{"id":560,"date":"2012-08-17T06:51:47","date_gmt":"2012-08-17T09:51:47","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=560"},"modified":"2012-08-17T06:51:47","modified_gmt":"2012-08-17T09:51:47","slug":"entrevista-com-luis-dario-salamone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2012\/08\/17\/entrevista-com-luis-dario-salamone\/","title":{"rendered":"Entrevista Com Luis Dar\u00edo Salamone"},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-margin-medium-top\"><strong>Entrevista Com Luis Dar\u00edo Salamone[1]<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Luis Dar\u00edo, conte-nos sobre sua experi\u00eancia no TyA durante o seu longo percurso de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Luis Dar\u00edo Salamone<\/strong>: O trabalho come\u00e7ou com um convite, antes da cria\u00e7\u00e3o da EOL \u2014 Escola de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2014 em Buenos Aires. Naquele momento, eu pertencia a uma institui\u00e7\u00e3o chamada \u201cSimp\u00f3sio do Campo Freudiano\u201d, que foi uma das que convergiram na EOL. Maur\u00edcio Tarrab convidou-me para um grupo, que ele pretendia formar, para trabalhar a quest\u00e3o das adi\u00e7\u00f5es. \u00c9ramos tr\u00eas pessoas e fizemos uma apresenta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica no Simp\u00f3sio. Recordo que fui mal interpretado por alguns participantes, naquela noite, que pensavam que n\u00e3o era o caso de ocupar-se dessa quest\u00e3o de modo particular, a partir da psican\u00e1lise, que a psican\u00e1lise ia al\u00e9m de qualquer especialidade, o que, seguramente, era levado em considera\u00e7\u00e3o por n\u00f3s. Mas a quest\u00e3o n\u00e3o era, precisamente, a de fazer disso uma especialidade, mas compreender a \u201crela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que algu\u00e9m pode chegar a ter com uma subst\u00e2ncia t\u00f3xica\u201d. Em seguida, a Escola foi criada, e a partir dessa aproxima\u00e7\u00e3o, que trouxe muitos analistas que trabalhavam em diferentes grupos, reunimos aqueles que vinham trabalhando o tema, e ficou decidido o que seria o TyA, a partir de ent\u00e3o, vinculado ao Campo Freudiano. Jacques-Alain Miller orientou sua cria\u00e7\u00e3o, e \u00c9ric Laurent foi, por longo tempo, seu assessor.<\/p>\n<p>Adotamos a sigla TyA, com base nas iniciais de Toxicomanias e(y) Alcoolismo. Usamos Toxicomanias porque o termo \u2018adi\u00e7\u00f5es\u2019, na Argentina, estava muito desgastado e transformado em um r\u00f3tulo. Ent\u00e3o, escolhemos um termo velho (toxicomania), que ainda n\u00e3o estava impregnado, e alcoolismo. Pens\u00e1vamos que a experi\u00eancia do t\u00f3xico e a intoxica\u00e7\u00e3o pelo \u00e1lcool tinham algumas especificidades e trabalhamos, ent\u00e3o, ambas as quest\u00f5es, separadamente, e seu entrecruzamento. O grupo se formou em 1992, no mesmo ano da funda\u00e7\u00e3o da EOL. Seus primeiros diretores foram Mauricio Tarrab, Ernesto Sinatra e Daniel Silliti. Depois, transformou-se em um departamento que hoje \u00e9 o Instituto Cl\u00ednico de Buenos Aires (ICdeBA). Atualmente, os respons\u00e1veis somos eu, Dar\u00edo Galante, Mabel Levato e Fabi\u00e1n Naparstek. Mauricio Tarrab e Ernesto Sinatra continuam trabalhando como assessores.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Quais foram as principais conquistas da Rede TyA? Sabemos que esse trabalho n\u00e3o se realiza somente em Buenos Aires, e isso nos parece muito interessante.<\/p>\n<p><strong>Luis Dar\u00edo Salamone<\/strong>: Acredito que uma das principais conquistas se relaciona justamente com o fato de que a Rede TyA j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 somente um grupo de trabalho em Buenos Aires, j\u00e1 que existe um grupo, em C\u00f3rdoba, bem consolidado. Existe um grupo tamb\u00e9m em Rosario, outro praticamente formado em Santa F\u00e9, e, al\u00e9m disso, existem v\u00e1rios grupos no Brasil, h\u00e1 tamb\u00e9m gente trabalhando em Madri, Bruxelas e Paris (onde havia um grupo que se chamava GRETA). Os diferentes agrupamentos assumiram a terminologia TyA para o que se configurou o Primeiro Col\u00f3quio Internacional de TyA, realizado no marco do \u00faltimo Congresso da AMP e aberto por Judith Miller.