{"id":619,"date":"2013-07-17T06:55:07","date_gmt":"2013-07-17T09:55:07","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=619"},"modified":"2013-07-17T06:55:07","modified_gmt":"2013-07-17T09:55:07","slug":"funcao-toxica-na-clinica-das-psicoses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2013\/07\/17\/funcao-toxica-na-clinica-das-psicoses\/","title":{"rendered":"Fun\u00e7\u00e3o T\u00f3xica Na Cl\u00ednica Das Psicoses"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>ADRIANA RENNA DE VITA<\/strong><\/h6>\n<p>As descobertas sobre a origem da forma\u00e7\u00e3o dos sintomas neur\u00f3ticos levaram Freud a propor seu m\u00e9todo de tratamento. Sua inten\u00e7\u00e3o era a de que, ao se depararem com a insensatez do seu sintoma, os pacientes se colocassem a falar \u00e0 procura de sua verdade. O paciente supunha que tal verdade estivesse do lado do analista: momento fundante da descoberta da transfer\u00eancia e da possibilidade de decifra\u00e7\u00e3o dos sintomas. O amor de transfer\u00eancia e a suposi\u00e7\u00e3o de saber possibilitariam, ent\u00e3o, o deciframento do sintoma.<\/p>\n<p>Em nossa atualidade, a psican\u00e1lise se depara com algo novo: n\u00e3o se fazem mais sintomas como antigamente. O tempo atual \u00e9 aquele do decl\u00ednio da fun\u00e7\u00e3o paterna, da inexist\u00eancia do Outro e de todas as consequ\u00eancias advindas disso, constat\u00e1veis em nossa cl\u00ednica. E de que cl\u00ednica se trata na contemporaneidade? N\u00e3o mais aquela da \u00e9poca de Freud, em que a sintomatologia cl\u00e1ssica \u2014 fobias, convers\u00f5es, del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es \u2014 fornecia ao analista a mat\u00e9ria-prima a partir da qual sua pr\u00e1tica era orientada. Podemos constatar que, no mundo contempor\u00e2neo, n\u00e3o h\u00e1 mais, como na \u00e9poca da cl\u00ednica cl\u00e1ssica freudiana, cren\u00e7a na exist\u00eancia do Outro da civiliza\u00e7\u00e3o, orientando o la\u00e7o social como um grande ideal simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Podemos observar uma precariedade simb\u00f3lica, em que os sujeitos encontram na impuls\u00e3o pelo ato, incluindo a\u00ed o uso da droga, uma sa\u00edda para aliviar a ang\u00fastia. Na era do Outro que n\u00e3o existe e do direito ao gozo, deparamo-nos com o surgimento de novos sintomas e um tratamento para o gozo que passa pelo real. Se a cl\u00ednica contempor\u00e2nea \u00e9 essa da inexist\u00eancia do Outro, na qual o \u201ctransbordamento\u201d, o \u201cdesgoverno\u201d se fazem cada vez mais presentes, qual tratamento poss\u00edvel para os casos em que a droga e o ato aparecem como \u00fanicos recursos para tratar o mal-estar?<\/p>\n<p>N\u00e3o recuemos, portanto, diante do contempor\u00e2neo e dos novos sintomas. Assim como Lacan nos ensina a n\u00e3o recuar diante das psicoses. Mas como abordar o sintoma em nossa atualidade? Como abordar o sintoma sem o estabelecimento da transfer\u00eancia, sem a suposi\u00e7\u00e3o de saber? Como pensar o sintoma na cl\u00ednica da viol\u00eancia, dos acontecimentos de corpo, na cl\u00ednica da toxicomania? Como entender a fun\u00e7\u00e3o t\u00f3xica na cl\u00ednica das psicoses e em nossa atualidade? Encontramos, cada vez mais, em nossa cl\u00ednica cotidiana, sujeitos que fazem uso excessivo de subst\u00e2ncias, cujos sintomas, longe de se oferecerem \u00e0 decifra\u00e7\u00e3o, colocam o corpo na vertente da degrada\u00e7\u00e3o e da devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este trabalho tem a inten\u00e7\u00e3o de levantar algumas quest\u00f5es referentes a essa cl\u00ednica com sujeitos psic\u00f3ticos que fazem, cada vez mais, uso de alguma subst\u00e2ncia t\u00f3xica. Al\u00e9m disso, pretende abordar a complexa rela\u00e7\u00e3o sujeito-t\u00f3xico-institui\u00e7\u00e3o, na tentativa de esclarecer de que modo podemos operar, a partir da psican\u00e1lise, em uma institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p><strong>Se O Toxic\u00f4mano N\u00e3o Existe, Estamos Diante De Qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>A cl\u00ednica atual tem-nos confrontado, cada vez mais, com um grande n\u00famero de sujeitos psic\u00f3ticos que faz uso de subst\u00e2ncias, uso que nos leva a supor que a parceria entre o psic\u00f3tico e a droga pode se constituir em um dos modos de entrela\u00e7amento que a psicose mant\u00e9m com a atualidade (GRECO, 2011). Apesar desse entrela\u00e7amento, o uso da droga n\u00e3o pode ser pensado da mesma forma na psicose e na neurose. Como ele se daria no caso da psicose, ent\u00e3o?<\/p>\n<p>Com muita frequ\u00eancia, nos tempos atuais, encontramos sujeitos psic\u00f3ticos que fazem uso de subst\u00e2ncias psicoativas como um recurso para tratar algo que n\u00e3o sabem muito bem nomear. No Ateli\u00ea de Pesquisa do Freud Cidad\u00e3o, j\u00e1 citado em nota no t\u00edtulo deste artigo, uma pergunta norteava nossa investiga\u00e7\u00e3o: partimos da ideia de que o uso de uma subst\u00e2ncia tem, para cada sujeito, uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, podendo se situar ao lado do rem\u00e9dio e\/ou da ru\u00edna. Interessava-nos investigar como uma institui\u00e7\u00e3o, orientada pela psican\u00e1lise e pelas inven\u00e7\u00f5es ancoradas na singularidade, poderia operar e oferecer seus dispositivos no tratamento de um mal-estar insuport\u00e1vel que lan\u00e7a os sujeitos em usos excessivos.<\/p>\n<p>A etimologia grega do termo Pharmakon nos fornece uma dupla significa\u00e7\u00e3o. Ele designa tanto aquilo que cura, que pode situar-se do lado do rem\u00e9dio, quanto aquilo que pode aniquilar, matar: o veneno. O que estaria em jogo, portanto, seria o modo de utiliza\u00e7\u00e3o desse Pharmakon, a dose necess\u00e1ria para curar, aliviar, ou a dose que levaria \u00e0 morte. Partindo da considera\u00e7\u00e3o de que o sujeito toxic\u00f4mano n\u00e3o existe, a quest\u00e3o que se coloca \u00e9: que uso se situaria do lado do rem\u00e9dio e\/ou da ru\u00edna? A partir dessas quest\u00f5es, \u00e9 importante investigarmos de que modo poder\u00edamos pensar a dire\u00e7\u00e3o do tratamento das toxicomanias e alcoolismo nas psicoses, de forma a nos permitir avan\u00e7ar um pouco mais sobre o modo espec\u00edfico como o psic\u00f3tico se enla\u00e7a \u00e0 droga.<\/p>\n<p>Sabemos que a tese da ruptura com o falo n\u00e3o serve para pensarmos as psicoses, pois, nesse caso, essa ruptura \u00e9 anterior e estrutural (LAURENT, 1994). Em 1975, Lacan nos diz que a droga seria um modo de o sujeito romper o casamento do corpo com o gozo f\u00e1lico, tese que parece ter-se constitu\u00eddo como norteadora no tratamento anal\u00edtico das toxicomanias. Miller (1992) nos lembra, no entanto, que essa afirma\u00e7\u00e3o de Lacan n\u00e3o poderia servir para classificarmos e definirmos a toxicomania, sendo somente uma tentativa de definir a droga em seu uso. Pensar a toxicomania como ruptura com o gozo f\u00e1lico n\u00e3o \u00e9 pensar necessariamente em forclus\u00e3o do Nome-do-Pai.