{"id":577,"date":"2012-08-17T06:51:47","date_gmt":"2012-08-17T09:51:47","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=577"},"modified":"2025-12-01T17:27:09","modified_gmt":"2025-12-01T20:27:09","slug":"as-normas-e-os-corpos-quando-isso-nao-funciona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2012\/08\/17\/as-normas-e-os-corpos-quando-isso-nao-funciona\/","title":{"rendered":"As Normas E Os Corpos: Quando Isso N\u00e3o Funciona"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>ELISA ALVARENGA<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/horizontal-2-Almanaque-11.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1280\" data-large_image_height=\"853\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-578\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/horizontal-2-Almanaque-11-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/horizontal-2-Almanaque-11-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/horizontal-2-Almanaque-11-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/horizontal-2-Almanaque-11-768x512.jpg 768w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/horizontal-2-Almanaque-11.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Gostaria de agradecer o convite de Roberto e Guilherme para estar com voc\u00eas na abertura das atividades do N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Medicina e penso que, neste semestre, este N\u00facleo est\u00e1 especialmente bem posicionado para trabalhar os temas que nos atravessam no Instituto: o tema do ENAPOL VI, \u201cFalar com o corpo \u2013 a crise das normas e a agita\u00e7\u00e3o do real\u201d, e o das Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Minas da EBP \u2013 \u201cPsican\u00e1lise e Ci\u00eancia \u2013 o real em jogo\u201d. As Jornadas de Minas acontecer\u00e3o em 18 e 19 de outubro deste ano, e o ENAPOL, em 22 e 23 de novembro, em Buenos Aires, e, \u00e9 claro, contamos com a presen\u00e7a de todos voc\u00eas. Minha ideia, ent\u00e3o, aqui, hoje, \u00e9 come\u00e7ar a falar sobre o tema, a partir do t\u00edtulo que voc\u00eas me propuseram: \u201cAs normas e os corpos \u2013 quando isso n\u00e3o funciona\u201d. A que se refere o \u201cisso\u201d desse t\u00edtulo? Trata-se das normas que n\u00e3o funcionam, dos corpos que n\u00e3o funcionam, ou, ainda, do \u201cisso\u201d freudiano, o nome propriamente da puls\u00e3o? Ou se trata do sintoma, cuja insensatez foi ressaltada por Simone Souto, na nossa Agenda, ao colocar em pauta o tema da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica? O sintoma hist\u00e9rico \u00e9 aquilo, segundo Lacan, que se coloca no caminho do mestre, fazendo-lhe obje\u00e7\u00e3o, interrogando-o. Se o mestre contempor\u00e2neo est\u00e1 encarnado no casamento da ci\u00eancia com o capitalismo, que exigem que isso funcione, ocupar-nos-emos, aqui, hoje, daquilo que n\u00e3o funciona: os corpos regidos pelas normas estabelecidas pelo discurso da ci\u00eancia e do capitalismo, que exigem um m\u00e1ximo de rendimento de ou para todos.<\/p>\n<p>Come\u00e7arei interrogando as normas, falarei dos corpos e, para terminar, tentarei pensar o que pode a psican\u00e1lise diante da crise das normas que se anuncia no t\u00edtulo do ENAPOL. No argumento do nosso Encontro, que est\u00e1 no site (www.enapol.com), \u00c9ric Laurent nos diz que o t\u00edtulo \u201cA crise das normas e a agita\u00e7\u00e3o do real\u201d nos remete a uma dupla s\u00e9rie causal: por um lado, as normas t\u00eam mais dificuldade para fazer os corpos entrarem em usos estandardizados pelo significante-mestre, que instala suas disciplinas de rotular e educar. Os corpos s\u00e3o deixados \u00e0 deriva, marcando-se, febrilmente, com signos que n\u00e3o chegam a dar-lhes consist\u00eancia. Por outro lado, a agita\u00e7\u00e3o do real pode ler-se como consequ\u00eancia da queda dos ideais e da subida ao z\u00eanite do objeto a. A exig\u00eancia de gozo para todos submete os corpos a uma lei de ferro cujas consequ\u00eancias nos cabe acompanhar.