{"id":562,"date":"2012-08-17T06:51:47","date_gmt":"2012-08-17T09:51:47","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=562"},"modified":"2012-08-17T06:51:47","modified_gmt":"2012-08-17T09:51:47","slug":"entrevista-com-fabian-naparstek","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2012\/08\/17\/entrevista-com-fabian-naparstek\/","title":{"rendered":"Entrevista Com Fabi\u00e1n Naparstek"},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>Entrevista Com Fabi\u00e1n Naparstek [1]<\/strong><\/h6>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Em primeiro lugar, qual a raz\u00e3o de seu interesse na problem\u00e1tica das toxicomanias e do alcoolismo?<\/p>\n<p><strong>Fabi\u00e1n Naparstek<\/strong>: Na Argentina, h\u00e1 um grupo que, desde o come\u00e7o da Escola, se chamou \u201cTyA \u2013 Toxicomanias e Alcoolismo\u201d. Esse grupo surge no mesmo momento da cria\u00e7\u00e3o da EOL \u2014 Escola de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. Quem estava ali, naquele momento, era Maur\u00edcio Tarrab, Ernesto Sinatra e Daniel Silliti. Tanto Luis Salamone quanto eu est\u00e1vamos presentes quando da cria\u00e7\u00e3o desse grupo, e, com o tempo, passamos a ser respons\u00e1veis por ele. Assim, h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o de trabalho de TyA em Buenos Aires, e, com o surgimento de diferentes grupos da Rede Internacional, uma parceria se formou, com trabalhos de colegas da B\u00e9lgica, Brasil, Espanha, Su\u00ed\u00e7a, etc. H\u00e1 algum tempo, compartilhamos um profundo trabalho sobre o tema, de diferentes maneiras.<\/p>\n<p>Por outro lado, pessoalmente, foi poss\u00edvel instaurar uma disciplina na Universidade de Buenos Aires, uma cadeira eletiva que se chama \u201cCl\u00ednica das Toxicoman\u00edas e do Alcoolismo\u201d. \u00c9 oferecida de modo bastante inovador, sendo a primeira mat\u00e9ria com esse modelo na Universidade de Buenos Aires, dentro do curso de Psicologia. Os alunos cursam dois espa\u00e7os diferentes: em um espa\u00e7o, tomam conhecimento de casos atuais tratados por colegas que, em geral, t\u00eam liga\u00e7\u00e3o com o Campo Freudiano, casos publicados. Em cada aula, tomam contato com um diferente caso cl\u00ednico publicado. Por outro lado, h\u00e1 os trabalhos te\u00f3ricos sobre os temas das toxicomanias e do alcoolismo, a partir da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. Isso tem sido importante porque convoca as pessoas, e, a partir disso, direciona parte delas ao semin\u00e1rio do grupo TyA, que funciona desde 1992. Ou seja, s\u00e3o 20 anos de funcionamento ininterrupto.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: A partir deste \u201cPrimeiro Col\u00f3quio Internacional da Rede TyA\u201d, renova-se a pergunta: Qual \u00e9 a import\u00e2ncia, na atualidade, da abordagem das toxicomanias e do alcoolismo?<\/p>\n<p><strong>Fabi\u00e1n Naparstek<\/strong>: A toxicomania \u00e9 um dos modos de manifesta\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica que representa, paradigmaticamente, nossa \u00e9poca, uma era de consumo generalizado, como Jacques-Alain Miller nos indicou. De fato, tanto Miller quanto Laurent t\u00eam falado, em diferentes momentos, sobre toxicomanias e alcoolismo, porque representam um modo de gozo pr\u00f3prio da \u00e9poca atual.<\/p>\n<p>Do meu ponto de vista, \u00e9 o que tenho escrito em meus livros, entendo que a Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana oferece respostas muito claras e muito fortes para fazer frente \u00e0s toxicomanias, desde a perspectiva da cl\u00ednica lacaniana, naturalmente, com as limita\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias com que nos vemos confrontados na cl\u00ednica atual. Por\u00e9m, o que tenho comprovado, n\u00e3o somente aqui, mas em diferentes partes do mundo onde tenho compartilhado com colegas que trabalham com sujeitos toxic\u00f4manos, \u00e9 como a Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana \u00e9 uma ferramenta muito forte para fazer frente a esse tipo de patologia.