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os trazidos a essa cl\u00ednica se fizeram notar a partir do momento em que a psican\u00e1lise passou a trabalhar com a no\u00e7\u00e3o de psicose ordin\u00e1ria. Tal no\u00e7\u00e3o nos abre caminhos para pensarmos as psicoses n\u00e3o como uma ruptura, mas como modos distintos de enlaces e desenlaces com o outro. Essa maneira de pensar nos ajuda a entender as toxicomanias: enlaces e desenlaces com o outro, mesmo que, em alguns casos, a partir mesmo da droga. Naparstek (2013) nos lembra de que, em alguns sujeitos, a pr\u00f3pria droga pode servir para enla\u00e7ar-se ao Outro.<\/p>\n<p>Em sua tese de doutorado, defendida em Paris, Naparstek buscou elucidar ainda mais essa quest\u00e3o. Ele nos esclarece, por exemplo, que h\u00e1 uma diferen\u00e7a importante no uso da droga, dentro do quadro da psicose. Ele se referiu \u00e0s diferen\u00e7as entre a paranoia e a esquizofrenia. Entendemos, a partir de Lacan, que o paranoico localiza o gozo no Outro, que o gozo vem do Outro, enquanto, na esquizofrenia, o gozo localiza-se ou retorna no corpo. Isso permite diferenciar duas maneiras diferentes de responder ao gozo que vem do outro. Se o retorno do gozo vem do Outro, encontramos, em alguns pacientes paranoicos, uma resposta atrelada ao significante, a droga atrelada ao significante. Do lado da esquizofrenia, encontramos, muitas vezes, o uso da droga como uma maneira de pacificar o corpo, uma utiliza\u00e7\u00e3o da droga para acalmar o corpo, como um rem\u00e9dio corporal.<\/p>\n<p>Naparstek ainda acrescenta que, durante muito tempo, havia uma ideia amplamente difundida de que dev\u00edamos trabalhar no sentido de produzir uma \u201cdesidentificac\u00e3o\u201d ao significante toxic\u00f4mano, como dire\u00e7\u00e3o do tratamento cl\u00ednico. O autor pede prud\u00eancia quanto a isso e sugere pensarmos o caso a caso. Em muitos casos, uma identifica\u00e7\u00e3o ao \u201cser toxic\u00f4mano\u201d pode ser isso mesmo, uma resposta subjetiva que um sujeito encontra para responder a uma invas\u00e3o de gozo que vem do campo do Outro. Em outros casos, um esquizofr\u00eanico pode consumir a droga, por exemplo, para diminuir os pensamentos, pacificar o corpo, dentre outras estrat\u00e9gias de al\u00edvio. Essas elabora\u00e7\u00f5es nos remetem \u00e0 din\u00e2mica institucional com seus ideais e sua \u201cmiss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>A Institui\u00e7\u00e3o No Caso A Caso: A Inven\u00e7\u00e3o Pela Exce\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Fernanda Otoni de Barros-Brisset, em um interessante texto intitulado \u201cO jogo da casa vazia. N\u00e3o h\u00e1 sujeito sem institui\u00e7\u00e3o\u201d (2011), nos lembra de que, quando um sujeito procura uma institui\u00e7\u00e3o, \u201c[\u2026] n\u00e3o \u00e9 qualquer uma. Algo de sua causa mais \u00edntima o dirigiu at\u00e9 l\u00e1, guiado pelo que sup\u00f5e poder encontrar por ali. A institui\u00e7\u00e3o \u00e9 um Outro: o Outro daquele sujeito. A institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma para todos: cada um tem a sua\u201d (BARROS-BRISSET, 2011, p.2). Isso permite que nos desloquemos da pr\u00e1tica dos protocolos institucionais, do universal para todos; trata-se da escuta do sujeito que para ali se endere\u00e7a, com o que h\u00e1 a\u00ed de mais singular.