{"id":58734,"date":"2026-03-02T11:30:16","date_gmt":"2026-03-02T14:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/?p=58734"},"modified":"2026-03-02T14:47:15","modified_gmt":"2026-03-02T17:47:15","slug":"um-acordo-impossivel-amor-e-nao-relacao-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2026\/03\/02\/um-acordo-impossivel-amor-e-nao-relacao-sexual\/","title":{"rendered":"Um acordo imposs\u00edvel: amor e n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_section css=&#8221;.vc_custom_1772473289297{background-color: #EADAD0 !important;}&#8221;][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Sophie Marret-Maleval<\/p>\n<h5>Psicanalista<br \/>\nAME<br \/>\nMembro da \u00c9cole de la Cause freudienne (ECF),<br \/>\nda New Lacanian School (NLS)<br \/>\ne da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise (AMP)<br \/>\nE-mail: <a href=\"mailto:marret-maleval.sophie@orange.fr\">marret-maleval.sophie@orange.fr<\/a><\/h5>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]No cerne do \u00faltimo ensino de Lacan, a tens\u00e3o entre dois enunciados. O primeiro: \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, de cuja primeira ocorr\u00eancia n\u00e3o estou certa, mas cuja primeira abordagem pela l\u00f3gica encontramos no Semin\u00e1rio 16,\u00a0De um Outro ao outro, em 1969 (1968-69\/2008, p. 40), e o detalhamento de seu alcance em \u201cRadiofonia\u201d, em 1970, quando Lacan (1970\/2003, p. 411) marca sua sa\u00edda do estruturalismo: \u201co significante n\u00e3o \u00e9 apropriado para dar corpo a uma f\u00f3rmula que seja da rela\u00e7\u00e3o sexual. Da\u00ed minha enuncia\u00e7\u00e3o: n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual \u2013 subentenda-se: formul\u00e1vel na estrutura\u201d.<\/p>\n<p>Em seguida, em rela\u00e7\u00e3o a esse enunciado, ele afirma, em\u00a0Mais, ainda: \u201cO que vem em supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual, \u00e9 precisamente o amor\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 62). Lacan vai contra uma vis\u00e3o plat\u00f4nica do amor concebido como reencontro da metade perdida, que faz do Outro sexo o complementar do primeiro em um ideal de fus\u00e3o (embora, como ele observa no Semin\u00e1rio 8, A transfer\u00eancia, Plat\u00e3o deixe essa perspectiva para Arist\u00f3fanes, o personagem c\u00f4mico do\u00a0Banquete). No entanto, n\u00e3o se encontra em Lacan uma posi\u00e7\u00e3o c\u00ednica ou de desilus\u00e3o t\u00e3o radical quanto a do Eremita, de\u00a0Atala, que n\u00e3o acredita em nenhuma reden\u00e7\u00e3o poss\u00edvel pelo amor na terra:<\/p>\n<blockquote><p>Sem d\u00favida, minha filha, os amores mais belos foram os daquele homem e daquela mulher, sa\u00eddos da m\u00e3o do Criador. Um para\u00edso havia sido formado para eles, eles eram inocentes e imortais. Perfeitos na alma e no corpo, eles se adequavam em tudo: Eva havia sido criada para Ad\u00e3o, e Ad\u00e3o para Eva. Se eles n\u00e3o puderam, no entanto, manter-se nesse estado de felicidade, que casais poder\u00e3o faz\u00ea-lo depois deles? N\u00e3o lhes falarei dos casamentos dos primog\u00eanitos dos homens, dessas uni\u00f5es inef\u00e1veis, quando a irm\u00e3 era a esposa do irm\u00e3o, que o amor e a amizade fraterna se confundiam no mesmo cora\u00e7\u00e3o, e que a pureza de uma aumentava os deleites da outra. Todas essas uni\u00f5es foram perturbadas; o ci\u00fame se insinuou no altar de relva onde se imolava o cabrito, reinou sob a tenda de Abra\u00e3o, e nesses leitos mesmo onde os patriarcas saboreavam tanta alegria, que esqueciam a morte de suas m\u00e3es. (CHATEAUBRIAND, 1964\/2014, p. 116-117, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/p><\/blockquote>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][vc_single_image image=&#8221;58737&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]Considerar o amor como supl\u00eancia \u00e0 n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual leva Lacan a apostar no la\u00e7o entre os inconcili\u00e1veis, tornado poss\u00edvel pela an\u00e1lise, quando esta alivia os ideais, sem, no entanto, fazer disso um novo dogma, apenas uma constata\u00e7\u00e3o sobre a maneira como os falasseres encontram solu\u00e7\u00f5es para sua solid\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o lacaniana do amor estaria, sem d\u00favida, mais pr\u00f3xima daquela de Baudelaire em\u00a0<em>Mon c\u0153ur mis \u00e0 nu <\/em>(O meu cora\u00e7\u00e3o desnudado), que me deu o t\u00edtulo:<\/p>\n<blockquote><p>O mundo s\u00f3 anda pelo mal-entendido.<\/p>\n<p>\u00c9 pelo mal-entendido universal que todo mundo se p\u00f5e de acordo.<\/p>\n<p>Pois se, por desgra\u00e7a, nos compreend\u00eassemos, nunca poder\u00edamos concordar.<\/p>\n<p>O homem de esp\u00edrito, aquele que nunca concordar\u00e1 com ningu\u00e9m, deve aplicar-se a amar a conversa\u00e7\u00e3o dos imbecis e a leitura de livros ruins. Ele obter\u00e1 disso gozos amargos que compensar\u00e3o amplamente seu cansa\u00e7o.<\/p>\n<p>(BAUDELAIRE, 1887, p. 46-47, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/p><\/blockquote>\n<ol>\n<li><strong> O lugar da pr\u00e1tica lacaniana<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Conv\u00e9m, antes de tudo, compreender o alcance do primeiro enunciado, \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d. J\u00e1 no Semin\u00e1rio 6,\u00a0O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o, Lacan havia marcado um afastamento de toda cren\u00e7a na supremacia do significante, o que o conduziu \u00e0 inven\u00e7\u00e3o do objeto\u00a0<em>a<\/em>, precisando, no Semin\u00e1rio 10,\u00a0A ang\u00fastia, que o que falta ao Outro n\u00e3o \u00e9 um significante, o falo, como ele havia afirmado at\u00e9 ent\u00e3o, mas um objeto real, fora da linguagem, instaurando, a partir de ent\u00e3o, o poder do Outro da linguagem, sua incid\u00eancia sobre o real. Jacques-Alain Miller ressalta, no entanto, em \u201cOs seis paradigmas do gozo\u201d, como, at\u00e9 o \u00faltimo ensino, o gozo permanece discursivo, \u00e9 veiculado na cadeia significante, entra em um sistema, como o atestam os quatro discursos, nos quais o objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0entra em fun\u00e7\u00e3o na escrita de um certo n\u00famero de rela\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">Considerar o amor como supl\u00eancia \u00e0 n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual leva Lacan a apostar no la\u00e7o entre os inconcili\u00e1veis, tornado poss\u00edvel pela an\u00e1lise, quando esta alivia os ideais, sem, no entanto, fazer disso um novo dogma, apenas uma constata\u00e7\u00e3o sobre a maneira como os falasseres encontram solu\u00e7\u00f5es para sua solid\u00e3o fundamental.<\/span><\/h3>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][vc_single_image image=&#8221;58737&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]Entre o jovem que apenas conseguiu amar outros homens e \u201cesta mulher j\u00e1 idosa, louca de escrever\u201d, a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o se inscreveu, tal como o sexo n\u00e3o se fez. Escrever diversos livros sobre esse louco amor os deixa aprisionados at\u00e9 a morte de M. Duras.<\/p>\n<p>Em \u201cO espa\u00e7o de um abra\u00e7o: Joyce Lom e sua mulher G(<em>love<\/em>)\u201d, acompanhamos o desenvolvimento realizado por S\u00e9rgio de Mattos, que nos esclarece por que \u201cLacan encontra em Joyce um exemplo extraordin\u00e1rio da constitui\u00e7\u00e3o de um corpo de gozo como um modo de lidar com a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o entre os sexos\u201d.<\/p>\n<p>No texto, n\u00e3o se trata do sintoma, categoria modal do necess\u00e1rio \u2013 \u201co que n\u00e3o cessa de se inscrever\u201d \u2013 para cada um. O sintoma \u00e9 da ordem do necess\u00e1rio, isto \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 saber no real sobre a sexualidade. \u00c9 que remete ao \u201cn\u00e3o cessa de n\u00e3o se inscrever\u201d, \u00e0 n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>No caso de Joyce e sua rela\u00e7\u00e3o com Nora, sua mulher, \u201ctrata-se da rela\u00e7\u00e3o entre o sujeito e o seu sinthoma\u201d; \u201c se h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, ela s\u00f3 existe no sentido restrito e deslocado em que o sujeito mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o com o seu pr\u00f3prio sinthoma \u2013 e n\u00e3o com o outro sexo. O autor nos afirma que Joyce n\u00e3o escreve a rela\u00e7\u00e3o sexual, mas o imposs\u00edvel dela. \u00c9 em Joyce que o aforismo \u2018n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u2019 pode ser uma&#8230; \u201cexce\u00e7\u00e3o po\u00e9tica\u201d.