{"id":558,"date":"2012-08-17T06:51:47","date_gmt":"2012-08-17T09:51:47","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=558"},"modified":"2012-08-17T06:51:47","modified_gmt":"2012-08-17T09:51:47","slug":"as-saidas-do-tratamento-nos-caps-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2012\/08\/17\/as-saidas-do-tratamento-nos-caps-a\/","title":{"rendered":"As Sa\u00eddas Do Tratamento Nos CAPS A"},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>MARIA WILMA S. DE FARIA E ANA REGINA MACHADO<\/strong><\/h6>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Iniciais<\/strong><\/p>\n<p>As sa\u00eddas do tratamento no Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial \u00c1lcool\/Drogas \u2013 CAPS ad podem ser pensadas a partir das diferentes l\u00f3gicas que permeiam a pol\u00edtica de sa\u00fade na \u00e1rea de \u00e1lcool e drogas, a saber: a reforma psiqui\u00e1trica, a redu\u00e7\u00e3o de danos e a cl\u00ednica. In\u00fameras, ent\u00e3o, s\u00e3o as perguntas que podemos elaborar sobre essas sa\u00eddas. Quando se conclui a passagem de um paciente pelo CAPS ad? A partir de que l\u00f3gica poderemos construir o encerramento, ainda que tempor\u00e1rio, de uma passagem pelo CAPS ad? A sa\u00edda do CAPS ad coincide com o fim de uma proposta de tratamento? O que deve ocorrer no servi\u00e7o para que a sa\u00edda se apresente como possibilidade?<\/p>\n<p>Pretendemos, inicialmente, neste texto, problematizar as sa\u00eddas do CAPS ad, a partir das diferentes l\u00f3gicas que permeiam a aten\u00e7\u00e3o ofertada nesses servi\u00e7os. Em um segundo momento, a partir da experi\u00eancia cl\u00ednica do Centro Mineiro de Toxicomania-CMT (um CAPS ad) e dos referenciais te\u00f3ricos que a norteiam, trabalharemos os momentos de sa\u00edda do servi\u00e7o, articulando-os com os de entrada e seus impasses. Nesse percurso, tentaremos desenvolver respostas, ainda que parciais, \u00e0s in\u00fameras perguntas que o tema suscita.<\/p>\n<p><strong>As Diferentes L\u00f3gicas No CAPS Ad: Diferentes Orienta\u00e7\u00f5es Sobre As Sa\u00eddas Do Tratamento?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de apresentarmos nossas formula\u00e7\u00f5es sobre as sa\u00eddas do tratamento nos CAPS ad, parece-nos pertinente compreendermos as diferentes fun\u00e7\u00f5es que esses servi\u00e7os podem assumir para as pessoas que os frequentam.<\/p>\n<p>Sabemos que se trata de um espa\u00e7o destinado ao tratamento de pessoas dependentes ou em uso prejudicial de \u00e1lcool e outras drogas. Na maioria das vezes, o que se coloca como demanda, nesse servi\u00e7o, \u00e9 o sofrimento intenso de um sujeito ou de seus acompanhantes devido ao uso das subst\u00e2ncias, a demanda primeira \u00e9 interromper o consumo. Tal como Zenoni preconiza:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>[\u2026] a institui\u00e7\u00e3o existe para acolher, colocar o sujeito \u00e0 dist\u00e2ncia, assisti-lo. A institui\u00e7\u00e3o existe como uma resposta social a fen\u00f4menos cl\u00ednicos de alguns estados de psicose, de passagens ao ato, de depauperamento f\u00edsico e uso excessivo de drogas (ZENONI, 2000,p.14)<\/em><\/p>\n<p>Enfim, muitas vezes, torna-se necess\u00e1rio o recurso \u00e0 institui\u00e7\u00e3o para se lidar com modalidades de gozo que fazem retorno no corpo e empurram o sujeito ao agir. Dessa forma, estabelece-se, para a institui\u00e7\u00e3o, uma fun\u00e7\u00e3o social, que n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com sua fun\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Na perspectiva da pol\u00edtica de sa\u00fade, que tamb\u00e9m \u00e9 uma resposta social ao fen\u00f4meno da depend\u00eancia de drogas, o CAPS ad