{"id":477,"date":"2012-03-15T06:50:50","date_gmt":"2012-03-15T09:50:50","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=477"},"modified":"2012-03-15T06:50:50","modified_gmt":"2012-03-15T09:50:50","slug":"prematuridade-trauma-e-constituicao-subjetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2012\/03\/15\/prematuridade-trauma-e-constituicao-subjetiva\/","title":{"rendered":"Prematuridade, Trauma E Constitui\u00e7\u00e3o Subjetiva"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\" style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"font-size: 14px;\">M\u00c1RCIA REGINA DOS SANTOS RENDA<\/strong><\/h6>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada beb\u00ea tem uma hist\u00f3ria \u2014 segundo filho, gravidez desejada ou indesejada, insemina\u00e7\u00e3o artificial. A singularidade da narrativa produz marcas que determinam a inser\u00e7\u00e3o do fr\u00e1gil filho do homem no romance familiar, suscitando, nos personagens desse romance, quest\u00f5es sobre como ser m\u00e3e, pai, irm\u00e3o, av\u00f4, av\u00f3\u2026 Os envolvidos na trama da vida declaram, de algum modo, o investimento nessa nova empreitada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, entre o nascimento e a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito, existe um espa\u00e7o que revela o encontro traum\u00e1tico com o real, e, quando esse evento \u00e9 marcado por par\u00e2metros inimagin\u00e1veis, como os aparatos ligados \u00e0 reanima\u00e7\u00e3o neonatal, o hiato \u00e9 exacerbado de modo dram\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O beb\u00ea que \u201cchega antes da hora\u201d, com s\u00edndromes, pode ser atado a representa\u00e7\u00f5es que colocam em risco o la\u00e7o com o Outro, pois a narrativa pode privilegiar os aparatos que cercam o teatro da reanima\u00e7\u00e3o, capturada por uma rede imagin\u00e1ria, em detrimento do nascimento ps\u00edquico do beb\u00ea (MOHALLEM, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o beb\u00ea n\u00e3o sustenta a fantasia daqueles que o esperavam, as certezas vacilam, fazendo as fr\u00e1geis garantias frente ao desamparo desaparecerem. Como investir, libidinalmente, esse beb\u00ea t\u00e3o inesperado, no qual n\u00e3o se reconhece ningu\u00e9m de sua linhagem? O encontro com o real inassimil\u00e1vel produz horror em cada ser que dele se aproxima: pais, familiares, equipe cl\u00ednica. \u00c9 como um trauma que desaloja. O instante de ver instaura o abismo que interfere na opera\u00e7\u00e3o do tempo de compreender e do momento de concluir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa maneira, o cen\u00e1rio da neonatologia faz desmoronar o que sustentava a hist\u00f3ria. A emin\u00eancia de morte concorrendo com o nascimento \u00e9 da ordem de uma incerteza insuport\u00e1vel. \u201cVida e morte se encontram misturadas, sem que se possa distingui-las. \u00c9 o traumatismo absoluto\u201d (ANSERMET, 2003, p.49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, necess\u00e1rio se faz dar sentido ao traum\u00e1tico. Caso contr\u00e1rio, h\u00e1 o risco da fixa\u00e7\u00e3o em significantes alienantes, passando o sujeito a ser o \u201cque o traumatizou: prematuro, deficiente, dependente\u201d (MOHALLEM, 2005, p.103).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dessas circunst\u00e2ncias, como reencontrar o equ\u00edvoco e o desejo? Como ultrapassar o horror e encontrar a \u201cliberdade significante\u201d? Essas interroga\u00e7\u00f5es p\u00f5em em cena a interven\u00e7\u00e3o do analista em um centro de neonatologia, pois a prematura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma desordem fecunda, falha bem-sucedida da vida, que arrasta o ser humano a diferir de sua ess\u00eancia para descobrir sua exist\u00eancia (LACAN, 1946).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. O Real, Traum\u00e1tico, No Beb\u00ea<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A representa\u00e7\u00e3o do nascimento e da morte \u00e9 incognosc\u00edvel no real, pois confronta o ser humano com algo subjetivamente inassimil\u00e1vel (ANSERMET, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a concep\u00e7\u00e3o do ser humano seja fruto de uma hist\u00f3ria, entra em jogo a\u00ed algo para al\u00e9m dessa hist\u00f3ria. Todo nascimento atualiza quest\u00f5es, tanto para aqueles que j\u00e1 est\u00e3o no mundo e ajudam a produzir a narrativa para o novo integrante, quanto para o pr\u00f3prio rec\u00e9m-chegado, no caso, o beb\u00ea, mais tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a quest\u00e3o freudiana de saber de onde v\u00eam os beb\u00eas pode ser tomada como o enigma (da vida) por excel\u00eancia. Circunscrever esse saber \u00e0 esfera da biologia da reprodu\u00e7\u00e3o ou da