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][vc_single_image image=&#8221;58737&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]Miller (2012, p. 38) esclarece que \u201cLacan chegou at\u00e9 a propor uma rela\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria entre o significante e o gozo\u201d, considerando que \u201co significante representa o gozo\u201d, entre S<sub>1<\/sub> e S<sub>2<\/sub>, mais do que o sujeito. O Semin\u00e1rio 17,\u00a0O avesso da psican\u00e1lise, no qual Lacan constr\u00f3i os quatro discursos, \u00e9 sem d\u00favida o \u00e1pice dessa concep\u00e7\u00e3o, a partir do qual se inicia uma nova guinada. O Semin\u00e1rio 20,\u00a0Mais, ainda, marca a esse respeito, \u201cuma invers\u00e3o que incide sobre todo o percurso de Lacan\u201d, observa Jacques-Alain Miller (2012, p. 37-38): \u201cLacan, de fato, serra o galho sobre o qual havia posto todo o seu ensino, e isso implicar\u00e1, depois, na \u00faltima parte do seu ensino, um esfor\u00e7o para reconstituir um outro aparelho conceitual com os resqu\u00edcios do precedente\u201d. Jacques-Alain Miller designa esse novo paradigma precisamente como o da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o. Ali onde a linguagem e a estrutura tinham uma fun\u00e7\u00e3o de \u201ccaptura do organismo vivo\u201d (MILLER, 2012, p. 38), a n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o aparece como o limite do poder da estrutura. A palavra n\u00e3o \u00e9 mais concebida como comunica\u00e7\u00e3o, mas como gozo. \u201cEnquanto o gozo era, no ensino de Lacan, sempre secund\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao significante\u201d, ressalta Jacques-Alain Miller (2012, p. 38), \u201c\u00e9 necess\u00e1rio este sexto paradigma para que a linguagem e sua estrutura que eram, ent\u00e3o, tratadas como um dado prim\u00e1rio, apare\u00e7am como secund\u00e1rias e derivadas\u201d. \u00c9 a articula\u00e7\u00e3o S<sub>1<\/sub>-S<sub>2<\/sub>, o sentido, que se torna secund\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o a S<sub>1<\/sub>a, a marca do significante sobre o corpo que tem um efeito de gozo, de modo que Lacan privilegiar\u00e1 da\u00ed em diante a no\u00e7\u00e3o de signo sobre a de significante e afirmar\u00e1 que o significante \u00e9 a causa do gozo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">O Nome-do-Pai, por exemplo, enla\u00e7a os tr\u00eas elementos do n\u00f3, ele \u00e9 reduzido \u00e0 conex\u00e3o S<sub>1<\/sub>a, a uma fun\u00e7\u00e3o de nomea\u00e7\u00e3o do real, de letra; \u00e9 esse grampo primordial que pode enla\u00e7ar os tr\u00eas elementos do n\u00f3 borromeano.<\/span><\/h3>\n<p>Jacques-Alain Miller (2012, p. 38-39) observa que esse paradigma \u00e9 levado \u201cat\u00e9 que o antigo conceito da fala como comunica\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m o conceito do grande Outro, o Nome-do-Pai, o s\u00edmbolo f\u00e1lico se desmoronem como semblantes\u201d, ou seja, eles n\u00e3o s\u00e3o mais primordiais, estruturantes, mas derivados, fic\u00e7\u00f5es, mas a no\u00e7\u00e3o de semblante implica tamb\u00e9m que s\u00e3o termos situados entre o simb\u00f3lico e o real, onde \u201cacabam por ser reduzidos a uma fun\u00e7\u00e3o de grampo entre elementos fundamentalmente disjuntos\u201d. O Nome-do-Pai, por exemplo, enla\u00e7a os tr\u00eas elementos do n\u00f3, ele \u00e9 reduzido \u00e0 conex\u00e3o S<sub>1<\/sub>a, a uma fun\u00e7\u00e3o de nomea\u00e7\u00e3o do real, de letra; \u00e9 esse grampo primordial que pode enla\u00e7ar os tr\u00eas elementos do n\u00f3 borromeano. Da mesma forma, o falo nomeia o gozo materno e faz a liga\u00e7\u00e3o entre os sexos. \u201cTodos os termos que asseguravam a conjun\u00e7\u00e3o, em Lacan \u2013 o Outro, o Nome-do-Pai, o falo \u2013, que apareciam como termos primordiais, como termos que podiam at\u00e9 ser chamados de transcendentais, posto que condicionavam toda a experi\u00eancia, ficam reduzidos a conectores\u201d, observa Jacques-Alain Miller (2012, p. 39).[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][vc_single_image image=&#8221;58737&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">A ascens\u00e3o atual do cientificismo vem contrabalan\u00e7ar, recobrir, a confian\u00e7a perdida, notadamente alimentando a esperan\u00e7a de racionalizar os comportamentos humanos. Ao ignorar o gozo, ao excluir o pr\u00f3prio do homem, ela n\u00e3o pode sen\u00e3o se expor a um retorno massivo da puls\u00e3o de morte. A psican\u00e1lise lacaniana tem por \u00e9tica a b\u00fassola do gozo, aquela do \u201cisso falha\u201d, \u00fanica apta a contrariar um pouco a obra da puls\u00e3o de morte, ao cessar de ignor\u00e1-la.<\/span><\/h3>\n<p>Como aponta Jacques-Alain Miller, o homem manipula o real, o que d\u00e1 espa\u00e7o \u00e0 puls\u00e3o de morte, \u00e0 incid\u00eancia do gozo, que a ci\u00eancia deve, no entanto, desconhecer para ser operat\u00f3ria, que ela exclui de suas f\u00f3rmulas (Lacan mostra que a ci\u00eancia, para ser operat\u00f3ria, deve pretender a condi\u00e7\u00f5es de objetividade e excluir as incid\u00eancias do sujeito), mas que ent\u00e3o retorna \u00e0s cegas. A ascens\u00e3o atual do cientificismo vem contrabalan\u00e7ar, recobrir, a confian\u00e7a perdida, notadamente alimentando a esperan\u00e7a de racionalizar os comportamentos humanos. Ao ignorar o gozo, ao excluir o pr\u00f3prio do homem, ela n\u00e3o pode sen\u00e3o se expor a um retorno massivo da puls\u00e3o de morte. A psican\u00e1lise lacaniana tem por \u00e9tica a b\u00fassola do gozo, aquela do \u201cisso falha\u201d, \u00fanica apta a contrariar um pouco a obra da puls\u00e3o de morte, ao cessar de ignor\u00e1-la. Como afirma Jacques-Alain Miller (2005, p. 15), concluindo sua interven\u00e7\u00e3o sobre a promo\u00e7\u00e3o do amor no \u00faltimo ensino:<\/p>\n<p>A n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual d\u00e1 o <em>site<\/em> da pr\u00e1tica lacaniana. Isso deve ser entendido da seguinte maneira: olha-se a partir do enunciado que afirma: \u201ch\u00e1 saber no real\u201d e o \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d \u00e9 o que faz contrapeso com o enunciado que afirma \u201ch\u00e1 saber no real\u201d. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o sexual que faz obje\u00e7\u00e3o \u00e0 onipot\u00eancia do discurso da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Woody Allen nos d\u00e1 uma ilustra\u00e7\u00e3o contundente disso em\u00a0A magia ao luar\u00a0(Magic in the moonlight), no qual o her\u00f3i, um m\u00e1gico de esp\u00edrito racionalista, se deixa convencer, por uma jovem que se diz m\u00e9dium, da exist\u00eancia dos esp\u00edritos. Ele nega todo o tempo seus sentimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 jovem. Descobrindo que foi v\u00edtima de um embuste, ele deve, no entanto, admitir seu sentimento amoroso, cujo car\u00e1ter totalmente irracional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela que o enganou ele deve reconhecer. Sophie n\u00e3o tem a intelig\u00eancia de Olivia, sua companheira, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual ele se diz \u201cperfeitamente compat\u00edvel\u201d, mas perto da qual, no entanto, ele se apaga; mas \u00e9 o sorriso de Sophie que prevalece contra toda a raz\u00e3o e desmascara seu cinismo, autossufici\u00eancia e cegueira sobre sua parte irracional de humanidade.<\/p>\n<p><strong> Um Freud verdadeiramente lacaniano<\/strong><\/p>\n<p>O tema da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual leva ao mais-al\u00e9m de uma simples quest\u00e3o de relacionamento conjugal. O sexual est\u00e1 no cerne da psican\u00e1lise desde a inven\u00e7\u00e3o freudiana. Aqui est\u00e1 em jogo sua \u00e9tica, o que lhe d\u00e1 seu poder de interpreta\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o, assim como Freud o demonstra em seu\u00a0O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">Ser\u00edamos levados a traduzir que a psican\u00e1lise visa j\u00e1 a delimitar, a levar em conta, aquilo que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, l\u00e1 onde Freud considera os poetas limitados pelo que se escreve (estranhamente, ali\u00e1s, pois ele sustenta geralmente que eles v\u00e3o mais longe que a ci\u00eancia, mas talvez precisamente porque o escrito aqui, para ele, limita).<\/span><\/h3>\n<p>Comentando as \u201cContribui\u00e7\u00f5es para a psicologia da vida amorosa\u201d, de Freud, Jacques-Alain Miller (1998, p. 11, tradu\u00e7\u00e3o nossa) descobre, de fato, \u201cum Freud realmente lacaniano\u201d, fazendo \u201cum esfor\u00e7o para pensar a rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, desde que ele aborda o sexual a partir de seus impasses.