<\/p>\n<p>Estamos em expans\u00e3o, para al\u00e9m da consolida\u00e7\u00e3o do grupo, em algumas prov\u00edncias da Argentina, como Mendonza, existem pessoas interessadas. Assim como em outros lugares da Am\u00e9rica, como Chile, M\u00e9xico e Bol\u00edvia, e gostar\u00edamos muito que a Col\u00f4mbia tamb\u00e9m participasse desse movimento. Tive a oportunidade, anos atr\u00e1s, de visitar a Col\u00f4mbia, a Bol\u00edvia e o M\u00e9xico, trabalhando esses temas. S\u00e3o pa\u00edses onde realmente deveria haver pessoas da psican\u00e1lise refletindo sobre essa problem\u00e1tica, pela abrang\u00eancia que essas quest\u00f5es t\u00eam na atualidade. H\u00e1 uma recomenda\u00e7\u00e3o de Lacan: que os analistas devem estar \u00e0 altura da \u00e9poca em que vivem, e me parece que, na \u00e9poca em que vivemos, a rela\u00e7\u00e3o dos sujeitos com o consumo \u00e9 algo de grande relev\u00e2ncia, de que n\u00e3o podemos nos furtar.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Depois de 20 anos de trabalho, tive a oportunidade de assistir ao I Col\u00f3quio Internacional de TyA, no qual se estabeleceram quatro eixos de trabalho. Voc\u00ea poderia falar brevemente sobre cada um deles? Em primeiro lugar, \u201ca psican\u00e1lise \u00e9 colocada \u00e0 prova pela adi\u00e7\u00e3o generalizada\u201d. Particularmente, enfatizo a express\u00e3o \u201cadi\u00e7\u00e3o generalizada\u201d, porque, como sabemos, j\u00e1 n\u00e3o se restringe aos t\u00f3xicos e ao \u00e1lcool.<\/p>\n<p><strong>Luis Dar\u00edo Salamone<\/strong>: Foi Ernesto Sinatra que, de alguma forma, assinalou, a partir de uma leitura do semin\u00e1rio ministrado por Miller e Laurent, \u201cO outro que n\u00e3o existe e seus comit\u00eas de \u00e9tica\u201d, que a quest\u00e3o em jogo \u00e9 a de uma toxicomania generalizada. O termo adi\u00e7\u00e3o generalizada foi reintroduzido por Judith Miller, que \u00e9 quem sempre acompanha o trabalho dos diferentes grupos de TyA no mundo. Ela tamb\u00e9m se interessa pela revista, que tamb\u00e9m est\u00e1 entre as conquistas, n\u00e3o somente temos v\u00e1rios livros publicados, mas tamb\u00e9m uma revista internacional, que se chama Pharmakon e que est\u00e1 no n\u00famero 12. Judith se ocupa, pessoalmente, da montagem da revista, como dos encontros internacionais que temos em cada Congresso ou cada Encontro Americano. Foi ela quem preferiu o termo \u201cadi\u00e7\u00f5es\u201d, que n\u00e3o tem, ao que parece, o mesmo uso na Fran\u00e7a e na Argentina e que, talvez, l\u00e1 n\u00e3o estivesse t\u00e3o desgastado. Al\u00e9m disso, o termo \u201ctoxicomania generalizada\u201d d\u00e1 conta da rela\u00e7\u00e3o aos t\u00f3xicos, em contrapartida, o termo \u201cadi\u00e7\u00e3o\u201d permite a entrada de outras quest\u00f5es. Em algum momento, eu havia trabalhado a quest\u00e3o do \u201cconsumo generalizado\u201d. O que acontece \u00e9 que tamb\u00e9m existe uma forma de pensar essa quest\u00e3o, que \u00e9 considerar, como defende Mauricio Tarrab, que o \u201cgozo \u00e9 t\u00f3xico\u201d. Assim, o gozo que se p\u00f5e em jogo no consumo, para al\u00e9m da subst\u00e2ncia, sempre \u00e9 t\u00f3xico. Isso permite pensar sobre a dimens\u00e3o de uma toxicomania generalizada.<\/p>\n<p>No Col\u00f3quio, o que se fez foi adotar eixos que permitissem considerar essa quest\u00e3o, a partir de um texto de Jacques-Allain Miller, que lhes recomendo para trabalhar: \u201cUma fantasia\u201d[2]. Nesse texto, ele retoma a tese de Lacan sobre o \u201cobjeto a\u201d elevado ao z\u00eanite da civiliza\u00e7\u00e3o, para situar as problem\u00e1ticas que se apresentam a partir do momento em que se p\u00f5e em jogo o discurso hipermoderno e que levam a essa quest\u00e3o do \u201cconsumo generalizado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Outro eixo importante foi o que exp\u00f5e a diferen\u00e7a entre \u201cespecialidade e especificidade\u201d. Estamos na \u00e9poca de \u201cespecialistas e experts\u201d. Parece-me muito interessante essa oposi\u00e7\u00e3o delineada dessa forma.