tem como uma de suas fun\u00e7\u00f5es contribuir, no plano individual e no coletivo, para a redu\u00e7\u00e3o dos danos e preju\u00edzos associados ao consumo dessas subst\u00e2ncias. A perspectiva da redu\u00e7\u00e3o de danos se faz presente no servi\u00e7o, relativizando sua fun\u00e7\u00e3o e os objetivos de suas pr\u00e1ticas, que deixam de corresponder, exclusivamente, \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da abstin\u00eancia ou \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o do consumo. Trata-se de uma proposta ousada, ainda pol\u00eamica, mas que permite a pergunta: o que \u00e9 poss\u00edvel em cada caso que se apresenta?<\/p>\n<p>Ainda na perspectiva da pol\u00edtica de sa\u00fade, os princ\u00edpios e as diretrizes da reforma psiqui\u00e1trica devem estar presentes nos CAPS ad, traduzindo-se em formas de aten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o segreguem os usu\u00e1rios, que contribuam para sua inser\u00e7\u00e3o ou reinser\u00e7\u00e3o social. A proposta, ent\u00e3o, \u00e9 oferecer cuidados em redes de aten\u00e7\u00e3o, que viabilizem a retomada dos diversos la\u00e7os sociais, que, em algum momento e por algum motivo, foram comprometidos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ainda dentro da proposta da pol\u00edtica, espera-se que, no CAPS ad, aconte\u00e7a um trabalho cl\u00ednico. Fala-se sobre uma cl\u00ednica ampliada ou em uma cl\u00ednica reinventada. Em uma institui\u00e7\u00e3o que tem a psican\u00e1lise como refer\u00eancia te\u00f3rica, a dimens\u00e3o cl\u00ednica se coloca desde a entrada no servi\u00e7o. N\u00e3o cabe aqui ofertar a psican\u00e1lise para todos os que chegam ao servi\u00e7o, mesmo porque um paciente n\u00e3o busca uma an\u00e1lise ao se endere\u00e7ar a um CAPS. No entanto, podemos colher efeitos que a presen\u00e7a e o encontro com psicanalistas podem causar sobre cada um que se endere\u00e7a ao servi\u00e7o e tamb\u00e9m no modo de esse servi\u00e7o funcionar. Receber o caso em sua unicidade \u00e9 priorit\u00e1rio, n\u00e3o temos um modelo pronto, um \u201cpacote\u201d a ser apresentado a todos. \u00c9 somente a partir de uma escuta atenta e cuidadosa e de interven\u00e7\u00f5es que retornem sob o sujeito, que sa\u00eddas podem ser constru\u00eddas.<\/p>\n<p>Desenvolver propostas de tratamento nos CAPS ad, considerando a interface entre essas l\u00f3gicas, torna-se um desafio a ser enfrentado. Embora tenhamos diretrizes claras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma de funcionamento desses servi\u00e7os, percebemos que cada servi\u00e7o tem um modo de fazer diferente do de outro, priorizando uns mais a cl\u00ednica, outros mais a reinser\u00e7\u00e3o social, outros as urg\u00eancias, outros a redu\u00e7\u00e3o de danos. N\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico modo de fazer. Quando pensamos em CAPS, um convite \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de aten\u00e7\u00e3o, um apelo \u00e0 singularidade de cada caso, bem como um direcionamento do tratamento s\u00e3o pontos que precisam ser pensados, na medida em que os sujeitos n\u00e3o s\u00e3o iguais, bem como as rela\u00e7\u00f5es que estabelecem com o uso de \u00e1lcool e outras drogas.<\/p>\n<p>Se considerarmos que \u00e9 na interface dessas tr\u00eas l\u00f3gicas que os tratamentos nos CAPS ad se desenvolvem, \u00e9 tamb\u00e9m a partir delas que poderemos pensar as sa\u00eddas do tratamento nesses servi\u00e7os. Dessa forma, tais sa\u00eddas comportariam: sob a l\u00f3gica da redu\u00e7\u00e3o de danos, o estabelecimento de um padr\u00e3o de consumo de drogas menos prejudicial \u00e0 sa\u00fade; sob a l\u00f3gica da reforma psiqui\u00e1trica, o reestabelecimento de la\u00e7os sociais, a inser\u00e7\u00e3o em uma rede de cuidados; e sob a l\u00f3gica da cl\u00ednica, a retifica\u00e7\u00e3o do sujeito frente ao gozo, buscando outras formas de satisfa\u00e7\u00e3o que incluam a divis\u00e3o subjetiva.