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][vc_single_image image=&#8221;58737&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]Na primeira contribui\u00e7\u00e3o, \u201cSobre um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens\u201d, Freud (1910\/1996a, p. 171) anuncia, de fato, que quer se distinguir dos poetas, que, apesar de sua sensibilidade e de sua intui\u00e7\u00e3o da alma humana, modificam a realidade em prol da produ\u00e7\u00e3o de sentimentos e de efeitos est\u00e9ticos: \u201celes devem isolar partes da mesma, suprimir associa\u00e7\u00f5es perturbadoras, reduzir o todo e completar o que falta\u201d. Seu projeto \u00e9 submeter a investiga\u00e7\u00e3o da vida amorosa a um \u201ctratamento estritamente cient\u00edfico\u201d (FREUD, 1910\/1996a, p. 171), pelo qual se entende que se trata para ele de p\u00f4r em evid\u00eancia as lacunas. Se ele visa preench\u00ea-las estabelecendo as rela\u00e7\u00f5es que conv\u00eam e que explicariam seus impasses, \u00e9 bem a partir destes que ele aborda a vida amorosa, nisso ele \u00e9 \u201clacaniano\u201d. Ser\u00edamos levados a traduzir que a psican\u00e1lise visa j\u00e1 a delimitar, a levar em conta, aquilo que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, l\u00e1 onde Freud considera os poetas limitados pelo que se escreve (estranhamente, ali\u00e1s, pois ele sustenta geralmente que eles v\u00e3o mais longe que a ci\u00eancia, mas talvez precisamente porque o escrito aqui, para ele, limita).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">O \u00c9dipo revela-se, de certa maneira, como uma primeira abordagem do imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual, colocando em seu centro o gozo interditado, a castra\u00e7\u00e3o. Notemos, enfim, que Freud d\u00e1 a\u00ed igualmente uma primeira abordagem da dissimetria entre os sexos, que converge com as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o de Lacan, quando ele situa a mulher entre objeto narc\u00edsico e estranheza, suporte da identifica\u00e7\u00e3o pelo vi\u00e9s do mesmo, do falo, portanto, e outro misterioso, \u201ca mulher \u00e9 outra que o homem, ela aparece incompreens\u00edvel, cheia de segredos, estrangeira e por isso inimiga\u201d, n\u00e3o-toda na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, devido \u00e0 inexist\u00eancia do significante d\u2019A Mulher, ter\u00edamos vontade de traduzir, tal como aponta igualmente Jacques-Alain Miller.<\/span><\/h3>\n<p>Freud se dedica a descrever tipos de escolha de objeto nos neur\u00f3ticos, permitindo delimitar as condi\u00e7\u00f5es determinantes do amor. Ele isola o terceiro prejudicado, \u201cestipula que a pessoa em quest\u00e3o nunca escolher\u00e1 uma mulher sem compromisso, como seu objeto amoroso\u201d (FREUD, 1910\/1996a, p. 172);\u00a0 a condi\u00e7\u00e3o segundo a qual \u201ca mulher casta e de reputa\u00e7\u00e3o irrepreens\u00edvel nunca exerce atra\u00e7\u00e3o que a possa levar \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de objeto amoroso, mas apenas a mulher que \u00e9, de uma ou outra forma, sexualmente de m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o\u201d (FREUD, 1910\/1996a, p. 172); a condi\u00e7\u00e3o do rebaixamento para a escolha amorosa (que ele desenvolve na contribui\u00e7\u00e3o seguinte); enfim, a tend\u00eancia a salvar a mulher amada. Condi\u00e7\u00f5es tais que ele relaciona a uma fixa\u00e7\u00e3o da ternura da crian\u00e7a na m\u00e3e. A segunda contribui\u00e7\u00e3o: \u201cSobre a tend\u00eancia universal \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o na esfera do amor\u201d, trata dos fatores da \u201cimpot\u00eancia ps\u00edquica\u201d, inibi\u00e7\u00e3o que ele relaciona a uma particularidade do objeto sexual, a uma fixa\u00e7\u00e3o incestuosa n\u00e3o superada na m\u00e3e ou na irm\u00e3, na origem da disjun\u00e7\u00e3o do amor e do desejo. Enfim, na terceira, \u201cO tabu da virgindade\u201d, interessa-se pela exig\u00eancia de virgindade na civiliza\u00e7\u00e3o. Ele defende que a monogamia repousa sobre a sujei\u00e7\u00e3o sexual, como garantia de uma rela\u00e7\u00e3o de casal apaziguada&#8230; perspectiva que necessitaria de uma tradu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica lacaniana, desimaginarizada, esclarecendo que o parceiro sexual masculino \u00e9 o objeto pequeno\u00a0<em>a<\/em>. Essa \u00faltima contribui\u00e7\u00e3o conduz Freud sobretudo a interessar-se pelo tabu da feminilidade.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][vc_single_image image=&#8221;58742&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do car\u00e1ter heter\u00f3clito, ou mesmo surpreendente, dos temas dessas tr\u00eas contribui\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o desenvolverei, mas tamb\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o edipiana da vida amorosa que as re\u00fane, Jacques-Alain Miller observa que esses tr\u00eas textos convergem sobre a quest\u00e3o: \u201ccomo gozar de uma mulher?\u201d. Ora, ele nota que precisamente Freud n\u00e3o faz existir\u00a0A\u00a0Mulher, mas tipos de mulheres, que ele estende sobre os impasses das rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, marcadas pelo imposs\u00edvel, o que se coaduna com a acentua\u00e7\u00e3o da dissocia\u00e7\u00e3o entre amor e gozo. O amor sup\u00f5e uma substitui\u00e7\u00e3o poss\u00edvel; quando se trata de gozo, n\u00e3o h\u00e1 substitui\u00e7\u00e3o (MILLER, 1998). \u201cAlgo semelhante na natureza do pr\u00f3prio instinto sexual \u00e9 desfavor\u00e1vel \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o completa\u201d, esclarece Freud (1910\/1996b, p. 194), de fato, na segunda contribui\u00e7\u00e3o, quando o \u00c9dipo lhe serve para assinalar que essa s\u00f3 pode tender para \u201cuma sucess\u00e3o infind\u00e1vel de objetos substitutos\u201d objetos substitutos de um objeto perdido inicial e irrecuper\u00e1vel\u201d. O \u00c9dipo revela-se, de certa maneira, como uma primeira abordagem do imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual, colocando em seu centro o gozo interditado, a castra\u00e7\u00e3o. Notemos, enfim, que Freud d\u00e1 a\u00ed igualmente uma primeira abordagem da dissimetria entre os sexos, que converge com as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o de Lacan, quando ele situa a mulher entre objeto narc\u00edsico e estranheza, suporte da identifica\u00e7\u00e3o pelo vi\u00e9s do mesmo, do falo, portanto, e outro misterioso, \u201ca mulher \u00e9 outra que o homem, ela aparece incompreens\u00edvel, cheia de segredos, estrangeira e por isso inimiga\u201d, n\u00e3o-toda na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, devido \u00e0 inexist\u00eancia do significante d\u2019A Mulher, ter\u00edamos vontade de traduzir, tal como aponta igualmente Jacques-Alain Miller.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller (1998, p. 8, tradu\u00e7\u00e3o nossa) nota, enfim, que Freud inventa, com a psican\u00e1lise, com o amor de transfer\u00eancia, \u201cum novo amor\u201d, \u201cum novo tipo de Outro ao qual dirigir o amor: um novo Outro que d\u00e1 novas respostas ao amor\u201d, um amor que permanece, no entanto, desconhecimento, uma vez que visa velar o estatuto de dejeto de\u00a0<em>a<\/em>. A an\u00e1lise lacaniana tem por perspectiva desvelar este \u00faltimo, mas precisando as condi\u00e7\u00f5es do amor e apontando o gozo, ela permitiria buscar uma nova articula\u00e7\u00e3o sobre o fundo de um \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o\u201d imposs\u00edvel de reabsorver (MILLER, 1998). Pode-se entender assim o enunciado de Lacan: \u201co que vem em supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual, \u00e9 precisamente o amor\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 62).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>III. N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud colocava j\u00e1 no princ\u00edpio da psican\u00e1lise um imposs\u00edvel de estrutura, poder-se-ia dizer, no sentido em que o \u00c9dipo funda e estrutura as rela\u00e7\u00f5es humanas, um imposs\u00edvel, contudo, contingente \u00e0s necessidades da civiliza\u00e7\u00e3o. Lacan precisar\u00e1, em termos l\u00f3gicos, esse imposs\u00edvel, no momento em que se afasta do imperialismo da estrutura, para acentuar a \u00e9tica da orienta\u00e7\u00e3o para o real. \u201cConviria [&#8230;] n\u00e3o confundir o que acontece com a rela\u00e7\u00e3o [<em>rapport<\/em>], tomando esse termo no sentido l\u00f3gico, com a rela\u00e7\u00e3o que fundamenta a\u00a0 fun\u00e7\u00e3o conjunta dos dois sexos\u201d , afirmava Lacan (1968-69\/2008, p. 216) no Semin\u00e1rio 16,\u00a0De um Outro ao outro, iniciando o exame das coordenadas dessa quest\u00e3o, \u00e0 qual ele dar\u00e1 v\u00e1rias abordagens sucessivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se ele descarta o fato de a biologia poder definir uma rela\u00e7\u00e3o de necessidade entre o homem e a mulher, ele aponta antes a dissimetria cromoss\u00f4mica entre macho e f\u00eamea. Em seguida, recusa toda interpreta\u00e7\u00e3o do la\u00e7o entre os sexos, em termos de polaridade, \u00e0 semelhan\u00e7a dos campos magn\u00e9ticos (LACAN, 1968-69\/2008, p. 217).