{"id":58754,"date":"2026-03-02T11:40:19","date_gmt":"2026-03-02T14:40:19","guid":{"rendered":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/?p=58754"},"modified":"2026-03-12T08:01:29","modified_gmt":"2026-03-12T11:01:29","slug":"a-ilusao-da-relacao-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2026\/03\/02\/a-ilusao-da-relacao-sexual\/","title":{"rendered":"A ilus\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o sexual"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_section css=&#8221;.vc_custom_1772473171481{background-color: #EADAD0 !important;}&#8221;][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Ludmilla F\u00e9res Faria<\/p>\n<h6>Psicanalista<br \/>\nMembro da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise (EBP)<br \/>\ne da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise (AMP)<br \/>\nE-mail: ludffaria@uol.com.br<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Encontro fortuito de uma m\u00e1quina de costura com um guarda-chuva [&#8230;]. Trata-se do homem e da mulher. Entre os dois n\u00e3o tem acordo, nem harmonia, nenhuma programa\u00e7\u00e3o, nada estabelecido: tudo fica entregue ao acaso, ao que se chama, em l\u00f3gica modal, a conting\u00eancia. N\u00e3o se sai disso.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a imagem usada por Miller para apresentar o Semin\u00e1rio 19 de Lacan, <em>&#8230; ou pior<\/em>, que abre a perspectiva do que ser\u00e1 o tema do Congresso da AMP em 2026, cujo t\u00edtulo \u00e9 o aforisma lacaniano <em>N\u00e3o existe rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 propor\u00e7\u00e3o entre os gozos, o que indica que entre os gozos feminino e masculino n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o haja rela\u00e7\u00e3o sexual \u2013 que existe, e todos sabemos, dado \u201cque isso ocupa nossa vida terrestre\u201d (LACAN, 1971-72\/2012, p. 97). Mas s\u00e3o gozos que n\u00e3o se acomodam. O homem n\u00e3o sabe o que fazer com seu corpo e muito menos com o corpo do outro.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">N\u00e3o h\u00e1 propor\u00e7\u00e3o entre os gozos, o que indica que entre os gozos feminino e masculino n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h3>\n<p>Da\u00ed Lacan (1971-72\/2012, p. 104) afirmar que esse mito de fazer Um, evocado por Freud, \u201cs\u00f3 pode funcionar no horizonte de um del\u00edrio e n\u00e3o tem nada a ver com seja o que for que encontramos na experi\u00eancia\u201d. Para os animais, isso \u00e9 resolvido pelo instinto, que permite saber qual o melhor caminho a se tomar, assim como permite saber qual \u00e9 o parceiro mais adequado e qual \u00e9 o inadequado. Para os humanos, ao contr\u00e1rio, isso n\u00e3o funciona, rateia. O ser humano por ser inscrito for\u00e7osamente na linguagem tem seu gozo \u00e9 alterado, desviado de sua satisfa\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>Nos perguntamos, ent\u00e3o: o que \u00e9 que finalmente produz o corte entre o animal e o humano? Podemos dizer que \u00e9 justamente a apari\u00e7\u00e3o da linguagem em nossa esp\u00e9cie o que faz com que se produza esse corte, que nos separa radicalmente do programa pulsional, que faz funcionar o mundo animal. Isto \u00e9, a sexualidade humana \u00e9 fundamentalmente desnaturada pela linguagem.