hist\u00f3ria familiar n\u00e3o parece suficiente para encaminh\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentar articular esse enigma implica fazer refer\u00eancia ao que vem antes \u2014 ao que antecede. Contudo, nascer tamb\u00e9m representa corte, ruptura. A quest\u00e3o comporta dupla face: liga\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o. Entretanto, como ir al\u00e9m do que precede? Como escapar de certo determinismo, quer seja biol\u00f3gico, gen\u00e9tico ou hist\u00f3rico-familiar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma das facetas dessa dupla face, o nascimento de um beb\u00ea traz a quest\u00e3o da morte. Podemos supor que, talvez, a crian\u00e7a, mesmo sem o saber, ou recordar, posteriormente, a perceba tamb\u00e9m. A vida, em seus prim\u00f3rdios, \u00e9 fr\u00e1gil, prematura, convocando cuidados intensos e, por vezes, extremos. Muitos pais e familiares vivenciam, de forma dram\u00e1tica, esses primeiros momentos, quando os beb\u00eas necessitam de procedimentos (reanima\u00e7\u00e3o) cotidianos, observados em unidade de tratamento neonatal: \u201cLogo vem o tumulto das m\u00e1quinas de suporte \u00e0 vida. Em meio a um odor de muco, sangue, baba e sab\u00e3o, esse ateli\u00ea recupera o corpo [\u2026]. As perfura\u00e7\u00f5es, aspira\u00e7\u00f5es e sondas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para separar a vida da morte\u201d (ANSERMET, 2003, p.97-98).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, muitas vezes, inaptos para viver, os beb\u00eas retornam, sem nome, para a terra de onde foram retirados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nascimento, assim como na morte, algo \u00e9 extra\u00eddo. Nessa opera\u00e7\u00e3o, uma hi\u00e2ncia \u00e9 produzida de forma inexor\u00e1vel. A chegada de um beb\u00ea p\u00f5e em marcha essa fenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com as teorias freudianas sobre o narcisismo (FREUD, 1914\/1996), a vinda de um filho desperta os aportes narc\u00edsicos dos pais:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">\u201cA crian\u00e7a ter\u00e1 mais divertimentos que seus pais; ela n\u00e3o ficar\u00e1 sujeita \u00e0s necessidades que eles reconheceram como supremas na vida [\u2026]; ela ser\u00e1 mais uma vez realmente o centro e o \u00e2mago da cria\u00e7\u00e3o \u2013 Sua Majestade o Beb\u00ea [\u2026]. A crian\u00e7a concretizar\u00e1 os sonhos dourados que os pais jamais realizaram [\u2026]\u201d (FREUD, 1914\/1996, p.98).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, essa ferida narc\u00edsica tamb\u00e9m \u00e9 transmitida, pois o beb\u00ea lembra ao adulto uma parte dele mesmo \u00e0 qual jamais ter\u00e1 acesso. O enigma da origem segue intacto, rompendo la\u00e7os com qualquer anterioridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o infans que se apresenta diante dos pais n\u00e3o \u00e9, exatamente, como ele \u00e9, visto que n\u00e3o deve ser restringido \u00e0 realidade carnal ou biol\u00f3gica, pois ele j\u00e1 estava l\u00e1 antes de seu nascimento e sempre estar\u00e1 l\u00e1 depois da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estar diante de um beb\u00ea implica encontrar-se tamb\u00e9m com o resto de uma simboliza\u00e7\u00e3o que escapa a qualquer designa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, pois se trata do real (ANSERMET, 2003). Algo da ordem de uma estranheza que n\u00e3o produz la\u00e7o, que, paradoxalmente, evidencia, igualmente, a presen\u00e7a da puls\u00e3o de morte. \u201cA vida \u00e9 a forma mais pura em que reconhecemos o instinto de morte\u201d (LACAN, 1953, p.321).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma vez, a dupla face do enigma da vida se faz notar, apontando para a continuidade da descend\u00eancia e a descontinuidade do sujeito. Em uma face, a indu\u00e7\u00e3o linguajeira que o constitui como sujeito do significante, submetido ao simb\u00f3lico que o antecede. Na outra face, a hi\u00e2ncia, um inassimil\u00e1vel que convoca uma escolha por parte do sujeito. Escolha esta imprevis\u00edvel. Resta a possibilidade de escapar ao sintoma dos pais ou a perpetua\u00e7\u00e3o de ocupar o lugar de objeto de suas fantasias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">\u201c\u00c9 a partir dessa necessidade que as fun\u00e7\u00f5es da m\u00e3e e do pai s\u00e3o julgadas. Da m\u00e3e: uma vez que seus cuidados trazem a marca de um interesse particularizado, mesmo que pela via de suas pr\u00f3prias faltas. Do pai: uma vez que seu nome \u00e9 o vetor de uma encarna\u00e7\u00e3o da lei do desejo\u201d (LACAN, 1969\/1986).i<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando essas fun\u00e7\u00f5es parentais falham, a ang\u00fastia extrema emerge, pois