<\/p>\n<p><strong>Redimensionando Os Momentos Da Entrada E Construindo Sa\u00eddas<\/strong><\/p>\n<p>A experi\u00eancia do Centro Mineiro de Toxicomania aponta que parece ser imprescind\u00edvel, ao falarmos sobre \u201csa\u00eddas\u201d, considerarmos a quest\u00e3o da \u201centrada\u201d. Esta poder\u00e1 acontecer de in\u00fameras maneiras, apresentando diversos aspectos: o real do corpo e seu limite aos excessos; a devasta\u00e7\u00e3o e a err\u00e2ncia; o mal-estar colocado no campo do outro social; o insuport\u00e1vel da ang\u00fastia de viver com e sem as drogas e o \u00e1lcool; o rompimento com os la\u00e7os sociais, tais como emprego, fam\u00edlia, escola; a busca de um conv\u00edvio moderado com a subst\u00e2ncia. Enfim, toda uma gama de apresenta\u00e7\u00f5es pode tornar-se presente.<\/p>\n<p>Parece indispens\u00e1vel, no momento de entrada, n\u00e3o se ter pressa. O que cada um est\u00e1 buscando? Pergunta primeira que n\u00e3o deve ser desprezada. Aqui, a quest\u00e3o do tempo se coloca. \u201cDilatar\u201d o tempo de entrada, escutar, precisar com cuidado o que \u00e9 poss\u00edvel e o que \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Muitas entradas e sa\u00eddas poder\u00e3o acontecer via interven\u00e7\u00e3o no corpo. Recursos como o leito de desintoxica\u00e7\u00e3o ou a interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica podem fazer todo um diferencial. Fazer um \u201csemblant\u201d de interna\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do leito de desintoxica\u00e7\u00e3o e repouso, ou mesmo a \u201cinterna\u00e7\u00e3o domiciliar consentida\u201d, pactuada com o usu\u00e1rio e seus familiares, via transfer\u00eancia, pode funcionar como um ponto de basta a uma posi\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o imaginada. Aqui, a \u201csuposi\u00e7\u00e3o de saber\u201d, endere\u00e7ada ao outro da institui\u00e7\u00e3o, pode ser um instrumento valioso para se operar clinicamente na condu\u00e7\u00e3o de um caso.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aten\u00e7\u00e3o que a institui\u00e7\u00e3o oferece, alguma tens\u00e3o faz-se necess\u00e1ria. A porta \u201centreaberta\u201d pode ser uma estrat\u00e9gia: n\u00e3o se oferece demais, n\u00e3o se escancara a porta, ofertando tudo para o outro, como se soub\u00e9ssemos o que \u00e9 o bem para algu\u00e9m, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se fecha a porta, deixa-se um espa\u00e7o para que o sujeito possa querer adentrar. O fato de um paciente ter demandado, in\u00fameras vezes, uma ajuda e n\u00e3o ter correspondido a um \u201cideal\u201d esperado pela equipe n\u00e3o nos autoriza a dificultar uma nova tentativa. Assim, um novo tempo para um sujeito poder\u00e1 advir, ainda mais que nessa cl\u00ednica o ir e vir se faz constante.<\/p>\n<p>Alguma aposta deve estar presente, por exemplo, quando se oferta a perman\u00eancia-dia, visando a uma retifica\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o do sujeito com o seu fazer. A perman\u00eancia-dia n\u00e3o se deve constituir apenas como um espa\u00e7o de assist\u00eancia ou de uma certa acomoda\u00e7\u00e3o que pode at\u00e9 favorecer uma modera\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o com a droga. Mais do que isso, \u00e9 importante que, nesse espa\u00e7o, ocorra uma escuta, o acompanhamento dos casos. Pois estar simplesmente na institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se