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan nota muito cedo que homem e mulher s\u00e3o efeitos de linguagem, apontando que Freud se limita a falar de posi\u00e7\u00e3o feminina ou masculina, uma vez que a cl\u00ednica n\u00e3o permite defender uma identifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do sujeito com o sexo biol\u00f3gico. Por outro lado, ele observa que o numeral \u201cdois\u201d se acha estreitamente misturado \u00e0 quest\u00e3o do sexo, em nossas associa\u00e7\u00f5es mentais. Assim, o fato de haver dois (sexos) n\u00e3o constitui somente \u201cum dos pilares fundamentais da realidade\u201d (LACAN, 1968-69\/2008, p. 216), mas o ponto de partida do estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, matem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ressalta, no entanto, que, elevado ao n\u00edvel da proposi\u00e7\u00e3o universal, esse par n\u00e3o \u00e9 mais operante, n\u00e3o define mais uma complementaridade l\u00f3gica:<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 poss\u00edvel enunciar isso, mesmo numa manipula\u00e7\u00e3o ing\u00eanua dos qualificativos? Por que uma proposi\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica n\u00e3o poderia ser habilitada, por exemplo, sob a forma <em>todos os machos da cria\u00e7\u00e3o<\/em>? Essa interroga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m comportaria outra pergunta: ser\u00e1 que <em>todos os n\u00e3o machos<\/em> quereria dizer <em>as f\u00eameas<\/em>? Os abismos abertos por tal recurso, que confia no princ\u00edpio da contradi\u00e7\u00e3o, talvez tamb\u00e9m pudessem ser tomados no outro sentido. Isso faria com que nos interrog\u00e1ssemos, num procedimento que anunciei h\u00e1 pouco, sobre o que o pr\u00f3prio recurso ao princ\u00edpio de contradi\u00e7\u00e3o pode conter de implica\u00e7\u00e3o sexual. (LACAN, 1968-69\/2008, p. 217)<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodos os n\u00e3o-machos\u201d n\u00e3o \u00e9 equivalente a \u201ctodas as f\u00eameas\u201d, mas abre para o espa\u00e7o infinito. Lacan aborda a\u00ed um dos pontos que o conduzir\u00e3o a precisar, com a teoria dos conjuntos, a imposs\u00edvel rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica entre os sexos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 a m\u00ednima realidade pr\u00e9-discursiva, pela simples raz\u00e3o de que o que faz coletividade, e que chamei de os homens, as mulheres e as crian\u00e7as, isto n\u00e3o quer dizer nada como realidade pr\u00e9-discursiva. Os homens, as mulheres e as crian\u00e7as, n\u00e3o s\u00e3o mais do que significantes\u201d, afirma mais uma vez Lacan (1972-73\/1985, p. 46), em\u00a0Mais, ainda. Ele descarta toda ideia de uma rela\u00e7\u00e3o natural entre os sexos, ressaltando que a sexua\u00e7\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o e de linguagem. Sublinha, no entanto, a dissimetria entre os termos homem e mulher:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um homem, isto n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um significante. Um homem procura uma mulher \u2013 isto vai lhes parecer curioso \u2013 a t\u00edtulo do que se situa pelo discurso, pois, se o que aqui coloco \u00e9 verdadeiro, isto \u00e9, que a mulher n\u00e3o \u00e9 toda, h\u00e1 sempre alguma coisa nela que escapa ao discurso. (LACAN, 1972-73\/1985, p. 46)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outras palavras, ele corrige a asser\u00e7\u00e3o precedente lembrando que n\u00e3o existe sen\u00e3o um \u00fanico significante da diferen\u00e7a sexual, o Falo, aquele cuja marca faz o homem. Conv\u00e9m distinguir os termos do discurso corrente \u201chomem\u201d e \u201cmulher\u201d, que s\u00e3o S<sub>2<\/sub>, significantes da l\u00edngua comum, da dimens\u00e3o do significante como marca, como S<sub>1<\/sub>, ou mesmo como letra (a isso voltaremos), \u00e0 semelhan\u00e7a do significante f\u00e1lico. \u00c9 desse \u00fanico ponto de vista que n\u00e3o existe um significante d\u2019A Mulher, como ele ainda esclarecer\u00e1. N\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o um \u00fanico significante da diferen\u00e7a dos sexos, definindo-se a posi\u00e7\u00e3o feminina, em primeiro lugar, negativamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o masculina, como n\u00e3o tendo o falo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como indicar\u00e1 Lacan (1968-69\/2008, p. 216) em De um Outro ao outro:<\/p>\n<blockquote><p>a l\u00f3gica freudiana, [&#8230;] indica-nos com clareza que n\u00e3o pode funcionar em termos polares. Tudo o que ela introduziu como l\u00f3gica do sexo decorre de um \u00fanico termo, que \u00e9 realmente seu termo original, que \u00e9 a conota\u00e7\u00e3o de uma falta, e que se chama castra\u00e7\u00e3o. Esse <em>menos<\/em> essencial \u00e9 de ordem l\u00f3gica, e sem ele nada pode funcionar. Tanto no homem quanto na mulher, toda normatividade se organiza em torno da transmiss\u00e3o de uma falta.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse termo que conota e \u201cpassa\u201d a falta \u00e9 o falo. Lembrando que o falo \u00e9 o significante da castra\u00e7\u00e3o, o que nomeia o que falta ao Outro (materno), e ele p\u00f5e em valor sua fun\u00e7\u00e3o particular na sexua\u00e7\u00e3o, que faz dele um termo piv\u00f4, indispens\u00e1vel e insubstitu\u00edvel, o \u00fanico que interv\u00e9m no n\u00edvel da sexua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse Semin\u00e1rio, Lacan (1968-69\/2008, p. 220) assim o precisa:<\/p>\n<blockquote><p>O que eu lhes disse \u2013 que n\u00e3o existe rela\u00e7\u00e3o sexual \u2013, se h\u00e1 um ponto em que isso se afirma na an\u00e1lise, e tranquilamente, \u00e9 que a Mulher, n\u00e3o sabemos o que \u00e9 isso. Ela \u00e9 desconhecida no lugar \u2013 a n\u00e3o ser, gra\u00e7as a Deus, por representa\u00e7\u00f5es. Desde sempre, nunca foi conhecida sen\u00e3o desse modo. Se a psican\u00e1lise destaca justamente alguma coisa, \u00e9 s\u00f3 que a conhecemos por um ou mais representantes da representa\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o que Lacan retoma em\u00a0Mais, ainda, ao distinguir o significante do lado homem e o conhecimento que se tem da mulher pelo discurso. J\u00e1 em\u00a0De um Outro ao outro, aborda a quest\u00e3o da sexua\u00e7\u00e3o feminina a partir de uma falta de significante relativa ao fato do falo ser o \u00fanico significante da diferen\u00e7a sexual:<\/p>\n<blockquote><p>Se em sua ess\u00eancia a Mulher \u00e9 alguma coisa, e disso nada sabemos, ela \u00e9 t\u00e3o recalcada para a mulher quanto para o homem. E o \u00e9 duplamente. Primeiro no sentido de que o representante de sua representa\u00e7\u00e3o est\u00e1 perdido, de que n\u00e3o se sabe o que \u00e9 a Mulher. Depois, porque esse representante, quando \u00e9 recuperado, \u00e9 objeto de uma <em>Verneinung<\/em>. Que outra coisa sen\u00e3o uma denega\u00e7\u00e3o \u00e9 lhe atribuir como caracter\u00edstica o n\u00e3o ter precisamente aquilo que nunca se tratou que ela tivesse? \u00c9 somente por esse \u00e2ngulo, no entanto, que a Mulher aparece na l\u00f3gica freudiana \u2013 um representante inadequado, de lado, o falo, e em seguida a nega\u00e7\u00e3o de que ela o tenha, isto \u00e9, a reafirma\u00e7\u00e3o de sua solidariedade com esse treco, que talvez seja mesmo seu representante, mas que n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com ela. Por si s\u00f3, isso deveria dar-nos uma aulinha de l\u00f3gica, e permitir-nos ver que o que falta ao conjunto dessa l\u00f3gica \u00e9 precisamente o significante sexual. (LACAN, 1968-69\/2008, p. 221)<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, Lacan (1968-69\/2008, p. 222) constata que, na pr\u00e9-hist\u00f3ria, as estatuetas de mulher as representavam sob a forma de um \u201cbal\u00e3ozinho\u201d, apontando uma falta em termos de forma, de representa\u00e7\u00e3o. Ele voltar\u00e1 sempre \u00e0 particularidade do significante f\u00e1lico, causa da aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o entre os sexos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fun\u00e7\u00e3o dita do falo \u2013 ele enuncia, em\u00a0De um discurso que n\u00e3o fosse do semblante, que \u00e9, a bem dizer, a mais mal manejada, mas que est\u00e1 a\u00ed e funciona no que concerne a uma experi\u00eancia, que n\u00e3o est\u00e1 somente ligada a n\u00e3o sei o qu\u00ea que seria considerado desviante, patol\u00f3gico, mas que \u00e9 essencial enquanto tal \u00e0 institui\u00e7\u00e3o do discurso anal\u00edtico \u2013, essa fun\u00e7\u00e3o do falo torna doravante insustent\u00e1vel a bipolaridade sexual, e insustent\u00e1vel de uma forma que volatiliza literalmente o que se pode escrever dessa rela\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 preciso distinguir o que sucede com essa intromiss\u00e3o do falo do que alguns acreditaram pode traduzir pela express\u00e3o <em>falta de significante<\/em>. N\u00e3o \u00e9 de falta de significante que se trata, mas do obst\u00e1culo feito a uma rela\u00e7\u00e3o\u201d (LACAN, 1971\/2009, p. 62).