<\/p>\n<p>No trabalho institucional com sujeitos que fazem uso de subst\u00e2ncias, \u00e9 prudente estarmos atentos a uma discuss\u00e3o que a psican\u00e1lise tem empreendido com a psiquiatria acerca do tratamento das toxicomanias. Comumente, ouvimos que a toxicomania \u201cesconde\u201d a estrutura ps\u00edquica. Como tratamento, ent\u00e3o, prop\u00f5e-se, em muitas cl\u00ednicas, \u201climpar\u201d a toxicomania, atrav\u00e9s da abstin\u00eancia, para encontrarmos a estrutura subjetiva. Naparstek nos aponta uma outra dire\u00e7\u00e3o e sugere que, quando fazemos um diagn\u00f3stico, \u00e9 preciso ir em busca do diagn\u00f3stico da fun\u00e7\u00e3o que a droga tem para cada sujeito, pois essa fun\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m permite localizar o diagn\u00f3stico estrutural. Cessar o uso da droga a qualquer custo pode ent\u00e3o ser extremamente perigoso para alguns sujeitos, pois, muitas vezes, podemos nos deparar com o desencadeamento de uma psicose ou um desarranjo na solu\u00e7\u00e3o que o sujeito encontrou.<\/p>\n<p>Podemos nos apoiar, ent\u00e3o, na ideia de que, quando um sujeito vai em busca da droga, ele vai em busca de uma solu\u00e7\u00e3o. Se pretendemos cessar um uso, \u00e9 preciso prud\u00eancia para encontrarmos o diagn\u00f3stico da fun\u00e7\u00e3o que a droga tem para aquele sujeito e prud\u00eancia tamb\u00e9m para encontrarmos uma nova solu\u00e7\u00e3o que possa tomar o lugar da droga.<\/p>\n<p>A esse respeito, Naparstek nos fala, no Ateli\u00ea de Pesquisa do Freud Cidad\u00e3o, sobre um caso, acompanhado por ele, de um homem que se travestia diante do espelho e que, ao fazer isso, usava a coca\u00edna. Em um ritual solit\u00e1rio inventado por ele e n\u00e3o revelado a ningu\u00e9m por sugest\u00e3o mesmo de seu analista, esse sujeito parece fazer um arranjo, uma pequena \u201clocaliza\u00e7\u00e3o do gozo\u201d.[2] Naparstek pontua com precis\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o muito importante da droga para esse sujeito, fun\u00e7\u00e3o que teria a ver com aquilo que ele chama de \u201clocaliza\u00e7\u00e3o de gozo\u201d<\/p>\n<p>Acerca da cl\u00ednica da psicose, parece-nos importante poder pensar em como localizar o valor de alguns \u00edndices no del\u00edrio de um sujeito, pois localiz\u00e1-los poderia permitir, por um lado, entender a fun\u00e7\u00e3o da droga, e, por outro lado, operar n\u00e3o somente atrav\u00e9s da regula\u00e7\u00e3o do consumo, mas tamb\u00e9m moderando um certo modo de o sujeito lidar com aquilo que \u00e9 da ordem do del\u00edrio. Se o sujeito puder fazer uma pequena localiza\u00e7\u00e3o de gozo na intimidade, \u00e9 preciso preservar isso. Podemos tomar a defini\u00e7\u00e3o da intimidade como um gozo localizado: \u201cquando n\u00e3o existe mais a intimidade, o gozo come\u00e7a a aparecer por todos os lados, e isso provoca um desenlace com o Outro. Se o gozo aparece por todos os lados, \u00e9 imposs\u00edvel falar com o Outro. Se o outro sabe tudo, \u00e9 preciso se desligar dele\u201d (Naparstek, 2013).