00e7\u00e3o, na verdade, traz como resposta a fronteira, leva \u00e0 fronteira. Contra dois bandos, todos iguais, a tentativa \u00e9 de constituir diferen\u00e7a, introduzir fronteira, acho que a gente tem fronteiras hoje, uma l\u00f3gica de fronteiras. Parece-me que a homogeneiza\u00e7\u00e3o introduz a tentativa de diferencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pergunta n\u00e3o aud\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luis Tudanca<\/strong>: A homogeneiza\u00e7\u00e3o deve ser pensada em termos de gozo. Quem idealiza as fronteiras torna os sujeitos idiotas e casados com seu gozo. Isso \u00e9 o que chamamos de consumo, a homogeneiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o que Miller chama de \u201ca ditadura do mais-de-gozar\u201d. Sustentada numa ci\u00eancia, que n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia, mas t\u00e9cnica, que produz objetos para alcan\u00e7ar essa homogeneiza\u00e7\u00e3o do consumo. A partir desse ponto de vista, a discuss\u00e3o da fronteira ou vizinhan\u00e7a passa para um segundo plano, porque j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 sujeito, por isso, Lacan recorre ao termo parl\u00eatre, para designar algu\u00e9m diretamente casado com o gozo. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 dois bandos, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 dois grupos, na medida em que o que triunfa \u00e9 o autismo do um, que n\u00e3o se dirige ao Outro de nenhuma maneira. Isso \u00e9 cl\u00ednica, e \u00e9 cl\u00ednica porque o que come\u00e7amos a ver, em todas as nossas discuss\u00f5es sobre psicoses ordin\u00e1rias, \u00e9 isso. Percebe-se que, cada vez mais, est\u00e1 impossibilitado o enlace como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 desde esse ponto de vista que se deve come\u00e7ar a pensar que pol\u00edtica \u00e9 poss\u00edvel nesse ponto. Sem a possibilidade de um retorno nost\u00e1lgico \u00e0 solu\u00e7\u00e3o Nome-do-Pai, que j\u00e1 n\u00e3o tem retorno, mas tampouco sem uma solu\u00e7\u00e3o para sustentar isso. Esse \u00e9 o problema que temos, insisto, n\u00e3o se pode dar uma f\u00f3rmula, n\u00e3o se pode dar uma lei, n\u00e3o se pode assegurar uma generaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 a cada vez, em cada situa\u00e7\u00e3o, a solu\u00e7\u00e3o que nos venha \u00e0 mente. A distin\u00e7\u00e3o entre fronteira e vizinhan\u00e7a est\u00e1 sustentada (tento fazer isso no livro), fazendo primeiro uma distin\u00e7\u00e3o de qual \u00e9 a l\u00f3gica do capitalismo atual, depois se ver\u00e1 como intervir a cada vez, porque n\u00e3o h\u00e1 receita, esse \u00e9 o problema.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Texto estabelecido por Ernesto Anzalone (revisto pelo autor)<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Maria das Gra\u00e7as Sena<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">(1) Interven\u00e7\u00e3o realizada em 18\/05\/2012, na sede do IPSM-MG, em atividade extraordin\u00e1ria do N\u00facleo de Investiga\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Psican\u00e1lise e Direito, coordenada por Ludmilla F\u00e9res Faria.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">(2) TUDANCA, Luis. Una pol\u00edtica del s\u00edntoma. Buenos Aires: Grama ed., 2012.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">(3) A categoria do impol\u00edtico designa uma pol\u00edtica que busca intervir em rela\u00e7\u00e3o ao poder, mas sob a forma de uma \u201ca\u00e7\u00e3o n\u00e3o atuante\u201d, contr\u00e1ria \u00e0 despolitiza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">(4) FOUCAULT, Michel (1976). \u00c9 preciso defender a sociedade. [S.l.]:Livros do Brasil, 2006.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Lu\u00eds Tudanca<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Psicanalista, AME, Analista Membro da Escola, da EOL &#8211; Escuela de la Orientaci\u00f3n Lacaniana e da AMP &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise. E-mail:\u00a0<span id=\"cloak7c40bf4d43d2044bf8c82e4bc6f61ab7\"><a href=\"mailto:tudancaluis@fibertel.com.ar\">tudancaluis@fibertel.com.ar<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LU\u00cdS TUDANCA \u00c9 um prazer estar aqui, trabalhando com voc\u00eas as quest\u00f5es levantadas em meu \u00faltimo livro.[2] Agora posso dizer \u201cmeu \u00faltimo livro\u201d, j\u00e1 que s\u00e3o dois. Trata-se, ent\u00e3o, da pol\u00edtica pensada a partir da psican\u00e1lise e, mais estritamente, da pol\u00edtica da psican\u00e1lise que chamo de \u201cuma pol\u00edtica do sintoma\u201d, que \u00e9 o t\u00edtulo do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-470","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque-10","category-6","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/470\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}