<\/p>\n<p><strong>Comecemos Ent\u00e3o Pelas Normas: O Que \u00c9 Uma Norma?<\/strong><\/p>\n<p>Entre as v\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es de norma que podem nos interessar, temos: estado habitual, conforme a regra estabelecida, ou conforme a maioria dos casos, tipo concreto ou f\u00f3rmula abstrata do que deve ser, modelo, princ\u00edpio, regra, ou, ainda, f\u00f3rmula que define um tipo de objeto, produto ou procedimento t\u00e9cnico para simplificar, tornar mais eficaz e mais racional a produ\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 a\u00ed impl\u00edcita a no\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia, de bom funcionamento, de m\u00e9dia. Lacan n\u00e3o hesitava em fazer um trocadilho com a palavra normal, dizendo que era \u201cLa norme m\u00e2le\u201d, ou norma do macho, trazendo a\u00ed impl\u00edcita a medida f\u00e1lica.<\/p>\n<p>No seu ensaio sobre O normal e o patol\u00f3gico, Georges Canguilhem (1988) escreve todo um cap\u00edtulo sobre a norma e a m\u00e9dia, para concluir que \u00e9 preciso considerar os conceitos de norma e de m\u00e9dia como dois constructos diferentes. \u00c9 in\u00fatil tentar anular a originalidade do primeiro. A fisiologia tem mais o que fazer que procurar definir objetivamente o normal e deve reconhecer a original normatividade da vida. O verdadeiro papel da fisiologia consistiria, ent\u00e3o, em determinar exatamente o conte\u00fado das normas sob as quais a vida conseguiu se estabilizar, sem prejulgar a possibilidade ou impossibilidade de uma eventual corre\u00e7\u00e3o dessas normas (CANGUILHEM, 1988, p.116).<\/p>\n<p>Vinte anos depois, em suas Novas reflex\u00f5es sobre o normal e o patol\u00f3gico, Canguilhem diz que o termo \u2018normal\u2019 passou para a l\u00edngua popular a partir dos vocabul\u00e1rios pedag\u00f3gico e sanit\u00e1rio. Uma norma tira seu sentido, sua fun\u00e7\u00e3o e seu valor do fato da exist\u00eancia, fora dela, daquilo que n\u00e3o responde \u00e0 exig\u00eancia a que ela serve. Norma \u00e9 a palavra latina que significa esquadro, e normalis significa perpendicular. Uma norma, uma regra, serve para \u201cfazer direito\u201d, domesticar. Normalizar \u00e9 impor uma exig\u00eancia a uma exist\u00eancia. Uma norma se prop\u00f5e como um modo poss\u00edvel de unificar uma diversidade, de reabsorver uma diferen\u00e7a, de regulamentar uma disputa. Mas propor-se n\u00e3o \u00e9 impor-se. Diferentemente de uma lei da natureza, uma norma n\u00e3o necessita de seu efeito, ou seja, uma norma n\u00e3o tem sentido de norma isolada. N\u00e3o \u00e9 apenas a exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra como tal, \u00e9 a infra\u00e7\u00e3o que lhe d\u00e1 a ocasi\u00e3o de ser regra e fazer regra. A infra\u00e7\u00e3o est\u00e1 na origem da regula\u00e7\u00e3o. A palavra latina norma \u00e9 equivalente \u00e0 grega ortos. A ortografia, a ortodoxia e a ortopedia s\u00e3o conceitos normativos avant la lettre.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia m\u00e9dica se contenta com o corpo humano normal e procura apenas repar\u00e1-lo. O m\u00e9dico n\u00e3o promete a seus pacientes nada mais que o retorno ao estado de satisfa\u00e7\u00e3o vital do qual a doen\u00e7a o tirou. Est\u00e1 a\u00ed uma diferen\u00e7a fundamental, para Lacan, entre o que prop\u00f5e a medicina \u2015 restitui\u00e7\u00e3o ao estado anterior ou, no caso da medicina cosm\u00e9tica, a busca da perfei\u00e7\u00e3o \u2015 e o que objetiva a psican\u00e1lise \u2015 uma mudan\u00e7a do sujeito.