constitui em si um tratamento, n\u00e3o basta um paciente ficar todo o dia na unidade, se isso n\u00e3o retorna sobre ele, se n\u00e3o se consegue extrair disso algum efeito. Portanto, um c\u00e1lculo temporal deve tamb\u00e9m nortear a passagem pela institui\u00e7\u00e3o. A dimens\u00e3o da sa\u00edda deve ser pensada desde a entrada, evitando a cronifica\u00e7\u00e3o nesse espa\u00e7o. Introduzir essa dimens\u00e3o parece necess\u00e1rio para viabilizar a constru\u00e7\u00e3o de sa\u00eddas do tratamento ou da institui\u00e7\u00e3o. Recentemente, em uma reuni\u00e3o di\u00e1ria, conduzida por uma t\u00e9cnica do CMT, quando estavam presentes 40 pacientes, essa dimens\u00e3o foi problematizada, a partir da seguinte pergunta: o que cada paciente estava fazendo para n\u00e3o precisar estar mais no CMT? Dessa forma, o momento de sa\u00edda da institui\u00e7\u00e3o foi antecipado, cada um foi interpelado a dizer sobre o que desejava em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria vida, para al\u00e9m daquilo que a institui\u00e7\u00e3o ofertava. Sabemos que, muitas vezes, a sa\u00edda da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 significada como algo da ordem da puni\u00e7\u00e3o, da perda de uma aten\u00e7\u00e3o. Todo um trabalho \u00e9 necess\u00e1rio para que a sa\u00edda possa ser poss\u00edvel. Sabemos o quanto \u00e9 dif\u00edcil reatar la\u00e7os familiares, construir novos v\u00ednculos sociais, modificar a rela\u00e7\u00e3o com a droga e retificar a posi\u00e7\u00e3o diante do gozo.<\/p>\n<p>Nesse ponto, parece ser de fundamental import\u00e2ncia apontar a dimens\u00e3o do desejo colocada tamb\u00e9m no campo da equipe que assiste. O espa\u00e7o de discuss\u00e3o dos casos para conseguir lidar com o real do gozo, da morte, dos limites e embara\u00e7os torna poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico. Uma equipe deve operar o menos r\u00edgida e prescritivamente poss\u00edvel, para que a posi\u00e7\u00e3o superegoica n\u00e3o produza resson\u00e2ncias.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00eddas Poss\u00edveis No Cotidiano De Um CAPS Ad<\/strong><\/p>\n<p>M., de 54 anos, foi encaminhado por um hospital geral, onde esteve, por 60 dias, internado, em decorr\u00eancia do uso intenso do \u00e1lcool. Traz em seu corpo o que lhe restou: \u201cuma caldinha do p\u00e2ncreas\u201d. Acredita que consegue sobreviver com esse resto, desde que n\u00e3o retorne ao consumo. Do ponto de vista cl\u00ednico e da desintoxica\u00e7\u00e3o, temos um sujeito recuperado, abst\u00eamio h\u00e1 meses. Foi aceito no CAPS, medicado para uma ansiedade constante e por um tempo acompanhado em um trabalho de escuta. Isso se fez necess\u00e1rio, pois, para al\u00e9m da perda vivida no corpo, consentir em perder o \u00e1lcool, que sempre o acompanhou, mostrava-se demasiadamente doloroso.<\/p>\n<p>S., paciente de 35 anos, psic\u00f3tico, morador de rua desde os 15, consegue fazer um bom uso da institui\u00e7\u00e3o. Em situa\u00e7\u00f5es de crise, sabe onde ser acolhido. O \u00e1lcool entra como uma forma de apaziguamento frente \u00e0s vozes que o invadem. Quando em excessiva quantidade, toma a cena do caso. Mant\u00e9m a abstin\u00eancia por algum tempo, mas ela n\u00e3o parece ser a meta a se alcan\u00e7ar. Nesse caso, as sa\u00eddas s\u00e3o sempre tempor\u00e1rias, n\u00e3o se fala sobre t\u00e9rmino de tratamento.