<\/p>\n<p>N\u00f3s, os humanos, estamos inscritos em um meio em que h\u00e1 palavras que, por um lado, nos permitem nos relacionarmos e, por outro, tamb\u00e9m nos arrastam permanentemente para o sentido, enredando-nos em um gozo que necessita de algum tipo de embreagem para deixar de ser um gozo aut\u00edstico. Ent\u00e3o, trope\u00e7amos com o desejo, que persegue algo, mas que \u00e9 empurrado por uma causa que est\u00e1 sempre alhures. Um desejo que necessita tamb\u00e9m da embreagem do fantasma, essa fic\u00e7\u00e3o de sentido que permite amortizar as falhas do sujeito e do Outro. Necessitamos dessa fic\u00e7\u00e3o, desse artif\u00edcio, esse pequeno mecanismo de engano para poder suportar o real que encobre, \u201co que ser\u00e1 melhor &#8230;ou pior\u201d, conforme Miller aponta na contracapa do Semin\u00e1rio 19.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][vc_single_image image=&#8221;58757&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">Nos perguntamos, ent\u00e3o: o que \u00e9 que finalmente produz o corte entre o animal e o humano? Podemos dizer que \u00e9 justamente a apari\u00e7\u00e3o da linguagem em nossa esp\u00e9cie o que faz com que se produza esse corte, que nos separa radicalmente do programa pulsional, que faz funcionar o mundo animal. Isto \u00e9, a sexualidade humana \u00e9 fundamentalmente desnaturada pela linguagem.<\/span><\/h3>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]O d\u00e9cimo nono ano do ensino oficial de Lacan introduz uma inquieta\u00e7\u00e3o sobre os limites da fun\u00e7\u00e3o paterna e, portanto, sobre o modo como concebemos a dire\u00e7\u00e3o do tratamento. A formaliza\u00e7\u00e3o lacaniana da partilha sexual, centrada na heran\u00e7a freudiana, j\u00e1 havia mostrado seus limites no que tange ao drama ed\u00edpico. Afinal, a cren\u00e7a na exce\u00e7\u00e3o paterna, que institui dois polos de normaliza\u00e7\u00e3o sexual com rela\u00e7\u00e3o ao gozo do falo \u2013 masculino e feminino \u2013, n\u00e3o recobre totalmente nosso ser sexuado, destacando um gozo imposs\u00edvel de negativizar, excessivo, fora de lei paterna.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio 19, Lacan prepara o terreno para o que, um ano depois, desaguar\u00e1 no Semin\u00e1rio 20, <em>Mais, ainda<\/em>: as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, o n\u00e3o todo, os gozos f\u00e1lico e feminino, as defini\u00e7\u00f5es do necess\u00e1rio, do contingente e do imposs\u00edvel. E, a partir da\u00ed, o fracasso da exce\u00e7\u00e3o paterna, fundamentado no Todo consistente, na sustenta\u00e7\u00e3o da partilha sexual, expresso pelo \u201cn\u00e3o todo\u201d do lado feminino da t\u00e1bua, que n\u00e3o \u00e9 recoberto pelo gozo f\u00e1lico. Excedente que, de in\u00edcio, \u00e9 imputado ao gozo feminino e mais tarde \u00e9 estendido ao gozo enquanto tal, e que encontramos nas experi\u00eancias de devasta\u00e7\u00e3o, nas viv\u00eancias m\u00edsticas, psic\u00f3ticas e, tamb\u00e9m, nas an\u00e1lises levadas at\u00e9 final. Isso que arrebata o corpo e que, talvez por isso, leva Miller a nomear o cap\u00edtulo de onde extra\u00edmos o t\u00edtulo desta conversa \u2013 \u201cA parceria desvanecida\u201d \u2013, indicando bem por a\u00ed que se trata da parceira enquanto <em>heteros<\/em>, a outra, aquela que n\u00e3o est\u00e1 toda submetida \u00e0 fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica e que tem a propriedade de desvanecer-se.<\/p>\n<p><strong>Das fic\u00e7\u00f5es \u00e0 fix\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Contudo, como destaca Miller, no cerne desse Semin\u00e1rio encontra-se a rela\u00e7\u00e3o entre o gozo e o Um, sintetizada na c\u00e9lebre f\u00f3rmula <em>H\u00e1-Um<\/em>. Esse aforisma complementa o \u201cN\u00e3o existe\u201d da rela\u00e7\u00e3o sexual e enuncia o que h\u00e1. O que h\u00e1 ap\u00f3s esvaziar-se da presen\u00e7a do Outro, a ponto de nos defrontarmos com a perda da capacidade de manter nossa unidade.