<\/p>\n<p>Se, para cada sujeito, a droga exerce sua fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o seria ent\u00e3o na via da supress\u00e3o e da abstin\u00eancia que apostar\u00edamos. Desde Freud, sabemos dos riscos e dos efeitos nefastos de tentar eliminar aquilo que o sujeito tem de mais precioso, a saber, seu sintoma. No entanto, se a droga aparece como elemento que permite uma amarra\u00e7\u00e3o, ainda que fr\u00e1gil, por se tratar da psicose, ela revela sua face mort\u00edfera quando o que aparece s\u00e3o corpos devastados e lan\u00e7ados ao abandono. Em nossa cl\u00ednica cotidiana, nosso desafio tem sido, cada vez mais, nos encontrarmos com sujeitos que pouco respondem \u00e0s interven\u00e7\u00f5es, com corpos que parecem ocupar-se deles mesmos, em um gozo mon\u00f3tono, sem sentido. Fernanda Otoni de Barros-Brisset, em seu semin\u00e1rio, no Ateli\u00ea,[3] nos chama a aten\u00e7\u00e3o, entretanto, para o fato de que as rotinas e ideais institucionais n\u00e3o servem mais como refer\u00eancia, e que, diante disso, o analista deve dizer sim ao gozo localizado e inconfess\u00e1vel, \u201cpois escutar esses corpos \u00e9 escutar o que se cala no sintoma\u201d (BARROS-BRISSET, 2013)<\/p>\n<p>Lacan nos recomenda n\u00e3o recuar. Entendemos, no entanto, que \u00e9 preciso pensarmos nas possibilidades de trabalho de uma institui\u00e7\u00e3o sem tomarmos essa recomenda\u00e7\u00e3o como um imperativo, pois, em muitos casos, o recuo calculado pode produzir mais efeitos que o oferecimento excessivo de recursos ou dispositivos.<\/p>\n<p>Como operar ent\u00e3o no trabalho institucional? Talvez possamos acolher as atua\u00e7\u00f5es como demandas, ficarmos atentos ao que se repete e tentarmos entender o que aparece atrav\u00e9s do ato. Quem sabe assim possamos permitir que se inaugure o enigma \u201cO que ele quer de mim?\u201d. Abre-se, dessa forma, uma via poss\u00edvel para faz\u00ea-los respons\u00e1veis pelo que dizem. A equipe cl\u00ednica deve, para isso, estar preparada para a surpresa. Para ir em dire\u00e7\u00e3o ao sujeito, \u00e9 preciso ent\u00e3o acolher o que se apresenta, a princ\u00edpio, como \u00fanicos recursos: a droga e o ato. Para o que n\u00e3o tem governo, tampouco cura, h\u00e1 tratamento, pois ainda nos restam a palavra e a nossa aposta no inconsciente.[4]<\/p>\n<h6>(1) Durante o primeiro semestre de 2013, realizamos, no Freud Cidad\u00e3o, nosso IV Ateli\u00ea de Pesquisa Psicanal\u00edtica. As atividades desse Ateli\u00ea estavam concentradas em investigar as peculiaridades da cl\u00ednica com sujeitos psic\u00f3ticos que fazem uso de alguma subst\u00e2ncia t\u00f3xica. Tema da pequisa: \u201cFun\u00e7\u00e3o t\u00f3xica na cl\u00ednica das psicoses: rem\u00e9dio ou ru\u00edna\u201d. Respons\u00e1veis: Adriana de Vitta, Camila Nuic, Let\u00edcia Soares, Marisa de Vitta, S\u00e9rgio de Mattos (coordenador). O presente texto buscou aprofundar algumas das quest\u00f5es trabalhadas durante os semin\u00e1rios.<\/h6>\n<h6>(2) Remetemos o leitor ao semin\u00e1rio proferido pelo autor no Ateli\u00ea de Pesquisa do Freud Cidad\u00e3o.<\/h6>\n<h6>(3) Fernanda Otoni de Barros-Brisset, psicanalista, membro da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise e Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise, esteve presente no encerramento do Ateli\u00ea, comentando um texto coletivo produzido pela equipe respons\u00e1vel pela pesquisa e intitulado \u201cToxicomania na cl\u00ednica das psicoses: a inven\u00e7\u00e3o pela exce\u00e7\u00e3o\u201d.<\/h6>\n<h6>(4) Essas elabora\u00e7\u00f5es finais fazem parte de uma reflex\u00e3o feita em conjunto com Camila Nuic, psic\u00f3loga do Freud Cidad\u00e3o e uma das respons\u00e1veis pelo Ateli\u00ea, a partir de suas anota\u00e7\u00f5es pessoais do semin\u00e1rio de Musso Greco.