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: A prop\u00f3sito dos conceitos da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, h\u00e1 um texto de Laurent que tem sido uma refer\u00eancia, \u201cTres observaciones sobre La Toxicomania\u201d (1994). Em sua segunda observa\u00e7\u00e3o, ele aponta como o t\u00f3xico estabelece \u201cuma ruptura com as particularidades do fantasma\u201d (LAURENT, 1994, p.19). N\u00e3o esquecendo ainda a discuss\u00e3o ali presente sobre \u201ca ruptura com o falo\u201d como f\u00f3rmula v\u00e1lida para a neurose, voc\u00ea pode esclarecer o que implica para um sujeito \u201ca ruptura com as particularidades do fantasma\u201d?<\/p>\n<p><strong>Fabi\u00e1n Naparstek<\/strong>: \u00c9 uma tese fundamental e b\u00e1sica em nossa orienta\u00e7\u00e3o, ao longo dos 20 anos de percurso de TyA. \u00c9 uma quest\u00e3o extra\u00edda de uma confer\u00eancia de Lacan no encerramento de uma Jornada de Cart\u00e9is, em que ele formula que \u201ca droga \u00e9 o que permite romper o casamento com o faz pipi\u201d[2], fazendo uma refer\u00eancia a Hans. O que \u00c9ric Laurent marca muito bem, nesse texto, \u00e9 que essa tese \u00e9 muito coerente com as neuroses, mas n\u00e3o se ajusta \u00e0s psicoses, uma vez que, nestas, a \u201cruptura com o falo est\u00e1 presente desde o in\u00edcio\u201d.<\/p>\n<p>Em minha tese de doutorado em Paris, desenvolvi esse aspecto de como pensar a toxicomania dentro do campo das psicoses, com as diferentes variantes dos distintos tipos de psicoses (esquizofrenia, paranoia, etc.). Existem tamb\u00e9m muitos trabalhos de colegas sobre isso.<\/p>\n<p>A ruptura com o falo e com o fantasma \u00e9 uma ferramenta muito apropriada para pensar a cl\u00ednica com as neuroses, permite-nos pensar e colocar no horizonte, em alguns casos, o restabelecimento ou o reenla\u00e7amento do casamento com o \u201cfaz pipi\u201d, como uma maneira de sa\u00edda da toxicomania. Na verdade, eu tamb\u00e9m proponho dessa forma o que chamamos estritamente a entrada em an\u00e1lise, em que, ao colocar em jogo a transfer\u00eancia, um la\u00e7o amoroso no dispositivo anal\u00edtico, isso mesmo j\u00e1 poderia indicar a sa\u00edda da toxicomania, sem que, necessariamente, implique deixar de consumir. N\u00e3o fazemos equival\u00eancia entre o consumo feito por todo mundo com o que chamamos, estritamente, de toxicomania, na qual h\u00e1 uma mania pelo t\u00f3xico. Por isso, preservamos o termo toxicomania, porque inclui, em seu nome, esse aspecto cl\u00ednico que \u00e9 a mania, na medida em que implica soltar-se do la\u00e7o com o falo, que \u00e9 o que imp\u00f5e limite. Ainda, quanto a Lacan, teria que se desenvolver um pouco mais; para Freud, a mania sempre implicou um desenganche com o Outro e, naturalmente, com o limite e com o falo.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Haveria, ent\u00e3o, uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre a problem\u00e1tica da ruptura com o falo e o particular do fantasma. Esse seria um ponto necess\u00e1rio de se elaborar?<\/p>\n<p><strong>Fabi\u00e1n Naparstek<\/strong>: Sim, claro, porque o fantasma \u00e9 um marco que limita certa satisfa\u00e7\u00e3o para o sujeito e o que mostra a ruptura com o falo e, portanto, com o fantasma, \u00e9 um gozo desenfreado, excessivo, por fora da singularidade pr\u00f3pria do fantasma de cada um.