<\/p>\n<p>Nesse momento, n\u00e3o se trata do ao-menos-Um paterno, nem do Um do est\u00e1dio do espelho, mas do Um-sozinho, ligado ao gozo e que se inscreve no corpo. Para Miller, tamb\u00e9m na referida contracapa do Semin\u00e1rio 19, \u201caqui come\u00e7a o \u00faltimo ensino de Lacan. Ali est\u00e1 tudo que ele ensinou, e, no entanto, \u00e9 tudo novo, renovado, virado de pernas para o ar\u201d.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">Todo corpo vivo goza de si mesmo, mas, no ser falante, o corpo vivo ganha um novo estatuto ao sofrer a incid\u00eancia da linguagem como um acontecimento que transforma o gozo que seria natural.<\/span><\/h3>\n<p>O aforismo <em>H\u00e1-Um<\/em> \u00e9 estabelecido por Lacan num dos momentos te\u00f3ricos mais criativos de seu ensino, quando ele exp\u00f5e toda complexidade dessa quest\u00e3o. Afinal, \u201cque vamos buscar no Outro se o gozo \u00e9 profundamente gozo do Um?\u201d. E \u00e9 porque o ponto de partida no seu \u00faltimo ensino \u00e9 o gozo do Um, e n\u00e3o do Outro, que ele \u201cse autoriza a dizer que o Outro n\u00e3o existe em rela\u00e7\u00e3o ao confinamento do gozo do Um\u201d (MILLER, 2012, p. 199).<\/p>\n<p>Depois de valorizar o corpo mortificado pelo significante, um corpo esvaziado de sua dimens\u00e3o de ser vivo, Lacan constata que a incid\u00eancia da linguagem sobre o corpo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mortifica\u00e7\u00e3o. Assim, a partir do Semin\u00e1rio 20, o significante n\u00e3o apenas ordena o discurso, cujos efeitos produzem o sujeito, como tamb\u00e9m produz gozo no corpo e o vivifica: \u201cn\u00f3s n\u00e3o sabemos o que \u00e9 estar vivo, sen\u00e3o apenas isso, que um corpo, isso se goza\u201d (LACAN, 1972-73\/1982, p. 35).[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo corpo vivo goza de si mesmo, mas, no ser falante, o corpo vivo ganha um novo estatuto ao sofrer a incid\u00eancia da linguagem como um acontecimento que transforma o gozo que seria natural. Podemos entender esse dist\u00farbio de gozo produzido pela linguagem como um gozo que \u00e9 experimentado como estando aqu\u00e9m, ou, ent\u00e3o, estando em excesso em rela\u00e7\u00e3o a um suposto gozo \u201cnatural\u201d. Lacan nomeia como \u201cdesregula\u00e7\u00e3o\u201d o \u201cUm [que] se imprime sobre o corpo e introduz um dist\u00farbio de gozo\u201d e, ainda, \u201ca repeti\u00e7\u00e3o do Um comemora a irrup\u00e7\u00e3o de um gozo inesquec\u00edvel\u201d (MILLER, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller chama de acontecimento de corpo esse encontro que n\u00e3o responde a nenhuma lei pr\u00e9via, imposs\u00edvel de ser abolido, um gozo silencioso e fixado de uma vez por todas, que n\u00e3o cessa e que tamb\u00e9m n\u00e3o tem porqu\u00ea, mas que reitera. Desde ent\u00e3o, o sujeito se v\u00ea ligado a um ciclo de repeti\u00e7\u00f5es cujas inst\u00e2ncias n\u00e3o se adicionam e cujas experi\u00eancias n\u00e3o lhe ensinam nada. \u201cH\u00e1 o Um\u201d \u00e9 uma formula\u00e7\u00e3o que constitui o primeiro passo de: \u201ca rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe\u201d. Essa \u00e9 consequ\u00eancia da primazia do Um, uma vez que ele marca o corpo com um acontecimento de gozo. Ali onde reinavam as fic\u00e7\u00f5es, Lacan faz prevalecer as <em>fix\u00f5es<\/em> do gozo, substituindo os efeitos de sentido por esse gozo opaco, sem sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A incid\u00eancia do significante produz, assim, o sintoma em duas vertentes: como sentido que clama por interpreta\u00e7\u00e3o, e como sem sentido, pura reitera\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> \u2013 o que leva Lacan a mudar a grafia deste \u00faltimo para sinthoma. Esse gozo repetitivo, que hoje chamamos de adi\u00e7\u00e3o, e que Lacan chama de sinthoma, s\u00f3 tem rela\u00e7\u00e3o com esse Um, com S<sub>1<\/sub>, o que significa que ele n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com S<sub>2<\/sub>. E o que faz fun\u00e7\u00e3o de S<sub>2<\/sub>, no caso, fun\u00e7\u00e3o de Outro, desse S<sub>1<\/sub>, \u00e9 o pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sinthoma \u00e9 definido como um acontecimento de corpo que evidentemente d\u00e1 lugar ao sentido; a partir desse acontecimento, uma sem\u00e2ntica dos sintomas se desenvolve, mas, na raiz dessa sem\u00e2ntica, h\u00e1 um puro acontecimento de corpo, o que leva Miller a afirmar um itiner\u00e1rio de Lacan que vai do ser ao Um, da ontologia \u00e0 henologia. O sinthoma, como Um de gozo que se repete, podemos aproxim\u00e1-lo de uma escrita selvagem do gozo, fora do sistema, escrita do Um sozinho, ao passo que o S<sub>2<\/sub> do qual ele seria correlato \u00e9 apenas suposto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, sob essa \u00f3tica, de uma psican\u00e1lise que parte da considera\u00e7\u00e3o do gozo do pr\u00f3prio corpo, do gozo do ser falante, que n\u00e3o implica a presen\u00e7a do Outro, com quem o ser falante joga sua partida? Na psican\u00e1lise ordenada pelo gozo do Um, a quest\u00e3o passa a ser sob quais condi\u00e7\u00f5es uma rela\u00e7\u00e3o pode ser estabelecida com o parceiro sexual. E como o sinthoma \u2013 como forma desse gozo do Um \u2013 poder\u00e1 participar dessa rela\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O sujeito lacaniano \u00e9 impens\u00e1vel sem um parceiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Miller (2005, p. 284), o parceiro \u00e9 uma inst\u00e2ncia com a qual o sujeito se liga de maneira essencial, uma inst\u00e2ncia que lhe causa problema, mas se ele for correto reconhece que ama. Por isso, n\u00e3o devemos nos hipnotizar com a posi\u00e7\u00e3o do sujeito, mas nos perguntar com quem ele joga sua partida. \u00c9 nesse sentido que ele prop\u00f5e uma teoria das parcerias e dedica um semin\u00e1rio a desenvolver as m\u00faltiplas formas desse parceiro se apresentar: \u201cSem d\u00favida o parceiro sintoma \u00e9 a f\u00f3rmula mais geral para recobrir o parceiro multifacetado\u201d (MILLER, 2017, s.p.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na parceria imagin\u00e1ria, o sujeito joga sua partida com sua imagem. O est\u00e1dio do espelho \u00e9 a vers\u00e3o lacaniana do narcisismo freudiano, que parecia prop\u00edcio a fundar uma autarquia do sujeito, que n\u00e3o precisa de nada e encontra em si mesmo seus objetos. O narcisismo seria, portanto, a aus\u00eancia de partida. O est\u00e1dio do espelho inverte essa leitura ao introduzir a alteridade no seio da identidade. Lacan formalizou essa partida imagin\u00e1ria com <em>a-a\u2019<\/em>.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0 Reitera\u00e7\u00e3o: repeti\u00e7\u00e3o do mesmo, na qual n\u00e3o se acrescenta um a mais; \u00e9 sempre o mesmo Um que se repete, sem constituir cadeia.<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">Na psican\u00e1lise ordenada pelo gozo do Um, a quest\u00e3o passa a ser sob quais condi\u00e7\u00f5es uma rela\u00e7\u00e3o pode ser estabelecida com o parceiro sexual. E como o sinthoma \u2013 como forma desse gozo do Um \u2013 poder\u00e1 participar dessa rela\u00e7\u00e3o?