<\/p>\n<p>As diferentes normas apresentam aos bi\u00f3logos o problema de sua rela\u00e7\u00e3o com os casos singulares. O conceito de normal em biologia se define pela frequ\u00eancia de uma determinada caracter\u00edstica. A distribui\u00e7\u00e3o dos resultados de medida aqu\u00e9m ou al\u00e9m do valor m\u00e9dio garante que a m\u00e9dia na curva de Gauss seja uma cifra verdadeira. Os casos s\u00e3o tanto mais raros quanto mais distantes da m\u00e9dia. Mas \u00e9 dif\u00edcil fazer coincidir o normal fisiol\u00f3gico e o normal estat\u00edstico: o ponto de vista estat\u00edstico \u00e9 insuficiente cada vez que se deve decidir o que \u00e9 normal para um dado indiv\u00edduo. Alguns afastamentos individuais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s normas fisiol\u00f3gicas n\u00e3o s\u00e3o \u00edndices patol\u00f3gicos: \u00e9 normal que uma variabilidade fisiol\u00f3gica exista, ela \u00e9 necess\u00e1ria \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o e \u00e0 sobreviv\u00eancia. Por exemplo, em 100 estudantes com boa sa\u00fade, isentos de dispepsia, sobre os quais se aplicaram medidas de acidez g\u00e1strica, 10% apresentaram uma hipercloridria patol\u00f3gica, tal como se observa nos casos de \u00falcera duodenal, e 4% apresentaram uma acloridria total, sintoma at\u00e9 ent\u00e3o considerado indicativo de anemia perniciosa progressiva. Toda atividade fisiol\u00f3gica mensur\u00e1vel seria suscet\u00edvel de uma variabilidade an\u00e1loga. Ela pode ser representada pela curva de Gauss e, para as necessidades da medicina, o normal deve ser compreendido entre os limites determinados por um desvio standard, de um lado e do outro da mediana. Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma linha de separa\u00e7\u00e3o n\u00edtida entre as varia\u00e7\u00f5es adquiridas que s\u00e3o sintomas de uma doen\u00e7a. Um afastamento fisiol\u00f3gico extremo da m\u00e9dia constitui uma predisposi\u00e7\u00e3o a um acidente patol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Duas esp\u00e9cies de varia\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 norma podem levar a decidir em favor da anormalidade: afetando um mesmo indiv\u00edduo ao longo do tempo ou de um indiv\u00edduo a outro. Essas varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o essenciais \u00e0 sobreviv\u00eancia: a adaptabilidade depende da variabilidade e deve levar em conta as circunst\u00e2ncias. Uma hiperplasia clinicamente constatada, por exemplo, pode exprimir um certo grau de adapta\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o a primeira etapa de uma doen\u00e7a. Em resumo, em medicina, para definir o normal, \u00e9 preciso referir-se aos conceitos de equil\u00edbrio e adaptabilidade, levar em conta o meio exterior e o trabalho que devem efetuar o organismo ou suas partes. Quando se trata de normas humanas, reconhece-se que elas s\u00e3o determinadas como possibilidades de um organismo em situa\u00e7\u00e3o social de agir, mais do que como fun\u00e7\u00f5es de um organismo visto como mecanismo acoplado ao meio f\u00edsico.<\/p>\n<p><strong>O Doente E O Sonho Cientificista<\/strong><\/p>\n<p>O doente cria a doen\u00e7a pelo pr\u00f3prio excesso de sua defesa, de uma rea\u00e7\u00e3o que o protege menos que o esgota e desequilibra. Prevalece, ent\u00e3o, a no\u00e7\u00e3o de s\u00edndrome patog\u00eanica sobre a de agente patog\u00eanico, e a no\u00e7\u00e3o de les\u00e3o fica subordinada \u00e0 de perturba\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es. As \u201cdoen\u00e7as mentais\u201d s\u00e3o um bom exemplo disso, que se manifesta, hoje, na nova edi\u00e7\u00e3o do DSM, o DSM V, previsto para entrar em vigor em maio de 2013. Os transtornos