<\/p>\n<p>\u00c9 algo que observam bem os toxic\u00f4manos, que esse gozo que obt\u00eam com o consumo do t\u00f3xico n\u00e3o \u00e9 o gozo enquadrado em um fantasma, \u00e9 muito habitual localizar a toxicomania, Miller dizia, como fora do campo sexual, apresentada como a greve do sexual. O sexual no sentido da pervers\u00e3o, que, na neurose, se encontra dentro de um fantasma perverso, isso implica certo enquadramento. No entanto, a toxicomania est\u00e1 fora desse campo, e, nesse sentido, temos que dizer que h\u00e1 uma ruptura com o fantasma tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Outra problem\u00e1tica importante \u00e9 o que foi denominado como \u201cfun\u00e7\u00e3o do t\u00f3xico\u201d, que ordena e orienta o trabalho atual com as toxicomanias. Voc\u00ea poderia precisar o que se entende pela fun\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Fabi\u00e1n Naparstek: No caso das toxicomanias, quando algu\u00e9m tenta fazer um diagn\u00f3stico, al\u00e9m de poder estabelecer se \u00e9 neurose, psicose, ou pervers\u00e3o, h\u00e1 de poder estabelecer que fun\u00e7\u00e3o cumpre o t\u00f3xico para um determinado sujeito. Isso implica certa prud\u00eancia por parte do analista, porque, em muitas ocasi\u00f5es e em muitos casos, fundamentalmente de psicose, o t\u00f3xico pode cumprir uma fun\u00e7\u00e3o de estabiliza\u00e7\u00e3o, de compensa\u00e7\u00e3o ou de amarra\u00e7\u00e3o, em que n\u00e3o conv\u00e9m tocar, ao menos, n\u00e3o at\u00e9 estar claro qual lugar ocupa o t\u00f3xico e se isso poderia ser suplementado ou estabilizado de outra maneira.<\/p>\n<p>In\u00fameras vezes, temos not\u00edcias de casos de psicose nos quais foi removido ou interrompido o consumo do t\u00f3xico, pelo simples fato de que deve haver abstin\u00eancia, e o que encontramos, ap\u00f3s tal prescri\u00e7\u00e3o, \u00e9 um desencadeamento, quando h\u00e1 uma psicose ainda n\u00e3o desencadeada. A primeira quest\u00e3o que precisamos pensar \u00e9 que, se um sujeito faz uso do t\u00f3xico, \u00e9 porque este pode cumprir uma fun\u00e7\u00e3o para sua estrutura, que vale a pena diagnosticar, e a partir da\u00ed orientar a cura.<\/p>\n<p>Em muitos casos, esse uso do t\u00f3xico n\u00e3o somente n\u00e3o \u00e9 uma ruptura, como \u00e9 o que permite que o sujeito se enlace ao campo do Outro. Temos que refletir sobre o que fazer com esse modo de enla\u00e7ar-se ao campo do Outro, e que, claramente, lhe pode trazer sofrimento, mas pode, ao mesmo tempo, cumprir uma fun\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o para o sujeito, de modo que n\u00e3o seja conveniente tocar.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o, muito comum, na psican\u00e1lise, em algum momento e em certos meios psiqui\u00e1tricos, \u00e9 pensar que a droga impede o diagn\u00f3stico porque gera fen\u00f4menos cl\u00ednicos. Por exemplo, ela pode gerar certos del\u00edrios paranoicos, o que n\u00e3o permitiria fazer um diagn\u00f3stico de estrutura. Do meu ponto de vista, como defendi em minha tese de doutorado sobre toxicomania, penso que poder localizar a fun\u00e7\u00e3o da droga permite fazer um diagn\u00f3stico muito mais preciso do que pretendendo tirar a droga do meio. Ou seja, a fun\u00e7\u00e3o cumprida pela droga, o uso que faz dela determinado sujeito, em muitos casos, permite tamb\u00e9m fazer um diagn\u00f3stico de estrutura, e vale a pena, leve o tempo que levar, tomar, prudentemente, esse trabalho, para orientar a cura. Al\u00e9m do mais, \u00e9 preciso ressaltar que estamos em uma \u00e9poca em que todo mundo, de uma ou outra maneira, \u00e9 consumidor.