n\u00e3o se apresentam os meios de abordagem para o intransmiss\u00edvel que o real comporta. Dessa forma, a estrutura\u00e7\u00e3o da subjetividade \u00e9 fruto da conting\u00eancia da resposta de uma crian\u00e7a a uma parte inabord\u00e1vel que lhe foi, de alguma forma, transmitida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. O Simb\u00f3lico, Anterior, Ao Beb\u00ea<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao estudar a s\u00edndrome de hospitalismo, Spitz (1987) enfatizou a import\u00e2ncia da qualidade do v\u00ednculo m\u00e3e-beb\u00ea para que este pudesse escapar da depress\u00e3o e da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessante, nesse estudo, \u00e9 a hip\u00f3tese que o autor formula para a ocorr\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o depressiva no beb\u00ea: o fato de as enfermeiras dos orfanatos usarem m\u00e1scaras sobre o nariz e a boca, o que impedia o beb\u00ea de dirigir seu olhar para a parte inferior do rosto do adulto que dele se ocupava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena lembrar a considera\u00e7\u00e3o de Freud sobre o sorriso de Gioconda \u2014 sorriso estranho, enfeiti\u00e7ante, enigm\u00e1tico (FREUD, 1910).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas recentes sobre a atividade do beb\u00ea em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, como, por exemplo, a descoberta dos neur\u00f4nios-espelhos, apontam que as afirmativas sobre a incapacidade sensorial do beb\u00ea est\u00e3o obsoletas. O pequeno ser humano possui, desde muito cedo, a capacidade de reconhecimento. Desse modo, na pesquisa de Spitz, a vis\u00e3o do beb\u00ea das express\u00f5es faciais e dos movimentos do adulto encarregado de seus cuidados \u2014 usualmente, a m\u00e3e, oferece pontos de refer\u00eancia para o pequeno ser. O beb\u00ea solicita \u00e0 m\u00e3e e esta lhe atende, fato que tamb\u00e9m provoca uma resposta do beb\u00ea. Essa experi\u00eancia produz efeito sobre a m\u00e3e, que interpreta as solicita\u00e7\u00f5es do filho, recobrindo-as com seus conte\u00fados fantasm\u00e1ticos. Tal movimento coloca em evid\u00eancia a condi\u00e7\u00e3o de necessidade, por parte do beb\u00ea, da interven\u00e7\u00e3o do Outro. O real da prematura\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do filho do homem cede lugar \u00e0 presen\u00e7a do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De que Outro se trata? Podemos configur\u00e1-lo nos dom\u00ednios do semelhante mais experiente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Circunscrev\u00ea-lo \u00e0s dimens\u00f5es da m\u00e3e ou da realidade do mundo pode-se revelar insuficiente, pois o beb\u00ea, de algum modo, j\u00e1 estava l\u00e1 antes mesmo de sua concep\u00e7\u00e3o. A expectativa de sua presen\u00e7a se fazia notar atrav\u00e9s do discurso de seus pais e familiares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa perspectiva, o outro necess\u00e1rio \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vida ultrapassa a no\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria dos cuidados autoconservativos. Trata-se de um Outro anterior que precede o sujeito \u2014 Outro simb\u00f3lico, que \u00e9 necess\u00e1rio para a sobreviv\u00eancia tanto biol\u00f3gica quanto para a assun\u00e7\u00e3o subjetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O beb\u00ea que chega \u00e0 unidade de reanima\u00e7\u00e3o \u00e9 filho de m\u00e3e confrontada, mais do que qualquer outra, com a imagem da m\u00e3e m\u00e1, por n\u00e3o lhe ter dado uma vida bela, saud\u00e1vel e que, talvez, tenha desejado a sua morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do nascimento sem problemas, o nascimento precipitado se passa no horror e na urg\u00eancia, impedindo que o narcisismo da m\u00e3e seja renovado. Nesse caso, \u201ca realidade reencontra o fantasma e surge o trauma\u201d (MATHELIN, 1999, p.17). Por ser impens\u00e1vel, o trauma permanece sem fala. Dessa forma, busca-se uma causalidade que d\u00ea conta de explicar esse acontecimento. Por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio dar ao evento traum\u00e1tico uma significa\u00e7\u00e3o, um estatuto. Persistir na tentativa de reconstru\u00e7\u00e3o da verdade hist\u00f3rica. Esse trabalho de elabora\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel nessas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caber\u00e1 ao analista, nesses tempos de rupturas, trabalhar a quest\u00e3o da perda, possibilitando o acesso \u00e0 simboliza\u00e7\u00e3o desse nascimento que, ambientado na urg\u00eancia, no drama e na morte, n\u00e3o p\u00f4de ser falado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud ([1929] 1930\/1996) formula o conceito de puls\u00e3o de morte