se multiplicam e as fronteiras entre o normal e o patol\u00f3gico se tornam incertas, cada vez mais. Mas, ao contr\u00e1rio do que se poderia esperar, o que ocorre \u00e9 uma patologiza\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, acompanhada por medi\u00e7\u00f5es e medica\u00e7\u00f5es. Fran\u00e7ois Ansermet, nosso convidado para as Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Minas, nos fala sobre um estudo publicado pelo British Medical Journal, que questionou os m\u00e9dicos ingleses para saber quais eram as principais queixas que eles n\u00e3o consideravam como doen\u00e7as. A lista \u00e9 curiosa: idade, t\u00e9dio, bolsas debaixo dos olhos, ignor\u00e2ncia, calv\u00edcie, rubor, orelhas grandes, cabelos grisalhos, feiura, celulite, ang\u00fastia pelo tamanho do p\u00eanis, raiva no tr\u00e2nsito, solid\u00e3o. No lugar da sa\u00fade como sil\u00eancio dos \u00f3rg\u00e3os, um ros\u00e1rio de transtornos invade a cena. Seriam essas n\u00e3o doen\u00e7as devidas a um desequil\u00edbrio sexual, uma vez que se coloca no centro da sa\u00fade mental uma vida sexual realizada? (ANSERMET, 2012).<\/p>\n<p>A sa\u00fade mental \u00e9 cada vez menos silenciosa, na medida em que o sujeito \u00e9 lan\u00e7ado ao mundo sem saber a que veio, com um inconsciente que o parasita e desconhecendo os des\u00edgnios da puls\u00e3o. E, ainda assim, as pesquisas em neuroci\u00eancias cognitivas continuam a desenvolver uma vis\u00e3o idealizada do c\u00e9rebro como um \u00f3rg\u00e3o homeost\u00e1tico e regulado: a revista Veja desta semana traz justamente como mat\u00e9ria de capa o t\u00edtulo \u201cAs imagens que revelam a origem biol\u00f3gica do pensamento e das emo\u00e7\u00f5es \u2013 e v\u00e3o revolucionar o tratamento das doen\u00e7as mentais\u201d. O conjunto das liga\u00e7\u00f5es entre os neur\u00f4nios \u00e9 chamado de conectoma, foco de um projeto ainda mais ambicioso que o do sequenciamento do genoma. T\u00e3o ambicioso, que a reportagem despreza o fato de que<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cainda \u00e9 conversando com o paciente que o m\u00e9dico determina a exist\u00eancia de stress p\u00f3s-traum\u00e1tico, v\u00edcio em drogas, ansiedade e depress\u00e3o, entre outros males. Quando ganharem acesso \u00e0 gram\u00e1tica do conectoma\u201d, continua, \u201cos cientistas poder\u00e3o visualizar a doen\u00e7a mental e trat\u00e1-la, corrigindo as altera\u00e7\u00f5es que ela provoca no c\u00e9rebro\u201d (GIANINI, p. 84).<\/p>\n<p>Suspeita-se que o autismo, por exemplo, ao contr\u00e1rio do que nos ensinam nossos colegas que se v\u00eam dedicando \u00e0s pesquisas e \u00e0s crian\u00e7as autistas, h\u00e1 d\u00e9cadas, ocorra por uma anomalia na organiza\u00e7\u00e3o das liga\u00e7\u00f5es entre os neur\u00f4nios. Tamb\u00e9m h\u00e1 estudos que associam a esquizofrenia a falhas nas liga\u00e7\u00f5es neurais de longa dist\u00e2ncia. \u201cEntender como isso ocorre dar\u00e1 in\u00edcio \u00e0 era da cura desses males por meio da corre\u00e7\u00e3o das falhas nas conex\u00f5es entre os neur\u00f4nios. E isso ainda neste s\u00e9culo, talvez at\u00e9 no intervalo de uma gera\u00e7\u00e3o\u201d (GIANINI, 2013, p. 84), assegura a reportagem. E conclui com o depoimento de um radiologista de Harvard: \u201ccom a an\u00e1lise do conectoma, tamb\u00e9m ser\u00e1 poss\u00edvel criar exames para o diagn\u00f3stico preciso das doen\u00e7as mentais\u201d (WEDEEN, 2013, p.84).