<\/span><\/h3>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Quando se trata da parceria simb\u00f3lica, temos tamb\u00e9m a unidade simb\u00f3lica do sujeito afetada por uma falta de significante. A raiz dessa parceria est\u00e1 constitu\u00edda pela falta de um significante que possa suprir o sujeito e que ele encontrar\u00e1 no Outro. Por essa vertente, o final da an\u00e1lise coincidia com a obten\u00e7\u00e3o, por parte do sujeito, do significante que lhe faltava, o conceito essencial a\u00ed \u00e9 reconhecimento. Lacan formula essa parceria como algo que traz satisfa\u00e7\u00e3o: o que insiste em ser satisfeito \u2013 a repeti\u00e7\u00e3o \u2013 s\u00f3 pode ser satisfeito por reconhecimento. Nesse sentido, o final de an\u00e1lise est\u00e1 ligado a um significante que \u00e9 dado e adquirido de uma vez por todas, ou seja, a ideia do realizado est\u00e1 no horizonte. Se opomos o par imagem ao par simb\u00f3lico trata-se, neste \u00faltimo, de restituir a cadeia significante, sem qualquer refer\u00eancia ao desejo ou ao gozo. A an\u00e1lise funda, pelo seu m\u00e9todo, pelos meios que emprega, o privil\u00e9gio do sem\u00e2ntico sobre o sexual (MILLER, 2005, p. 292).<\/p>\n<p>A terceira parceria \u00e9 o parceiro essencial que Lacan d\u00e1 ao sujeito, o objeto <em>a<\/em>, revelado atrav\u00e9s da estrutura do fantasma. N\u00e3o \u00e9 o Outro sujeito, nem a imagem, nem o falo, mas um objeto tomado do corpo, de seu pr\u00f3prio corpo. O parceiro essencial que o sujeito tem no Outro \u00e9 o objeto <em>a<\/em>. Mas, se o parceiro essencial \u00e9 o objeto <em>a<\/em> algo de seu gozo pr\u00f3prio, o que \u00e9 a sexualidade, o Outro sexual, se o parceiro essencial do sujeito \u00e9 o objeto <em>a<\/em>, isto \u00e9, algo de seu gozo? Segundo Miller (2005, p. 294), quando Lacan apresentou esse esquema, afirmava que a sexualidade est\u00e1 representada no inconsciente pela puls\u00e3o e, portanto, n\u00e3o est\u00e1 representada no inconsciente, \u201cest\u00e1 representada por outra coisa, \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o representativa\u201d, ou seja, podemos dizer que \u00e9 uma rasura de nenhum tra\u00e7o que lhe seja anterior. A inven\u00e7\u00e3o do objeto <em>a<\/em> j\u00e1 significa que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, que o parceiro do sujeito \u00e9 o dito objeto, e n\u00e3o o outro sexual.<\/p>\n<p>Com esse percurso, Miller demonstra que o parceiro fundamental com quem o sujeito joga sua partida nunca \u00e9 o Outro. N\u00e3o \u00e9 a Outra pessoa. Como se v\u00ea numa an\u00e1lise, o parceiro do sujeito \u00e9 ou algo de si mesmo, como por exemplo, a sua imagem ou o seu mais gozar sob a forma do objeto <em>a<\/em> do qual ele procura extrair seu gozo, ou, numa nova perspectiva a partir do Semin\u00e1rio 20, o seu sinthoma.<\/p>\n<p>Nesse Semin\u00e1rio, a \u00eanfase na parceria est\u00e1 na conting\u00eancia do encontro. Mas, como j\u00e1 dissemos, que a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja escrita n\u00e3o significa que seja falsa, mas que \u00e9 uma f\u00f3rmula que n\u00e3o se encontra no real, que est\u00e1 ausente, o que d\u00e1 lugar \u00e0 conting\u00eancia e mostra sua necessidade no que podemos chamar de hist\u00f3ria sexual do sujeito, a narra\u00e7\u00e3o de seus encontros. O parceiro sexual nunca est\u00e1 estabelecido, programado. O gozo do Outro tomado como corpo \u00e9 sempre inadequado: perverso, por um lado \u2013 no que o Outro se reduz a objeto <em>a<\/em> \u2013, e, do outro, enigm\u00e1tico \u2013 porque a mulher n\u00e3o sabe de que \u00e9 feito seu gozo. Como diz Lacan (1972-73\/1982, p. 100): sobre isso, ela n\u00e3o solta nem uma palavra.