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>BARROS-BRISSET, F. O. de. \u201cO jogo da casa vazia. N\u00e3o h\u00e1 sujeito sem institui\u00e7\u00e3o\u201d, Almanaque on-line, Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, Belo Horizonte, n.8, p. 2, jan.\/jun. 2011.<\/h6>\n<h6>BARROS-BRISSET, F. O. de. Semin\u00e1rio proferido pela autora por ocasi\u00e3o do encerramento das atividades do Ateli\u00ea de Pesquisa Psicanal\u00edtica do FREUD CIDAD\u00c3O. Belo Horizonte, 3 de julho de 2013.<\/h6>\n<h6>BATISTA, M. do C.; LAIA, S. (Orgs.). \u201cA Neoconvers\u00e3o\u201d. Sec\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de Bordeaux. Relatores: Carole Dewambrechies-La Sagna e Jean-Pierre Deffieux. A psicose ordin\u00e1ria. Belo Horizonte: Scriptum, 2012, p. 99 a 151.<\/h6>\n<h6>GRECO, H. \u201cOs usos que o psic\u00f3tico faz da droga\u201d, Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v.17, n.2, p.261-277, 2011.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1975). \u201cInterven\u00e7\u00e3o no encerramento das jornadas de cart\u00e9is\u201d. Dispon\u00edvel em: &lt;http:www.ecolelacanianne.net&gt;. Acesso em: 14 set. 2013.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. \u201cComo recompor os nomes do pai\u201d, Curinga, Belo Horizonte, n.20, p.17-26, 2004.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. \u201cFalar com seu sintoma, falar com seu corpo\u201d. Argumento publicado no site do VI ENAPOL (VI Encontro Americano de Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. XVIII Encontro Internacional do Campo Freudiano).<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. \u201cTres ovservaciones sobre la toxicomania\u201d, In: SINATRA, E.; SILLITTI, D.; TARRAB, M. (Orgs.). Sujeito, goce y modernidade II. Buenos Aires: Atuel, 1994.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. \u201cAto e institui\u00e7\u00e3o\u201d, Almanaque on-line, Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, Belo Horizonte, n.8, p. 1-6, jan.\/jul. 2011.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cPara una investigaci\u00f3n sobre el goce auto er\u00f3tico\u201d, In: SINATRA, E.; SILLITTI, D.; TARRAB, M. (Orgs.). Sujeito, goce y modernidade: fundamentos de la cl\u00ednica. Buenos Aires: Atuel-TyA, 1994, v.I, p.13-21.<\/h6>\n<h6>NAPARSTEK, F. Introducc\u00edon a la cl\u00ednica com las toxicomanias Y alcoholismo III. Buenos Aires: Grama, 2010, p.92-93. (Serie TEMPS).<\/h6>\n<h6>NAPARSTEK, F. Semin\u00e1rio proferido no Ateli\u00ea de Pesquisa Psicanal\u00edtica do FREUD CIDAD\u00c3O. Belo Horizonte, 9 de maio de 2013.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Adriana Renna De Vita<\/strong><\/h6>\n<h6>Psic\u00f3loga em forma\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica pelo Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, Mestre em Teoria Psicanal\u00edtica (UFMG), Diretora cl\u00ednica do Freud Cidad\u00e3o. Cidad\u00e3o. E-mail:\u00a0<span id=\"cloak693621133c98988d20b85c240f66e33b\"><a href=\"mailto:adrianavitta@terra.com.br\">adrianavitta@terra.com.br<\/a><\/span>.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ADRIANA RENNA DE VITA As descobertas sobre a origem da forma\u00e7\u00e3o dos sintomas neur\u00f3ticos levaram Freud a propor seu m\u00e9todo de tratamento. Sua inten\u00e7\u00e3o era a de que, ao se depararem com a insensatez do seu sintoma, os pacientes se colocassem a falar \u00e0 procura de sua verdade. 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