<\/p>\n<p>Para \u00c9ric Laurent, o c\u00e9rebro se revela, muito antes, uma m\u00e1quina de ratear, para al\u00e9m dos circuitos bem regulados que se lhe sup\u00f5em. H\u00e1 todo um setor das neuroci\u00eancias que passa seu tempo fazendo pesquisas para nos tranquilizar, gra\u00e7as ao poder das imagens de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. Na Fran\u00e7a, tamb\u00e9m, as pesquisas buscam a\u00ed a resposta para um dos grandes enigmas da humanidade, a origem dos pensamentos. A ingenuidade das formula\u00e7\u00f5es cient\u00edficas nos leva de volta ao positivismo de Auguste Comte, ignorando que, nos EEUU, certos psiquiatras j\u00e1 se afastam, decepcionados, da utiliza\u00e7\u00e3o massiva da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica no dom\u00ednio da sa\u00fade mental. As tecnologias da imagem n\u00e3o estiveram \u00e0 altura das esperan\u00e7as que elas autorizaram nos anos 90, intitulados \u201cd\u00e9cada do c\u00e9rebro\u201d pela American Psychiatric Association. Existe um sentimento crescente, diz Laurent, a partir de v\u00e1rios estudos, de que a pesquisa a partir das imagens est\u00e1 longe de fornecer \u00e0 psiquiatria alguma coisa parecida com testes claros de doen\u00e7a mental (LAURENT, 2006, p.36).<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Ansermet nos mostra, por outro lado, que as pesquisas em gen\u00e9tica caminham no sentido de mostrar as determina\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas das doen\u00e7as, por exemplo, do autismo. Mas ao contr\u00e1rio de uma determina\u00e7\u00e3o universal, o que se encontra \u00e9 uma determina\u00e7\u00e3o particular a cada caso, o que d\u00e1 nome ao seu livro publicado no ano passado: A cada um seu genoma (ANSERMET, 2012).<\/p>\n<p>Lacan dizia, em \u201cDire\u00e7\u00e3o da cura\u201d, que \u00e9 preciso caminhar rumo a uma maior subjetiva\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o a uma maior objetiva\u00e7\u00e3o, como querem os avaliadores de hoje. \u00c9ric Laurent nos mostra a dificuldade enfrentada por eles no campo das psicoterapias, quando se trata de \u201cmedir\u201d a transfer\u00eancia, ou mesmo os tratamentos medicamentosos. Comparar o incompar\u00e1vel, ou criar equival\u00eancias em nome da homogeneiza\u00e7\u00e3o da medida, permite reduzir a personalidade a um simples manejo de comorbidades. Os partid\u00e1rios das TCC consideram que um sintoma n\u00e3o se substitui o outro, uma vez tratado aquele ao qual se aponta. Se surge um novo sintoma, isso se deve \u00e0 comorbidade de v\u00e1rios sintomas que se expressam sucessivamente (LAURENT, 2005, p.31). Os sintomas n\u00e3o s\u00e3o substitu\u00edveis, mas os terapeutas sim, e rapidamente treinados. As TCC, pouco custosas e breves, e podendo ser realizadas por pessoal param\u00e9dico, conseguem suprimir rapidamente os sintomas, mas suas indica\u00e7\u00f5es s\u00e3o limitadas. N\u00e3o se conseguem evitar as falsifica\u00e7\u00f5es dos resultados, que se acomodam a interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos. Tenta-se, ent\u00e3o, passar a uma etapa verdadeiramente cient\u00edfica, buscando correla\u00e7\u00f5es na gen\u00e9tica molecular, na neuroqu\u00edmica, na neuroanatomia e na neuroci\u00eancia cognitiva. Um mal-entendido re\u00fane os partid\u00e1rios de uma verdadeira psiquiatria biol\u00f3gica e aqueles de uma psicopatologia fundada na psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>A Evidence based medicine, dominante desde os anos 90, quis mudar radicalmente a hierarquia das provas em medicina: no lugar do caso por caso, m\u00e9todo cl\u00ednico tradicional, devia partir de meta-an\u00e1lises e estudos estat\u00edsticos. Esse movimento, que veio do Canad\u00e1 e foi propagado no Reino Unido pelos escoceses, j\u00e1 mostra seus limites. No Campo Freudiano, a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana da psican\u00e1lise adota uma pol\u00edtica de recha\u00e7o \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o ao mundo da medi\u00e7\u00e3o generalizada, e inclusive \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o das psicoterapias.