<\/p>\n<p><strong>Luis Dar\u00edo Salamone<\/strong>: Especialidade n\u00e3o existe dentro da psican\u00e1lise, o que se pode fazer \u00e9 trabalhar o que denominamos de \u201ca rela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que cada sujeito tem com o gozo\u201d. Muitas vezes, isso est\u00e1 mediatizado pelo tema de alguma pr\u00e1tica de consumo, pela ingest\u00e3o de alguma subst\u00e2ncia, que, no organismo, surte seus efeitos e que se trata de poder conhecer, como eu defendia recentemente, no semin\u00e1rio, essa rela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica: conhecer os efeitos, conhecer qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o que uma subst\u00e2ncia cumpre na \u201ceconomia ps\u00edquica de um sujeito\u201d, e, por outro lado, ver como isso se aborda clinicamente. Essa \u00e9 a quest\u00e3o, a psican\u00e1lise com sujeitos toxic\u00f4manos n\u00e3o \u00e9 diferente de qualquer psican\u00e1lise, em todo caso, apresenta alguma quest\u00e3o espec\u00edfica, como ocorre em cada an\u00e1lise.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Em rela\u00e7\u00e3o ao eixo das \u201cpr\u00e1ticas institucionais e o analista na institui\u00e7\u00e3o\u201d, penso que h\u00e1 uma prolifera\u00e7\u00e3o inusitada desse tipo de institui\u00e7\u00f5es (particularmente em cidades vizinhas a Medell\u00edn), e o analista \u00e9 convocado nessas ocasi\u00f5es. H\u00e1 uma grande dificuldade, nesse encontro com outros discursos, para possibilitar um \u201clugar para o discurso anal\u00edtico\u201d, particularmente, nessas institui\u00e7\u00f5es. Como voc\u00ea analisa essa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Luis Dar\u00edo Salamone<\/strong>: Em geral, as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam uma pr\u00e1tica que se relacione com a psican\u00e1lise. Est\u00e3o baseadas, por exemplo, na experi\u00eancia de comunidades terap\u00eauticas, ou nos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos, por mais que, em Buenos Aires, a psican\u00e1lise esteja muito presente e haja v\u00e1rios psicanalistas nas institui\u00e7\u00f5es. A maioria das institui\u00e7\u00f5es \u00e9 herdeira de pr\u00e1ticas policiais, nas quais o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o \u201cDiscurso do Mestre\u201d, das quais alguns colegas se aproximam para tentar mud\u00e1-las e, \u00e0s vezes, conseguem. A psican\u00e1lise est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de mostrar outro tratamento do gozo, essa seria a aposta. Eu acredito que se deve ter muito cuidado para que n\u00e3o se perverta a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise, e esse \u00e9 o grande problema que sempre houve com esse tipo de quest\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 um preconceito em pensar que um sujeito viciado se cura em uma institui\u00e7\u00e3o. A maioria dos integrantes que dirigiram o TyA na Argentina n\u00e3o trabalha em institui\u00e7\u00f5es especializadas e, que eu saiba, n\u00e3o trabalhou, nem eu, nem Ernesto Sinatra, nem os colegas Mauricio Tarrab, Daniel Silliti, Claudio Godoy, Fabi\u00e1n Naparstek e Mabel Levato. J\u00e1 Dar\u00edo Galante participa de um servi\u00e7o hospitalar com essas quest\u00f5es, e Silvia Botto dirigia uma institui\u00e7\u00e3o que abordava a quest\u00e3o a partir da psican\u00e1lise, quando ela era a respons\u00e1vel. Mas os que trabalharam em institui\u00e7\u00f5es eram exce\u00e7\u00f5es, o mesmo acontecia com os participantes das diferentes atividades.