{"id":58785,"date":"2026-03-02T08:30:58","date_gmt":"2026-03-02T11:30:58","guid":{"rendered":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/?p=58785"},"modified":"2026-03-02T14:54:36","modified_gmt":"2026-03-02T17:54:36","slug":"o-pensamento-obsessivo-como-objeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2026\/03\/02\/o-pensamento-obsessivo-como-objeto\/","title":{"rendered":"O pensamento obsessivo como objeto"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_section css=&#8221;.vc_custom_1772474002856{background-color: #DEC79E !important;}&#8221;][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Rodrigo Goes e Lima<\/p>\n<h5>Psic\u00f3logo (UFMG),<br \/>\nMestre em Filosofia (New School for Social Research),<br \/>\nDoutorando em Psicologia (PUC Minas)<br \/>\nE-mail: \u201crodrigogoeselima@gmail.com\u201d<\/h5>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<blockquote><p>\u201cE ele n\u00e3o conseguia entender e tentava afugentar aquele pensamento, por ser mentiroso, incorreto, doentio, e substitu\u00ed-lo por outros pensamentos, corretos e saud\u00e1veis. Por\u00e9m, aquele pensamento \u2013 n\u00e3o s\u00f3 o pensamento, mas tamb\u00e9m a realidade \u2013 surgia novamente e parava diante dele.\u201d (TOLSTOI, 1886\/2023, p. 62)<\/p><\/blockquote>\n<p>Consideraremos, adiante, alguns aspectos daquilo que, para o sujeito obsessivo, se constitui enquanto \u201cmat\u00e9ria-prima de seu sintoma\u201d (SANTIAGO, 2024, s.p.), a saber: a categoria do pensamento. J\u00e1 nos primeiros escritos psicanal\u00edticos, Freud (1894\/2006) descreve com clareza a maneira pela qual as representa\u00e7\u00f5es obsessivas (<em>Zwangsvorstellungen<\/em>) se formam a partir do processo de deslocamento de afeto proveniente de outra representa\u00e7\u00e3o, que, por apresentar certa incompatibilidade relativa \u00e0 vida ps\u00edquica do sujeito, \u00e9 recalcada. Em outras palavras, se no sujeito hist\u00e9rico o destino da carga afetiva ligada a uma representa\u00e7\u00e3o tida como inadmiss\u00edvel para o aparelho ps\u00edquico seria a convers\u00e3o, isso \u00e9, a inerva\u00e7\u00e3o som\u00e1tica, na neurose obsessiva o afeto desvinculado da ideia original \u201cfica obrigado a permanecer na esfera ps\u00edquica\u201d (FREUD, 1894\/2006, p. 66), investindo metonimicamente o pr\u00f3prio pensamento. Essa primeira compara\u00e7\u00e3o entre os processos subjacentes \u00e0 histeria e \u00e0 neurose obsessiva \u00e9, anos mais tarde, recapitulada por Freud (1909\/2014) ao descrever os processos ps\u00edquicos por detr\u00e1s da maneira pela qual o recalque opera em cada uma das neuroses. N\u00e3o se trata apenas de uma quest\u00e3o de destino pulsional (seja o corpo, seja o pensamento) que separa a solu\u00e7\u00e3o obsessiva da hist\u00e9rica. H\u00e1, tamb\u00e9m, uma particularidade de a\u00e7\u00e3o do recalque. Enquanto a efetiva\u00e7\u00e3o do recalcamento hist\u00e9rico teria como marca fundamenal a amn\u00e9sia, na neurose obsessiva o recalque tomaria, segundo Freud (1909\/2014, p. 57), um caminho mais simples: \u201cem vez de esquecer o trauma, subtraiu-lhe o investimento afetivo, de modo que na consci\u00eancia resta apenas um conte\u00fado ideativo indiferente, tido como insignificante\u201d. Em suma, segue Freud (1909\/2014), se a hist\u00e9rica teria a impress\u00e3o de que um certo conte\u00fado ps\u00edquico fora esquecido h\u00e1 muito tempo, para o obsessivo <em>tem-se a impress\u00e3o de que sempre se soube daquilo<\/em>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">Recolhemos da cl\u00ednica casos nos quais esse tipo espec\u00edfico de cis\u00e3o ps\u00edquica permite ao obsessivo nutrir, cultivar e devotar-se a uma ideia em segredo. Tal parece ser o caso de paciente que demora anos at\u00e9 se dar ao trabalho de narrar um pensamento em an\u00e1lise, n\u00e3o sem antes advertir o analista de que esse mesmo pensamento, por tanto tempo protegido, o acomete todos os dias.