{"id":58776,"date":"2026-03-02T08:40:46","date_gmt":"2026-03-02T11:40:46","guid":{"rendered":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/?p=58776"},"modified":"2026-03-02T14:53:18","modified_gmt":"2026-03-02T17:53:18","slug":"entrevista_","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2026\/03\/02\/entrevista_\/","title":{"rendered":"Entrevista"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_section css=&#8221;.vc_custom_1772473920511{background-color: #C4CFC9 !important;}&#8221;][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Algumas colegas da equipe editorial de <em>Almanaque on-line<\/em> disponibilizaram um precioso tempo no trabalho de tradu\u00e7\u00e3o, revis\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o das refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas nas publica\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas do texto da colega francesa Sophie Marret-Maleval. Tal texto recebeu a am\u00e1vel autoriza\u00e7\u00e3o da autora para sua publica\u00e7\u00e3o no presente n\u00famero.<\/p>\n<p>A complexidade da tarefa n\u00e3o lhes arrefeceu o entusiasmo, longe disso! O revezamento das fun\u00e7\u00f5es e a disciplina de uma leitura rigorosa, imposta no exerc\u00edcio de verter ao portugu\u00eas a elabora\u00e7\u00e3o de Sophie Marret-Maleval, foram uma experi\u00eancia de transfer\u00eancia com o texto, representante da transfer\u00eancia \u00e0 psican\u00e1lise lacaniana.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o disso, Almanaque 36 decidiu colocar uma pergunta a cada uma das colegas sobre as formula\u00e7\u00f5es da autora. Acompanhemos suas respostas.<\/p>\n<p><strong>Almanaque 36:<\/strong> Sophie Marret-Maleval menciona que a inspira\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de seu texto veio do poema em prosa de Baudelaire, \u201cO meu cora\u00e7\u00e3o desnudado\u201d:<\/p>\n<p>O mundo s\u00f3 anda pelo mal-entendido.<\/p>\n<p>\u00c9 pelo mal-entendido universal que todo mundo se p\u00f5e de acordo.<\/p>\n<p>Como esses dois versos do poeta se articulam ao aforismo \u201cN\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d?<\/p>\n<p><strong>Ana Helena Souza:<\/strong> A autora explicita, em seu t\u00edtulo, os dois termos sobre os quais ela se debru\u00e7a: o amor e a n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual. Para o senso comum, o amor estaria do lado da poesia e dos poetas, e muitas vezes est\u00e1, justo no sentido, dado por Lacan, daquilo que faz supl\u00eancia \u00e0 inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual para os seres falantes. Baudelaire, ao apontar um desacordo para todos via \u201cmal-entendido universal\u201d, revela a universalidade da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Em franc\u00eas, a n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o, <em>non-rapport<\/em>, traduz-se tamb\u00e9m por falta de propor\u00e7\u00e3o, de harmonia, de conformidade. Mais adiante no poema, o poeta diz que, se nos compreend\u00eassemos, seria \u201cpor desgra\u00e7a\u201d.\u00a0 Leio nessa \u201cdesgra\u00e7a\u201d um &#8230;<em>ou pior<\/em>. O Um de gozo revelado, o Um-sozinho posto a nu, que lugar poss\u00edvel para o la\u00e7o com o Outro? Onde, o amor? Ent\u00e3o, o poeta se compensa do seu amargo saber. A linguagem continua a nos socorrer com seus mal-entendidos, a permitir acordos poss\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Almanaque 36: <\/strong>Est\u00e1 no texto: \u201cN\u00e3o se pode escrever xRy porque n\u00e3o h\u00e1 y, n\u00e3o h\u00e1 significante d\u00b4A Mulher. N\u00e3o se pode, assim, escrever uma rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica entre homem e mulher, o que conduzir\u00e1 Lacan a afirmar que a rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 aquilo que \u201cn\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever\u201d. Como entra o amor nessa impossibilidade?