<\/p>\n<p>Sim, supervisionamos e estamos em contato com institui\u00e7\u00f5es, mas jamais criamos uma institui\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia cl\u00ednica. Cada um trabalha em seu consult\u00f3rio. No entanto, h\u00e1 alguns anos, o jornal \u201cLa Naci\u00f3n\u201d entrevistou um paciente meu que se havia recuperado do consumo de v\u00e1rias coisas, e informaram no jornal que ele havia recorrido \u00e0 cl\u00ednica de Luis Salamone. N\u00e3o tenho, nem jamais tive, nenhuma cl\u00ednica. Sempre trabalhei em meu consult\u00f3rio e, com isso, quero dizer que existem certos preconceitos que levam a pensar que essas quest\u00f5es se resolvem em uma institui\u00e7\u00e3o especializada; se pergunt\u00e1ssemos \u00e0s comunidades terap\u00eauticas qual a porcentagem de sucesso que eles alcan\u00e7am na recupera\u00e7\u00e3o desses tipos de casos, ficar\u00edamos surpresos. Se disserem a verdade, em geral, \u00e9 menos de 10%. Ao longo de todos esses anos de trabalho, foram poucas as pessoas com as quais tive que recorrer a uma interna\u00e7\u00e3o. Acredito que foram umas tr\u00eas, a pedido delas mesmas, porque n\u00e3o havia outra forma para que pudessem frear o uso e irem ao consult\u00f3rio. A interna\u00e7\u00e3o lhes proporciona uma esp\u00e9cie de corte, de separa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a cura. A aposta \u00e9 que haja outro lugar, nessas cl\u00ednicas, algo diferente que permita a inser\u00e7\u00e3o de analistas, sempre com o cuidado de n\u00e3o terminar recha\u00e7ando-se, sem querer, o discurso anal\u00edtico, pervertendo-o, degradando-o.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Nas publica\u00e7\u00f5es que tive a oportunidade de ler, em particular a Pharmakon, suas elabora\u00e7\u00f5es concentraram-se, desde muito tempo, no problema da \u201crela\u00e7\u00e3o entre toxicomania e psicose\u201d. Qual \u00e9 a atualidade dessa discuss\u00e3o, dado que \u00e9 um tema de interesse, a partir da psicose ordin\u00e1ria e da recorr\u00eancia de sujeitos consumidores inscritos sob esse diagn\u00f3stico?<\/p>\n<p>Luis Dar\u00edo Salamone: Uma das problem\u00e1ticas que se discute com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s interna\u00e7\u00f5es \u00e9 que, no princ\u00edpio de tudo, est\u00e1 a abstin\u00eancia. Existem sujeitos aos quais se d\u00e1 alguma medica\u00e7\u00e3o para substituir a droga, mas o que se descobriu \u00e9 que existiam pessoas que eram psic\u00f3ticas e encontravam uma estabiliza\u00e7\u00e3o no t\u00f3xico e que, ao tentarem manter a abstin\u00eancia, elas se desestabilizavam. Ent\u00e3o, tentava-se alguma cura substituindo-se a droga por outra subst\u00e2ncia, e isso pode cumprir sua tarefa ou n\u00e3o, deve ser verificado se se alcan\u00e7a uma estabiliza\u00e7\u00e3o mais satisfat\u00f3ria do que aquela que se consegue com a droga. O que se deve considerar, em cada sujeito, \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o que o t\u00f3xico cumpre. No caso da psicose, pode ser a de estabilizar o sujeito. Isso leva, no trabalho de uma an\u00e1lise, \u00e0 necessidade de se pesquisar outros modos de estabiliza\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 certo que a subst\u00e2ncia que o sujeito usava para estabilizar-se n\u00e3o s\u00f3 o equilibrava como tamb\u00e9m complicava sua vida.<\/p>\n<p>Defendo algo b\u00e1sico, como, por exemplo, algu\u00e9m poder estabilizar-se com o \u00e1lcool, mas tamb\u00e9m matar-se com ele. Trata-se de trabalhar para que se conquiste outro tipo de ancoragem, tamb\u00e9m pode ocorrer, por que n\u00e3o, que se busque um psiquiatra que prescreva alguma medica\u00e7\u00e3o, se \u00e9 o que se faz necess\u00e1rio, mas n\u00e3o apostando unicamente nisso, e sim no trabalho anal\u00edtico do sujeito.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Acabamos de conhecer seu \u00faltimo livro \u00c1lcool, tabaco e outros v\u00edcios. Que outros aspectos voc\u00ea desenvolve atualmente em seu trabalho?<\/p>\n<p><strong>Luis Dar\u00edo Salamone<\/strong>: O t\u00edtulo responde simplesmente aos muitos trabalhos que tenho produzido ao longo desses anos, na TyA, e, quando fui organizar o livro, havia material para dois ou tr\u00eas! Nesse primeiro, decidi incluir alguns trabalhos sobre generalidades das toxicomanias e alcoolismo e, fundamentalmente, os que se referem \u00e0 quest\u00e3o do \u00e1lcool, do tabaco e tamb\u00e9m de outros v\u00edcios, entre os quais h\u00e1 textos sobre o jogo e outro sobre uma adi\u00e7\u00e3o \u00e0s cirurgias.