<\/span><\/h3>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Freud exemplifica a ambiguidade da faculdade de \u201cconhecimento\u201d do obsessivo em bem-humorada nota de rodap\u00e9, ao dizer que os gar\u00e7ons que costumavam servir Schopenhauer no restaurante que frequentava em Frankfurt o conheciam, mas certamente n\u00e3o como o conhecemos hoje. Por mais que tal cis\u00e3o do conhecimento obsessivo n\u00e3o nos traga nenhuma novidade, se a considerarmos como exemplo da conhecida defini\u00e7\u00e3o lacaniana do inconsciente como um \u201csaber que n\u00e3o se sabe\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 129), ela parece permitir considerar uma interessante particularidade cl\u00ednica a respeito dos processos ps\u00edquicos envolvidos na opera\u00e7\u00e3o de recalque. Se, como Freud (1909\/2014) prop\u00f5e, estamos aqui lidando com dois tipos de <em>Verdr\u00e4ngung<\/em>, poder\u00edamos tamb\u00e9m entender que cada uma delas implica em posi\u00e7\u00f5es subjetivas e formas de satisfa\u00e7\u00e3o neur\u00f3tica diferentes relativas ao material evitado. Recolhemos da cl\u00ednica casos nos quais esse tipo espec\u00edfico de cis\u00e3o ps\u00edquica permite ao obsessivo nutrir, cultivar e devotar-se a uma ideia em segredo. Tal parece ser o caso de paciente que demora anos at\u00e9 se dar ao trabalho de narrar um pensamento em an\u00e1lise, n\u00e3o sem antes advertir o analista de que esse mesmo pensamento, por tanto tempo protegido, o acomete todos os dias. Por mais aterrorizadora que tal ideia lhe seja e a despeito da vergonha que age no sentido da resist\u00eancia a comunica-lo devido a seu julgamento moral, hipotetiza-se que a particularidade do mecanismo do recalque obsessivo concede ao sujeito a possibilidade de estabelecer com seu pr\u00f3prio pensamento uma parceria particular.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">\u201c\u00e9 totalmente dif\u00edcil descartar que \u00e9 em Freud que encontramos tamb\u00e9m que o pensamento \u00e9 um modo perfeitamente eficaz e, de alguma forma, suficiente em si mesmo, de satisfa\u00e7\u00e3o masturbat\u00f3ria.\u201d (LACAN, 1961-62\/2003, p. 19).<\/span><\/h3>\n<p>Argumenta-se, assim, que no obsessivo, a reten\u00e7\u00e3o do pensamento como simulacro de um objeto precioso possibilitado por uma peculiaridade do mecanismo de recalque dessa neurose permite extrair da faculdade do pensar a cota m\u00e1xima de satisfa\u00e7\u00e3o sexual. N\u00e3o faltam inst\u00e2ncias em Freud e Lacan que constatam o car\u00e1ter sexualizado do pensamento, seja no destaque dado por Freud (1909\/2014, p. 107) em \u201cO Homem dos Ratos\u201d sobre o prazer sexual derivado do ato de pensar, seja na equival\u00eancia entre pensamento e gozo atribu\u00edda por Lacan (1972-73\/1985, p. 96) no Semin\u00e1rio 20, seja ainda na articula\u00e7\u00e3o entre o pensar e a masturba\u00e7\u00e3o no Semin\u00e1rio 9: \u201c\u00e9 totalmente dif\u00edcil descartar que \u00e9 em Freud que encontramos tamb\u00e9m que o pensamento \u00e9 um modo perfeitamente eficaz e, de alguma forma, suficiente em si mesmo, de satisfa\u00e7\u00e3o masturbat\u00f3ria.\u201d (LACAN, 1961-62\/2003, p. 19).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;20px&#8221;][vc_single_image image=&#8221;58787&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;20px&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space between columns *\/ }&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]A partir da articula\u00e7\u00e3o sugerida, destaco dois desdobramentos cl\u00ednicos derivados do uso particular do mecanismo do recalque na neurose obsessiva que convida \u00e0 preval\u00eancia do pensamento. Em primeiro lugar, ressalta-se que tal reten\u00e7\u00e3o do objeto de satisfa\u00e7\u00e3o, que faz do pensamento algo de natureza quase <em>t\u00e1til<\/em>, pass\u00edvel de ser manipulado obsessivamente a trabalho do gozo neur\u00f3tico, estaria justamente atrelada \u00e0 perda da realidade na neurose, aspecto relevante para fins diagn\u00f3sticos (CARVALHO; BARROS, 2017). O segundo ancora-se no argumento lacaniano de que as dificuldades do \u00e2mbito do pensamento encontradas no obsessivo podem ser atribu\u00eddas ao fato dele acreditar