<\/p>\n<p><strong>Os Impasses Das Classifica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Classificar, para a psican\u00e1lise, sempre implica problemas, e a cl\u00ednica continu\u00edsta, borromeana, sustentada no \u00faltimo ensino de Lacan, \u00e9 muito bem-vinda para abordar os sintomas contempor\u00e2neos. Se h\u00e1 decl\u00ednio da fun\u00e7\u00e3o paterna, temos uma l\u00f3gica em que n\u00e3o h\u00e1 exce\u00e7\u00e3o, mas um conjunto aberto ao infinito, uma l\u00f3gica da vizinhan\u00e7a e do n\u00e3o-todo. Cada sujeito \u00e9 sua pr\u00f3pria classifica\u00e7\u00e3o, seu pr\u00f3prio n\u00f3, ou, falando em termos de normas, encontra sua pr\u00f3pria \u201cnorma\u201d, em vez de entrar em uma categoria. Isso aproximaria nossa cl\u00ednica, continu\u00edsta, da perspectiva dimensional que introduz o DSM V? N\u00e3o o creio.<\/p>\n<p>Sup\u00f5e-se que a no\u00e7\u00e3o de dimens\u00e3o, privilegiada no DSM V, objeto de uma investiga\u00e7\u00e3o realizada por S\u00e9rgio Laia (2012), responda melhor que a no\u00e7\u00e3o de categoria a v\u00e1rios impasses das classifica\u00e7\u00f5es anteriores. Orienta-se por acolher a continuidade e a sobreposi\u00e7\u00e3o de sintomas e reduzir o excesso de comorbidades e de categorias com a designa\u00e7\u00e3o final \u201csem outra especifica\u00e7\u00e3o\u201d. A \u201cdimens\u00e3o\u201d inclui zonas de interpenetra\u00e7\u00e3o, inclusive com a normalidade, e transtornos que n\u00e3o se caracterizam por limites abruptos e fixos.<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Ansermet (2012) tem mostrado como o DSM V faz explodir o limite entre o normal e o patol\u00f3gico e aumenta n\u00e3o apenas o n\u00famero de categorias, mas tamb\u00e9m a preval\u00eancia de algumas. H\u00e1 um efeito de generaliza\u00e7\u00e3o que tende para uma medicaliza\u00e7\u00e3o cada vez mais absoluta da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na orienta\u00e7\u00e3o lacaniana da psican\u00e1lise, estamos frente a uma cl\u00ednica continu\u00edsta, de grada\u00e7\u00f5es, em que o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 o sim e o n\u00e3o (Nome-do-Pai presente ou ausente), mas o mais e o menos. \u201cO real das coisas humanas se apresenta com a forma da curva de Gauss\u201d, diz Jacques-Alain Miller (2003, p.202). Em que esse mais e esse menos, da cl\u00ednica borromeana, se diferenciam da cl\u00ednica dimensional do DSM V?<\/p>\n<p>Uma dimens\u00e3o constituiria uma diferen\u00e7a mais de grau que de tipo, introduzindo uma grada\u00e7\u00e3o quantitativa, em analogia com os \u00edndices de tens\u00e3o sangu\u00ednea ou as medidas de gordura no sangue, por exemplo. As distin\u00e7\u00f5es sutis na perspectiva dimensional dos transtornos mentais apelam \u00e0s medi\u00e7\u00f5es, cifras, escalas de avalia\u00e7\u00e3o e protocolos de tratamento, pondo em cena o corpo do paciente e eliminando, muitas vezes, o do praticante (LEGUIL, 2011, p.40). As coisas de fineza, n\u00e3o mensur\u00e1veis, na orienta\u00e7\u00e3o lacaniana da psican\u00e1lise, pedem, ao contr\u00e1rio, a presen\u00e7a de um parceiro que possa responder, ao qual dirigir, n\u00e3o somente os significantes do paciente, mas tamb\u00e9m os signos de seu gozo.<\/p>\n<p>Se a norma, para Lacan, \u00e9 a norma m\u00e2le, isso n\u00e3o significa que o tratamento anal\u00edtico seja a aplica\u00e7\u00e3o da norma f\u00e1lica, enquanto norma masculina, ao sintoma de cada um. Tanto mais que, para Lacan, o caminho de uma an\u00e1lise vai na dire\u00e7\u00e3o do n\u00e3o-todo, ao ponto de considerar, como anuncia Miller, que a posi\u00e7\u00e3o do analista, produto de uma an\u00e1lise, \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<p><strong>Como Opera, Ent\u00e3o, A Psican\u00e1lise, No Que Concerne \u00c0s Normas E Aos Corpos?