<\/p>\n<p><strong>Let\u00edcia Mello:<\/strong> O texto de Sophie Marret-Maleval articula de forma precisa a fun\u00e7\u00e3o de supl\u00eancia do amor \u00e0 inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. A premissa lacaniana \u201cN\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d indica, conforme citado do Semin\u00e1rio 16 e em \u201cRadiofonia\u201d, que \u201co significante n\u00e3o \u00e9 capaz de dar corpo a uma f\u00f3rmula que seja da rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d (LACAN, 1970\/2003, p. 411). Essa impossibilidade simb\u00f3lica \u00e9 justificada, sobretudo, pelo fato de que a mulher \u00e9 \u201cn\u00e3o-toda\u201d na l\u00f3gica f\u00e1lica, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 um significante que represente a mulher universalmente. O falo simb\u00f3lico n\u00e3o captura a totalidade do feminino. Assim, n\u00e3o havendo um significante d\u2019A mulher, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade l\u00f3gica para uma rela\u00e7\u00e3o entre os sexos. Isso quer dizer que n\u00e3o existe uma complementaridade natural entre os sexos, j\u00e1 que um dos lados, o lado feminino, n\u00e3o tem representa\u00e7\u00e3o. Na falta de um significante que simbolize A mulher, Lacan anuncia que a rela\u00e7\u00e3o sexual, como um encontro complementar entre um homem e uma mulher, \u00e9 imposs\u00edvel; n\u00e3o h\u00e1 uma representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que os uniria. Segundo Lacan, o sexual n\u00e3o se escreve na linguagem, ele \u00e9 uma experi\u00eancia que escapa \u00e0 totalidade simb\u00f3lica. Esse registro \u00e9 incapaz de dar conta da experi\u00eancia sexual e toda tentativa de abord\u00e1-la atrav\u00e9s da linguagem falhar\u00e1. H\u00e1 algo indiz\u00edvel, um resto, um imposs\u00edvel de localizar. Sendo o real, portanto, aquilo que escapa \u00e0 linguagem, a n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 justamente aquilo que \u201cn\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever\u201d. Considerando essa falta fundamental de significante no encontro entre dois sexos, Lacan conclui que o amor opera como compensa\u00e7\u00e3o diante do imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual, ele tapa o vazio da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o. Sophie Marret-Maleval destaca em seu texto que o amor \u00e9 o que permite um \u201cv\u00ednculo entre os inconcili\u00e1veis\u2019. Ele alivia os ideais sem negar o real do imposs\u00edvel. O amor n\u00e3o \u00e9 fus\u00e3o, mas recurso para lidar com a falta de possibilidade da rela\u00e7\u00e3o entre dois falasseres. Ele \u201cfaz supl\u00eancia\u201d ao real no campo sexual. Como sintetiza a autora, o amor \u00e9 uma \u201csolu\u00e7\u00e3o para a solid\u00e3o fundamental\u201d. O falasser \u00e9 marcado por essa solid\u00e3o, decorrente da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual. A linguagem, ao mediar a rela\u00e7\u00e3o com o outro, acentua essa solid\u00e3o, pois o significante \u00e9 incapaz de escrever uma complementaridade entre os sexos. O amor opera uma liga\u00e7\u00e3o entre o Um e o Outro por interm\u00e9dio do objeto <em>a<\/em>. Esse objeto \u00e9 um recorte no real, um \u201cpeda\u00e7o de real\u201d, \u00e9 o objeto que falta e que coloca o Outro no lugar de causa de desejo. O amor \u00e9, ent\u00e3o, uma \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o uma reden\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o elimina a solid\u00e3o estrutural, mas oferece um arranjo contingente para suport\u00e1-la \u2013 um \u201cacordo imposs\u00edvel\u201d entre os sexos, mediado pelo desejo. O amor \u00e9 o que enla\u00e7a, quando a estrutura imp\u00f5e uma descontinuidade. Ele faz com que isso cesse de n\u00e3o se escrever, ou, mais precisamente, nota Lacan (1972-73\/1985, p. 199), o que faz \u201cpassar a nega\u00e7\u00e3o ao n\u00e3o cessa de se escrever, n\u00e3o cessa, n\u00e3o cessar\u00e1\u201d.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][vc_single_image image=&#8221;58778&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]<strong>Almanaque 36:<\/strong> O amor \u00e9 sempre rec\u00edproco, afirma Lacan.\u00a0 O que isso quer dizer?