operando em sil\u00eancio no interior do organismo, com vistas \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o. Entretanto, ressalta que uma por\u00e7\u00e3o dessa puls\u00e3o pode ser posta a servi\u00e7o da vida, se desviada para um objeto externo, em vez de voltar-se contra o pr\u00f3prio ser. A perspectiva freudiana permite articular que o encontro com o real porta a pot\u00eancia criadora. \u00c9 justamente a hi\u00e2ncia que permite escapar de qualquer determinismo. Ao psicanalista resta a responsabilidade de fazer emergir o espa\u00e7o para a indetermina\u00e7\u00e3o, o vislumbre de um ponto de suspens\u00e3o \u2014 abertura que possibilite o surgimento da imprevisibilidade, fundamental para que o sujeito possa advir.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[1] LACAN, Jacques. (1969) \u201cDeux notes sur l\u2019enfant\u201d, Ornicar?, Revue du Champ freudien, Paris, n.37, 1986, p.13-14. No original: \u201cC\u2019est d\u2019apr\u00e8s une telle n\u00e9cessit\u00e9 que se jugent les fonctions de la m\u00e8re et du p\u00e8re. De la m\u00e8re: en tant que ses soins portent la marque d\u2019un int\u00e9r\u00eat particularis\u00e9, le f\u00fbt-il par la voie de ses propes manques. Du p\u00e8re: en tant que son nom est le vecteur d\u2019une incarnation de la Loi dans le d\u00e9sir.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">ANSERMET, Fran\u00e7ois. \u201cO pavor da origem\u201d, In: Cl\u00ednica da origem: a crian\u00e7a entre a medicina e a psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria, 2003. p.21-104.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">FREUD, Sigmund. (1910\/1996) \u201cLeonardo da Vinci e uma lembran\u00e7a de sua inf\u00e2ncia\u201d, In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago, v.XI, p.69-141.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">______. (1914\/1996) \u201cSobre o narcisismo: uma introdu\u00e7\u00e3o\u201d, In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago, v.XIV, p.77-108.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">______. ([1929] 1930\/1996) \u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago, v.XXI, p.67-148.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, Jacques. (1946) \u201cFormula\u00e7\u00f5es sobre a causalidade ps\u00edquica\u201d, In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p.152-194.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">______. (1953) \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem\u201d, In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p.238-324.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">______. (1969) \u201cDeux notes sur l\u2019enfant\u201d, Ornicar?, Revue du Champ freudien, Paris, n.37, 1986, p.13-14.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MOHALLEM, Lea. \u201c\u2019Nada como o tempo\u2026\u2019: prematuridade e trauma\u201d, In: MOURA, Marisa Decat de. (Org.) Psican\u00e1lise e hospital 4: vers\u00f5es do pai, reprodu\u00e7\u00e3o assistida e UTI. Belo Horizonte: Aut\u00eantica\/FCH FUMEC, 2005. p.93-105.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MATHELIN, Catherine. \u201cO sorriso da Gioconda\u201d, In: O sorriso da Gioconda: cl\u00ednica psicanal\u00edtica com beb\u00eas prematuros. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 1999. p.5-32.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">SPITZ, Ren\u00e9. \u201cA constitui\u00e7\u00e3o do objeto libidinal\u201d, In: O primeiro ano de vida: um estudo do desenvolvimento normal e an\u00f4malo das rela\u00e7\u00f5es objetais. S\u00e3o Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1987. p.27-146.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00e1rcia Regina Dos Santos Renda<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Psic\u00f3loga, aluna do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, p\u00f3s-graduada em Teoria Psicanal\u00edtica. E-mail:\u00a0<span id=\"cloakc9cb6f9c0a65493cb4393c77fe6f91b2\"><a href=\"mailto:mrenda@scaimex.com.br\">mrenda@scaimex.com.br<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00c1RCIA REGINA DOS SANTOS RENDA Cada beb\u00ea tem uma hist\u00f3ria \u2014 segundo filho, gravidez desejada ou indesejada, insemina\u00e7\u00e3o artificial. A singularidade da narrativa produz marcas que determinam a inser\u00e7\u00e3o do fr\u00e1gil filho do homem no romance familiar, suscitando, nos personagens desse romance, quest\u00f5es sobre como ser m\u00e3e, pai, irm\u00e3o, av\u00f4, av\u00f3\u2026 Os envolvidos na trama&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-477","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque-10","category-6","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/477\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}