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Patr\u00edcio Alvarez, diretor do ENAPOL VI, h\u00e1, em Lacan, ao menos tr\u00eas teorias sobre o corpo. As normas do Ideal do eu constroem o corpo especular, em cuja base est\u00e1 a norma principal que o regula: o Nome-do-Pai. Lacan edifica sua cl\u00ednica das estruturas a partir dessa rela\u00e7\u00e3o entre simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio. Dessa cl\u00ednica estrutural se pode depreender tamb\u00e9m uma cl\u00ednica do corpo, em que a norma f\u00e1lica o organiza.<\/p>\n<p>Uma vez constru\u00eddas as estruturas cl\u00ednicas, o real entra em cena, agitando a harmonia das normas simb\u00f3lico-imagin\u00e1rias. O grande edif\u00edcio \u00e9 habitado pelo objeto a. Esse segundo corpo revela-se topol\u00f3gico, no qual h\u00e1 um furo central provido de uma borda, a zona er\u00f3gena freudiana, ao redor da qual se constr\u00f3i a superf\u00edcie do corpo, em que acontecer\u00e1 a identifica\u00e7\u00e3o especular. A isso se acrescenta a opera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da castra\u00e7\u00e3o, que simboliza o furo como falta e d\u00e1 unidade ao corpo. Com o objeto a, constr\u00f3i-se uma segunda cl\u00ednica do corpo, mais sutil: a cl\u00ednica dos pequenos detalhes. Nessa segunda cl\u00ednica, poder\u00e1 ser localizado o que ficou fora das estruturas: a viol\u00eancia, a ang\u00fastia, as adi\u00e7\u00f5es e tudo cujo excesso passa dos limites das normas.<\/p>\n<p>A terceira teoriza\u00e7\u00e3o do corpo estaria em constru\u00e7\u00e3o: a do acontecimento de corpo. \u00c9 a entrada das marcas iniciais, contingentes, que fixam um modo de gozo do falasser. \u00c9 no corpo vivo que ocorre o acontecimento de corpo, \u201cacontecimento de um dizer\u201d. Esse dizer marca o corpo, com o fora de sentido da lal\u00edngua, que faz ressoar a puls\u00e3o como eco de um dizer no corpo parasitado pela linguagem. Por um lado, trata-se de um corpo falado por certas conting\u00eancias de um dizer, que produziram acontecimento, por outro, trata-se de um corpo que, com seu dizer, faz acontecimento (ALVAREZ, 2012).<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio 23, Lacan fala sobre inven\u00e7\u00e3o do real, o que \u00e9 distinto, a meu ver, do real da ci\u00eancia, na medida em que, na psican\u00e1lise, trata-se de um real singular para cada um. E o falo aparece, ent\u00e3o, como \u201cuma fal\u00e1cia que testemunha do real\u201d (LACAN, 1976, 2007, p.101). Esse falo, penso, \u00e9 um semblante que n\u00e3o leva ao Nome-do-Pai, mas d\u00e1 uma sustenta\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica ao falasser. Lacan diz que, tendo retornado a seu texto \u201cA significa\u00e7\u00e3o do falo\u201d, teve a boa surpresa de encontrar a evoca\u00e7\u00e3o do n\u00f3 como piv\u00f4 da castra\u00e7\u00e3o. \u00c9 ao falo que ele atribui o papel de verificar que o falso furo, formado com o simb\u00f3lico e o sinthoma, \u00e9 real, ou seja, que uma pr\u00e1tica que parte do dizer \u00e9 poss\u00edvel. O falo, enquanto suporte da fun\u00e7\u00e3o do significante, \u00e9 o \u00fanico real que verifica o que quer que seja. O que quer Lacan dizer com isso? Entendo que o falo \u00e9 a\u00ed o que faz n\u00f3, amarra\u00e7\u00e3o, fun\u00e7\u00e3o de castra\u00e7\u00e3o, ou seja, que produz uma circunscri\u00e7\u00e3o do gozo, imposs\u00edvel de negativizar. Mais adiante, no mesmo semin\u00e1rio, Lacan atribui ao falo uma fun\u00e7\u00e3o de fona\u00e7\u00e3o, \u201cque acaba sendo substitutiva do macho, dito homem\u201d (LACAN, 1976\/2007, p.123).