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o natural entre o homem e a mulher porque a sexua\u00e7\u00e3o e a sexualidade n\u00e3o se situam sen\u00e3o pelo significante e pelo significante particular, que \u00e9 o falo, como mediador entre os sexos, aquele que orienta o gozo sexual, do qual ele parte<\/span><\/h3>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]Lacan (1971-72\/2012, p. 69) ressalta, em\u00a0&#8230;ou pior, que \u00e9 \u201cmais com o F mai\u00fasculo que com o outro, o parceiro, que todos se relacionam\u201d. N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o natural entre o homem e a mulher porque a sexua\u00e7\u00e3o e a sexualidade n\u00e3o se situam sen\u00e3o pelo significante e pelo significante particular, que \u00e9 o falo, como mediador entre os sexos, aquele que orienta o gozo sexual, do qual ele parte, assim como formula Lacan (1972-73\/1985, p. 15-16) em\u00a0Mais, ainda, embora o gozo do corpo do Outro n\u00e3o dependa disso (ele depende de\u00a0<em>a<\/em>). \u201cO gozo f\u00e1lico \u00e9 o obst\u00e1culo pelo qual o homem n\u00e3o chega, eu diria, a gozar do corpo da mulher, precisamente porque o de que ele goza \u00e9 do gozo do \u00f3rg\u00e3o\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 15), ele enuncia; isto \u00e9, que o homem n\u00e3o aborda o Outro sexo sen\u00e3o por interm\u00e9dio do significante f\u00e1lico (que Lacan reporta ent\u00e3o aos caracteres sexuais secund\u00e1rios concebidos como tra\u00e7o sobre o corpo, precisando que \u201cNada distingue a mulher como ser sexuado sen\u00e3o justamente o sexo\u201d). Ele nota mais adiante que o gozo \u00e9 aparelhado pela linguagem, e que \u201ca realidade \u00e9 abordada com os aparelhos do gozo\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 75), em outras palavras, que o falo \u00e9 um desses aparelhos do gozo que serve para abordar o Outro sexo. Todavia, indica igualmente, no Semin\u00e1rio\u00a0De um discurso que n\u00e3o fosse do semblante, que o falo n\u00e3o \u00e9 por isso um meio, pois do lado da mulher subsiste algo de desconhecido, que n\u00e3o se deixa nomear (LACAN, 1971\/2009, p. 132-133). Por outro lado, o homem n\u00e3o aborda o Outro sexo sen\u00e3o colocando em jogo o falo, como aquilo que o faz homem, aquilo de que ele goza. \u201cO gozo, enquanto sexual, \u00e9 f\u00e1lico, quer dizer, ele n\u00e3o se relaciona ao Outro como tal\u201d, indica Lacan (1972-73\/1985, p. 17-18).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Lacan prolongar\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de sua afirma\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d ao delimitar as consequ\u00eancias da especificidade do falo como \u00fanico significante da diferen\u00e7a dos sexos, assim como da consequente aus\u00eancia de um significante d\u2019A Mulher, precisando a no\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o, em sua dimens\u00e3o de escrita l\u00f3gica.<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/trilhamentos003.png\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"732\" data-large_image_height=\"736\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-58745 aligncenter\" src=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/trilhamentos003.png\" alt=\"\" width=\"732\" height=\"736\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/trilhamentos003.png 732w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/trilhamentos003-298x300.png 298w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/trilhamentos003-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 732px) 100vw, 732px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ele explora os paradoxos da nega\u00e7\u00e3o, precisando primeiramente que\u00a0n\u00e3o x\u00a0\u00e9 o espa\u00e7o infinito. \u00c9 a partir da\u00ed que ele se apoiar\u00e1 na l\u00f3gica dos conjuntos para situar a dissimetria entre homens e mulheres. Se homem e mulher n\u00e3o se definem sen\u00e3o a partir do significante f\u00e1lico, ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 significante d\u2019A Mulher, significante espec\u00edfico \u00e0 altura do falo para as mulheres. Todavia, Lacan n\u00e3o se limitar\u00e1 a uma defini\u00e7\u00e3o pela negativa \u2013 elas n\u00e3o s\u00e3o n\u00e3o-homens \u2013, ali\u00e1s, precisamente, a nega\u00e7\u00e3o abre para o espa\u00e7o infinito, ou seja, precisamente para uma aus\u00eancia de nomea\u00e7\u00e3o, para a aus\u00eancia de um conjunto fechado, definindo um universal do tipo \u201ctodas as mulheres\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Ele indica, ent\u00e3o, que as mulheres n\u00e3o est\u00e3o todas na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, que uma parte de seu gozo n\u00e3o est\u00e1 correlacionada ao falo, mas \u00e0 falta de um significante para dizer seu ser, e postula para as mulheres um gozo suplementar ligado a essa falta de ser, um gozo dessa falta de ser, de nome. Ele precisa esse ponto com a teoria dos conjuntos, distinguindo o Um do elemento e o Um do conjunto (LACAN, 1971-72\/2012).<\/p>\n<p>Para fechar um conjunto, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer uma cole\u00e7\u00e3o que se possa reunir sob um mesmo significante. Ora, \u00e9 precisamente esse Um do conjunto que falta do lado mulher, o que faz com que n\u00e3o se possa fechar o conjunto das mulheres, permanecendo este um conjunto aberto, infinito. O significante f\u00e1lico tampouco serve para fechar esse conjunto, delimit\u00e1-lo, defini-lo; assim, as mulheres n\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m todas na subordina\u00e7\u00e3o ao falo. Lacan define antes a posi\u00e7\u00e3o feminina em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 falta de um significante para dizer seu ser.<\/p>\n<p>Com o n\u00e3o-todo, Lacan introduz igualmente um infinito que vem furar o todo de alguma maneira. Jacques-Alain Miller (2008), em <em>El partenaire-s\u00edntoma<\/em>, escreve o n\u00e3o-todo por um compartimento hachurado no interior do todo, em sua borda, designando um limite no todo, ressaltando assim a particularidade do n\u00e3o-todo de subverter tamb\u00e9m o todo. \u00c9 assim que o n\u00e3o-todo se generaliza no \u00faltimo ensino, quando Lacan enfatiza um gozo n\u00e3o-todo f\u00e1lico, n\u00e3o edipiano, no n\u00edvel do sinthoma, rompendo definitivamente com uma perspectiva edipiana.<\/p>\n<p>Assim, o gozo das mulheres se divide entre gozo f\u00e1lico e gozo feminino. Por um lado, uma mulher espera de um homem um suplemento de ser, uma nomea\u00e7\u00e3o, seu gozo tende para o falo compreendido como o significante que falta ao Outro (ver as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o). Por outro lado, ela goza dessa pr\u00f3pria falta de um significante para nome\u00e1-la, ou seja, de S(\u023a), \u201cesse significante, como esse par\u00eantese aberto, marca o Outro como barrado \u2013 S(\u023a)\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 20), da falta de um significante no Outro, um gozo propriamente feminino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0 \u00a0Conforme o Semin\u00e1rio 18: \u201co <em>todas as mulheres<\/em> n\u00e3o existe. N\u00e3o existe universal da mulher. \u00c9 isso que \u00e9 levantado por um questionamento do falo, e n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d (LACAN, 1971\/2009. p. 64).