<\/p>\n<p>A., adolescente de 15 anos, nos procurou fazendo uso excessivo de maconha, droga que lhe permitia lidar com o feminino via identifica\u00e7\u00e3o a uma gangue MMM (Mulheres, Magrelas, Malvadas). Realizou um percurso na institui\u00e7\u00e3o, onde quest\u00f5es referentes \u00e0s dificuldades com o sexual e com a rela\u00e7\u00e3o \u201cgrudada\u201d \u00e0 m\u00e3e puderam-lhe retornar, por meio de um trabalho de escuta. A resposta que ela encontrava nas atua\u00e7\u00f5es, ao inv\u00e9s de separ\u00e1-la da m\u00e3e, fazia com que ficasse ainda mais presa \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o \u201cmulher m\u00e1\u201d, forma como at\u00e9 ent\u00e3o essa m\u00e3e era apresentada. No per\u00edodo de cinco meses, A. p\u00f4de construir \u201co se fazer mulher\u201d de uma outra maneira.<\/p>\n<p>Podemos pensar tamb\u00e9m em sa\u00eddas quando acontece uma regula\u00e7\u00e3o do gozo desmedido, ao qual o sujeito estava entregue; quando uma nova orienta\u00e7\u00e3o calcada no desejo se anuncia; quando a droga e o \u00e1lcool caem, e um novo sintoma se produz; quando at\u00e9 mesmo o sujeito se contenta com alguns efeitos terap\u00eauticos alcan\u00e7ados. Essas podem ser consideradas boas sa\u00eddas. Mas temos tamb\u00e9m sa\u00eddas por abandono. Aquelas em que o sujeito n\u00e3o consente em abrir m\u00e3o das subst\u00e2ncias e continua em seu desvario. Mesmo assim, podemos perceber que, se, de alguma forma, o t\u00e9cnico ou mesmo a institui\u00e7\u00e3o conseguem inscrever-se para o paciente como um Outro, um \u00eaxtimo, a quem se possa endere\u00e7ar a qualquer momento, talvez a \u201cfun\u00e7\u00e3o CAPS\u201d n\u00e3o tenha deixado de se cumprir.<\/p>\n<h2>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/h2>\n<p>Nos CAPS ad, podemos pensar as diferentes sa\u00eddas do tratamento a partir das diferentes l\u00f3gicas: redu\u00e7\u00e3o de danos, reforma psiqui\u00e1trica e cl\u00ednica. Tamb\u00e9m podemos esperar por uma coincid\u00eancia, uma converg\u00eancia dessas tr\u00eas l\u00f3gicas, em algumas sa\u00eddas. Quando isso n\u00e3o acontece, um tensionamento entre as tr\u00eas l\u00f3gicas poder\u00e1 ocorrer, de maneira a favorecer a constru\u00e7\u00e3o de uma sa\u00edda poss\u00edvel. Sabemos que algo deve ser constru\u00eddo nos servi\u00e7os, ainda que esse algo n\u00e3o corresponda ao ideal de uma equipe, o que n\u00e3o deixa de ser prof\u00edcuo. Entendemos que n\u00e3o h\u00e1 primazia de uma l\u00f3gica sobre a outra e acreditamos que \u00e9 somente nessa interface, na tessitura constru\u00edda nesses dispositivos, que, para cada sujeito, o CAPS poder\u00e1 ter uma fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>Refer\u00eancia Bibliogr\u00e1fica<\/strong><\/h6>\n<h6>ZENONI, A. Qual institui\u00e7\u00e3o para o sujeito psic\u00f3tico? In: Revista Abrecampos, Ano 1, n\u00ba 0. Belo Horizonte: FHEMIG, 2000. p 12-31.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Maria Wilma S. De Faria E Ana Regina Machado<\/strong><\/h6>\n<h6>Ana Regina Machado &#8211; Psic\u00f3loga, especialista em Sa\u00fade Mental, mestre em Sa\u00fade P\u00fablica. Coordenadora do N\u00facleo de Redes de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica do Estado de Minas Gerais. E-mail:\u00a0<span id=\"cloak11886b8ccfc10a2733914f6a90a0ed6e\"><a href=\"mailto:anarmachado@uol.com.br\">anarmachado@uol.com.br<\/a><\/span>. Maria Wilma S. de Faria &#8211; Psic\u00f3loga, psicanalista, especialista em Sa\u00fade Mental, terapeuta do CAPS ad Centro Mineiro de Toxicomania\/FHEMIG. Membro da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise (EBP) e da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise (AMP). Respons\u00e1vel pela Rede TyA Brasil. E-mail:\u00a0<span id=\"cloak1a843c6321773a3fa86239aca767c954\"><a href=\"mailto:mwilma62@gmail.com\">mwilma62@gmail.com<\/a><\/span>.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARIA WILMA S. 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