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo livro, estar\u00e3o reunidos textos que se relacionam com outras subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, mais ligados ao tema das toxicomanias, possivelmente, receber\u00e1 o t\u00edtulo O sil\u00eancio das drogas, que \u00e9 tamb\u00e9m o t\u00edtulo de uma confer\u00eancia que ministrei no M\u00e9xico. Nele, estar\u00e3o agrupados outros textos sobre outros tipos de consumo. Mas um dos eixos centrais de meu trabalho \u00e9 o que apresentei hoje, no semin\u00e1rio, quase sempre, se n\u00e3o \u00e9 a cl\u00ednica, \u00e9 o que podem ensinar-me escritores que consomem, m\u00fasicos ou qualquer pessoa que esteja disposta a dar um testemunho de sua particular rela\u00e7\u00e3o com a subst\u00e2ncia, \u00e9 isso que me interessa trabalhar. Assim se produz um ensinamento.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: O que implicaria a amplia\u00e7\u00e3o da Rede TyA em outras sedes e, em particular, em nosso caso, na NEL Medell\u00edn?<\/p>\n<p><strong>Luis Dar\u00edo Salamone<\/strong>: Parece-me que isso n\u00e3o ocorre por outra via que n\u00e3o seja a do desejo dos analistas, como n\u00f3s fizemos, dando forma, agrupando-se e tentando trabalhar essa problem\u00e1tica. O que se espera, pelo menos, sob a l\u00f3gica que sempre foi pr\u00f3pria ao Campo Freudiano, \u00e9 que se ponham a trabalhar; uma vez que se esteja trabalhando, vejam a forma de articular-se com outros. Ou seja, se voc\u00ea me pergunta, concretamente, sobre como come\u00e7ar, parece-me que se deve iniciar reunindo-se, trabalhando o tema, quando j\u00e1 houver certa quest\u00e3o para transmitir, organizando os espa\u00e7os de transmiss\u00e3o (semin\u00e1rios, jornadas) e, uma vez que isso esteja funcionando, ent\u00e3o dizer: queremos fazer parte da Rede. Seguramente, ser\u00e3o bem-vindos, porque o trabalho o justifica, como acontece sempre.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Finalmente, queria fazer uma pergunta relativa ao t\u00edtulo do semin\u00e1rio que voc\u00ea realizou em Cali e do qual surgiu o texto \u201cQuando a droga falha\u201d. Voc\u00ea mencionava, agora, no semin\u00e1rio, que todos os consumidores de subst\u00e2ncias desejam uma \u201csubst\u00e2ncia perfeita\u201d, mas ela sempre falha. O que falha? \u00c9 a subst\u00e2ncia? Ou \u00e9 algo da estrutura subjetiva?<\/p>\n<p><strong>Luis Dar\u00edo Salamone<\/strong>: Parece-me que uma coisa est\u00e1 ligada \u00e0 outra. O sujeito acredita que encontra, na droga, uma solu\u00e7\u00e3o, que, em um momento, mostra seu ponto de falha, e o demonstra, precisamente, porque a falha subjetiva n\u00e3o se soluciona escondendo-a. O que precisa ser feito \u00e9 um trabalho de elabora\u00e7\u00e3o, um trabalho de an\u00e1lise, para poder relacionar-se de outra maneira com isso, sen\u00e3o, as coisas escapam das m\u00e3os. Mas voc\u00ea se expressou de uma maneira mais exata, apontando para um retorno disso que sempre falha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Rachel Botrel<\/h6>\n<h6>Revis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o: M\u00e1rcia Mez\u00eancio<\/h6>\n<h6>[1] Esta entrevista foi realizada em Buenos Aires, na sede da EOL, no dia 03 de maio de 2012.<\/h6>\n<h6>[2] N.T.: MILLER, J.-A. \u201cUma fantasia\u201d. In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba 42. Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es E\u00f3lia, fevereiro de 2005.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista Com Luis Dar\u00edo Salamone[1] Didier Vel\u00e1squez: Luis Dar\u00edo, conte-nos sobre sua experi\u00eancia no TyA durante o seu longo percurso de trabalho. Luis Dar\u00edo Salamone: O trabalho come\u00e7ou com um convite, antes da cria\u00e7\u00e3o da EOL \u2014 Escola de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2014 em Buenos Aires. Naquele momento, eu pertencia a uma institui\u00e7\u00e3o chamada \u201cSimp\u00f3sio do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-560","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque-11","category-7","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=560"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/560\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}