[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]O conjunto dos homens, por sua vez, \u00e9 fechado. O falo \u00e9 o significante que lhe d\u00e1 o Um, constituindo a possibilidade de dizer \u201ctodos os homens\u201d, de definir um universal. Todavia, Lacan (1972-73\/1985, p. 107) se apoia igualmente na l\u00f3gica para situar o falo como uma fun\u00e7\u00e3o, e esclarece que essa fun\u00e7\u00e3o l\u00f3gica encontra seu limite no postulado de um elemento que a contradiz: a fun\u00e7\u00e3o paterna (\u2203x\u00a0\u03a6x).<\/p>\n<p>As f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o definem uma dissimetria fundamental entre a posi\u00e7\u00e3o masculina e a posi\u00e7\u00e3o feminina, das quais Lacan precisa bem que se tratam de posi\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e que homens e mulheres podem se inscrever de cada lado do quadro, sem que se escreva uma rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica entre os termos do quadro. Em termos de gozo, Lacan nota, do lado mulher, a divis\u00e3o entre gozo f\u00e1lico e gozo feminino; do lado homem, a divis\u00e3o entre gozo e amor. De um lado, o gozo f\u00e1lico, como gozo do \u00f3rg\u00e3o: o falo est\u00e1 colocado do lado homem; do outro S\u00a0\u2192 a,\u00a0a\u00a0est\u00e1 situado do lado mulher, \u201co objeto que se p\u00f5e no lugar daquilo que, do Outro, n\u00e3o poderia ser percebido\u201d, no lugar do \u201cparceiro que falta\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 85-86). Notemos que homens e mulheres, na medida em que se trata a\u00ed de posi\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas, cabem nos dois lados do quadro. Todavia, a dissimetria deste interpreta a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>O filme de Woody Allen intitulado <em>Voc\u00ea vai conhecer o homem dos seus sonhos<\/em> (You will meet a tall dark stranger) ilustra as manifesta\u00e7\u00f5es da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Nenhuma afinidade social, intelectual, familiar (os filhos) basta para assegurar a perenidade dos casais, a n\u00e3o ser um gr\u00e3o de loucura. Assim, s\u00f3 aquele formado por Elena, a m\u00e3e que p\u00f5e sua vida nas m\u00e3os de uma vidente, e Jonathan, que tem uma livraria oculta, cr\u00ea na comunica\u00e7\u00e3o com os mortos e pede \u00e0 sua falecida esposa autoriza\u00e7\u00e3o para formar um casal com Elena, parece destinado a um certo futuro.<\/p>\n<p>A filha de Elena, casada com um escritor malsucedido, espera que ele consinta em lhe dar um filho e se impacienta com seus fracassos editoriais, enquanto brilha a seus olhos o diretor da galeria para o qual ela trabalha e a quem se esfor\u00e7a em satisfazer. Ela \u00e9 tocada por suas aten\u00e7\u00f5es (ele a leva \u00e0 \u00d3pera porque sua esposa n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel (!) e fala de si para ela), suas palavras, a posi\u00e7\u00e3o de exce\u00e7\u00e3o que ele parece lhe conferir em seu trabalho e para al\u00e9m dele. A personagem ilustra a vers\u00e3o feminina da busca f\u00e1lica: uma palavra de amor que a coloca em posi\u00e7\u00e3o de exce\u00e7\u00e3o, que a nomeia. Mas o gozo do patr\u00e3o est\u00e1 em outro lugar, voltado para a artista que lhe oferece uma aventura sem promessa de amanh\u00e3, para aquela que se faz enigma, objeto causa de seu desejo.<\/p>\n<p>O escritor, a quem falta autoestima, e cuja esposa recusa suas expectativas sexuais se ele n\u00e3o lhe promete um filho, buscar\u00e1 sustentar suas ins\u00edgnias f\u00e1licas junto \u00e0 jovem e misteriosa musicista do pr\u00e9dio em frente, que se deixar\u00e1 levar pela impostura do grande escritor (ele publica sob seu nome o manuscrito de um amigo que ele cr\u00ea morto). Encarna\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o masculina do gozo f\u00e1lico, ele goza de ser um homem brilhante junto a ela e escolhe, por outro lado, aquela que consente com seu desejo sexual.<\/p>\n<p>Enfim, Lacan precisa o que ele entende por rela\u00e7\u00e3o. Uma rela\u00e7\u00e3o \u00e9 o que se escreve, notadamente, sob a forma de uma f\u00f3rmula matem\u00e1tica estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica. Para delimitar a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, ele passa, antes de tudo, pela l\u00f3gica das rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>[a f\u00f3rmula \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d] ela s\u00f3 tem suporte na escrita, no que a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o se pode escrever. Tudo que \u00e9 escrito parte do fato de que ser\u00e1 para sempre imposs\u00edvel escrever como tal a rela\u00e7\u00e3o sexual. \u00c9 da\u00ed que h\u00e1 um certo efeito do discurso que se chama a escrita.<\/p>\n<p>Podemos, a rigor, escrever <em>x R y<\/em>, e dizer que <em>x<\/em> \u00e9 o homem, que <em>y<\/em> \u00e9 a mulher e <em>R<\/em> \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o sexual. Por que n\u00e3o? S\u00f3 que \u00e9 uma besteira, porque o que se suporta sob a fun\u00e7\u00e3o do significante, de homem, e de mulher, s\u00e3o apenas significantes absolutamente ligados ao uso discorrente da linguagem. (LACAN, 1972-73\/1985, p. 49)<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode escrever\u00a0x R y\u00a0porque n\u00e3o h\u00e1\u00a0<em>y<\/em>, n\u00e3o h\u00e1 significante d\u2019A Mulher.<\/p>\n<ol>\n<li><strong> O amor<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Ele esclarece, ent\u00e3o, a distin\u00e7\u00e3o entre o que se escreve e o que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever com a ajuda da escrita da rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica sob a forma de uma barra que separa e que liga dois elementos. \u201cA barra\u201d, indica Lacan (1972-73\/1985, p. 49), \u201c\u00e9 precisamente o ponto onde, em qualquer uso da l\u00edngua, se d\u00e1 a oportunidade de que se produza o escrito\u201d. Essa barra \u00e9 tamb\u00e9m aquela que separa o significante e o significado no algoritmo de Saussure (que ele inverte e escreve S\/s), que se insinua entre eles, como um outro efeito da linguagem (al\u00e9m daquele de significar). A fun\u00e7\u00e3o do escrito, da letra, se acrescenta \u00e0quela da signific\u00e2ncia, mas \u201co escrito\u201d, esclarece ele, \u201cn\u00e3o \u00e9 algo para ser compreendido\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 49). Lacan (1972-73\/1985, p. 61) toma como exemplo a letra matem\u00e1tica, fora do sentido, que visa um real. Ela \u00e9 o que se articula dos efeitos de linguagem, \u201crevela\u201d a gram\u00e1tica (as letras matem\u00e1ticas essenciais, operat\u00f3rias, s\u00e3o as letras das fun\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas que as vari\u00e1veis p\u00f5e em evid\u00eancia, realizam). A letra matem\u00e1tica n\u00e3o visa o sentido, mas \u201cessa articula\u00e7\u00e3o se faz naquilo que resulta da linguagem, o que quer que fa\u00e7amos, isto \u00e9, um suposto aqu\u00e9m, e um al\u00e9m\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 61); em outras palavras, ela aponta para o real, para uma escrita deste \u00faltimo. A letra estabelece uma rela\u00e7\u00e3o entre dois termos e, mais precisamente, tal como ele a define em \u201cLituraterra\u201d (LACAN, 1971\/2003), entre simb\u00f3lico e real, o tra\u00e7o un\u00e1rio e o objeto, S<sub>1<\/sub> e\u00a0<em>a<\/em>. A letra tem uma fun\u00e7\u00e3o litoral, de borda, ela est\u00e1 em contato com dois elementos heterog\u00eaneos, \u201csem medida comum\u201d, que fazem borda um para o outro. A escrita \u00e9 um efeito que se acrescenta \u00e0 linguagem, al\u00e9m da signific\u00e2ncia, do la\u00e7o e da ruptura significante\/significado, e visa o real.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o h\u00e1 escrita da rela\u00e7\u00e3o sexual, pois os elementos significantes, homem e mulher, os S<sub>2<\/sub>, pertencentes ao discurso corrente, n\u00e3o podem se ligar sen\u00e3o acima da barra do algoritmo saussuriano (no n\u00edvel do significante). Devido \u00e0 falta do significante d\u2019A Mulher, n\u00e3o pode haver liga\u00e7\u00e3o l\u00f3gica entre dois elementos distintos, mas igualmente liga\u00e7\u00e3o da ordem de uma letra que enla\u00e7a intimamente duas dimens\u00f5es heterog\u00eaneas, pois se o significante d\u2019A Mulher existisse, seria de qualquer forma entre dois significantes que tal liga\u00e7\u00e3o se operaria.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]Em contrapartida, o quadro das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o faz aparecer a fun\u00e7\u00e3o da letra no n\u00edvel do amor (S\u00a0\u00ae\u00a0a). Notemos que a seta liga ent\u00e3o a parte homem do quadro \u00e0 parte mulher, ela transp\u00f5e uma borda.