<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica vai ent\u00e3o da norma macho, \u201cnormal\u201d, \u00e0 inven\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a cada um, pois o de que se trata, diz Lacan, \u00e9 de que, acessando o real, o saber da psican\u00e1lise o determina, tanto quanto o saber da ci\u00eancia (LACAN, 1973\/2003, p.315). Se o saber da ci\u00eancia seria o saber escrito por meio de leis, o saber da psican\u00e1lise \u00e9 um saber \u00e0 medida de cada um. Na psican\u00e1lise, a causalidade n\u00e3o \u00e9 linear: entre a causa e o efeito, introduz-se o sujeito \u2015 foraclu\u00eddo pela ci\u00eancia \u2015 sempre respons\u00e1vel, como prop\u00f5e Lacan, por sua posi\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s do seu dizer, ele inventa sua pr\u00f3pria norma, que, talvez, seja o que chamamos de sinthoma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6>[1] Texto apresentado em 05\/03\/2013, na abertura das atividades do N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Medicina.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<h6>ALVAREZ, P. \u201cFalar com o corpo?\u201d, CUERPOaTEXTO #3, Bolet\u00edn do ENAPOL VI.<\/h6>\n<h6>ANSERMET, F. A chacun son gen\u00f4me. Paris: Navarin, 2012.<\/h6>\n<h6>ANSERMET, F. \u201cLes promesses du DSM V\u201d, Mental 27-28, Bruxelles, 2012, p.35-36.<\/h6>\n<h6>CANGUILHEM, G. Le normal et le pathologique. Paris: PUF, 1988.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1973) \u201dNota italiana\u201d, In: Outros Escritos, Rio de Janeiro: Zahar, 2003.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1976) O Semin\u00e1rio, livro 23: o sinthoma. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.<\/h6>\n<h6>LAIA, S. \u201cCoisas mensur\u00e1veis e \u2018coisas de fineza\u2019: a classifica\u00e7\u00e3o dos transtornos mentais pelo DSM-V e a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana\u201d, In: De que real se trata na cl\u00ednica psicanal\u00edtica?, Rio de Janeiro: Cia. de Freud, 2012. p.295-317.<\/h6>\n<h6>GIANINI, T., Veja, S\u00e3o Paulo, 16 de mar\u00e7o de 2013, p. 84.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. \u201cLes organes du corps dans la perspective psychanalytique\u201d, Quarto 91, Bruxellas, 2006, p.36-45.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. Lost in cognition. Buenos Aires: Collecci\u00f3n Diva, 2005.<\/h6>\n<h6>LEGUIL, F. \u201cAs demandas contempor\u00e2neas feitas \u00e0 psican\u00e1lise\u201d, Curinga 33, Belo Horizonte: Scriptum, 2011, p.19-48.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. La psicosis ordinaria. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2003.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Elisa Alvarenga<\/strong><\/h6>\n<h6>AME da EBP e da AMP, Diretora Geral do IPSM-MG. E-mail:<span id=\"cloak1d0bf1cc6bf459d109b29adcf16ec9b9\"><a href=\"mailto:elisalvarenga@gmail.com\">elisalvarenga@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELISA ALVARENGA &nbsp; Gostaria de agradecer o convite de Roberto e Guilherme para estar com voc\u00eas na abertura das atividades do N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Medicina e penso que, neste semestre, este N\u00facleo est\u00e1 especialmente bem posicionado para trabalhar os temas que nos atravessam no Instituto: o tema do ENAPOL VI, \u201cFalar com o corpo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58219,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-577","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-11","category-7","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=577"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58220,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577\/revisions\/58220"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}