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: O que acontece, tanto do lado do analista quanto do lado do paciente, ap\u00f3s encontrar essa fun\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Fabi\u00e1n Naparstek: Precisamos verificar como se orienta a cura a partir desse diagn\u00f3stico, por\u00e9m, como, na cl\u00ednica de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, partimos do caso a caso, a quest\u00e3o \u00e9, em alguns casos, quando se trata de uma toxicomania verdadeira, como afastar do sujeito a mania pelo t\u00f3xico e possibilitar que encontre uma forma de la\u00e7o com o Outro que n\u00e3o o leve \u00e0 morte. Devemos observar se se trata de uma neurose ou de uma psicose e, a partir da\u00ed e da fun\u00e7\u00e3o que possui esse t\u00f3xico para esse sujeito, orientar a cura, levando em conta o Lacan cl\u00e1ssico que divide a orienta\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica em pol\u00edtica, estrat\u00e9gia e t\u00e1tica. Seguindo esses princ\u00edpios, sempre adotamos uma mesma pol\u00edtica que \u00e9 a \u00e9tica da psican\u00e1lise. Conhecemos in\u00fameras apresenta\u00e7\u00f5es e uma grande casu\u00edstica, na Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, sobre como se orienta, em cada caso, a dire\u00e7\u00e3o da cura.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Freud relaciona a intoxica\u00e7\u00e3o com o problema da economia libidinal. Na cl\u00ednica atual, fala-se sobre economia de gozo e, inclusive, de economia ps\u00edquica. O que implica esse modo de designar esse campo, em que se situa tal problem\u00e1tica, ou seja, da economia libidinal a uma economia de gozo ou ps\u00edquica, no momento atual?<\/p>\n<p><strong>Fabi\u00e1n Naparstek<\/strong>: As mudan\u00e7as no ensino de Lacan est\u00e3o ligadas n\u00e3o somente \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o que ele mesmo vai fazendo ao longo de seu ensino e o que implicam os passos que Lacan pode dar, sen\u00e3o que ele vai alterando sua elabora\u00e7\u00e3o a partir da cl\u00ednica de sua \u00e9poca. Ou seja, que o \u00faltimo ensino de Lacan est\u00e1 muito mais adaptado \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas da \u00e9poca, do que o primeiro ensino, e que as mudan\u00e7as t\u00eam a ver com as muta\u00e7\u00f5es da subjetividade da \u00e9poca. Pensar a toxicomania a partir do \u00faltimo ensino de Lacan, no qual o gozo \u00e9 o centro da quest\u00e3o, um gozo sem sentido, nos d\u00e1 muitas ferramentas para se pensar esse tipo de patologia.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o nosso desafio, como formular, como fazer uso do \u00faltimo ensino de Lacan em rela\u00e7\u00e3o a esse tipo de patologia, em que podemos nos servir desse ensino de Lacan? Como fazer uso desses \u00faltimos ensinos \u00e9 o desafio atual de TyA. Toda a comunidade anal\u00edtica est\u00e1 abordando esses \u00faltimos semin\u00e1rios de Lacan. No campo de TyA, \u00e9 um desafio important\u00edssimo, porque nos permite pensar a toxicomania n\u00e3o somente a partir do falo, que era o que nos vinha orientando, sen\u00e3o a partir do \u00faltimo ensino de Lacan, que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 regido somente na perspectiva e diretriz do falo, mas a partir da impossibilidade da rela\u00e7\u00e3o entre o gozo e o significante. Do meu ponto de vista, esse \u00e9 o desafio atual da toxicomania.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Em alguns de seus textos, voc\u00ea situa dois momentos no uso das subst\u00e2ncias: um momento de controle e o outro da perspectiva man\u00edaca. Qual seria a origem do momento man\u00edaco nessa rela\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Fabi\u00e1n Naparstek<\/strong>: A origem \u00e9 o que h\u00e1 de se buscar em cada sujeito e \u00e9 um dado central no diagn\u00f3stico, tratar de situar o ponto em que \u201calgo se soltou\u201d, e, em geral, isso est\u00e1 muito ligado \u00e0 singularidade de cada sujeito. \u00c9 central, porque isso