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">Se, no encontro, o sujeito tem a ilus\u00e3o, durante um tempo que \u00e9 de suspens\u00e3o, de que a rela\u00e7\u00e3o sexual se escreve, o drama do amor \u00e9 o fato da conting\u00eancia fluir para o necess\u00e1rio. Ele passa do \u201ccessa de n\u00e3o se escrever\u201d para \u201cn\u00e3o cessa de se escrever\u201d: \u201co amor acredita, esta \u00e9 sua ilus\u00e3o, que assim ele se fixa\u201d. O drama do amor vem do fato da necessidade prevalecer sobre a conting\u00eancia. Esse \u00e9 o perigo que encontra no caminho do amor.<\/span><\/h3>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ilus\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o sexual <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Semin\u00e1rio 20 trata-se, portanto, de uma nova doutrina da parceria amorosa: \u201co parceiro sexual s\u00f3 seduz pela maneira com que ele se acomoda com a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d (LACAN, 1972-73\/1982, p. 292). O que podemos dizer sobre isso? Que o que faz o la\u00e7o amoroso \u00e9 a forma como o parceiro lidou com seu sintoma? Segundo Lacan (1972-73\/1982, p. 198), no amor n\u00e3o h\u00e1 outra coisa sen\u00e3o \u201cencontro, o encontro, no parceiro, dos sintomas, dos afetos, de tudo que em cada um a marca o tra\u00e7o de seu ex\u00edlio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pierre Naveau (2017) sublinha que, para Lacan, s\u00f3 h\u00e1 encontro ao acaso. Trata-se de passar do \u201cn\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever\u201d para o \u201ccessa de n\u00e3o se escrever\u201d, da impossibilidade para a conting\u00eancia (NAVEAU, 2017, p. 260). Mas \u00e9 preciso que o sujeito queira saber sobre o que lhe acontece nesse encontro, j\u00e1 que, em se tratando do amor, a quest\u00e3o mais importante diz respeito ao saber. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa estar aberto ou fechado para o encontro. De um lado, trata-se de alguma coisa sobre a qual h\u00e1 a saber e, de outro, h\u00e1 alguma coisa que, no instante, d\u00e1 a ilus\u00e3o de que o encontro se escreve, at\u00e9 mesmo se diz e, por isso mesmo, passa a existir. Lacan diz claramente que \u00e9 uma ilus\u00e3o, uma miragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo Naveau em sua leitura das \u00faltimas li\u00e7\u00f5es do Semin\u00e1rio 20, encontramos o drama do amor. Se, no encontro, o sujeito tem a ilus\u00e3o, durante um tempo que \u00e9 de suspens\u00e3o, de que a rela\u00e7\u00e3o sexual se escreve, o drama do amor \u00e9 o fato da conting\u00eancia fluir para o necess\u00e1rio. Ele passa do \u201ccessa de n\u00e3o se escrever\u201d para \u201cn\u00e3o cessa de se escrever\u201d: \u201co amor acredita, esta \u00e9 sua ilus\u00e3o, que assim ele se fixa\u201d. O drama do amor vem do fato da necessidade prevalecer sobre a conting\u00eancia. Esse \u00e9 o perigo que encontra no caminho do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a necessidade \u201crepele\u201d a conting\u00eancia, o amor se afasta do encontro que o fez nascer, e os enamorados n\u00e3o sabem mais a raz\u00e3o de terem se apaixonado. O amor ent\u00e3o vagueia, se perde nas querelas infind\u00e1veis. Na ocasi\u00e3o do encontro, s\u00e3o dois saberes inconscientes que se encontram, e o drama se instala com o \u201cn\u00e3o querer saber nada do encontro\u201d, o drama est\u00e1 ligado ao saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do amor ao sinthoma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Semin\u00e1rio 23, Lacan se apoia na parceria entre Joyce e sua mulher, Nora, para retomar a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o sexual. Podemos nos perguntar se, no caso de Joyce, a conting\u00eancia que marca seu encontro com Nora \u2013 que poderia dar a ilus\u00e3o, como afirma Lacan no Semin\u00e1rio 20, de que a rela\u00e7\u00e3o sexual \u201cpara de n\u00e3o se escrever\u201d \u2013, n\u00e3o se desloca para o \u201cn\u00e3o para de se escrever\u201d, da conting\u00eancia \u00e0 necessidade, n\u00e3o a necessidade de um destino, mas a necessidade do sinthoma.