<\/p>\n<p><strong>Beatriz Esp\u00edrito Santo: <\/strong>\u00c9 importante localizarmos que Lacan afirma isso logo nas primeiras p\u00e1ginas do Semin\u00e1rio 20, considerado o per\u00edodo de seu \u00faltimo ensino. Este ser\u00e1 seguido pelo ultim\u00edssimo ensino a partir do cap\u00edtulo 9 do Semin\u00e1rio 23, segundo Miller. No Semin\u00e1rio 19, ele introduz com bastante veem\u00eancia a no\u00e7\u00e3o do Um sozinho e, no Semin\u00e1rio 20, se dedica a falar do amor. Acho interessante esse movimento entre o 19 e o 20, pois ele fala do Um que \u00e9 s\u00f3 e, logo em seguida, como esse Um far\u00e1 la\u00e7o com o Outro \u2013 atrav\u00e9s do amor. O ultim\u00edssimo ensino vai na dire\u00e7\u00e3o do que h\u00e1, H\u00e1-gozo, em contraponto ao que n\u00e3o h\u00e1, n\u00e3o-h\u00e1-rela\u00e7\u00e3o-sexual. Ent\u00e3o, como fica o amor e sua reciprocidade?<\/p>\n<p>Um beb\u00ea que nasce est\u00e1 banhado pela linguagem na forma de lal\u00edngua, mas ele mesmo \u00e9 s\u00f3 um organismo que pulsa. \u00c9 necess\u00e1rio a presen\u00e7a e o contato de outro humano para que possa surgir nele a inten\u00e7\u00e3o de entrada na linguagem. A partir da\u00ed, ele vai isolar de forma totalmente contingente um S<sub>1<\/sub> que far\u00e1 um furo nesse organismo de forma que, ao se apagar, vai marcar o corpo que agora j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 mais puro organismo. Esse S<sub>1<\/sub>\/letra inaugura o corpo pulsional, ainda como Um sozinho. No Semin\u00e1rio 10 (LACAN, 1962-63\/2005), h\u00e1 um esquema muito simples, mas instrutivo, que mostra como em um tempo l\u00f3gico posterior ocorre o encontro de um Sujeito sem barra com o Outro sem barra. Desse encontro surge tanto um sujeito dividido, quanto o Outro dividido, e algo resta dessa opera\u00e7\u00e3o: o objeto <em>a<\/em>.\u00a0 Esse objeto, singular, n\u00e3o \u00e9 do sujeito e n\u00e3o \u00e9 do Outro, ele cai, sobra, e est\u00e1 perdido para sempre. E, porque nos falta algo, vamos em dire\u00e7\u00e3o ao Outro na esperan\u00e7a de que essa falta seja preenchida. De certa forma, \u00e9 isso que Lacan vai chamar de amor: a demanda pela parte perdida, a cren\u00e7a de que dois podem fazer Um. Mas essa completude \u00e9 imposs\u00edvel, ou seja: a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][vc_single_image image=&#8221;58779&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;]O amor \u00e9 rec\u00edproco, pois o sujeito procura no Outro esse objeto singular \u2013 cr\u00ea que o Outro (um Outro espec\u00edfico, aquele que repete as condi\u00e7\u00f5es do primeiro encontro) tenha esse objeto.\u00a0 \u00c9 rec\u00edproco, pois<\/p>\n<blockquote><p>existe um vai-e-vem: o amor que tenho por ti \u00e9 efeito do retorno da causa do amor que tu \u00e9s para mim. Portanto, tu n\u00e3o est\u00e1s a\u00ed \u00e0 toa. Meu amor por ti n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 assunto meu, mas teu tamb\u00e9m. Meu amor diz alguma coisa de ti que talvez tu mesmo n\u00e3o conhe\u00e7as. (MILLER, 2021, p. 12)<\/p><\/blockquote>\n<p>Lacan (1972-73\/1985, p. 12), ao dizer sobre essa reciprocidade, completa que \u201c\u00e9 por isso mesmo que se inventou o inconsciente\u201d. Isso \u00e9 muito bom! Veja que ele fala do movimento do Um sozinho em dire\u00e7\u00e3o ao la\u00e7o social da linguagem, na inven\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 o inconsciente. E esclarece, nessa mesma p\u00e1gina, que o amor demanda o amor, <em>mais, ainda&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Almanaque\u00a036: No filme citado por Sophie Maleval \u2013 <em>Magia ao luar<\/em>, de Woody Allen \u2013, de qual desacordo se trata?<\/p>\n<p>Tamira Bacha: Nesse filme, o personagem Stanley, um m\u00e1gico \u201cardoroso defensor da ci\u00eancia\u201d, considera tolos os que acreditam num mundo metaf\u00edsico. Ele se diz um homem racional e profere, inclusive, que qualquer outro caminho o levaria \u00e0 loucura. Stanley se dedicava a desmascarar falsos m\u00e9diuns. A convite de um m\u00e1gico conhecido que se dizia amigo, conhece Sophie, uma jovem mulher, que se apresentava como m\u00e9dium, telepata, como aquela que poderia \u201cconvocar o mundo invis\u00edvel\u201d. A\u00ed podemos localizar o impasse entre esse par Stanley\/Sophie: um homem que se dizia racionalista, que n\u00e3o se deixava enganar, iludir, e uma mulher farsante, que desafia a raz\u00e3o, o bom senso. N\u00e3o h\u00e1 complementariedade l\u00f3gica entre eles. Por\u00e9m, Stanley sucumbe ao sorriso enigm\u00e1tico e ao olhar de Sophie, quando \u00e9 