<\/p>\n<p>Por v\u00e1rias vezes no Semin\u00e1rio 20 Lacan (1972-73\/1985, p. 113) situa o amor do lado da fun\u00e7\u00e3o da letra: \u201ca \u00fanica coisa que se pode fazer um pouco de s\u00e9rio, a letra da carta de amor\u201d, ele enuncia, jogando com o equ\u00edvoco do termo \u201ccarta\/letra\u201d (lettre), mas apontando o quanto a pr\u00e1tica epistolar no amor n\u00e3o tem nada de acidental.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 sempre rec\u00edproco, afirma ele, porque o desejo do homem \u00e9 o desejo do Outro, como ele havia podido colocar desde o Semin\u00e1rio 5, precisando que o desejo \u00e9 desejo de desejo, ou seja, desejo de ser desejado, que o desejo \u00e9 contingente \u00e0 suposi\u00e7\u00e3o de um desejo no Outro, mas por causa de sua falha. No Semin\u00e1rio 8, A transfer\u00eancia, Lacan (1971\/2009, p. 435) esclarecia igualmente que o amor est\u00e1 correlacionado \u00e0 falta e, portanto, ao significante, que sua met\u00e1fora repousa na substitui\u00e7\u00e3o do desejante que coloca o parceiro no lugar de objeto do desejo em vez de desejado, pois o que \u00e9 desejado \u00e9 o desejante no outro, \u201co que s\u00f3 se pode fazer se o pr\u00f3prio sujeito for colocado como desej\u00e1vel\u201d. A demanda de amor parte da falha no Outro, ela \u00e9 demanda de ser amado, mas ela visa ao ser, o complemento de ser que nos falta, \u201cisto \u00e9, aquilo que, na linguagem, mais escapa\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 55). \u201cA linguagem nos imp\u00f5e o ser\u201d, indica Lacan (1972-73\/1985, p. 61), \u201ce nos obriga como tal a admitir que, do ser, nunca temos nada\u201d. O sujeito busca em seu parceiro este semblante de ser suposto a este objeto que \u00e9 o\u00a0<em>a<\/em>, esclarece ele ainda nesse Semin\u00e1rio (LACAN, 1972-73\/1985, p. 124). \u201cA abordagem do ser, n\u00e3o \u00e9 a\u00ed que reside o extremo do amor?\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 200). Assim, o amor visa o objeto \u201csubstituto do Outro\u201d, (LACAN, 1972-73\/1985, p. 171) do qual depende o gozo, que o causa.<\/p>\n<blockquote><p>Contrariamente ao que adianta Freud, \u00e9 o homem \u2013 quero dizer, aquele que se v\u00ea macho sem saber o que fazer disto, no que sendo falante \u2013 que aborda a mulher, que pode crer que a aborda, porque, com respeito a isto, as convic\u00e7\u00f5es, aquelas de que eu falava da \u00faltima vez, as <em>c\u00e3o-vic\u00e7\u00f5es<\/em>, n\u00e3o faltam. S\u00f3 que, o que ele aborda, \u00e9 a causa de seu desejo, que eu designei pelo objeto <em>a<\/em>. A\u00ed est\u00e1 o ato de amor. (LACAN, 1972-73\/1985, p. 98)<\/p><\/blockquote>\n<p>O verbo \u201cabordar\u201d n\u00e3o est\u00e1 a\u00ed por acaso, pois ele ressalta precisamente que o amor \u00e9 o estabelecimento de uma borda, entre S e\u00a0<em>a<\/em>, S que ele remete um pouco mais acima ao um sozinho, ao S<sub>1<\/sub>. Ele enuncia mais adiante: \u201cDo lado do homem, inscrevi aqui [&#8230;] o $, e o \u03a6 que o suporta como significante, o que bem se encarna tamb\u00e9m no S1\u201d, indicando \u201ceste $ assim duplicado desse significante do qual em suma ele nem mesmo depende, esse $ s\u00f3 tem a ver, enquanto parceiro, com o objeto a inscrito do outro lado da barra\u201d LACAN, 1972-73\/1985, p. 107-108). O amor em\u00a0Mais, ainda\u00a0\u00e9 uma primeira escrita daquilo que ser\u00e1 o sinthoma S<sub>1<\/sub>a. \u00c9 nesse sentido que o amor \u00e9 um funcionamento da letra e que Lacan (1972-73\/1985, p. 62) pode afirmar que \u201co que faz supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 precisamente o amor\u201d. Ele aponta ainda a dimens\u00e3o de letra do amor quando ressalta que ele liga o Um e o Outro por interm\u00e9dio de\u00a0<em>a<\/em>\u00a0(LACAN, 1972-73\/1985, p. 67). Ele precisar\u00e1 igualmente nesse Semin\u00e1rio que a fun\u00e7\u00e3o de borda da letra \u00e9 sustentada pela dimens\u00e3o de semblante do objeto\u00a0<em>a<\/em>, entre simb\u00f3lico e real, o objeto\u00a0<em>a\u00a0<\/em>\u00e9 um recorte no real, um \u201cpeda\u00e7o de real\u201d, \u00e9 o que lhe permite se confundir com o\u00a0 S<sub>1<\/sub>. O amor \u00e9 o que faz com que isso cesse de n\u00e3o se escrever, ou, mais precisamente, nota Lacan (1972-73\/1985, p. 198-199), o que faz \u201cpassar a nega\u00e7\u00e3o ao <em>n\u00e3o p\u00e1ra de se escrever<\/em>, n\u00e3o p\u00e1ra, n\u00e3o parar\u00e1\u201d,\u00a0 eco de sua asser\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do Semin\u00e1rio: \u201cO amor demanda o amor. Ele n\u00e3o deixa de demand\u00e1-lo. Ele o demanda&#8230; <em>mais&#8230; ainda<\/em>\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 12), apontando o lado insaci\u00e1vel do amor, insatisfat\u00f3rio, sempre a reescrever. Lacan n\u00e3o adota nenhum ponto de vista idealista.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">O amor em\u00a0Mais, ainda\u00a0\u00e9 uma primeira escrita daquilo que ser\u00e1 o sinthoma S1a. \u00c9 nesse sentido que o amor \u00e9 um funcionamento da letra e que Lacan (1972-73\/1985, p. 62) pode afirmar que \u201co que faz supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 precisamente o amor\u201d.<\/span><\/h3>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]N\u00e3o obstante, Jacques-Alain Miller (2005, p. 18) observa que \u201ca quest\u00e3o do amor a partir do Semin\u00e1rio\u00a0Mais, ainda\u00a0conhece uma promo\u00e7\u00e3o toda especial, porque o amor \u00e9 o que podia fazer media\u00e7\u00e3o entre os um-sozinhos\u201d. Outro efeito da escrita que ele produz: o amor liga, ele vai ao avesso da solid\u00e3o fundamental da civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea baseada na promo\u00e7\u00e3o de um gozo solit\u00e1rio. Pensemos ainda no transtorno produzido pela chegada de Sophie na vida do m\u00e1gico de\u00a0A magia ao luar, desalojado da solid\u00e3o de suas pesquisas, isolado em seu escrit\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o: De Yann Andrea a Woody Allen<\/strong><\/p>\n<p>Para concluir, ilustremos pela negativa o que significaria se houvesse a rela\u00e7\u00e3o sexual, como por vezes na psicose. O la\u00e7o que une Yann Andrea a Marguerite Duras \u00e9 exemplar. \u00daltimo companheiro dela, ele atesta, em seu livro intitulado\u00a0Este amor, a particularidade desse la\u00e7o. P\u00e1gina em branco, aquele que diz de si, depois da morte dela, que ele \u00e9 uma lata de lixo, incapaz de se virar sozinho e que se deixar\u00e1 morrer, se define assim: \u201cN\u00e3o estou preso a nada. Disponho de uma formid\u00e1vel capacidade de n\u00e3o fazer nada, absolutamente nada. N\u00e3o vale a pena\u201d (ANDREA, 1999, p. 122, tradu\u00e7\u00e3o nossa), sua exist\u00eancia se resume a olhar e estar a\u00ed, deixando entender claramente sua identifica\u00e7\u00e3o ao objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0que, n\u00e3o extra\u00eddo, n\u00e3o \u00e9 colocado no Outro, n\u00e3o atrai nenhum desejo. Sonhando ser escritor, ele se agarrou, num encontro improv\u00e1vel, a Marguerite Duras, pondo-se a servi\u00e7o de sua escrita, transcrevendo o que ela ditava. Ela lhe deu um nome, literalmente. Ela ocupa o lugar de Deus, ela nomeia, enla\u00e7a a voz e a palavra.<\/p>\n<p>Eu digo isto: no deslumbramento do encontro, durante o j\u00e1 famoso ver\u00e3o de 80, h\u00e1 a voz. Sua voz. O modo de dizer inteiramente as palavras, o modo de ir buscar a palavra, de encontrar a palavra justa, a palavra verdadeira, de deixar a palavra chegar at\u00e9 a boca passando pelo sil\u00eancio do pensamento. (ANDREA, 1999, p. 41, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/p>\n<p>E, ainda: \u201cQuando ela fala, ela parece inventar a palavra, e eu ou\u00e7o a palavra pela primeira vez, como se ela nunca tivesse sido dita antes\u201d, \u201cEla \u00e9 a autora das palavras e a autora de sua pr\u00f3pria voz\u201d (ANDREA, 1999, p. 42, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<p>S<sub>1 <\/sub>do lado dela, ou mesmo A Mulher, da qual Lacan diz que ela \u00e9 o Outro nome do Pai, pequeno\u00a0<em>a<\/em>\u00a0do lado dele, as condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o reunidas para que isso se escreva entre eles, pelo menos \u00e0s vezes, temporariamente, notadamente nos momentos de escrita. Eis o que ele diz disso: \u201cE nesse momento h\u00e1, direi assim, uma terceira pessoa conosco. N\u00f3s n\u00e3o existimos mais. N\u00e3o h\u00e1 mais nome de autor, h\u00e1 simplesmente a escrita que est\u00e1 sendo produzida. E \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o tal [&#8230;] uma emo\u00e7\u00e3o da verdade\u201d (ANDREA, 1999, p. 38, tradu\u00e7\u00e3o nossa). Ela