vai orientar-nos na dire\u00e7\u00e3o da cura. O ponto em que isso se soltou, isso que estava agarrado e se solta, responde \u00e0 singularidade de cada caso. \u00c9 tudo ao contr\u00e1rio de quando nos querem fazer pensar que a toxicomania \u00e9 uma classe uniforme. Eu sustento, j\u00e1 faz tempo, que n\u00e3o h\u00e1 nada mais diferente de um toxic\u00f4mano que outro toxic\u00f4mano. Quando nos querem fazer crer que n\u00e3o h\u00e1 nada mais parecido com um toxic\u00f4mano que outro toxic\u00f4mano, a cl\u00ednica lacaniana mostra o contr\u00e1rio. Ao contr\u00e1rio das comunidades terap\u00eauticas, em que um ex-toxic\u00f4mano conta a outro o que lhe vai acontecer, n\u00f3s temos a ideia de que um toxic\u00f4mano n\u00e3o sabe nada a respeito de outro. N\u00e3o quero dizer que n\u00e3o devam existir comunidades terap\u00eauticas, por\u00e9m, deve-se estar advertido disso. E as cl\u00ednicas ou as comunidades terap\u00eauticas e os diferentes lugares onde os toxic\u00f4manos est\u00e3o internados mostram, claramente, esse fato, demonstram que, verdadeiramente, cada toxic\u00f4mano implica uma singularidade bem diferente de outra.<\/p>\n<p><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong>: Finalmente, Fabi\u00e1n, o que estamos situando, esse ponto de desregula\u00e7\u00e3o, a origem subjetiva, isso que h\u00e1 que situar em cada um, parece-me estar em rela\u00e7\u00e3o com isto: que lugar assume a ang\u00fastia na cl\u00ednica das toxicomanias?<\/p>\n<p><strong>Fabi\u00e1n Naparstek<\/strong>: A ang\u00fastia \u00e9 central, porque parte do problema dessa cl\u00ednica \u00e9 o fato de que certos sujeitos n\u00e3o se angustiam. A ang\u00fastia, em muitos casos, \u00e9 o que faz que um sujeito venha consultar um psicanalista, e, quando, \u00e0s vezes, est\u00e1 na deriva man\u00edaca, n\u00e3o aparece a ang\u00fastia, que \u00e9 um freio \u00e0 mania, \u00e9 algo que det\u00e9m a mania. Por outro lado, nesses casos, \u00e0s vezes, n\u00e3o aparece a ang\u00fastia, e, ent\u00e3o, como dizia Lacan, ela \u00e9 sempre uma b\u00fassola, porque, na cl\u00ednica, trata-se do real, ent\u00e3o, o ponto de ang\u00fastia \u00e9 central para n\u00f3s. H\u00e1 que se pensar como, em cada caso, ocorre a irrup\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div><\/div>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Wilma S. de Faria<\/h6>\n<h6>Revis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o: M\u00e1rcia Mez\u00eancio<\/h6>\n<h6>[1] Entrevista realizada em Buenos Aires, Argentina, em 08 de maio de 2011, pouco antes da realiza\u00e7\u00e3o do \u201cPrimeiro Col\u00f3quio Internacional de TyA\u201d.<br \/>\n[2] N.T.: Faz pipi, faz xixi, wiwimacher, gozo f\u00e1lico, essas t\u00eam sido as in\u00fameras tradu\u00e7\u00f5es para essa refer\u00eancia de Lacan.<\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. \u201cTres observaciones sobre la toxicomania\u201d, In: Sujeto, goce y modernidad: fundamentos de la cl\u00ednica II \u2013 Instituto del Campo Freudiano. Buenos Aires: Atuel \u2013TyA, 1994. P.15.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Didier Vel\u00e1squez<\/strong><\/h6>\n<h6>Psicanalista em Medell\u00edn, Col\u00f4mbia. E-mail:\u00a0<span id=\"cloak73b166fea26a028bbf21436065ff6d1e\"><a href=\"mailto:didiervelasquezv@une.net.co\">didiervelasquezv@une.net.co<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista Com Fabi\u00e1n Naparstek [1] Didier Vel\u00e1squez: Em primeiro lugar, qual a raz\u00e3o de seu interesse na problem\u00e1tica das toxicomanias e do alcoolismo? Fabi\u00e1n Naparstek: Na Argentina, h\u00e1 um grupo que, desde o come\u00e7o da Escola, se chamou \u201cTyA \u2013 Toxicomanias e Alcoolismo\u201d. 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