tomado pela alegria do tolo, um \u201ctruque\u201d que ele n\u00e3o entende. O car\u00e1ter irracional do sentimento amoroso pelo qual Stanley foi arrebatado o deixou cego \u00e0s trapa\u00e7as de Sophie. A pr\u00f3pria Sophie aponta para o que rateia na rela\u00e7\u00e3o, em uma de suas falas finais, quando Stanley, embara\u00e7ado, tenta convenc\u00ea-la de desistir de se casar com outro homem e ficar com ele. Sophie ent\u00e3o lhe diz: \u201cVoc\u00ea \u00e9 brilhante com um ma\u00e7o de cartas, mas \u00e9 p\u00e9ssimo para me pedir a m\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Almanaque 36: No texto, h\u00e1 uma cita\u00e7\u00e3o importante de \u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, relacionada ao discurso da ci\u00eancia que n\u00e3o quer saber sobre a puls\u00e3o de morte de Freud. Poderia comentar essa passagem?<\/p>\n<p>M\u00e1rcia Bandeira: Esse trecho de \u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d que a autora cita traz uma reflex\u00e3o profunda sobre o destino da civiliza\u00e7\u00e3o humana e sua eterna luta entre as for\u00e7as da vida e da destrui\u00e7\u00e3o. Essa passagem est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 teoria das puls\u00f5es em Freud, em que a puls\u00e3o de vida (Eros), representada pelo amor, coopera\u00e7\u00e3o e autoconserva\u00e7\u00e3o, se op\u00f5e \u00e0 puls\u00e3o de morte (Thanatos), que tende \u00e0 desagrega\u00e7\u00e3o, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o e ao retorno do estado inorg\u00e2nico, manifestada como agressividade e autodestrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O dom\u00ednio das for\u00e7as da natureza pela ci\u00eancia e tecnologia criou o poder do exterm\u00ednio total. Os homens sabem disso e essa consci\u00eancia da aniquila\u00e7\u00e3o iminente \u00e9, para Freud, a fonte de grande parte da \u201cinquieta\u00e7\u00e3o, infelicidade e ang\u00fastia\u201d contempor\u00e2neas. Esse conflito descrito por Freud se agrava ainda mais hoje, pelo poder destrutivo da tecnologia moderna. O discurso da ci\u00eancia s\u00f3 mant\u00e9m a ilus\u00e3o de que podemos compensar o fracasso, o sofrimento e o mau funcionamento<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: Mais, ainda. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Trabalho original proferido em 1972-73).<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>LACAN, J. Radiofonia. In: <em>Outros escritos. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p. 400-447. (Trabalho original publicado em 1970).<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 10<\/em>: A ang\u00fastia. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; vers\u00e3o final de Angelina Harari e prepara\u00e7\u00e3o de texto de Andr\u00e9 Telles; tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. (Trabalho original proferido em 1962-63).<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>MILLER, J.-A. Entrevista a Jacques-Alain Miller. <\/strong><strong><em>Lacan XXI \u2013 Revista Fapol Online<\/em><\/strong><strong>, n. 10, p. 11-14, 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.lacan21.com\/sitio\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Lacan-21-n10-maio-2021-PORT.pdf. Acesso em 10 jan. 2026.<\/strong><\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][\/vc_section]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_section css=&#8221;.vc_custom_1772473920511{background-color: #C4CFC9 !important;}&#8221;][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Algumas colegas da equipe editorial de Almanaque on-line disponibilizaram um precioso tempo no trabalho de tradu\u00e7\u00e3o, revis\u00e3o e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58777,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[519,38],"tags":[],"class_list":["post-58776","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-36","category-encontros","category-519","category-38","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58776"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58776\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58809,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58776\/revisions\/58809"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}