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ram Mandil, no Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana do primeiro semestre deste ano, destaca que, no caso de Joyce e Nora, n\u00e3o parece haver lugar para o drama do amor em Joyce, e \u201cque \u00e9 curioso encontrar nas queixas de Nora, no in\u00edcio da correspond\u00eancia entre eles, o fato de Joyce jamais pronunciar a palavra amor em suas cartas \u2013 o que nos faz pensar que o amor na rela\u00e7\u00e3o com Nora parece estar subsumido \u00e0s necessidades sinthom\u00e1ticas de Joyce\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir das cartas de amor de Joyce para Nora, Lacan (1975-76\/2007, p. 81) afirma que ela lhe \u201ccai como uma luva\u201d e que entre os dois existe uma rela\u00e7\u00e3o sexual, \u201cainda que eu diga que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual. Mas \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o sexual bem esquisita\u201d. Qual seria, ent\u00e3o, a especificidade da rela\u00e7\u00e3o de Joyce com Nora que leva Lacan a afirmar que h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual? Essa rela\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o se baseia na ilus\u00e3o do amor, estaria assentada em qu\u00ea?<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: Mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1982. (Trabalho original proferido em 1972-73).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. (Trabalho original proferido em 1975-76).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 19<\/em>: &#8230;ou pior. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012. (Trabalho original proferido em 1971-72).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A.\u00a0<em>El Otro que no existe y sus comit\u00e9s de \u00e9tica<\/em>. <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2005.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. <em>O ser e o Um<\/em>. Li\u00e7\u00e3o\u00a0de 23 de mar\u00e7o de 2011. 2011. (In\u00e9dito).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. <em>La fuga del sentido<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">NAVEAU, P. <em>O que do encontro se escreve. <\/em>Belo Horizonte: EBP, 2017.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hip\u00f3tese levantada por Ram Mandil na discuss\u00e3o do referido Cartel.<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][\/vc_section][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_section css=&#8221;.vc_custom_1772473171481{background-color: #EADAD0 !important;}&#8221;][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Ludmilla F\u00e9res Faria Psicanalista Membro da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise (EBP) e da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise (AMP) E-mail: ludffaria@uol.com.br [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58753,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[519,39],"tags":[],"class_list":["post-58754","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-36","category-trilhamentos","category-519","category-39","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58754"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58754\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58822,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58754\/revisions\/58822"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}