se tornou seu pr\u00f3prio nome:<\/p>\n<p>Posso dizer assim: ela inventa, ela cr\u00ea nisso, ela me inventa, ela me d\u00e1 um nome, ela me d\u00e1 uma imagem, ela me chama, ningu\u00e9m me chamou tanto quanto ela, dia e noite, ela me d\u00e1 as palavras, palavras, suas palavras, ela d\u00e1 tudo, e eu estou a\u00ed, estou a\u00ed para isso. N\u00e3o fa\u00e7o perguntas, n\u00e3o pe\u00e7o nada. (ANDREA, 1999, p. 50, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/p>\n<p>Vers\u00e3o \u00faltima, parox\u00edstica do amor, ele ilustra uma condi\u00e7\u00e3o de possibilidade de um amor que faz verdadeiramente rela\u00e7\u00e3o, ao pre\u00e7o de sua pr\u00f3pria inexist\u00eancia. Ele enuncia, ao mesmo tempo, o imposs\u00edvel:<\/p>\n<p>Ela tomou tudo. Eu dei tudo. Inteiramente. Exceto que n\u00e3o havia nada para tomar. Eu estava l\u00e1. Totalmente. N\u00e3o para ela, n\u00e3o, acontece que era ela que estava l\u00e1, portanto eu estava l\u00e1 para ela, mas antes de tudo eu estava l\u00e1 perto dela, o mais perto sem nunca cessar de estar separado dela. Ela quer tudo de mim, at\u00e9 o amor, at\u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a morte compreendida, ela quer acreditar com todas as suas for\u00e7as nesta ilus\u00e3o magn\u00edfica, ela acredita nisso, ela se d\u00e1 todos os meios para criar uma esp\u00e9cie de amor total, de todos os instantes, ela sabe que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, que eu n\u00e3o sou f\u00e1cil, que eu resisto, que n\u00e3o posso fazer mais e, no entanto, ela insiste, ela quer mais, como uma esp\u00e9cie de desafio heroico e v\u00e3o. Para ela, para mim. Ela quer tudo, ela quer o todo e ela n\u00e3o quer nada. Nada de nada. E at\u00e9 o fim da vida, essa tentativa. Que eu e ela, que isso fa\u00e7a Um, ao passo que n\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, em nenhum caso, em todos os casos isso falha, ela sabe, ela sabe disso, ela sabe que ela e eu, isso faria antes tr\u00eas. Que a resolu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, a tentar, a refazer sempre, passa por um terceiro elemento: a escrita. (ANDREA, 1999, p. 67, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o concluiria, de fato, que o fracasso \u00e9 prefer\u00edvel? Que ilustra\u00e7\u00e3o mais contundente da maneira como a rela\u00e7\u00e3o sexual se relaciona a uma escrita. Assim, ele enuncia ainda:<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o espero nada. <em>No money<\/em>. <em>Nothing<\/em>. Apenas voc\u00ea. Sua pessoa ligada a mim e a minha \u00e0 sua. Numa esp\u00e9cie de la\u00e7o imbecil, absurdo, que n\u00e3o tem sentido, isso n\u00e3o rima com nada, voc\u00ea diz isso. Isso n\u00e3o rima em nada, sim. E no entanto isso est\u00e1 a\u00ed. O qu\u00ea? O que estaria a\u00ed que existiria como uma prova da exist\u00eancia de Deus, uma prova imposs\u00edvel, sempre a verificar, sempre a provar, enquanto se sabe que n\u00e3o h\u00e1 prova, sim sabe-se, n\u00e3o haveria sen\u00e3o palavras, que a verdade que tenta sempre estar a\u00ed entre n\u00f3s, que existe por vezes, ela est\u00e1 a\u00ed, numa esp\u00e9cie de gra\u00e7a insustent\u00e1vel, ent\u00e3o \u00e9 preciso ir al\u00e9m, amar-se, amar o mundo ainda mais e ela volta, ela est\u00e1 a\u00ed, a verdade da palavra. (ANDREA, 1999, p. 146-147, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/p>\n<p>Tudo op\u00f5e Woody Allen e Yann Andrea. Para este \u00faltimo, uma vers\u00e3o pura, mas insustent\u00e1vel e desumanizada do amor, que, no entanto, o sustentou ao pre\u00e7o de seu desmoronamento com a morte de Marguerite Duras; para Woody Allen, o humor e a leveza do fracasso generalizado, reflexo de nossa humanidade. Escolhamos.<\/p>\n<p>Nossos sinceros agradecimentos \u00e0 Sophie Marret-Maleval por nos permitir a publica\u00e7\u00e3o de seu texto neste n\u00famero de Almanaque On-line.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>ANDREA, Y. <em>Cet amour-l\u00e0<\/em>. Genebra: Jean-Jacques Pauvert, 1999.<\/h6>\n<h6>BAUDELAIRE, C. <em>Mon c\u0153ur mis \u00e0 nu (Deuxi\u00e8me partie des journaux intimes)<\/em>. 1887. Dispon\u00edvel em: http:\/\/elg0001.free.fr\/pub\/pdf\/baudelaire_mon_coeur_mis_a_nu.pdf. Acesso em: 01 dez. 2025.<\/h6>\n<h6>CHATEAUBRIAND, F.-R.\u00a0Atala, suivi de Ren\u00e9. Paris: Flammarion, 2014. (Trabalho original publicado em 1964).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens (Contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 psicologia do amor I). In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jayme Salom\u00e3o. Rio de Janeiro: Imago, Vol. II. Rio de Janeiro: Imago, 1996a. (Trabalho original publicado em 1910).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. Sobre a tend\u00eancia universal \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o na esfera do amor (Contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 psicologia do amor II) (1910). In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jayme Salom\u00e3o. Rio de Janeiro: Imago, Vol. II. Rio de Janeiro: Imago, 1996b. (Trabalho original publicado em 1910).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XXI, 1996. p. 74-171. (Trabalho original publicado em 1930).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: Mais, ainda. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Trabalho original proferido em 1972-73).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. Radiofonia. In: <em>Outros escritos. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. (Trabalho original publicado em 1970).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. Lituraterra. In: <em>Outros escritos. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. (Trabalho original publicado em 1971).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 16<\/em>:\u00a0 De um Outro ao outro. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro; prepara\u00e7\u00e3o de texto de Andr\u00e9 Telles; vers\u00e3o final Angelina Harari e J\u00e9sus Santiago. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008. (Trabalho original proferido em 1968-69).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 18<\/em>: De um discurso que n\u00e3o fosse semblante. Tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009. (Trabalho original proferido em 1971).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 19<\/em>: &#8230;ou pior. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro; vers\u00e3o final de Marcus Andr\u00e9 Vieira; prepara\u00e7\u00e3o de texto de Andr\u00e9 Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012. (Trabalho original proferido em 1971-72).<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Causerie sur l\u2019amour. <em>Cahiers de l\u2019ACF-VLB<\/em>, n. 10, 1998.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Uma fantasia. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana: Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, n. 42, p. 7-18, fev. 2005.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. <em>El partenaire-s\u00edntoma. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2008.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Os seis paradigmas do gozo. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online<\/em>, ano III, n. 7, p. 1-49, mar. 2012. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_7\/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf. Acesso em: 01 ago. 2024.<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][\/vc_section]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_section css=&#8221;.vc_custom_1772473289297{background-color: #EADAD0 !important;}&#8221;][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Sophie Marret-Maleval Psicanalista AME Membro da \u00c9cole de la Cause freudienne (ECF), da New Lacanian School (NLS) e da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise (AMP) E-mail: marret-maleval.sophie@orange.fr [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap:&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58735,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[519,39],"tags":[],"class_list":["post-58734","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-36","category-trilhamentos","category-519","category-39","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58734","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58734"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58734\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58805,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58734\/revisions\/58805"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58735"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}