que \u201cn\u00e3o \u00e9 tanto por ser culpado que me \u00e9 dif\u00edcil sustentar-me e progredir, mas por ser absolutamente necess\u00e1rio que aquilo que penso seja de mim, e nunca do vizinho, de um outro\u201d (LACAN, 1960-61\/1992, p. 252). Ambas as indica\u00e7\u00f5es apontam para diferentes possibilidades de se considerar, a cada caso, o papel da transfer\u00eancia na perturba\u00e7\u00e3o da defesa contemplativa, em particular no que diz respeito ao car\u00e1ter compulsoriamente autoer\u00f3tico do pensamento obsessivo enquanto objeto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Refer\u00eancias<\/h6>\n<h6>CARVALHO, F.; BARROS, R. Semiologia do pensamento e da linguagem: do ju\u00edzo de realidade ao del\u00edrio universal. In: TEIXEIRA, A.; CALDAS, H. (Orgs). <em>Psicopatologia Lacaniana<\/em>: Semiologia. Vol. 1. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2017.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. As neuropsicoses de defesa. In:\u00a0<em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. III, 2006. (Trabalho original publicado em 1894).<\/h6>\n<h6>FREUD, S. Observa\u00e7\u00f5es sobre um caso de neurose obsessiva [\u201cO Homem dos Ratos\u201d]. In: <em>Obras Completas<\/em>: Observa\u00e7\u00f5es sobre um caso de neurose obsessiva [\u201cO Homem dos Ratos\u201d], uma recorda\u00e7\u00e3o de inf\u00e2ncia de Leonardo da Vinci e outros textos. Vol. 9. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2014. (Trabalho original publicado em 1909).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: Mais, ainda. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Trabalho original proferido em 1972-73).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 8<\/em>: A transfer\u00eancia. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de Dulce Duque Estrada; revis\u00e3o de Romildo do R\u00eago Barros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992. (Trabalho original publicado em 1960-61).<\/h6>\n<h6>LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio, livro 9<\/em>: A Identifica\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o de Ivan Correia e Marcos Bagno. Recife: Centro de Estudos Freudianos do Recife, 2003. (Trabalho original proferido em 1961-62).<\/h6>\n<h6>SANTIAGO, J. Arrancar o obsessivo do dom\u00ednio do olhar. Corpografias: Se\u00e7\u00e3o Sul, EBP [Florian\u00f3polis\/Curitiba], set.\u202f2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ebp.org.br\/sul\/arrancar-o-obsessivo-do dominio-do-olhar1\/. Acesso em: 15 jun. 2025.<\/h6>\n<h6>TOLSTOI, L. A morte de Ivan Ilitch. Tradu\u00e7\u00e3o de Lucas Simoni. Rio de Janeiro: Editora Antof\u00e1gica, 2023. (Trabalho original publicado em 1886).<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][\/vc_section]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_section css=&#8221;.vc_custom_1772474002856{background-color: #DEC79E !important;}&#8221;][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Rodrigo Goes e Lima Psic\u00f3logo (UFMG), Mestre em Filosofia (New School for Social Research), Doutorando em Psicologia (PUC Minas) E-mail: \u201crodrigogoeselima@gmail.com\u201d [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column el_class=&#8221;.flow-columns { -webkit-column-count: 3; \/* Chrome, Safari, Opera *\/ -moz-column-count: 3; \/* Firefox *\/ column-count: 3; \/* Number of columns *\/ -webkit-column-gap: 40px; -moz-column-gap: 40px; column-gap: 40px; \/* Space&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58786,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[519,37],"tags":[],"class_list":["post-58785","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-36","category-o-que-se-conversou","category-519","category-37","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58785"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58785\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58811,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58785\/revisions\/58811"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58786"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}